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Primeiro de Outubro

Esse mês de setembro foi movimentado. Movimentado no sentido dos movimentos, das manifestações e das ações.

Quero começar com a Paraolimpíada de Tokyo 2020. Apesar de ter sido em 2021 mantiveram a nomenclatura da data original. Peço licença para escrever Tokyo ao invés de Tóquio. Para mim, é na Paraolimpíada que está o verdadeiro espírito original do esporte. O atleta paraolímpico já chega ao evento vitorioso. Todos os participantes são vencedores! É uma emoção em todas as modalidades, uma lição de resiliência e colaboração. Enquanto na Olimpíada, sinto que não há vencedores… parecem sobreviventes e até mesmo reféns. Claro que sabemos de histórias lindas de “fair play” como a da skatista Rayssa Leal de apenas 13 anos. Enfim, sem querer polemizar quero agradecer os paratletas brasileiros pela sua simpatia, alegria e as 72 medalhas. Um orgulho para o Brasil! A cerimônia de encerramento no dia 5 de setembro foi bem emocionante. Veja no link (entre 1h33 e 1h41) o convite da França para as Paraolimpíadas de 2024… sensacional! Mesmo!

Dia da Amazônia, também foi no domingo, 5 de setembro. Não há o que comemorar! Ao contrário a situação é tão crítica que provavelmente ela esteja emitindo mais CO2 do que oxigênio. Reportagens estão sinalizando essa tragédia. Desde uma matéria na revista Nature até uma reportagem do Fantástico. Ainda não sei onde estamos com isso e se os números de setembro vão confirmar esse pesadelo. A Amazônia é provavelmente o melhor argumento de negociação com os países Europeus. E se não estiver mais “funcionando”? A devastação violenta da Amazônia vem ocorrendo há pelo menos 10 anos e em alta velocidade nos últimos três. A boa notícia foi o lançamento da plataforma Plena Mata. Ela é uma parceria entre a Natura, InfoAmazonia, MapBiomas, Hacklab e Natura&Co. A plataforma monitora, em tempo real, o desmatamento na Amazônia. Tem um contador de árvores derrubadas por minutos e hectares desmatados. A ideia é trazer conscientização para a emergência do tema e mobilizar a sociedade em torno das iniciativas de conservação, mitigação e regeneração da floresta. Veja isso e muito mais no site da PlenaMata. . Outro momento bom foi o show do DJ Alok. Veja aqui  https://youtu.be/3GlGj6j3SFU

O 7 de setembro foi um dia de preocupação com a deterioração da democracia no Brasil. Ao invés da independência, estamos rumando à dependência ao invés da interdependência.

Os 20 anos do 11 de setembro que inaugurou uma nova era para o século 21, está expondo as feridas e falhas gigantescas dos EUA em relação a sua segurança e política externa. Parece injusto apontar o dedo depois que um evento ocorreu. Acontece que foram erros sistemáticos que demonstram a importância da ganância, competição pelo poder, corrupção, manipulação da mídia e falta de preparo para assumir a verdade. Como os acontecimentos históricos conseguem reverter uma situação como a do descrédito da população no presidente que parecia estar à beira de ser defenestrado. A grave consequência foi a instalação de um nacionalismo patriótico que alterou completamente o rumo da história. Isso já aconteceu muitas vezes. A última que conheço foi com o presidente da França, em 2015, que também estava desacreditado quando os ataques terroristas da sexta feira 13 de novembro tomou conta do noticiário francês e mundial. Foi uma semana depois que no Brasil mataram um rio (Doce) inteiro e inviabilizaram uma área do tamanho de Portugal e 15 dias antes da COP21 em Paris. Françoise Hollande ressuscitou das cinzas e voltou a cena pública francesa e até mesmo roubou (literalmente) a posição do competente presidente da COP21, Laurent Fabius. Foi um show de ganância, competição pelo poder, corrupção, manipulação da mídia e desonestidade. O circo criado no sábado apresentando o Acordo de Paris como uma grande vitória foi triste. Quem ganhou foi a diplomacia e quem perdeu foi o meio ambiente. O Brasil foi, talvez, quem mais perdeu por ter deixado de ter seu protagonismo emergir. O governo brasileiro montou um cubículo (ao invés de um estande a altura) e ficou escondido durante todo o evento para fingir que o desmatamento e outras atrocidades ambientais… não era com a gente. O crime ambiental de Mariana (rio Doce) que teria uma repercussão gigantesca entre os ambientalistas do mundo, ficou atrás dessas cortinas de fumaça.   

A propósito do Acordo de Paris, o Observatório do Clima e Laclima acabaram de lançar um mini manual “Acordo de Paris – Um Guia para os Perplexos”, que explica a história e o funcionamento das conferências do clima. É uma colaboração entre as duas redes, que teve coautoria da Carol Prolo, da Stela Herschmann e de mais uma turma boa da pesada. Imperdível no https://www.oc.eco.br/wp-content/uploads/2021/09/Minimanual-Acordo-de-Paris.pdf

A Virada Sustentável (São Paulo) ocorreu do dia 2 a 22 de setembro. A Virada foi especialmente criativa e rica de atrações. No dia 12, o Fala Sampa marcou mais uma vez sua presença na Virada Sustentável com a apresentação do Pulsa Coração com as batidas dos tambores conduzidos pelo Paulo Suzuki, presente em todas as edições que fizemos do Fala Sampa. Foi muito emocionante! Vale a pena conferir a programação completa do que aconteceu no  https://www.viradasustentavel.org.br/cidade/sao-paulo

21 de setembro

Dia Mundial da Gratidão – Esse dia existe há 55 anos e vem sendo celebrado anualmente no mundo todo. Este é um dia no qual as pessoas são convidadas a agradecer a todos aqueles que fazem parte das suas vidas. É o dia do ano dedicado a parar para refletir em tudo de bom que há na vida, um gesto que acaba por impactar o bem-estar das pessoas. Sua origem deu-se em 1965 no Havaí, onde se realizou o primeiro encontro internacional sobre a ideia de tirar um dia do ano para agradecer formalmente por todas as coisas de bem que se encontram no mundo. No ano seguinte, em 21 de setembro de 1966, muitos dos participantes que estavam naquele primeiro encontro colocaram em prática o gesto e implementaram definitivamente o Dia Mundial da Gratidão (World Gratitude Day), celebrado em todo o mundo.

Dia da Árvore – No Brasil celebramos o Dia da Árvore pouco antes da primavera. As árvores estão clamando para ficarem em pé e fazerem seu trabalho de reter o CO2 e exalar oxigênio. Há 10 anos iniciava o movimento do Veta Dilma em relação ao Código Florestal. Entre as imagens de impacto para mobilizar a pedir para vetar o projeto de mudanças indecorosas para o meio ambiente, lembro de uma que tinha as árvores cortadas empilhadas e com rostos de tristeza desenhadas nelas. Foi também o movimento #florestafazadiferenca. Nossas árvores nunca precisaram tanto de amor carinho como agora. Viva as árvores! Vivam!

Dia Mundial da Paz – Desenvolver uma cultura de paz, principalmente nos jovens é fundamental para um futuro possível… que hoje parece impossível. Nesse dia, no mundo todo, foram feitos encontros de meditação pedindo e vibrando pela paz. Acredito muito nessas iniciativas. Amanhã, 2 de outubro, é o dia Internacional da Não-Violência, aniversário do nascimento do Gandhi. Entre as ações para o dia de amanhã, recomendo o Gandhi do ator João Signorelli que vem levando a paz por onde passa, inclusive na Índia. Amanhã estará na embaixada da Índia e a noite no espaço do Bixiga (São Paulo) EVVIVAH.

Assembleia Geral da ONU – O dia 21 de setembro também contou com os discursos na 76ª sessão da Assembleia Geral da ONU. O Brasil tem a prerrogativa de abrir os discursos dos chefes de Estado. Esse ano voltou a ser presencial e tivemos que assistir a uma sucessão de gafes em Nova York e inverdades no discurso. Vou me ater ao brilhante discurso do secretário geral da ONU, António Gutterres.   

Segue um trecho:

“Estou aqui para soar o alarme: o mundo precisa acordar.

Estamos à beira de um abismo – e nos movendo na direção errada.

Nosso mundo nunca foi tão ameaçado.

Ou tão dividido.

Enfrentamos a maior escalada de crises em nossas vidas.

A pandemia de Covid-19 ampliou as desigualdades gritantes.

A crise climática está atingindo o planeta.

Revoltas do Afeganistão à Etiópia, ao Iêmen e além prejudicaram a paz.

Uma onda de desconfiança e desinformação está polarizando as pessoas e paralisando as sociedades, e os direitos humanos estão sob ataque.

A ciência está sob ataque.”

Mais adiante diz:

“Excelências,

Os alarmes climáticos também estão tocando em alta velocidade.

O recente relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças do Clima [IPCC] foi um código vermelho para a humanidade.

Vemos os sinais de alerta em todos os continentes e regiões.

Temperaturas escaldantes. Perda de biodiversidade chocante. Ar, água e espaços naturais poluídos.

E desastres relacionados ao clima em cada esquina.

Como vimos recentemente, nem mesmo esta cidade – a capital financeira do mundo – está imune.

Cientistas do clima nos dizem que não é tarde demais para manter viva a meta de 1,5 grau do Acordo de Paris sobre o Clima.

Mas a janela está fechando rapidamente.”

Vejam o discurso completo em https://brasil.un.org/pt-br/145385-discurso-do-secretario-geral-da-onu-assembleia-geral-21-de-setembro-de-2021

28 de setembro

Greta Thunberg fala na abertura da conferência Youth4Climate (Jovens pelo Clima), em Milão na Itália. Ela, como sempre, fez uma fala direta e contundente. Denuncia as palavras que não se tornam ações e a falta de escuta nos jovens. Fingem que escutam e que fazem.

“Isso é tudo o que ouvimos por parte dos nossos líderes: palavras. Palavras que soam bem, mas que não provocaram ação alguma. Nossas esperanças e sonhos se afogam em suas palavras de promessas vazias”.

Em outro momento:

“Não existe um planeta B, não existe um planeta blá-blá-blá, economia verde blá-blá-blá, neutralidade do carbono para 2050 blá-blá-blá”, acrescentou, denunciando “30 anos de blá-blá-blá” dos líderes mundiais e “sua traição com as gerações atuais e futuras.”

O discurso de Greta no https://youtu.be/wpo33oLne-Y

O reality show CPI da Pandemia que já estava em seus capítulos finais e já quase sem audiência de público conseguiu retornar aos lares dos brasileiros que estavam sem BBB ou outras opções de entretenimento. Apesar da boa intenção de alguns, o circo continua a realizar cenas que causam vergonha alheia. A novela está programada para terminar no dia 20 de outubro.  

   

Hoje, primeiro de outubro, conduzi junto com a jovem Bel Jeha (22 anos) uma conversa, na SoL Brasil, sobre a visão sistêmica da alimentação sustentável. A SoL (Society for Organizational Learning) foi criada no MIT por Peter Senge e outros fomentadores do pensamento sistêmico para realizar diálogos que importam em aprendizagem. Falamos para uma audiência de 30 pessoas sobre o impacto das escolhas alimentares no meio ambiente, na saúde e na compaixão pelos animais e pessoas envolvidas na indústria do alimento. Foi especialmente bom. Gostaria de compartilhar alguns links que usamos e outros que recomendamos.

Um documentário do David Attenborough e Nosso Planeta lançado em 2020 –  https://www.netflix.com/br/Title/80216393

Um segundo documentário do David Attenborough – Rompendo Barreiras: Nosso Planetahttps://www.netflix.com/br/title/81336476

Um curta de 2 min realizada pela Last Chance for Animals  https://youtu.be/c1DcFmUrxUQ

Que venha outubro!

O Amanhã da Paz

No dia 21 de setembro é o dia internacional da paz. Todo ano milhões de pessoas meditam pela paz, sim milhões de pessoas! Reserve um momento, por menor que seja, para se conectar com uma única intenção: a Paz. No Brasil, a Virada Sustentável e a Virada Zen, está promovendo “O Amanhã da Paz”. Serão centenas de pessoas conduzindo meditações em diferentes formatos e tempos. Eu estarei, pelo Zoom, cuidando de uma breve meditação a partir das 20h.

Dia 21 de setembro, terça-feira, às 20h

Link: https://bit.ly/AlanPaz 

ID: 892 3580 6688

Senha: 048838

Primeiro de Setembro

Começando a escrever hoje,  senti que estamos no mesmo ponto da nossa crise de percepção e da nossa crise das palavras.

Temos alguns avanços no sentido que a crise civilizatória, principalmente a ambiental não está caindo mais no conto da carochinha. Essa semana ouvi que um (pseudo) cientista da USP, há alguns anos, foi no programa do Jô Soares e afirmou que poderiam asfaltar toda a Amazônia sem qualquer implicação no clima do planeta. Esses malfeitores pagos para enganar o público estão quase em extinção. Praticamente ninguém, minimamente informado (e não desinformado), acredita mais nessas bobagens. Uma prova disso foi o último relatório do IPCC que, talvez pela primeira vez, deixou os cientistas falarem livremente sobre o que está acontecendo. Nenhuma novidade para quem acompanha de perto a emergência climática, porém uma significativa contribuição a mais para erradicação do Festival de Besteiras que Assola o País (do saudoso Stanislaw Ponte Preta).

Quanto à crise das palavras, uma assustadora evidência aconteceu com a repercussão dos textos do Charles Eisenstein. Parece uma loucura quando alguém que há tantos anos vem, coerentemente, mostrando as diferentes faces da realidade percebida e tem sido um farol nesse mar tempestuoso de transformações, ter seu texto deturpado e ser violentamente atacado por todos os lados. A maioria dos que o atacaram certamente não tinham lido seus três longos textos. O que causou a miopia maior foi o “Mob Morality and the Unvaxxed” (Máfia da Moralidade e os Não Vacinados), terceiro e último texto de uma série. Todos nós temos experiências com palavras ou ideias que não podem ser pronunciadas sem causar forte comoção e reações agressivas. Mesmo em ambientes familiares se evitam alguns assuntos para não gerarem… uma guerra. Como Charles se referiu aos vários lados da mesma moeda, recebeu expressões de desagravo de todos os lados. Chegou até a ser chamado de antissemita, mesmo sendo judeu. É uma lógica ilógica! O seu texto seguinte se referindo aos absurdos atribuídos a ele é uma obra de arte em relação à cegueira dos nossos tempos. Chama-se “Charles Eisenstein, Antisemite”. São construções de paradigmas que funcionam como paredes para evitar as nossas dissonâncias cognitivas. Somos biológica e culturalmente bem equipados para nos enganar constantemente com o objetivo de… estarmos certos.

Pense um pouco em qual repertório de palavras e ideias suas causam desconforto ou até reações violentas contra você. Eu tenho muitas. Por favor, tenha uma escuta generosa! O voto vai contra a democracia! Comer animais é um dos principais problemas ambientais! Ler jornal é perda de tempo! Só essas três já me causam constrangimentos. Ao ouvir uma palavra ou ideia que vai contra suas crenças e valores, você reage conforme a possibilidade (maior ou menor) de lhe causar uma disrupção, uma dissonância cognitiva. Quando escuto afirmarem que a Terra é plana, que apareceu um disco voador, que é justo o que ganha uma estrela do futebol, que o aquecimento global é natural, são ideias que me causam repulsa e até um julgamento mais agressivo. No entanto posso estar enganado.

Aqui no Brasil, palavras e ideias que mais causam violência estão principalmente na religião, política, futebol, preconceitos, educação e tudo que se relaciona ao Coronavírus. Vamos nos arriscar a falar das vacinas, das máscaras, do isolamento físico e até mesmo da cloroquina? Nem pensar, não é mesmo?

 E agora José?

No dia 21 de setembro é o dia internacional da paz. Todo ano milhões de pessoas meditam pela paz, sim milhões de pessoas! Reserve um momento, por menor que seja, para se conectar com uma única intenção: a Paz. No Brasil, a Virada Sustentável e a Virada Zen, está promovendo “O Amanhã da Paz”. Serão centenas de pessoas conduzindo meditações em diferentes formatos e tempos. Eu estarei, pelo Zoom, cuidando de uma breve meditação a partir das 20h. O link é o https://bit.ly/AlanPaz As informações completas estarão no alandubner.com

Dia 21 também é o dia mundial da GRATIDÃO que vem sendo celebrado há 55 anos! E também, no Brasil, é o Dia da Árvore!!!

Aproveitei para colher algumas sementes que plantei nos artigos anteriores do Dia Primeiro. Começa em abril de 2020 até o mês passado. Vale a pena ler de novo!

  “Toda verdade passa por três estágios.
  No primeiro, ela é ridicularizada.
  No segundo, é rejeitada com violência.
  No terceiro, é aceita como evidente por si própria”

Arthur Schopenhauer

“– A medicina vai finalmente evoluir para cuidar prioritariamente da prevenção ao invés das doenças. Vai se tornar amplamente colaborativa e completamente sem fronteiras. Levará em conta ciência, tecnologia e principalmente culturas. Cuidará fundamentalmente do DNA ao estilo de vida, da alimentação ao ar que respiramos, da meditação a movimentação, da autoestima a psicologia.

– A economia não conseguirá manter seu atual modelo estrutural. O jogo já mudou! Quem tentar jogar com as regras antigas logo perceberá que terá que se tornar alguém detestável para si mesmo e para os outros. Poucas pessoas ficam confortáveis nessa posição. O medo e a insegurança com a sobrevivência vão retardar o pleno funcionamento de uma economia com uma cultura de Gift.

– As escolas nunca mais serão as mesmas. Vamos finalmente sair das metodologias do século XIX para entrar nas condizentes com o século XXI. Quem poderia imaginar que os sistemas de aprendizagem iriam dar esse salto quântico através desse artifício? Quem diria que o conhecimento não estaria mais atrelado a memória e sim a sabedoria? A Educação será livre, com janelas sem salas, com notas de músicas, com folhas da natureza e principalmente com muito amor.

– A politica dos políticos ainda sobreviverá mais algumas primaveras enquanto houver a crença de que o sistema eleitoral tem alguma coisa a ver com a democracia. A política vai migrar dos políticos para a sociedade civil. E as políticas públicas serão decididas pontualmente através da participação dos interessados devidamente qualificados. Em pouco tempo os políticos serão substituídos por uma nova geração de políticos conectados com a sociedade civil.

– A religião, no geral, terá dificuldades de manter o véu da ignorância como força motriz da maioria de seus seguidores. Apesar da imensa fome por algo que explique o inexplicável, por um sabor de pertencimento, por um alimento para a alma… a busca será mais ouvindo a voz de dentro do que a palavra dos gurus. Você, finalmente, será seu próprio guru!”

“Nesse mês se ampliaram os sintomas de incontinência virtual e uma crença, inacreditavelmente ingênua, de que as funções do presencial podem ser simplesmente repassadas para o virtual. Vemos isso em larga escala nas escolas, nas terapias e nas reuniões.”

“Deixa-me te contar um pouco sobre esse mundo que você acabou de chegar e dos caminhos que seu caminhar pode encontrar. Se por um lado está tudo diferente do que estava quando você aportou a nave mãe, por outro estamos adentrando uma civilização novinha em folha.”

“O mês do meio ambiente foi marcado pelo agravamento da degradação do meio ambiente, da proteção aos povos indígenas, da educação, da cultura e da verdade… sim degradação da verdade! Acredito que o genocídio das nações indígenas seja o mais urgente dentro de tantas urgências e emergências. O Brasil está na UTI!”

“Onde estão os princípios, crenças e valores que estão levando a nossa civilização a se autodestruir? Como conseguem passar desapercebidos? São percepções equivocadas para o momento atual na economia, educação, política, medicina, ecologia e religião. A combinação dessas miopias nos fazem caminhar para o fim de mais uma civilização. Não se trata de uma mudança ou de uma melhoria e sim de uma completa transformação. Portanto precisamos urgentemente, migrarmos a atual cultura para uma nova economia, uma nova educação, uma nova medicina, uma nova ecologia, uma nova política e até mesmo uma nova religião.”

“Nova Economia – O que parecia distante no tempo está cada vez mais atual. As diversas versões de uma nova economia estão se mostrando bem fortes nesse período onde a economia tradicional está perdendo tempo e espaço.  Conceitos de economias como a Economia Circular, Economia Criativa, Economia Verde, Economia Social, Economia Compartilhada, Economia Gift e muitas outras que estão fartamente explicadas no livro, estão ganhando terreno no mundo inteiro.”

“Se a essa altura do campeonato tiver alguém ainda achando que é uma crise passageira e que as coisas voltarão a ser como eram… talvez estejamos todos sofrendo de “Normose”.”

“Se o resultado das eleições pode ser manipulado a favor de quem tem maior recurso e poder… para que mesmo servem as eleições? Ou, para quem mesmo servem as eleições? Com certeza, nesse formato, não servem a democracia.”

“A ideia aqui é abrir o espaço para que mais percepções possam ser vistas e criar um contexto para que possamos olhar para nossas crenças e valores como sendo… apenas NOSSAS crenças e valores! Quando ridicularizamos alguma verdade alheia, ou reagimos mais radicalmente contra… cuidado… pode vir a ser a nossa verdade amanhã!”

“Acredito que o ano de 2020 foi um marco civilizatório. Vamos percebê-lo degustando, aos poucos, seu legado.”

“Fico pensando como esse período vai entrar para a História. Claro que depende da linha do seu historiador favorito. Toda a História é contada de diversas maneiras, com narrativas e fatos próprios de quem conta. Como você vai contar essa história?”

“Hoje de manhã, assisti ao Davos Lab Brasil na TV Folha. Foi muito bom! O que sempre me impressiona são aquelas pessoas que ficam no chat jogando palavras de ódio. Elas entram para isso! O que faz alguém entrar num evento que não aprecia e ficar falando mal de tudo e de todos? Com tanta coisa importante para fazer o que faz alguém perder tempo e energia com isso? Vamos excluir as pessoas que se submetem (banalidade do mal) a receber dinheiro para fazer atos destrutivos e aos robôs programados para isso. Ainda resta uma quantidade enorme de pessoas que covardemente, em seu anonimato, insistem em disseminar vibrações negativas. Existem pessoas que preferem torcer para que o time do outro perca do que o seu ganhe. Estranho, né? Vota num outro candidato para que o que não gosta perca. Sim, parece surreal, mas é a realidade! Uma pessoa escolhe um candidato de sua preferência, mas não vota nele porque acredita que deve votar no candidato que as pesquisas mostram que tem mais chance contra um do qual é contra. Com isso, sempre ganha um candidato que não é o da sua preferência! Como pode uma coisa dessas ser boa para a democracia? Por que as pessoas, na sua maioria, escolhem ser do contra? Como elas fazem para se justificarem consigo mesmas? A resposta é reduzindo a dissonância cognitiva, através de artifícios imaginários (histórias). ”

“Encerro esse texto desejando que possamos ultrapassar as fronteiras que nos limitam. Que possamos ampliar a consciência para perceber o quanto não sabemos… e que tudo bem!”

“Para dificultar mais ainda nossa relação com essas certezas e incertezas, existe uma manipulação proposital para que passemos a pensar dessa ou daquela maneira, para que façamos dessa ou daquela forma que nos induzem. Entre todas as tragédias que estamos vivendo a DESINFORMAÇÃO é a pior delas! Se fosse falta de informação não seria tão grave… desinformação e a manipulação das informações são o que há de mais desumano! E isso em nome do poder e da ganância. Não sei como a história vai registrar esse período, não sei se haverá centenas (talvez milhares) de condenados por crimes contra humanidade. Não sei como milhares de pessoas conseguirão apagar os rastros de suas manifestações que contribuíram para esse desastre mundial, para que seus netos não se envergonhem de tamanha falta de noção herdadas em seu DNA. Não sei como ficarão as pessoas que não contribuíram diretamente para ajudar, de alguma maneira, a humanidade e ficaram apenas reclamando da culpa dos outros. Seja pela busca de benefício próprio, corrupção ou apenas banalidade do mal (conceito Hannah Arendt).”

“Num momento em que a polarização reina, falar sobre qualquer tema não gera diálogo e sim o ódio da torcida oposta. E os reféns da mídia não conseguem submergir para ouvir as mais coloridas vozes da nossa interdependência.”

“Estamos mergulhados numa crise civilizatória, numa crise de percepção, numa crise ambiental que há muitos anos não vivíamos. Tudo que está acontecendo deixa claro de que não podemos continuar a fazer o que fazíamos e a acreditar no que acreditávamos. Uma frase famosa atribuída a Albert Einstein, “Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes” resume bem a insanidade se não alterarmos significativamente o que fazíamos. Portanto na Educação, Economia, Medicina, Política, Ecologia e até na Religião precisamos de um novo paradigma.”

“E para não dizer que não falei da pandemia, acredito que ainda continuamos com as mesmas incertezas em quase tudo. O que podemos afirmar é que estão emergindo denúncias de que algumas (muitas) pessoas estão, vergonhosamente, aproveitando a pandemia para benefício próprio. Seja para o poder, corrupção, manipulação, prestígio ou outros motivos escusos. Minha esperança é de que elas sejam desmascaradas. Daqui a alguns anos ficaremos pasmos de saber o quanto não sabíamos e nos envergonharemos do quanto acreditamos no inacreditável.”

Primeiro de Agosto

O que vem depois da Emergência Climática?

Estamos, há vários anos, continuamente apagando incêndios! Incêndios ambientais, culturais, educacionais, políticos, econômicos e tantos outros que refletem os preconceitos que inflamam as relações humanas.

Por que estamos deixando tudo pegar fogo? Acreditamos que não é com a gente? Oi???

Será que é porque acreditamos que não fomos nós que o ateamos? Portanto não temos responsabilidade alguma? Ou será que simplesmente gostamos de ver o circo pegar fogo?

Há três dias ficamos estarrecidos com o incêndio do galpão da Cinemateca Brasileira, estarrecidos com o descaso e principalmente com a destruição sistemática da cultura por aqueles que deveriam estar cuidando do patrimônio nacional. Depois do incêndio do Museu Nacional, em setembro de 2018, considerado a maior perda histórica e cientifica do Brasil, quem seria LOUCO de continuar a praticar esses descasos com o acervo histórico do país? Surreal! Diante de tudo isso você pode escolher entre a desconfortável e necessária visão do que está acontecendo ou ficar passivamente ignorando enquanto a boiada passa. Nem tudo é essa profunda tristeza, hoje o Museu da Palavra (Estação da Luz em São Paulo), incendiado em 2015, reabre para o público.    

Ainda bem que depois de amanhã volta a CPI da Pandemia! Já estávamos ficando sem circo. Esse ano teve o Big Brother, depois a CPI da pandemia, a Copa América, as Olimpíadas de Tokio (ainda em andamento) e na terça teremos a volta da CPI! Talvez o ditado popular “alegria de palhaço é ver o circo pegar fogo” faça algum sentido…     

Estamos em crise e acredito que isso esteja claro para todo mundo… literalmente todo o mundo! É uma crise civilizatória que começou há algumas décadas e está cada vez mais grave. Começamos por olhar a questão climática que foi denominada “mudança climática” depois que a ciência comprovou claramente a nossa responsabilidade na alteração significativa do clima, alterando toda cadeia de sobrevivência das espécies e principalmente a nossa. Inacreditavelmente, uma enorme quantidade de seres da nossa espécie ainda não alterou seus hábitos para se readequar ao entendimento dessa nova realidade. Seja por questões de ganhos econômicos, de negacionismo ou simplesmente pelo desinteresse de alterar sua rotina. Estamos falando de 50 anos e não apenas dos últimos cinco. Com a dificuldade de conscientização da grande maioria, “Mudança Climática” foi alterada para “Emergência Climática” para salientar a gravidade do caminho que estamos escolhendo. Mesmo com todas as visíveis emergências climáticas batendo a nossa porta, continuamos negando o óbvio. Em Lytton no Canada as temperaturas chegaram a 49.6 graus no final de junho, as inundações gravíssimas, nos últimos 15 dias, na Alemanha, Bélgica e China e tantas outras consequências graves causadas por nossas ações. O frio que está passando pelo Brasil tem forte influência do calor movendo a massa polar da Antártida em nossa direção. Enfim fico pensando o que virá depois de emergência climática… catástrofe climática? Acredito que, lamentavelmente, já estamos vivendo esse momento.

Será que veremos uma luz no fim do túnel? Serão os jovens, como Greta Thunberg, que nos iluminarão? No prefácio do seu livro com ensaios biográficos “Homens em tempos sombrios” (Men in Dark Times), Hannah Arendt escreveu: “Mesmo no tempo mais sombrio, temos o direito de esperar alguma iluminação.” Vamos esperar esperançando! Hannah Arendt nunca esteve tão viva como agora. Sua obra nos faz revisitar o que estamos vivendo agora na pandemia. Vou citar o trecho completo do que escreveu, em 1968, no final do prefácio: “Que mesmo no tempo mais sombrio temos o direito de esperar alguma iluminação, e que tal iluminação pode bem provir, menos das teorias e conceitos, e mais da luz incerta, cintilante e frequentemente fraca que alguns homens e mulheres, nas suas vidas e obras, farão brilhar em quase todas as circunstâncias e irradiarão pelo tempo que lhes foi dado na Terra.”

Em que tempos estamos vivendo? Vivemos um momento de mundo BANI? O acrônimo BANI significa Brittle, Anxious, Nonlinear e Incomprehensible. Em português: Frágil, Ansioso, Não linear e Incompreensível. O conceito (2018) passou a ser usado especialmente para descrever um cenário do pós-pandemia, se é que existirá algo totalmente pós-pandemia. Ele tem a pretensão de substituir o acrônimo VUCA existente há mais de 30 anos. VUCA é a sigla em inglês para volátil, incerto, complexo e ambíguo. O conceito do VUCA, nasceu na escola de guerra do exército americano para treinar as situações do pós-guerra fria e foi, posteriormente, amplamente utilizado nas empresas principalmente nas situações de gerenciamento de crises e lideranças no chamado mundo VUCA. As pessoas já estão bem familiarizadas com as inúmeras interpretações do mundo VUCA. E o mundo BANI?   

Jamais Cascio, antropólogo e futurista do Institute for the Future da Universidade da Califórnia, que cunhou o termo, sugere a passagem de volatilidade para a fragilidade, da incerteza para ansiedade, da complexidade para a não linearidade e da ambiguidade para a incompreensão. 

Então o mundo era VUCA e agora é BANI? Por que precisamos rotular o mundo em que vivemos? Por que essa necessidade de explicarmos tudo, de controlarmos nosso entorno? Como disse Yuval Harari, o que fez o homo sapiens subir na escala da cadeia alimentar e chegar ao topo foi sua capacidade de acreditar no que não existe. Ou seja, acreditar no inacreditável! Pessoalmente prefiro acreditar nos conceitos da era das incertezas e da complexidade de Edgar Morin e com ele navegar pelos sete saberes necessários para uma educação do futuro. 😊  

E para não dizer que não falei da pandemia, acredito que ainda continuamos com as mesmas incertezas em quase tudo. O que podemos afirmar é que estão emergindo denúncias de que algumas (muitas) pessoas estão, vergonhosamente, aproveitando a pandemia para benefício próprio. Seja para o poder, corrupção, manipulação, prestígio ou outros motivos escusos. Minha esperança é de que elas sejam desmascaradas. Daqui a alguns anos ficaremos pasmos de saber o quanto não sabíamos e nos envergonharemos do quanto acreditamos no inacreditável.

Esse cenário surreal da Matrix brasileira está nos oferecendo uma possibilidade de escolhermos entre tomarmos a pílula azul (ignorância abençoada) ou a vermelha (verdade as vezes dolorosa). O que vai Ser?

Primeiro de Julho

Celebrando os 100 anos de idade do fabuloso Edgar Morin

O Edgar Morin vai fazer 100 anos na semana que vem (08/07/2021). Li seu último livro que foi publicado no dia 1º do mês passado… é um presente para todos nós “Lições de um século de vida”. Está sendo amplamente homenageado em várias partes do mundo. Essa semana o SESC realizou a “Jornada Edgar Morin” em que ele compareceu e nos deixou uma mensagem de esperança. Ele está muito bem e continua um “lindo”. https://youtu.be/WT8fYtySf28 (Morin aparece aos 14 minutos)    

Estamos mergulhados numa crise civilizatória, numa crise de percepção, numa crise ambiental que há muitos anos não vivíamos. Tudo que está acontecendo deixa claro de que não podemos continuar a fazer o que fazíamos e a acreditar no que acreditávamos. Uma frase famosa atribuída a Albert Einstein, “Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes” resume bem a insanidade se não alterarmos significativamente o que fazíamos. Portanto na Educação, Economia, Medicina, Política, Ecologia e até na Religião precisamos de um novo paradigma.

Nova Educação

Há anos que se diz que as escolas se mantiveram presas ao formato das do século 19. Na pandemia emergiu a clareza de que precisamos reinventa-las e traze-las para o século 21. Esse modelo arcaico está com seus dias contados. As chamadas Escolas Democráticas que começaram há muitos anos estão se propagando cada vez mais ocupando o espaço das tradicionais que estão completamente obsoletas quanto a aprendizagem, principalmente as dos grandes grupos de escolas que, aparentemente, visam primordialmente a rentabilidade do negócio. A primeira escola democrática que se tem notícia é a Summerhill fundada em 1921 em Suffolk na Inglaterra, que existe até hoje. No Brasil já temos mais de uma centena de escolas baseadas na Educação Democrática e até escolas públicas.

Nas escolas democráticas, os estudantes escolhem o que aprendem, quando, como e com quem aprendem. A aprendizagem pode acontecer dentro ou fora da sala de aula, tanto por meio de jogos quanto de estudos convencionais. A gestão é de responsabilidade colaborativa e conduzida pelos próprios estudantes. Seguem os princípios de que gentileza gera gentileza; tolerância gera tolerância; respeito gera respeito; escuta gera escuta; confiança gera confiança e assim por diante.

Segundo Helena Singer, a aprendizagem na Educação Democrática tem três princípios:

“O primeiro é a autogestão. As pessoas que participam de uma experiência de Educação Democrática são responsáveis por ela.

O segundo é o prazer do conhecimento. Acredita-se que o conhecimento traz alegria, prazer, e por isso as pessoas se envolvem com ele, não sendo necessárias punições ou disciplinas.

E o terceiro é que não há hierarquia no conhecimento. O conhecimento científico, o conhecimento académico, o conhecimento comunitário, o conhecimento tradicional, o conhecimento religioso, todos os conhecimentos são valorizados, respeitados e crescem justamente no seu contato.”

Para promover essa Nova Educação podemos e devemos beber em algumas fontes saudáveis como Edgar Morin, Paulo Freire, Ivan Illich, Maria Amelia Pereira (Péo), Jean Piaget, Darcy Ribeiro, José Pacheco, Ken Robinson, Tião Rocha e muitos outros que nos inspiram a buscar uma aprendizagem de qualidade.

Há mais de vinte anos, a UNESCO pediu ao Edgar Morin para expressar suas ideias sobre a própria essência da educação do futuro dentro do contexto de sua visão do pensamento complexo. O objetivo era sistematizar um conjunto de ideias e reflexões que servissem como base para se repensar a educação do próximo milênio. O resultado é um guia de aprendizagem para o mundo todo. Os 7 Saberes Necessários à Educação do Futuro. Muito importante para qualquer educador ler e reler seu trabalho (https://bit.ly/7Saberes). São eles:

1 – As cegueiras do conhecimento: o erro e a ilusão;

2 – Os princípios do conhecimento pertinente;

3 – Ensinar a condição humana;

4 – Ensinar a identidade terrena;

5 – Enfrentar as incertezas;

6 – Ensinar a compreensão; e

7 – A ética do gênero humano. 

Escrevi, há alguns anos, um texto longo sobre Nova Educação que foi publicado em 2019 no livro “Diálogos Educacionais” com outros textos de José Pacheco, Helena Singer, Carla Lam e vários outros da Rede Nacional de Educadores “Românticos Conspiradores”. Segue um trechinho inicial:

“Caminhos e Descaminhos dos Sistemas de Aprendizagem

Na Educação existem muitas pedagogias, formatos e sistemas para a aprendizagem. Estamos vivendo um momento em que as escolas vão precisar se reinventar para atender a formação de um indivíduo preparado para uma sociedade onde a colaboração está substituindo a competição; a liderança compartilhada prevalece sobre as hierarquias; o respeito à diversidade é um valor fundamental; o amor se sobrepõe ao medo; somos e cuidamos da Natureza; a cultura conduz os processos… preparando para uma sociedade da Nova Economia. A maioria das escolas está longe de preparar o estudante para essa nova realidade que já não é mais futuro… é aqui e agora!

Claro que ainda existem pais que estão preparando seus filhos para o vestibular ao invés de prepará-los para a vida. Por isso as escolas continuam, equivocadamente, privilegiando a memória em detrimento da criatividade, o condicionamento ao invés das múltiplas inteligências, a competição que humilha e gera um ambiente propício para o Bullying e tantas outras atitudes que levam a percepção de que esse sofrimento é necessário para passar no vestibular. E passar na vida? E o Ser de ser humano? O Amor? A cidadania? Os relacionamentos? O meio ambiente? O Cuidar da Casa? Do dinheiro? Da saúde? Da alma?

Por isso estamos num momento de repensar onde colocar os nossos filhos para prepará-los para Viver a Vida. Desenvolver o potencial que já está dentro da criança. Permitir que floresça sua essência para se tornar um ser humano integral.”

Nova Economia

O Investimento de Impacto está se tornando um dos principais focos do mercado de capitais. Apesar de ainda insipiente aparece como tendencia de um mundo em ritmo de interdependência. O ESG (Environmental, Social and Governance), parente mais jovem e repaginado do antigo Triple Bottom Line está finalmente se tornando uma realidade palpável. Será pouco provável que alguma empresa de porte médio ou maior entre em 2022 sem uma estrutura consolidada de ESG. O Blockchain está viabilizando uma família de facilidades que estão ocupando novos de nichos nessa nova economia. As Criptomoedas estão desafiando as moedas tradicionais e gerando incertezas quanto ao futuro do dinheiro. Lembrando que dinheiro sempre foi virtual! Os bancos centrais estão entrando com velocidade nessa área para não perder terreno para a gigantesca quantidade de moedas alternativas em pleno uso. A China já implantou a dela. A tendência será para os criptoativos voltados a sustentabilidade como o recém-lançado Sistema Natus (sistemanatus.com). Ainda na esteira do Blockchain os Non-Fungibles Tolkens (NFT) já estão fazendo a festa, principalmente nas artes e com os colecionadores. Impressionante como em tão poucos anos e com um empurrãozinho da pandemia essa nova economia está ficando cada vez mais consolidada.

Nova Medicina

A pandemia emergiu nosso sistema de saúde pera o bem e para o mal. Descobrimos forças e solidariedade onde pensávamos não existir mais, descobrimos falhas graves onde pensávamos estarmos seguros. Estamos ressignificando tudo, absolutamente tudo. A responsabilidade do diagnóstico e do tratamento, em muitos casos, foi transferida para o paciente porque aprendemos que há médicos e médicos. Aprendemos que há crenças e valores diferentes entre bons profissionais da saúde. Aprendemos que que não existe “uma” ciência. Que a ciência também está, como nós, aprendendo e de que existem muitas respostas da ciência e as vezes com resultados opostos. Ainda bem que temos a ciência para nos guiar mesmo que seja muitas vezes contraditória entre si. Aprendemos que nem todos na medicina tem ética e busca um ideal humanitário. Aprendemos que laboratórios também mentem. Aprendemos que temos que nos informar e não nos desinformar – como é difícil separar o joio do trigo. Aprendemos a procurar ficar, cada vez mais, confortáveis com a nossa ignorância. Quanto mais sabemos, mais sabemos que não sabemos.

Estamos passando pelos diversos problemas de saúde mental… no mundo todo. Precisamos da sabedoria de Victor Frankl (Em busca de sentido) e da Edith Eva Eger (A Bailarina de Auschwitz) para nos fazer entender o que nos mantem sãos e o que nos faz desistir. Precisamos da sabedoria compassiva da Ana Claudia Arantes (A morte é um dia que vale a pena viver).

Entre todos os males da saúde mental que está fortemente emergindo é o “Languishing”. Vale uma conversa com seus terapeutas e ou uma pesquisa na internet.  Acredito que seja um dos mais importantes e invisíveis consequências dessa pandemia. Pode te ajudar, pode ajudar alguém próximo a você.

Nova Política

Provavelmente não conseguiremos manter o atual circo político com tantos escândalos, mentiras, corrupção e manutenção de privilégios. Por sorte estamos começando a ver uma maior diversidade de vozes que espero que em pouco tempo abafem esse pandemônio. Cada vez mais mulheres, jovens, indígenas, várias etnias e gêneros estão ocupando corajosamente o espaço político transformando numa possibilidade para uma nova política. A CPI da pandemia se tornou a nova atração de reality show na TV e nas outras mídias. Apesar de ter algumas pessoas bem-intencionadas e buscando um resultado real, a grande maioria continua a fazer o público (nós) de idiotas. Para piorar a atual situação, que espero não se sustentar numa nova política o cenário para as eleições presidenciais estão novamente voltadas para eleger o menos ruim. A primeira e a segunda via são comprovadamente péssimas para o nosso país. A terceira via que está tentando se formar precisa fazer todo tipo de maldades para se tornar tão ruim e entrar no páreo. Tem alguma lógica isso? Ao votarmos no menos pior estamos garantindo que um pior se elegerá porque teremos três para disputar. Por que não votamos no melhor? Por que em 2018 os brasileiros escolheram deixar de votar em seu candidato e entrar no jogo sujo do menos pior. Como é possível termos chegado no ponto onde o atual sistema eleitoral vai contra a democracia? Uma nova política precisa surgir das cinzas desse inacreditável circo. 

Nova Ecologia

Estamos as vivendo na Era das Incertezas como afirma brilhantemente o Edgar Morin. As discussões sobre a COP26 em Glasgow (Escócia) estão acirradas com a declaração de seu presidente, Alok Sharma, de que serão presenciais. Uma COP normalmente atrai em torno de 30.000 participantes vindas do mundo todo. Além disso Glasgow é uma das principais cidades na Grã Bretanha que está sofrendo com as mudanças climáticas. Ela e outras cidades ao longo do rio Clyde, segundo um relatório do Climate Ready Clyde (climatereadyclyde.org.uk). Parece um paradoxo nesse momento que estamos vivendo uma tragédia ambiental (COVID-19). Enfim, qualquer que seja o desfecho dessa COP26 ela é estratégica em função de Estocolmo+50 que vai ser uma das mais importantes conferências de sustentabilidade dos últimos 50 anos. Além da enorme quantidade de pautas emergenciais estaremos celebrando meio século do primeiro encontro de sustentabilidade em 1972 em Estocolmo.

Nova Religião

Onde entra a religião nesse momento de mudar o que estamos fazendo para colher resultados diferentes do que está nos levando a definhar?

Tudo!

Se a nossa religião nos separa ao invés de nos unir – unir a todos independente de suas crenças – ela está na contramão da interdependência e cedo ou tarde vai promover o desastre. Compaixão gera compaixão! Preconceito gera preconceito! Humildade gera humildade! Violência gera violência!

Onde você está?  Na solução ou no problema?

Maratona Edgar Morin:

Acervo do SESC: http://edgarmorin.sescsp.org.br

Fronteiras do Pensamento 1: https://youtu.be/VmFB9Vcac1U

Fronteiras do Pensamento 2: https://youtu.be/uZBK0gtfsrU

Jornada Edgar Morin (28/06/21): https://youtu.be/WT8fYtySf28 (ele aparece aos 14 min)

Jornada Edgar Morin (29/06/21): https://youtu.be/471i642uHFY

Primeiro de Junho

Primeiro dia do mês do meio ambiente.

Ontem a noite a semana do meio ambiente foi aberta pelo encontro dos ex-ministros do meio ambiente, “Seminário do Meio Ambiente: Política ambiental brasileira e os desafios da sustentabilidade”. A conversa foi na boa direção de gerar ações imediatas!

Vamos acompanhar os movimentos e ativações desse mês crucial!

A Polarização Reina

Num momento em que a polarização reina, falar sobre qualquer tema não gera diálogo e sim o ódio da torcida oposta. E os reféns da mídia não conseguem submergir para ouvir as mais coloridas vozes da nossa interdependência.

A chamada pós verdade impera num ambiente que incendeiam as cognições e quando alguma dissonância aparece no front é logo calada pela nossa atávica dificuldade de lidar com as dissonâncias cognitivas.

Toda essa filosofia acima para dizer que devemos ouvir as vozes que estão sendo caladas para formarmos nossas próprias crenças e, se possível, deixá-las flexíveis a novas vozes.

Tenho escutado regularmente que precisamos ouvir a ciência. É um argumento que subentende que existe uma verdade cientifica e quem não a segue é negacionista. Cabe aqui a pergunta do que seja ciência. Ciência é basicamente a arte de não saber! É a arte de fazer descobertas! O método científico é aquele que confirma uma hipótese através de repetidas tentativas que geram o mesmo resultado. Isso vale até que outra hipótese anule a anterior. Hoje até a lei da gravidade de Newton está sendo cientificamente questionada. Isso para não ir mais longe e falar da matéria escura. Cada área da ciência tem seus diferentes pontos de vista (isso é saudável) por isso dizer que algo é cientificamente comprovado significa apenas dizer que dentro do amplo espectro da ciência aquele experimento específico recebeu a atenção de alguns cientistas. Quanto a COVID 19 não existe nada cientificamente comprovado… nada! Portanto quando dizem que alguma coisa, ligada a pandemia, não tem comprovação científica… estão falando o óbvio! Nada, na pandemia, tem comprovação científica! O que tem comprovação científica se refere aos vírus em geral – lavar as mãos, máscaras distanciamento físico e por aí vai. Nenhuma ciência específica do novo Coronavírus consegui comprovar cientificamente alguma coisa. Portanto a ciência não comprovou de onde veio o vírus, por que existe um percentual grande de infectados assintomáticos, quais remédios ajudam no tratamento, quais não ajudam, quais superfícies retem o vírus por algum tempo e até mesmo a eficácia das vacinas. No entanto diariamente ouvimos que A é cientificamente comprovado e que B não tem comprovação cientifica. O que nos faz acreditar nisso? O que nos faz desacreditar nisso? Na pandemia estamos aprendendo enquanto sofremos suas consequências, estamos construindo o avião no voo. Enquanto os conhecimentos se ampliam, se aumenta, também, nossa ignorância.

Vivemos na infância da espécie humana, os horizontes representados pela biologia molecular, o DNA, a cosmologia começa a se descortinar. Nós não passamos de crianças em busca de respostas, e à medida que a ilha do conhecimento se amplia, se alargam também as margens da nossa ignorância.” John Wheeler

E quanto aos Números?

Uma das distrações que mais contribuem para fazer a gente acreditar que uma informação ou notícia é verdadeira são os números. Parece ciência… mas não é! Tudo nessa sociedade funciona com números. O tempo tem minutos, horas, dias, meses, anos. Qualquer notícia vem acompanhada de números. O dinheiro são números que exercem uma enorme influência no nosso dia a dia. Por mais matemático que os números pareçam são apenas entidades virtuais. Se percebermos a virtualidade dos números estaremos mais próximos de nos libertarmos deles e das “verdades” que nos trazem. Fique tranquilo, a leitura desse texto levará menos de 20 minutos e conterá apenas 1.477 palavras, todas fáceis de entender. Quanto ao tempo que levará refletindo no assunto ficará por sua conta e risco.

Vamos começar com o tempo. Quanto tempo leva para alguém perceber que está caminhado na direção errada? Difícil responder! São tantas variáveis que inviabilizam um cálculo mais preciso. No entanto somos diariamente bombardeados por declarações que prometem nos reconduzir ao caminho certo em pouco tempo. Seja na Saúde – sua dor de cabeça vai sumir tomando esse analgésico – você vai emagrecer 5 quilos em apenas 10 dias com a dieta da moda – beba quanto quiser que o Enganove vai resolver sua ressaca. Na Economia – você terá autonomia financeira em apenas 6 meses criando sua rede de vendas nessa franquia – compre seu televisor em 12 prestações sem juros – baixe o aplicativo grátis – crédito automático de R$ 3.000,00. Na educação – você terá um bom emprego em apenas 12 anos de estudo numa escola e um melhor ainda com mais 4 anos de estudo numa universidade – não fique sem emprego faça um curso profissionalizante de 3 meses e saia na frente – aprenda inglês sem sair de casa em apenas 6 meses. Na política – se eleito vou acabar com a corrupção – sua contribuição sindical vai melhorar sua condição de trabalho – vamos mudar!

Tempo é dinheiro – Essa afirmação é normalmente entendida como o tempo tendo um valor monetário comparativo. Acredito que essa informação significa literalmente que tempo é dinheiro, ou seja, o tempo é igual ao dinheiro. Esse entendimento permite fazer uma analogia maravilhosa que as leis que se aplicam a um… equivalem ao outro. Portanto posso dizer que nos comportamos com o tempo da mesma maneira que nos comportamos com o dinheiro e vice-versa. Como é a sua relação com o dinheiro? E com o tempo?  Está sempre faltando? Você é generoso em doar seu tempo? Seu dinheiro? Você tem tempo sobrando? Você tem gastado dinheiro com o que realmente é importante ou você fica procrastinando? Como você lida com o tempo dos outros? Você nunca se atrasa em encontros?

Pandemia ou Pandemônio?

Estamos num momento de introspecção e de regeneração do nosso Ser, da nossa Alma. 

Para alguns é mais fácil fingir que está tudo bem ou tudo ruim, para não ter que mergulhar na tomada de consciência (awareness). O problema é que vão pagar a conta lá na frente, seja pela saúde ou pela dificuldade de interdependência. Para aqueles que estão numa jornada de busca interior não dá para fingir porque já não conseguimos mais enganar a nós mesmos. Então dói! O que temos que nos trabalhar é para aceitar que a dor é inevitável, enquanto o sofrimento é voluntário.

A nossa dor não é fácil de ser compreendida pelo outro, assim como o “não sofrer” também. Essa certa solidão nos faz pedir ajuda para outros companheiros dessa estrada que o Joseph Campbell chama de monomito (a jornada do herói). 

Também aqui nesse primeiro de junho, com minhas dores e com a atenção voltada para o aqui agora – para não cair na tentação do sofrimento.

Autopoiese de Maturana e Varela

Dois chilenos maravilhosos, ícones do pensamento sistêmico e criadores do conceito de Autopoiese.

Francisco Varela nos deixou, há exatos 20 anos, nesse 28 de maio. Deixando um legado formidável que continua a reverberar até hoje. Ele foi responsável, entre outras coisas, pelos encontros da Ciência com o Budismo do Dalai Lama (Mind & Life) gerando uma infinidade de conhecimentos e sabedorias. Criador do conceito de Autopoiese junto com Humberto Maturana no início dos anos 70. Foram muitos encontros de celebração do Varela, entre eles, a mostra de filmes do diretor Franz Reichle (Monte Grande, Mind & Life e Francisco Cisco Pancho).

Humberto Maturana nos deixou no dia 6 maio passado e tivemos dezenas de eventos em sua homenagem. Hoje à noite tivemos o encontro da Palas Athena com a Lia Diskin. A contribuição de Maturana para o entendimento da vida e dos sistemas que a compõem serão sempre as bases do conhecimento do Ser humano. Durante a pandemia ele participou de dezenas de conversas e entrevistas que ainda tenho muitas para assistir.

Gratidão Humberto Maturana e Francisco Varela!!!!

Para minha Neta

Oi, pequena! Oi, princesa da Natureza! Hoje faz um ano que você chegou, abriu os olhos e chorou pela primeira vez!

Apesar do mundo estar em pandemia, tenho esperanças (do verbo esperançar) que está nascendo uma nova possibilidade civilizatória. Será muito pouco provável que permaneceremos nesse formato destrutivo. Claro que dá medo, claro que não sabemos ainda a direção a seguir. Mas seu avô acredita que a sua geração já estará sendo governada por jovens que acreditarão que a interdependência é a única forma de convivermos em harmonia com a Natureza. Saberão o que todos já deveriam saber hoje… que somos natureza! Como te disse há um ano, será uma nova sociedade voltada para ampliação da consciência e restauração ecológica. Não haverá economia sem ecologia, educação sem aprendizagem, religião sem espiritualidade, política sem cidadania e nem medicina sem saúde.

Você já me ensinou tanto nesses últimos 12 meses! Agradeço sua Presença, seu Ser e sua Paz. Princesa da Natureza… sei que vai ouvir os chamados… sei que vai atender o seu propósito! Sei que te amo!

Primeiro de Maio

Esse texto faz parte do livro que estou escrevendo. Em cada primeiro dia do mês escrevo uma carta, no próprio dia, que será publicada no capítulo de uma retrospectiva do período em que estou escrevendo esse livro. Segue a carta relativa ao mês de abril de 2021:

Bom dia, primeiro de maio!

Bom dia, incertezas!

Na França é o dia de se desejar alegria e boa sorte presenteando a família e os amigos com a flor Muguet (lírio do vale). Dizem que a tradição remonta aos Celtas e os Romanos. Acredito que todos nós estamos precisando de alegrias e de boa sorte! Allez Bonheur!

As incertezas são tantas que seria mais prático a gente se render (com bandeirinha branca e tudo) e ficar confortavelmente sabendo que não sabemos nada. O que muda? Qual seria o problema? Estaríamos mais perto ou mais distantes da nossa verdade? Estamos assistindo a um desfile de certezas incertas. Quando alguém diz que está seguindo a ciência, o que isso quer dizer? Os cientistas pesquisam e chegam a conclusões diferentes, muitas vezes opostas. Então qual ciência seguir? São tantas! Quando alguém diz que está sendo guiado pela religião, o que isso quer dizer? São tantas as incertezas entre cientistas, médicos, religiosos, economistas, biólogos, ambientalistas, agricultores, jornalistas, professores, políticos, terapeutas… a lista não termina. Por que então, acreditamos que há alguma certeza, além de vamos morrer? O meu bom dia para as incertezas de hoje foi inspirado num texto que o Edgar Morin, publicou (Gallimard) há um ano em 21 de abril de 2020. Sim esse Edgar Morin que vai fazer 100 anos daqui dois meses. Cada parágrafo do seu texto merece uma parada para reflexão. O texto se chama – Um Festival de Incerteza – e começa assim:

“Todas as futurologias do século XX que previam o futuro com base nas correntes que atravessavam o presente fracassaram. Contudo, continuamos a prever 2025 e 2050 mesmo que sejamos incapazes de compreender 2020. A experiência das irrupções do inesperado na história não penetrou nas consciências. A chegada do imprevisível era previsível, mas não sua natureza. Daí minha máxima permanente: “espere pelo inesperado”.”

Em outro trecho – e paro por aqui – ele fala do que esperar do pós pandemia. Lembrem-se foi publicado em abril de 2020!

“Os desconfinados retomarão o ciclo cronometrado, acelerado, egoísta, consumista? Ou haverá um novo renascimento da vida convivial e amorosa rumo a uma civilização na qual se desenvolve a poesia da vida, onde o “eu” floresce em um “nós”?

Não podemos saber se após o confinamento novos caminhos e ideias vão desabrochar, ou mesmo revolucionar a política e a economia, ou se a ordem abalada se restabelecerá. Podemos temer fortemente a regressão generalizada observada já durante o curso dos vinte primeiros anos deste século (crise da democracia, corrupção e demagogia triunfantes, regimes neo-autoritários, retomadas nacionalistas, xenófobas, racistas).”

Será que a gente toparia ficar numa postura de simplesmente seguir o fluxo da vida, acreditar nas sincronicidades da vida? Simplesmente buscar, dentro da gente, o sentido de existir… de viver a vida!

Há cinco meses escrevi seis questões que emergiram na pandemia para exercitarmos ficarmos diante da nossa verdade, do que acreditamosem cada uma delas. Os cientistas e médicos tinham posições opostas a essas questões. Vejam ou revejam qual a sua verdade hoje. Elas refletiam o conflito de certezas em novembro de 2020. Acrescentei duas.

Verdade 1 – A transmissão do vírus veio pelo pangolim ou foi produzido em laboratório?

Verdade 2 – Cloroquina funciona ou faz mal?

Verdade 3 – As máscaras para o cidadão saudável são úteis ou inúteis?

Verdade 4 – As vacinas, no Brasil, virão no próximo mês ou no segundo semestre de 2021?

Aqui havia uma polarização quanto ao tempo que levaria para a maior parte dos brasileiros serem vacinados e voltarmos a uma vida “normal”.

Verdade 5 – As escolas devem abrir ou fechar?

Verdade 6 – Os números de casos e óbitos divulgados estão corretos ou incorretos?

Verdade 7 – As vacinas são confiáveis ou não são?

Verdade 8 –Quem já contraiu o COVD19 tem chance de pegar novamente ou são casos raros?

Esse exercício é apenas para a gente olhar para nossas certezas e incertezas. De verdade, não importa qual a resposta. O importante é perceber se onde você tem certeza existe espaço para ouvir uma outra certeza diferente e considerar genuinamente a possibilidade de mudar de ideia. Não é simples! Quando aparecem evidências de que o que você acredita não é verdade, ocorre uma dissonância cognitiva. Somos programados a não ficar confortável com essa dissonância e a partir daí criamos histórias (narrativas) para amenizar ou mesmo eliminar essa dissonância. Somos bons nisso! Como acreditamos nessas histórias que criamos não conseguimos entrar em contato com a beleza e possibilidades das incertezas. Ressignificar é uma oportunidade maravilhosa de seguir o fluxo de uma vida que está a nossa espera e… viver a vida!

“A gente precisa se dispor a abrir mão da vida que planejamos a fim de encontrar a vida que espera por nós.” Joseph Campbell

Para dificultar mais ainda nossa relação com essas certezas e incertezas, existe uma manipulação proposital para que passemos a pensar dessa ou daquela maneira, para que façamos dessa ou daquela forma que nos induzem. Entre todas as tragédias que estamos vivendo a DESINFORMAÇÃO é a pior delas! Se fosse falta de informação não seria tão grave… desinformação e a manipulação das informações são o que há de mais desumano! E isso em nome do poder e da ganância. Não sei como a história vai registrar esse período, não sei se haverá centenas (talvez milhares) de condenados por crimes contra humanidade. Não sei como milhares de pessoas conseguirão apagar os rastros de suas manifestações que contribuíram para esse desastre mundial, para que seus netos não se envergonhem de tamanha falta de noção herdadas em seu DNA. Não sei como ficarão as pessoas que não contribuíram diretamente para ajudar, de alguma maneira, a humanidade e ficaram apenas reclamando da culpa dos outros. Seja pela busca de benefício próprio, corrupção ou apenas banalidade do mal (conceito Hannah Arendt).

Não sei… só sei que não sei!

Celebramos o Dia da Terra, no dia 22 de abril. Celebramos? Tivemos a Cúpula do Clima promovida pelo governo americano. Eles querem ser protagonistas da emergência climática. Por um lado, uma boa notícia, por outro um risco de ficar no “business as usual”. E o Brasil? Quando nosso presidente (sim, nosso!) discursava seus sete minutos, ao lado de um ministro que deveria estar defendendo o meio ambiente, que – um ano antes – exatamente no dia 22 de abril declarou que deveriam aproveitar que estavam todos distraídos com a pandemia, para “passar a boiada” e… foi exatamente o que fez! Uma devastação sem precedentes, começando com a desmobilização dos órgãos de proteção. Um ano depois está pleiteando receber recursos para seu plano de defesa da Amazonia. A sociedade civil reagiu fortemente a essa tentativa de ludibriar o mundo. Veremos os resultados até junho, o mês do meio ambiente. Veremos, também, nossa posição na COP26 em Glasgow (Escócia) em novembro. Isso tudo é surreal!

Envio muitas Muguets para trazer alegria e boa sorte a todos nós!

Primeiro de Abril

Esse texto faz parte do livro que estou escrevendo. Em cada primeiro dia do mês escrevo uma carta, no próprio dia, que será publicada no capítulo de uma retrospectiva do período em que estou escrevendo esse livro. Segue a carta relativa ao mês de março de 2021:

Foi no dia 1º de abril de 2020 que comecei a publicar minhas cartas mensais. Será que alguém teria a mínima condição de imaginar que estaríamos onde estamos hoje, um ano depois? Lembram-se que em março de 2020 estávamos adiando os eventos presenciais? Falávamos em dois ou três meses… alguns mais pessimistas adiavam para o segundo semestre de 2020. Quem acreditaria que um ano depois estaríamos muuuito pior. Há um ano, em março, passamos a primeira quinzena acreditando que não havia vítimas fatais. No mês de março de 2020 tivemos notificados 201 óbitos no mês inteiro. Enquanto apenas hoje (quinta-feira) tivemos 3.769 óbitos notificados, só nas últimas 24 horas!  

Nos últimos dois dias tivemos notícias de mais absurdos na política – não dá para se acostumar – e notícias de mais destruição de nossas florestas. Com a pandemia desacelerando a devastação das florestas… o Brasil conseguiu, novamente ficar em primeiro lugar no ranking mundial (segundo dados da plataforma Global Forest Watch do WRI anunciados ontem) aumentando em 25% a destruição das florestas em 2020 em comparação com o ano anterior (que foi absurdamente alto). O Brasil destruiu três vezes mais que o segundo colocado no ranking. O resultado saiu nas principais mídias do mundo todo. Global Forest Watch: https://blog.globalforestwatch.org/data-and-research/global-tree-cover-loss-data-2020https://blog.globalforestwatch.org/data-and-research/global-tree-cover-loss-data-2020

 Voltando a carta de abril, de um ano atrás, escrevi que estávamos vivendo sintomas de incontinência virtual e esperava que não piorasse mais. Mal sabia que isso teria múltiplas consequências, se agravando cada vez mais até os dias de hoje.

Nessa carta também apresentei algumas visões do que eu via se desenhando no horizonte para iniciarmos a próxima década, que começou em primeiro de janeiro de 2021. Reli cada uma das visões e as mantenho tal qual foram escritas.

– A medicina vai finalmente evoluir para cuidar prioritariamente da prevenção ao invés das doenças. Vai se tornar amplamente colaborativa e completamente sem fronteiras. Levará em conta ciência, tecnologia e principalmente culturas. Cuidará fundamentalmente do DNA ao estilo de vida, da alimentação ao ar que respiramos, da meditação à movimentação, da autoestima à psicologia.

– A economia não conseguirá manter seu atual modelo estrutural. O jogo já mudou! Quem tentar jogar com as regras antigas logo perceberá que terá que se tornar alguém detestável para si mesmo e para os outros. Poucas pessoas ficam confortáveis nessa posição. O medo e a insegurança com a sobrevivência vão retardar o pleno funcionamento de uma economia com uma cultura de Gift.

– As escolas nunca mais serão as mesmas. Vamos finalmente sair das metodologias do século XIX para entrar nas condizentes com o século XXI. Quem poderia imaginar que os sistemas de aprendizagem iriam dar esse salto quântico através desse artifício? Quem diria que o conhecimento não estaria mais atrelado a memória e sim a sabedoria? A Educação será livre, com janelas sem salas, com notas de músicas, com folhas da natureza e principalmente com muito amor.  

– A política dos políticos ainda sobreviverá mais algumas primaveras enquanto houver a crença de que o sistema eleitoral tem alguma coisa a ver com a democracia. A política vai migrar dos políticos para a sociedade civil. E as políticas públicas serão decididas pontualmente através da participação dos interessados devidamente qualificados. Em pouco tempo os políticos serão substituídos por uma nova geração de políticos conectados com a sociedade civil.

– A religião, no geral, terá dificuldades de manter o véu da ignorância como força motriz da maioria de seus seguidores. Apesar da imensa fome por algo que explique o inexplicável, por um sabor de pertencimento, por um alimento para a alma… a busca será mais ouvindo a voz de dentro do que a palavra dos gurus. Você, finalmente, será seu próprio guru!

Esses cinco pontos continuam fazendo parte da minha visão que foram ampliados nesse livro.

Aniversários:

Hoje, 1º de abril, o Psicodrama faz 100 anos! Joseph Levy Moreno, criador da técnica terapêutica do Psicodrama é também pai de muitas ideias e inovações que estão hoje integradas em nosso dia a dia e nem nos damos conta. A terapia de grupo foi uma de suas contribuições mais significativas a todas as terapias. A Socionomia, ou estudo das relações é a mãe das redes sociais de hoje. Pois é… Facebook, Instagram, Google, Twitter, Whatsapp tem tudo a ver com o Moreno. Procurem por Sociodinâmica, Sociometria e Sociatria. Dizem que em 1912 num encontro com Freud, lhe disse que enquanto ele (Freud) analisava os sonhos, ele (Moreno) dava coragem para sonhar e novo.  

A Federação Brasileira de Psicodrama (Febrap) editou um vídeo para celebrar os 100 anos do Psicodrama: https://youtu.be/LAFFreYwHHY

Em março saiu o livro Psicodrama Virtual, com vários autores em que fui convidado para escrever um capítulo. O Psicodrama em si é virtual e por isso acredito, pelo que vivenciei nesse último ano, no que o JL Moreno dizia: que o Psicodrama no século XXI será a terapia que a Psicanálise foi para o século XX. Sou um apaixonado pelo Psicodrama!  

Hoje, 1º de abril, é o aniversário do segundo Golpe Militar do Brasil realizado em 1964. Apesar de ainda existirem pessoas acreditando na versão editada, João Goulart ainda estava no poder na manhã do dia primeiro. O golpe (ou revolução) só acontece quando o governante é deposto. Não importa se houve alguma movimentação no dia anterior, na semana anterior ou mesmo no ano anterior com a gravação do John Kennedy insinuando uma intervenção militar no Brasil. A questão de inventar uma mentira para escapar do dia da mentira é de uma ironia histórica. Mudar uma data histórica para acomodar qualquer que seja a narrativa é um gesto, no mínimo, desonesto. Não podemos mudar a data da queda do muro de Berlim, das Torres Gêmeas ou de qualquer outro acontecimento histórico.

Precisamos também entender que há militares e militares. Dizer simplesmente “militares” seria o equivalente a dizer “Cristãos”. Há Cristãos Evangélicos, Católicos, Protestantes… e muitos outros. Dentro dos Evangélicos tem também outras divisões. Portanto temos que ter cuidado para não generalizarmos os militares… com o perdão do trocadilho.

Encerro esse texto desejando que possamos ultrapassar as fronteiras que nos limitam. Que possamos ampliar a consciência para perceber o quanto não sabemos… e que tudo bem! 

Primeiro de Março

Esse texto faz parte do livro que estou escrevendo. Em cada primeiro dia do mês escrevo uma carta, no próprio dia, que será publicada no capítulo de uma retrospectiva do período em que estou escrevendo esse livro. Segue a carta relativa ao mês de fevereiro 2021:

Reli o texto que escrevi em primeiro de março de 2020. Foi numa outra era. Você consegue se lembrar como e onde você estava em primeiro de março de 2020? Não me refiro a março de 2020 e sim ao dia 1º de março de 2020. Ou seja, antes de ser decretada a pandemia, antes da primeira morte no Brasil, antes de qualquer indício real de que o mundo inteiro iria parar. Ao mesmo tempo, pouquíssimo tempo antes de tudo isso acontecer. Vou reformular a pergunta: Você consegue se lembrar quem você era em primeiro de março de 2020?

Vou reproduzir o início dessa carta que é no mínimo… curiosíssima.

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“Hoje, primeiro de março de 2020

A semana do Carnaval termina hoje e amanhã é quando, pejorativamente, se diz que o Brasil começa a trabalhar. A questão da sustentabilidade nunca esteve tão mal e olha que já esteve inacreditavelmente mal nos últimos 10 anos. O que será necessário para que esse jogo vire no Brasil e nos EUA? O principal é saber que TODOS nós podemos fazer alguma coisa, por menor que seja. Se ficarmos apenas reclamando estaremos sendo cumplices dessa tragédia.    

Na carta de fevereiro subestimei o possível impacto do novo Coronavírus no mundo. Não havia casos de mortes fora da China e nem nome o vírus tinha. Mantenho a ideia de que as mídias vêm gerando um pânico que em nada ajudam. Acredito, também, que já estamos num estado de pandemia apesar de não ter sido declarado ainda. Em 27 de janeiro escrevi no WhatsApp respondendo para minha filha (grávida) que perguntava se eu tinha alguma orientação quanto ao novo coronavírus. Respondi:

Todo ano tem algo assim.

Eu ainda não estou nem um pouco preocupado. Se isso mudar te aviso.

Um dia um deles (vírus) vai ser uma pandemia. Não acho que será esse. De qualquer maneira a melhor coisa a fazer é ficar fisicamente bem… muito bem!  Dormir bem, não “comprar” situações de stress, tomar meio limão por dia e umas 20 a 30 gotas de própolis por dia. O grande problema do coronavírus, ao contrário dos outros, é que ele é contagioso quando ainda não saíram os sintomas… ou seja duas semanas antes dos sintomas aparecerem. Se acontecer (acho improvável) de conhecer alguém que conhece alguém infectado precisa ficar longe do networking (rede de relacionamentos) dessas pessoas e os cuidados da saúde serem de uma pessoa paranoica por, pelo menos um mês depois que soube.

No mesmo dia 27 de janeiro, só lembrando que 99% dos 2.800 casos estavam na China e que os EUA tinham apenas 5 casos (reportados), nenhum em Nova York e todos de pessoas que vieram de Wuhan/China, minha filha perguntou se eu achava que era suave ela ir para Nova York.

Por enquanto sim. Se o negócio se espalhar de uma forma perigosa deve rolar de março para abril. Os números estão subindo dessa maneira assustadora, mas é que acabaram de identificar o vírus e os casos estão emergindo (ficando visíveis). Acredito que será contido. De qualquer maneira VOCÊ deve viajar de máscara. Menos pelo risco desse vírus e mais pelo risco dos outros 50 que estão sendo espalhados diariamente. Nenhum perigoso em si, mas vários tem indicação de antibióticos e outras medicações desaconselháveis para minha neta.

Vale a pena passar o desconforto ou vergonha. Não é um custo alto a pagar pela prevenção. Declare que você não está doente, mas está grávida e não quer pegar uma gripe ou virose. Ordens do seu médico! Aliás fale com ele. Deve estar muito mais bem informado do que eu.

Poucos dias depois, no dia 3 de fevereiro onde um dos infectados nos EUA estava recebendo alta do hospital. As mortes tinham crescido de 83 para 426, sendo que 425 da China (maioria da província de Hubei) e uma nas Filipinas sendo que era um Chines de Wuhan (província de Hubei) de 44 anos que tinha se infectado antes de chegar nas Filipinas. Escrevo recomendando que não faça a viagem, mas não pelo perigo do novo vírus.  

Acredito que a mídia está causando esse pânico. Só se fala nisso. Para os governos é ótimo desviar a atenção do Brexit, da ameaça nuclear, do impeachment, dos descalabros no Brasil, do Bibi, do sarampo, das mudanças climáticas e de tantas outras coisas realmente importantes. Continuo achando que se houver perigo será a partir de abril. Continuo achando que pelo contágio ter que ser direto (gotículas quando fala ou tocar coisas que receberam essas gotículas) é muito fácil se proteger nesse estágio da doença. Álcool gel muitas vezes. Prestar atenção para não levar as mãos a boca. Enfim acho que não há risco real. PORÉM… acho que há risco de pegar um resfriado ou uma virose. PORÉM… como está esse pânico no ar, qualquer sintoma vai gerar um medo no grupo e no entorno.

Acredito que com esse nível de medo vocês não deveriam ir. A razão é psicológica e não por um perigo real. Mas é uma razão válida!

Você talvez passe por um stress desnecessário se alguém pegar um resfriado.

Minha humilde opinião é que vocês não deveriam ir.

O que preocupa são as declarações e as possíveis medidas que tomarão os governantes dos EUA e do Brasil, que atualmente estão fazendo pouco caso do assunto.

Embarco nessa quarta para o México (Durango) para participar do World Sustainable Development Forum (WSDF 2020) que além da importância do evento que segue na direção da implementação do acordo de Paris e das ODS, deverá homenagear o organizador e importante ambientalista Rajendra Kumar Pachauri. Muitos encontros e projetos estão sendo costurados desde a Cúpula do Clima em setembro passado em Nova York. Tenho esperança! Esperança do verbo esperançar!

“É preciso ter esperança, mas ter esperança do verbo esperançar; porque tem gente que tem esperança do verbo esperar. E esperança do verbo esperar não é esperança, é espera. Esperançar é se levantar, esperançar é ir atrás, esperançar é construir, esperançar é não desistir! Esperançar é levar adiante, esperançar é juntar-se com outros para fazer de outro modo…” Paulo Freire

O mês de fevereiro foi particularmente….”

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Voltando ao primeiro de março de 2021, fico especialmente emocionado de reler a carta que escrevi para esse livro porque revela a minha completa falta de percepção da dimensão do que vinha vindo e ao mesmo tempo revela as pedras que deixei no caminho até aqui. Foi só no mês seguinte (abril) que passei a publicar (sem divulgar) essas pedras em forma de palavras e ideias que me acompanham nesse caminho que estou compartilhando.

No dia 11 de fevereiro celebrei os 30 anos de encontro com a minha cara-metade. Com certeza a coisa mais importante que aconteceu na minha vida. Agradeço a muita coisa dessa vida que foi muito generosa comigo, encontrar a Deborah foi uma iluminação que gerou e gera o viver a vida. Viver a Vida em versão original! Esse é também o título do livro que conta a nossa história e que nesse mês ganhou um formato digital. Fiquei na dúvida de escrever a palavra “coisa”, existem preconceitos com ela. Olhando rapidamente no Ecosia (a versão ecológica do Google que sempre uso) descobri o quanto ela é versátil e tem muuuuitos significados. Ela pode ser substantivo, adjetivo, advérbio e até verbo. O significado que mais encontrei foi: “Tudo o que existe ou que pode ter existência”. Não é demais? Portanto mantenho que encontrar a Deborah foi a coisa mais importante da minha vida!

Hoje de manhã, assisti ao Davos Lab Brasil na TV Folha. Foi muito bom! O que sempre me impressiona são aquelas pessoas que ficam no chat jogando palavras de ódio. Elas entram para isso! O que faz alguém entrar num evento que não aprecia e ficar falando mal de tudo e de todos? Com tanta coisa importante para fazer o que faz alguém perder tempo e energia com isso? Vamos excluir as pessoas que se submetem (banalidade do mal) a receber dinheiro para fazer atos destrutivos e aos robôs programados para isso. Ainda resta uma quantidade enorme de pessoas que covardemente, em seu anonimato, insistem em disseminar vibrações negativas. Existem pessoas que preferem torcer para que o time do outro perca do que o seu ganhe. Estranho, né? Vota num outro candidato para que o que não gosta perca. Sim, parece surreal, mas é a realidade! Uma pessoa escolhe um candidato de sua preferência, mas não vota nele porque acredita que deve votar no candidato que as pesquisas mostram que tem mais chance contra um do qual é contra. Com isso, sempre ganha um candidato que não é o da sua preferência! Como pode uma coisa dessas ser boa para a democracia? Por que as pessoas, na sua maioria, escolhem ser do contra? Como elas fazem para se justificarem consigo mesmas? A resposta é reduzindo a dissonância cognitiva, através de artifícios imaginários (histórias). Essa é uma das abordagens deliciosas que apresento nesse livro.   

No mês passado deixei uma palavra no ar: Percepção! Acredito que ela seja a essência do que é esse livro. A nossa realidade – nossa mesmo – é moldada pelas percepções do que acreditamos.

Hoje comecei um curso sobre “Perspectivas”. O curso é baseado nas forças de caráter da Psicologia Positiva criada por Martin Seligman. A Perspectiva é uma força de caráter da virtude da Sabedoria. Aprendi hoje a definição que é “Ser capaz de oferecer conselhos sábios aos outros; ter maneiras de ver o mundo que façam sentido para si e outras pessoas.”     

Ggostaria de deixar um link para um vídeo do Yuval Harari falando (em inglês) para jovens de uma escola multicultural no Japão. Tenho tido o privilégio, por conta desses momentos da pandemia, de ouvir uma conversa dele toda semana. https://youtu.be/9drNVSuyp0w

O que me preocupa mais nesse momento da pandemia são os médicos e os profissionais de saúde da linha de frente. Eles já passaram do ponto de “não retorno” para o Burnout, estresse e outras enfermidades. Temos que olhar sistemicamente para cuidar dos cuidadores porque se continuarmos nesse ritmo, além da tragédia individual desses profissionais teremos uma falta desses heróis para atender a demanda.

Que a força esteja com vocês!

Primeiro de fevereiro

Como é? 2020 não acabou?

A gente não estava atrelando 2020 com a pandemia?

Fico pensando como esse período vai entrar para a História. Claro que depende da linha do seu historiador favorito. Toda a História é contada de diversas maneiras, com narrativas e fatos próprios de quem conta. Como você vai contar essa história?

Eu, hoje, não conseguirei contar nada. O dia foi de mudança… literalmente de mudança. Estou com poucos minutos para cumprir minha promessa de escrever todo dia primeiro de cada mês, enquanto estiver escrevendo esse livro.

Hoje deixo uma palavra no ar: PERCEPÇÃO!