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Primeiro de Maio

Vaca não dá Leite

A história que se conta é que quando os filhos fizessem 12 anos o pai, contaria o Segredo da Vida. Esse segredo é que vaca não dá leite… você tem que tirar o leite da vaca e passar por todos os dissabores que essa operação exige. Apesar de ser uma boa analogia de que as “coisas” não caem do céu e de que é preciso trabalhar arduamente para consegui-las, ela também esconde um segredo maior ainda que, involuntariamente, acaba formando as crianças para um sistema que está ficando obsoleto (neoliberalismo). O segredo maior ainda é de que a vaca dá leite para o seu bezerro e não para nós, por isso, é necessário TIRAR o leite da vaca. A mesma analogia não funcionária tão bem, para as crianças, se o Segredo da Vida fosse que o boi não dá carne… é preciso tirar a carne do boi e passar pelos dissabores que essa operação exige. Uma parte significativa das novas gerações estão procurando ensinar o básico para os pais, professores, políticos e adultos em geral de que os animais dão leite para suas crias e não dão carne para nós. Apesar de todo blá blá blá dos que deveriam estar agindo como adultos, os jovens e as crianças não aceitam mais ouvir lições dos que continuam impunemente a TIRAR do seu futuro.

Estamos a um mês da Stockholm+50 que deveria ser o principal marco dos 50 anos de ações para a sustentabilidade e, no entanto, o fracasso já está anunciado pelo hackeamento desse evento pelo governo Sueco que ignorou completamente o esforço de anos de iniciativas da sociedade civil. É triste ver que no país de Greta Thunberg e Johan Rockström, a mais importante celebração das últimas décadas, será vergonhosa. Outras coisas ridículas antecederam esse evento. A ONU só ratificou oficialmente o evento em final de maio de 2021, a data original seria em maio, conseguiram que fosse transferido para 2 e 3 de junho enquanto a data dos 50 anos de Estocolmo 1972 é 5 de junho (que se tornou o dia mundial do meio ambiente). Dois dias antes, 31 de maio e 1 de junho, vai acontecer o Stockholm Learning Plaza da SoL (Society for Organizational Learning) que estou ajudando a organizar. Será um evento hibrido de conversas com os fundadores da SoL, Peter Senge e Göran Carstedt, com o Diretor de Objetivos do Desenvolvimento Interno Jan Henriksson, a vencedora do prêmio Rachel Carson, Marylin Mehlman, e muitos outros participantes engajados e conhecidos. Veja o programa do evento

E quanto aos povos indígenas? Está ocorrendo uma inacreditável violência com os povos originários. Na última 5ª feira (28/4), a ministra Cármen Lúcia cobrou uma apuração cuidadosa sobre o crime e a violência sofrida pelos Yanomami nas mãos dos garimpeiros. “Essa perversidade não pode permanecer como dados estatísticos, como fatos normais da vida. Não são. Nem podem permanecer como notícias”, disse a ministra. “Não é possível calar ou se omitir diante do descalabro de desumanidades criminosamente impostas às mulheres brasileiras, dentre as quais mais ainda as indígenas, que estão sendo mortas pela ferocidade desumana e incontida de alguns”. Leiam uma ótima matéria produzida pela Emily Costa e Elaíze Farias, da Amazônia Real

Veja os dados da importância das comunidades indígenas para a proteção das nossas florestas no MapBiomas que é a plataforma mais completa, atualizada e detalhada base de dados espaciais de uso da terra em um país disponível no mundo. Foi publicada no Dia do Índio em 19/04

Desmatamento… o Brasil foi responsável (irresponsável) por quase a metade do desmatamento das florestas primárias do mundo em 2021. Há, pelo menos, dez anos que o desmatamento está desgovernado pela gestão dos governos. Nos últimas três anos a destruição é sem precedentes! Na última 5ª feira (28/4),o Global Forest Watch publicou um relatório completo de 2021.

O consumidor, na maioria das vezes, é conivente com o desmatamento praticado, principalmente, pela indústria da carne. A informação foi revelada nesta última quarta-feira (27/04) pela plataforma Reclame Aqui. Ela faz parte de uma pesquisa realizada com quase 10 mil brasileiros entre 16 e 18 de novembro de 2021, que mostrou que quase 60% dos consumidores entrevistados (59,24%) não deixou de colocar no prato carne proveniente de marcas ligadas à destruição da floresta Amazônica. Chocante para dizer o mínimo! Ou seja, o crime ambiental é apoiado pelo governo e pelo consumidor. Muito triste, trabalhador do Brasil.

E quanto ao Dia Internacional do Trabalhador? Não se trabalha! A etimologia da palavra trabalho é bem curiosa, vem do latim Tripalium que significava um instrumento de tortura formado por três pedaços de madeira. A palavra foi passada para a língua francesa como Travail que tinha o sentido de sentir dor, sofrer. Essa forma passou para o Português (trabalho) e para o Espanhol (trabajo). No italiano Labor tinha o significado de Fadiga, Cansaço.  No alemão Arbeit sugere sofrimento, esforço e dificuldade e vem diretamente das palavras servidão, escravidão. O The Guardian escreveu um artigo interessante, em 2013, sobre as raízes da tortura no trabalho.

A origem do Dia do Trabalhador também é bem interessante e tem raízes no marxismo com a questão da redução das horas de trabalho por dia, 8 de trabalho, 8 de lazer e 8 para dormir. Apesar de mais de 80 países celebrarem esse dia em função de acontecimentos ocorridos em 1886 em Chicago nos EUA, a celebração americana ocorre na primeira segunda-feira de setembro.

Ofereço a quem estiver lendo esse texto uma flor de Muguet (lírio do vale), onde na França se presenteia, em 1º de maio, a família e amigos para se desejar alegria e boa sorte.

E finalmente, falando do Dia da Terra (22/04), com tantas notícias péssimas e a insistência em se continuar agindo e ensinando as crianças que podemos tirar da natureza sem uma alfabetização ecológica mínima que permita entender as consequências de nossos atos… uma boa notícia! Temos a Carta da Terra! Nosso principal documento enquanto responsabilidade humana em manter o nosso lar (a Terra) saudável para todos e principalmente para as futuras gerações. Honrando todos que participaram desse feito! Reproduzo aqui o preâmbulo desse precioso texto e convido a lê-la (espero que novamente) integralmente com atenção, escuta generosa e principalmente amor.

Carta da Terra – Preâmbulo

Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo se torna cada vez mais interdependente e frágil, o futuro reserva, ao mesmo tempo, grande perigo e grande esperança. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio de uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos nos juntar para gerar uma sociedade sustentável global fundada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura de paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade de vida e com as futuras gerações.

TERRA, NOSSO LAR

A humanidade é parte de um vasto universo em evolução. A Terra, nosso lar, é viva como uma comunidade de vida incomparável. As forças da natureza fazem da existência uma aventura exigente e incerta, mas a Terra providenciou as condições essenciais para a evolução da vida. A capacidade de recuperação da comunidade de vida e o bem-estar da humanidade dependem da preservação de uma biosfera saudável com todos seus sistemas ecológicos, uma rica variedade de plantas e animais, solos férteis, águas puras e ar limpo. O meio ambiente global com seus recursos finitos é uma preocupação comum de todos os povos. A proteção da vitalidade, diversidade e beleza da Terra é um dever sagrado.

A SITUAÇÃO GLOBAL

Os padrões dominantes de produção e consumo estão causando devastação ambiental, esgotamento dos recursos e uma massiva extinção de espécies. Comunidades estão sendo arruinadas. Os benefícios do desenvolvimento não estão sendo divididos equitativamente e a diferença entre ricos e pobres está aumentando. A injustiça, a pobreza, a ignorância e os conflitos violentos têm aumentado e são causas de grande sofrimento. O crescimento sem precedentes da população humana tem sobrecarregado os sistemas ecológico e social. As bases da segurança global estão ameaçadas. Essas tendências são perigosas, mas não inevitáveis.

DESAFIOS FUTUROS

A escolha é nossa: formar uma aliança global para cuidar da Terra e uns dos outros ou arriscar a nossa destruição e a da diversidade da vida. São necessárias mudanças fundamentais em nossos valores, instituições e modos de vida. Devemos entender que, quando as necessidades básicas forem supridas, o desenvolvimento humano será primariamente voltado a ser mais e não a ter mais. Temos o conhecimento e a tecnologia necessários para abastecer a todos e reduzir nossos impactos no meio ambiente. O surgimento de uma sociedade civil global está criando novas oportunidades para construir um mundo democrático e humano. Nossos desafios ambientais, econômicos, políticos, sociais e espirituais estão interligados e juntos podemos forjar soluções inclusivas.

RESPONSABILIDADE UNIVERSAL

Para realizar estas aspirações, devemos decidir viver com um sentido de responsabilidade universal, identificando-nos com a comunidade terrestre como um todo, bem como com nossas comunidades locais. Somos, ao mesmo tempo, cidadãos de nações diferentes e de um mundo no qual as dimensões local e global estão ligadas. Cada um compartilha responsabilidade pelo presente e pelo futuro bem-estar da família humana e de todo o mundo dos seres vivos. O espírito de solidariedade humana e de parentesco com toda a vida é fortalecido quando vivemos com reverência o mistério da existência, com gratidão pelo dom da vida e com humildade em relação ao lugar que o ser humano ocupa na natureza.

Necessitamos com urgência de uma visão compartilhada de valores básicos para proporcionar um fundamento ético à comunidade mundial emergente. Portanto, juntos na esperança, afirmamos os seguintes princípios, interdependentes, visando a um modo de vida sustentável como padrão comum, através dos quais a conduta de todos os indivíduos, organizações, empresas, governos e instituições transnacionais será dirigida e avaliada.

Carta da Terra completa

Primeiro de Abril

Dia da Mentira, Verdade?

A verdade e a mentira se confundem de tal maneira que hoje está muito mais para uma escolha do que gostaríamos de acreditar do que uma busca pela verdade.

A fábrica de tornar as ficções criadas em verdadeiras funcionam de uma maneira até simples. A receita começa com uma porção generosa de verdade comprovada. Acrescenta-se, a gosto, mentiras deslavadas. Para tornar a ficção deliciosamente viral é necessário pitadas de criatividade com poder de alterar as emoções. O segredo está no cozimento onde se leva ao fogo muitas e muitas vezes e em diversas cozinhas dando a sensação de que o quitute é legitimo. Para completar a farsa, faça a história ser oferecida em muitos endereços, a maioria são cadeias próprias de restaurantes servindo comida requentada fingindo que existem. Os botequins são uma ótima opção para os paladares mais populares e viciados em pimenta. Não se preocupem com os formadores de opinião, eles virão, automaticamente, assim que a história começar a viralizar para parecer que foram eles que a viralizaram.

E a intenção de ter essa trabalheira toda? De gastar uma fortuna? Para que serve ficar sistematicamente enganando as pessoas? Coisa boa não deve ser!

Uma intenção pouco percebida é a de misturar uma receita repleta de mentiras deslavadas e absurdas que não tem qualquer intenção de se passarem por verdades. A ideia é causarem uma grande comoção e revolta para encobrir algo que não será percebido pelos militantes distraídos com a cortina de fumaça.  

A trama não para por aí. Existe também um número enorme de pessoas que se sujeitam a denegrir os que se manifestam contra a ficção do patrão por apenas alguns centavos. Fora os que são alvos permanentes das mentiras torneadas verdades.

As chamadas mídias tradicionais perderam a exclusividade em fornecer notícias manipuladas e nunca imaginaram que a total falta de pudor em mentir descaradamente substituiria uma notícia muito mais cuidadosa em sua confecção. Nasceu uma nova e importante modalidade do jornalismo que são os checadores de fatos (facts-checking). No Brasil temos, por exemplo, o ComProva , o Lupa e o Aos Fatos, entre outros. Já tem checadores de fatos fakes. Cuidado!

No campo do meio ambiente estamos bem servidos. Temos o SEEG, o Fakebook e o Mapbiomas. Os três são fornecedores de dados e informações muito precisos criados pelo Observatório do Clima e seus parceiros.

FAKEBOOK: https://fakebook.eco.br/

SEEG: http://seeg.eco.br/

MAPBIOMAS: https://mapbiomas.org/

A chamada era da “pós verdade” começou no Brasil em 2014, se fortaleceu nos EUA e no Reino Unido em 2016 e de lá para cá vivemos numa sociedade da desinformação.  

Incrível a capacidade do ser humano de acreditar no inacreditável!

Aliais, acreditar no que não existe foi, segundo Yuval Harari, o que nos fez chegar ao topo da cadeia alimentar e conquistar o planeta todo. Yuval diz que acreditar numa ficção foi o que possibilitou nós, homo sapiens, de nos agruparmos em números cada vez maiores, formando comunidades incomuns para as outras espécies de mamíferos. Vou postar novamente o vídeo dele no TEDx  nisso, é impressionante!  https://youtu.be/nzj7Wg4DAbs (escolha sua legenda).

Parece mentira, mas não é:

1- Deputado Estadual por São Paulo, o segundo mais votado em 2018, e pré-candidato ao governo do Estado de São Paulo, visita a Ucrânia e disse, em áudio vazado, (além de outras baixarias) que a “ucraniana é fácil porque é pobre”. Impossível ouvir o áudio sem achar que é fake. Ele mesmo admitiu que é verdade. A repercussão foi internacional. Espero que os quase 500.000 que votaram nele estejam morrendo de vergonha!

2- Presidente da República do Brasil recebe a medalha do mérito indigenista. Sim é verdade! Parece fake news ou piada de mal gosto. O ministro da justiça (também inacreditável) concedeu a honraria a aquele que mais vem contribuindo para a dizimação dos povos indígenas. Entre os 25 agraciados estão ministros como Braga Netto (Defesa), Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos) e Tereza Cristina (Agricultura). Parece que o critério para receber a medalha foi invertido. Também, para a vergonha de todos nós, com larga divulgação na mídia internacional.

3- Parece uma mentira grosseira, mas lamentavelmente é verdade! Ninguém, em sã consciência, faria uma coisa desses com o Brasil. Todos os retrocessos e ataques diretos, do governo, ao meio ambiente e aos povos originários são inacreditáveis. Entre os absurdos está o Saldão do Petrolão que está com pouca ou quase nenhuma visibilidade e vai ser decidido agora no dia 13 de abril. Divulgar! Divulgar! Divulgar! A estratégia é sempre aproveitar a miopia das mídias para PASSAR A BOIADA. Vão ofertar 1.068 blocos de exploração de petróleo e gas pelo Brasil todo. E dessa vez o truque sujo é a modalidade deixar de ser um leilão como anteriormente e se tornar Oferta Permanente. Ou seja quando aparecer um interessado será negociado. Recomendo a leitura do artigo da Mar sem Petróleo da Arayara e buscarem por mais informações ou demandar mais informações das mídias que você acompanha. É bem sério! Muito sério mesmo!

Mentira tem perna curta! Será?

Hoje já se sabe que o golpe militar de 1964 foi no dia 1 de abril e não no dia 31 de março como, durante anos, tentaram emplacar essa mentira. Muito irônico e simbólico. Os que ainda dizem que acreditam nessa mentira ou estão desinformados ou querendo desinformar.

Qual será a verdade sobre o golpe militar? Teria sido uma forma de evitar a invasão militar dos EUA que já estavam em águas territoriais brasileiras? Será que as forças armadas brasileiras, para evitar o pior, resolveram destituir o governo a força com a intenção de devolver logo que “arrumassem a casa”? Será que forças dentro do próprio exército conspiraram para reverter a intenção inicial e implantar uma ditadura? Será que para isso, além das torturas e deportações, conseguiram criar um personagem que fingia ser oposição ao regime, mas na verdade era um colaboracionista infiltrado? Teoria da conspiração? Ficção? Roteiro de um filme? O importante é perceber que a diferença entre a ficção e a realidade é apenas o que acreditamos. Como fazemos para acreditar numa coisa ou em outra? O documentário de 2020, “O Dilema das Redes” (The Social Dilemma), deixa muito claro como somos facilmente manipulados sem nos dar conta que nossas decisões estão sendo tomadas por influência dos (mal intencionados) algoritmos. Possivelmente mais de 90% dos eleitores foram e são propositadamente manipulados. Quanto % desses eleitores sabem disso? 1%? Se tanto! No primeiro turno das eleições presidenciais de 2018, conseguiram convencer um grande (grande mesmo) contingente de eleitores a abandonar o candidato que escolheriam para votar contra o que não queriam. Como foi possível manipular as pessoas dessa maneira? Como foi possível fazerem as pessoas acreditarem nessa ação completamente ineficaz? O resultado de uma manobra surreal como essa, é levar para o segundo turno os dois piores candidatos. Para piorar cria a ilusão de que os outros candidatos não eram representativos. Agora em 2022 vamos enfrentar o mesmo dilema das redes? Continuaremos a ser manipulados pela polarização dos algoritmos? Será que não aprendemos nada? Vamos continuar votando no segundo menos ruim acreditando que estamos evitando que o pior ganhe? O sentido democrático das eleições não era votar no candidato que melhor representa o que você acredita? Um percentual minúsculo acredita genuinamente em cada um dos considerados piores candidatos pela maioria. Um percentual um pouco maior se beneficia direta ou indiretamente de um desses piores e, portanto, acredita ser justo querer que ganhe para manter o benefício. Um percentual um pouco maior ainda, acredita em apostar seu voto num desses dois que estão na frente das pesquisas. Por isso acredito, que muitas vezes, as pesquisas são profecias autorrealizadas. Em 2014, no primeiro turno das eleições presidenciais, quem estava em segundo lugar nas pesquisas era a Marina Silva, com boas chances de vencer a Dilma no segundo turno. UM DIA antes da eleição as pesquisas DataFolha e Ibope (já falecida) apontaram Aécio Neves em segundo lugar. Ou seja, Marina Silva que estava em segundo lugar nas pesquisas desde a morte de Eduardo Campos em 13 de agosto até o dia anterior da eleição, perdeu uma significativa quantidade de votos com a migração de votos dos que não queriam o PT no governo e portanto votam em quem está em segundo lugar nas pesquisas. Mesmo com todas as Fake News e barbaridades orquestradas pelo confesso João Santana, não seria plausível acreditar que em dois dias tenha revertido as intenções de votos. E por mais incrível que pareça, um candidato à presidência contratou o marketeiro para a eleição desse ano. Teoria da conspiração? Ficção? Roteiro de documentário do Netflix? Relaxem… é 1º de abril!

As Fake News sempre existiram, mas a forma de levar as mentiras de forma criminosamente organizada para a manipulação da opinião pública começou no Brasil nas eleições de 2014. O governo da época, ao perceberem que perderiam as eleições, usaram de toda sorte de golpes e artimanhas para denegrir a imagem daquela que seria hoje presidente de um Brasil muito diferente. Em 2016 essa manipulação criminosa da opinião pública elegeu o improvável Donald Trump para a presidência dos EUA, sendo que a Hillary Clinton era folgadamente a favorita. Até envolvimento em tráfico de bebês, contrabando de crianças para pedófilos que governam os EUA conseguiram fazer muitas pessoas acreditarem que a Hillary estava envolvida. Uma pesquisa rápida vai encontrar dezenas de histórias sem nexo, principalmente as veiculadas pelo grupo QAnon. Ainda em 2016, o Brexit foi outro exemplo de como conseguir fazer o Reino Unido fazer o que não queria fazer… sair da União Europeia. Vale lembrar que os detalhes dessa manipulação foi amplamente divulgada com a ascensão e queda da Cambridge Analytica e a colaboração do Facebook e outras mídias sociais.

De 2014 para cá, as mentiras são o nosso dia a dia. Cada um acredita no que quer por mais absurdo que possa parecer para o outro. Vamos ter que criar outra forma de nos relacionar com o constante aumento da polarização entre o mal e o mal. A luta entre o bem e o mal ficou para trás? Será que não temos mais as nuances entre um polo e outro? As questões ligadas a gestão da pandemia só fez aumentar a distância entre “nós” e “eles”, entre o “certo” e o “errado”, entre a “ciência” e a “ciência”. Conforme o meu texto do mês passado, tudo que precisamos é de AMOR.

Essa semana, para mim, foi bem especial.

Na segunda-feira (28/03) foi a reunião preparatória da Stockholm+50 na sede da ONU (Nova York). Nenhuma novidade, continuei sentindo que teremos um evento inócuo. Tudo indica que o governo da Suécia hackeou o evento que vinha sendo organizado pela sociedade civil. Se realmente for isso, será triste ver o país que foi sede da primeira reunião de sustentabilidade, marco importante de tudo que temos hoje e de seus desdobramentos quanto a emergência climática. Os (apenas) dois dias do evento, 2 e 3 de junho, nem respeitam o 5 de junho data da Estocolmo 72 que se tornou o dia mundial do meio ambiente. Triste no país do Fridays for Future da Greta Thunberg e do Johan Rockström, referendado pelo David Attenborough no documentário Breaking Boundries.

Nos dois dias anteriores a Stockholm+50, a SoL (Society for Organizational Learning) estará realizando um evento (Stockholm Learning Plaza) que estou ajudando a organizar. Teremos no primeiro dia uma série de conversas generativas, entre elas um diálogo entre Peter Senge (criador da SoL) e Jan Artem Henriksson, diretor do Inner Development Goals (Objetivos do Desenvolvimento Interior).

Os Objetivos de Desenvolvimento Interior (IDGs) são um modelo das capacidades, qualidades e habilidades que precisamos para alcançar os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Eles querem educar, inspirar e capacitar as pessoas para serem uma força positiva de mudança na sociedade e encontrar uma maneira mais intencional de olhar para nossas vidas e as vidas das pessoas ao nosso redor. São uma iniciativa global que desenvolve habilidades internas, habilidades e outras qualidades para pessoas e organizações envolvidas em esforços para contribuir para uma sociedade global mais sustentável.

O segundo dia será de visitas técnicas em projetos que estão fazendo a diferença no movimento ambiental. O evento terá a possibilidade de escolher entre o presencial e o virtual. Informações detalhadas e inscrições podem ser feitas no site.  https://sol-learning-plaza-2022-onsite.confetti.events/

Que bom ver a parte do Brasil que funciona

Ontem retornei de um evento, de três dias (29,30 e 31/03), com 150 ambientalistas de 53 entidades das 72 entidades membros do Observatório do Clima (oc.eco.com.br). Foi o mais generativo encontro em que já estive. Aprendizagem nas trocas de saberes e conhecimento. Foi uma esperança (esperançar) de que podemos contar um com os outros, de que não estamos sozinhos, apesar de nossas diferenças. Não sei se já aconteceu algo semelhante no Brasil. O Observatório do Clima celebrou 20 anos de existência e de persistência. Estávamos em peso cuidando do futuro aqui e agora. Cuidando dos cuidadores e dos criadores. Falando com a alma, trabalhando com o ser integral. Integrando! Esse encontro foi histórico e será lembrado por décadas.   

Para coroar a semana, hoje de manhã, no encontro mensal da SoL Brasil (Society for Organizational Learning) recebemos a Marcia fundadora do INSTITUTO RAIAR e idealizadora do PACTO PELA ALFABETIZAÇÃO. É uma emoção escutar a trajetória dela nesse projeto tanto no âmbito pessoal como institucional. O amor pelas crianças e profundo conhecimento que adquiriu para diagnosticar a causa e agir diretamente nela foi animador. Ela se baseou numa experiência exitosa da cidade de Sobral e a ampliou. Ela trabalha em parceria com as redes municipais de educação e tem como principal objetivo a implantação colaborativa de uma política pública de alfabetização para melhorar os indicadores de alfabetização, aumentando as chances de cada criança avançar em sua trajetória escolar. Foi lindo! Espero que tenhamos a oportunidade de conhecer em profundidade esse projeto de amor pelas crianças. Me lembrei muito da Peo (Maria Amelia Pereira) da Casa Redonda que, para mim, é o melhor exemplo de educadora no Brasil. Ela se foi no início de novembro passado.  

Primeiro de abril é, também, o dia mundial do Psicodrama. O seu criador, J.L. Moreno, foi uma pessoa extraordinária e muitas das suas visionárias criações deram frutos e estão hoje no nosso dia a dia sem que saibamos que ele tenha sido o pai. Ele é, por exemplo, pai das redes sociais. Isso mesmo! O Facebook, Instagram, Tik Tok, WhatsApp devem suas origens a ele. Foi o primeiro a desenvolver as ideias de redes socionomicas. Tudo que veio depois partiu de seus modelos.

O Psicodrama, como ele dizia, será a principal terapia do século 21. Isso já está acontecendo de forma acelerada. Entre as diversas modalidades, uma delas, o Psicodrama Virtual está se tornando cada vez mais utilizado. A pandemia acelerou sua necessidade e apesar de ainda estar no estado da arte, está se aprimorando cada vez mais.

Conhecer o Psicodrama é fundamental para qualquer pessoa trabalhando com saúde. Ele vem sendo cada vez mais recomendado para inúmeras questões. Acredito que realmente será “a” terapia deste século.

No início de setembro desse ano será realizado o Congresso Brasileiro de Psicodrama, liderado pela talentosa Maria Célia Malaquias. Será uma oportunidade para aqueles que ainda não estão familiarizados conhecerem melhor essa poderosa terapia. Estou tendo o privilégio de estar ajudando na organização e de apresentar, com a Érica Magacho, uma aula sobre o Psicodrama Virtual. Vejam mais informações e inscrevam-se no psicodrama.com.br

Agência Pública

Quero recomendar uma ótima entrevista da Agência Pública, publicada hoje, para conhecer algumas das ideias e ideais da Marina Silva. Ela está avaliando se vai aceitar ser candidata a Deputada Federal. Ela diz: “derrotá-lo (o presidente) é um ato de legítima defesa da civilização, da democracia, dos indígenas, da educação, de tudo que é constitutivo de avanços da dignidade humana.”

E a pandemia? Acabou?

Não!

Vou deixar para o próximo mês falar das idas e vindas, das verdades e das MENTIRAS que ninguém realmente sabe o que está acontecendo. Esse texto todo se reflete fortemente no desempenho da gestão desse tema desde o início de 2020.

Primeiro de Março

Tudo que precisamos é… Amor!

Hoje, 1º de março, é o Dia Mundial do Futuro. Que futuro é esse? Se o futuro é o resultado das ações do presente… que presente é esse?

Aparentemente a humanidade está conspirando para a extinção ou drástica redução de si mesma. E o pior é que nos consideramos animais racionais e inteligentes. Seriam as ações cometidas contra nós mesmos apenas uma forma da natureza reagir a uma espécie invasiva (praga)? Prefiro não acreditar nisso. Prefiro acreditar que temos centenas de milhares de boas sementes germinando nas novas gerações e que vão florescer para alterar o rumo ditado atualmente pela grande minoria de déspotas, seus fiéis seguidores e uma enorme maioria de colaboradores através do silêncio ou das ações de banalidade do mal.

A Rússia está atacando a Ucrânia desde o dia 24 (23 no Brasil) de fevereiro e o Putin declarou nesse mesmo dia que quem tentar impedir ou criar ameaças para o país ou seu povo, “a Rússia responderá imediatamente e levará a consequências nunca enfrentadas em toda sua história”. No último domingo (27/02) Putin acabou com a aparente tranquilidade de qualquer ocidental que acreditasse estar a uma distância segura do campo de batalha. Ele ordenou que as forças nucleares russas mudassem para um estado de alerta mais alto que ele chamou de “prontidão de combate especial”.

De todo o noticiário, o texto do Yuval Harari de ontem (28/02) no “The Guardian”, foi o que mais gostei. O título já diz tudo: “Por que Vladmir Putin já perdeu essa guerra.”

Separei alguns trechos:

“Com menos de uma semana de guerra, parece cada vez mais provável que Vladimir Putin esteja caminhando para uma derrota histórica. Ele pode ganhar todas as batalhas, mas ainda assim perder a guerra. O sonho de Putin de reconstruir o império russo sempre se baseou na mentira de que a Ucrânia não é uma nação real, que os ucranianos não são um povo real e que os habitantes de Kiev, Kharkiv e Lviv anseiam pelo governo de Moscou. Isso é uma mentira completa – a Ucrânia é uma nação com mais de mil anos de história, e Kiev já era uma grande metrópole quando Moscou nem era ainda uma vila. Mas o déspota russo contou sua mentira tantas vezes que aparentemente ele mesmo acredita nela.”

“A cada dia que passa, fica mais claro que a aposta de Putin está falhando. O povo ucraniano está resistindo de todo coração, conquistando a admiração do mundo inteiro – e vencendo a guerra. Muitos dias sombrios estão por vir. Os russos ainda podem conquistar toda a Ucrânia. Mas para vencer a guerra, os russos teriam que controlar a Ucrânia, e eles só podem fazer isso se o povo ucraniano permitir. Isso parece cada vez mais improvável de acontecer.”

“Ao derramar cada vez mais sangue ucraniano, Putin garante que seu sonho nunca será realizado. Não será o nome de Mikhail Gorbachev escrito na certidão de óbito do império russo: será o de Putin. Gorbachev deixou russos e ucranianos se sentindo como irmãos; Putin os transformou em inimigos e garantiu que a nação ucraniana daqui em diante se posicione em oposição à Rússia.”

“O déspota russo deveria saber disso (nações são construídas por histórias) tão bem quanto qualquer um. Quando criança, ele cresceu alimentado por histórias sobre as atrocidades alemãs e a bravura russa no cerco de Leningrado. Ele agora está produzindo histórias semelhantes, mas se colocando no papel de Hitler.”

Texto publicado no The Guardian

Harari vem, há alguns anos, nos alertando para os três principais perigos para o futuro da nossa humanidade que exigiriam uma cooperação global: guerra nuclear, colapso ecológico e disrupção tecnológica. Estamos, no momento, vivenciando intensamente esses três perigos.

Nessa constante guerra de polarização – somos sempre nós contra eles – Quem somos nós? Rússia contra o resto do mundo menos China, Índia, Brasil, África do Sul (BRICS?) e alguns outros mais tímidos. Portanto estamos do lado da Rússia, correto? Estamos do lado da Rússia da mesma maneira que os russos estão do lado do Putin. Novamente… quem somos nós e quem são eles? De alguma forma Putin está conseguindo realizar um fato inédito: unir todo o mundo para o lado do “nós” independentemente de seu país de origem, crença religiosa, ser a favor ou contra as vacinas de covid19, time que torce, partido político e até mesmo se está ou não no metaverso.

Além do Dia Mundial do Futuro, hoje é Carnaval a festa mais popular do Brasil. Uma festa de origem bem antiga que foi cristianizada em que se prepara para a entrada da Quaresma onde o jejum de carne é (ou deveria ser) obedecida por 40 dias. O “carnem vale” (adeus a carne) é uma festividade onde os excessos são, de alguma forma, permitidos. Talvez estejamos vivendo um momento de “carnem vale” da humanidade e espero que os excessos estejam chegando ao fim para e que nós possamos sobreviver a esse carnaval.

Nesses últimos dias de insanidade dentro das fronteiras da Ucrânia, uma foto romântica de um casal, a russa Juliana Kuznetsova e seu noivo ucraniano cobertos com suas respectivas bandeiras, viralizou nas mídias sociais. Apesar de bem significativa para esse momento, a foto não foi tirada durante os conflitos dessa semana como se acreditou. Na verdade, ela foi tirada durante um concerto de música em Varsóvia, na Polonia em 2019.

Imagens com gestos de amor em momentos de conflito são manifestações de rara beleza. A foto (acima) desse texto foi tirada pelo fotógrafo Rich Lam, durante uma manifestação nas ruas de Vancouver em 2011. A foto é perfeita: emoldurada por um policial desfocado em primeiro plano e a fumaça com a multidão ao fundo, ali, no meio de um tumulto, um casal se beijando no meio de uma rua de Vancouver, praticamente brilhando na iluminação das luzes da rua. Chegou-se a pensar que a foto foi posada de tão bela que é. Um vídeo feito por um morador de um prédio em frente mostra (de cima) quando policiais derrubam e agridem com violência o casal. O rapaz, Scott Jones, relatou que depois que foram agredidos beijou Alex Thomas para acalmá-la. O casal de namorados, Scott (australiano) e Alex (canadense) se casaram e hoje moram na Austrália. Quando vemos uma imagem dessas, temos certeza de que tudo que precisamos é… Amor!   

All We Need is Love”, uma das mais significativas músicas compostas por John Lennon. Ela foi encomendada em junho de 1967 pela BBC de Londres para fazer parte de uma transmissão, pela primeira vez, ao vivo. Esse ambicioso programa foi chamado de “Our World” (Nosso Mundo), o primeiro programa de televisão global do mundo, que propunha ligar 25 países em cinco continentes simultaneamente por satélites que orbitam a Terra. Teve um alcance de mais de 400 milhões de espectadores, tornando este o programa de televisão mais ambicioso e histórico de seu tempo. John criou uma música com uma mensagem simples de entender mesmo para o quem não falasse inglês. Uma mensagem de amor para um mundo global unido ao vivo. O evento teve participação de convidados como Mick Jagger, Marianne Faithfull, Keith Richards, Keith Moon e Graham Nash. All You Need is Love é até hoje um hino que resume tudo que precisamos: Amor!  

Poucos anos depois John Lennon nos deixa outra mensagem:

“Imagine não haver o paraíso

É fácil se você tentar

Nenhum Inferno abaixo de nós

Acima de nós, só o céu

Imagine todas as pessoas

Vivendo o presente

Imagine que não houvesse nenhum país

Não é difícil imaginar

Nenhum motivo para matar ou morrer

E nem religião, também

Imagine todas as pessoas

Vivendo a vida em paz

Você pode dizer que eu sou um sonhador

Mas eu não sou o único

Espero que um dia você junte-se a nós

E o mundo será como um só

Imagine que não ha posses

Eu me pergunto se você pode

Sem a necessidade de ganância ou fome

Uma irmandade dos homens

Imagine todas as pessoas

Partilhando todo o mundo

Você pode dizer que eu sou um sonhador

Mas eu não sou o único

Espero que um dia você junte-se a nós

E o mundo viverá como um só”

Primeiro de Fevereiro

Fim da Pandemia?

A Dinamarca decretou, a partir de hoje, o fim da pandemia. É o primeiro país da Europa a fazer isso. Apesar dos casos ainda estarem altos e da subvariante BA.2 da Ômicron (mais contagiosa) ser a dominante no país. A primeira-ministra Mette Frederiksen anunciou que o país pretende regressar à vida antes do coronavírus e que a doença já não será mais considerada uma ameaça à sociedade. Eles estão se baseando na constante baixa da necessidade de leitos de UTI e não no aumento da contaminação. 

O que significa isso? Luz no fim do túnel? Parece até estranho pensarmos, por exemplo, que as máscaras não serão mais utilizadas no transporte público. O gesto da Dinamarca abre um caminho para os outros países se posicionarem em relação as restrições e as medidas sanitárias. A Espanha está indo na direção de se declarar numa endemia ao invés de pandemia. O Reino Unido também tem feitos esforços nessa direção. Será o começo do fim da pandemia?    

No Brasil, apesar do apagão dos números, das dificuldades com testagem e subnotificações nunca estivemos num patamar tão alto de contaminação. Hoje os números divulgados foram de 193.465 casos e 929 óbitos confirmados. A média móvel diária (últimos 7 dias) de hoje é de 186.985 casos e 609 óbitos. Lembrando que os números dizem muito pouco da realidade e que não deveriam ser comparáveis entre os países. Para aqueles que querem olhar mais de perto essa numerologia e não ficarem com a oferta repetitiva das mídias consulte o Worldometer e faça suas interações.  Outro site que recomendo é o Mapping Covid-19 da John Hopkins

Agora algumas questões importantes que não têm uma resposta única. A variante Ômicron é menos perigosa? Se sim, o quanto é menos perigosa? As vacinas permitem algum tipo de proteção? Se sim, existem proteções diferentes entre as 10 vacinas aprovadas em uso? Alguma das 170 vacinas candidatas em desenvolvimento clínico estão (ou vão) incorporar a nova variante, hoje dominante? O que deve ser feito quando alguém contrair o COVID-19?

Parece que esse ano, no Brasil, além da pandemia teremos o pandemônio das eleições. Alguns comportamentos são similares. As pessoas tendem a acreditar nos números e tomarem decisões baseadas neles. O “quem disse” é sempre mais importante do que “o que é dito”. A ciência é sempre mencionada como a prova de que o argumento está correto. As mentiras sobre si mesmo e os outros são divulgadas por especialistas regiamente pagos. Questionar qualquer coisa do processo o coloca automaticamente como negacionista, não importa o lado ou o conteúdo da questão.   

Acreditar no inacreditável é a nossa maior qualidade e, ao mesmo tempo, nosso maior defeito. Albert Einstein já nos dizia de que a imaginação é mais importante que o conhecimento. A percepção cria nossa realidade e nos faz pensar e agir como se estivéssemos todos na mesma realidade. Dizemos que aqueles que pensam e agem de forma diferente estão fora da realidade. Temos uma resistência em sentir que existem outras realidades além da nossa. Para os que acreditam que a Terra é plana, é chocante perceber que uma grande maioria das pessoas não veem o óbvio. Por outro lado, é inconcebível para os que acreditam que a Terra é redonda que exista um grupo que pense diferente. Os dois lados alegam que os outros negam evidências cientificas. Acreditamos porque todos acreditam, todos acreditam porque todos acreditam e por isso, inacreditavelmente, funciona. Vivemos numa realidade virtual criada pela imaginação daqueles que estão em posição cria-las e seguimos andando fingindo que estamos plenamente conscientes da realidade. O que faz a gente acreditar no inacreditável? A fala mais inspiradora para mim, foi proferida pelo Yuval Harari em junho de 2015. Esse vídeo (https://youtu.be/nzj7Wg4DAbs)  deveria ser visto e revisto muitas e muitas vezes para que a gente nunca se esqueça de lembrar. Assista! Se já assistiu, assista novamente! Ele diz que a cooperação existe por causa da imaginação. Acreditamos coletivamente em ficções e seguimos as regras culturais dessas histórias que nós mesmos inventamos. Usamos linguagem para criar realidades mais do que para descrever a realidade objetiva.

Quais são os mecanismos que fazem com que a gente continue vivendo e contribuindo para que todas essas ficções permaneçam? É insano, para dizer o mínimo, acreditarmos que mantendo as coisas como estão obteremos resultados diferentes. Einstein já nos dizia isso.

Vamos para as eleições desse ano. Mudou alguma coisa nas últimas décadas? Se não, como podemos esperar que alguma mudança ocorra? As pessoas tendem a acreditar que tudo bem terem cometido um erro com o seu voto, porque na próxima eleição mudam isso. Ou acreditam que a culpa desse resultado é do outro…  daquele que o voto elegeu esse candidato, não percebem que foi seu candidato que permitiu que esse foi eleito. Confuso? Pois é, bem confuso mesmo. O sistema eleitoral brasileiro continua a funcionar do mesmo jeito a despeito dos partidos mudarem de nome ou das empresas de pesquisa, também, mudarem de nome. Nada mudou! Nada muda! Desde quando essa ficção existe? Há 2.500 anos atrás já existia e o filósofo grego Sócrates, segundo Platão, já alertava que o sistema de votação em que cada voto vale a mesma coisa nunca funcionaria. Seria preciso capacitar os eleitores para que tivessem habilidade de escolher e aí sim a votação poderia trazer bons resultados. Ele dá como exemplo o navio dos tolos em que os marinheiros acreditam serem capazes de navegar, mas não se entendem e escolhem os mais populares e menos capacitados para capitanearem o navio. O resultado é esse que vemos no mundo todo, com raras exceções. Tanto a gestão da pandemia, como a da governança política é uma ficção que somos obrigados a engolir e a participar.   

Todos esses comportamentos humanos já foram amplamente estudados e classificados e diversos experimentos nos ajudam a entender porque somos como somos.

Conformismo – Escolhemos nos comportar como o grupo de comporta. Mesmo que individualmente escolheríamos outro caminho preferimos o conforto de seguir o bando. Salomon Asch conduziu vários experimentos comprovando que as pessoas preferiam ignorar a realidade e darem respostas incorretas para ficarem em conformidade com o grupo. Muitos reportaram que apesar de saberem que as respostas estavam erradas não queriam se sentir ridículos diante do grupo. Outros simplesmente não confiaram em suas próprias opiniões e acreditaram que as respostas do grupo estavam corretas.

Dissonância Cognitiva – Já mencionei isso em outros textos anteriores. O nosso cérebro é desenhado para amenizar e ou anular as percepções quando nossas crenças e valores são confrontados pela realidade. Acreditamos firmemente em alguma coisa, como por exemplo, o carro do vizinho é verde. Quando nos deparamos com o carro azul do vizinho ocorre uma desagradável dissonância cognitiva e nosso cérebro encontra desculpas plausíveis ou não para que o nosso engano seja mitigado ou anulado. Por exemplo, podemos nos dizer que era verde e que foi pintado ou trocado. Podemos apenas amenizar dizendo que estava escuro quando registramos que era verde. Podemos, também, reduzir a importância desse fato para amenizar a dissonância.    

Efeito espectador – ou apatia do espectador, é uma teoria da psicológica social que afirma que os indivíduos são menos propensos a oferecer ajuda a uma vítima quando há outras pessoas presentes. Quando estamos falando de fake news e seus sistemas de funcionamento, as pessoas ficam imobilizadas para se contraporem a uma mentira ou injustiça que o fariam imediatamente numa situação individual. Além disso os produtores desses crimes sabem que se colocarem comentários negativos à vitima logo após a publicação haverá uma propensão maior a não contradizerem esses primeiros comentários e atrairá pessoas para incitar o ódio já proferido.

Banalidade do Mal – Conceito originalmente criado por Hannah Arendt em que as pessoas fazem o que fazem sem se darem conta que estão sendo cumplices do resultado de sua colaboração. Esse é talvez um dos maiores problemas dessa crise civilizatória que estamos vivendo. Todos nós, em maior ou menor grau, estamos sendo coniventes de alguma forma com algumas das barbaridades que estão acontecendo em detrimento de nossa humanidade. Stanley Milgram, na década de 1960, realizou uma serie de experimentos controversos sobre os conceitos de obediência e autoridade. Até onde as pessoas iriam obedecendo ordens superiores?  Muito influenciado pelas conclusões de Hannah Arendt no julgamento do nazista Eichmann, o psicólogo de Yale produziu um estudo que ficou conhecido como o Experimento de Milgram. Seus experimentos envolviam instruir os participantes do estudo a aplicar choques de alta voltagem a um ator em outra sala, que gritaria e eventualmente ficaria em silêncio à medida que os choques se tornassem mais fortes. Os choques não eram reais, mas os participantes do estudo foram levados a acreditar que eram. Milhões de pessoas que trabalham hoje em organizações que estão claramente ligados a corrupção, fraudes religiosas, danificação socioambiental, insegurança alimentar, desflorestamento, degradação dos recursos hídricos, poluição e tantos outros crimes contra a humanidade, não se sentem causadoras ou cúmplices do estrago que sua colaboração está causando. Sem querer julgar ninguém pelos motivos que os levam a fazer isso, estão sendo coniventes com os resultados. Um livro lançado agora em janeiro, está causando muitas controvérsias. Trata-se do “The Betrayal of Anne Frank” da autora canadense Rosemary Sullivan baseado em seis anos de pesquisa para descobrir quem denunciou aos nazistas o esconderijo da família da menina Anne Frank. As conclusões levaram a indicarem como suspeito, Arnold Van den Bergh que era do conselho judaico em Amsterdã. Essa história apareceu no popular programa americano do 60 minutes. Talvez a gente entre numa era onde a transparência fique cada vez mais emergente e as pessoas comecem a pensar melhor no que estão fazendo e quais as consequências desses seus atos.            

Preconceito – O tema é mais amplo e entra no campo da diversidade e todas as suas ramificações. Gostaria apenas de trazer o trabalho da Jane Elliott ensinando as crianças e adultos sobre como se sentem ao serem descriminadas. É muito lindo! Ela começou a fazer isso logo após o assassinato de Martin Luther King onde seus alunos já o tinham escolhido para fazerem um trabalho sobre ele. Ela declara que não podia simplesmente passar a informação que estava rolando na mídia. Sua iniciativa virou um episódio (1985) na TV pública (Frontline – PBS) e depois um documentário imperdível em 1996, Blue Eyed (Olhos Azuis). Segue um link sem boa resolução que encontrei. Tem até um presente, do GNT, que é a fala inicial do Eduardo Giannetti. Acredito que esteja no arquivo do Globo Play em boa resolução.    https://youtu.be/In55v3NWHv4

Estou sugerindo um site (em inglês) com uma coleção de experimentos que valem a pena serem vistos e os que mais gostarem pesquisem na internet.  

Entre outras de janeiro: O cantor Neil Young, fez um pedido para o Spotify tirar do ar um podcast que ele alegava estar passando informações errôneas sobre a pandemia. Young finalmente disse que não ficaria no Spotify se o podcast de Joe Rogan não fosse banido. O Spotify retirou todas as músicas de Neil Young da plataforma. Outros cantores estão começando a aderir ao boicote. Já aderiram Graham Nash, India Arie, Joni Mitchel, James Blunt e outros. Além disso o Spotify já tinha recebido uma carta assinada por médicos e outros profissionais da área médica com o mesmo pedido. O Spotify paga uma alta quantia para o controverso Joe Rogan ficar exclusivo dessa plataforma. Quais serão os próximos capítulos dessa colisão, dessa coalisão?

Por fim gostaria de complementar uma frase do texto do mês passado onde falei do filme Don’t Look Up (Não Olhe para Cima): É preciso olhar para cima… para baixo, para os lados, para frente e para trás

É preciso olhar para cima… para baixo, para os lados, para frente, para trás e principalmente para DENTRO.

Primeiro de Janeiro

Bom dia 2022!

Como você será? Será mais generoso do que o ano anterior? Será que ainda dá tempo de fazer alguns pedidos?

Por favor não nos deixe voltar ao anormal e nem a um novo anormal. Não nos deixe repetir as obscenidades e atrocidades das eleições de 2018, para que as pessoas possam votar a favor de seus melhores e não contra os seus piores. Não permita que as florestas, as águas, a terra e a atmosfera sejam aniquiladas como vem sendo nos últimos dez anos, principalmente nos últimos três. Proteja os povos indígenas com suas mais de 300 etnias em que suas sabedorias planetárias estão se fazendo tão necessárias. Cuide muito bem dos artistas e de suas manifestações. Que a cultura seja percebida como gênero de primeira necessidade. Que a educação aproveite o tsunami da pandemia e migre do século 19 para o 21. Chega de fingir que se ensina e que se aprende. Que não se use em vão o nome da ciência para justificar qualquer argumento. Que a medicina possa cuidar mais da saúde do que da doença. Que a fé venha pela espiritualidade. Que a religião perceba que somos todos um. Que o COVID e suas variantes sejam mais gentis e nos una ao invés de nos dividir. Que a diversidade seja vista e reconhecida como uma grande vantagem sociocultural. Que a economia e os economistas percebam, finalmente, que são gestores da ecologia. Que uma governança eticamente responsável prevaleça. Que a Estocolmo+50 tenha resultados significativos!

Será que é pedir muito? Se for, sei que não estou sozinho!

Estamos na era das incertezas… isso é certeza! Edgar Morin que o diga!

O que aconteceu em dezembro de 2021?

CUIDADO: Não olhe para cima!

No dia 24 de dezembro o Netflix lançou o filme “Don’t Look Up” (Não olhe para cima). Procurei desligar todos os meus preconceitos que me fariam não ver o filme. Preciso confessar que gostei do resultado. É uma caricatura com todo tipo de humor, vai do pastelão ao escrachado, do politicamente muito incorreto ao sutilmente ácido. É uma sátira do que está acontecendo hoje em relação a emergência climática. Ele conversa e se relaciona com o público em geral que não tem muita noção do que está acontecendo ao seu redor com relação ao governo, as mídias, as empresas e provavelmente não imagina que os caricaturados são o próprio público que está vendo o filme. O fato do roteiro ter sido escrito antes da pandemia dá um tom quase profético à cadeia de eventos que relacionam a insignificância dos chefes de estado em relação a um problema de grande magnitude civilizatória e sua subserviência ao capital privado.

A ideia é simples, um cometa está vindo em direção ao nosso planeta e, em pouco tempo, vai se chocar causando nossa extinção. Genial! Até hoje, as evidências de que estamos rumando à extinção não deram certo porque preferimos acreditar no inacreditável. Acreditamos coletivamente em coisas que não existem e somos chamados a colaborar com essa ficção. Estamos tão envolvidos nela que a chamamos de realidade. No entanto, vira e mexe, aparecem verdades inconvenientes que nos levam a preferir aceitar mentiras convenientes para continuarmos no jogo. Quando Al Gore, lançou o documentário “Uma Verdade Inconveniente” em 2006 acreditei que agora o mundo não refutaria as evidências tão claras das mudanças climáticas e de que seria impossível ignorá-las. Mesmo com todas as tentativas de desbancá-lo, quando ganhou o Prêmio Nobel da Paz, em 2007, junto com o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) fiquei aliviado de que agora o mundo todo se conscientizaria e começaria a agir nessa direção. Lembrando que esse conhecimento não era novo, vinha desde 1972 (Estocolmo) e fortemente confirmado em na Rio 92. Me senti como o personagem do Leonardo DiCaprio, sem ser um cientista, chocado que o mundo escolhia não ver! Completamente abismado com tudo em volta que mantinha a farsa. Essa sensação continuou a me ocorrer muitas vezes depois disso. Em 2010 no primeiro Fórum Mundial de Sustentabilidade em Manaus, em 2012 na Rio+20, em 2015 na COP21 em Paris, em 2018 no Fórum Mundial da Água em Brasília, em 2019 na Cúpula do Clima da ONU em Nova York e virtualmente na COP26 em Glascow.    

Quais são as verdades inconvenientes que não podem aparecer?   

Fiz uma lista rápida de algumas que me ocorreram. Claro que tem as mais óbvias que são criadas, quase que diariamente, pelo atual governo federal. Mas vamos a minha listinha: origens da soja transgênica no Brasil; liberação sistemática dos agrotóxicos; COP26 e a Ômicron pelo mundo; usina de Belo Monte; indústria da proteína animal; agricultura predatória; Código Florestal; indústria da pesca; escândalo da FIFA; escândalo da Petrobras; pedofilia na igreja e muito mais verdades inconvenientes que precisam de lastro nas mentiras convenientes (Fake News) para manterem a realidade da ficção.        

Nem o diretor do filme, Andy McKay, olhou para cima!

Numa conversa entre o diretor e boa parte do elenco após o lançamento do filme, Andy McKay (diretor) pergunta, no final, o que cada um faria nos últimos momentos do mundo. Assim que Leonardo DiCaprio diz que faria exatamente como está no filme, Andy diz que comeria um sanduíche gigante de carne (Philly Cheese Steake), na contramão do que o filme está procurando denunciar… ou seja ele também faz parte da indústria que se alimenta da ignorância alheia através da sua própria. Irônico, para dizer o mínimo! A indústria da proteína animal é, talvez, uma das mais sensíveis verdades inconvenientes… mesmo entre os ambientalistas.  

 Conversa (em inglês): “Don’t Look Up” Cast Breaks Down Their New Netflix Comedy | Around the Table | Entertainment Weekly

E mais de dezembro:

Gabriel Boric foi eleito presidente do Chile. Terá 36 anos quando assumir em março. O que significa isso? Possível prever alguma coisa? Torcendo para que seja uma ótima oportunidade para uma real guinada na maneira de se fazer política. O mundo está de olho nos próximos passos do Chile e torce para que os resultados sejam bons. Porém, estamos na era das incertezas!  

Uma notícia que me deixou muito triste foi o fechamento da edição do El País Brasil, do qual assinava. A qualidade jornalística e independente com a brilhante liderança da jornalista Carla Jimenez e com colunistas de muita qualidade como a Eliane Brum, vai fazer falta… muita falta!

As enchentes na Bahia foram as piores dos últimos 30 anos e 153 municípios já decretaram situação de emergência (climática?). O governo Federal parece não estar olhando para essa tragédia como deveria, além disso recusou a ajuda humanitária externa oferecida pela Argentina.

Antes de tudo isso a Agência Pública fez uma ótima reportagem mostrando os privilégios com a água do Cerrado baiano.

 A situação na Amazonia só piora, principalmente pelo desmonte dos sistemas de fiscalização e liberação explícita para o extrativismo ilegal dos recursos naturais. Uma reportagem da Hellen Guimarães para a Revista Piauí mostra os crimes em série na Amazônia.    

Apesar das promessas durante a COP26, os varejistas globais continuam comprando carne ligada ao desmatamento. Uma investigação da Repórter Brasil mostra os elos que conectam a pecuária ligada ao desmatamento na Amazônia, no Cerrado e no Pantanal com supermercados na Europa e Estados Unidos.

Alerta Ômicron – Olhem para cima! Estamos vivendo um momento surreal no Brasil. Enquanto a maioria da população brasileira acredita que o COVID está dando uma trégua por aqui e até mesmo comemorando o fim da pandemia, os números de infecções tem aumentado numa proporção nunca vista antes. Como os sistemas de informações estão completamente instáveis o principal indicador é o pessoal. Você nunca viu tantas pessoas próximas testando positivo. Além disso seria completamente sem noção acreditar que a Europa e os EUA estão tendo um aumento gigantesco de casos, nas últimas duas semanas, e que isso não vai se refletir no Brasil. Ainda não sabemos se a nova variante será uma redução dos casos graves ou se continuará a afetar mais gravemente uma percentagem ainda significativa da população. A pandemia ainda não acabou!  

É preciso olhar para cima… para baixo, para os lados, para frente e para trás

O meu livro do ano de 2021 é o “Lições de um Século de Vida” do Edgar Morin.

O filme de 2021 é o documentário “Rompendo Barreiras” com David Attenborough.

Até o mês que vem! Tenho a sensação de que será um daqueles meses que parecem um ano!

Há exatamente dois anos eu iniciava essa série de cartas escritas no primeiro dia de cada mês. A ideia é que seria um capítulo reportando o dia a dia de cada mês. O desafio que me coloquei era de começar e terminar o texto no dia 1 de cada mês, independentemente de como seria meu dia. Seriam minhas impressões expressas espontaneamente, sem qualquer elaboração prévia ou posterior. A primeira carta foi escrita no primeiro dia do último ano da segunda década do século 21 (01/01/2020) e estamos hoje no primeiro dia do segundo ano da terceira década, mergulhados de corpo, mente e alma no tema principal do livro: Percepção!

Primeiro de Dezembro

Da COP26 à presença do Ômicron

Estamos entrando no último mês do primeiro ano da terceira década do século 21. Onde estamos? Sabemos quem somos individualmente e ou coletivamente? Temos alguma ideia de como será o caminho civilizatório da terceira década deste século? O que aprendemos em 2021? O que mudou? Quais são as verdades que adquirimos, quais foram ressignificadas e quais foram confirmadas?

Todas essas verdades são a nossa necessidade de ter explicações para tudo. Por que precisamos de explicações? Por que acreditamos nas explicações? Será que escolhemos em quais explicações acreditar ou somos levados a acreditar? Por que, geralmente, acreditamos em apenas uma das explicações?

“Toda verdade passa por três estágios.
  No primeiro, ela é ridicularizada.
  No segundo, é rejeitada com violência.
  No terceiro, é aceita como evidente por si própria”. Arthur Schopenhauer

Esse trecho todo acima foi copiado e atualizado do texto inicial de primeiro de dezembro de 2020.

Será que depois de 20 meses de pandemia continuamos a acreditar no inacreditável e nos comportar da mesma maneira? O pior que pode nos acontecer é voltarmos ao que éramos em 2019 e, no entanto, muita gente está procurando caminhar para essa direção. Voltar ao normal ou para um novo normal, não é normal… é Normose! Normose é “um conjunto de hábitos considerados normais pelo consenso social que, na realidade, são patogênicos e nos levam à infelicidade, à doença e à perda de sentido na vida”, essa patologia é definida por Roberto Crema, Jean-Yves Leloup e Pierre Weil em seu livro – Normose: A patologia da normalidade – veja o TED do Roberto Crema que recomendei em outubro do ano passado: http://bit.ly/TEDnormose

Esse mês de novembro aconteceu o que deveria ter sido um momento decisivo (turning point) nas questões climáticas, a COP26. Na verdade o que aconteceu, na parte oficial, foram os negócios como de costume (business as usual) e qualquer possibilidade de se firmar algo mais concreto foi deixado para o ano que vem no Egito.     

O que ficou evidenciado nessa COP26 foi a procrastinação dos líderes mundiais. Evidenciou que ninguém realmente se importa em prometer o que não tem intenção de cumprir. Algo raro na política? Ficou claro também que não há razão de se fazer as próximas COPs com os líderes dos países, sejam presidentes, ministros ou outras pessoas das imensas e inúteis delegações que viajam uma vez por ano… para nada! O Brasil tinha a maior delegação do mundo, até mais do que o Reino Unido. Foram 479 membros inscritos, pelo Brasil, oficialmente na ONU. Desses, pelo menos 57 não pertencem a nenhum governo federal, estadual ou municipal, são empresários e representantes de associações corporativas, ligados à indústria e ao agronegócio. Entre todos esses inscritos na comitiva brasileira não há ONGs, ambientalistas, cientistas, pesquisadores, movimentos sociais ou organizações indígenas. O embaixador Paulino Franco, disse à Folha quando questionado sobre a recusa no credenciamento de ONGs que “A delegação oficial não pode incluir representantes que não são do governo.” Era melhor ter ficado quieto!

Quem se deu bem foi a indústria dos combustíveis fósseis que enviaram mais de 500 delegados (quando li isso achei que era fake news) para fazer lobby em todas as salas de negociação. Se isso é permitido numa COP… para que servem as COPs? – aliás minha grande pergunta. A grande diferença dessa COP para as anteriores é que por ter sido durante essa pandemia ficou claro que dá sim para “alterar o mundo todo”. A grande questão que se dizia nas COPs anteriores era de que não dava para “parar” o mundo. Dá sim!! O draft do texto final já era um conto da Carochinha… eles tiveram ainda que “suavizar” para o texto final. Como assim???? Mudanças como “eliminação gradual” para “redução gradual”.

Como sempre tivemos duas COP26. A primeira da ZONA Azul (Blue Zone) que foi o fiasco de sempre regado a algumas poucas intervenções maravilhosas como a da nossa indígena Txai Suruí (publiquei o discurso dela no texto do mês passado) que fez parte da abertura no dia 1 de novembro. Veja aqui a entrevista no Roda Viva dessa última segunda com ela e seu pai Almir Suruí.

A sociedade civil por outro lado se posicionou maravilhosamente bem todos os dias. Principalmente os jovens e as comunidades indígenas. São heróis que conseguiram a duras penas viajar até lá, encontrar onde ficar, arcar com os altos custos da estadia e enfrentar a superlotação de espaços oficiais que não comportavam o grande número de participantes. Foram eles que tomaram as ruas e os espaços alternativos para finalmente tornar Glascow uma razão de ser.

 O resultado final precisaria entrar item por item (Mitigação, Adaptação, Finanças, Perdas e Danos e alguns outros como o artigo 6 do Acordo de Paris), o que já foi muito bem feito pela mídia especializada desde o início da COP26.  Teve alguns poucos avanços que precisamos celebrar e muitos retrocessos que dessa vez ficaram evidentes. A COP21 de Paris foi camuflada fingindo ter sido um sucesso quando na verdade foi um fracasso retumbante para o meio ambiente. O sucesso de Paris foi diplomático e novamente pergunto “para que servem as COPs?”

E o Brasil com seu imenso stand para ironicamente mostrar um “Brasil real”. Ninguém caiu nessa e os verdadeiros protagonistas desse Brasil real foram os cientistas, ativistas, pesquisadores, jornalistas ambientais e institutos com grande credibilidade. Um ponto bem positivo para o Observatório do Clima que mobilizou mais de 200 entidades idôneas do Brasil e foi um farol da atuação brasileira em Glascow. Na sexta que deveria ser o encerramento, cada país falou do seu posicionamento em relação ao rascunho do texto (Brasil focou no artigo sexto do acordo de Paris). Logo após a fala dos representantes dos países havia uma calorosa salva de palmas. Venezuela não foi aplaudida e ficou um silêncio constrangedor. Depois que o Brasil falou também não teve aplauso… senti muita vergonha! Para não dizer que não falei das flores, o Brasil teve alguns momentos bons (acredito que foi fruto de um Itamaraty mais autônomo) como a assinatura de redução das emissões de metano em 30% até 2030. Isso vai afetar significativamente a indústria da proteína no Brasil. Ainda não sei como conseguiram que assinássemos isso. Num primeiro momento me surpreendeu positivamente e depois quando ficou claro que o governo escondeu os números da taxa do desmatamento do INPE que saiu apenas em 18 de novembro quando já estavam prontos em 27 de outubro… pareceu mais uma manobra para (literalmente) inglês ver.

A Relação direta entre as causas do COVID e as Emergências Climáticas na COP26 ficou bem definida em vários grupos de trabalho, a meu ver, não deixando mais dúvidas sobre a relação direta entre eles e numa visão de futuro das pandemias.

E o COVID na COP26? Esse é um assunto mantido a sete chaves pelo governo do Reino Unido e pela maioria dos países e até mesmo por entidades participantes. Não é um assunto que queremos incluir na pauta de uma agenda. E quanto a variante Ômicron? Teria o evento em Glascow ajudado a espalhar? A primeira-ministra da Escócia, Nicola Sturgeon, acredita que não, mas diz que não ser impossível devido as datas. Acredito que há poucas chances de a COP26 não ter sido um fator de espalhar a variante Ômicron entre os países. Primeiro porque quem estava lá percebeu as falhas nas medidas de segurança para contenção do coronavírus. Entre elas os testes rápidos (lateral flow test) que muitos testaram negativo e quando testaram para embarcar estavam positivos. Além disso os testes não providenciam o sequenciamento genômico para saber de que vírus se trata. Somente exames posteriores é possível verificar isso. Os números oficiais de infectados são apenas 291. Isso é tão longe da verdade que espero que o governo Escocês libere os números reais num relatório que prometeram entregar em dezembro. Eles têm o número real. Novamente, entre as consequências negativas do encontro de Glascow estão a possibilidade de disseminação da COVID entre os países participantes. É uma questão sistêmica que não pode ser vista apenas localmente e as autoridades do Reino Unido querem nos convencer apenas com as medidas locais do evento. Um exemplo da falta de um olhar sistêmico para a segurança sanitária em Glascow foi a situação escandalosa de Gleneagles, um hotel de luxo que recebeu mais de 30 delegações internacionais para a COP26, entre elas Suíça, Espanha, Noruega e Korea do Sul. A empresa responsável contratada pela segurança alojou o pessoal da segurança em quartos com 40 pessoas dormindo e comendo lado a lado numa cama de camping com nenhum cuidado (e parece que nem foram testados).

Ontem o Reino Unido confirmou 22 contaminados com a Variante Ômicron, Botswana 19, Holanda 14, Portugal 13, Dinamarca 5, Alemanha 4, Brasil 3, Noruega 2 e Estados Unidos 1. Na África do sul há mais de 100 casos verificados. Fica claro que há muito mais que não foram relatados ainda simplesmente porque o sequenciamento genômico não consegue ainda detectar. Claro que ainda, também, não conseguem saber qual o real perigo que essa nova variante está trazendo.  

Se as realizações em Glascow forem medidas por declarações de que onde há floresta há pobreza, ou que a redução do gás metano será através de reduzir a vida do boi em um ano… será difícil caminharmos numa direção onde a humanidade seja contemplada.

Para finalizar gostaria de repetir que a COP26 evidenciou é o total despreparo e desinteresse dos líderes de governo, com raras exceções, em promover ações que realmente alterem o rumo do desastre em que nossa civilização está se autodestruindo. Eles continuam a procrastinar como se fosse possível fingir que não é com eles. Chegaram ao poder através das mãos das indústrias que mais contribuem com a catástrofe… que mais poderiam fazer do que protegerem seus interesses? Para piorar esses pseudo líderes causam distração do que realmente deveria ser negociado. A mídia corre atrás deles como se fossem astros de cinema e lhes dão uma cobertura que une o inútil ao desagradável. Com tudo isso fica difícil para a população global deixarem de ser reféns cúmplices de uma aceleração na degradação da humanidade. É o que a Hannah Arendt chamou de “banalidade do mal”, ou seja, precisa ser muito desavisado para comprar ações da indústria do petróleo, da proteína, da agricultura predadora. Desavisado por investir numa indústria que irá se extinguir. Desavisado, caso pense no curto prazo, por estar contribuindo com o eminente desastre e querendo lucrar em detrimento do futuro.

Acredito que entre todas as coisas que podemos fazer como indivíduos, como família, como cidadãos é quanto a Educação para Sustentabilidade para que a próxima geração tenha consciência e saiba o que esteja fazendo com a nossa humanidade.

Vou deixar, mais uma vez uma das frases do David Attenborough na abertura da COP26:

  “Em minha vida, testemunhei um declínio terrível. Na sua, você poderia – e deveria – testemunhar uma recuperação maravilhosa.”

Primeiro de Novembro

Hoje é Dia de Todos os Santos, acredito que vamos precisar muito deles além de outras entidades para apoiar as ações de regeneração diante dessa crise civilizatória.

Ontem começou a cúpula da COP26 e hoje tivemos uma abertura absolutamente emocionante e gerando, em mim, muita esperança… esperança do verbo esperançar.

O ponto alto foi a fala do David Attenborough, 95 anos, que convocou a todos para uma recuperação maravilhosa das mudanças climáticas. O mais querido e conhecido ativista ambiental do planeta discursou para uma audiência de líderes mundiais – incluindo Joe Biden, Angela Merkel e Boris Johnson – dizendo que deveria ser possível trabalhar juntos para salvar a humanidade. Cada frase sua foi de grande impacto. Destaco três delas:

 “Em minha vida, testemunhei um declínio terrível. Na sua, você poderia – e deveria – testemunhar uma recuperação maravilhosa.”

“Hoje, aqueles que menos fizeram para causar este problema estão sendo os mais atingidos – em última análise, todos nós sentiremos os impactos, alguns dos quais agora são inevitáveis.”

“As pessoas que vivem agora, que são a geração futura, olharão para esta conferência e considerarão uma coisa que esse número parou de aumentar e começou a cair como resultado das decisões tomadas aqui?”

O filme “Earth to COP” foi eficaz em seu objetivo de levar consciência aos participantes e a audiência mundial.

A nossa ativista indígena Txai Suruí, também, discursou na abertura da COP26 desta manhã (no Brasil). Ela é uma jovem ativista de 24 anos e mora no estado de Rondônia, Brasil. Ela é do povo Paiter Suruí e fundadora do Movimento da Juventude Indígena em Rondônia.

 Seu discurso:

“Meu nome é Txai Suruí, eu tenho só 24, mas meu povo vive há pelo menos 6 mil anos na floresta Amazônica. Meu pai, o grande cacique Almir Suruí me ensinou que devemos ouvir as estrelas, a Lua, o vento, os animais e as árvores. Hoje o clima está esquentando, os animais estão desaparecendo, os rios estão morrendo, nossas plantações não florescem como antes. A Terra está falando. Ela nos diz que não temos mais tempo. Uma companheira disse: vamos continuar pensando que com pomadas e analgésicos os golpes de hoje se resolvem, embora saibamos que amanhã a ferida será maior e mais profunda? Precisamos tomar outro caminho com mudanças corajosas e globais. Não é 2030 ou 2050, é agora! Enquanto vocês estão fechando os olhos para a realidade, o guardião da floresta Ari Uru-Eu-Wau-Wau, meu amigo de infância, foi assassinado por proteger a natureza. Os povos indígenas estão na linha de frente da emergência climática, por isso devemos estar no centro das decisões que acontecem aqui. Nós temos ideias para adiar o fim do mundo. Vamos frear as emissões de promessas mentirosas e irresponsáveis; vamos acabar com a poluição das palavras vazias, e vamos lutar por um futuro e um presente habitáveis. É necessário sempre acreditar que o sonho é possível. Que a nossa utopia seja um futuro na Terra. Obrigada!”

A fala do secretário-geral da ONU, Antonio Guterres foi muito contundente. Disse que os líderes mundiais sabem o que fazer, “sirenes estão tocando, o planeta está nos dizendo algo, as pessoas também”.

Essas próximas duas semanas serão de muito trabalho para todos que buscam resultados gerativos e eficazes desse encontro.

Assistam! Assistam! Assistam a abertura de hoje! https://youtu.be/oofxDQQKE7M

Hoje foi um dia de trabalho virtual intenso na COP26 e de muita alegria em encontrar minha cara metade depois de mais de um mês de retiro concentrado no meu livro.

Vamos esperançar que os líderes mundiais e a sociedade civil consigam um entendimento inédito com ações objetivas reais, reconhecendo nossa interdependência. Que o Brasil consiga se livrar dessa terrível caminhada de destruição socioambiental desses últimos dez anos e principalmente dos últimos três. Essa é a década decisiva e os resultados tangíveis dessa COP26 vão refletir se o mundo vai trabalhar em conjunto ou continuarão acreditando nas suas fronteiras imaginárias denominadas: países. Somos um!

Primeiro de Outubro

Esse mês de setembro foi movimentado. Movimentado no sentido dos movimentos, das manifestações e das ações.

Quero começar com a Paraolimpíada de Tokyo 2020. Apesar de ter sido em 2021 mantiveram a nomenclatura da data original. Peço licença para escrever Tokyo ao invés de Tóquio. Para mim, é na Paraolimpíada que está o verdadeiro espírito original do esporte. O atleta paraolímpico já chega ao evento vitorioso. Todos os participantes são vencedores! É uma emoção em todas as modalidades, uma lição de resiliência e colaboração. Enquanto na Olimpíada, sinto que não há vencedores… parecem sobreviventes e até mesmo reféns. Claro que sabemos de histórias lindas de “fair play” como a da skatista Rayssa Leal de apenas 13 anos. Enfim, sem querer polemizar quero agradecer os paratletas brasileiros pela sua simpatia, alegria e as 72 medalhas. Um orgulho para o Brasil! A cerimônia de encerramento no dia 5 de setembro foi bem emocionante. Veja no link (entre 1h33 e 1h41) o convite da França para as Paraolimpíadas de 2024… sensacional! Mesmo!

Dia da Amazônia, também foi no domingo, 5 de setembro. Não há o que comemorar! Ao contrário a situação é tão crítica que provavelmente ela esteja emitindo mais CO2 do que oxigênio. Reportagens estão sinalizando essa tragédia. Desde uma matéria na revista Nature até uma reportagem do Fantástico. Ainda não sei onde estamos com isso e se os números de setembro vão confirmar esse pesadelo. A Amazônia é provavelmente o melhor argumento de negociação com os países Europeus. E se não estiver mais “funcionando”? A devastação violenta da Amazônia vem ocorrendo há pelo menos 10 anos e em alta velocidade nos últimos três. A boa notícia foi o lançamento da plataforma Plena Mata. Ela é uma parceria entre a Natura, InfoAmazonia, MapBiomas, Hacklab e Natura&Co. A plataforma monitora, em tempo real, o desmatamento na Amazônia. Tem um contador de árvores derrubadas por minutos e hectares desmatados. A ideia é trazer conscientização para a emergência do tema e mobilizar a sociedade em torno das iniciativas de conservação, mitigação e regeneração da floresta. Veja isso e muito mais no site da PlenaMata. . Outro momento bom foi o show do DJ Alok. Veja aqui  https://youtu.be/3GlGj6j3SFU

O 7 de setembro foi um dia de preocupação com a deterioração da democracia no Brasil. Ao invés da independência, estamos rumando à dependência ao invés da interdependência.

Os 20 anos do 11 de setembro que inaugurou uma nova era para o século 21, está expondo as feridas e falhas gigantescas dos EUA em relação a sua segurança e política externa. Parece injusto apontar o dedo depois que um evento ocorreu. Acontece que foram erros sistemáticos que demonstram a importância da ganância, competição pelo poder, corrupção, manipulação da mídia e falta de preparo para assumir a verdade. Como os acontecimentos históricos conseguem reverter uma situação como a do descrédito da população no presidente que parecia estar à beira de ser defenestrado. A grave consequência foi a instalação de um nacionalismo patriótico que alterou completamente o rumo da história. Isso já aconteceu muitas vezes. A última que conheço foi com o presidente da França, em 2015, que também estava desacreditado quando os ataques terroristas da sexta feira 13 de novembro tomou conta do noticiário francês e mundial. Foi uma semana depois que no Brasil mataram um rio (Doce) inteiro e inviabilizaram uma área do tamanho de Portugal e 15 dias antes da COP21 em Paris. Françoise Hollande ressuscitou das cinzas e voltou a cena pública francesa e até mesmo roubou (literalmente) a posição do competente presidente da COP21, Laurent Fabius. Foi um show de ganância, competição pelo poder, corrupção, manipulação da mídia e desonestidade. O circo criado no sábado apresentando o Acordo de Paris como uma grande vitória foi triste. Quem ganhou foi a diplomacia e quem perdeu foi o meio ambiente. O Brasil foi, talvez, quem mais perdeu por ter deixado de ter seu protagonismo emergir. O governo brasileiro montou um cubículo (ao invés de um estande a altura) e ficou escondido durante todo o evento para fingir que o desmatamento e outras atrocidades ambientais… não era com a gente. O crime ambiental de Mariana (rio Doce) que teria uma repercussão gigantesca entre os ambientalistas do mundo, ficou atrás dessas cortinas de fumaça.   

A propósito do Acordo de Paris, o Observatório do Clima e Laclima acabaram de lançar um mini manual “Acordo de Paris – Um Guia para os Perplexos”, que explica a história e o funcionamento das conferências do clima. É uma colaboração entre as duas redes, que teve coautoria da Carol Prolo, da Stela Herschmann e de mais uma turma boa da pesada. Imperdível no https://www.oc.eco.br/wp-content/uploads/2021/09/Minimanual-Acordo-de-Paris.pdf

A Virada Sustentável (São Paulo) ocorreu do dia 2 a 22 de setembro. A Virada foi especialmente criativa e rica de atrações. No dia 12, o Fala Sampa marcou mais uma vez sua presença na Virada Sustentável com a apresentação do Pulsa Coração com as batidas dos tambores conduzidos pelo Paulo Suzuki, presente em todas as edições que fizemos do Fala Sampa. Foi muito emocionante! Vale a pena conferir a programação completa do que aconteceu no  https://www.viradasustentavel.org.br/cidade/sao-paulo

21 de setembro

Dia Mundial da Gratidão – Esse dia existe há 55 anos e vem sendo celebrado anualmente no mundo todo. Este é um dia no qual as pessoas são convidadas a agradecer a todos aqueles que fazem parte das suas vidas. É o dia do ano dedicado a parar para refletir em tudo de bom que há na vida, um gesto que acaba por impactar o bem-estar das pessoas. Sua origem deu-se em 1965 no Havaí, onde se realizou o primeiro encontro internacional sobre a ideia de tirar um dia do ano para agradecer formalmente por todas as coisas de bem que se encontram no mundo. No ano seguinte, em 21 de setembro de 1966, muitos dos participantes que estavam naquele primeiro encontro colocaram em prática o gesto e implementaram definitivamente o Dia Mundial da Gratidão (World Gratitude Day), celebrado em todo o mundo.

Dia da Árvore – No Brasil celebramos o Dia da Árvore pouco antes da primavera. As árvores estão clamando para ficarem em pé e fazerem seu trabalho de reter o CO2 e exalar oxigênio. Há 10 anos iniciava o movimento do Veta Dilma em relação ao Código Florestal. Entre as imagens de impacto para mobilizar a pedir para vetar o projeto de mudanças indecorosas para o meio ambiente, lembro de uma que tinha as árvores cortadas empilhadas e com rostos de tristeza desenhadas nelas. Foi também o movimento #florestafazadiferenca. Nossas árvores nunca precisaram tanto de amor carinho como agora. Viva as árvores! Vivam!

Dia Mundial da Paz – Desenvolver uma cultura de paz, principalmente nos jovens é fundamental para um futuro possível… que hoje parece impossível. Nesse dia, no mundo todo, foram feitos encontros de meditação pedindo e vibrando pela paz. Acredito muito nessas iniciativas. Amanhã, 2 de outubro, é o dia Internacional da Não-Violência, aniversário do nascimento do Gandhi. Entre as ações para o dia de amanhã, recomendo o Gandhi do ator João Signorelli que vem levando a paz por onde passa, inclusive na Índia. Amanhã estará na embaixada da Índia e a noite no espaço do Bixiga (São Paulo) EVVIVAH.

Assembleia Geral da ONU – O dia 21 de setembro também contou com os discursos na 76ª sessão da Assembleia Geral da ONU. O Brasil tem a prerrogativa de abrir os discursos dos chefes de Estado. Esse ano voltou a ser presencial e tivemos que assistir a uma sucessão de gafes em Nova York e inverdades no discurso. Vou me ater ao brilhante discurso do secretário geral da ONU, António Gutterres.   

Segue um trecho:

“Estou aqui para soar o alarme: o mundo precisa acordar.

Estamos à beira de um abismo – e nos movendo na direção errada.

Nosso mundo nunca foi tão ameaçado.

Ou tão dividido.

Enfrentamos a maior escalada de crises em nossas vidas.

A pandemia de Covid-19 ampliou as desigualdades gritantes.

A crise climática está atingindo o planeta.

Revoltas do Afeganistão à Etiópia, ao Iêmen e além prejudicaram a paz.

Uma onda de desconfiança e desinformação está polarizando as pessoas e paralisando as sociedades, e os direitos humanos estão sob ataque.

A ciência está sob ataque.”

Mais adiante diz:

“Excelências,

Os alarmes climáticos também estão tocando em alta velocidade.

O recente relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças do Clima [IPCC] foi um código vermelho para a humanidade.

Vemos os sinais de alerta em todos os continentes e regiões.

Temperaturas escaldantes. Perda de biodiversidade chocante. Ar, água e espaços naturais poluídos.

E desastres relacionados ao clima em cada esquina.

Como vimos recentemente, nem mesmo esta cidade – a capital financeira do mundo – está imune.

Cientistas do clima nos dizem que não é tarde demais para manter viva a meta de 1,5 grau do Acordo de Paris sobre o Clima.

Mas a janela está fechando rapidamente.”

Vejam o discurso completo em https://brasil.un.org/pt-br/145385-discurso-do-secretario-geral-da-onu-assembleia-geral-21-de-setembro-de-2021

28 de setembro

Greta Thunberg fala na abertura da conferência Youth4Climate (Jovens pelo Clima), em Milão na Itália. Ela, como sempre, fez uma fala direta e contundente. Denuncia as palavras que não se tornam ações e a falta de escuta nos jovens. Fingem que escutam e que fazem.

“Isso é tudo o que ouvimos por parte dos nossos líderes: palavras. Palavras que soam bem, mas que não provocaram ação alguma. Nossas esperanças e sonhos se afogam em suas palavras de promessas vazias”.

Em outro momento:

“Não existe um planeta B, não existe um planeta blá-blá-blá, economia verde blá-blá-blá, neutralidade do carbono para 2050 blá-blá-blá”, acrescentou, denunciando “30 anos de blá-blá-blá” dos líderes mundiais e “sua traição com as gerações atuais e futuras.”

O discurso de Greta no https://youtu.be/wpo33oLne-Y

O reality show CPI da Pandemia que já estava em seus capítulos finais e já quase sem audiência de público conseguiu retornar aos lares dos brasileiros que estavam sem BBB ou outras opções de entretenimento. Apesar da boa intenção de alguns, o circo continua a realizar cenas que causam vergonha alheia. A novela está programada para terminar no dia 20 de outubro.  

   

Hoje, primeiro de outubro, conduzi junto com a jovem Bel Jeha (22 anos) uma conversa, na SoL Brasil, sobre a visão sistêmica da alimentação sustentável. A SoL (Society for Organizational Learning) foi criada no MIT por Peter Senge e outros fomentadores do pensamento sistêmico para realizar diálogos que importam em aprendizagem. Falamos para uma audiência de 30 pessoas sobre o impacto das escolhas alimentares no meio ambiente, na saúde e na compaixão pelos animais e pessoas envolvidas na indústria do alimento. Foi especialmente bom. Gostaria de compartilhar alguns links que usamos e outros que recomendamos.

Um documentário do David Attenborough e Nosso Planeta lançado em 2020 –  https://www.netflix.com/br/Title/80216393

Um segundo documentário do David Attenborough – Rompendo Barreiras: Nosso Planetahttps://www.netflix.com/br/title/81336476

Um curta de 2 min realizada pela Last Chance for Animals  https://youtu.be/c1DcFmUrxUQ

Que venha outubro!

O Amanhã da Paz

No dia 21 de setembro é o dia internacional da paz. Todo ano milhões de pessoas meditam pela paz, sim milhões de pessoas! Reserve um momento, por menor que seja, para se conectar com uma única intenção: a Paz. No Brasil, a Virada Sustentável e a Virada Zen, está promovendo “O Amanhã da Paz”. Serão centenas de pessoas conduzindo meditações em diferentes formatos e tempos. Eu estarei, pelo Zoom, cuidando de uma breve meditação a partir das 20h.

Dia 21 de setembro, terça-feira, às 20h

Link: https://bit.ly/AlanPaz 

ID: 892 3580 6688

Senha: 048838

Primeiro de Setembro

Começando a escrever hoje,  senti que estamos no mesmo ponto da nossa crise de percepção e da nossa crise das palavras.

Temos alguns avanços no sentido que a crise civilizatória, principalmente a ambiental não está caindo mais no conto da carochinha. Essa semana ouvi que um (pseudo) cientista da USP, há alguns anos, foi no programa do Jô Soares e afirmou que poderiam asfaltar toda a Amazônia sem qualquer implicação no clima do planeta. Esses malfeitores pagos para enganar o público estão quase em extinção. Praticamente ninguém, minimamente informado (e não desinformado), acredita mais nessas bobagens. Uma prova disso foi o último relatório do IPCC que, talvez pela primeira vez, deixou os cientistas falarem livremente sobre o que está acontecendo. Nenhuma novidade para quem acompanha de perto a emergência climática, porém uma significativa contribuição a mais para erradicação do Festival de Besteiras que Assola o País (do saudoso Stanislaw Ponte Preta).

Quanto à crise das palavras, uma assustadora evidência aconteceu com a repercussão dos textos do Charles Eisenstein. Parece uma loucura quando alguém que há tantos anos vem, coerentemente, mostrando as diferentes faces da realidade percebida e tem sido um farol nesse mar tempestuoso de transformações, ter seu texto deturpado e ser violentamente atacado por todos os lados. A maioria dos que o atacaram certamente não tinham lido seus três longos textos. O que causou a miopia maior foi o “Mob Morality and the Unvaxxed” (Máfia da Moralidade e os Não Vacinados), terceiro e último texto de uma série. Todos nós temos experiências com palavras ou ideias que não podem ser pronunciadas sem causar forte comoção e reações agressivas. Mesmo em ambientes familiares se evitam alguns assuntos para não gerarem… uma guerra. Como Charles se referiu aos vários lados da mesma moeda, recebeu expressões de desagravo de todos os lados. Chegou até a ser chamado de antissemita, mesmo sendo judeu. É uma lógica ilógica! O seu texto seguinte se referindo aos absurdos atribuídos a ele é uma obra de arte em relação à cegueira dos nossos tempos. Chama-se “Charles Eisenstein, Antisemite”. São construções de paradigmas que funcionam como paredes para evitar as nossas dissonâncias cognitivas. Somos biológica e culturalmente bem equipados para nos enganar constantemente com o objetivo de… estarmos certos.

Pense um pouco em qual repertório de palavras e ideias suas causam desconforto ou até reações violentas contra você. Eu tenho muitas. Por favor, tenha uma escuta generosa! O voto vai contra a democracia! Comer animais é um dos principais problemas ambientais! Ler jornal é perda de tempo! Só essas três já me causam constrangimentos. Ao ouvir uma palavra ou ideia que vai contra suas crenças e valores, você reage conforme a possibilidade (maior ou menor) de lhe causar uma disrupção, uma dissonância cognitiva. Quando escuto afirmarem que a Terra é plana, que apareceu um disco voador, que é justo o que ganha uma estrela do futebol, que o aquecimento global é natural, são ideias que me causam repulsa e até um julgamento mais agressivo. No entanto posso estar enganado.

Aqui no Brasil, palavras e ideias que mais causam violência estão principalmente na religião, política, futebol, preconceitos, educação e tudo que se relaciona ao Coronavírus. Vamos nos arriscar a falar das vacinas, das máscaras, do isolamento físico e até mesmo da cloroquina? Nem pensar, não é mesmo?

 E agora José?

No dia 21 de setembro é o dia internacional da paz. Todo ano milhões de pessoas meditam pela paz, sim milhões de pessoas! Reserve um momento, por menor que seja, para se conectar com uma única intenção: a Paz. No Brasil, a Virada Sustentável e a Virada Zen, está promovendo “O Amanhã da Paz”. Serão centenas de pessoas conduzindo meditações em diferentes formatos e tempos. Eu estarei, pelo Zoom, cuidando de uma breve meditação a partir das 20h. O link é o https://bit.ly/AlanPaz As informações completas estarão no alandubner.com

Dia 21 também é o dia mundial da GRATIDÃO que vem sendo celebrado há 55 anos! E também, no Brasil, é o Dia da Árvore!!!

Aproveitei para colher algumas sementes que plantei nos artigos anteriores do Dia Primeiro. Começa em abril de 2020 até o mês passado. Vale a pena ler de novo!

  “Toda verdade passa por três estágios.
  No primeiro, ela é ridicularizada.
  No segundo, é rejeitada com violência.
  No terceiro, é aceita como evidente por si própria”

Arthur Schopenhauer

“– A medicina vai finalmente evoluir para cuidar prioritariamente da prevenção ao invés das doenças. Vai se tornar amplamente colaborativa e completamente sem fronteiras. Levará em conta ciência, tecnologia e principalmente culturas. Cuidará fundamentalmente do DNA ao estilo de vida, da alimentação ao ar que respiramos, da meditação a movimentação, da autoestima a psicologia.

– A economia não conseguirá manter seu atual modelo estrutural. O jogo já mudou! Quem tentar jogar com as regras antigas logo perceberá que terá que se tornar alguém detestável para si mesmo e para os outros. Poucas pessoas ficam confortáveis nessa posição. O medo e a insegurança com a sobrevivência vão retardar o pleno funcionamento de uma economia com uma cultura de Gift.

– As escolas nunca mais serão as mesmas. Vamos finalmente sair das metodologias do século XIX para entrar nas condizentes com o século XXI. Quem poderia imaginar que os sistemas de aprendizagem iriam dar esse salto quântico através desse artifício? Quem diria que o conhecimento não estaria mais atrelado a memória e sim a sabedoria? A Educação será livre, com janelas sem salas, com notas de músicas, com folhas da natureza e principalmente com muito amor.

– A politica dos políticos ainda sobreviverá mais algumas primaveras enquanto houver a crença de que o sistema eleitoral tem alguma coisa a ver com a democracia. A política vai migrar dos políticos para a sociedade civil. E as políticas públicas serão decididas pontualmente através da participação dos interessados devidamente qualificados. Em pouco tempo os políticos serão substituídos por uma nova geração de políticos conectados com a sociedade civil.

– A religião, no geral, terá dificuldades de manter o véu da ignorância como força motriz da maioria de seus seguidores. Apesar da imensa fome por algo que explique o inexplicável, por um sabor de pertencimento, por um alimento para a alma… a busca será mais ouvindo a voz de dentro do que a palavra dos gurus. Você, finalmente, será seu próprio guru!”

“Nesse mês se ampliaram os sintomas de incontinência virtual e uma crença, inacreditavelmente ingênua, de que as funções do presencial podem ser simplesmente repassadas para o virtual. Vemos isso em larga escala nas escolas, nas terapias e nas reuniões.”

“Deixa-me te contar um pouco sobre esse mundo que você acabou de chegar e dos caminhos que seu caminhar pode encontrar. Se por um lado está tudo diferente do que estava quando você aportou a nave mãe, por outro estamos adentrando uma civilização novinha em folha.”

“O mês do meio ambiente foi marcado pelo agravamento da degradação do meio ambiente, da proteção aos povos indígenas, da educação, da cultura e da verdade… sim degradação da verdade! Acredito que o genocídio das nações indígenas seja o mais urgente dentro de tantas urgências e emergências. O Brasil está na UTI!”

“Onde estão os princípios, crenças e valores que estão levando a nossa civilização a se autodestruir? Como conseguem passar desapercebidos? São percepções equivocadas para o momento atual na economia, educação, política, medicina, ecologia e religião. A combinação dessas miopias nos fazem caminhar para o fim de mais uma civilização. Não se trata de uma mudança ou de uma melhoria e sim de uma completa transformação. Portanto precisamos urgentemente, migrarmos a atual cultura para uma nova economia, uma nova educação, uma nova medicina, uma nova ecologia, uma nova política e até mesmo uma nova religião.”

“Nova Economia – O que parecia distante no tempo está cada vez mais atual. As diversas versões de uma nova economia estão se mostrando bem fortes nesse período onde a economia tradicional está perdendo tempo e espaço.  Conceitos de economias como a Economia Circular, Economia Criativa, Economia Verde, Economia Social, Economia Compartilhada, Economia Gift e muitas outras que estão fartamente explicadas no livro, estão ganhando terreno no mundo inteiro.”

“Se a essa altura do campeonato tiver alguém ainda achando que é uma crise passageira e que as coisas voltarão a ser como eram… talvez estejamos todos sofrendo de “Normose”.”

“Se o resultado das eleições pode ser manipulado a favor de quem tem maior recurso e poder… para que mesmo servem as eleições? Ou, para quem mesmo servem as eleições? Com certeza, nesse formato, não servem a democracia.”

“A ideia aqui é abrir o espaço para que mais percepções possam ser vistas e criar um contexto para que possamos olhar para nossas crenças e valores como sendo… apenas NOSSAS crenças e valores! Quando ridicularizamos alguma verdade alheia, ou reagimos mais radicalmente contra… cuidado… pode vir a ser a nossa verdade amanhã!”

“Acredito que o ano de 2020 foi um marco civilizatório. Vamos percebê-lo degustando, aos poucos, seu legado.”

“Fico pensando como esse período vai entrar para a História. Claro que depende da linha do seu historiador favorito. Toda a História é contada de diversas maneiras, com narrativas e fatos próprios de quem conta. Como você vai contar essa história?”

“Hoje de manhã, assisti ao Davos Lab Brasil na TV Folha. Foi muito bom! O que sempre me impressiona são aquelas pessoas que ficam no chat jogando palavras de ódio. Elas entram para isso! O que faz alguém entrar num evento que não aprecia e ficar falando mal de tudo e de todos? Com tanta coisa importante para fazer o que faz alguém perder tempo e energia com isso? Vamos excluir as pessoas que se submetem (banalidade do mal) a receber dinheiro para fazer atos destrutivos e aos robôs programados para isso. Ainda resta uma quantidade enorme de pessoas que covardemente, em seu anonimato, insistem em disseminar vibrações negativas. Existem pessoas que preferem torcer para que o time do outro perca do que o seu ganhe. Estranho, né? Vota num outro candidato para que o que não gosta perca. Sim, parece surreal, mas é a realidade! Uma pessoa escolhe um candidato de sua preferência, mas não vota nele porque acredita que deve votar no candidato que as pesquisas mostram que tem mais chance contra um do qual é contra. Com isso, sempre ganha um candidato que não é o da sua preferência! Como pode uma coisa dessas ser boa para a democracia? Por que as pessoas, na sua maioria, escolhem ser do contra? Como elas fazem para se justificarem consigo mesmas? A resposta é reduzindo a dissonância cognitiva, através de artifícios imaginários (histórias). ”

“Encerro esse texto desejando que possamos ultrapassar as fronteiras que nos limitam. Que possamos ampliar a consciência para perceber o quanto não sabemos… e que tudo bem!”

“Para dificultar mais ainda nossa relação com essas certezas e incertezas, existe uma manipulação proposital para que passemos a pensar dessa ou daquela maneira, para que façamos dessa ou daquela forma que nos induzem. Entre todas as tragédias que estamos vivendo a DESINFORMAÇÃO é a pior delas! Se fosse falta de informação não seria tão grave… desinformação e a manipulação das informações são o que há de mais desumano! E isso em nome do poder e da ganância. Não sei como a história vai registrar esse período, não sei se haverá centenas (talvez milhares) de condenados por crimes contra humanidade. Não sei como milhares de pessoas conseguirão apagar os rastros de suas manifestações que contribuíram para esse desastre mundial, para que seus netos não se envergonhem de tamanha falta de noção herdadas em seu DNA. Não sei como ficarão as pessoas que não contribuíram diretamente para ajudar, de alguma maneira, a humanidade e ficaram apenas reclamando da culpa dos outros. Seja pela busca de benefício próprio, corrupção ou apenas banalidade do mal (conceito Hannah Arendt).”

“Num momento em que a polarização reina, falar sobre qualquer tema não gera diálogo e sim o ódio da torcida oposta. E os reféns da mídia não conseguem submergir para ouvir as mais coloridas vozes da nossa interdependência.”

“Estamos mergulhados numa crise civilizatória, numa crise de percepção, numa crise ambiental que há muitos anos não vivíamos. Tudo que está acontecendo deixa claro de que não podemos continuar a fazer o que fazíamos e a acreditar no que acreditávamos. Uma frase famosa atribuída a Albert Einstein, “Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes” resume bem a insanidade se não alterarmos significativamente o que fazíamos. Portanto na Educação, Economia, Medicina, Política, Ecologia e até na Religião precisamos de um novo paradigma.”

“E para não dizer que não falei da pandemia, acredito que ainda continuamos com as mesmas incertezas em quase tudo. O que podemos afirmar é que estão emergindo denúncias de que algumas (muitas) pessoas estão, vergonhosamente, aproveitando a pandemia para benefício próprio. Seja para o poder, corrupção, manipulação, prestígio ou outros motivos escusos. Minha esperança é de que elas sejam desmascaradas. Daqui a alguns anos ficaremos pasmos de saber o quanto não sabíamos e nos envergonharemos do quanto acreditamos no inacreditável.”