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Archive for the ‘Uncategorized’ Category

Imagine que você, que sempre odiou política e principalmente os políticos, resolvesse se candidatar a deputado. Claro que não foi de repente, foram anos e anos de frustação com as tentativas de levar ideias para os gestores públicos, insistência dos amigos que você leva jeito e principalmente aquele chamado de dentro para fazer alguma coisa pelo social.

Imagine agora que você se declarou candidato, sabendo dos sacrifícios pessoais e familiares que terá de enfrentar e… ao contrário do que você poderia imaginar, todos se afastam de você! Vão dando aquele sorriso amarelo, aquela desculpa esfarrapada e você se sente como alguém que contraiu uma doença altamente contagiosa. Para piorar você começa a aprender que para se eleger (de verdade) vai ter que conseguir uma verba inacreditável. Alguns milhões*! E como se já não bastasse… os convites para trabalhos remunerados (você precisa continuar a pagar suas contas) vão sendo cancelados um a um, porque não querem se misturar com a política. Desanimador né? Mas mesmo assim, nessa eleição de 2018, existem várias jornadas de heróis que estão se candidatando sem o mínimo do apoio necessário para elegê-los. Será que receberão seu voto? Seu apoio?

*Quanto custa uma campanha a Deputado Federal? Segundo a excelente matéria do Estado de São Paulo(07/11/2014), em 2014 todos (100%) que arrecadaram mais de 5 milhões se elegeram, 90% dos que gastaram entre 3 e 5 milhões se elegeram e 65% dos que gastaram entre 1 e 3 milhões também se elegeram. Já entre os candidatos à Câmara que arrecadaram menos de R$ 500 mil, apenas 3% conseguiram garantir o mandato.

Nessas eleições a sociedade civil está muito mais organizada e vários movimentos estão envolvidos para influenciar diretamente a política e a gestão pública. São movimentos como o Pacto pela Democracia, RenovaBR, Agora!, Bancada Ativista, Acredito, RAPS, Frente Favela Brasil e muitos outros. O maravilhoso Mapa de Iniciativas por Eleições Melhores, criado pelo Pacto pela Democracia é um ótimo exemplo da sociedade civil interferindo nas eleições. Outros movimentos promovem o diálogo, os encontros e até mesmo seus próprios candidatos. No caso, são “gente como a gente”, apoiados por um grupo apartidário.

Um bom exemplo é do Wellington Nogueira, que fundou a organização Doutores da Alegria. Está entrando na política, como Deputado Federal, pelo movimento RenovaBR. Empreendedor social que conseguiu fazer o que parecia ser impossível, levar alegria para os hospitais. Sua dedicação, persistência e conhecimento o levaram a formar uma rede gigantesca de palhaços aptos a levarem alegria para a saúde. Hoje a rede dos Palhaços em Rede conta com mais de 1.100 grupos filiados (como os Doadores de Alegria em Itu). E não é só na saúde que o Wellington é querido, faz centenas de palestras em instituições e eventos. Poderia parecer fácil se eleger, mas (como um de nós) ele não tem o financiamento nem o apoio do mecanismo da velha política. E nem quer! Apesar de ter o apoio de vários artistas, como Fabio Porchat e outros famosos, tem a dificuldade de conseguir que seus pares o divulguem livremente por medo de se misturarem com política. Será que nessa eleição começaremos a ver gente como a gente entrando na política com o apoio aberto da maioria de nós… apesar de todos os atuais pesares?

Outro bom exemplo de quando um de nós entra na política é o sistema de mandato conjunto. Trata-se de eleger um grupo de pessoas que cuidarão do mandato coletivamente. Nessa eleição, o movimento da Bancada Ativista está promovendo um mandato conjunto para Deputado Estadual. São nove pessoas de diversas áreas de atuação que vão, em conjunto, exercer o mandato em São Paulo. A Monica Seixas, de Itu, vai encabeçar a lista na urna. A ideia é genial, porque divide a responsabilidade, a fiscalização e principalmente a atuação! Cada um dos integrantes tem uma história de atuação social e juntos serão muito mais eficazes! Uma das integrantes do mandato conjunto deixou aqui um recado para os eleitores de Itu:

“Oi pessoal de Itu! Meu nome é Claudia Visoni. Eu sou jornalista, ambientalista, agricultora urbana e sou permacultora. Atualmente, eu sou também uma das co-candidatas a uma vaga de Deputada Estadual pela Bancada Ativista. A Bancada Ativista é um movimento de renovação política, que nessas eleições está trazendo essa ideia de mandato coletivo. A gente está fazendo coletivamente uma campanha e vamos ser eleitos, espero! E a gente vai, todos nós juntos, nove pessoas, vamos dividir um mandato na Assembleia Legislativa de São Paulo. Somos sete mulheres, dois homens. Várias pessoas no nosso grupo são negras. Temos uma co-candidata indígena, que é a Chirley Pankará. Cada um de nós já atua há bastante tempo em diversas causas superimportantes como proteção à infância, saúde, educação, defesa dos direitos humanos, defesa das causas indígenas, feminismo, combate ao racismo e meio ambiente, que é o meu caso. Então nós estamos representados pela Mônica, que aliás é de Itu. E na urna a gente aparece como Mônica da Bancada Ativista. Eu há muito tempo trabalho com agroecologia, sou ativista da água também, atuei bastante na época da crise hídrica e continuo trabalhando. Eu sou uma das fundadoras do Movimento Cisterna Já. Junto com os permaculturores, a gente vem discutindo e desenvolvendo propostas de um manejo mais sustentável de água na nossa cidade e a maior parte do meu trabalho mesmo é relacionado a agroecologia, a produção de alimentos de forma sustentável e regenerando a natureza, protegendo a nossa biodiversidade. Então é isso, domingo estaremos lá na urna com o número 50900 e para votar na gente é votar em Mônica da Bancada Ativista.”

Existem muitas outras pessoas, como a gente entrando na política sem a politicagem de sempre. Para Deputado Federal tem além do Wellington Nogueira, o Zé Gustavo, a Mércia Falcini, a Duda Alcântara, o Kaká Werá, a Lia Lopes e Deputado Estadual além da Monica da Bancada Ativista, a Marina Helou, o Ademar Bueno e muitos outros que estão começando a mudar a face da política.

Será que vamos ter cada vez mais uma gestão pública conduzida por nós… cidadãos? Tenho esperança que sim, como dizia Paulo Freire, do verbo esperançar e não do verbo esperar! Quem sabe faz a hora não espera acontecer!

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“O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética… O que me preocupa é o silêncio dos bons.” Martin Luther King

 

Na primeira noite eles se aproximam

e roubam um bilhão

da nossa economia.

E não dizemos nada.

Na segunda noite, já não se escondem;

Pisam nas florestas,

matam nossa cultura

e não dizemos nada.

Até que um dia,

o mais frágil deles

entra sozinho em nossa casa,

rouba-nos a luz, e,

conhecendo nosso medo,

arranca-nos a voz da garganta.

E já não podemos dizer nada!

Adaptado do trecho do poema de Eduardo Alves da Costa *(replicado abaixo)

Preservar florestas, rios, água não dá dinheiro para os corruptos, preservar cultura também não! O que permite a corrupção são grandes obras como hidroelétricas na Amazônia ou museus do futuro. Enquanto devastam nossas florestas, matam nossos rios, negligenciam nossa água tratada, queimam nossos museus, a maioria de nós… fica em silêncio! Não podemos dizer o nome daqueles que cometeram crimes contra a humanidade… nosso silêncio é ensurdecedor!

Não fique calado com seu voto! Um voto é muito mais do que uma pequena gota no oceano de eleitores. Seu voto é uma intenção na direção do que você acredita. Vote naqueles candidatos que mais se alinham com seus princípios e valores. Não vote útil porque é inútil! Não ceda à enxurrada de mensagens milimetricamente calculadas para roubar seu voto. Vote consciente!

Na primeira noite eles se aproximam

e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem;
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

“Eduardo Alves da Costa”

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Nova Educação

Caminhos e Descaminhos dos Sistemas de Aprendizagem

Na Educação existem muitas pedagogias, formatos e sistemas para a aprendizagem. Estamos vivendo um momento onde as escolas vão precisar se reinventar para atender a formação de um indivíduo preparado para uma sociedade onde a colaboração está substituindo a competição; a liderança compartilhada prevalece sobre as hierarquias; o respeito à diversidade é um valor fundamental; o amor se sobrepõe ao medo; somos e cuidamos da Natureza; a cultura conduz os processos… preparando para uma sociedade da Nova Economia. A maioria das escolas está longe de preparar o estudante para essa nova realidade que já não é mais futuro… é aqui é agora!

Claro que ainda existem pais que estão preparando seus filhos para o vestibular ao invés de prepará-los para a vida. Por isso as escolas continuam, equivocadamente, privilegiando a memória em detrimento da criatividade, o condicionamento ao invés das múltiplas inteligências, a competição que humilha e gera um ambiente propício para o Bullying e tantas outras atitudes que levam a percepção de que esse sofrimento é necessário para passar no vestibular. E passar na vida? E o Ser de ser humano? O Amor? A cidadania? Os relacionamentos? O meio ambiente? O Cuidar da Casa? Do dinheiro? Da saúde? Da alma?

Por isso estamos num momento de repensar onde colocar os nossos filhos para prepará-los para Viver a Vida. Desenvolver o potencial que já está dentro da criança. Permitir que floresça sua essência para se tornar um ser humano integral.

Como uma semente, cada criança contém tudo que precisa para se tornar um adulto pleno. Basta um solo fértil, um clima apropriado, regar e cuidar do ambiente ao seu redor. Tentar fazer uma semente de Cerejeira se tornar um Eucalipto… não faz sentido! Isso é o que as escolas e pais estão começando a perceber. Está nascendo uma Nova Educação com novos paradigmas que substituirão os atuais. Não se trata de uma melhoria no ensino e sim de uma completa transformação. Nova Educação no sentido de tirar essa que está obsoleta na maioria das escolas e substituir por uma inteiramente nova. Nova para o atual sistema de educação.

Os princípios desses novos modelos já estão aí há muitos anos, estão sendo desenhados há décadas por filósofos e educadores do mundo todo. Existe uma quantidade significativa de boas práticas em pedagogias que vão mudar os atuais paradigmas da educação. Só para citar algumas referências mais conhecidas do passado: Agostinho Silva, Alexander Sutherland Neil, Anisio Teixeira, Célestin Freinet, Darcy Ribeiro, Florestan Fernandes, Ivan Illich, Janusz Korczak, Jean-Jacques Rousseau, John Dewey, Lauro de Oliveira Lima, Lev Vigotski, Maria Montessori, Maria Nilde Mascellani, Paulo Freire e Rudolf Steiner.

Mas o que seria então os princípios dessa Nova Educação?

Alguns princípios já estão claramente definidos como diretrizes para as escolas:

– o conteúdo da aprendizagem é pautado pelo estudante e não mais pela gestão pública

– a divisão de turmas é feita pelos interesses e não mais pelas idades

– as métricas de avaliação focam o desenvolvimento das potencialidades individuais e não mais a habilidade de se lembrar

– a estimulação da colaboração e não mais da competição

– o conhecimento a ser oferecidas pela escola são aquelas importantes para o dia da dia local e não mais as de pouco interesse e relevância para o estudante

– o conhecimento é oferecido em multimídias

– a sala de aula é o mundo todo

– somos a Natureza

Conteúdo

Quando o conteúdo programático é imposto aos alunos de uma escola, a chance de alguns deles se interessarem pode até ser boa, a de que um quarto se interesse é mínima e que metade possa vir a se interessar é próxima de zero. O que faz esses números subirem ou descerem é menos pelo assunto em si e mais pela habilidade do professor de encantar sua “plateia”. Procure se lembrar como era para você na sua escola. Quais os assuntos que realmente te interessaram ao longo dos anos? E quem eram os professores? É quase certo que eram aqueles professores que você admira até hoje em sua memória. George Lucas, o famoso cineasta, declarou que para ele a escola era um lugar chato e maçante (boring) entrecortada por algumas poucas experiências maravilhosas que ajudaram a formar quem ele é hoje. E ele pergunta… por que as escolas precisam ser assim? Com a ideia de que as escolas podem ser diferentes ele criou em 1991 o que é hoje a maior ong de educação pública dos EUA, a George Lucas Educational Foundation (GLEF) mais conhecida como Edutopia. Eles hoje acreditam que três habilidades (skills) do século 21 são fundamentais: 1. como encontrar informações baseadas em fatos. 2. como acessar a qualidade da informação. 3. como criativamente e eficazmente usar a informação para alcançar um objetivo.

Quando o conteúdo programático vem da gestão pública ele já está, quase que invariavelmente, obsoleto. O tempo que se leva para passar por toda cadeia de decisão, burocracia, aprovar material didático e ainda capacitar a rede de educadores…

O resultado disso é um conhecimento pouco interessante, possivelmente errado e com uma visão unilateral. Edgar Morin alerta para isso no primeiro item do seu documento dos sete saberes. Não estou generalizando, mas apresentando a razão de ser de inverter a demanda pelo conteúdo – do aluno para a escola ao invés da escola para o aluno.

Divisão de turmas

A divisão de alunos por idade que a escola vem fazendo há mais de cem anos, vem se mostrando ineficaz. O que acontece na prática é que o estudante acaba tendo dois ou três amigos que ele gosta muito e dois ou três que ele detesta. Quanto ao resto é mais neutro e dependendo do andar da carruagem fica mais próximo ou mais longe em alguns períodos. Se você passou a maioria do tempo da sua educação numa mesma escola pense nos amigos que você manteve até hoje… amigos e não apenas conhecidos! Mais de dez são realmente amigos? Cinco? Três? É muito raro aqueles que mantiveram muitos. Como pode ter acontecido de ter convivido tantos anos, tão próximo, com tanta gente e não ter preservado a amizade?

Quando dividimos as turmas por interesse acontecem dois fenômenos que promovem a aprendizagem. O primeiro é que ao misturar as idades cada estudante terá um modelo (role model) mais velho do que ele do qual irá admirar e receber apoio/incentivo e terá sempre um mais novo que o verá como modelo (mentor/herói)  e demandará sua atenção. Admirar e ser admirado são uma ótima formula para cooperação na aprendizagem. O segundo é que por serem temáticos os interesses são mútuos e a colaboração ocorre naturalmente. É como um hobby onde as pessoas trocam conhecimento e sabedoria.

Métricas de Avaliação

As métricas atuais são desastrosas para um ambiente saudável de aprendizagem. Elas geram ansiedade, mal-estar, uma sensação de fracasso, arranham a dignidade e para piorar não conseguem avaliar o desenvolvimento da aprendizagem. Ou seja, não servem para nada! Várias pesquisas demonstram que aqueles que estão bem situados profissionalmente raramente foram bons alunos e os que foram bons alunos raramente estão bem situados profissionalmente. O livro “Fomos maus alunos” é um bate papo gostoso entre o Rubem Alves e o Gilberto Dimenstein que questiona exatamente o que significa ser um “bom aluno”.

Quais são as métricas da Nova Educação?

Esse é o ponto principal que é muito difícil de solucionar a partir do que entendemos por educação hoje. A mudança de um paradigma como esse requer um olhar generoso e principalmente amoroso. Só é possível fazer isso de uma maneira sistêmica.  O estudante está motivado, feliz, criativo e questionador? Como metrificar isso? Ele coopera, colabora e se sente parte do sistema da aprendizagem? Novamente… como avaliar essas atitudes e sentimentos? Essas métricas já existem de forma dispersa, precisam ser reunidas e consolidadas.

Colaboração

Somos seres interdependentes! Iniciamos nossa vida sendo completamente dependentes e vamos aos poucos conquistando nossa independência para logo mais caminharmos na direção da interdependência. Dependendo da cultura local, das crenças e valores da família e dos princípios que norteiam a aprendizagem essa interdependência pode ser prejudicada.  A Educação nas escolas acreditaram, durante muitos anos, no principio da competição como elemento de desenvolvimento da aprendizagem. Hoje as escolas conectadas na Nova Educação tem um árduo trabalho para reverter esse ideia tão impregnada na cultura e na família. Desde pequeno a criança aprende que a vida é uma dança das cadeiras onde a qualquer momento alguém será excluído. A criança cresce com essa verdade que vai sendo sistematicamente reafirmada até o vestibular e depois comprovada com a busca do emprego. Esse jovem desde criança aprendeu que não pode colaborar com o “inimigo”, que precisa “pertencer” a algum grupo de “escolhidos” para se proteger e sentir aquele sentimento de interdependência que está na sua essência. O grande problema é que a maioria desses grupos buscam competir com os outros grupos. Por isso as escolas que estão escolhendo seguir esse princípio da colaboração, tem um longo caminho de incompreensão por parte de uma sociedade ainda desenhada no antigo modelo. Os pais perguntam: e o vestibular?

Conhecimento Relevante

Quais são as coisas que você realmente se lembra dos 12 anos passados na escola? Tanto tempo com tanto conhecimento sendo entregue diariamente que não seria justo que apenas uma fração mínima tenha ficado na memória ou no coração. E quanto à aprendizagem? Tantos anos desenvolvendo essa habilidade e como ficou? Você saiu da escola com uma incrível habilidade para a aprendizagem ou teve que desenvolvê-la mais tarde? Tudo isso para dizer que as questões mais relevantes ao nosso desenvolvimento não foram aprendidas e nem apreendidas adequadamente.

Quais são os conhecimentos mais relevantes? Certamente existem alguns universais como alimentação, fisiologia, ecologia, economia, relações sociais, inteligências e certamente cultura. Depois temos esses mesmos conhecimentos relevantes vistos regionalmente e finalmente os mais importantes que são os vistos localmente. Qual deveria ser o percentual de cada um, dividido ao longo desses 12 anos? Quais são os macro e micronutrientes e para que servem? Somos feitos do que? Carbono? Fósforo? Não importa saber do que somos feitos? Enfim, sem querer exagerar, o resultado é que não recebemos as informações essenciais ou relevantes para nossa vida.

Multimídia

Esse item é um dos mais importantes para o uso de ferramentas de aprendizagem. Trata-se de passar informações utilizando varias mídias. Com isso a aprendizagem obedece ao ritmo do jovem ao invés de impor um ritmo específico. As pessoas são diferentes e aprendem de maneira diferente em momentos diferentes. Ou seja, uma pessoa pode ler uma página em 5 minutos enquanto a outra utiliza 20 segundos. Isso não caracteriza que uma é melhor que a outra. A pessoa que leva 5 minutos pode estar refletindo em alguma frase que a fez se conectar com alguma ideia e precisa ir mais devagar naquele momento. Dizem que Einstein tinha uma “lentidão” para aprender. Com a multimídia as pessoas aprendem na velocidade e no tempo que elas querem/podem. Além disso, a aprendizagem é montada em camadas. A primeira é a essencial, pode ser uma palestra no TED de 18 minutos, um texto de duas páginas ou um áudio de 5 minutos.  A segunda camada, se gerou interesse, é uma oferta maior de informações sobre o tema. Essas duas camadas iniciais são preparadas e muito bem escolhidas. A terceira camada é um diretório que leva o interessado para o “mundo” desse tema. Os sistemas de e-Learning bem feitos são muito eficazes!

A Escola é Mundo

Acabou aquela ideia de prisão onde as quatro paredes da sala de aula, o livro didático e uma pessoa (como todos nós) com habilidades limitadas são a principal fonte de aprendizagem na escola. A Escola passa ser o mundo todo! Começando localmente, com o apoio dos outros estudantes, mentores e tutores e usando todos os recursos disponíveis para o processo sistêmico da aprendizagem. “É preciso de toda uma aldeia para formar uma criança” (provérbio africano).

Somos a Natureza

Cada vez mais, fica claro que a Natureza é a melhor ferramenta de aprendizagem que existe. Durante muitos anos a Educação tratou de separar o inseparável. Tratava química, matemática, geografia, artes, história, filosofia, português, literatura como se fossem assuntos separados e com isso foi se perdendo a visão sistêmica e a capacidade de incluir tudo em todos os momentos da aprendizagem. A Nova Educação tem como princípio a interdependência natural orientada pela teoria da complexidade. Ou seja, uma visão de que somos Natureza. O grande problema dessa crise civilizatória que estamos vivendo é a dificuldade de perceber quem realmente somos e como nos relacionamos com tudo que está a nossa volta… ou seja nós mesmos!

Fritjof Capra, um dos ativistas dessa “alfabetização ecológica”, escreve no prefácio do seu livro “A Visão Sistêmica da Vida”:

“À medida que o século XXI se desdobra, torna-se cada vez mais evidente que os principais problemas do nosso tempo – energia, meio ambiente, mudança climática, segurança alimentar e financeira – não podem ser compreendidos isoladamente. São problemas sistêmicos, e isso significa que todos eles estão interconectados e são interdependentes. Em última análise, esses problemas precisam ser considerados como facetas diferentes de uma única crise, que é, em grande medida, uma crise de percepção.”

A evolução dos sistemas de aprendizagem das últimas duas décadas nos permitem repensar completamente sobre os paradigmas que formaram as escolas até os dias atuais. A gameficação dos conteúdos, o entendimento do DNA da arte do aprender (exemplo: teoria U), a queda de alguns “muros” das escolas (exemplo: Khan Academy), a percepção do equívoco da separação por faixa etária, a personalização e localização do conteúdo, a obsoletização das métricas de avaliação, a inversão da grade curricular pautada pela escola para uma pautada pelo estudante e principalmente o fim da destruição da criatividade e da dignidade dos estudantes gerada por um sistema impositivo de comportamento e por uma competitividade comparativa que geram o famigerado bullying.

O momento pelo qual a Educação está passando e principalmente o tempo que está levando para a transformação das escolas tem levado alguns pais a optarem por educar fora da escola. O Homeschooling é quando os pais decidem criar uma estrutura de aprendizagem em casa. Há diversas modalidades de Homeschooling. São muitas! Desde simplesmente transportar o conteúdo programático da escola para dentro de casa até a criação de conteúdos próprios. O Homeschooling existe há muitos anos em outros países e além de regulamentado, conta com uma grande quantidade de sistemas de aprendizagem que apoiam o estudante e os pais, principalmente os encontros com outros homeschoolers. No Brasil ainda está em desenvolvimento, mas já conta com grupos de apoio e alguns sistemas de aprendizagem desenvolvidos para isso. Outra modalidade de aprendizagem fora da escola é o Unschooling. Ela parte do princípio que a criança/jovem está o tempo todo aprendendo e que essa aprendizagem se desenvolve melhor quando o interesse nasce do próprio “aluno”. O Unschooling acredita também que cada indivíduo tem um ritmo próprio no desenvolvimento. Portanto, o conteúdo é demandado e não mais imposto como na escola e no homeschooling. A aprendizagem se faz de forma natural. O Unschooling é a modalidade onde todos os paradigmas antigos sobre educação são revistos e alterados. Leva-se um bom tempo para entender que o Unschooling é, também, uma opção viável de aprendizagem. Aprendizagem fora da escola continuará a crescer até que as escolas se transformem em comunidades de aprendizagem. Já existem mais de uma centena de escolas assim, que estão conduzindo as outras escolas para essa Nova Educação.

Como deve então ser uma escola na Nova Educação? Além dos princípios, como seria o dia a dia delas? Quais são os diálogos que podem enriquecer essa questão e produzir respostas eficazes rumo a uma Nova Educação? Precisamos de uma escola integral? Mas o que é uma escola integral? É aquela que recebe o estudante pelo período integral? Ou aquela que trata o estudante de forma integral? A discussão sobre o tema de manter o aluno por mais tempo na escola é bem complexa e não existe certo ou errado. A questão é que tipo de Educação será ampliada? Aquela que abafa a criatividade,  arranha a dignidade e desindividualiza o indivíduo? O argumento de que qualquer porcaria é melhor que deixá-lo à mercê do crime e da droga é… absolutamente sem noção! Sem noção do que seja a construção do SER de ser humano, da cidadania, da integralidade do seu potencial único. Portanto, em primeiro lugar, transformar as escolas naquilo que nunca deveriam ter deixado de ser: um espaço de aprendizagem.

A palavra “escola” tem sua origem na palavra grega “Skhole” que significa “lazer” (no qual se emprega lazer). Quem estuda em profundidade os sistemas de aprendizagem sabe que brincar e jogar são os principais instrumentos do aprender e apreender. Como as escolas se transformaram no que são hoje é outra história… aliás, uma história bem interessante!

Não é possível entender o que seja Educação sem um olhar sistêmico e a compreensão da teoria da complexidade. Assunto para um livro todo. Como já mencionei, as coisas estão todas interligadas e o movimento da Educação tem um papel fundamental em nossa civilização que atualmente vive uma crise existencial. Uma forma rápida de olhar para esse tema é mergulhar nas “Sete Lições Complexas de Educação para o Futuro” do Edgar Morin (conhecidas no Brasil como os Sete saberes necessários à educação do futuro). São eles: Detectando erros e ilusões do conhecimento; princípios de um conhecimento pertinente; ensinando a condição humana; identidade planetária; confrontando as incertezas; entendendo-nos uns aos outros e ética para a espécie humana.

Se esses buracos negros da educação não forem trabalhados continuaremos a ter uma educação voltada para o passado ao invés de uma voltada para o futuro. Ainda teremos erros grosseiros no campo do conhecimento como o de que Cristóvão Colombo descobriu a América, quando há muitos anos sabemos que não foi ele. Fora todas as inverdades criadas por uma  agenda oculta de quem detinha o poder.

Para não dizer que não falei do Bullying

Depois de tantos anos de campanhas, o bullying continua a existir nas escolas. Por quê? Claro que ninguém em sã consciência é a favor do bullying. Claro que pais, educadores e professores procuram meios para evitá-lo. O que faz com que alguns jovens pratiquem esses ataques?

A questão é delicada e precisa ser trabalhada com cuidado. Como esse problema é geral e pode causar sérios danos, principalmente danos futuros para os dois lados (vítima e agressor), toda atenção é pouca! Todos os pais estão sujeitos a que seus filhos estejam envolvidos direta ou indiretamente nisso. Aqueles pais que acham que com eles isso não está acontecendo são os que correm maiores riscos.

Além da questão fundamental do monitoramento (não patrulhamento) nas mídias sociais e navegação da web, o importante é estabelecer uma cultura de paz, solidariedade e colaboração entre os jovens. Lamentavelmente, o sistema educacional das escolas promove o contrário, acreditando que estão ensinando alguma coisa. Elas fazem provas que testam a memória ao invés do conhecimento do aluno e para piorar dão notas comparativas e as explicitam publicamente. Isso gera uma competição longe do saudável. Acredita-se que a maior parte das ações de bullying nasce para compensar a dignidade arranhada.

A escola também obriga os alunos a ficarem parados durante muito tempo tendo que prestar atenção à grade programática definida de cima para baixo, que geralmente é chata para a maioria. Normalmente, esse conteúdo está longe de suas realidades atuais e geralmente é obsoleto. Esse sistema promove o represamento da criatividade, bloqueia a energia do fazer e desvia o interesse incondicional de aprender. Com isso represado e o incômodo de que você “não pertence”, que tipo de linguagem e intenção podem ser trocadas pelo WhatsApp?

Longe de dizer que as escolas ou a educação são culpadas disso. Esse é um problema sistêmico! Elas (as escolas e a Educação) são apenas o contexto onde o bullying se alimenta e se reproduz. Elas estão mais para a água parada onde o mosquito se reproduz e transmite a Dengue. Quem é o culpado da Dengue? A água parada? O mosquito? A Dengue? Todos e nenhum! Quem é o culpado do Bullying? As escolas? O sistema de educação? Os alunos? Os professores? Os pais? O Bullying?

Se não pensarmos numa solução sistêmica para esse problema de complexidade, dificilmente encontraremos um caminho para resolvê-lo. Talvez seja possível resolver algum problema pontual de um filho/aluno. Agora, para resolver a escola como um todo, são muitos “pauzinhos” para mexer e precisa ver se há vontade política e pessoal da direção e dos pais. O diálogo pode ser o caminho mais curto para reduzir o bullying.

Românticos Conspiradores

Eu já era um romântico conspirador muito antes de saber da existência do grupo dos Românticos. Foi amor a primeira vista no 2º ENARC (Encontro Nacional dos Românticos Conspiradores) em março de 2010 em Curitiba. A carta de princípios do núcleo São Paulo (formulada em 2008) já diz tudo no seu primeiro item:

“Educar-se para a Integralidade – A educação deve contemplar a humanidade dos educadores e educandos em sua totalidade, sendo coerente com a indivisibilidade das dimensões biológica, mental e espiritual de cada pessoa. Assim como cada ser humano possui diferentes limites, possui também diversas potencialidades que poderão, ou não, ser desenvolvidas e expressas a partir das formações e transformações que ocorrem durante toda a vida. Para isso a educação deve ser um processo intencional, contínuo e transformador, que leve a integralidade e que repercuta durante toda a vida.”

Quando escutamos que Educação, como princípio, deve contemplar a humanidade dos educadores e educandos em sua totalidade… parece óbvio! Também é óbvio que deve ser coerente com a indivisibilidade das dimensões biológica, mental, emocional e espiritual de cada pessoa. Esse mesmo princípio ainda contempla a ideia de que, assim como cada ser humano possui diferentes limites, possui também diversas potencialidades que poderão, ou não, ser desenvolvidas e expressas a partir das formações e transformações que ocorrem durante toda a vida. Essas afirmações sobre o que deve ser a Educação são consenso para a maioria dos educadores e pedagogos. Em outras palavras esse princípio diz que devemos olhar e incluir o SER de ser humano dos que educam e são educados, levar em conta corpo, mente e emoção, permitindo o florescimento das potencialidades inerentes a cada um. Para isso a Educação deve ser um processo intencional, contínuo e transformador, que leve a integralidade e que repercuta durante toda a vida.

Se isso tudo isso é óbvio por que a maioria das estruturas educacionais está tão longe desse princípio?

O TED (Talk) mais visto até hoje é o do Ken Robinson, “As Escolas Matam a Criatividade?”. Acredito que não exista um educador que não o tenha visto… sei que sou um otimista! Ken conta a história de uma menininha de seis anos que estava numa aula de desenho. Ela estava sentada no fundo da sala desenhando. A professora disse que ela quase nunca prestava atenção na aula, mas estava impressionada que agora estava desenhando. A professora se aproxima e pergunta o que ela está desenhando. Ela responde: Estou desenhando a imagem de Deus! A professora logo retruca que ninguém sabe como Deus se parece. A menina responde: saberão num minuto! Outra história inesquecível que ele conta nesse TED é a da Gillian Lynne. Lembram-se? Claro que sim!

Essa palestra foi gravada em fevereiro de 2009 e de lá para cá temos centenas de palestras, vídeos e filmes maravilhosos que nos inspiram a rever nosso olhar para a Educação.

A Nova Educação pode ter vários nomes, varias origens e principalmente corajosos projetos em andamento. Não será suficiente e muito menos possível melhorar a Educação, ela depende de uma transformação completa. Uma Nova Educação!

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Hoje faz um mês que 150 chefes de estado se reuniram em Paris para dar início à COP21. Em meio aos atentados terroristas e às grandes tragédias ambientais, ambos causados pela nossa desumanidade, inicia-se a finalização de um processo que começou na Rio+20 em 2012 e acelerou-se em 2014 na COP20 em Lima, que passou os últimos 12 meses negociando o acordo a ser homologado em Paris. 

Ou seja, na abertura da COP21 que foi antecipada para o dia 29/12 (domingo) o documento já deveria estar quase pronto mas ainda tinha 50 pontos para serem negociados. Realmente, 185 países dos 196 participantes enviaram suas propostas quanto às ações de mitigação das emissões de gases de efeito estufa. No dia seguinte (30/12) segunda-feira, os chefes de estado posaram não apenas para a foto oficial, mas para aparentemente mostrar seu apoio integral às resoluções a serem tomadas. Os delegados trabalharam durante a semana toda e ao final deram a impressão de que veríamos um fracasso equivalente à COP15 de 2009 em Copenhague. Havia mais 900 palavras em colchetes para serem resolvidas. A entrada dos ministros na semana seguinte de negociação piorou ainda mais as expectativas quanto a um resultado positivo para o documento. Alguns países como a Arábia Saudita e o Iraque declararam claramente a intenção de boicotar a COP21. Além dos problemas anteriores com a China e a Índia. 

O resultado que vimos no sábado 12/12 foi péssimo se levarmos em consideração que estamos caminhando desde 2012 e bom se levarmos em conta o que estava acontecendo nas 24 horas anteriores. Para a mídia foi o bom que ficou gravado com a foto da vitória do presidente Hollande, que claramente estava mais preocupado com o clima das eleições no dia seguinte do que com o clima do planeta. Para o resto dos mortais, distantes do poder, o resultado foi bem ruim, principalmente por camuflar as evidências da nossa crise civilizatória. Dá a impressão que “estão” resolvendo! Não estão! Estão ganhando tempo… ou melhor (pior) perdendo tempo! 

Esses 150 chefes de estado estão em sua grande parte na contramão da Sustentabilidade e serão lembrados mais pelos crimes contra a humanidade do que por seus talentos como líderes. O mesmo está acontecendo no meio corporativo. Estamos migrando para um momento de maior transparência e liderança sustentável. O modelo de negócio da maioria das empresas que causa problemas na área da Sustentabilidade, principalmente no meio ambiente tem em sua liderança pessoas totalmente despreparadas para transformar esse novo momento da nossa crise civilizatória. Estamos assistindo a queda do império dessas empresas, que de uma forma orgânica ou catastrófica estão se dissolvendo ou se reinventando. 

Em entrevista à Miriam Leitão na Globo News, o presidente da Vale fala como se fôssemos todos idiotas (e provavelmente somos). Senti vergonha alheia! Ele disse coisas como “a Vale a e Samarco são concorrentes” e afirmou “Eu nunca soube quem são os clientes da Samarco e nós não poderíamos saber.” Como assim? Se a Vale tem 50% da Samarco e a Anglo-Australiana BHP Billiton os outros 50! 

É só pesquisar alguns minutos no Google e qualquer um de nós pode saber. A maior pérola que deve ter feito amigos e parentes se esconderem atrás do sofá de onde assistiam a entrevista foi: “Por mim, hoje, a Vale do Rio Doce deixaria de ser a Vale DO Rio Doce para ser a Vale PARA o Rio Doce.” Em outro momento disse que lhe causa muita perplexidade até, a despreocupação das pessoas: “A Samarco tem 5.200 pessoas, eu imagino o grau de incerteza que vai dominar no Natal delas.” E quanto ao grau de incerteza da fauna, da flora, dos recursos hídricos e das milhões de pessoas ao longo de uma área do tamanho de Portugal? Por fim, o presidente diz que a Vale em setembro (2015) ganhou um prêmio de melhor empresa do ano na visão de 850 analistas da América Latina. Não fica óbvio que as métricas e os líderes dessas empresas estão COMPLETAMENTE fora dessa nova realidade?

Quanto tempo levaremos para essa migração? Temos esse tempo? O que anima é ver que há cada vez mais líderes (presidentes) voltados genuinamente à Sustentabilidade. Vamos reforçar esse time! A transparência veio para ficar e será cada vez mais difícil se esconder atrás da desinformação. Que venha 2016!

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[ COP21 ]

Paris Colchetes

A COP21 realizada em Paris está entre colchetes! Os colchetes foram amplamente utilizados para marcar nos rascunhos do texto as partes que precisariam ainda ser negociadas. Terminada a primeira semana o texto, com ainda 48 páginas, tinha mais de 900 colchetes! Dá para imaginar? O título acima com os colchetes reflete minha opinião em relação aos resultados dessa COP em Paris. Ainda temos muito que analisar e estamos longe de entender qual o impacto real dessas decisões. Será que os que tão celebrados 1,5C graus são possíveis de serem realizados? O que realmente significa isso? Teremos que produzir índices de emissões negativas, ou seja, criar tecnologias que resgatem e armazenem carbono. Essa ideia chega a ser ridícula quando entidades como a Fundação Clinton inventam uma maquina que imitam uma árvore… não parece bem mais razoável manter as árvores que já temos e plantar mais dessas maquinas de resgatar carbono? Matrix! Outra coisa importante para lembrar é que esse documento começa a valer só em janeiro de 2020 – e até lá? A China, por exemplo, que é o maior emissor do planeta vai continuar aumentando suas emissões até 2030 quando, só então, começará a reduzi-las. Uma ironia para a China foi a situação insustentável para algumas cidades respirarem pouco antes dessa COP. A Natureza falando… digo GRITANDO! Não quero estragar a alegria de todos nós de que a COP21 foi um sucesso! Claramente os resultados foram melhores do que Copenhague lembrando que passamos pela Rio+20 e que a COP20 no Peru deu o início aos trabalhos para esse resultado em Paris. Nesse sentido deveríamos estar bem mais avançados do que estivemos durante essa dúzia de dias em Paris. Fora isso não podemos descartar a situação na França que estava bem complicada para o atual presidente e que os atos terroristas o colocou novamente nos holofotes de um natural sentimento de nacionalismo. Triste e até mesmo feio dizer que se aproveitou da situação e fez o mesmo com a COP21. O resultado se refletiu, no dia seguinte, nas eleições regionais da França que conseguiu eliminar a extrema direita (ainda bem do meu ponto de vista) que tinha se destacado fortemente no primeiro turno. Seria ingênuo pensar que a COP21 não teve suas cores pintadas nesse contexto. Outras cores como as do EUA também foram um forte influenciador dos resultados para acomodar suas necessidades, até mesmo constitucionais. Novamente precisaremos de muitas semanas num trabalho conjunto para analisar os resultados da COP21.

O que pode já ser considerado um grande sucesso, foi o movimento, ações e participação da sociedade civil. Uma quantidade gigantesca de eventos, palestras, movimentos, rodas de conversa, manifestações e outras expressões significativas. Foi um “show” de criatividade, compartilhamento, colaboração, humor, sentimento de ser e muito amor! Parabéns aos milhares de participantes que levaram essa beleza e esperança que teremos um mundo melhor! Também levaremos muito tempo para absorvermos todas essas maravilhas que foram trazidos por muitos os povos da terra. Fiquei emocionado em muitos momentos e principalmente orgulhoso de fazer parte dessa tribo… humana… da Natureza. Somos Natureza!

Voltando as minhas impressões de Paris, me surpreendi com o estande do Brasil na ONU. Foi uma declaração explícita de que como estamos tratando a questão climática em nosso país. Senti vergonha, principalmente ao ver os outros… Dava vontade de chorar! O Brasil assumiu o protagonismo na Eco92 e tinha tudo para continuar a liderar esse movimento no mundo. Já na Rio+20 fizemos o vexame de, seis meses antes, adiar em 15 dias o evento que desde 1972 (Estocolmo) tinha a data de 5 de junho como símbolo mundial do Meio Ambiente. Por que fizemos isso? Por causa do aniversário da Rainha da Inglaterra que celebrava o Jubileu de Diamante (60 anos) de coroação. Verdade! Fomos perdendo esse protagonismo que Naturalmente deveria ser nosso. A Natureza também GRITOU em nosso país antes da COP21. Os incêndios nas florestas, principalmente na Chapada Diamantina. O terrorismo que matou um rio e toda sua fauna e flora.  Destruiu 324 hectares de Mata Atlântica nos arredores do rio Doce e de seus afluentes. O espaço total causado por esse crime é do tamanho de Portugal. Imaginem o que aconteceria se Portugal fosse varrido por esse mar de lama? Teria a baixíssima repercussão que Mariana teve? Por que a repercussão foi tão baixa nas nossas mídias e por consequência na internacionais? Por que outro ato terrorista ocorrido em Paris uma semana depois teve MUITO mais espaço na nossa mídia. Por que?

Falando em espaço na mídia ocorreu em Paris o mesmo que no Rio de Janeiro na Rio+20. No último dia e no dia seguinte a capa do Jornal Globo destacava um problema na presidência do Paraguai… incrível!  Para quem estava no miolo da Rio+20 foi surreal! Se eu não soubesse e estivesse lendo esse artigo iria imediatamente para o Google pesquisar na certeza de que o autor só podia estar equivocado. Em Paris o último dia e o dia seguinte só se falava, na mídia tradicional, das eleições regionais. Pelo menos o assunto era local! Por que a pauta do Jornalismo Ambiental ou mesmo da Sustentabilidade como um todo não ocupa as páginas da mídia tradicional.

Vou separar tudo que vivenciei, as pessoas que conversei, os projetos e escrever uma matéria para aqueles que possam se interessar pelos corredores da COP21 de Paris.

ALLEZ BRÉSIL!!!

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cop 21

A partir do dia 30 de novembro, teremos o evento mais importante e significativo para o futuro da nossa humanidade.

Estamos numa crise civilizatória e os reflexos estão por toda parte.

Acompanhe de perto o que o mundo nos reserva para o nosso futuro comum!

Estarei lá!

http://www.cop21.gouv.fr/en

 

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VAMOS PARAR COM ISSO? Será que podemos tratar o transtorno de déficit de atenção ÀS CRIANÇAS e a hiperatividade AOS LABORATÓRIOS e PSEUDO-TERAPEUTAS por parte de gestores escolares, educadores e professores? Se alguém vier com o argumento óbvio e primário de que o TDAH existe e que em alguns casos precisam ser tratados… nos poupem! Já viram os números do consumo de Ritalina (a pílula da obediência) por crianças e jovens no Brasil? Assustador! Vamos parar com isso! Vamos tratar e se for preciso medicar o nosso atual sistema educacional! Não é opinião, é estatística! Somos o quinto país em tamanho e população, o oitavo em PIB… e na Educação? Segundo a ONU estamos em septuagésimo nono (79º) lugar em educação no mundo. Um estudo profundo da Pearson (The Economist) entre apenas 40 países estamos em 38º!!! Alguma dúvida? Gestores de Escolas e Educadores, por favor, parem de convencer os pais de que seus filhos estão desajustados à escola e de que precisam de ajuda de um terapeuta e até mesmo se medicarem! Vamos parar com essa farsa!

Estudo da Peorson: http://bit.ly/pearsonindex

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