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Primeiro de Dezembro 2025

A COP30 foi um Sucesso? SIM e… não!

De todas as COPs até hoje, essa 30ª foi a melhor em todos os sentidos e áreas. Vai ficar na história! Isso não quer dizer que os problemas não existiram ou que não poderia ter sido melhor.

Para entender a grandiosidade do que foi e seus efeitos para o futuro, é preciso entender que a COP30 vai muito além da Blue e Green Zone da ONU. Ela abraçou a cidade Belém com milhares, sim milhares, de eventos de altíssimo nível liderados pela sociedade civil. Depois de três COP realizadas em Petro Estados, que proibiram a participação da sociedade civil, o Brasil foi palco do maior evento pró sustentabilidade/regeneração do mundo. A Cultura, necessária para uma transformação da consciência, esteve presente, como em nenhuma outra COP. Dubai, por exemplo, usou a Cultura como forma de entretenimento e distração.

Foi uma COP com a energia dos Encantados da floresta. O Curupira como símbolo, não podia ter sido melhor. As magias foram acontecendo desde o início. Um mês antes do início da COP não havia os 132 países (2/3) necessários para ela existir. Isso nunca tinha acontecido. Conseguiram mais adesões e no final tínhamos 195 países participando. A questão da aprovação da agenda no primeiro dia, sem qualquer manifestação foi também obra dos Encantados. O espirito de solidariedade de quase todos os países do mundo desfilando pelos corredores dos 160.000 m2 é algo inesquecível para nossas mentes, corações e espíritos. Inesquecível!   

Parabéns a todos que trabalharam para a realização do que será, sem dúvida,  um orgulho permanente para todos nós. Aplaudo efusivamente todos vocês e principalmente MARINA SILVA, ANDRÉ CORRÊA do LAGO e ANA TONI.

Encontrei muitos amigos queridos e estivemos juntos em momentos importantes da COP30. E com o querido Antonio Nobre, cientista que desvenda poeticamente o elefante na sala da COP30 e a Sister Jayanti, líder mundial da Brahma Kumaris fizemos um evento na semana seguinte em São Paulo: “Pós COP30… e agora?” Foi muito bom e em breve teremos uma edição do vídeo no cop30brasil.com

Antes de detalhar a justificativa do título, anuncio que vou publicar a colheita que fiz no cop30.com.br

Por que FOI um sucesso?

– Popularizouo debate sobre a Emergência Climática pelo Brasil todo. Conversas nas escolas, entre amigos, no sofá da sala da família, nas igrejas, nas mídias sociais, nos jornais, no futebol, nas festas e até nas músicas. Alguma vez isso aconteceu no país? Nem na pandemia, nem nas enchentes do Rio Grande do Sul, das queimadas generalizadas, da falta de água em São Paulo ou da seca na Amazonia.

– O tema dos Combustíveis Fósseis que nunca é discutido nas COPs, foi amplamente debatido e se criou o Mapa do Caminho da transição energética. Na primeira semana tinha apenas 10 países trabalhando nisso e na segunda já eram 82. Um feito extraordinário! Claro que não tinha como entrar nos documentos finais. Quem se queixou disso o fez, por ignorância ou por má-fé. Os textos nas COPs só são aprovados por consenso, ou seja, os 195 países em Belém, teriam que ter aprovado para o documento fazer parte do resultado. Obviamente não havia qualquer chance de isso acontecer. Apesar disso, a presidência brasileira da COP30 anunciou, por iniciativa própria, processos para elaboração de duas iniciativas: 1- Mapa do Caminho para a Transição dos Combustíveis Fósseis de maneira justa, ordenada e equitativa; 2- Mapa do Caminho para interromper e reverter o desmatamento. Aplaudo de pé essa conquista e me entristeço com aqueles que levaram o publico a acreditar que foi um fracasso.

– O Balanço Ético Global é um instrumento maravilhoso que está espalhando sementes pelos continentes e será um guia pratico de ações na direção da sociedade civil liderar as iniciativas contra a emergência climática. Ele propõe uma escuta ética e planetária sobre a crise climática, reunindo lideranças sociais, culturais, espirituais, empresariais, científicas e políticas em seis diálogos intercontinentais e em eventos autogestionados.

– O Mutirão Global foi uma ótima ideia com vários temas muito relevantes, engajaram os países num formato brasileiro, de origem indígena, que continuarão a ser implementados durante nossa presidência. Mutirão é um palavra de origem indígena. Vem do termo tupi-guarani “motirõ” ou “mutyrõ” e significa “trabalho em comum, reunião para a colheita ou trabalho coletivo”. O governo brasileiro adotou a expressão Mutirão Global pelo Clima para definir a primeira conferência sobre as mudanças climáticas na Amazônia.

– A COP30 acolheu temas que não estavam presentes nas COPs anteriores e nessa tiveram um forte protagonismo: Saúde, Crianças, Ciência entre muitos outros que inauguraram sua participação oficial na Blue Zone da ONU.  

– Participação importante dos guardiões das florestas. Povos originários, centenas de etnias indígenas, quilombolas, ribeirinhos. Mesmo sabendo que poderiam ser mais, o credenciamento na Blue Zone foi recorde o que iluminou a participação recorde nas mesas de negociações e decisões.

– Fundo Tropical Florestas para Sempre (TFFF)

– Recorde absoluto da participação da Sociedade Civil. Os espaços mais gerativos da COP30 estavam espalhados por toda Belém. Foram milhares, de eventos, rodas de conversas, oficinas, exposições, documentários, palestras, shows e muita Cultura. Só para citar alguns poucos:

Aldeia COP
Amazon Climate HUB – Arayara
Barco Cultural Banzeiro da Esperança – Virada Sustentável e FAS
Barqueta dos Povos
Bienal Indígena – Escola da Cidade
Casa Combio
Casa Cubo
Casa das ONGs – Abong
Casa das Soluções
Casa do Jornalismo Socioambiental
Casa do Sul Global
Casa Escolhas – Instituto Escolhas
Casa FGV
Casa Iacitatá
Casa IDS
Casa Ipê
Casa Maraká
Casa Mata Atlântica
Casa Museu Emílio Goeldi
Casa Niaré
Casa Ninja
Casa Ninja Amazônia
Casa ONU
Casa Vozes do Oceano
Central da COP – Observatório do Clima
Cidade das Juventudes
Climate Action House
Cúpula dos Povos
Embaixada dos Povos
Espaço Chico Mendes
EY House
FreeZone Cultural
ImpactHub Belém
LAClima
Social Innovation House
Sumaúma
Vozes do Planeta
WCF – Casa COP | Casa Dourada
WWF House

O que NÃO foi um sucesso!

– A primeira questão negativa se refere a todas as COPs. Elas dão a sensação de que o mundo está discutindo e resolvendo essas questões tão importantes para a continuidade da nossa existência. Existe uma ilusão de que a emergência climática está sendo tratada. Que está se fazendo alguma coisa. Isso retarda a ação da sociedade civil em assumir a liderança desse movimento. Na COP30 apesar da gigantesca participação da sociedade civil ainda temos esse efeito ilusório.  

– Foco de muitas mídias no incidente do incêndio, preços da hospedagem, preço da coxinha, invasão da Blue Zone por algumas dezenas de pessoas, depoimento do premier alemão, entre outras coisas. Para os leitores que não estava vivendo a COP30, aquilo pareceu relevante… NÃO ERA! Seria o mesmo que numa final de Copa do Mundo, a mídia se focasse no cachorro que acidentalmente entrou em campo, no preço das bandeiras vendidas para os torcedores, no aniversário da mãe de um jogador que está no banco de reservas, no rojão que estourou no campo, na invasão que alguns torcedores fizeram nas cadeiras cativas. Quem está acostumado com os jogos de futebol, ficaria chocado com esse tipo de cobertura da mídia. Muitos, como eu que conhecem as Conferencias do Clima, não entende o que leva jornalistas a deixar de lado a essência do que está acontecendo por toda a Belém para divulgar essas intercorrências menores. Cada uma delas afetou negativamente a COP30, mas eram tão pequenas diante do todo que se tornavam irrelevantes. Como no exemplo da final da Copa do Mundo, imaginem deixar de reportar os melhores momentos, o resultado do jogo, quem marcou os gols, público no estádio, depoimento de jogadores e dos técnicos…

– Os 1.600 lobistas (identificados) da indústria do petróleo que se infiltraram para promover a discórdia e garantir que não se aborde qualquer tentativa de deixarmos de ser reféns. Acredita-se que são bem mais. Sem falar dos que são da indústria química, proteína animal, ogronegócio, moda e outras entidades que se valem da indústria da ignorância (agnotologia) para desviar a atenção.   

– Participação e expressão de alguns cientistas no Pavilhão da Ciência. São cientistas consagrados que poderiam estar no mutirão global e não no megafone de que está tudo errado e estão traindo a ciência. Ciência é por definição um conhecimento em movimento. Não existe uma verdade intocável na ciência. Ficar abrigado pelo escudo da ciência para promover sua visão e a si mesmo, não faz, desses profissionais arautos da verdade. A cientista presidente do conselho cientifico da COP30, disse numa entrevista a Folha de São Paulo (24/10) que  “A COP30 deveria reservar 90% das negociações à transição para longe dos combustíveis fósseis e apenas 10% às florestas” Oi??? Que ciência é essa? Essa afirmação é tão absurda que nem vou comentá-la. Na verdade, esses mesmos cientistas, já tiveram seus pontos cegos questionados e revisados. Como a questão da savanização da floresta Amazônica, que hoje se sabe (cientificamente) que será a desertificação (e não a savanização) da floresta Amazônica. A mesma coisa para os rios voadores que hoje são amplamente aceitos e apenas recentemente, aceitos por esses cientistas. Agora temos a questão do ciclo hidrológico (bomba biótica), que não tem sido levado em conta nos cálculos da regeneração floresta. Ou seja, são gente como a gente e poderiam agir colaborativamente e não ficarem apenas esperando resultados diferentes de um mesmo formato que existe há 31 anos. Einstein tinha uma frase sobre isso: “Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes”

Abaixo a resposta que divulgaram ao draft do texto do penúltimo dia:

Resposta dos cientistas ao texto de Mutirão da Sexta-Feira, 21 de Novembro.

“Apesar de um grande número de países se unirem em torno de roteiros para acabar com a dependência de combustíveis fósseis e com o desmatamento — e do impulso dado pelo presidente do Brasil — as palavras ‘combustíveis fósseis’ estão completamente ausentes do texto mais recente. Isso é uma traição à ciência e às pessoas, especialmente os mais vulneráveis, além de totalmente incoerente com os objetivos reafirmados de limitar o aquecimento a 1,5°C e com o quase esgotamento do orçamento de carbono. É impossível limitar o aquecimento a níveis que protejam as pessoas e a vida sem eliminar gradualmente os combustíveis fósseis e acabar com o desmatamento. Nessas últimas horas, os negociadores devem trabalhar juntos para recolocar no texto os roteiros para um futuro mais seguro e próspero. A ciência está aqui para ajudar.”

Carlos Nobre – Science Panel of the Amazon; Fatima Denton – United Nations University; Johan Rockström – Potsdam Institute for Climate Impact Research; Marina Hirota – Instituto Serrapilheira; Paulo Artaxo – Universidade de São Paulo; Piers Forster – University of Leeds; Thelma Krug – Presidente do Conselho Cientifico da COP30

Texto, em desabafo, que escrevi no último dia da COP30:

“A COP30 conta com os Encantados apesar dos pesares. O copo está meio cheio, não acreditem nos pessimistas de plantão. Enquanto houver balanço para olhar os dois lados, ótimo! No momento em que se diz que o copo está vazio, seja usando o nome da ciência, religião, direitos humanos, direitos planetários, direito de réplica, tréplica ou qualquer outro subterfúgio enviesado… sinto vergonha alheia. Vamos reconhecer que o copo está meio cheio, pela primeira vez em 31 anos de COP. Parabéns aos que trabalharam para que essa COP seja, provavelmente, a melhor de todas. Não pela competição com as outras, mas pela recompensa do caminho trilhado!”

Fiona Harvey, escreveu no The Guardian, na última sexta-feira (28/11)

“Para além das manchetes negativas, algumas coisas realmente boas surgiram da COP30.”

TODO DIA 1

Esse é o meu 72º texto que escrevo em todo primeiro dia de cada mês. Começou em janeiro de 2020 e a partir de abril do mesmo ano comecei a publicar regularmente por aqui. A ideia original era ter um texto contextualizando o período em que eu estaria escrevendo um livro. A pandemia aconteceu e muitos outros contextos locais e mundiais foram se desdobrando. Hoje, seis anos depois, eu e o mundo somos outro. Eu me tornei avô, entendi que a transformação passa pelo caminho da luz e do amor. Reconheci que meu papel de atuação é muito mais internamente e no meu entorno do que no exterior. Sou um ser espiritual de amor e luz vivendo uma experiência humana.

O mundo, por sua vez, viveu experiências inéditas. O mundo parou! O que parecia ser uma obra de ficção científica aconteceu, a humanidade parou quase que totalmente. Esse fato poderia ter sido aquele alerta emergencial de saúde que nos leva a UTI com alto risco de morrer e, por milagre, sobrevivemos! Ao sairmos dessa situação o normal seria alterarmos completamente nosso estilo de vida para que nunca mais isso pudesse ocorrer. Só que não! A humanidade retornou ao “modus operandi” dos maus hábitos rumo ao colapso. O mundo anda muito mal frequentado. O ano de 2024 conseguiu ultrapassar a marca de 1,5 graus Celsius considerada limite para o aumento dos desastres ambientais. Foi o que assistimos, principalmente, nesses últimos anos. Inundações, queimadas e secas como nunca vimos antes.

E as guerras? Isso tudo não é um novo normal, trata-se da pior doença da nossa civilização: a Normose!

Me deixa triste ver pessoas escolhendo uma guerra, para chamar de sua, dentre as tantas que estão ocorrendo e agir como um torcedor polarizado sem ter a menor noção do que realmente está acontecendo. Qualquer guerra é sem noção!

Todas as guerras são inadmissíveis num mundo que se diz civilizado. Quando isso é “normalizado” é o começo do fim dessa civilização. A crise civilizatória em que estamos vivendo optou por não cessar as ações que nos levará a encerrar, muito mais cedo, mais uma civilização que habitou esse planeta. A dúvida repousa em como será a próxima civilização, se é que haverá a possibilidade de existência para a nossa humanidade. Por que escolhemos isso?

Quanto a política… o que dizer?

Ao mesmo tempo, na humanidade, existe uma grande onda da sociedade civil que está produzindo milhões de iniciativas e ações maravilhosas de regeneração ao redor do mundo. Elas estão, pouco a pouco, emergindo em silêncio e ocupando os espaços degradados. Esperança do verbo esperançar!

Esses 72 textos, escritos todo dia 1 de cada mês, em seis anos, estão livres de IA. Com certeza, principalmente nos últimos anos, teriam dado uma lapidada que os deixariam muito melhores do que escrevi. A razão de não compartilhar a escrita, em coautoria, é por conta do meu exercício de conseguir ultrapassar os meus boicotes internos e os desafios que a concentração me exige. Fico feliz com o resultado e me sinto com mais musculatura para avançar.

E aproveito para me despedir dessa experiência incrível, que me trouxe até aqui. Foi um grande desafio pausar todo dia 1, para me conectar com os ventos da emoção e da inspiração. Que continuem soprando e me levem a novas direções.

Primeiro de Novembro 2025

O Rio de Janeiro continua lindo… o Rio de Janeiro continua sendo

O Rio de Janeiro continua lindo… o Rio de Janeiro continua sendo

Há quatro dias, no 28 de outubro, o Rio de Janeiro protagonizou a maior chacina do país e vem causando as mais diversas reações na população. Ficando a maior parte das percepções nas extremidades da polarização. Essas visões estreitas de mundo me lembram o arquétipo do Zé Ninguém no livro do Wilhelm Reich, ‘Escuta Zé Ninguém”. O livro é uma reflexão humana e crítica sobre o ser humano comum, em busca de segurança e proteção, aceita o controle institucional, a delegação de poder ao Estado, ao Partido, à Igreja, e se coloca como patriota ou defensor dos bons costumes, mas ao mesmo tempo se torna covarde e evasivo diante da responsabilidade por suas ações. O Zé Ninguém busca um salvador da pátria, reage com paixão bruta, segue rebanhos, culpa e demoniza os outros.

Talvez fosse bom ter um olhar mais sistêmico, ter dúvidas, fazer perguntas e não chegar a conclusões impossíveis apenas porque a sua tribo disse que é assim. Na tragédia do Rio, tem muitas variáveis e estamos muito longe de compreender o que realmente aconteceu e está acontecendo.    

O mais triste de tudo isso é a intenção política! O vazio, momentâneo, na extrema direita fez esse governador armar o show hollywoodiano de horrores para entrar no espaço deixado pelo ex-presidente. Se acotovelando com candidatos a herdeiros do espólio, procura alcançar o pódio, através do medo, da ignorância e da polarização pelo absurdo. Essa manobra política, me pareceu muito evidente. Triste! Muito triste! Já entrou para a história passando a do Carandiru e dos tantos outros esquecidos (ignorados).

As cenas foram milimetricamente arquitetadas para gerar o que está gerando…polarização! Os corpos enfileirados? Os fuzis apreendidos! Os mortos! Os policiais com promoções póstumas! Os posts, a imprensa, as imagens, os vídeos, depoimentos, o detalhamento pormenorizado de tudo sobre o CV.

Triste crise civilizatória!

Darcy Ribeiro disse uma frase, há mais de 40 anos: “Se os governadores não construírem escolas, em 20 anos faltará dinheiro para construir presídios.” Talvez precisássemos conversar sobre que tipo de escolas construir, mas sua visão estava correta quanto a importância da educação para todos os lados da sociedade civil, principalmente por aqueles “Zé Ninguém” que julgam pelo que leem ou veem nas mídias.

Acredito que o cerne dessa tragédia no Rio, dessa transformação que virou o Rio, dessa cidade que já foi maravilhosa… foi a ideia absurda de transferir a capital para Brasília. Jucelino Kubitschek só fez isso para conseguir assumir o governo que por várias vezes tentaram impedi-lo. Achou que seria uma bela distração… e foi! Lúcio Costa ganhou o concurso e em pouco tempo abriram um canteiro de obras no centro do país e foi o começo do fim para o Rio.

Rio de Janeiro, cidade que nasci quando ainda era a capital do Brasil.

A ideia de transferir a capital para o centro geográfico do país, foi MUITO ruim. Isso arRUIMnou uma cidade que era o símbolo tropical de tantas riquezas naturais, artísticas, literárias, estrangeiras, onde a diversidade corria solto e os menos privilegiados tinham a melhor vista da cidade. Muita coisa aconteceu para chegarmos ao Rio de hoje. Voltando mais atrás ainda, a capital foi transferida de Salvador para o Rio por conta do comércio de ouro, talvez, também não tenha sido uma boa ideia, mas já fazem 250 anos.

O Rio sempre foi caórdico (não caótico), em 1807 virou Reino de Portugal, não é o máximo? A vinda da família real trouxe muita coisa boa junto com as quinquilharias (materiais e humanas) da corte. Biblioteca Nacional, primeiro jornal, o maravilhoso Jardim Botânico, Museu Nacional, obras magníficas, Escolas de toda sorte, Artes & Artistas, Teatro, Banco do Brasil… foi um tremendo impulso na cidade. Tudo isso, para dizer que foi lá nos idos 1808 que nasceu a ideia de transferir a capital para o planalto central. Na época até fazia sentido, por conta da segurança. Como a família real portuguesa deixaram os franceses a verem navios, seria de se esperar que Napoleão viesse tirar satisfações. Chegariam pelo litoral (o avião só foi inventado 100 anos depois) e seria uma boa ideia que a corte não se estivesse lá. Fora que faria sentido, ir conquistando geograficamente aquele reino que tinha Portugal como sua colônia.  Ficou só na ideia, porém, ao longo desse mesmo século tivemos muitas outras tentativas de mudar a capital do país para a Capitania, Província e depois Estado de Goiás. Deu… em nada! O Rio teve D. Pedro II fazendo maravilhas pela cidade. O telégrafo elétrico ligando por cabo submarino a Europa, o telefone e suas centrais, fotografia e cinema trouxe até os irmãos Lumiére para o Rio, a primeira Ferrovia do Brasil, o bondinho do Corcovado e até a ideia, sugerida por um padre, de erguer um monumento religioso no Corcovado em homenagem à Princesa Isabel (só seria realizado décadas depois). Ele fez coisas extraordinárias e o Rio continuou florescendo. Depois do primeiro golpe militar em 1889 veio a Primeira República (República Velha) que caminhou até o golpe de 1930, iniciando a Era Vargas. Foi em 1931 que foi inaugurada a estátua do Cristo Redentor onde a cabeça e as mãos foram esculpidas na França e trazidas em pedaços para serem remontadas no Corcovado. Foi o bondinho de D.Pedro II que viabilizou levar os materiais para a execução da estátua, símbolo máximo do Brasil. Essa inauguração contou com uma iluminação francesa que foi acesa por rádio em Roma por nada menos, que o próprio Marconi. Em 1945 começa a Quarta República que em 1955, Jucelino Kubitschek, ainda em campanha anuncia que iria construir e transferir a capital do Rio para o Planalto Central. Poderia ser apenas uma promessa de campanha não cumprida pela maioria dos políticos, mas sua situação não estava boa e percebia (corretamente) que não o deixariam governar. Decidiu, em 1956, realizar essa epopeia “50 anos em 5”. Depois de Brasília ser inaugurada começou uma confusão na liderança do Brasil em 1961. Jânio Quadros foi eleito presidente e João Goulart se reelegeu vice (naquela época o voto para presidente e vice eram separados). Seis meses depois de eleito, Jânio condecorou o Che Guevara (por um favor que havia feito) a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul, deu ruim! Seis dias depois renunciou! Como nada é por acaso Jango (João Goulart), o vice-presidente, estava na China em visita oficial (União Soviética e China) e acharam por bem não o deixarem assumir a presidência. Apesar de simbolicamente o presidente da Câmara dos Deputados ter assumido interinamente, quem realmente mandava no país era a junta militar, o triunvirato (Exército, Marinha e Aeronáutica). Não ficaram nem 15 dias e não conseguiram impedir a posse de Jango, porém… e sempre tem um porém, apesar de terem empossado o vice, um projeto de emenda constitucional foi aprovado estabelecendo o regime de Parlamentarismo no Brasil. Tudo isso ainda em 1961. E então, para ser o Primeiro-Ministro do Brasil foi escolhido Tancredo Neves, que mais tarde venceria a primeira eleição civil indireta para a presidência da República, mas morreria antes da posse. E, também, foi poupado de saber o que seu neto aprontaria no país. Durante o Parlamentarismo, o gabinete do Tancredo trouxe muitas realizações, entre elas, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (hoje obsoleta), tornou o Acre um estado, instituiu o décimo terceiro salário e outras importantes implementações para a época. Em janeiro de 1963 foi realizado um plebiscito em que se votou a retornar para o regime presidencialista. Jango, que ainda era presidente, volta comandar o país até ser derrubado pelo segundo golpe militar em 1º de abril de 1964. Só lembrando que em outubro de 1962 os EUA pedem o apoio do Brasil durante a crise dos mísseis em Cuba, na qual é recusada. Começam as desconfianças americanas com o Jango, que viriam a desencadear o golpe militar. Começa o período da Ditadura Militar. O Rio de Janeiro, vivia o desmanche de uma estrutura do poder público com 200 anos de idade, o desmanche de uma estrutura que movimentava fortemente os círculos sociais, culturais, econômicos, arquitetônicos, jurídicos e culturais da cidade. Em cima disso uma ditadura que buscava consertar o país. Quem mais sofreu essa violência no corpo e na alma foram os cariocas. A cidade tinha mudado de Distrito Federal para se tornar inquilina do recém estado da Guanabara. Começaram a remover as favelas, alargar a praia de Copacabana, construir o túnel Rebouças, a linha Lilás e tantas outras maquiagens que não mudava o fato de a cidade estar sofrendo uma profunda violência.

Quando Gilberto Gil, foi preso com Caetano quatro dias antes do Réveillon 1968/1969 e só foi solto na Quarta-Feira de Cinzas em 19 de fevereiro, foram convidados a deixarem o país. Gil, inspirado como sempre, compõe a música “Aquele Abraço” e a frase título desse texto: O Rio de Janeiro continua lindo (continua mesmo) O Rio de Janeiro continua sendo (continua mesmo).

Compôs assim que soube de sua partida forçada, gravou em abril e maio, viajou para Londres em 27 de julho, uma semana depois do homem pisar na lua e o disco foi lançado em agosto de 1969.

Nem a Guanabara aguentou continuar nesse estado, ela se tornou o Estado do Rio de Janeiro em 1975. Mais um baque para a cidade do Rio de Janeiro. E apesar das honrosas tentativas de voltar a ser independente, nunca deu certo.

Com o fim da Ditadura e o início do da Nova República, o Rio que já estava há mais de 20 anos sofrendo traumas atrás de traumas, já não era mais aquela cidade maravilhosa da marchinha do carnaval, nem era tão cheia de encantos mil e muito menos o coração do meu Brasil. Apesar dessa música ter se tornado oficialmente o hino da cidade do Rio de Janeiro, e atingir diretamente o coração dos cariocas e o imaginário do resto do Brasil, ela já não representa mais o que vem acontecendo em suas ruas, calçadas, praias e bailes da vida. As milícias, as facções criminosas, aqueles políticos corruptos, aquela parte da segurança pública mal intencionada e outros substratos da sociedade que não desejam o bem-estar dos cidadãos do Rio de Janeiro foram formados pelas escolhas que fizemos (como sociedade) lá atrás. A mudança da capital para o Planalto Central já tem 65 anos e nesse período não conseguimos alterar os rumos de uma Cidade Maravilhosa de um país tropical, abençoada por Deus e bonito por Natureza!  

O fundador do Rio de Janeiro, o almirante francês Nicolas Durand de Villegagnon, viu a Natureza exuberante, intocada. O paraíso na terra, com os amigáveis povos originários. Deve ter sido uma visão das mais belas já vistas do Rio de Janeiro que alguns ainda insistem em destruir.

Viva o Rio!  Rio Vivo!

Primeiro de Outubro 2025

A Insustentável Insustentabilidade!

No mês de setembro tivemos altos e baixos, vitórias e derrotas, ganhos e perdas… mas, não é todo mês assim? Até mesmo, todo dia assim? Pode até ser, mas a escalada dos absurdos contra o Brasil cometidas pelo Congresso alcançou um patamar nunca visto antes! Eles agem como se não houvesse amanhã, porque se a gente parar pra pensar, desse jeito não haverá mesmo. Será necessária uma legião urbana, rural e florestal para mostrar o caminho da democracia e de colocar a vida no centro de suas decisões. Vergonha alheia! Para não voltar muito atrás vale lembrar que 54 senadores meliantes (que não tem vergonha) aprovaram a PL da Devastação em maio e na semana seguinte, covardemente, atacaram a ministra Marina Silva em episódio que explicitou a falta de caráter e de integridade de alguns dos senadores eleitos… por nós! Em julho outras demonstrações de estupidez aguda em ataques contra a Marina, dessa vez na Câmara dos Deputados, provocaram mais vergonha aos que deveriam estar representando os cidadãos do país. Em agosto, como se fosse possível ficar pior, senadores e deputados meliantes (que perderam ou não tem vergonha), executaram um motim ocupando as mesas diretoras dos plenários do Senado e da Câmara dos Deputados em protesto a prisão domiciliar do ex-presidente e em apoio às sanções contra o Brasil pelo presidente dos Estados Unidos. Esse show de horror, lembra o filme, Bye Bye Brasil de Carlos Diegues. Esses mesmos protestos levaram muitos indivíduos a Av. Paulista, desfilarem com uma gigantesca bandeira dos Estados Unidos. Como teria dito Tom Jobim, o Brasil não é para principiantes. Ainda em setembro foi aprovada, pela Câmara dos Deputados a urgência para um projeto de anistia a condenados por atos golpistas… a PL da Anistia. O mais irônico é que visavam a anistia até para os que ainda não estavam condenados. Como se não bastassem essas insanidades todas, veio a PEC da Blindagem (também chamada de PEC da Bandidagem) que foi amplamente aprovada por 344 deputados meliantes (sem vergonha) com apenas 133 contrários. Por último só quero acrescentar que quando vejo os 5 deputados federais mais votados (ampla maioria) em São Paulo, tenho a certeza de que o sistema eleitoral funciona contra a democracia. Como já mencionei muitas vezes nesses textos, concordo com o filósofo grego Sócrates de que o sistema de votação não funciona para eleger o mais qualificado para a função e sim o mais “fanfarão” que conseguia iludir o eleitor. Ele usava a figura de um navio onde os votos elegiam, não o mais apto a conduzir a embarcação e sim o mais popular e convincente manipulador que fingia ser o mais preparado. Acredito que isso não mudou nos últimos 2.500 anos. A pergunta que fica é porque as pessoas ainda acreditam que o voto é um símbolo máximo da democracia. Acredito que seja o símbolo da nossa ignorância em ação. A saída fácil (e estúpida) é responder de que não há alternativa melhor e que o caminho é conscientizar o eleitor. Será? Não sei responder, mas o mundo tem demonstrado que o atual sistema eleitoral simplesmente não funciona. Vide os resultados de outros países e os BREXITS da vida. Até hoje, com raras exceções (Václav Havel), não escolheu os mais aptos a governar! 

“É PRECISO AMAR AS PESSOAS COMO SE NÃO HOUVESSE AMANHÃ, PORQUE SE VOCÊ PARAR PRA PENSAR NA VERDADE NÃO HÁ…” Legião Urbana

Saindo da Insustentabilidade para a Sustentabilidade vou falar da Virada Sustentável que em sua 15ª versão foi absolutamente maravilhosa. Tive o privilégio de fazer a curadoria na Casa das Rosas em que pudemos vivenciar os  aromas, cores e sabores da sustentabilidade. No ano da França no Brasil o Instituto Poiesis apresentou as Consultas Poéticas (consultaspoeticas.com.br) do Theatre de la Ville (Paris) Tivemos três dias de atividades maravilhosas, entre elas, nomes como a ativista indígena Txai Suruí, a atriz Maria Paula, o cientista Paulo Nobre, a futurista Lala Deheinzelin, o professor José Carlos Perdigão, o ator Wellington Nogueira; os documentários de Mara Mourão, Caio Ferraz, Sylvio Rocha, Christina Carvalho Pinto, Fernanda Heinz Figueiredo, além da presença especial do Observatório do Clima (Central da COP), Schumacher Brasil, Teach The Future, Famílias pelo Clima (Fridays for Future), Instituto Cultural da Dinamarca e muito mais! Participei, junto o André Palhano e a Isabella Prata da Roda de Conversa com o cientista coordenador do INPE, Paulo Nobre. “A emergência climática é uma realidade que bate à porta de nós, quer seja através de notícias de desastres climáticos ocorrendo por todo o planeta, que seja através do experimentar direto com tais desastres. A maquete dinâmica da Água, do prof. Perdigão, foi uma das principais atrações! Quem ainda não a conhece… precisa conhecer!

Sobre os preparativos para COP30, os Povos Indígenas são aqueles que tem o maior conhecimento e sabedoria sobre os rumos de regenerar a Natureza que vem sendo sistematicamente devastada com as consequências que temos testemunhado nos últimos anos. Eles são, provavelmente, o que haverá de melhor nessa COP30. Além deles, teremos a presença, direta e indireta, de Embaixadores Mundiais do Clima: Marina Silva, Fritjof Capra, Satish Kumar, Vandana Shiva, Antonio Nobre, Al Gore, David Attenborough, Jane Goodall, Elizabeth Sathouris, Rajendra Singh, Txai Suruí, Carlos Nobre, Ailton Krenak, Hunter Lovins, Charles Eisenstein, Yann Arthus-Bertrand, Paul Hawken, Céline Cousteau, David Suzuki, Peter Senge, Edgar Morin, Johan Rockström, Margaret Wheatley, John Milton, Lynne Twist, Marcos Palmeira, Adriana Ramos, Maude Barlow, Mario Mantovani, Allan Kaplan, Greta Thunberg, Otto Sharmer, Yuval Harari, Tasso Azevedo, Leonardo DiCaprio, Davi Kopenawa, Severn Suzuki, Paul Watson, Gro Brundtland e outros que não lembrei agora.

A Sociedade Civil, vem sendo um impulsionador forte das COPs desde a da COP20 (Peru 2014) e consagrado na COP21 (Paris). Apesar das últimas três terem sido em países que proibiram a participação cidadã, retornaremos (espero) ao principal eixo de apresentações e negociações do Clima. Entre eles, o retorno da Cúpula dos Povos.   

Ah, já estava quase esquecendo! Tem, também, a presença da ONU que deveria ser um ator significativo nesse momento crítico da humanidade e, novamente, não terá qualquer importância que valha a pena mencionar. Desde, pelo menos, a COP15 (Copenhague 2009) a ONU desempenha um vergonhoso papel de quase inutilidade nas conferências do clima.  

Sobre a Biodiversidade percebida e depois diluída na linguagem escrevi um parágrafo!

“Do alto de completar um ano de vida, aquela criança se fascinava com as belas criaturas em pé… tão diferentes umas das outras. Incríveis esses seres imóveis e únicos. Contemplava cada um deles como, bem mais tarde saberia definir, como uma obra de arte… esculturas vivas! Como amava aqueles espécimes! Do baixo de completar dez anos de vida, aquela criança já havia reduzido as belas criaturas em pé a uma única palavra… árvore.  A linguagem foi capaz de, cognitivamente, reduzir a percepção do mundo vivo em segmentos objetificados distantes da sua própria vida interdependente. As pedras deixaram de ser vivas e até mesmo (por mais absurdo que pareça) a água, também, deixou… passou a ser uma fórmula isolada (como se fosse possível) H2O.”

Que a Vida volte a pulsar porque somos Natureza… porque somos um!

Ou “porque metade de mim é amor… e a outra metade também!” Oswaldo Montenegro

Primeiro de Setembro 2025

Ao Mestre com Carinho

Querido Mestre! Nasce um novo setembro e, pela primeira vez, sem a sua presença física nesse mundo… nessa jornada! Sua presença está em mim e sempre estará, viva e vívida! Apenas oito dias se passaram… conversei, em todos eles, com você. Desde as minhas meditações matinais até um boa noite antes de dormir. No domingo que você partiu preferi ficar no silêncio do meu luto, compartilhado com a Deborah. Só postei uma imagem que denuncia sua ternura, alegria e seu transbordamento de amor com a frase “ao Mestre com carinho”. Nesse domingo, minha mãe (91 anos) veio conhecer seu terceiro bisneto, compartilhei com você nossas andanças pelos laços (clusters) familiares. No dia seguinte, segunda-feira, recebi boas vibrações da minha terapeuta que sabe o quanto você é importante para mim. Não havia tristeza e nem saudades, apenas um sentimento de presença. A sua presença. Na terça-feira fui a um evento (Futuro Vivo) que você ia adorar. Tanto pelas pessoas maravilhosas que encontrei e  reencontrei, tanto pelos palestrantes que estão buscando conscientizar uma humanidade adormecida. Johan Rockström, Carlos Nobre, Lourenço Bustani, Gabor Maté, Ailton Krenak, Kaká Werá, Txai Suruí, Denise Fraga e outros, além de Gilberto Gil e Dani Black. Você esteve ao meu lado o dia todo. Na quarta-feira foi a vez de participar de um Hackathon Intergeracional do Age Free World convidado pela Rosa Alegria e o Fabio Betti. Querido Mestre,  esse dia foi bem especial, principalmente porque trabalhamos fundo esse tema em nosso último encontro. Esse evento contou com 50 participantes de diferentes gerações (Baby Boomers, Geração X, Millennials e Geração Z). Quinta-feira foi de finalização da programação da Virada Sustentável na Casa das Rosas que será no fim de semana de 19 a 21 de setembro. Na sexta-feira, fomos para Itu (eu e a Deborah) e falamos de como você estava presente em nós e ela sentiu a paz que você deve estar. Sábado de caminhadas internas e externas. No domingo, ontem, ouvi num encontro gerativo de que “não morremos” e ficou claro o quanto você está vivo. Somos seres espirituais, eternos, de luz e amor. Hoje é o dia em que me retiro das atividades cotidianas para escrever um texto e senti que seria um texto sobre nossas conversas diretas e indiretas, presenciais e virtuais, curtas e longas, internas e externas ao longo desses mais de 33 anos juntos.

Lembrei das últimas palavras que ouvi de você no dia 25 de julho, depois de duas horas de um encontro virtual com mais seis terapeutas que te amam, que foi “Viva a Vida!”

Foi um encontro muito especial onde expressamos nossa juventude diante da inacreditável (no sentido de não crer) idade cronológica. Onde agradecemos estar vivendo a vida plenamente.

Você estava radiante com a sua sabedoria, a sapequice de menino e a irreverência de quem conhece muito. O seu humor se fez presente várias vezes, como aquela em que pediu para Beth falar e perguntamos qual Beth (havia duas) e você responde “as duas”, todos gargalharam. Apesar de alguns momentos sentirmos dificuldades em entendermos suas palavras. Sua mensagem foi transmitida e, mais uma vez, tínhamos tido uma sessão transformadora. Nos últimos minutos onde você nos fez emergir o que sentíamos em relação à nossa idade fisiológica e emocional. Você compartilhou o que sentia com a sua: “O primeiro dia que eu disse, 90! Caralho! Já estou morto? Acho que não! Tenho dois livros sendo escritos! Alguma coisa estou fazendo. Porra!” Logo depois o grupo brincou sobre o medo de pular de paraglider (uma cena que falamos anteriormente) e você finalizou encontro dizendo: “O psicodrama é isso, o psicodrama sou eu… sou eu e você , você, você e você. Como Psicodrama você vai ousar sem medo, o máximo que pode acontecer é que os outros não estejam prontos para isso, mas senão… Viva a Vida!”  Viva Vida foi a saudação final de todos nesse encontro maravilhoso. Só não sabíamos que seria o último.

Oi, querido mestre,  que tantas andanças percorremos. Entre tantas aprendizagens, apreendi que não há caminho… que o caminho se faz caminhando. A sua sabedoria ao colher do Antonio Machado o trecho dedicado ao viajante*, iluminou meus passos, minhas pegadas que foram deixando seus efêmeros rastros para trás.

Sim, como você bem disse, sou um terapeuta selvagem. Sou aquele que segue pelas linhas paralelas que sempre se encontram. Sou aquele que se atreve a “transdiciplinarmente”, aproximar processos terapêuticos, pessoas e narrativas gerativas.

Me lembro, em 1993, do encontro com a Zerka Moreno no Brasil, em que você me pediu para digitalizar uma fita de videocassete original com uma sessão do Moreno. Me senti lisonjeado e ao mesmo tempo preocupado com aquela responsabilidade. A Zerka me tranquilizou, linda que era. Depois, em 2006, ela colaborou num trabalho que apresentei com a Érica Magacho no Congresso. E em 2008 ela topou aparecer virtualmente no Congresso de Recife, acredito que foi uma das primeiras transmissões de palestras virtuais no Psicodrama. Nesse 2008, em seu apartamento em Buenos Aires, você me pediu para ajudar a pessoa que estava presidindo esse Congresso. O Congresso ia ser cancelado devido a muitos problemas, fui a Recife e desenhei uma possibilidade. Por sorte, a nossa querida Marlene era quem presidia a Febrap e confiou que conseguiríamos virar o jogo. E viramos! Foi nesse Congresso que o termo “Psicodrama Virtual” apareceu oficialmente. Pela primeira vez. Aliais foi em 2006, que esse terapeuta selvagem (eu),  criado por você, comecei a estudar as possibilidades do Psicodrama Virtual, apesar de todos me verem como um louco, como um herege, você sempre me incentivou com muita alegria e interesse. Me dizia que o Moreno adoraria participar dessa empreitada. A faísca para essa minha busca, além da minha paixão pela tecnologia da informação, foi o seu relato sobre um atendimento por telefone que você realizou com uma paciente que mudara de país. Você demonstrou que os elementos da técnica psicodramática estavam lá. Foi lindo! Não conseguia parar de pensar nisso. Ao mesmo tempo, tinha acabado de fazer um experimento para o projeto “Processando o Processamento” em que eu e a Érica Magacho havíamos gravado em vídeo uma sessão (2 cameras) e escolhemos apenas 1 minuto para processar e tirar tudo aquilo que estava no visível e invisível (palavras, gestos, tons, emoções, etimologia das palavras, silêncios e muito mais objetos) daquele minuto. Tinha tanta coisa, que em determinado momento, resolvemos parar onde já tínhamos levantado muita coisa. Isso nos deu a sensação das infinitas possibilidades dentro de um único momento. Aquilo me mobilizava para o uso de tecnologia e um redesenho para as possibilidades de uma década do uso da internet. Quando em 2009 comecei a fazer psicodrama virtual com um grupo de psicodramatistas da lista do IAGP de Roma, você se interessou tanto que mais tarde, em 2011, tentamos juntos, a convencer o grupo autodirigido a estudar isso. Não rolou! Precisou aparecer uma pandemia para que os terapeutas começassem a aceitar a possibilidade de mais uma modalidade do psicodrama. O psicodrama virtual! Ainda no estado da arte, porém não mais achando que precisam internar seus percursores num hospício. Acredito que o Moreno, deve ter se sentido assim muitas vezes. Se não fosse a Zerka, quem sabe o que teria sido dele. Queria mencionar a coragem do IDH (RS), principalmente na pessoa da Marta, por topar realizar o Congresso em 2020 no formato virtual. Essa decisão foi porque diante do que estávamos vivendo, seria uma questão de sobrevivência mergulhar nas possibilidades virtuais. Esse 22º Congresso Brasileiro de Psicodrama foi um marco para o Psicodrama no Brasil. A partir dele, tudo mudou! E você esteve presente, virtualmente, comigo em 2020 e no de 2022 também. Alegrias e Sabedorias que você compartilhou! Marcia Karp, também esteve com a gente! Foi uma alegria tão grande entrevistar a querida Marcia para o documentário da FEBRAP dos 100 anos do Psicodrama. Ela entrou dizendo para mim e o Francisco de que estava muito mal e não poderia dar a entrevista. Foi falando do que aconteceu (não colocamos no vídeo) e aos poucos foi se entregando à aquele encontro. Saímos tão impactados que nem sei como o Francisco teve tamanha habilidade de selecionar aquelas perolas que aparecem no documentário. Amo a Marcia!

Por fim, um assunto vital que comecei a falar com você no ano passado, foi o da Inteligência Artificial aplicada aos processos terapêuticos. A falta de compreensão do que isso significa e do que ainda vai significar é assustador. Me lembra o que o psicodrama virtual passou nos últimos 20 anos. Só que agora será muito mais rápido.

Pois é… como dizia uma sábia frase do Arthur Schopenhauer. “Toda verdade passa por três estágios: Primeiro é ridicularizada, segundo é rejeitada com violência e terceiro é aceita como óbvia e evidente.”

Querido Mestre, tá difícil explicar que apesar do nome, a inteligência artificial ainda não é inteligente. Ela é excepcionalmente incrível e produz resultados surpreendentes, mas acreditar que é inteligente desvia o entendimento do que ela possibilita. Uma calculadora faz contas extraordinárias e nem por isso acreditamos que ela tem inteligência. O mesmo para o seu smartphone, que apesar do nome, não é inteligente. Outra dificuldade é explicar que se trata de um agente e não de uma ferramenta. Essa diferença, que parece sutil, facilita o entendimento do seu uso. Dizer que a máquina não consegue atender alguém necessitando de um apoio terapêutico é uma miopia de quase cegueira e dizer que a maquina substitui um terapeuta humano é outra. Essa semana o Conselho Federal de Psicologia, fez três postagens com mensagens sobre a IA, que mostram o quanto estão desinformados e desinformando. Numa das telas diziam que estavam dedicados a refletir sobre os desafios e possibilidades dessa tecnologia (e?) sendo que numa outra dava alguma esperança porque dizia: “se interessa pelo tema? Acesse o site e saiba mais”. Entrei no site e… nada! Tem terapeutas que estão perdidos quanto a esse importante dado de realidade. Nem sabem das dezenas de aplicativos, como o Youper, focados em terapia. É urgente um letramento sobre os agentes de IA e suas possibilidades para o apoio do “nosso” Psicodrama. Não é, Mestre? Hay que tecnologizar sin perder jamás la ternura.

Ao meu Mestre, Dalmiro Bustos, uma conversa de ternura, amor e luz!

*

“Caminante, son tus huellas

el camino, y nada más;

caminante, no hay camino,

se hace camino al andar.

Al andar se hace camino,

y al volver la vista atrás

se ve la senda que nunca

se ha de volver a pisar.

Caminante, no hay camino,

sino estelas en la mar.”

Antonio Machado

“Caminhante, suas pegadas são

o caminho e nada mais;

caminhante, não há caminho,

caminho se faz caminhando.

Caminhar faz o caminho,

e olhando para trás,

você vê o caminho que nunca

será trilhado novamente.

Caminhante, não há caminho,

senão rastros no mar.”

Antonio Machado

Primeiro de Agosto 2025

Sacanagem ou Cabanagem em Belém?

COP30 no Brasil! O que deveria ser um dos principais legados de justiça climática e ambiental do Brasil para o mundo, corre o ENORME risco de virar o maior fiasco da nossa história ambiental. Como isso é possível?

A começar pela hospedagem, Belém está escolhendo torná-la o maior obstáculo para a presença de quem precisa negociar as principais questões climáticas. Isso sem falar nas delegações dos países e até mesmo nos diplomatas. Esses são os valores de hospedagem da cidade de Belém ou estão de sacanagem? E o Círio de Nazaré praticam os mesmos valores para um evento que conta com mais de 2 milhões de participantes? Será que os hotéis e os moradores cobram essa exorbitância dos fiéis que veem para a maior procissão católica do mundo? Talvez não seja Sacanagem e sim Cabanagem, um “remake” da revolta popular* (1835) por estarem sendo oprimidos pela capital. Será? Se for uma revolta contra a desigualdade social, Belém está quase conseguindo seu objetivo de que a COP30 seja transferida para outro lugar. Agora se for sacanagem… está correndo o risco de ficar na mão pela sua ganância. Nossa Senhora de Nazaré e seu filho devem estar intervindo para um melhor resultado na cidade de sua Basílica.  Melhor não seguir os conselhos do presidente brasileiro  fará em a COP em Belém “do jeito que for” e em fevereiro desse ano afirmou: “Se não tiver hotel cinco estrelas, durma em um de quatro. Se não tiver de quatro, durma em um de três. Se não tiver de três, durma na estrela do céu do mundo, olhando para o céu, que vai ser maravilhoso”.  O que vai ser?

Mudar a sede da COP de última hora já aconteceu e tem uma chance de acontecer novamente.

A COP25 seria no Brasil em 2019, porém o governo anti meio ambiente cancelou o evento um ano antes. O Chile hospedaria a COP25, mas um mês antes – sim 1 mês antes (33 dias) – cancelou sua realização. Madri, de última hora, hospedou a COP25. Ou seja, de que adianta ter um evento em que muitas pessoas não conseguem ir? Será que a COP30 vai para o Rio ou São Paulo? Como ficaria Belém com o resultado de suas ações? A COP26 em Glasgow chegou a passar por uma pressão da Inglaterra para que reduzissem os custos de hospedagem. Foram ameaçados de tirar a COP da Escócia.

Outro episódio vergonhoso para o nosso país foi a mudança de data da Rio+20 que se iniciaria no dia 4 de junho de 2012 para dia 13 de junho por causa dos 60 anos de coroação da Rainha da Inglaterra. O 5 de junho é o Dia Mundial do Meio Ambiente por causa da primeira Conferência do Clima em Estocolmo nessa data. A seguinte foi a ECO92 no Brasil e, simplesmente, alterou a data simbólica de um evento relevante para o mundo todo. O pior foi que a mudança ocorreu apenas 6 meses antes, onde o mundo já tinha se agendado a participar. O resultado foi que nem mesmo o primeiro-ministro Britânico, James Cameron, compareceu. Nem Ângela Merckel (Alemanha) e nem Barack Obama (EUA) compareceram. Foi uma atrapalhada monumental. Enquanto ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, afirmou que o “meio ambiente é sem dúvida nenhuma uma ameaça ao desenvolvimento sustentável. Isso significa que é uma ameaça para o futuro do nosso planeta e dos nossos países.” Esse ato falho deixou claro o que realmente importa e o que não importa para quem representa o Brasil… até hoje!

A PL da DEVASTAÇÃO é outra mancha horrível em nosso país que deveria estar liderando o combate às mudanças climáticas e não arrasar a Natureza, a Economia e a Civilização. Se isso é democracia, sou contra! São indivíduos que para obter benefícios próprios não importa se estão indo contra o país, o estado o município ou o planeta todo. Foi um crime contra a humanidade. Foi no Brasil! Foi no ano da COP30! Foi a boiada e o correntão que passou. Senado e Congresso! Que vergonha! Que vergonha!

Exploração de Petróleo na Foz do Amazonas é o absurdo do absurdo do absurdo. Como pode, a essa altura do campeonato, alguém não conseguir resistir a tentação e levar todo mundo para o precipício. Sacanagem ou Sacanagem? Não dá para alegar ignorância quando tudo e todos convergem na direção da ciência e do bom senso. É um crime contra a humanidade. É no Brasil! É no ano da COP30! É a boiada e o correntão passando. Presidência, Ministério de Minas e Energia e Petrobras. Que vergonha! Que vergonha!

A Luz no Fim do Túnel vai para o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima que vem fazendo em toda sua capilaridade um trabalho maravilhoso e muito difícil diante das realidades políticas, econômicas, sociais, ambientais, éticas, culturais e até estéticas. Marina Silva é o exemplo de ser humano a ser seguido em todo mundo. Os que conspiram contra a democracia e a integridade humana fazem de tudo para mantê-la longe. O mundo sabe! É um balsamo a crise civilizatória. É no Brasil! É no ano da COP30! É a verdade e a integridade agindo. Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Que orgulho! Que orgulho!

Outra Luz Brilhante que desponta em meio às adversidades é o Observatório do Clima. Uma rede em ação contra a crise climática. São mais de 130 organizações que se dedicam à construção de um Brasil descarbonizado, igualitário, próspero e sustentável. Uma força incrível formada por pessoas de uma bagagem sólida e resilientes. Amor e Luz!

Dos muitos projetos do Observatório do Clima, o Central da COP é Bola na Rede!

“O Central da COP é um site criado pelo Observatório do Clima, com tudo o que você precisa saber sobre cada edição da Conferência das Partes (COP), mas escrito com uma linguagem de futebol. Afinal, o clima não pode ser uma caixinha de surpresas.”

*revolta popular

Cabanagem:  A revolta popular foi iniciada em Belém em 1835 e matou mais 20.000 pessoas, uma das mais violentas da história do Brasil. A Província do Grão-Pará era separada do Brasil, respondia diretamente à Portugal e na independência foi anexada ao país (1823). Foi marcada pela intensa participação de indígenas, negros, mestiços e pobres, que viviam marginalizados pelo poder imperial. Insatisfeitos com a exploração econômica, a exclusão política e a centralização do governo do Rio de Janeiro, os revoltosos chegaram a tomar o controle de Belém e governar por alguns meses. No entanto, a repressão imperial foi brutal: morreram cerca de 20% da população da província na época. A Cabanagem permanece como um dos mais trágicos e significativos episódios de resistência popular da história brasileira.

Primeiro de Julho 2025

No início era… a Verdade!

No início a Verdade estava com os oradores (Grécia), depois foi para os livros (Guttemberg), em seguida para as mídias (McLuhan), depois para internet (Negroponte) e finalmente para as nuvens (IA). Lamento informar que a Verdade não existe mais! Ela morreu e foi para o céu. Amém

O céu, para onde a Verdade foi, estava precisando de reforços para entender o que acontece aqui embaixo. Por isso convocaram a Niède Guidon, Sebastião Salgado, José Mujica, e o Papa Francisco para esclarecer, trazer luz à Verdade. Entre outras coisas querem saber como pode os habitantes humanos desse planeta estarem escolhendo líderes tão inacreditavelmente horríveis e porque ainda acreditam que o sistema para os eleger faz bem para a democracia.

– recomendo pularem o próximo parágrafo –

Voltando a Verdade, que descanse em paz, precisamos nos perguntar se ela era apenas uma ilusão passageira que navegava por mares nunca dantes navegados. Se a frase anterior fez algum sentido, você deve estar precisando de ajuda. Verdade! Vamos por partes, adoramos separar as coisas. A palavra ilusão tem origem no latim “illusio”, se refere a enganar, zombar e tem um quê de brincar (lúdico). Fica então, na pergunta, se a Verdade era uma forma de desviar a percepção… de distraí-la. Desviar do que? Acredito que seria mais preciso perguntar: desviar para o que ou para onde? Seria a Verdade apenas a definição de uma percepção escolhida? Portanto a Verdade não existiria em si. Tá complicando! Vamos então para a palavra passageira que se refere a algo impermanente que estaria a bordo de alguma intenção interna ou externa. Significaria que a Verdade, fonte de uma percepção escolhida ou imposta por alguma manipulação cognitiva, estaria de passagem de um lugar para o outro. De onde para onde? Daqui para lá ou de lá para cá? Aqui familiar, conhecido e lá estrangeiro e misterioso… místico. A palavra navegava denuncia o tempo em que a Verdade existia, mas não existe mais. Ela também informa que havia algum tipo de condução na escolha de seu destino. Quanto a mares nunca dantes navegados, a pergunta quer saber se aquele desvio de percepção impermanente foi conduzido por uma nova consciência e possivelmente gerado algum tipo de dissonância cognitiva. Voltando a Verdade, precisamos nos perguntar se ela era apenas uma ilusão passageira que navegava por mares nunca dantes navegados.

– quem não pulou o parágrafo anterior (avisei), respire fundo, vai tomar uma água e espero que volte para o próximo –

Quais são as Pós-Verdades atuais e onde moram?

Vou começar com a inteligência artificial que gera todo tipo de ilusões, sejam involuntárias ou propositadamente enganadoras (deviant).

Inteligência artificial (IA) é um conjunto com dezenas de conceitos diferentes e muitas vezes, bem diferentes. É como dizer “Religiões”, todo mundo sabe que existem centenas e que são diferentes uma das outras. No entanto o conjunto de mitologias existentes recebeu o nome de “religiões”. O mesmo ocorre para o termo IA, trata-se de um conjunto de sistemas computacionais capazes de simular funções cognitivas humanas. Ou seja, uma calculadora tem inteligência artificial. Apesar de resolver cálculos sofisticadíssimos que exigiria alguém muito inteligente, num tempo muito maior, uma calculadora não é inteligente. A maioria das pessoas sabe que uma calculadora não é inteligente, apesar de resolver funções inteligentes.

Atualmente existem três classificações de IA. A primeira é a Inteligência Artificial Limitada (ANI – artificial narrow intelligence), a segunda é a Inteligência Artificial Geral (AGI – artificial general intelligence) e a terceira é a Superinteligência Artificial (ASI – artificial superintelligence).   

A ANI (inteligência artificial limitada) é, também, chamada de Inteligência Artificial Fraca ou Estreita (Weak AI). É a única que utilizamos!

A AGI é a mais falada e disputada, mas ainda não existe. Não sabemos quando e se realmente terá condições de existir. A corrida das big techs é para alcançar essa cenoura pendurada num fio preso a uma vara de investimentos. Se vai se tornar viável ou não, pouco importa nesse momento em que a maioria das pessoas veem a AI nessa categoria. Isso não existe! Não está acontecendo em lugar algum. A IA que estamos vivenciando é a IA fraca!   

A ASI é um delírio que está apenas na imaginação fértil dos que alucinam e adoram se alimentar de inverdades. É para aqueles que compram propriedades no Metaverso ou em Marte. É a IA que vai superar as inteligências humanas e as máquinas vão, por si só, dominarem o mundo. Por enquanto só dominarão o que forem programados, pelos humanos, para dominarem. Esse tipo de ginastica da imaginação é parecida com a do teletransporte que até hoje mora só na ficção.  

Por favor, não passem vergonha ao declarar que o equivalente a uma calculadora é inteligente. Não é!

A ANI tem uma capacidade espantosa de processar dados e gerar linguagem imitando relações cognitivas. Podem servir de forma reativa, respondendo a estímulos questionados; regenerativa, criando conteúdos novos e originais, respondendo a estímulos demandados; como agentes, gerando ações, respondendo a estímulos programados. Tudo isso em formato de captura, reconhecimento, processamento, análise, geração e entrega de texto, áudio, vídeo, imagem em muitas línguas e linguagens. Impossível não se maravilhar com isso.

Inteligência Artificial é um conceito bem antigo que teve seus primeiros passos (com a mão na máquina) com Alan Turing nos anos 1930. Ele também criou (1950) o teste Turing, que existe até hoje, onde se mede a capacidade da máquina simular comportamentos e linguagem humanas. De lá para cá se desenvolveram centenas de máquinas simuladoras. Os chatter robots (chatbot) mais famosas foram o Eliza (1964) , Parry (1972), Jabberwacky (1988), Dr Sbaitso (1992) e os famosíssimos Alice (1995) e Deep Blue (1996). A partir daí começou a geração mais contemporânea como o  Siri (2010), Google Now (2012), Cortana (2014), Alexa (2014), ChatGPT (2021), Gemini (2023), Claude (2023),  CoPilot (2023), Deepseek (2024) e mais centenas que estão sendo criadas com as principais plataformas.  

Quem acha que inteligência artificial é algo novo, engana-se redondamente. Só as máquinas de calcular tem mais de 300 anos.

A desmistificação da ilusão da inteligência artificial é que ela só entende duas coisas: ligado e desligado (0 e 1). Os LLM (Large Language Models) é que providenciam o espantoso diálogo entre nós e a máquina. O IA não pensa, não sente e não conexão com o divino.

O que realmente me preocupa na IA é a questão socioambiental. Pouca gente fala nisso, mas o desastre que estão causando é surreal. Nem vou entrar nisso hoje. Quem quiser pesquise o que, por exemplo, o Elon Musk está fazendo com o Colossus em Memphis (Tennesse).

Outras Pós-Verdade:

Vou deixar de lado a Pandemia (origem, tratamento, isolamento, vacinas e corrupção) e as Eleições que já falei muito em textos anteriores. Nem falarei da reunião de Bonn que definiu as pautas da COP30. Vou escolher encerar o texto com a recente publicação do livro do Dom Phillips, jornalista do The Guardian que junto com o Bruno Pereira foram selvagemente assassinados no Vale do Javari na Amazonia. O livro é uma leitura recomendada para quem quiser, minimamente, entender uma parte do Brasil abandonada e que só veio a tona porque um jornalista Tom Phillips, amigo do DOM, resolveu fazer uma densa reportagem sobre o ocorrido. Além do livro (Como Salvar a Amazônia) que estava quase terminado antes de ser morto, o The Guardian lançou um podcast com a impressionante reportagem. Antes de mais nada vejam a ótima entrevista da Branca Vianna com o Tom Phillips (não confundir com o Dom) no podcast Fio da Meada da Rádio Novelo. Imperdível!        

Podcast Fio da Meada:

Tom Phillips destrincha o crime que tirou a vida do amigo dele

“Não tem como falar sobre os assassinatos do Bruno e do Dom sem falar daquele momento político.”

Podcast Missing in the Amazon (The Guardian)

Em um dos cantos mais remotos da selva amazônica, um jornalista e um defensor indígena desaparecem sem deixar rastros. Desaparecidos na Amazônia – nossa nova série de podcasts investigativos em seis partes revela o que aconteceu com Dom Phillips e Bruno Pereira. Contado pela primeira vez pelas pessoas mais próximas a eles.

Livro Como Salvar a Amazônia:

Misto de diário de viagem, investigação jornalística e manifesto, este é o livro póstumo do jornalista que foi brutalmente assassinado na Amazônia.

Primeiro de Junho 2025

Marina Silva do Brasil

Marina Silva é um desses raros seres humanos reconhecidos no mundo todo e que o Brasil não soube e não sabe merecer. Mesmo assim, ela continua firme e forte na causa ambiental e se cercou de pessoas da mais alta competência técnica.

O show de horrores, da última terça feira (27 de maio), numa audiência do senado que convidou a Marina Silva para dar informações sobre estudos e reuniões realizadas para a criação de Unidades de Conservação na Margem Equatorial, provou a total falta credibilidade, educação, honestidade e postura ética dos senadores. Surreal! Essa audiência ocorreu na semana seguinte da aprovação da PL da Devastação (2.159/2021), que é considerada a mãe das “boiadas”. O pior do pior do pior para o meio ambiente foi aprovado por 54 senadores e somente 13 a rejeitaram. Nem no governo passado que tinha como pauta destruir o meio ambiente para gerar riqueza para alguns, uma loucura dessas passou. Ou seja, a maioria dos senadores não estão lá para atender aos ingênuos que neles votaram e muito menos no povo em geral. Mentiras, manipulações, fraudes e atitudes antiéticas são o modus operandi do senado.  

Volto a minha questão, de vários textos anteriores, de que as eleições vão contra a Democracia. Tenho que concordar com o filósofo grego Sócrates quando afirmava que o sistema para eleger governantes era falho. Ele faz uma analogia, com um navio onde as pessoas, a bordo, ao invés de escolherem o mais preparado para conduzi-lo, escolhem aquele com o discurso mais persuasivo. Elegem, por não saberem reconhecer a diferença, o que levará o navio à deriva. Quem elegeu esses 54 senadores que votaram pelo pior do Brasil e do mundo, não tinham ideia do que estavam fazendo. Por isso, insisto que o sistema eleitoral, como está hoje, se movimenta contra a democracia.

Veja um exemplo óbvio do que Sócrates denunciava: o presidente do senado federal, eleito há exatos quatro meses, foi um dos principais responsáveis pela trágica aprovação, no senado, da PL da Devastação que destrói o licenciamento ambiental. Dois dias depois, esse sujeito, recebeu a Medalha de Ordem do Mérito, no grau de Grã-Cruz, a mais alta da honraria, pelos relevantes serviços prestados a toda a sociedade brasileira.  Oi??? Como diria Milton Nascimento, em sua música E DAÍ? …“E tudo aquilo que fujo tirou prêmio, aval e posto.”

Voltando às cenas de horror explícito da sessão de ofensas à Marina Silva, pelo presidente da audiência da Comissão de Estrutura do senado e dos senadores que falaram. Trata-se da hipernormalização do horror! Já não basta normalizar é preciso hipernormalizar. O trabalho que estamos dando à dissonância cognitiva é sem precedentes em nossa história.

O presidente da sessão, do alto da sua prepotência e ignorância, despencou diante da altivez da Marina. Usou seu repertório de baixarias em vão. Apesar de estar no seu meio com outros senadores misóginos como ele, não conseguiu calar a ministra. Não adiantou desligar o microfone dela, tentar desacreditá-la ou de vociferar: “ponha-se no seu lugar”. Esse senador (de Rondônia) vai entrar para história como aquele que tentou golpear e caiu na própria armadilha.   

O senador (do Amapá) proponente da sessão foi tão assustadoramente raso e desinformado que deve ter surpreendido até os seus apoiadores. Disse ter sido surpreendido com o estudo para criação das Unidades de Conservação, disse que a ICMBio cancelou ouvir a população e outras afirmações desviadas da verdade. O projeto é de 2005, o Amapá pediu para adiar a conversa com a população e outras afirmações foram esclarecidas pela ministra, sendo que o senador deveria estar ciente dessas informações básicas.

Outro senador (de Santa Catarina), que me surpreendi que ainda estava na ativa, falou tanta bobagem sem qualquer coerência que só depois de ter mencionado o ChatGPT é que ficou claro de onde pescou as informações para parecer inteligente. Falou de Baleia Franca, de terceirização da penitência e sobre os sete institutos e agencias que medem o efeito da poluição nas guerras. Uma vergonha! Teria sido muito melhor que o próprio ChatGPT assumisse essa fala. Teria se saído bem melhor.

Mas o inacreditavelmente pior deles (do Amazonas) que chegou a afirmar de que as mortes do COVID, por falta de oxigênio, em Manaus se deu por conta da falta de estradas em que a ministra teria alguma responsabilidade. Ela nem no governo estava. Como ele conseguiu fazer alguma relação do asfaltamento de uma estrada de Porto Velho a Manaus (BR-319) com a demora em receber oxigênio durante a COVID? As barbaridades que esse senhor proferiu (ou profanou) não são dignas de serem comentadas aqui. A partir daí a coisa degringolou e ficava explicito a intenção que esses senadores tinham ao convidar a Ministra Marina Silva. Uma vergonha para o Brasil!

Por fim o senador (do Amazonas) que numa audiência em março disse que teve vontade de enforcar a Marina, disse na abertura da sua fala de que “respeitava a mulher, mas não a ministra”. Verdade! Disse isso mesmo! Marina lhe deu a oportunidade de se desculpar pelo que disse e ela continuaria na sessão. Ele não se desculpou e a Ministra Marina Silva se retirou.

Apenas dois senadores tiveram a coragem e a dignidade de defender a Marina, o Senado e a Democracia. Foram eles Eliziane Gama (do Maranhão) e Rogério Carvalho (de Sergipe).

Marina Silva é um desses raros seres humanos reconhecidos no mundo todo e que o Brasil não soube e não sabe merecer. Mesmo assim, ela continua firme e forte na causa ambiental e se cercou de pessoas da mais alta competência técnica.

Aqui seguem alguns links para quem quiser mergulhar mais nesse tema:

1. A audiência do senado completa. São 3h20 que merecem sua atenção para entender, com profundidade, o que está em jogo e quem são aqueles que deveriam estar cuidando de nossos interesses. Abra mão de assistir dois filmes ou duas partidas de futebol para entender o que acontece por baixo dos panos. Vale Tudo! https://www.youtube.com/live/yfpgJ0aY7G8

Viva Marina –  vídeo do Eduardo Bueno sobre o episódio: https://youtu.be/yceUY4L92fc

Sumaúma revela os bastidores da articulação do projeto que destrói o licenciamento ambiental: https://sumauma.com/como-o-governo-lula-colaborou-para-aprovar-o-pl-da-devastacao/

Marina Silva do Brasil – https://marinasilva.org.br

Primeiro de Maio 2025

Gratidão

Agradecer mesmo diante das adversidades

Ontem a noite aconteceu um episódio que reflete a gratidão dentro do inesperado. Na semana passada estava no escritório de uns amigos quando ouvi conversarem, lateralmente, sobre o filho de um deles (muito bem relacionado) ter conseguido uma mesa para um show do Djavan. Estava dizendo que o lugar era pequeno com poucas mesas. Oi????? Me aproximei e perguntei se conseguiria reservar mais dois lugares. Falou com o filho e confirmou meus dois lugares. Que alegria! Djavan num lugar pequeno, provavelmente, um evento fechado… particular! Cheguei em casa e disse para minha cara-metade reservar a noite do dia 30 para uma surpresa bem especial. Eu ia ganhar pontos para o ano todo! Ela vinha me pedindo para surpreendê-la. Dessa vez, seria uma super dentro. Djavan fazia parte integrante da nossa história de amor, relatada num livro que escrevemos – A Vida: em Versão Original, onde a música Oceano tem um papel importante. Principalmente no trecho:

“Vem me fazer feliz, porque eu te amo

Você deságua em mim, e eu, oceano

E esqueço que amar é quase uma dor”

No dia seguinte da reserva pedi que me enviassem o pix para eu fazer o depósito. Foi quando entendi que era um bar onde alguém iria tocar músicas do Djavan. E agora? Como contar que a surpresa não seria assim… especial! Não disse nada e ontem chegando no lugar lotado, muito barulhento que mal dava para ouvir a música, ela realmente se surpreendeu que a levei para um programa que ambos não apreciavam. Porém, a deliciosa companhia de dois casais queridos e um filho de cada foi motivo de agradecimento. Foi uma noite muito boa apesar do local e do não Djavan.

Falando na minha cara-metade, Deborah, hoje ela fez um evento celebrando os dois anos do evento virtual mensal “Chá da Gratidão”, onde as pessoas compartilham, suas estórias de gratidão. Ao longo desses últimos 20 anos ela vem realizando movimentos de transformação pessoal, através de workshops, livros, mentorias, artigos, lives, podcast, site, TEDx, entrevistas e outras formas de levar as pessoas à um estado de gratidão pela vida e superação de dificuldades. Psicologia Positiva, Neurociência, Danças Circulares, Psicodrama e muitas outras técnicas que aprendeu na prática.

Hoje foi, mais uma vez, emocionante ouvir depoimentos profundos de agradecimento pela transformação das pessoas. Muito orgulho dela! Em breve lançara um curso virtual que vem sendo desenhado há uns dois anos. Para quem não a conhece sugiro entrarem no deborahdubner.com.br

Hoje, na França é o dia de se desejar alegria e boa sorte presenteando a família e os amigos com a flor Muguet (lírio do vale). Por isso publiquei, acima, um ramo de muguets e desejar muito boa sorte a todos.”Porte-bonheur du mois de mai, je t’offre ce brin de muguet pour qu’il t’apporte chance et bonheur toute l’année.”
Tradução: Amuleto do mês de maio, eu te ofereço este raminho de muguet para que ele te traga sorte e felicidade o ano inteiro.

Falando em França estamos na Temporada França-Brasil 2025, um evento cultural bilateral que celebra os laços históricos e contemporâneos entre os dois países. Concebida como uma vasta jornada cultural e cívica, a Temporada França-Brasil 2025 é construída em torno de três grandes prioridades compartilhadas por nossas duas nações: Climatização e transição ecológica; Diversidade de sociedades e diálogo com a África; Democracia e globalização justa.

De abril a setembro teremos centenas de eventos do Brasil na França e de agosto a dezembro centenas de eventos da França no Brasil.  

Consultas Poéticas – Salve a Data: 25/05 (domingo) na Casa das Rosas na av. Paulista

Em parceria com o Théâtre de la Ville, uma das principais companhias da cidade de Paris, o Instituto POIESIS realizará pela primeira vez em São Paulo o projeto Consultas Poéticas, iniciativa artística que visa oferecer momentos de acolhimento e inspiração ao público através da poesia. Por meio de encontros individuais, o público é convidado a se sentar e conversar, recebendo uma “prescrição” de poemas escolhidos de acordo com suas emoções e necessidades do momento. Vestindo jaleco branco, o elenco brasileiro, composto por 7 pessoas, entre atores, músicos e bailarinos, propõe transformar a poesia em um ato terapêutico, promovendo um momento de conforto, reflexão e conexão humana, em um instante único e efêmero. Será no domingo 25 de maio durante a Virada Cultural, na Casa das Rosas – av. Paulista – São Paulo

A partida do Papa Francisco mobilizou sentimentos pelo mundo todo. Acredito que dentre todos os seus feitos, o de corajosamente trazer luz para as questões ambientais e climáticas foram as mais sagradas. A mudança de uma cultura de destruição da Natureza para a conscientização de que somos Natureza, foi regenerativa. As ações mais significativas foram a carta encíclica Laudato Sí lançada em maio de 2015, um mês antes da COP21 de Paris. O impressionante Sínodo da Amazônia em 2019 e a continuação da carta Laudato Sí, que chamou de LAUDATE DEUM e a lançou em 4 de outubro de 2023, dia de São FRANCISCO de Assis.

E agora? Vão honrar o legado dos Franciscos?

Principalmente agora que já se sabe que a grande maioria da população mundial deseja ações mais fortes contra as mudanças climáticas. Não parece, né? Foi criado uma nova iniciativa chamada Projeto 89%. O projeto é uma iniciativa jornalística global lançada em abril de 2025, liderada pelo The Guardian e pela agência de notícias Agence France-Presse (AFP), em parceria com a coalizão Covering Climate Now e dezenas de outras redações ao redor do mundo. O projeto surgiu a partir de estudos científicos recentes, incluindo uma pesquisa publicada na revista Nature Climate Change, que entrevistou quase 130 mil pessoas em 125 países. Essa pesquisa revelou que 89% dos entrevistados apoiam ações governamentais mais fortes contra as mudanças climáticas. No entanto, muitos acreditam que esse sentimento não é compartilhado pela maioria, caracterizando o fenômeno conhecido como “espiral do silêncio”.

Vale a pena dar uma profunda pesquisada nos artigos do The Guardian! Recomendo!

O Apagão da Europa que atingiu principalmente a Espanha e Portugal é apenas mais um exemplo do que estamos fazendo com a Natureza e nos atingindo, cada vez mais, em cheio! Acredito que a questão principal é o que faremos sem energia? A nossa dependência ficou tão intimamente ligada (literalmente ligada) ao fornecimento que qualquer falta significa lidar com o imponderável. Numa Era das Incertezas, como dizia Edgar Morin, temos que esperar o inesperado. As pessoas terão que se reacostumar a conversar pessoalmente, ouvir música ao vivo, guardar o celular, futebol só entre amigos, crianças voltarão a brincar e por aí vai! Estou exagerando, é verdade, temos as energias locais, principalmente a solar. Pensando que podemos deixar de nos distrair (ou entorpecer) com informações contínuas e inúteis. Voltaremos a nos relacionar com o viver a vida.

Assim como no texto do mês passado, onde recomendo um texto que escrevi um ano antes, também, quero recomendar o texto que escrevi em 1º de maio de 2024: “Amor Radical”, onde compartilhei a vinda do Satish Kumar no Brasil e as sabedorias contidas em seu mais recente livro. A foto que ilustra o texto é um abraço pouco antes de dar a palestra no SESC. Recomendo muito visitarem o texto, com o subtítulo “Se é para radicalizar, vamos radicalizar no Amor.” Segue um trecho:

“Entre as tantas sabedorias que compartilhou naquela noite, uma das que mais gostei foi a comparação do Amor Radical com a Água de serem iguais (the same). O amor é a água para o coração, o amor é a água para a alma. A água não descrimina a quem ela vai servir, não existe aqueles que a merecem e os que não a merecem. Todo ser vivo pode ser sustentado, alimentado e mantido pela água. O amor é como água, nunca envelhece. O amor é como a água nunca deixam de ser necessárias, você precisa diariamente dela. A cada hora você pode tomar água, ela faz bem.

Amor Radical está em todos os níveis. Primeiro começa com você mesmo, você é o mundo, você é o microcosmo do macrocosmo. Cada um é único. O potencial do ser humano é inimaginável. Ser feliz com quem você é, é amar a si mesmo. Você não tem como amar o mundo sem amar a si mesmo. O primeiro passo é começar com você mesmo. Seja a mudança que você quer ver no mundo, seja o amante de você mesmo. Aprecie quem você é. Amar a si mesmo não é ego, e sim aceitar quem você é e cultivar sua essência. Seja quem você pode realmente ser. Não precisamos copiar ninguém, o universo, a evolução, a natureza fez cada um de nós único. Por que copiar alguém?

A partir daí você ama o mundo sem qualquer exceção, sem descriminação. Como a água que não descrimina quem a toma. O ódio pode matar, ódio não pode transformar, ódio não pode deixar você feliz. Amar qualquer um é o segundo passo.

Depois disso amar a Natureza. Pensamos que a Natureza é separada de nós. Pensamos que a Natureza e os seres humanos são separados. Por isso não amamos a Natureza. Ela não é um ser inanimado, ela é um organismo vivo. Somos todos Natureza. Somos todos feitos de terra, ar, fogo, água e consciência. Somos todos feitos dos mesmos elementos.”

Agradeço por estar Aqui e Agora! Gratidão!

Primeiro de Abril 2025

Dia da Mentira… em extinção!

Acredito que o Dia da Mentira não faz mais sentido, todo dia é dia da mentira. Talvez um Dia da Verdade fosse mais interessante, o problema é que ninguém mais acredita na verdade.

Talvez se criássemos um jogo, monitorado por uma inteligência artificial isenta, que gerasse dividendos para a verdade e prejuízos para a mentira. Com isso inverteríamos a lógica do jogo atual onde a indústria do ESG ganha com licenças para degradar, as Big Techs usando os usuários, os Políticos infringindo políticas, a Imprensa matando o jornalismo, os Laboratórios criando doenças, as Escolas fingindo que ensinam, a Religião desligando a espiritualidade, as Petroleiras desenergizando a sobrevivência, o Agronegócio insustentável florescendo, a insegurança Alimentar subsidiada e muitos outros jogadores fazendo pontos com a mentira. Seria uma virada de jogo fazer pontos com a verdade. Quem se habilita?       

Quero recomendar um texto maravilhoso. Um texto muito bom mesmo! Um texto que escrevi no primeiro de abril de 2024 chamado “Dia da Pós-Verdade”, estava inspiradíssimo. A começar pela imagem que acompanha o texto: a capa do jornal “O Globo” do último dia da Rio+20. Foi o maior evento da ONU realizado até então. Realizados em 10 locais nobres espalhados pela cidade. Estima-se que foram realizados mais de 500 eventos paralelos. Simplesmente um evento da maior importância mundial que geraram , entre tantas coisas, as negociações para o Acordo de Paris. O Rio de Janeiro foi ocupado por dezenas de milhares de pessoas, chefes de estado, imprensa internacional, cientistas, ativistas do mundo todo… tudo ficou diferente, para os Cariocas, naqueles 10 dias. E o mais importante jornal local resolveu que a capa merecia destacar o impeachment do presidente do Paraguai ao invés do principal evento mundial que estava acontecendo no BRASIL, no RIO de JANEIRO! No dia seguinte (sábado) a capa voltou a falar do Paraguai e no domingo a manchete era “Torturador rompe silêncio de 41 anos sobre Casa da Morte”. Oi???? Bem simbólico! Escrevi também sobre 8 itens de como se proteger das manipulações. Talvez eu acrescentaria um nono item relativo ao uso de desuso da inteligência artificial nesse contexto. Dei 7 exemplos que podem ser amplamente pesquisados. Hoje pensei em mais alguns, mas ficará para um próximo texto. E por fim, menciono três casos emblemáticos da mídia camuflando a verdade: esse da  Rio+20, um da COPA 2014 e o maravilhoso Pangea Day que a maioria dos brasileiros não ficou sabendo graças a – sei lá o que – da mídia brasileira. Leia ou releia esse texto imperdível! Verdade!  

O que mantem a existência de empresas que comprovadamente fazem mal ao público? Provavelmente… nós! Mais um escândalo escancara as intenções malignas do dono do Facebook (ardilosamente renomeado para Meta), como se já não bastassem as tantas outras que já emergiram. A Cambridge Analytica em 2018 seria suficiente para a total aniquilação dessa fábrica de manipulação, a delação da Frances Haugen em 2021 seria suficiente para mais ninguém usar os serviços macabros dessa organização. As declarações do próprio Marc Zuckerberg depois que os EUA mudaram seu regime político, denunciam sua essência perversa.  Agora a Sarah Wynn-Williams lança mais um desafio para o público exercitar a dissonância cognitiva e continuar permitindo que Facebook atinja sua META sem que isso pareça um atentado contra a humanidade, contra o que deveria nos fazer humanos. O livro “Careless People” e as dezenas de entrevistas que já deu para veículos de peso, como o 60 Minutes, está infernizando a vida dos dirigentes dessa instituição, comprovadamente, mal-intencionada. O que mais chama a atenção é que seria apenas mais uma denunciante (whistleblower) como vários já o foram: Frances Haugen, Siva Vaidhyanathan, Jeff Horwitz, Brittany Kaiser, Christopher Wylie, Sheera Frenkel, Cecilia Kang e outros. O que está fazendo a Sarah Wynn-Williams tão famosa é a desastrada tentativa de censurar seu livro, com isso virou imediatamente um best seller. Talvez os nomes que mencionei acima não são conhecidos pela maioria do público, uma pena porque são histórias incríveis. Comecei a ler o livro da Sarah e achei horrível a forma como ela se posiciona e a linguagem utilizada. No primeiro capitulo ela descreve um ataque de um tubarão que sofreu no litoral da Nova Zelandia quando era apenas uma criança. A descrição é absurda e condena, sem dó, seu pai, sua mãe e os médicos que a salvaram. Depois desse debut, não há mais como avançar no livro sem dar um desconto de 80% do que diz. Não sei se é o jeito dela de criar esse tipo de narrativa, ou de algum personal ghost writer, ou até mesmo da editora, acreditando que esse tipo de sensacionalismo venderia mais livros (e talvez estejam certos). Quero terminar de ler o livro, por pura teimosia. Depois de finalizá-lo vou ler as diversas críticas para sentir a temperatura do está por vir.

Como você está?

Difícil responder, né?

E se perguntarmos: como está o Brasil?

Qual é a imagem do Brasil hoje no mundo?

O que especialistas em Brasil e as lideranças do país pensam sobre o momento, os desafios, as oportunidades e a relevância do Brasil em relação ao mundo?

Quais mudanças precisam ser feitas para atualizar a imagem do Brasil, para que ela esteja a favor do presente e do futuro de seu povo?

Quais mudanças precisam ser feitas para atualizar a imagem do Brasil, para que ela favoreça uma maior conexão e atratividade do país perante o mundo?

Quais são as percepções, sentimentos e desejos dos brasileiros em relação à imagem do país?

Não seria maravilhoso conseguir responder essas perguntas? Agora é possível ver as respostas sobre essas percepções. Saiu o mais completo estudo sobre “O Brasil que o Brasil quer Ser”. Se você ainda não teve o privilégio de mergulhar nesse trabalho que entrevistou 90 lideranças e mais de 3.000 brasileiros para entender o momento atual e as perspectivas de futuro do Brasil, ao terminar de ler esse texto acesse o site e baixe o pdf. Sem qualquer spoiler, recomendo ler o original ao invés das resumidas análises, provavelmente, carregando os vieses de seus autores.

obrasilqueobrasilquerser.com.br

Vou finalizar o Dia da Mentira, quase em extinção, com o parágrafo que escrevi e repeti nos últimos textos:  

“Acreditamos no que pensamos saber, acreditamos no que sabemos que não sabemos, acreditamos no que se convencionou acreditar, acreditamos, sem o menor constrangimento, no inacreditável.”

Primeiro de Março 2025

Do Inacreditável ao Acreditável! Como assim?

O maior e melhor encontro de ativistas pelo Clima aconteceu em São Paulo, agora em fevereiro. O Encontro do Observatório do Clima, hoje com mais de 130 organizações sérias e atuantes, levantou os principiais desafios para o Brasil. A participação, a maior desde a fundação do Observatório do Clima (2002), contou com 240 pessoas entre representantes das entidades e convidados especiais.

“Em meio à terceira onda de calor do ano, que atingiu a sede do encontro e mais dez estados brasileiros, a principal rede da sociedade brasileira sobre mudança do clima discutiu os desafios da agenda e a atuação do OC em 2025. Entre os principais temas abordados, a preparação para a COP30, Conferência do Clima da ONU que será realizada em novembro, em Belém (PA), o impasse das negociações climáticas, a agenda política nacional e o engajamento da sociedade para ampliação do debate sobre a emergência climática.”

Em dois dias pudemos entrar profundamente nos temas dos mais diversos aos mais relevantes para trabalhar esse ano. Esse coletivo é surpreendente! Foram momentos, para mim, de muita troca, aprendizagens e principalmente de engajamento.

Enquanto isso temos as loucuras que assistimos diariamente, praticamente incrédulos de que tudo isso está emergindo porque já existiam crenças e valores adormecidos que estavam abafados sob um manto de clandestinidade do que é ser… Ser Humano! Essa crise civilizatória precisa de um novo modelo existencial e não vejo outro. Voltarmos a nos tornar um! Um com a Natureza, um com Nós mesmos, um com a Espiritualidade, um com a Luz e principalmente UM com o AMOR. Só isso…  

Com isso, gostaria de voltar, ao meu tema dos textos anteriores, escrevi:

“Acreditamos no que pensamos saber, acreditamos no que sabemos que não sabemos, acreditamos no que se convencionou acreditar, acreditamos, sem o menor constrangimento, no inacreditável.”

Quando compramos uma narrativa, nosso cérebro funciona a favor dessa crença e as cognições agem para confirmá-las.

Nada melhor que do que nos questionarmos, apenas questionarmos nossas crenças. Não precisamos fazer nada, só nos observar. Apenas observar!

Para dar um exemplo, simples,  de um episódio que abalou o mundo nesses últimos 5 anos em que a narrativa vendida foi ingenuamente comprada pela grande maioria da população. E apesar de hoje, estar completamente comprovada a criação e manipulação dessa ficção, ainda tem gente acreditando nela e chamando de teoria da conspiração o que foi revelado. O mais incrível é perceber como podemos, coletivamente, acreditar no inacreditável apenas pela construção de uma narrativa desenhada para nos enganar. E ao invés de buscarmos evidências e questionarmos nossas crenças para sustentar o que acreditamos, fazemos o contrário: não questionamos e buscamos evidências para corroborar com nossa ficção. Isso nos deixa, obviamente, polarizados no certo ou errado sem brechas para questionarmos as milhares de nuances que uma verdade carrega. Quando as evidências contradizem o que acreditamos geramos uma dissonância cognitiva (conflito entre o que pensamos, sentimos e agimos) para rotulá-la com uma legenda que nos possibilita ignora-la. Sofisticado, né? Muito sofisticado!

O exemplo em questão é a origem do Coronavírus  (SARS-CoV2). Só de ler essa frase o nosso sistema cognitivo já processa uma série de crenças e valores sobre o assunto e os deixa de plantão para receber o que vem pela frente. Praticamente impossível nos afastar de todos esses filtros que correm para manter o que acreditamos. Eles são guardiões do nosso pseudo saber e, portanto, sabotadores de qualquer intruso que tente alguma disrupção indesejada.

Vamos lá, não sei em que pé você está em relação as comprovações de que o vírus foi criado artificialmente, por nós humanos, em um laboratório da China em Wuhan. Esteja onde estiver, lembre-se que os seus sabotadores já estão ativamente em funcionamento e talvez nem lhe permitam avançar aqui no texto.

Pense um pouco comigo de maneira leve e descontraída, será apenas um exercício de imaginação, depois você volta a sua zona de conforto.

Quando o alarme começou a ser dado sobre uma segunda versão do vírus, em dezembro de 2019, nada em mim se levantou como preocupação. Janeiro de 2020, nada me parecia ainda anormal no andamento desses vírus, geograficamente longe de mim. Foi só em fevereiro com o cancelamento da minha viagem para o México para o encontro do  World Sustainable Development Forum (WSDF 2020) que comecei a prestar um pouco mais de atenção ao que ainda não me alarmava. Fiquei agarrado em algumas histórias como a do navio Diamond Princess que tinha sido isolado e proibidos de desembarcar. Porém março, para mim e a maioria do planeta foi uma revolução e estávamos entrando num terreno completamente desconhecido em tão pouco tempo. Aquele mês pareceu um ano de contínuos acontecimentos inacreditáveis. Diariamente éramos convocados a rever nossos paradigmas e fazer escolhas no que e quem acreditar. Lembro de dois bons textos, do Otto Scharmer e do Charles Eisenstein, que me ajudaram a buscar as primeiras fundações para o que estava acontecendo.

Provavelmente todos nós lembramos bem o que foi aquele março de 2020. Foi por ali que começamos a comprar as ideias do que estaria por vir nos meses e anos seguintes e que ainda carregamos fortemente dentro de nós.

De tantos pontos que envolveram a pandemia, destaco apenas um como ponto para reflexão. Fiz esse retorno rápido, de 5 anos, para aquecer esse exercício.

De onde veio o vírus?

Logo nas primeiras informações parecia óbvio que teria escapado do laboratório de pesquisas do Coronavírus em Wuhan (China), principalmente pelo alto grau de desenvolvimento do tal vírus que, segundo os cientistas especializados, levariam muitas mutações para chegar naturalmente a esse grau de sofisticação.

Hoje se sabe que foi exatamente o que aconteceu.

O ponto importante para nosso exercício arqueológico em nosso modelo mental do acreditar é entender como foi possível comprarmos a ficção de que o vírus foi transmitido por um animal exótico comido no mercado de Wuhan e que o laboratório (especializado em estudar esse vírus) nada tinha a ver com essa extraordinária coincidência geográfica. Mais ainda, se você se atrevesse a acreditar no mais óbvio, seria publicamente ridicularizado e tratado como alguém que acredita em teorias da conspiração.

Ao ter lido o parágrafo acima você pode ter se confrontado com as lembranças de suas crenças na época, junto com a jornada que o levaram a acreditar no que acredita hoje. Dependendo de como, cada um, comprou essa ficção repousa o antídoto da reparação interna. Se fomos um dos ferrenhos defensores de que um morcego ou um pangolim, numa feira nojenta da China, transmitiu para um humano, o que viria a ser o fechamento socioeconômico no planeta… as nossas dissonâncias cognitivas tiveram que trabalhar muito para nos manter nessa farsa e talvez ainda tenha resquícios mesmo diante de todas as evidências do contrário. Para cada um de nós, quando surgem as dissonâncias cognitivas, reagimos de uma maneira diferente dependendo da gravidade de conflito interno que nos causa e o grau de importância daquele “acreditar”. Simples, se o que somos depende do que acreditamos, algumas crenças são os fundamentos, os pilares, do que acreditamos ser.

No caso da pergunta: de onde veio o vírus?

Nossos mecanismos de defesa do que acreditamos criam salvaguardas para evitarmos o conflito interno. Alguns pensamentos possíveis podem emergir:

Isso realmente importa? E deixamos para lá esse assunto.

Essa é uma discussão política entre direita e esquerda. Não vou me contaminar com essas mentiras.

Já foi mais do que provado, por que vira e mexe alguém volta a falar disso? E dou as costas para as evidências.

Se fosse verdade, seria um escândalo tão grande que já teria aparecido no começo.

E por aí vai…

Em que fontes estávamos bebendo as informações que recebíamos? Estávamos acompanhando as mídias tradicionais, as mídias sociais, as redes sociais, conversas informais e nos nossos grupos fechados.

Sobre as informações da pergunta “De onde veio o Vírus?” uma rápida busca na internet você vai encontrar dezenas de reportagem confiáveis sobre esse assunto. Um documentário recente, que reúne uma boa parte dessas descobertas é o “Thank you, Dr. Fauci” (2024) dirigido pelo Jenner Furst (tydfmovie.com).

Novamente, esse pequeno exemplo de tantas outras polêmicas que foram gerados durante a pandemia é só para exemplificar o que ocorre cognitivamente com o nosso ACREDITAR.

E se resolvermos, voluntariamente, nos abrirmos para rever o nosso tão importante acreditar no que acreditamos. Se fizéssemos um passeio leve e descontraído pelas coisas mais simples que acreditamos apenas para exercitar um pouco de abertura. Um pouco de generosidade conosco mesmo. Deixar entrar uma fresta de ar fresco e respirarmos mais profundamente para nos permitir apenas ser.

Ainda bem que acreditamos no que está invisível aos nossos sentidos, senão nem sobreviveríamos. Ainda bem que acreditamos no que sabemos que não sabemos porque isso nos permite aprender com os outros, ao mesmo tempo precisamos estar atentos para lembrar que foram crenças adquiriras pelos saberes de outros, que por qualquer motivo, demos crédito. Seriam passíveis de revisões constantes diante de outros saberes que viéssemos a ter acesso. Devemos nos perguntar quais os mecanismos de retenção de nossas crenças que nos faz protegê-las como se fossem verdades absolutas. A importância não está nas crenças em si e sim nos resultados que elas geram. Nossos pensamentos, sentimentos e ações dependem exclusivamente das cognições que fazemos com o que acreditamos. Simplesmente o Viver a nossa Vida estão baseadas nelas. O nosso acreditar geram o roteiro, o script, que criamos para nossa Vida. Simples assim! Você acredita?