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Primeiro de Junho

Carta para minha Neta

Oi pequena, você nasceu no primeiro dia do mês do meio ambiente. Que bom presságio! Claro que seu avô aqui torceu para ter sido no dia 5, mas com tanta coisa para ser e fazer nesse mundo… melhor mesmo chegar antes!

Quando te vi pela primeira vez tive a sensação de que você também me viu. Senti o peso do legado e do futuro por vir. Senti o frescor da tarde e das folhas no chão de outono. Apesar da máscara, seu avô estava sorrindo de amor.

Deixa-me te contar um pouco sobre esse mundo que você acabou de chegar e dos caminhos que seu caminhar pode encontrar. Se por um lado está tudo diferente do que estava quando você aportou a nave mãe, por outro estamos adentrando uma civilização novinha em folha.

Para começar os jovens estão a frente desse movimento, o problema é que a maioria tem menos de 18 anos. Daqui há dez anos terão consolidado uma maneira completamente diferente de ver as relações humanas da maneira que ainda vemos hoje. Você só terá 10 anos, mas estará vendo o mundo com esse novo olhar, com essa nova percepção… isso será o marco fundamental de uma nova sociedade voltada para ampliação da consciência e restauração ecológica. Não haverá economia sem ecologia, educação sem aprendizagem, religião sem espiritualidade, política sem cidadania e nem medicina sem saúde.

Oi pequena, esse livro que estou escrevendo é para você e sua geração. Não para vocês lerem, mas para aqueles que estão abrindo os caminhos nessa crise civilizatória e deixarão um cenário possível de ser e fazer. Aqui falo desse novo caminho que renascerá das cinzas e de alguns aspectos que nos levaram até aqui.

De qualquer maneira estarei ao seu lado aprendendo e apreendendo sobre o futuro no presente dessa nova percepção e presença.

P.S. A carta de primeiro de junho teria sido sobre os exemplos das loucuras que é acreditar em números, mídia e um dos lados. Seria perfeito para ilustrar o que escrevo sobre o acreditar no inacreditável, da irresponsabilidade das mídias e da miopia da polarização. Além disso falaria do vídeo da reunião dos ministros com o presidente e do início dos movimentos mais próximos aos de junho de 2013… só que virtual. Estamos juntos!

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Estou publicando esse texto que pertence ao livro que estou escrevendo. Comecei escrevendo uma carta no dia primeiro de janeiro e a cada primeiro dia do mês, escrevo outra. Resolvi publicar a de primeiro de abril e faço o mesmo nesse primeiro de maio. Essas cartas estão no capitulo de uma retrospectiva. Nesse ano de 2020 escrevo uma carta para cada mês, nas primeiras décadas do século XXI, escrevo uma para cada ano e estou escrevendo uma carta para cada uma das últimas cinco décadas do século XX. Segue a carta:

Hoje primeiro de maio de 2020, um feriado (se é que isso ainda existe). Estou novamente com a sensação de que o tempo se estendeu. Quase não conseguimos lembrar de quem éramos em fevereiro (tão pouco tempo atrás). O mês de abril gerou um encaminhamento para um aparente novo normal. Ou, o que é mais provável, o início da percepção de que o normal não era nada normal.

Nesse mês se ampliaram os sintomas de incontinência virtual e uma crença, inacreditavelmente ingênua, de que as funções do presencial podem ser simplesmente repassadas para o virtual. Vemos isso em larga escala nas escolas, nas terapias e nas reuniões.

Escolas – A maioria das escolas estão com dois graves problemas: o primeiro é que estão evidenciando a falta de know-how nos sistemas de uma verdadeira aprendizagem que aparecem na simples transposição para o virtual sem uma clara declaração que não sabem o que estão fazendo. Tem escolas que já vem percebendo isso há muito tempo (o que é uma coisa boa) e outras que não. Continuam fingindo que ensinam e os alunos continuam fingindo que aprendem.  O segundo problema é que os pais vão começar a se questionar sobre a função da escola. Afinal… para que serve mesmo esse alto e longo investimento na escola? Nada que já não tenha passado, em alguma vez, pela cabeça dos pais, mas que rapidamente procuram esquecer essa disrupção. Nesse momento de crise existe uma oportunidade para questionar o atual modelo mental que construiu os sistemas de aprendizagem das escolas. Será as escolas tem essa coragem? Será que os pais tem essa ousadia? Sim, por que os estudantes estão prontos faz tempo!

Terapias – Seria engraçado se não fosse trágico o que estamos vivenciando nesses dois meses de isolamento social. A GRANDE maioria dos terapeutas vem, nesses últimos anos, negando o campo terapêutico virtual. Isso para não ter que dizer que simplesmente ridicularizavam o espaço virtual de terapia. Do dia para noite é tudo bem… funciona… é necessário e principalmente assumem uma certa familiaridade com o que não possuem a menor a ideia de como funciona e o por quê desse espaço. O que provavelmente vai acontecer é que os pacientes vão perder a paciência e migrar para obter resultados mais eficazes com quem levou anos estudando e aprendendo sobre o campo de terapia virtual. Isso vai acontecer naturalmente com o compartilhamento (virtual) de suas experiências e a demanda será muito maior do que a oferta por um bom tempo. Minha sugestão aos terapeutas virtuais iniciantes é que reflitam sobre como estão se sentindo com esse novo formato. Se acham que estão atrapalhados, não estão conseguindo dar o seu melhor, sentem-se inseguros desde lidar com as ferramentas até entender a amplitude dessa nova linguagem e suas possibilidades… fiquem tranquilos, vocês estão numa ótima posição para aprender e apreender nesse novo e maravilhoso mundo virtual. Sejam honestos com seus pacientes e provavelmente lhes ajudarão com lovebacks a caminhar nessa direção. Agora se você acredita que está bem e basicamente domina a técnica e a tecnologia. Tem familiaridade com Facebook, Instagram, Zoom, Doxy, Facetime, Google Meetings, Hangout e sua maestria como terapeuta compensa esse momento temporário… vocês estão com sérios problemas existências. Seus pacientes também! Sugiro que procurem um bom terapeuta urgente! Terapeutas, não estamos numa situação passageira onde tudo voltará ao normal em breve! O novo normal ainda é desconhecido e está sendo construído conforme o caminho vai sendo construído. “Caminhante não há caminho, o caminho se faz ao caminhar.”

Reuniões – É aqui que a incontinência virtual mais se manifesta. Com a maior das boas intenções, das mais nobres causas está se promovendo uma gigantesca onda de “lives” e encontros virtuais. Em menos de dois meses ninguém aguenta mais passar horas tendo que sorrir (porque está sendo gravado) e fazer perguntas inteligentes no chat. Ninguém aguenta até mesmo o que há pouco tempo atrás cobiçava em participar. Pior é ter que fingir que está naquela reunião que pega muito mal não estar. O problema aqui é de presença e da qualidade dessa presença quando a natureza está mesmo pedindo recolhimento. Somos a natureza, portanto estamos pedindo recolhimento. O que acontece quando você não faz o que o seu corpo/mente/emoção pede? Fica doente! Não é o momento para ficarmos doentes. Não tenho a menor ideia do que sugerir nesse quesito. Estou com o mesmo problema que todos vocês!

Mergulhado por quatro meses em escrever esse livro continuo com a mesma sensação de que esse livro deveria ter saído no início de 2020 e não no início de 2021 como está previsto por enquanto. Ao mesmo tempo está sendo um privilégio escrever sobre a crise civilizatória enquanto ela está gritando mais alto do que nos últimos 20 anos de imensos esforços de conscientização.

Nas primeiras páginas desse livro escrevi, ainda em janeiro, uma brincadeira provocativa:

“Só abra esse livro em caso Emergência!

Em tempos de dificuldades é importante avaliar se a crise é… sinal ou ruído; passageira ou permanente; mudança ou transformação; vida ou morte!”

Ao escrever essa frase achei que poderia causar um certo distanciamento e desconforto, por isso coloquei a frase inicial (Só abra em caso de emergência) para suavizar o tom. Mas olhando hoje ela está bem próxima e pertinente. Suas respostas, quanto a essa crise, precisam ser avaliadas… agora!

Sinal ou Ruído?

Esse conceito de observar o barulho que está acontecendo e saber separar se é um sinal ou apenas um ruído aprendi em 1996 no incrível livro “Só os Paranoicos Sobrevivem” do Andy Grove, fundador e presidente da Intel. Nessa pandemia quais são os sinais e quais os ruídos? No início de janeiro parecia que era algo acontecendo “lá longe”, como centenas de noticias que recebemos diariamente. O que dessa barulheira poderia indicar que era um sinal de que isso tomaria as proporções que tomou? A questão de que uma pandemia vinha vindo com força estava no horizonte com muita força, há pelo menos uns 10 anos. Seria isso suficiente para reconhecer que era um sinal. Pelo menos, para mim não foi. Já no início de fevereiro a história era bem diferente. A China havia feito o lockdown de uma maneira que só uma ditadura conseguiria impor e havia claros indícios de que teria começado bem antes. O volume de pessoas que entra e sai de Wuhan (11 milhões de habitantes) é bem significativa, casos foram confirmados nos EUA, Japão, Tailândia, Taiwan e Coreia do Sul (provavelmente mais países) o que deveria ter dado a indicação clara de era um sinal. Sinal de que poderia ser uma pandemia forte. Eu, assim como muitas pessoas, ainda não havia reconhecido que poderia virar uma pandemia. Só comecei a perceber que era um sinal quando assisti incrédulo aos desdobramentos do confinamento das 3.700 pessoas no navio Diamond Princess no porto de Yokohoma no Japão. Como assim? No dia dois de fevereiro o capitão foi informado que um passageiro que tinha desembarcado oito dias antes em Hong Kong havia contraído o Coronavírus. O navio foi orientado a se dirigir a Baía de Tóquio onde uma equipe de saúde pública bateu a porta de todas as cabines para perguntar se tinham algum sintoma. Dos primeiros 31 testados, 10 estavam infectados. É preciso lembrar que nos primeiros dias de fevereiro o Japão contabilizava apenas 20 casos confirmados e tinham as Olimpíadas programadas para dali a alguns meses. O que fazer? O confinamento que me pareceu um ato extremo e de condenação de parte das 3.711 pessoas entre passageiros e tripulação, foi o que me ascendeu o sinal de alarme.

Como mencionei anteriormente, nesse livro, sobre a onda de Fake News ter nascido no Brasil em 2014 e migrado para o resto do mundo está, seis anos depois, gerando uma enorme dificuldade para separar um sinal de um ruído, o joio do trigo. São tantas desinformações que a única conclusão que podemos chegar é que nossas percepções são tão suscetíveis que compensa tanta gente criar esses delírios ou mentiras propositais – tem gente que acredita -tem muita gente que acredita. Em quais estamos acreditando? Ou seja, como está amplamente descrito no início do livro, nossa verdade é tão volátil quanto a daquele que considero um idiota. Destaco, o que foi para mim, duas coisas boas entre tantas e duas coisas péssimas dentre tantas (os links estão no final):

Boas – encontro com Fritjof Capra e uma entrevista com Charles Eisenstein (duas jóias)

Ruins – ideias do diretor da agência espacial israelense e o filme “Planet of the Humans” (dois lixos)

Em relação a pandemia, o Brasil era para estar numa posição dos mais privilegiados por assistir os desdobramentos com erros (foram muitos) e acertos dos outros países para se preparar melhor. Lamentavelmente não foi o que aconteceu em fevereiro, março e abril. Fomos na contramão do que poderia ter sido. A polarização de 2018 continua forte na população, poucos estão dispostos a ouvir e muito menos a mudar seu modelo mental de pensamento. O mês de maio vai ser o mais difícil até agora e não sabemos de que maneira enfrentaremos os problemas em junho. Enquanto o vírus ocupa 80% da mídia toda, os outros 20% que poderiam ser sobre vivência, são sobre os desgovernos dos desgovernados. Na sexta passada o ministro da justiça se demitiu acusando o presidente de ter cometido varias barbaridades. A mídia ficou focada, ou melhor desfocada, do que deveria ser seu papel como vimos nos capítulos anteriores e esqueceu de dizer que estão invadindo (como nunca) as terras indígenas, que o desmatamento da Amazônia em março foi quase quatro vezes o de março de 2019 que já havia sido gigantesca e tantas outras coisas importantes (boas e ruins) que mereceriam a atenção das pessoas

 

Passageira ou Permanente?

Será que depois desse acontecimento de proporções mundiais tudo voltará a ser como era antes? Será que terá um período de reconstrução e depois voltará ao normal? Algo como acontece com uma enchente, terremoto ou furacão? Quanto tempo para voltar?                     Ou será que haverá algo mais permanente? Um novo normal? Quanto tempo levará para uma migração de uma nova configuração sistêmica? Será depois dessa pandemia ou haverá mais crises? Como avaliar isso dentro desse contexto de crise civilizatória que esse livro aporta? Estamos indo em que direção? Quais serão os novos preceitos dessa complexidade? Espero que as reflexões contidas nesse livro tenha lhe dado parâmetros para que tire suas próprias conclusões.

 

Mudança ou Transformação?

Quando uma crise grave ocorre, o que vemos em seguida é o “como ficou”. Se for uma mudança, pode, desde ter ficado como estava com algumas melhorias reais e ou cosméticas até ter tido mudanças mais significativas apesar de continuar dentro de um mesmo paradigma.

Quando se trata de uma transformação, o todo muda. É o nascimento de uma nova forma de ser e estar. Einstein dizia que nenhum problema pode ser resolvido pelo mesmo grau de consciência que o criou. Uma mudança é mais do mesmo, uma transformação parte de outro estado de consciência.

 

Vida ou Morte?

Será que corremos o risco de extinção da humanidade ou apenas dessa civilização? Ou nenhuma das duas? Vou ficar por aqui nesse primeiro de maio.

 

P.S. Para não dizer que não falei dos trabalhadores, gostaria de falar que a nova economia (também amplamente discutida nesse livro) vai ser implementada muito mais rapidamente do que imaginei. Enquanto ainda tem gente discutindo se protege a saúde ou a economia, como se fossem duas coisas separadas e ou ainda acreditando que esse sistema vai continuar ad infinitum… já tem países alterando seu grau de consciência e planejando mudar as métricas. Chega de economia focada no crescimento do PIB! Criação de uma renda básica universal, defendida pela Yuval Harari e há anos pelo meu professor na FGV, Eduardo Suplicy. Tudo vai mudar na economia apesar do nosso ministro ainda tentar emplacar as ideias da Escola de Chicago dos anos 30 do século passado. O mais irônico é que a própria Escola de Chicago está defendendo a ideia de uma renda básica universal. Seria engraçado se não fosse trágico. Portanto, na minha visão, os trabalhadores vão passar por um momento muito difícil. O mais difícil dos últimos 100 anos. Como e quando sairemos para uma nova economia e quais as consequências ainda são muito incertas. O que me parece de mais animador para os trabalhadores é o encaminhamento para uma economia do Gift (cultura do Gift). Em 2019 isso parecia quase uma utopia e agora está se chegando mais perto. Alemanha e Holanda já estão falando abertamente sobre as transformações no atual sistema econômico. Uma boa notícia no meio de uma crise econômica sem precedentes.

 

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Primeiro de Abril

barras coloridas

Estou publicando esse texto que pertence ao livro que estou escrevendo. Comecei escrevendo uma carta no dia primeiro de janeiro e a cada primeiro dia do mês, escrevo outra. Resolvi publicar essa que escrevi hoje porque vivemos o mês de março como se tivessemos vivido um ano inteiro e provavelmente esse mês será mais intenso ainda. Segue a carta:

 

Hoje, primeiro de abril de 2020 parece que faz um ano que escrevi a carta de primeiro de março. Estávamos saindo da semana do Carnaval e o cenário mundial e brasileiro era tão diferente do de hoje. Fico pensando como será minha carta de primeiro de maio…

Esse mês me fez pensar se eu não deveria ter escrito esse livro no ano passado, talvez, teria sido útil agora. Ao mesmo tempo, está sendo um privilégio e um desafio escreve-lo em meio ao que parece que será um divisor de águas para nossa civilização.

O mês de março começou com uma aparente normalidade (claro que de normal não havia nada!). Havia apenas dois registros, importados da Itália, do novo Coronavírus. Um anunciado no dia 26 de fevereiro e o outro no último dia do mês. Além do que acontecia na China, assistimos estupefatos, em fevereiro, a trágica novela do navio Diamond Princess.

Domingo, primeiro de março ainda não estávamos oficialmente em pandemia que só foi anunciado pela Organização Mundial da Saúde no dia 11. Na sexta feira 13, com a divulgação da transmissão comunitária no Brasil começaram os fechamentos de escolas e restrições que foram escalonando ao longo da semana seguinte principalmente com o anuncio da primeira morte pelo vírus no dia 17. Fazem só 15 dias e parece que foram meses atrás!

Das centenas de informações que recebi destaco algumas muito boas (links no fim do capitulo). No dia 16, Otto Scharmer escreveu um artigo “Eight Emerging Lessons: from the Coranavirus to Climate Action” (Oito Lições Emergentes: do Coronavírus para a Ação Climática) que até hoje (01/04) é bem pertinente. Nele fala da passagem de Ego para Eco e das lições que podemos apreender do novo Coronavírus. Além disso, Otto criou o GAIA Journey (27/03),  que serão de 14 semanas de apoio a procurar fazer sentido nesse momento de disrupção e permitir que nos leve a uma renovação civilizatória. No dia 20 de março, o biólogo Atila Lamarino fez uma “live” que desenhava com muita clareza o caminho dessa pandemia até onde se sabia. Há dois dias (30/03) ele falou no Roda Viva e fica difícil entender porque há ainda pessoas tentando negar esse conhecimento. No dia 28, Charles Eisenstein escreveu um artigo muito bom também “The Coronation” (A Coroação). Ou seja apesar das centenas de avisos, dicas e principalmente fake news (por incrível que pareça) está difícil separar o joio do trigo e principalmente não se perder nesse mar de lama.

Estamos vivendo, na última semana, sintomas de incontinência virtual que espero não piorar nas próximas.

O que vejo que está claramente se desenhando no horizonte para iniciarmos a próxima década a partir de primeiro de janeiro de 2021 são:

– A medicina vai finalmente evoluir para cuidar prioritariamente da prevenção ao invés das doenças. Vai se tornar amplamente colaborativa e completamente sem fronteiras. Levará em conta ciência, tecnologia e principalmente culturas. Cuidará fundamentalmente do DNA ao estilo de vida, da alimentação ao ar que respiramos, da meditação a movimentação, da autoestima a psicologia.

– A economia não conseguirá manter seu atual modelo estrutural. O jogo já mudou! Quem tentar jogar com as regras antigas logo perceberá que terá que se tornar alguém detestável para si mesmo e para os outros. Poucas pessoas ficam confortáveis nessa posição. O medo e a insegurança com a sobrevivência vão retardar o pleno funcionamento de uma economia com uma cultura de Gift.

– As escolas nunca mais serão as mesmas. Vamos finalmente sair das metodologias do século XIX para entrar nas condizentes com o século XXI. Quem poderia imaginar que os sistemas de aprendizagem iriam dar esse salto quântico através desse artifício? Quem diria que o conhecimento não estaria mais atrelado a memória e sim a sabedoria? A Educação será livre, com janelas sem salas, com notas de músicas, com folhas da natureza e principalmente com muito amor.

– A politica dos políticos ainda sobreviverá mais algumas primaveras enquanto houver a crença de que o sistema eleitoral tem alguma coisa a ver com a democracia. A política vai migrar dos políticos para a sociedade civil. E as políticas públicas serão decididas pontualmente através da participação dos interessados devidamente qualificados. Em pouco tempo os políticos serão substituídos por uma nova geração de políticos conectados com a sociedade civil.

– A religião, no geral, terá dificuldades de manter o véu da ignorância como força motriz da maioria de seus seguidores. Apesar da imensa fome por algo que explique o inexplicável, por um sabor de pertencimento, por um alimento para a alma… a busca será mais ouvindo a voz de dentro do que a palavra dos gurus. Você, finalmente, será seu próprio guru!

Ao contrário da carta de março, essa é dedicada integralmente a insustentável leveza do Ser, diante da nova pandemia.

P.S. Para não dizer que não falei do primeiro de abril, quero salientar a interessante versão de que esse era o primeiro dia do calendário Juliano que apesar do novo calendário (Gregoriano) ter mudado para o primeiro de janeiro, as pessoas insistiam em considera-lo o primeiro dia do ano. Foi necessário então denegrir essas pessoas, ridicularizá-las para que passassem a obedecer a nova convenção. Nesses tempos em que a mentira é propagada todo dia, seria interessante criar o dia da Verdade em que seriam ridicularizadas as pessoas que mentissem. Hoje, as pessoas que mentem diariamente, não só não são denegridas como acabam sendo eleitas pela maioria da população. Que fenômeno interessante!

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Dorothy Maclean completa hoje 100 anos de idade.

Parabéns a esta ambientalista que é praticamente a mãe da maioria das Ecovilas do mundo.

Ela fundou a comunidade de Findhorn (com o casal Peter e Eileen Caddy)

no início dos anos 60 na Escócia. Hoje é a maior ecovila do Reino

Unido.

O interesse no exuberante jardim que conseguiram fazer florescer no impossível solo arenoso de dunas e os princípios espirituais que estão por trás da vitalidade desse excepcional jardim, atraíram muitos visitantes.

O sucesso da Ecovila atraiu também reportagens que começou em 1969 com o programa “Man Alive” da BBC. Depois vieram outros e outros. Uma curiosa apresentação em 1973 no “Mainly Magnus” da BBC pode ser vista no https://www.bbc.co.uk/programmes/p00qh3mz

Em 1975 Paul Hawken publicou o livro “A Magia de Findhorn” que consolidou de vez o protagonismo de Findhorn para a criação de Ecovilas pelo mundo afora.

Para quem quiser enviar uma mensagem de gratidão, flores, bênçãos ou saber mais sobre a Dorothy Maclean entre no https://www.findhorn.org/blog/dorothy-maclean-100/

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Primavera Ruidosa

ONU 2019

A semana de 20 a 27 de setembro de 2019 foi e será inesquecível!

A Cúpula do Clima e Assembleia Geral da ONU junto com a Greve pelo Clima pautaram a semana da Primavera no Brasil e no mundo.

Ela começou, ruidosamente, na sexta-feira 20 de setembro onde mais de 4 milhões de pessoas em 163 países criaram mais de 2.500 eventos de manifestações de rua. O Brasil que praticamente não apareceu nas greves anteriores (março e maio), estava agora mais consciente do movimento. Mesmo assim, na av. Paulista em São Paulo, oportunistas de plantão faziam discursos de politicagem de palanque… sem qualquer noção do que era esse movimento pela Emergência Climática. Fora do tempo e do espaço! O movimento é um levante das crianças pela sua própria sobrevivência. A vida reage quando se vê ameaçada das maneiras mais inusitadas para conseguir sobreviver. Está sendo necessário que as crianças liderem esse movimento de tirar a humanidade desse torpor que está nos levando invariavelmente ao fim dessa civilização. Greta Thunberg, que a Vida escolheu para iniciar essa ação, pede para que os cientistas sejam ouvidos. Greta, não por acaso, estava em Nova York na principal semana pelo Clima Mundial levando e elevando sua voz para o mundo todo. São milhares de crianças e jovens que estão liderando em suas comunidades um apelo para que se tome ações já. Denegrir a Greta é denegrir a si mesmo e explicitar que você faz parte da minoria no poder ou de um “idiota inútil” como diz a Eliane Brum, num contundente artigo sobre a situação.

Uma das ações mais relevantes, quase inacreditável, em direção à Emergência Climática foi a união entre veículos de mídia para cobrirem e divulgarem a questão Climática, “Covering Climate Now”. São mais de 300 veículos (de peso) unidos para essa empreitada. Alcançando em torno de 1 bilhão de pessoas. Maravilhoso!

 

Enquanto Nova York entrava no Outono e o Brasil na Primavera a Cúpula do Clima foi aberta pela jovem brasileira Paloma Costa Oliveira do Engajamundo e assessora do ISA (Instituto Socioambiental) ao lado de Greta Thunberg. Vale a pena ouvir os dois discursos e não apenas os comentários sobre eles.

 

No dia 24 na Assembleia Geral da ONU  nosso presidente fez um discurso histórico onde deixou claro para todos os países a situação em que se encontra o Brasil hoje e de que não era exagero o que muitos vinham denunciando sobre o atual governo. Além disso conseguiu que o discurso do Presidente dos EUA, que foi em seguida, parecesse razoável. Dá para acreditar? Entre as “absurdidades” e negações da realidade que foram muitas, a questão indígena foi talvez a mais vergonhosa. Entre varias ofensas e denegrindo os povos e lideranças indígenas, chegou a ler uma carta que obviamente foi checada pela mídia toda e constatou-se sua insignificância. A única coisa “boa” para a Emergência Climática no Brasil é a constatação mundial de que estamos destruindo nossa biodiversidade e incentivando a violência aos povos indígenas e defensores do meio ambiente. Provavelmente a reação contra essa postura virá do próprio agronegócio que terá, a continuar assim, seu negócio dizimado em pouco tempo.

 

Para não dizer que não falei das flores, Nova York foi palco de centenas de painéis maravilhosos que buscam soluções locais com apoio global. Sociedade Civil, Institutos, Universidades, Economia Verde, Juventude, Tecnologia e Direitos Humanos pautaram a semana. Por exemplo, foi maravilhoso ver dois ícones da sustentabilidade mundial juntos num desses painéis: Muhammad Yunus e Marina Silva!

 

Apesar dos pesares a Primavera já não é mais silenciosa, ela está fazendo barulho… cada vez mais barulho! Do movimento das crianças (Fridays for Future), da forte união da mídia para cobrir a questão climática, da grave situação de governo explicitada pelo presidente e pelo anti-ministro do meio ambiente e das forças que convergem para um mundo melhor a semana de 20 a 27 de setembro de 2019 é um marco que fará parte da história da Emergência Climática.

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Imagine que você, que sempre odiou política e principalmente os políticos, resolvesse se candidatar a deputado. Claro que não foi de repente, foram anos e anos de frustação com as tentativas de levar ideias para os gestores públicos, insistência dos amigos que você leva jeito e principalmente aquele chamado de dentro para fazer alguma coisa pelo social.

Imagine agora que você se declarou candidato, sabendo dos sacrifícios pessoais e familiares que terá de enfrentar e… ao contrário do que você poderia imaginar, todos se afastam de você! Vão dando aquele sorriso amarelo, aquela desculpa esfarrapada e você se sente como alguém que contraiu uma doença altamente contagiosa. Para piorar você começa a aprender que para se eleger (de verdade) vai ter que conseguir uma verba inacreditável. Alguns milhões*! E como se já não bastasse… os convites para trabalhos remunerados (você precisa continuar a pagar suas contas) vão sendo cancelados um a um, porque não querem se misturar com a política. Desanimador né? Mas mesmo assim, nessa eleição de 2018, existem várias jornadas de heróis que estão se candidatando sem o mínimo do apoio necessário para elegê-los. Será que receberão seu voto? Seu apoio?

*Quanto custa uma campanha a Deputado Federal? Segundo a excelente matéria do Estado de São Paulo(07/11/2014), em 2014 todos (100%) que arrecadaram mais de 5 milhões se elegeram, 90% dos que gastaram entre 3 e 5 milhões se elegeram e 65% dos que gastaram entre 1 e 3 milhões também se elegeram. Já entre os candidatos à Câmara que arrecadaram menos de R$ 500 mil, apenas 3% conseguiram garantir o mandato.

Nessas eleições a sociedade civil está muito mais organizada e vários movimentos estão envolvidos para influenciar diretamente a política e a gestão pública. São movimentos como o Pacto pela Democracia, RenovaBR, Agora!, Bancada Ativista, Acredito, RAPS, Frente Favela Brasil e muitos outros. O maravilhoso Mapa de Iniciativas por Eleições Melhores, criado pelo Pacto pela Democracia é um ótimo exemplo da sociedade civil interferindo nas eleições. Outros movimentos promovem o diálogo, os encontros e até mesmo seus próprios candidatos. No caso, são “gente como a gente”, apoiados por um grupo apartidário.

Um bom exemplo é do Wellington Nogueira, que fundou a organização Doutores da Alegria. Está entrando na política, como Deputado Federal, pelo movimento RenovaBR. Empreendedor social que conseguiu fazer o que parecia ser impossível, levar alegria para os hospitais. Sua dedicação, persistência e conhecimento o levaram a formar uma rede gigantesca de palhaços aptos a levarem alegria para a saúde. Hoje a rede dos Palhaços em Rede conta com mais de 1.100 grupos filiados (como os Doadores de Alegria em Itu). E não é só na saúde que o Wellington é querido, faz centenas de palestras em instituições e eventos. Poderia parecer fácil se eleger, mas (como um de nós) ele não tem o financiamento nem o apoio do mecanismo da velha política. E nem quer! Apesar de ter o apoio de vários artistas, como Fabio Porchat e outros famosos, tem a dificuldade de conseguir que seus pares o divulguem livremente por medo de se misturarem com política. Será que nessa eleição começaremos a ver gente como a gente entrando na política com o apoio aberto da maioria de nós… apesar de todos os atuais pesares?

Outro bom exemplo de quando um de nós entra na política é o sistema de mandato conjunto. Trata-se de eleger um grupo de pessoas que cuidarão do mandato coletivamente. Nessa eleição, o movimento da Bancada Ativista está promovendo um mandato conjunto para Deputado Estadual. São nove pessoas de diversas áreas de atuação que vão, em conjunto, exercer o mandato em São Paulo. A Monica Seixas, de Itu, vai encabeçar a lista na urna. A ideia é genial, porque divide a responsabilidade, a fiscalização e principalmente a atuação! Cada um dos integrantes tem uma história de atuação social e juntos serão muito mais eficazes! Uma das integrantes do mandato conjunto deixou aqui um recado para os eleitores de Itu:

“Oi pessoal de Itu! Meu nome é Claudia Visoni. Eu sou jornalista, ambientalista, agricultora urbana e sou permacultora. Atualmente, eu sou também uma das co-candidatas a uma vaga de Deputada Estadual pela Bancada Ativista. A Bancada Ativista é um movimento de renovação política, que nessas eleições está trazendo essa ideia de mandato coletivo. A gente está fazendo coletivamente uma campanha e vamos ser eleitos, espero! E a gente vai, todos nós juntos, nove pessoas, vamos dividir um mandato na Assembleia Legislativa de São Paulo. Somos sete mulheres, dois homens. Várias pessoas no nosso grupo são negras. Temos uma co-candidata indígena, que é a Chirley Pankará. Cada um de nós já atua há bastante tempo em diversas causas superimportantes como proteção à infância, saúde, educação, defesa dos direitos humanos, defesa das causas indígenas, feminismo, combate ao racismo e meio ambiente, que é o meu caso. Então nós estamos representados pela Mônica, que aliás é de Itu. E na urna a gente aparece como Mônica da Bancada Ativista. Eu há muito tempo trabalho com agroecologia, sou ativista da água também, atuei bastante na época da crise hídrica e continuo trabalhando. Eu sou uma das fundadoras do Movimento Cisterna Já. Junto com os permaculturores, a gente vem discutindo e desenvolvendo propostas de um manejo mais sustentável de água na nossa cidade e a maior parte do meu trabalho mesmo é relacionado a agroecologia, a produção de alimentos de forma sustentável e regenerando a natureza, protegendo a nossa biodiversidade. Então é isso, domingo estaremos lá na urna com o número 50900 e para votar na gente é votar em Mônica da Bancada Ativista.”

Existem muitas outras pessoas, como a gente entrando na política sem a politicagem de sempre. Para Deputado Federal tem além do Wellington Nogueira, o Zé Gustavo, a Mércia Falcini, a Duda Alcântara, o Kaká Werá, a Lia Lopes e Deputado Estadual além da Monica da Bancada Ativista, a Marina Helou, o Ademar Bueno e muitos outros que estão começando a mudar a face da política.

Será que vamos ter cada vez mais uma gestão pública conduzida por nós… cidadãos? Tenho esperança que sim, como dizia Paulo Freire, do verbo esperançar e não do verbo esperar! Quem sabe faz a hora não espera acontecer!

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“O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética… O que me preocupa é o silêncio dos bons.” Martin Luther King

 

Na primeira noite eles se aproximam

e roubam um bilhão

da nossa economia.

E não dizemos nada.

Na segunda noite, já não se escondem;

Pisam nas florestas,

matam nossa cultura

e não dizemos nada.

Até que um dia,

o mais frágil deles

entra sozinho em nossa casa,

rouba-nos a luz, e,

conhecendo nosso medo,

arranca-nos a voz da garganta.

E já não podemos dizer nada!

Adaptado do trecho do poema de Eduardo Alves da Costa *(replicado abaixo)

Preservar florestas, rios, água não dá dinheiro para os corruptos, preservar cultura também não! O que permite a corrupção são grandes obras como hidroelétricas na Amazônia ou museus do futuro. Enquanto devastam nossas florestas, matam nossos rios, negligenciam nossa água tratada, queimam nossos museus, a maioria de nós… fica em silêncio! Não podemos dizer o nome daqueles que cometeram crimes contra a humanidade… nosso silêncio é ensurdecedor!

Não fique calado com seu voto! Um voto é muito mais do que uma pequena gota no oceano de eleitores. Seu voto é uma intenção na direção do que você acredita. Vote naqueles candidatos que mais se alinham com seus princípios e valores. Não vote útil porque é inútil! Não ceda à enxurrada de mensagens milimetricamente calculadas para roubar seu voto. Vote consciente!

Na primeira noite eles se aproximam

e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem;
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

“Eduardo Alves da Costa”

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