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Primeiro de Julho

Celebrando os 100 anos de idade do fabuloso Edgar Morin

O Edgar Morin vai fazer 100 anos na semana que vem (08/07/2021). Li seu último livro que foi publicado no dia 1º do mês passado… é um presente para todos nós “Lições de um século de vida”. Está sendo amplamente homenageado em várias partes do mundo. Essa semana o SESC realizou a “Jornada Edgar Morin” em que ele compareceu e nos deixou uma mensagem de esperança. Ele está muito bem e continua um “lindo”. https://youtu.be/WT8fYtySf28 (Morin aparece aos 14 minutos)    

Estamos mergulhados numa crise civilizatória, numa crise de percepção, numa crise ambiental que há muitos anos não vivíamos. Tudo que está acontecendo deixa claro de que não podemos continuar a fazer o que fazíamos e a acreditar no que acreditávamos. Uma frase famosa atribuída a Albert Einstein, “Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes” resume bem a insanidade se não alterarmos significativamente o que fazíamos. Portanto na Educação, Economia, Medicina, Política, Ecologia e até na Religião precisamos de um novo paradigma.

Nova Educação

Há anos que se diz que as escolas se mantiveram presas ao formato das do século 19. Na pandemia emergiu a clareza de que precisamos reinventa-las e traze-las para o século 21. Esse modelo arcaico está com seus dias contados. As chamadas Escolas Democráticas que começaram há muitos anos estão se propagando cada vez mais ocupando o espaço das tradicionais que estão completamente obsoletas quanto a aprendizagem, principalmente as dos grandes grupos de escolas que, aparentemente, visam primordialmente a rentabilidade do negócio. A primeira escola democrática que se tem notícia é a Summerhill fundada em 1921 em Suffolk na Inglaterra, que existe até hoje. No Brasil já temos mais de uma centena de escolas baseadas na Educação Democrática e até escolas públicas.

Nas escolas democráticas, os estudantes escolhem o que aprendem, quando, como e com quem aprendem. A aprendizagem pode acontecer dentro ou fora da sala de aula, tanto por meio de jogos quanto de estudos convencionais. A gestão é de responsabilidade colaborativa e conduzida pelos próprios estudantes. Seguem os princípios de que gentileza gera gentileza; tolerância gera tolerância; respeito gera respeito; escuta gera escuta; confiança gera confiança e assim por diante.

Segundo Helena Singer, a aprendizagem na Educação Democrática tem três princípios:

“O primeiro é a autogestão. As pessoas que participam de uma experiência de Educação Democrática são responsáveis por ela.

O segundo é o prazer do conhecimento. Acredita-se que o conhecimento traz alegria, prazer, e por isso as pessoas se envolvem com ele, não sendo necessárias punições ou disciplinas.

E o terceiro é que não há hierarquia no conhecimento. O conhecimento científico, o conhecimento académico, o conhecimento comunitário, o conhecimento tradicional, o conhecimento religioso, todos os conhecimentos são valorizados, respeitados e crescem justamente no seu contato.”

Para promover essa Nova Educação podemos e devemos beber em algumas fontes saudáveis como Edgar Morin, Paulo Freire, Ivan Illich, Maria Amelia Pereira (Péo), Jean Piaget, Darcy Ribeiro, José Pacheco, Ken Robinson, Tião Rocha e muitos outros que nos inspiram a buscar uma aprendizagem de qualidade.

Há mais de vinte anos, a UNESCO pediu ao Edgar Morin para expressar suas ideias sobre a própria essência da educação do futuro dentro do contexto de sua visão do pensamento complexo. O objetivo era sistematizar um conjunto de ideias e reflexões que servissem como base para se repensar a educação do próximo milênio. O resultado é um guia de aprendizagem para o mundo todo. Os 7 Saberes Necessários à Educação do Futuro. Muito importante para qualquer educador ler e reler seu trabalho (https://bit.ly/7Saberes). São eles:

1 – As cegueiras do conhecimento: o erro e a ilusão;

2 – Os princípios do conhecimento pertinente;

3 – Ensinar a condição humana;

4 – Ensinar a identidade terrena;

5 – Enfrentar as incertezas;

6 – Ensinar a compreensão; e

7 – A ética do gênero humano. 

Escrevi, há alguns anos, um texto longo sobre Nova Educação que foi publicado em 2019 no livro “Diálogos Educacionais” com outros textos de José Pacheco, Helena Singer, Carla Lam e vários outros da Rede Nacional de Educadores “Românticos Conspiradores”. Segue um trechinho inicial:

“Caminhos e Descaminhos dos Sistemas de Aprendizagem

Na Educação existem muitas pedagogias, formatos e sistemas para a aprendizagem. Estamos vivendo um momento em que as escolas vão precisar se reinventar para atender a formação de um indivíduo preparado para uma sociedade onde a colaboração está substituindo a competição; a liderança compartilhada prevalece sobre as hierarquias; o respeito à diversidade é um valor fundamental; o amor se sobrepõe ao medo; somos e cuidamos da Natureza; a cultura conduz os processos… preparando para uma sociedade da Nova Economia. A maioria das escolas está longe de preparar o estudante para essa nova realidade que já não é mais futuro… é aqui e agora!

Claro que ainda existem pais que estão preparando seus filhos para o vestibular ao invés de prepará-los para a vida. Por isso as escolas continuam, equivocadamente, privilegiando a memória em detrimento da criatividade, o condicionamento ao invés das múltiplas inteligências, a competição que humilha e gera um ambiente propício para o Bullying e tantas outras atitudes que levam a percepção de que esse sofrimento é necessário para passar no vestibular. E passar na vida? E o Ser de ser humano? O Amor? A cidadania? Os relacionamentos? O meio ambiente? O Cuidar da Casa? Do dinheiro? Da saúde? Da alma?

Por isso estamos num momento de repensar onde colocar os nossos filhos para prepará-los para Viver a Vida. Desenvolver o potencial que já está dentro da criança. Permitir que floresça sua essência para se tornar um ser humano integral.”

Nova Economia

O Investimento de Impacto está se tornando um dos principais focos do mercado de capitais. Apesar de ainda insipiente aparece como tendencia de um mundo em ritmo de interdependência. O ESG (Environmental, Social and Governance), parente mais jovem e repaginado do antigo Triple Bottom Line está finalmente se tornando uma realidade palpável. Será pouco provável que alguma empresa de porte médio ou maior entre em 2022 sem uma estrutura consolidada de ESG. O Blockchain está viabilizando uma família de facilidades que estão ocupando novos de nichos nessa nova economia. As Criptomoedas estão desafiando as moedas tradicionais e gerando incertezas quanto ao futuro do dinheiro. Lembrando que dinheiro sempre foi virtual! Os bancos centrais estão entrando com velocidade nessa área para não perder terreno para a gigantesca quantidade de moedas alternativas em pleno uso. A China já implantou a dela. A tendência será para os criptoativos voltados a sustentabilidade como o recém-lançado Sistema Natus (sistemanatus.com). Ainda na esteira do Blockchain os Non-Fungibles Tolkens (NFT) já estão fazendo a festa, principalmente nas artes e com os colecionadores. Impressionante como em tão poucos anos e com um empurrãozinho da pandemia essa nova economia está ficando cada vez mais consolidada.

Nova Medicina

A pandemia emergiu nosso sistema de saúde pera o bem e para o mal. Descobrimos forças e solidariedade onde pensávamos não existir mais, descobrimos falhas graves onde pensávamos estarmos seguros. Estamos ressignificando tudo, absolutamente tudo. A responsabilidade do diagnóstico e do tratamento, em muitos casos, foi transferida para o paciente porque aprendemos que há médicos e médicos. Aprendemos que há crenças e valores diferentes entre bons profissionais da saúde. Aprendemos que que não existe “uma” ciência. Que a ciência também está, como nós, aprendendo e de que existem muitas respostas da ciência e as vezes com resultados opostos. Ainda bem que temos a ciência para nos guiar mesmo que seja muitas vezes contraditória entre si. Aprendemos que nem todos na medicina tem ética e busca um ideal humanitário. Aprendemos que laboratórios também mentem. Aprendemos que temos que nos informar e não nos desinformar – como é difícil separar o joio do trigo. Aprendemos a procurar ficar, cada vez mais, confortáveis com a nossa ignorância. Quanto mais sabemos, mais sabemos que não sabemos.

Estamos passando pelos diversos problemas de saúde mental… no mundo todo. Precisamos da sabedoria de Victor Frankl (Em busca de sentido) e da Edith Eva Eger (A Bailarina de Auschwitz) para nos fazer entender o que nos mantem sãos e o que nos faz desistir. Precisamos da sabedoria compassiva da Ana Claudia Arantes (A morte é um dia que vale a pena viver).

Entre todos os males da saúde mental que está fortemente emergindo é o “Languishing”. Vale uma conversa com seus terapeutas e ou uma pesquisa na internet.  Acredito que seja um dos mais importantes e invisíveis consequências dessa pandemia. Pode te ajudar, pode ajudar alguém próximo a você.

Nova Política

Provavelmente não conseguiremos manter o atual circo político com tantos escândalos, mentiras, corrupção e manutenção de privilégios. Por sorte estamos começando a ver uma maior diversidade de vozes que espero que em pouco tempo abafem esse pandemônio. Cada vez mais mulheres, jovens, indígenas, várias etnias e gêneros estão ocupando corajosamente o espaço político transformando numa possibilidade para uma nova política. A CPI da pandemia se tornou a nova atração de reality show na TV e nas outras mídias. Apesar de ter algumas pessoas bem-intencionadas e buscando um resultado real, a grande maioria continua a fazer o público (nós) de idiotas. Para piorar a atual situação, que espero não se sustentar numa nova política o cenário para as eleições presidenciais estão novamente voltadas para eleger o menos ruim. A primeira e a segunda via são comprovadamente péssimas para o nosso país. A terceira via que está tentando se formar precisa fazer todo tipo de maldades para se tornar tão ruim e entrar no páreo. Tem alguma lógica isso? Ao votarmos no menos pior estamos garantindo que um pior se elegerá porque teremos três para disputar. Por que não votamos no melhor? Por que em 2018 os brasileiros escolheram deixar de votar em seu candidato e entrar no jogo sujo do menos pior. Como é possível termos chegado no ponto onde o atual sistema eleitoral vai contra a democracia? Uma nova política precisa surgir das cinzas desse inacreditável circo. 

Nova Ecologia

Estamos as vivendo na Era das Incertezas como afirma brilhantemente o Edgar Morin. As discussões sobre a COP26 em Glasgow (Escócia) estão acirradas com a declaração de seu presidente, Alok Sharma, de que serão presenciais. Uma COP normalmente atrai em torno de 30.000 participantes vindas do mundo todo. Além disso Glasgow é uma das principais cidades na Grã Bretanha que está sofrendo com as mudanças climáticas. Ela e outras cidades ao longo do rio Clyde, segundo um relatório do Climate Ready Clyde (climatereadyclyde.org.uk). Parece um paradoxo nesse momento que estamos vivendo uma tragédia ambiental (COVID-19). Enfim, qualquer que seja o desfecho dessa COP26 ela é estratégica em função de Estocolmo+50 que vai ser uma das mais importantes conferências de sustentabilidade dos últimos 50 anos. Além da enorme quantidade de pautas emergenciais estaremos celebrando meio século do primeiro encontro de sustentabilidade em 1972 em Estocolmo.

Nova Religião

Onde entra a religião nesse momento de mudar o que estamos fazendo para colher resultados diferentes do que está nos levando a definhar?

Tudo!

Se a nossa religião nos separa ao invés de nos unir – unir a todos independente de suas crenças – ela está na contramão da interdependência e cedo ou tarde vai promover o desastre. Compaixão gera compaixão! Preconceito gera preconceito! Humildade gera humildade! Violência gera violência!

Onde você está?  Na solução ou no problema?

Maratona Edgar Morin:

Acervo do SESC: http://edgarmorin.sescsp.org.br

Fronteiras do Pensamento 1: https://youtu.be/VmFB9Vcac1U

Fronteiras do Pensamento 2: https://youtu.be/uZBK0gtfsrU

Jornada Edgar Morin (28/06/21): https://youtu.be/WT8fYtySf28 (ele aparece aos 14 min)

Jornada Edgar Morin (29/06/21): https://youtu.be/471i642uHFY

Primeiro de Junho

Primeiro dia do mês do meio ambiente.

Ontem a noite a semana do meio ambiente foi aberta pelo encontro dos ex-ministros do meio ambiente, “Seminário do Meio Ambiente: Política ambiental brasileira e os desafios da sustentabilidade”. A conversa foi na boa direção de gerar ações imediatas!

Vamos acompanhar os movimentos e ativações desse mês crucial!

A Polarização Reina

Num momento em que a polarização reina, falar sobre qualquer tema não gera diálogo e sim o ódio da torcida oposta. E os reféns da mídia não conseguem submergir para ouvir as mais coloridas vozes da nossa interdependência.

A chamada pós verdade impera num ambiente que incendeiam as cognições e quando alguma dissonância aparece no front é logo calada pela nossa atávica dificuldade de lidar com as dissonâncias cognitivas.

Toda essa filosofia acima para dizer que devemos ouvir as vozes que estão sendo caladas para formarmos nossas próprias crenças e, se possível, deixá-las flexíveis a novas vozes.

Tenho escutado regularmente que precisamos ouvir a ciência. É um argumento que subentende que existe uma verdade cientifica e quem não a segue é negacionista. Cabe aqui a pergunta do que seja ciência. Ciência é basicamente a arte de não saber! É a arte de fazer descobertas! O método científico é aquele que confirma uma hipótese através de repetidas tentativas que geram o mesmo resultado. Isso vale até que outra hipótese anule a anterior. Hoje até a lei da gravidade de Newton está sendo cientificamente questionada. Isso para não ir mais longe e falar da matéria escura. Cada área da ciência tem seus diferentes pontos de vista (isso é saudável) por isso dizer que algo é cientificamente comprovado significa apenas dizer que dentro do amplo espectro da ciência aquele experimento específico recebeu a atenção de alguns cientistas. Quanto a COVID 19 não existe nada cientificamente comprovado… nada! Portanto quando dizem que alguma coisa, ligada a pandemia, não tem comprovação científica… estão falando o óbvio! Nada, na pandemia, tem comprovação científica! O que tem comprovação científica se refere aos vírus em geral – lavar as mãos, máscaras distanciamento físico e por aí vai. Nenhuma ciência específica do novo Coronavírus consegui comprovar cientificamente alguma coisa. Portanto a ciência não comprovou de onde veio o vírus, por que existe um percentual grande de infectados assintomáticos, quais remédios ajudam no tratamento, quais não ajudam, quais superfícies retem o vírus por algum tempo e até mesmo a eficácia das vacinas. No entanto diariamente ouvimos que A é cientificamente comprovado e que B não tem comprovação cientifica. O que nos faz acreditar nisso? O que nos faz desacreditar nisso? Na pandemia estamos aprendendo enquanto sofremos suas consequências, estamos construindo o avião no voo. Enquanto os conhecimentos se ampliam, se aumenta, também, nossa ignorância.

Vivemos na infância da espécie humana, os horizontes representados pela biologia molecular, o DNA, a cosmologia começa a se descortinar. Nós não passamos de crianças em busca de respostas, e à medida que a ilha do conhecimento se amplia, se alargam também as margens da nossa ignorância.” John Wheeler

E quanto aos Números?

Uma das distrações que mais contribuem para fazer a gente acreditar que uma informação ou notícia é verdadeira são os números. Parece ciência… mas não é! Tudo nessa sociedade funciona com números. O tempo tem minutos, horas, dias, meses, anos. Qualquer notícia vem acompanhada de números. O dinheiro são números que exercem uma enorme influência no nosso dia a dia. Por mais matemático que os números pareçam são apenas entidades virtuais. Se percebermos a virtualidade dos números estaremos mais próximos de nos libertarmos deles e das “verdades” que nos trazem. Fique tranquilo, a leitura desse texto levará menos de 20 minutos e conterá apenas 1.477 palavras, todas fáceis de entender. Quanto ao tempo que levará refletindo no assunto ficará por sua conta e risco.

Vamos começar com o tempo. Quanto tempo leva para alguém perceber que está caminhado na direção errada? Difícil responder! São tantas variáveis que inviabilizam um cálculo mais preciso. No entanto somos diariamente bombardeados por declarações que prometem nos reconduzir ao caminho certo em pouco tempo. Seja na Saúde – sua dor de cabeça vai sumir tomando esse analgésico – você vai emagrecer 5 quilos em apenas 10 dias com a dieta da moda – beba quanto quiser que o Enganove vai resolver sua ressaca. Na Economia – você terá autonomia financeira em apenas 6 meses criando sua rede de vendas nessa franquia – compre seu televisor em 12 prestações sem juros – baixe o aplicativo grátis – crédito automático de R$ 3.000,00. Na educação – você terá um bom emprego em apenas 12 anos de estudo numa escola e um melhor ainda com mais 4 anos de estudo numa universidade – não fique sem emprego faça um curso profissionalizante de 3 meses e saia na frente – aprenda inglês sem sair de casa em apenas 6 meses. Na política – se eleito vou acabar com a corrupção – sua contribuição sindical vai melhorar sua condição de trabalho – vamos mudar!

Tempo é dinheiro – Essa afirmação é normalmente entendida como o tempo tendo um valor monetário comparativo. Acredito que essa informação significa literalmente que tempo é dinheiro, ou seja, o tempo é igual ao dinheiro. Esse entendimento permite fazer uma analogia maravilhosa que as leis que se aplicam a um… equivalem ao outro. Portanto posso dizer que nos comportamos com o tempo da mesma maneira que nos comportamos com o dinheiro e vice-versa. Como é a sua relação com o dinheiro? E com o tempo?  Está sempre faltando? Você é generoso em doar seu tempo? Seu dinheiro? Você tem tempo sobrando? Você tem gastado dinheiro com o que realmente é importante ou você fica procrastinando? Como você lida com o tempo dos outros? Você nunca se atrasa em encontros?

Pandemia ou Pandemônio?

Estamos num momento de introspecção e de regeneração do nosso Ser, da nossa Alma. 

Para alguns é mais fácil fingir que está tudo bem ou tudo ruim, para não ter que mergulhar na tomada de consciência (awareness). O problema é que vão pagar a conta lá na frente, seja pela saúde ou pela dificuldade de interdependência. Para aqueles que estão numa jornada de busca interior não dá para fingir porque já não conseguimos mais enganar a nós mesmos. Então dói! O que temos que nos trabalhar é para aceitar que a dor é inevitável, enquanto o sofrimento é voluntário.

A nossa dor não é fácil de ser compreendida pelo outro, assim como o “não sofrer” também. Essa certa solidão nos faz pedir ajuda para outros companheiros dessa estrada que o Joseph Campbell chama de monomito (a jornada do herói). 

Também aqui nesse primeiro de junho, com minhas dores e com a atenção voltada para o aqui agora – para não cair na tentação do sofrimento.

Autopoiese de Maturana e Varela

Dois chilenos maravilhosos, ícones do pensamento sistêmico e criadores do conceito de Autopoiese.

Francisco Varela nos deixou, há exatos 20 anos, nesse 28 de maio. Deixando um legado formidável que continua a reverberar até hoje. Ele foi responsável, entre outras coisas, pelos encontros da Ciência com o Budismo do Dalai Lama (Mind & Life) gerando uma infinidade de conhecimentos e sabedorias. Criador do conceito de Autopoiese junto com Humberto Maturana no início dos anos 70. Foram muitos encontros de celebração do Varela, entre eles, a mostra de filmes do diretor Franz Reichle (Monte Grande, Mind & Life e Francisco Cisco Pancho).

Humberto Maturana nos deixou no dia 6 maio passado e tivemos dezenas de eventos em sua homenagem. Hoje à noite tivemos o encontro da Palas Athena com a Lia Diskin. A contribuição de Maturana para o entendimento da vida e dos sistemas que a compõem serão sempre as bases do conhecimento do Ser humano. Durante a pandemia ele participou de dezenas de conversas e entrevistas que ainda tenho muitas para assistir.

Gratidão Humberto Maturana e Francisco Varela!!!!

Para minha Neta

Oi, pequena! Oi, princesa da Natureza! Hoje faz um ano que você chegou, abriu os olhos e chorou pela primeira vez!

Apesar do mundo estar em pandemia, tenho esperanças (do verbo esperançar) que está nascendo uma nova possibilidade civilizatória. Será muito pouco provável que permaneceremos nesse formato destrutivo. Claro que dá medo, claro que não sabemos ainda a direção a seguir. Mas seu avô acredita que a sua geração já estará sendo governada por jovens que acreditarão que a interdependência é a única forma de convivermos em harmonia com a Natureza. Saberão o que todos já deveriam saber hoje… que somos natureza! Como te disse há um ano, será uma nova sociedade voltada para ampliação da consciência e restauração ecológica. Não haverá economia sem ecologia, educação sem aprendizagem, religião sem espiritualidade, política sem cidadania e nem medicina sem saúde.

Você já me ensinou tanto nesses últimos 12 meses! Agradeço sua Presença, seu Ser e sua Paz. Princesa da Natureza… sei que vai ouvir os chamados… sei que vai atender o seu propósito! Sei que te amo!

Primeiro de Maio

Esse texto faz parte do livro que estou escrevendo. Em cada primeiro dia do mês escrevo uma carta, no próprio dia, que será publicada no capítulo de uma retrospectiva do período em que estou escrevendo esse livro. Segue a carta relativa ao mês de abril de 2021:

Bom dia, primeiro de maio!

Bom dia, incertezas!

Na França é o dia de se desejar alegria e boa sorte presenteando a família e os amigos com a flor Muguet (lírio do vale). Dizem que a tradição remonta aos Celtas e os Romanos. Acredito que todos nós estamos precisando de alegrias e de boa sorte! Allez Bonheur!

As incertezas são tantas que seria mais prático a gente se render (com bandeirinha branca e tudo) e ficar confortavelmente sabendo que não sabemos nada. O que muda? Qual seria o problema? Estaríamos mais perto ou mais distantes da nossa verdade? Estamos assistindo a um desfile de certezas incertas. Quando alguém diz que está seguindo a ciência, o que isso quer dizer? Os cientistas pesquisam e chegam a conclusões diferentes, muitas vezes opostas. Então qual ciência seguir? São tantas! Quando alguém diz que está sendo guiado pela religião, o que isso quer dizer? São tantas as incertezas entre cientistas, médicos, religiosos, economistas, biólogos, ambientalistas, agricultores, jornalistas, professores, políticos, terapeutas… a lista não termina. Por que então, acreditamos que há alguma certeza, além de vamos morrer? O meu bom dia para as incertezas de hoje foi inspirado num texto que o Edgar Morin, publicou (Gallimard) há um ano em 21 de abril de 2020. Sim esse Edgar Morin que vai fazer 100 anos daqui dois meses. Cada parágrafo do seu texto merece uma parada para reflexão. O texto se chama – Um Festival de Incerteza – e começa assim:

“Todas as futurologias do século XX que previam o futuro com base nas correntes que atravessavam o presente fracassaram. Contudo, continuamos a prever 2025 e 2050 mesmo que sejamos incapazes de compreender 2020. A experiência das irrupções do inesperado na história não penetrou nas consciências. A chegada do imprevisível era previsível, mas não sua natureza. Daí minha máxima permanente: “espere pelo inesperado”.”

Em outro trecho – e paro por aqui – ele fala do que esperar do pós pandemia. Lembrem-se foi publicado em abril de 2020!

“Os desconfinados retomarão o ciclo cronometrado, acelerado, egoísta, consumista? Ou haverá um novo renascimento da vida convivial e amorosa rumo a uma civilização na qual se desenvolve a poesia da vida, onde o “eu” floresce em um “nós”?

Não podemos saber se após o confinamento novos caminhos e ideias vão desabrochar, ou mesmo revolucionar a política e a economia, ou se a ordem abalada se restabelecerá. Podemos temer fortemente a regressão generalizada observada já durante o curso dos vinte primeiros anos deste século (crise da democracia, corrupção e demagogia triunfantes, regimes neo-autoritários, retomadas nacionalistas, xenófobas, racistas).”

Será que a gente toparia ficar numa postura de simplesmente seguir o fluxo da vida, acreditar nas sincronicidades da vida? Simplesmente buscar, dentro da gente, o sentido de existir… de viver a vida!

Há cinco meses escrevi seis questões que emergiram na pandemia para exercitarmos ficarmos diante da nossa verdade, do que acreditamosem cada uma delas. Os cientistas e médicos tinham posições opostas a essas questões. Vejam ou revejam qual a sua verdade hoje. Elas refletiam o conflito de certezas em novembro de 2020. Acrescentei duas.

Verdade 1 – A transmissão do vírus veio pelo pangolim ou foi produzido em laboratório?

Verdade 2 – Cloroquina funciona ou faz mal?

Verdade 3 – As máscaras para o cidadão saudável são úteis ou inúteis?

Verdade 4 – As vacinas, no Brasil, virão no próximo mês ou no segundo semestre de 2021?

Aqui havia uma polarização quanto ao tempo que levaria para a maior parte dos brasileiros serem vacinados e voltarmos a uma vida “normal”.

Verdade 5 – As escolas devem abrir ou fechar?

Verdade 6 – Os números de casos e óbitos divulgados estão corretos ou incorretos?

Verdade 7 – As vacinas são confiáveis ou não são?

Verdade 8 –Quem já contraiu o COVD19 tem chance de pegar novamente ou são casos raros?

Esse exercício é apenas para a gente olhar para nossas certezas e incertezas. De verdade, não importa qual a resposta. O importante é perceber se onde você tem certeza existe espaço para ouvir uma outra certeza diferente e considerar genuinamente a possibilidade de mudar de ideia. Não é simples! Quando aparecem evidências de que o que você acredita não é verdade, ocorre uma dissonância cognitiva. Somos programados a não ficar confortável com essa dissonância e a partir daí criamos histórias (narrativas) para amenizar ou mesmo eliminar essa dissonância. Somos bons nisso! Como acreditamos nessas histórias que criamos não conseguimos entrar em contato com a beleza e possibilidades das incertezas. Ressignificar é uma oportunidade maravilhosa de seguir o fluxo de uma vida que está a nossa espera e… viver a vida!

“A gente precisa se dispor a abrir mão da vida que planejamos a fim de encontrar a vida que espera por nós.” Joseph Campbell

Para dificultar mais ainda nossa relação com essas certezas e incertezas, existe uma manipulação proposital para que passemos a pensar dessa ou daquela maneira, para que façamos dessa ou daquela forma que nos induzem. Entre todas as tragédias que estamos vivendo a DESINFORMAÇÃO é a pior delas! Se fosse falta de informação não seria tão grave… desinformação e a manipulação das informações são o que há de mais desumano! E isso em nome do poder e da ganância. Não sei como a história vai registrar esse período, não sei se haverá centenas (talvez milhares) de condenados por crimes contra humanidade. Não sei como milhares de pessoas conseguirão apagar os rastros de suas manifestações que contribuíram para esse desastre mundial, para que seus netos não se envergonhem de tamanha falta de noção herdadas em seu DNA. Não sei como ficarão as pessoas que não contribuíram diretamente para ajudar, de alguma maneira, a humanidade e ficaram apenas reclamando da culpa dos outros. Seja pela busca de benefício próprio, corrupção ou apenas banalidade do mal (conceito Hannah Arendt).

Não sei… só sei que não sei!

Celebramos o Dia da Terra, no dia 22 de abril. Celebramos? Tivemos a Cúpula do Clima promovida pelo governo americano. Eles querem ser protagonistas da emergência climática. Por um lado, uma boa notícia, por outro um risco de ficar no “business as usual”. E o Brasil? Quando nosso presidente (sim, nosso!) discursava seus sete minutos, ao lado de um ministro que deveria estar defendendo o meio ambiente, que – um ano antes – exatamente no dia 22 de abril declarou que deveriam aproveitar que estavam todos distraídos com a pandemia, para “passar a boiada” e… foi exatamente o que fez! Uma devastação sem precedentes, começando com a desmobilização dos órgãos de proteção. Um ano depois está pleiteando receber recursos para seu plano de defesa da Amazonia. A sociedade civil reagiu fortemente a essa tentativa de ludibriar o mundo. Veremos os resultados até junho, o mês do meio ambiente. Veremos, também, nossa posição na COP26 em Glasgow (Escócia) em novembro. Isso tudo é surreal!

Envio muitas Muguets para trazer alegria e boa sorte a todos nós!

Primeiro de Abril

Esse texto faz parte do livro que estou escrevendo. Em cada primeiro dia do mês escrevo uma carta, no próprio dia, que será publicada no capítulo de uma retrospectiva do período em que estou escrevendo esse livro. Segue a carta relativa ao mês de março de 2021:

Foi no dia 1º de abril de 2020 que comecei a publicar minhas cartas mensais. Será que alguém teria a mínima condição de imaginar que estaríamos onde estamos hoje, um ano depois? Lembram-se que em março de 2020 estávamos adiando os eventos presenciais? Falávamos em dois ou três meses… alguns mais pessimistas adiavam para o segundo semestre de 2020. Quem acreditaria que um ano depois estaríamos muuuito pior. Há um ano, em março, passamos a primeira quinzena acreditando que não havia vítimas fatais. No mês de março de 2020 tivemos notificados 201 óbitos no mês inteiro. Enquanto apenas hoje (quinta-feira) tivemos 3.769 óbitos notificados, só nas últimas 24 horas!  

Nos últimos dois dias tivemos notícias de mais absurdos na política – não dá para se acostumar – e notícias de mais destruição de nossas florestas. Com a pandemia desacelerando a devastação das florestas… o Brasil conseguiu, novamente ficar em primeiro lugar no ranking mundial (segundo dados da plataforma Global Forest Watch do WRI anunciados ontem) aumentando em 25% a destruição das florestas em 2020 em comparação com o ano anterior (que foi absurdamente alto). O Brasil destruiu três vezes mais que o segundo colocado no ranking. O resultado saiu nas principais mídias do mundo todo. Global Forest Watch: https://blog.globalforestwatch.org/data-and-research/global-tree-cover-loss-data-2020https://blog.globalforestwatch.org/data-and-research/global-tree-cover-loss-data-2020

 Voltando a carta de abril, de um ano atrás, escrevi que estávamos vivendo sintomas de incontinência virtual e esperava que não piorasse mais. Mal sabia que isso teria múltiplas consequências, se agravando cada vez mais até os dias de hoje.

Nessa carta também apresentei algumas visões do que eu via se desenhando no horizonte para iniciarmos a próxima década, que começou em primeiro de janeiro de 2021. Reli cada uma das visões e as mantenho tal qual foram escritas.

– A medicina vai finalmente evoluir para cuidar prioritariamente da prevenção ao invés das doenças. Vai se tornar amplamente colaborativa e completamente sem fronteiras. Levará em conta ciência, tecnologia e principalmente culturas. Cuidará fundamentalmente do DNA ao estilo de vida, da alimentação ao ar que respiramos, da meditação à movimentação, da autoestima à psicologia.

– A economia não conseguirá manter seu atual modelo estrutural. O jogo já mudou! Quem tentar jogar com as regras antigas logo perceberá que terá que se tornar alguém detestável para si mesmo e para os outros. Poucas pessoas ficam confortáveis nessa posição. O medo e a insegurança com a sobrevivência vão retardar o pleno funcionamento de uma economia com uma cultura de Gift.

– As escolas nunca mais serão as mesmas. Vamos finalmente sair das metodologias do século XIX para entrar nas condizentes com o século XXI. Quem poderia imaginar que os sistemas de aprendizagem iriam dar esse salto quântico através desse artifício? Quem diria que o conhecimento não estaria mais atrelado a memória e sim a sabedoria? A Educação será livre, com janelas sem salas, com notas de músicas, com folhas da natureza e principalmente com muito amor.  

– A política dos políticos ainda sobreviverá mais algumas primaveras enquanto houver a crença de que o sistema eleitoral tem alguma coisa a ver com a democracia. A política vai migrar dos políticos para a sociedade civil. E as políticas públicas serão decididas pontualmente através da participação dos interessados devidamente qualificados. Em pouco tempo os políticos serão substituídos por uma nova geração de políticos conectados com a sociedade civil.

– A religião, no geral, terá dificuldades de manter o véu da ignorância como força motriz da maioria de seus seguidores. Apesar da imensa fome por algo que explique o inexplicável, por um sabor de pertencimento, por um alimento para a alma… a busca será mais ouvindo a voz de dentro do que a palavra dos gurus. Você, finalmente, será seu próprio guru!

Esses cinco pontos continuam fazendo parte da minha visão que foram ampliados nesse livro.

Aniversários:

Hoje, 1º de abril, o Psicodrama faz 100 anos! Joseph Levy Moreno, criador da técnica terapêutica do Psicodrama é também pai de muitas ideias e inovações que estão hoje integradas em nosso dia a dia e nem nos damos conta. A terapia de grupo foi uma de suas contribuições mais significativas a todas as terapias. A Socionomia, ou estudo das relações é a mãe das redes sociais de hoje. Pois é… Facebook, Instagram, Google, Twitter, Whatsapp tem tudo a ver com o Moreno. Procurem por Sociodinâmica, Sociometria e Sociatria. Dizem que em 1912 num encontro com Freud, lhe disse que enquanto ele (Freud) analisava os sonhos, ele (Moreno) dava coragem para sonhar e novo.  

A Federação Brasileira de Psicodrama (Febrap) editou um vídeo para celebrar os 100 anos do Psicodrama: https://youtu.be/LAFFreYwHHY

Em março saiu o livro Psicodrama Virtual, com vários autores em que fui convidado para escrever um capítulo. O Psicodrama em si é virtual e por isso acredito, pelo que vivenciei nesse último ano, no que o JL Moreno dizia: que o Psicodrama no século XXI será a terapia que a Psicanálise foi para o século XX. Sou um apaixonado pelo Psicodrama!  

Hoje, 1º de abril, é o aniversário do segundo Golpe Militar do Brasil realizado em 1964. Apesar de ainda existirem pessoas acreditando na versão editada, João Goulart ainda estava no poder na manhã do dia primeiro. O golpe (ou revolução) só acontece quando o governante é deposto. Não importa se houve alguma movimentação no dia anterior, na semana anterior ou mesmo no ano anterior com a gravação do John Kennedy insinuando uma intervenção militar no Brasil. A questão de inventar uma mentira para escapar do dia da mentira é de uma ironia histórica. Mudar uma data histórica para acomodar qualquer que seja a narrativa é um gesto, no mínimo, desonesto. Não podemos mudar a data da queda do muro de Berlim, das Torres Gêmeas ou de qualquer outro acontecimento histórico.

Precisamos também entender que há militares e militares. Dizer simplesmente “militares” seria o equivalente a dizer “Cristãos”. Há Cristãos Evangélicos, Católicos, Protestantes… e muitos outros. Dentro dos Evangélicos tem também outras divisões. Portanto temos que ter cuidado para não generalizarmos os militares… com o perdão do trocadilho.

Encerro esse texto desejando que possamos ultrapassar as fronteiras que nos limitam. Que possamos ampliar a consciência para perceber o quanto não sabemos… e que tudo bem! 

Primeiro de Março

Esse texto faz parte do livro que estou escrevendo. Em cada primeiro dia do mês escrevo uma carta, no próprio dia, que será publicada no capítulo de uma retrospectiva do período em que estou escrevendo esse livro. Segue a carta relativa ao mês de fevereiro 2021:

Reli o texto que escrevi em primeiro de março de 2020. Foi numa outra era. Você consegue se lembrar como e onde você estava em primeiro de março de 2020? Não me refiro a março de 2020 e sim ao dia 1º de março de 2020. Ou seja, antes de ser decretada a pandemia, antes da primeira morte no Brasil, antes de qualquer indício real de que o mundo inteiro iria parar. Ao mesmo tempo, pouquíssimo tempo antes de tudo isso acontecer. Vou reformular a pergunta: Você consegue se lembrar quem você era em primeiro de março de 2020?

Vou reproduzir o início dessa carta que é no mínimo… curiosíssima.

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“Hoje, primeiro de março de 2020

A semana do Carnaval termina hoje e amanhã é quando, pejorativamente, se diz que o Brasil começa a trabalhar. A questão da sustentabilidade nunca esteve tão mal e olha que já esteve inacreditavelmente mal nos últimos 10 anos. O que será necessário para que esse jogo vire no Brasil e nos EUA? O principal é saber que TODOS nós podemos fazer alguma coisa, por menor que seja. Se ficarmos apenas reclamando estaremos sendo cumplices dessa tragédia.    

Na carta de fevereiro subestimei o possível impacto do novo Coronavírus no mundo. Não havia casos de mortes fora da China e nem nome o vírus tinha. Mantenho a ideia de que as mídias vêm gerando um pânico que em nada ajudam. Acredito, também, que já estamos num estado de pandemia apesar de não ter sido declarado ainda. Em 27 de janeiro escrevi no WhatsApp respondendo para minha filha (grávida) que perguntava se eu tinha alguma orientação quanto ao novo coronavírus. Respondi:

Todo ano tem algo assim.

Eu ainda não estou nem um pouco preocupado. Se isso mudar te aviso.

Um dia um deles (vírus) vai ser uma pandemia. Não acho que será esse. De qualquer maneira a melhor coisa a fazer é ficar fisicamente bem… muito bem!  Dormir bem, não “comprar” situações de stress, tomar meio limão por dia e umas 20 a 30 gotas de própolis por dia. O grande problema do coronavírus, ao contrário dos outros, é que ele é contagioso quando ainda não saíram os sintomas… ou seja duas semanas antes dos sintomas aparecerem. Se acontecer (acho improvável) de conhecer alguém que conhece alguém infectado precisa ficar longe do networking (rede de relacionamentos) dessas pessoas e os cuidados da saúde serem de uma pessoa paranoica por, pelo menos um mês depois que soube.

No mesmo dia 27 de janeiro, só lembrando que 99% dos 2.800 casos estavam na China e que os EUA tinham apenas 5 casos (reportados), nenhum em Nova York e todos de pessoas que vieram de Wuhan/China, minha filha perguntou se eu achava que era suave ela ir para Nova York.

Por enquanto sim. Se o negócio se espalhar de uma forma perigosa deve rolar de março para abril. Os números estão subindo dessa maneira assustadora, mas é que acabaram de identificar o vírus e os casos estão emergindo (ficando visíveis). Acredito que será contido. De qualquer maneira VOCÊ deve viajar de máscara. Menos pelo risco desse vírus e mais pelo risco dos outros 50 que estão sendo espalhados diariamente. Nenhum perigoso em si, mas vários tem indicação de antibióticos e outras medicações desaconselháveis para minha neta.

Vale a pena passar o desconforto ou vergonha. Não é um custo alto a pagar pela prevenção. Declare que você não está doente, mas está grávida e não quer pegar uma gripe ou virose. Ordens do seu médico! Aliás fale com ele. Deve estar muito mais bem informado do que eu.

Poucos dias depois, no dia 3 de fevereiro onde um dos infectados nos EUA estava recebendo alta do hospital. As mortes tinham crescido de 83 para 426, sendo que 425 da China (maioria da província de Hubei) e uma nas Filipinas sendo que era um Chines de Wuhan (província de Hubei) de 44 anos que tinha se infectado antes de chegar nas Filipinas. Escrevo recomendando que não faça a viagem, mas não pelo perigo do novo vírus.  

Acredito que a mídia está causando esse pânico. Só se fala nisso. Para os governos é ótimo desviar a atenção do Brexit, da ameaça nuclear, do impeachment, dos descalabros no Brasil, do Bibi, do sarampo, das mudanças climáticas e de tantas outras coisas realmente importantes. Continuo achando que se houver perigo será a partir de abril. Continuo achando que pelo contágio ter que ser direto (gotículas quando fala ou tocar coisas que receberam essas gotículas) é muito fácil se proteger nesse estágio da doença. Álcool gel muitas vezes. Prestar atenção para não levar as mãos a boca. Enfim acho que não há risco real. PORÉM… acho que há risco de pegar um resfriado ou uma virose. PORÉM… como está esse pânico no ar, qualquer sintoma vai gerar um medo no grupo e no entorno.

Acredito que com esse nível de medo vocês não deveriam ir. A razão é psicológica e não por um perigo real. Mas é uma razão válida!

Você talvez passe por um stress desnecessário se alguém pegar um resfriado.

Minha humilde opinião é que vocês não deveriam ir.

O que preocupa são as declarações e as possíveis medidas que tomarão os governantes dos EUA e do Brasil, que atualmente estão fazendo pouco caso do assunto.

Embarco nessa quarta para o México (Durango) para participar do World Sustainable Development Forum (WSDF 2020) que além da importância do evento que segue na direção da implementação do acordo de Paris e das ODS, deverá homenagear o organizador e importante ambientalista Rajendra Kumar Pachauri. Muitos encontros e projetos estão sendo costurados desde a Cúpula do Clima em setembro passado em Nova York. Tenho esperança! Esperança do verbo esperançar!

“É preciso ter esperança, mas ter esperança do verbo esperançar; porque tem gente que tem esperança do verbo esperar. E esperança do verbo esperar não é esperança, é espera. Esperançar é se levantar, esperançar é ir atrás, esperançar é construir, esperançar é não desistir! Esperançar é levar adiante, esperançar é juntar-se com outros para fazer de outro modo…” Paulo Freire

O mês de fevereiro foi particularmente….”

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Voltando ao primeiro de março de 2021, fico especialmente emocionado de reler a carta que escrevi para esse livro porque revela a minha completa falta de percepção da dimensão do que vinha vindo e ao mesmo tempo revela as pedras que deixei no caminho até aqui. Foi só no mês seguinte (abril) que passei a publicar (sem divulgar) essas pedras em forma de palavras e ideias que me acompanham nesse caminho que estou compartilhando.

No dia 11 de fevereiro celebrei os 30 anos de encontro com a minha cara-metade. Com certeza a coisa mais importante que aconteceu na minha vida. Agradeço a muita coisa dessa vida que foi muito generosa comigo, encontrar a Deborah foi uma iluminação que gerou e gera o viver a vida. Viver a Vida em versão original! Esse é também o título do livro que conta a nossa história e que nesse mês ganhou um formato digital. Fiquei na dúvida de escrever a palavra “coisa”, existem preconceitos com ela. Olhando rapidamente no Ecosia (a versão ecológica do Google que sempre uso) descobri o quanto ela é versátil e tem muuuuitos significados. Ela pode ser substantivo, adjetivo, advérbio e até verbo. O significado que mais encontrei foi: “Tudo o que existe ou que pode ter existência”. Não é demais? Portanto mantenho que encontrar a Deborah foi a coisa mais importante da minha vida!

Hoje de manhã, assisti ao Davos Lab Brasil na TV Folha. Foi muito bom! O que sempre me impressiona são aquelas pessoas que ficam no chat jogando palavras de ódio. Elas entram para isso! O que faz alguém entrar num evento que não aprecia e ficar falando mal de tudo e de todos? Com tanta coisa importante para fazer o que faz alguém perder tempo e energia com isso? Vamos excluir as pessoas que se submetem (banalidade do mal) a receber dinheiro para fazer atos destrutivos e aos robôs programados para isso. Ainda resta uma quantidade enorme de pessoas que covardemente, em seu anonimato, insistem em disseminar vibrações negativas. Existem pessoas que preferem torcer para que o time do outro perca do que o seu ganhe. Estranho, né? Vota num outro candidato para que o que não gosta perca. Sim, parece surreal, mas é a realidade! Uma pessoa escolhe um candidato de sua preferência, mas não vota nele porque acredita que deve votar no candidato que as pesquisas mostram que tem mais chance contra um do qual é contra. Com isso, sempre ganha um candidato que não é o da sua preferência! Como pode uma coisa dessas ser boa para a democracia? Por que as pessoas, na sua maioria, escolhem ser do contra? Como elas fazem para se justificarem consigo mesmas? A resposta é reduzindo a dissonância cognitiva, através de artifícios imaginários (histórias). Essa é uma das abordagens deliciosas que apresento nesse livro.   

No mês passado deixei uma palavra no ar: Percepção! Acredito que ela seja a essência do que é esse livro. A nossa realidade – nossa mesmo – é moldada pelas percepções do que acreditamos.

Hoje comecei um curso sobre “Perspectivas”. O curso é baseado nas forças de caráter da Psicologia Positiva criada por Martin Seligman. A Perspectiva é uma força de caráter da virtude da Sabedoria. Aprendi hoje a definição que é “Ser capaz de oferecer conselhos sábios aos outros; ter maneiras de ver o mundo que façam sentido para si e outras pessoas.”     

Ggostaria de deixar um link para um vídeo do Yuval Harari falando (em inglês) para jovens de uma escola multicultural no Japão. Tenho tido o privilégio, por conta desses momentos da pandemia, de ouvir uma conversa dele toda semana. https://youtu.be/9drNVSuyp0w

O que me preocupa mais nesse momento da pandemia são os médicos e os profissionais de saúde da linha de frente. Eles já passaram do ponto de “não retorno” para o Burnout, estresse e outras enfermidades. Temos que olhar sistemicamente para cuidar dos cuidadores porque se continuarmos nesse ritmo, além da tragédia individual desses profissionais teremos uma falta desses heróis para atender a demanda.

Que a força esteja com vocês!

Primeiro de fevereiro

Como é? 2020 não acabou?

A gente não estava atrelando 2020 com a pandemia?

Fico pensando como esse período vai entrar para a História. Claro que depende da linha do seu historiador favorito. Toda a História é contada de diversas maneiras, com narrativas e fatos próprios de quem conta. Como você vai contar essa história?

Eu, hoje, não conseguirei contar nada. O dia foi de mudança… literalmente de mudança. Estou com poucos minutos para cumprir minha promessa de escrever todo dia primeiro de cada mês, enquanto estiver escrevendo esse livro.

Hoje deixo uma palavra no ar: PERCEPÇÃO!

Primeiro de Janeiro

Esse texto faz parte do livro que estou escrevendo. Em cada primeiro dia do mês escrevo uma carta, no próprio dia, que será publicada no capítulo de uma retrospectiva de 2020. Segue a carta relativa ao último mês de 2020:

Hoje, primeiro dia da terceira década do século XXI, me sinto como se o ano de 2020 tivesse durado uma década. O que foi esse ano? O que foi para você esse ano?

Será que alguém conseguiu entender o que realmente aconteceu? Como aconteceu? Como será que olharemos o ano de 2020 em primeiro de janeiro de 2031?

Vou ter que falar dos aprendizados com a própria pandemia. Não poderia ser diferente.

Algumas coisas “saltam aos olhos”. Em primeiro lugar quero enfatizar a nossa necessidade de acreditar em números, mesmo que saibamos que eles não sejam reais. A mídia passou a pandemia toda promovendo, diariamente, números que são sabidamente equivocados. Para que os números de casos, internações e mortes causados pelo Sars-CoV-2 fossem próximos do real, teríamos que ter uma combinação de fatores mensuráveis quase impossíveis hoje. Por exemplo teríamos que ter muito (mas muito mesmo) mais testes realizados; os testes teriam que ser confiáveis; as subnotificações precisariam ser contabilizadas; o viés econômico da saúde e da política precisariam ser contados ou descontados. O mais grave não é a geração e divulgação dos números e sim acreditarmos neles! Com isso, no mundo, estamos em segundo lugar em quantidade de mortes e em terceiro em números de casos. O que isso quer dizer? Nada! Simplesmente nada! A forma de contabilizar de cada país é diferente e só por isso não teria razão de ser em compará-los. Vamos fingir que os números estão corretos e são comparáveis só para pensarmos um pouco por outro ângulo do habitualmente divulgado pelas mídias. Se olharmos os números de mortes pela proporção de habitantes (o que deveria ser o mais justo), o Brasil iria para a 23ª posição, os EUA para a 14ª e a Índia para a 98ª. Em termos de testes realizados relativos à população, o Brasil está em 100º lugar. Vivemos momentos surreais com os números. No primeiro semestre ficamos apavorados com o crescimento vertiginoso das mortes que chegavam a mais de 100 por dia. No segundo semestre chegamos a nos acalmar com a estabilização de 1.000 mortes por dia… já podíamos respirar! Durante a eleição o vírus deu uma trégua… como assim? Agora em dezembro os números voltaram a subir, mas se não temos como compará-los com os meses anteriores…  Quanto mais nos aprofundamos nas métricas, mais percebemos que elas não significam o que acreditamos. Fica a pergunta: por que precisamos acreditar em números? O livro navega pelas diversas possíveis respostas. Os números devem variar a cada dia, usei um dos indicadores: o “Worldmeters” no dia 1 de janeiro de 2021. https://www.worldometers.info/coronavirus

A segunda coisa a “saltar os olhos” é quanto as recomendações sanitárias. Para alguns era apenas uma gripezinha, para outros o fim do mundo. Para alguns o uso de máscara era recomendado, para outros só os doentes. Para alguns o vírus era perigoso nas lojas, para outros nos parques. Para alguns as escolas deveriam fechar, para outros abrir. Vivemos em 2020 a maior confusão por parte do que fazer, como, quando e onde. O que ficou claro é que nada estava claro! As recomendações eram tão antagônicas que dificilmente mereciam ser levadas a sério. Mas o pior de tudo isso foi (e ainda é) a repugnante condição humana de aproveitar uma tragédia dessas para praticar ações criminosas em benefício próprio lesando a humanidade e o seu entorno. Desde “passar a boiada” até artimanhas de alguns laboratórios. Estamos num momento tão atípico que o conceito de “banalidade do mal” de Hannah Arendt fica evidente diante do medo e das incertezas de futuro. As pessoas se dissociam do seu papel de responsáveis pelas ações que cometem, sentem que não são cumplices do mal que suas ações contribuem. Alguém que trabalha numa indústria que produz agrotóxicos que vai contaminar consumidores, agricultores, o solo e as águas, não se sente responsável pelas consequências que suas ações, por menor que sejam, causaram. No geral, alguém trabalhando numa mineradora não sente responsabilidade quando um crime arrasa uma região do tamanho de Portugal ou mata centenas de pessoas. O mesmo ocorre com uma pessoa que apoia um candidato, ela não se sente responsável por ter colaborado, seja mais intensamente ou apenas com o voto. Impressionante como alguns até se opõe fortemente, com seus eleitos, como se não tivessem nada a ver com aquele resultado. Essa é a banalidade do mal que faz com milhões de pessoas colaborem com o mal sem se sentirem responsáveis por esse mal. As palavras de Martin Luther King “Teremos que nos arrepender, nesta geração, não apenas pelas palavras e ações odiosas das pessoas más, mas pelo aterrador silêncio das pessoas boas.”, se encaixam perfeitamente no que está sendo feito aproveitando o medo gerado pela pandemia. Isso está ocorrendo no mundo! O Brasil, lamentavelmente, se destaca nessa área.

A terceira e talvez a mais importante constatação é a da ditadura da polaridade. Ela existe há muitos anos e nos últimos seis vem crescendo exponencialmente através das manipulações da mídia, principalmente das mídias sociais. O início dessa modalidade de manipulação começou em 2014 nas eleições brasileiras, depois foram profissionalizadas em 2016 no referendum do Brexit (que aliás começa hoje), na eleição americana de 2016 e foi crescendo extraordinariamente a ponto de ser muito difícil separar o joio do trigo. A pandemia fez emergir a parte mais obscura desse fenômeno que é a imbecilidade de rebanho. Trata-se de uma simplificação do pensamento e a erradicação do diálogo. Nada de pensamento sistêmico ou de frescura com filosofia. É nós ou eles! Simples assim! Você é a favor ou contra! Comportado ou rebelde! Certo ou errado! Normal ou anormal! Sadio ou doente! Esse modelo mental é tão absurdo, apesar de ser violentamente defendido, que me faz pensar o que seria dos computadores se essa prática binária fosse aplicada a eles. Um computador só entende ligado ou desligado (zero 0 e um 1). Passa energia ou não passa energia. No entanto a combinação de possibilidades de 0 e 1 é gigantesca permitindo existir tudo que temos até hoje com apenas diálogos entre ligado e desligado. Essa redução da complexidade humana nos faz perder a possibilidade de fazer as combinações imaginativas que tanto necessitamos para sobreviver a essa crise civilizatória. Ficamos reduzidos a ter que dizer se somos contra ou a favor da vacina contra o novo coronavírus. Como se fosse possível responder essa pergunta sem saber quais das mais de 100 vacinas estão se referindo, quais os resultados dos testes que estão sendo realizados, quais os riscos e muito mais. No entanto se você começar a fazer perguntas, você é considerado ser contra vacinas e provavelmente vacinas em geral. Isso está valendo e cada vez pior para tudo.

Acredito que o ano de 2020 foi um marco civilizatório. Vamos percebê-lo degustando, aos poucos, seu legado.

Seremos culturalmente mais colaborativos em cores, gênero, número e grau!

Primeiro de Dezembro

Pangolim

Esse texto faz parte do livro que estou escrevendo. Em cada primeiro dia do mês escrevo uma carta que será publicada no capítulo de uma retrospectiva de 2020. Segue a carta desse mês:

Estamos entrando no último mês da segunda década do século XXI. Onde estamos? Sabemos quem somos individualmente e ou coletivamente? Temos alguma ideia de como será o caminho civilizatório da terceira década deste século, que começa em janeiro? O que aprendemos em 2020? O que mudou? Quais são as verdades que adquirimos, quais foram ressignificadas e quais foram confirmadas?

Todas essas verdades são a nossa necessidade de ter explicações para tudo. Por que precisamos de explicações? Por que acreditamos nas explicações? Será que escolhemos em quais explicações acreditar ou somos levados a acreditar? Por que acreditamos em apenas uma das explicações?

Conforme prometido em minha carta do mês passado, vou trazer alguns exemplos para cutucar nossas verdades.

Antes de começar quero repetir o que o Arthur Schopenhauer disse:

“Toda verdade passa por três estágios.
  No primeiro, ela é ridicularizada.
  No segundo, é rejeitada com violência.
  No terceiro, é aceita como evidente por si própria”

Para não entrar em questões como a de que a Terra é plana ou redonda, nem se comer animais faz bem ou mal, vamos escolher um tema atual que não sai da pauta geral da humanidade deste ano: a pandemia! Vamos questionar… apenas questionar, nossas atuais verdades sobre a pandemia. Apenas um exercício que pode nos exemplificar como tudo é uma questão de percepção.

Verdade 1 – A transmissão do vírus veio pelo pangolim ou foi produzido em laboratório?

A tese inicial foi que o vírus SARSCoV2, foi transmitido por um pangolim num mercado na cidade de Wuhan (China) que vendem animais de todo tipo para serem consumidos. Algumas variações dessa explicação ocorreram se referindo a outros animais, mais preponderantemente ao morcego. Outra tese paralela apareceu dizendo que o vírus acidentalmente escapou de um laboratório em Wuhan. Essa tese ficou taxada como uma teoria da conspiração. O que elevou essa tese a uma explicação possível foi o depoimento da médica virologista chinesa, Li-Meng Yan, com declarações plausíveis. Nem vou trazer a questão de quando a disseminação começou… Qual a verdade, nesse assunto, que você acredita e expressa? O quanto você acredita que sabe sobre isso?

Verdade 2 – Cloroquina funciona ou faz mal?

Nessa questão aparecem até motivações políticas. Se você torce para um time acredita numa coisa e se torce para o outro acredita em outra. Chega a ser engraçado. A cloroquina foi recomendada bem no início pelo infectologista francês Didier Raoult, da Universidade Aix-Marseille. Algum tempo depois ele foi fortemente atacado dizendo que a não só a cloroquina (ou hidroxicloroquina) não funcionava como tinha altos riscos para o paciente. Durante os últimos 9 meses esse assunto foi de um lado para outro com decisões opostas em cada país, em cada hospital e em cada médico. As principais questões são se funciona, se o médico tem liberdade para prescrevê-lo, se seria uma campanha de difamação bancada pela ganância dos laboratórios e se as políticas públicas de saúde deveriam incluí-lo nas opções de tratamento. Qual a verdade, nesse assunto, que você acredita e expressa? O quanto você acredita que sabe sobre isso?

Verdade 3 – As máscaras para o cidadão saudável são úteis ou inúteis?

No início da proliferação do vírus a recomendação era só usar a máscara se você estivesse com sintomas da doença. Depois foi migrando para o uso geral em locais fechados e com o tempo foi se estabelecendo regras das mais variadas. O uso, em alguns lugares, passou a ser obrigatório mesmo ao ar livre e principalmente para quem corria ou andava de bicicleta. Para complicar um pouco mais a questão das máscaras, as pesquisas mostraram as diferenças de proteção de cada tipo de máscara eram significativas. Mesmo com a obrigatoriedade do uso da máscara muita gente não a usava, será que é uma falta de cidadania e de educação ou é uma ação de ativismo contra a obrigatoriedade? Qual a verdade, nesse assunto, que você acredita e expressa? O quanto você acredita que sabe sobre isso?

Verdade 4 – As vacinas, no Brasil, virão no próximo mês ou no segundo semestre de 2021?

Estamos falando das escolhas do Brasil na vacina de Oxford e da chinesa Sinovac. Ou não? Será que dá para incluir a da Moderna e da Pfizer? O que significa vacinar os brasileiros? Começaremos pelos profissionais de saúde? Pelo grupo de risco? Como será o transporte das vacinas? Precisará refrigeração ou algum cuidado mais técnico? Quantas pessoas serão necessárias vacinar para que a gente possa se considerar protegidos? Existe algum risco em tomar essas vacinas por terem sido produzidas em tão pouco tempo? Qual a verdade, nesse assunto, que você acredita e expressa? O quanto você acredita que sabe sobre isso?

Verdade 5 – As escolas devem abrir ou fechar?

Os médicos estão atordoados em tentar responder essa questão. Os que estudaram profundamente as pesquisas e acompanharam casos relacionados às escolas têm opiniões totalmente opostas. Adoraria mostrar duas lives, que assisti, de médicos pediatras bem conceituados com visões completamente diferentes um do outro. Mas o exercício aqui é de emergir as verdades de cada um de vocês que estão lendo esse texto e se perguntarem se a sua verdade pode ser apenas sua percepção da verdade. Nessa verdade sobre a questão de abrir ou fechar as escolas, tem várias nuances como a idade dos alunos, a arquitetura da escola, os cuidados programados pela escola, a escolha dos pais, o risco para os professores, a precariedade do online e assim por diante. Qual a verdade, nesse assunto, que você acredita e expressa? O quanto você acredita que sabe sobre isso?

Verdade 6 – Os números de casos e óbitos divulgados estão corretos ou incorretos?

Corretos: Os números são a compilação de cada secretária de saúde municipal, compiladas pelo estado e consolidadas pela união, se tiver um erro ou outro é insignificante dentro dos mais de 5.500 municípios brasileiros.

Incorretos: Como é possível saber quantas pessoas foram infectadas se não se testa quem não tem sintomas graves? O número de óbitos não leva em consideração um enorme contingente de mortes não notificadas, principalmente entre as pessoas de renda mais baixa e de localidades com restrição de acesso à hospitais.

Corretos: Se os números não fossem corretos, como se explicaria esses nove meses de monitoramento e decisões de gestão pública baseada neles?

Incorretos: Inacreditável que depois de nove meses de comprovação da inutilidade desses números, ainda tenha pessoas acreditando neles.

Qual a verdade, nesse assunto, que você acredita e expressa? O quanto você acredita que sabe sobre isso?

A ideia aqui é abrir o espaço para que mais percepções possam ser vistas e criar um contexto para que possamos olhar para nossas crenças e valores como sendo… apenas NOSSAS crenças e valores! Quando ridicularizamos alguma verdade alheia, ou reagimos mais radicalmente contra… cuidado… pode vir a ser a nossa verdade amanhã!

Só como saideira vou deixar uma questão a mais. Essa pandemia ou pandemônio pode ter sido alimentada por interesses de poder? Sem entrar em teorias da conspiração, conseguimos nos questionar como foi possível parar o mundo dessa maneira? A quem interessaria uma situação dessa? Como se seria possível articular uma coisa dessa magnitude, globalmente? Lembrem-se, é só um exercício para questionar nossas verdades!

Primeiro de Novembro

Esse texto faz parte do livro que estou escrevendo. Em cada primeiro dia do mês escrevo uma carta que estará publicada no capítulo de uma retrospectiva de 2020. Segue a carta desse mês:

Estamos há dois dias das eleições americanas e quase 100 milhões já votaram. As pesquisas dão a vitória ao Biden… será? Em 14 dias teremos as eleições municipais no Brasil. Será que as pesquisas terão uma forte influência nos resultados como tiveram nas eleições passadas? O que faz alguém escolher um candidato? Como você escolhe seu candidato?

Desde 2014 as fake news e os algoritmos das mídias sociais tem um papel relevante nessa escolha dos candidatos. A questão principal é que as pessoas acreditam que o efeito indutivo na escolha é… só nos outros. Portanto, sendo assim, o voto de ninguém é influenciado por essas falcatruas. Só que não! Para quem assistiu o documentário “O Dilema das Redes”, não precisa falar mais nada. Para quem ainda não viu: veja urgente!

Se o resultado das eleições podem ser manipulados a favor de quem tem maior recurso e poder… para que mesmo servem as eleições? Ou, para quem mesmo servem as eleições? Com certeza, nesse formato, não servem a democracia. 

Como escrevi na carta de primeiro de abril: “A política dos políticos ainda sobreviverá mais algumas primaveras enquanto houver a crença de que o sistema eleitoral tem alguma coisa a ver com a democracia. A política vai migrar dos políticos para a sociedade civil. E as políticas públicas serão decididas pontualmente através da participação dos interessados devidamente qualificados. Em pouco tempo os políticos serão substituídos por uma nova geração de políticos conectados com a sociedade civil.” Espero que as eleições municipais de 2020 tragam ventos de mudança para o quadro político brasileiro. Quem sabe uma eleição tão inusitada como essa, possa causar uma disrupção no atual sistema de manipulação dos eleitores e apresentar resultados (positivamente) inesperados. Estou otimista demais?

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 O mês de outubro reforçou ainda mais a ideia de que a pandemia está ajudando a ressignificarmos praticamente tudo. Já caminhávamos numa crise civilizatória onde a economia, educação, medicina, ecologia, política e até mesmo a religião estavam (e estão) nos levando para a destruição do que conhecemos hoje como sociedade humana. Então… como fazer? Ninguém sabe as respostas ainda. Um olhar sistêmico e um desprendimento às nossas crenças atuais ajudam muito. Entre essas crenças estão os nossos preconceitos e os pré-conceitos que precisaríamos suspendê-los temporariamente até conseguirmos rever… tudo! A complexidade exige que ao mexer em qualquer ponto, o todo é afetado. Se soubermos – de verdade – que somos interdependentes como humanos, como seres vivos, como habitantes desse planeta será muito, muito mais fácil.  

Outubro também reforçou a fraude do sistema educacional, está cada vez mais difícil acreditar nele. O formato de aulas virtuais está fazendo alunos, professores e pais se perguntarem o que querem da Educação, o que querem da Aprendizagem. Na grande maioria das escolas… não está rolando! Não está razoável para ninguém. Chegou a hora de parar com isso e, juntos, com transparência, buscar uma nova educação. Talvez até já tenha passado da hora.  

A pandemia nos levou para um contato mais íntimo com o “Virtual”. Num primeiro momento, quase todos acreditam saber o que significa a palavra virtual. Vamos conferir? Descreva, com suas palavras, o que seja virtual! Faça esse esforço! O que é virtual?

Dê um tempinho antes de ir para a próxima frase… vai ajudar no entendimento.

Quando faço essa pergunta num grupo de aprendizagem, quase sempre recebo respostas bem diferentes, onde o mais importante não é o resultado e sim a percepção da dificuldade em definir uma coisa aparentemente simples.

Algumas respostas recorrentes:

– É o mesmo que digital.

– É algo que é, mas ao mesmo tempo não é.

– É quando se substitui algo real por uma coisa que não é real.

– É um ambiente que imita a realidade

– É algo que não existe na realidade

– Substitui a realidade, mas não perde a essência

– Permite expandir os limites de tempo e espaço sem riscos

… e por aí vai!

Percebam que não tem resposta errada, ao mesmo tempo é difícil buscar uma definição clara.

Vou começar pela etimologia da palavra virtual. Ela vem do latim medieval Virtuale e do latim Virtus que significa: Virtude, Força ou Potência. Adoro essa definição! O virtual não é uma mera transposição do presencial para o online. Trata-se de uma nova possibilidade, que se bem aproveitada, terá uma potência incrível. Não veio para substituir e sim para agregar.   

Quero insistir na virtude, força e potência do virtual porque na nossa linguagem ainda há resquícios de que o virtual não é real. Tanto é, que o antônimo de “virtual” é “real”.

Vou trazer um exemplo de algo bem virtual que usamos no dia a dia há muitos anos sem nos dar conta, em momento algum, de que não seja real ou verdadeiro. O dinheiro! Sim, o dinheiro é completamente virtual e no entanto interfere fortemente em nossas vidas. Ele era uma garantia, em papel, de seu valor em ouro (nem isso é mais). O ouro era guardado num banco e emitiam certificados que poderiam ser trocados de volta pelo ouro em qualquer outro banco. Depois criaram o papel moeda que já não identificavam o portador e hoje em dia mal usamos o papel. Isso sem falar na chegada das criptomoedas. Vamos valorizar o virtual e não denegrir sua imagem por causa de projetos mal encaminhados nessa pandemia.

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Escrever esse livro tem sido uma experiência de autoconhecimento. A cada página revejo o desafio entre o que quero passar e como posso fazer para transmitir de uma forma simples e ao mesmo tempo eficaz. Onde minhas verdades, são apenas as minhas verdades. Você, caro leitor, terá que negociar com suas próprias verdades e decidir se está disposto a abrir mão, mesmo que temporariamente, das suas verdades para conhecer outras. Sei que não deveria usar a palavra “verdade” tantas vezes na mesma frase…

“Toda verdade passa por três estágios.
  No primeiro, ela é ridicularizada.
  No segundo, é rejeitada com violência.
  No terceiro, é aceita como evidente por si própria”

Arthur Schopenhauer

Em dezembro apresentarei um menu com algumas delas para que você se pergunte em que estágio está com cada uma delas. Vai ser divertido!

Primeiro de Outubro

Esse texto faz parte do livro que estou escrevendo. Em cada primeiro dia do mês escrevo uma carta que estará publicada no capítulo de uma retrospectiva de 2020. Segue a carta:

2020… o ano em que a Terra parou!

Onde estamos? Num novo normal? Havia algum normal? Estamos então num novo anormal? Estamos indo para um novo anormal normal?

Se a essa altura do campeonato tiver alguém ainda achando que é uma crise passageira e que as coisas voltarão a ser como eram… talvez estejamos todos sofrendo de “Normose”.

Se você não está familiarizado com o termo Normose, sugiro que pare tudo que está fazendo e mergulhe por um instante num conceito maravilhoso para esse nosso tempo de pandemia.

Jean-Yves Leloup, Pierre Weil e Roberto Crema Normose definiram que normose é “um conjunto de hábitos considerados normais pelo consenso social que, na realidade, são patogênicos e nos levam à infelicidade, à doença e à perda de sentido na vida”. Escreveram em 2003 o livro “Normose: A patologia da normalidade”, a sensação de normose ocorre quando o contexto social que nos envolve se caracteriza por um desequilíbrio crônico e predominante. Parece familiar?

Assista, assim que puder, o TED com o Roberto Crema nos iluminando com essa patologia que sempre nos afligiu, mas que agora está a flor da pele: http://bit.ly/TEDnormose

No filme o Dia que a Terra parou, um alienígena vem para o nosso planeta nos alertar sobre o que o nosso comportamento está causando a nossa interdependência planetária. Parece que a ficção virou realidade! Essa civilização está numa crise existencial como nunca teve.