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Archive for the ‘Uncategorized’ Category

Primeiro de Agosto

Estou publicando esse texto que pertence ao livro que estou escrevendo. Comecei escrevendo uma carta no dia primeiro de janeiro e a cada primeiro dia do mês, escrevo outra. Resolvi publicar a de primeiro de abril e venho repetindo a cada primeiro do mês. Essas cartas estarão no capítulo de uma retrospectiva do ano de 2020. Nas primeiras décadas do século XXI, escrevo uma para cada ano e estou escrevendo uma carta para cada uma das últimas cinco décadas do século XX. Segue a carta:

Quando comecei a escrever esse livro em janeiro desse ano, não imaginava que viveríamos o conteúdo do livro. Logo no início escrevo um pequeno texto com o título:

Crise Civilizatória

“A palavra “crise” traz uma conotação negativa, mas na verdade é apenas um momento de decisão onde uma possível mudança é eminente. A etimologia vem do latim crĭsis, que por sua vez vem do grego krisis, onde a palavra era comumente usada para questões de saúde. Na medicina designava o momento decisivo onde separava o paciente em direção a cura ou a morte. Portanto para nosso mútuo entendimento a palavra crise está significando um momento em que nossas escolhas determinarão por quais transformações iremos passar. Nossas percepções dessa realidade vão nos conduzir as decisões individuais e coletivas para o caminho da cura ou da morte.

Quanto a palavra “civilizatória”, o entendimento é mais complexo. É sobre o processo que nos leva a civilização, ou seja, a nos civilizar. A nos tornar cidadãos de uma sociedade civil geograficamente definida, de uma cidade, estado, país, continente e até mesmo de um planeta. Como definir civilização? Seria talvez o conjunto de códigos sociais e culturais definido por uma elite dominante? Ou talvez por um conjunto de regras morais e éticas definidas pelo conjunto dos cidadãos através de sistemas de representação? Muitos o definem, também, como um processo de dominação e controle da natureza pelo homem. Seja como for o importante é perceber que todas as civilizações que existiram antes da nossa, nasceram, tiveram seu apogeu e… morreram! Seria ridículo acreditar que a nossa civilização não vai… morrer!

Onde estão os princípios, crenças e valores que estão levando a nossa civilização a se autodestruir? Como conseguem passar desapercebidos? São percepções equivocadas para o momento atual na economia, educação, política, medicina, ecologia e religião. A combinação dessas miopias nos fazem caminhar para o fim de mais uma civilização. Não se trata de uma mudança ou de uma melhoria e sim de uma completa transformação. Portanto precisamos urgentemente, migrarmos a atual cultura para uma nova economia, uma nova educação, uma nova medicina, uma nova ecologia, uma nova política e até mesmo uma nova religião.

Boa sorte para todos nós!”

Um pouco mais para frente repasso o trecho inicial do texto com o título:

Acreditar no Inacreditável

“Temos a incrível capacidade de acreditar no inacreditável. E pior, acreditar que estamos vendo a verdade e de que nossos pressupostos estão corretos. E para piorar ainda mais, acreditamos que os outros não estão vendo a realidade como ela é. Poderia ser até engraçado se não fosse trágico.

Joseph Campbell, brilhantemente, dizia que “Mitologia” é a religião dos outros. Ou seja, o que você acredita, percebe e valoriza é, na maior parte das vezes, o certo… é a realidade que, infelizmente, nem todos conseguem ver. Na verdade bem poucos conseguem ver! Olhar aquilo que acreditamos como sendo (também) uma fantasia, uma ilusão e ou uma mitologia é possivelmente o exercício mais difícil de desapego, humildade genuína e autoconhecimento que corajosamente podemos realizar. O medo é tanto que nem admitimos que possa haver algo a ser checado com a nossa maneira de ver a realidade. O desafio é perceber que a nossa percepção é apenas uma percepção. Repetindo: perceber que a nossa percepção é… apenas uma percepção!

A pergunta que fica é que se não vemos as coisas como elas são, deveria ser fácil provar isso, mostrando como as coisas realmente são. Sim é fácil e já foi mostrado e demonstrado milhares de vezes. A pergunta, então, deveria ser: porque não “caímos na real”?

Vou apresentar um dos mais famosos exemplos criados por Christopher Chabris e Daniel Simons que depois (2010) se tornou o livro “O Gorila Invisível”. Um livro delicioso! Trata-se de um experimento que realizaram em 1999. Pediam para as pessoas assistirem um vídeo bem curto com a instrução de contar os passes dos que estão de camisa branca. Viam-se três jovens de camisa branca e três de camisa preta que iam se movimentando e passando uma bola de basquete entre os da mesma cor de camisa. Cada time tinha sua própria bola. Depois de um curto tempo aparece uma mensagem perguntando quantos passes você contou e em seguida dizendo que a resposta correta era 15 passes. O meu choque veio com a pergunta seguinte: Mas… você viu o gorila?! Gorila? Que gorila? O vídeo então volta as imagens e mostra o momento em que uma pessoa vestida de gorila passa entre os jovens, para no meio da tela e bate no peito zombando de nossa completa cegueira. A primeira vez que vi o vídeo achei que era um truque de vídeo, porque seria completamente impossível eu não ter visto aquele monstro tão descaradamente visível….”

Esse mês de julho abriu espaço para entendermos melhor o quanto não estamos entendendo os números de nada. Ou melhor… que os números não dizem nada e provavelmente nunca disseram. Estamos tão presos aos números que São Paulo teve uma instabilidade no sistema  do DataSUS de contagem casos da Covid19 num único dia e a sensação foi de alegria de que os números caíram, no dia seguinte apresentou os números atualizados e quase gerou pânico que os casos tiveram uma subida com novo recorde no Estado. A que ponto chegamos? Somos movidos a números que não temos a menor ideia de como são produzidos e, no entanto, reagimos de acordo com essa miragem. As eleições que o digam! Somos movidos por essas quimeras que chamamos de realidade.

Esse mês foi também o palco de diversos manifestos e cartas no Brasil. Destaco três:

A “Carta ao Povo de Deus” que foi produzida por 152 bispos, arcebispos e bispos eméritos do Brasil. Ela “vazou” no domingo (26/07) e está mobilizando um contingente grande de pessoas entre católicos e não católicos. Desdobramentos virão.

O manifesto #liberteofuturo foi lançado no domingo 5 de julho “Queremos lutar pelo futuro do presente ―no presente.” liberteofuturo.net

O manifesto da Coalizão Brasil lançado em 17 de julho representa bem o que precisa ser feito para a proteção dos povos indígenas. Leia na íntegra:

Brasil precisa proteger os povos indígenas contra a pandemia e a ilegalidade

 A Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, movimento formado por mais de 200 representantes do agronegócio, da sociedade civil, setor financeiro e academia, acredita que é possível ser uma potência florestal, agrícola e da biodiversidade e, ao mesmo tempo, conservar e expandir o enorme patrimônio natural do país. Mas este modelo só tem sentido se garantir também a proteção aos povos originários da floresta.

A contribuição dos territórios indígenas para a integridade do bioma Amazônico já foi comprovada em diversos estudos. Além da proteção ao meio ambiente, que beneficia também a produção agrícola, essas populações representam uma enorme riqueza e diversidade sociocultural. Por isso, sempre que a defesa dos territórios ou modos de vida dos indígenas brasileiros e seus conhecimentos tradicionais são ameaçados, o Brasil também corre risco.

Historicamente vulneráveis a doenças e reféns de uma estrutura precária de serviços de saúde, especialmente na região Norte, os mais de 800 mil indígenas do país enfrentam um cenário crítico em meio à pandemia da Covid-19. Segundo dados do IPAM, a taxa de mortalidade entre indígenas é mais que o dobro dos não indígenas. Diante dessa ameaça, torna-se fundamental a redução da circulação entre cidades e aldeias.

Por isso, a Coalizão Brasil reforça a urgência de implementar o Plano Emergencial para Enfrentamento à Covid-19 nos Territórios Indígenas, como forma de assegurar o acesso às ações e aos serviços de prevenção necessários a essas comunidades. Além disso, o movimento vê com preocupação os vetos da Presidência a garantias básicas que o texto do plano trazia. Preocupa também as ações do Governo para medicar essas populações com remédio cuja comprovação científica tem sido questionada pela classe médica e pela Organização Mundial de Saúde. Por isso, a participação efetiva dos povos indígenas na execução do plano é um princípio básico de respeito e eficácia.

A crise da Covid-19 às comunidades indígenas tem sido agravada pela constante invasão de suas terras que, além de levar o crime a esses territórios, levam esse vírus a essas populações. Por isso, é urgente que o Executivo cumpra a decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, que determinou a retirada imediata de todos os garimpeiros da Terra Indígena Ianomâmi – estimados em 20 mil invasores – e a presença de servidores da Funai, do Ibama e de militares durante a pandemia para conter a ilegalidade nessas áreas.

Garantir a proteção dos povos e comunidades indígenas durante e após a pandemia é garantir que o Brasil promova e respeite os direitos humanos, o meio ambiente e a agricultura, que depende dos serviços ambientais das florestas. É um compromisso que traz benefícios para a imagem do país, para a posição dos produtos brasileiros nos mercados internacionais e para as pessoas que vivem e protegem a floresta. Por isso, o interesse na segurança e bem-estar dos povos originários é de todos os brasileiros e um dever do Estado e, assim, exige medidas imediatas do Governo.

 

Sobre a Coalizão Brasil
A Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura é um movimento multissetorial que se formou com o objetivo de propor ações e influenciar políticas públicas que levem ao desenvolvimento de uma economia de baixo carbono, com a criação de empregos de qualidade, o estímulo à inovação, à competitividade global do Brasil e à geração e distribuição de riqueza a toda a sociedade. Mais de 200 empresas, associações empresariais, centros de pesquisa e organizações da sociedade civil já aderiram à Coalizão Brasil – coalizaobr.com.br

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Primeiro de Julho

O mês do meio ambiente foi marcado pelo agravamento da degradação do meio ambiente, da proteção aos povos indígenas, da educação, da cultura e da verdade… sim degradação da verdade! Acredito que o genocídio das nações indígenas seja o mais urgente dentro de tantas urgências e emergências. O Brasil está na UTI!

Ao mesmo tempo, o mês do meio ambiente foi palco de centenas de ações, encontros e movimentos na direção da conscientização (awareness) em direção à sustentabilidade (por mais desgastada que esteja essa palavra). Essa semana tivemos a celebração dos 20 anos da publicação da Carta da Terra. Esse livro (que você está lendo) guarda um espaço especial para esse documento que deveria ser obrigatório para todo cidadão do planeta. Ele é a constituição da nossa Humanidade, nosso manual de funcionamento. Simples e complexa ao mesmo tempo. Espero que num futuro breve ninguém tome qualquer decisão sem antes consultá-la. No final desse texto coloco novamente seu preambulo da Carta da Terra.

Em 17 de junho começou um movimento que em menos de 15 dias está alcançando um impacto surpreendente, dele se desdobrarão muitos outros criados pela sociedade civil. O “Stop Hate for Profit” (Pare de Dar Lucro ao Ódio) gerou uma retirada bilionária de anúncios no Facebook por mais de 250 empresas, além de mobilizar as corporações a rapidamente se posicionarem publicamente. Que feito! Esse movimento abre um precedente para que cidadãos e organizações da sociedade civil se mobilizem em causas que podem gerar grandes prejuízos para as empresas, ou seja haverá uma reação imediata como está ocorrendo no Facebook que em pouquíssimos dias está implementando o que vem sendo reivindicado há anos. Esse movimento vem, com certeza, para o Brasil assim como o Sleeping Giants (que denuncia as empresas que financiam anúncios em sites de fake news) chegou em maio e já está causando graves prejuízos a esses sites de notícia falsas e, além disso, fez com que varias empresas de porte tivessem que vir a público para se justificarem. Maravilhoso! No final desse texto anexo a carta, simples, que escreveram no site do #StopHateforProfit.

Como disse acima, os protetores das florestas precisam ser protegidos da gigantesca ganância internacional, com criminosos nacionais, inacreditavelmente apoiados pelo governo. Os povos da floresta são tão diversificados em cultura, linguagens e sabedorias que não podemos colocá-los num mesmo rótulo. Cada nação vem sofrendo ataques dos mais diversos e precisam da atenção de todos os habitantes do planeta. Faça alguma coisa, por menor que seja. Faça alguma coisa, porque não somos coniventes com esse genocídio. Faça alguma coisa, não se conforme com a banalidade do mal. Tenho ajudado de forma direta algumas iniciativas específicas e divulgado, lá fora, nos formadores de opinião. Colecionei artigos em inglês para ilustrar e facilitar a divulgação. Por exemplo no site do Democracy Now (democracynow.org/2020/5/26/brazil). Vou anexar a carta que circulou o mundo, gerou encontros, lives e manifestações. A carta aberta é do Sebastião Salgado e foi assinada por centenas de milhares de pessoas.

Sobre a pandemia no Brasil, nem sei o que falar. Continuamos acreditando nos números que são mostrados diariamente como se tivessem qualquer relação com a realidade. Conforme exaustivamente explicitado no início desse livro, a necessidade de uma notícia qualquer ser acompanhada de um número (na maioria das vezes enviesado) é “de chorar”. A cidade de São Paulo deve ser a cidade em que mais morreram pessoas de COVID-19, apesar de oficialmente ser a segunda (por enquanto), atrás de Nova York. Triste pensar que tivemos tempo para aprender e apreender com os países que foram duramente afetados. Aprender principalmente com os erros. Mas não… não conseguimos superar nossas ignorâncias e a responsabilidade é toda nossa, de nós todos! Para onde estamos indo? O que nos espera para esse mês de julho?

Vou parar por aqui citando o Fritjof Capra, que hoje, numa conversa com Lourenço Bustani numa live da Mandalah citou Bob Dylan ao se referir ao que devemos esperar do futuro: A resposta, meu amigo, está soprando ao vento (The answer my friend is blowing in wind).

 

Anexo 1 – Preambulo Carta da Terra

PREÂMBULO

Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro.

À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas.

Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum.

Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz.

Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações.

 

Anexo 2 – Pare de dar Lucro ao Ódio

#StopHateforProfit (stophateforprofit.org)

O que você faria com US$ 70 bilhões?

Sabemos o que o Facebook fez.

Eles permitiram o incitamento à violência contra manifestantes que lutavam pela justiça racial nos Estados Unidos, na sequência de George Floyd, Breonna Taylor, Tony McDade, Ahmaud Arbery, Rayshard Brooks e muitos outros.

Eles chamaram o Breitbart News de “fonte confiável de notícias” e fizeram do The Daily Caller um “verificador de fatos”, apesar de ambas as publicações terem registros de trabalho com supremacistas brancos conhecidos.

Eles fecharam os olhos à flagrante supressão de eleitores em sua plataforma.

Eles poderiam proteger e dar suporte a usuários negros? Eles poderiam chamar a negação do Holocausto como ódio? Eles poderiam ajudar a viabilizar a votação?

Eles absolutamente poderiam. Mas eles estão optando ativamente por não fazê-lo.

99% dos US $ 70 bilhões do Facebook são feitos através de publicidade.

Com quem os anunciantes estarão?

Vamos enviar uma mensagem poderosa ao Facebook: seus lucros nunca valerão a pena promover ódio, fanatismo, racismo, anti-semitismo e violência.

Por favor junte-se a nós.

 

Anexo 3 – Carta Aberta Lélia e Sebastião Salgado (1 de maio)

Lélia e Sebastião Salgado: ajude a proteger os povos e indígenas da Amazônia do Covid.

Os povos indígenas do Brasil sofrem há muito tempo com a desmatamento, incêndios florestais, rios envenenados e invasão de suas terras. Agora eles correm o risco de ser dizimados pelo Covid-19, a menos que sejam tomadas medidas urgentes para protegê-los. O fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, que trabalhou na Amazônia na última década, e Lélia Wanick Salgado, que projeta seus livros e exposições, estão pedindo uma ação imediata para proteger essa frágil população do risco do coronavírus transportado por invasores de suas terras. O apelo abaixo é dirigido aos três Poderes do Estado brasileiro. Sebastião e Lélia pedem que você assine e compartilhe.

APELO URGENTE AO PRESIDENTE DO BRASIL E AOS LÍDERES DO CONGRESSO E DO JUDICIÁRIO

Os povos indígenas do Brasil enfrentam uma grave ameaça à sua própria sobrevivência com o surgimento da pandemia do Covid-19. Há cinco séculos, esses grupos étnicos foram dizimados por doenças trazidas pelos colonizadores europeus. Ao longo do tempo, sucessivas crises epidemiológicas exterminaram a maioria de suas populações. Hoje, com esse novo flagelo se disseminando rapidamente por todo o Brasil, comunidades nativas, algumas vivendo de forma isolada na Bacia Amazônica, poderão ser completamente eliminadas, desprovidas de qualquer defesa contra o coronavírus.
Sua situação é duplamente crítica, porque os territórios reconhecidos para uso exclusivo de populações autóctones estão sendo ilegalmente invadidos por garimpeiros, madeireiros e grileiros. Essas operações ilícitas se aceleraram nas últimas semanas, porque as autoridades brasileiras responsáveis pelo resguardo dessas áreas foram imobilizadas pela pandemia. Sem nenhuma proteção contra esse vírus altamente contagioso, os índios sofrem um risco real de genocídio, por meio de contaminações provocadas por invasores ilegais em suas terras.
Diante da urgência e da seriedade dessa crise, como amigos do Brasil e admiradores de seu espírito, cultura, beleza, democracia e biodiversidade, apelamos ao Presidente da República, Sua Excelência Sr. Jair Bolsonaro, e aos líderes do Congresso e do Judiciário a adotarem medidas imediatas para proteger as populações indígenas do país contra esse vírus devastador.
Esses povos são parte da extraordinária história de nossa espécie. Seu desaparecimento seria uma grande tragédia para o Brasil e uma imensa perda para a humanidade. Não há tempo a perder.

Respeitosamente,
Sebastião Salgado
Lélia Wanick Salgado

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Primeiro de Junho

Carta para minha Neta

Oi pequena, você nasceu no primeiro dia do mês do meio ambiente. Que bom presságio! Claro que seu avô aqui torceu para ter sido no dia 5, mas com tanta coisa para ser e fazer nesse mundo… melhor mesmo chegar antes!

Quando te vi pela primeira vez tive a sensação de que você também me viu. Senti o peso do legado e do futuro por vir. Senti o frescor da tarde e das folhas no chão de outono. Apesar da máscara, seu avô estava sorrindo de amor.

Deixa-me te contar um pouco sobre esse mundo que você acabou de chegar e dos caminhos que seu caminhar pode encontrar. Se por um lado está tudo diferente do que estava quando você aportou a nave mãe, por outro estamos adentrando uma civilização novinha em folha.

Para começar os jovens estão a frente desse movimento, o problema é que a maioria tem menos de 18 anos. Daqui há dez anos terão consolidado uma maneira completamente diferente de ver as relações humanas da maneira que ainda vemos hoje. Você só terá 10 anos, mas estará vendo o mundo com esse novo olhar, com essa nova percepção… isso será o marco fundamental de uma nova sociedade voltada para ampliação da consciência e restauração ecológica. Não haverá economia sem ecologia, educação sem aprendizagem, religião sem espiritualidade, política sem cidadania e nem medicina sem saúde.

Oi pequena, esse livro que estou escrevendo é para você e sua geração. Não para vocês lerem, mas para aqueles que estão abrindo os caminhos nessa crise civilizatória e deixarão um cenário possível de ser e fazer. Aqui falo desse novo caminho que renascerá das cinzas e de alguns aspectos que nos levaram até aqui.

De qualquer maneira estarei ao seu lado aprendendo e apreendendo sobre o futuro no presente dessa nova percepção e presença.

P.S. A carta de primeiro de junho teria sido sobre os exemplos das loucuras que é acreditar em números, mídia e um dos lados. Seria perfeito para ilustrar o que escrevo sobre o acreditar no inacreditável, da irresponsabilidade das mídias e da miopia da polarização. Além disso falaria do vídeo da reunião dos ministros com o presidente e do início dos movimentos mais próximos aos de junho de 2013… só que virtual. Estamos juntos!

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Estou publicando esse texto que pertence ao livro que estou escrevendo. Comecei escrevendo uma carta no dia primeiro de janeiro e a cada primeiro dia do mês, escrevo outra. Resolvi publicar a de primeiro de abril e faço o mesmo nesse primeiro de maio. Essas cartas estão no capitulo de uma retrospectiva. Nesse ano de 2020 escrevo uma carta para cada mês, nas primeiras décadas do século XXI, escrevo uma para cada ano e estou escrevendo uma carta para cada uma das últimas cinco décadas do século XX. Segue a carta:

Hoje primeiro de maio de 2020, um feriado (se é que isso ainda existe). Estou novamente com a sensação de que o tempo se estendeu. Quase não conseguimos lembrar de quem éramos em fevereiro (tão pouco tempo atrás). O mês de abril gerou um encaminhamento para um aparente novo normal. Ou, o que é mais provável, o início da percepção de que o normal não era nada normal.

Nesse mês se ampliaram os sintomas de incontinência virtual e uma crença, inacreditavelmente ingênua, de que as funções do presencial podem ser simplesmente repassadas para o virtual. Vemos isso em larga escala nas escolas, nas terapias e nas reuniões.

Escolas – A maioria das escolas estão com dois graves problemas: o primeiro é que estão evidenciando a falta de know-how nos sistemas de uma verdadeira aprendizagem que aparecem na simples transposição para o virtual sem uma clara declaração que não sabem o que estão fazendo. Tem escolas que já vem percebendo isso há muito tempo (o que é uma coisa boa) e outras que não. Continuam fingindo que ensinam e os alunos continuam fingindo que aprendem.  O segundo problema é que os pais vão começar a se questionar sobre a função da escola. Afinal… para que serve mesmo esse alto e longo investimento na escola? Nada que já não tenha passado, em alguma vez, pela cabeça dos pais, mas que rapidamente procuram esquecer essa disrupção. Nesse momento de crise existe uma oportunidade para questionar o atual modelo mental que construiu os sistemas de aprendizagem das escolas. Será as escolas tem essa coragem? Será que os pais tem essa ousadia? Sim, por que os estudantes estão prontos faz tempo!

Terapias – Seria engraçado se não fosse trágico o que estamos vivenciando nesses dois meses de isolamento social. A GRANDE maioria dos terapeutas vem, nesses últimos anos, negando o campo terapêutico virtual. Isso para não ter que dizer que simplesmente ridicularizavam o espaço virtual de terapia. Do dia para noite é tudo bem… funciona… é necessário e principalmente assumem uma certa familiaridade com o que não possuem a menor a ideia de como funciona e o por quê desse espaço. O que provavelmente vai acontecer é que os pacientes vão perder a paciência e migrar para obter resultados mais eficazes com quem levou anos estudando e aprendendo sobre o campo de terapia virtual. Isso vai acontecer naturalmente com o compartilhamento (virtual) de suas experiências e a demanda será muito maior do que a oferta por um bom tempo. Minha sugestão aos terapeutas virtuais iniciantes é que reflitam sobre como estão se sentindo com esse novo formato. Se acham que estão atrapalhados, não estão conseguindo dar o seu melhor, sentem-se inseguros desde lidar com as ferramentas até entender a amplitude dessa nova linguagem e suas possibilidades… fiquem tranquilos, vocês estão numa ótima posição para aprender e apreender nesse novo e maravilhoso mundo virtual. Sejam honestos com seus pacientes e provavelmente lhes ajudarão com lovebacks a caminhar nessa direção. Agora se você acredita que está bem e basicamente domina a técnica e a tecnologia. Tem familiaridade com Facebook, Instagram, Zoom, Doxy, Facetime, Google Meetings, Hangout e sua maestria como terapeuta compensa esse momento temporário… vocês estão com sérios problemas existências. Seus pacientes também! Sugiro que procurem um bom terapeuta urgente! Terapeutas, não estamos numa situação passageira onde tudo voltará ao normal em breve! O novo normal ainda é desconhecido e está sendo construído conforme o caminho vai sendo construído. “Caminhante não há caminho, o caminho se faz ao caminhar.”

Reuniões – É aqui que a incontinência virtual mais se manifesta. Com a maior das boas intenções, das mais nobres causas está se promovendo uma gigantesca onda de “lives” e encontros virtuais. Em menos de dois meses ninguém aguenta mais passar horas tendo que sorrir (porque está sendo gravado) e fazer perguntas inteligentes no chat. Ninguém aguenta até mesmo o que há pouco tempo atrás cobiçava em participar. Pior é ter que fingir que está naquela reunião que pega muito mal não estar. O problema aqui é de presença e da qualidade dessa presença quando a natureza está mesmo pedindo recolhimento. Somos a natureza, portanto estamos pedindo recolhimento. O que acontece quando você não faz o que o seu corpo/mente/emoção pede? Fica doente! Não é o momento para ficarmos doentes. Não tenho a menor ideia do que sugerir nesse quesito. Estou com o mesmo problema que todos vocês!

Mergulhado por quatro meses em escrever esse livro continuo com a mesma sensação de que esse livro deveria ter saído no início de 2020 e não no início de 2021 como está previsto por enquanto. Ao mesmo tempo está sendo um privilégio escrever sobre a crise civilizatória enquanto ela está gritando mais alto do que nos últimos 20 anos de imensos esforços de conscientização.

Nas primeiras páginas desse livro escrevi, ainda em janeiro, uma brincadeira provocativa:

“Só abra esse livro em caso Emergência!

Em tempos de dificuldades é importante avaliar se a crise é… sinal ou ruído; passageira ou permanente; mudança ou transformação; vida ou morte!”

Ao escrever essa frase achei que poderia causar um certo distanciamento e desconforto, por isso coloquei a frase inicial (Só abra em caso de emergência) para suavizar o tom. Mas olhando hoje ela está bem próxima e pertinente. Suas respostas, quanto a essa crise, precisam ser avaliadas… agora!

Sinal ou Ruído?

Esse conceito de observar o barulho que está acontecendo e saber separar se é um sinal ou apenas um ruído aprendi em 1996 no incrível livro “Só os Paranoicos Sobrevivem” do Andy Grove, fundador e presidente da Intel. Nessa pandemia quais são os sinais e quais os ruídos? No início de janeiro parecia que era algo acontecendo “lá longe”, como centenas de noticias que recebemos diariamente. O que dessa barulheira poderia indicar que era um sinal de que isso tomaria as proporções que tomou? A questão de que uma pandemia vinha vindo com força estava no horizonte com muita força, há pelo menos uns 10 anos. Seria isso suficiente para reconhecer que era um sinal. Pelo menos, para mim não foi. Já no início de fevereiro a história era bem diferente. A China havia feito o lockdown de uma maneira que só uma ditadura conseguiria impor e havia claros indícios de que teria começado bem antes. O volume de pessoas que entra e sai de Wuhan (11 milhões de habitantes) é bem significativa, casos foram confirmados nos EUA, Japão, Tailândia, Taiwan e Coreia do Sul (provavelmente mais países) o que deveria ter dado a indicação clara de era um sinal. Sinal de que poderia ser uma pandemia forte. Eu, assim como muitas pessoas, ainda não havia reconhecido que poderia virar uma pandemia. Só comecei a perceber que era um sinal quando assisti incrédulo aos desdobramentos do confinamento das 3.700 pessoas no navio Diamond Princess no porto de Yokohoma no Japão. Como assim? No dia dois de fevereiro o capitão foi informado que um passageiro que tinha desembarcado oito dias antes em Hong Kong havia contraído o Coronavírus. O navio foi orientado a se dirigir a Baía de Tóquio onde uma equipe de saúde pública bateu a porta de todas as cabines para perguntar se tinham algum sintoma. Dos primeiros 31 testados, 10 estavam infectados. É preciso lembrar que nos primeiros dias de fevereiro o Japão contabilizava apenas 20 casos confirmados e tinham as Olimpíadas programadas para dali a alguns meses. O que fazer? O confinamento que me pareceu um ato extremo e de condenação de parte das 3.711 pessoas entre passageiros e tripulação, foi o que me ascendeu o sinal de alarme.

Como mencionei anteriormente, nesse livro, sobre a onda de Fake News ter nascido no Brasil em 2014 e migrado para o resto do mundo está, seis anos depois, gerando uma enorme dificuldade para separar um sinal de um ruído, o joio do trigo. São tantas desinformações que a única conclusão que podemos chegar é que nossas percepções são tão suscetíveis que compensa tanta gente criar esses delírios ou mentiras propositais – tem gente que acredita -tem muita gente que acredita. Em quais estamos acreditando? Ou seja, como está amplamente descrito no início do livro, nossa verdade é tão volátil quanto a daquele que considero um idiota. Destaco, o que foi para mim, duas coisas boas entre tantas e duas coisas péssimas dentre tantas (os links estão no final):

Boas – encontro com Fritjof Capra e uma entrevista com Charles Eisenstein (duas jóias)

Ruins – ideias do diretor da agência espacial israelense e o filme “Planet of the Humans” (dois lixos)

Em relação a pandemia, o Brasil era para estar numa posição dos mais privilegiados por assistir os desdobramentos com erros (foram muitos) e acertos dos outros países para se preparar melhor. Lamentavelmente não foi o que aconteceu em fevereiro, março e abril. Fomos na contramão do que poderia ter sido. A polarização de 2018 continua forte na população, poucos estão dispostos a ouvir e muito menos a mudar seu modelo mental de pensamento. O mês de maio vai ser o mais difícil até agora e não sabemos de que maneira enfrentaremos os problemas em junho. Enquanto o vírus ocupa 80% da mídia toda, os outros 20% que poderiam ser sobre vivência, são sobre os desgovernos dos desgovernados. Na sexta passada o ministro da justiça se demitiu acusando o presidente de ter cometido varias barbaridades. A mídia ficou focada, ou melhor desfocada, do que deveria ser seu papel como vimos nos capítulos anteriores e esqueceu de dizer que estão invadindo (como nunca) as terras indígenas, que o desmatamento da Amazônia em março foi quase quatro vezes o de março de 2019 que já havia sido gigantesca e tantas outras coisas importantes (boas e ruins) que mereceriam a atenção das pessoas

 

Passageira ou Permanente?

Será que depois desse acontecimento de proporções mundiais tudo voltará a ser como era antes? Será que terá um período de reconstrução e depois voltará ao normal? Algo como acontece com uma enchente, terremoto ou furacão? Quanto tempo para voltar?                     Ou será que haverá algo mais permanente? Um novo normal? Quanto tempo levará para uma migração de uma nova configuração sistêmica? Será depois dessa pandemia ou haverá mais crises? Como avaliar isso dentro desse contexto de crise civilizatória que esse livro aporta? Estamos indo em que direção? Quais serão os novos preceitos dessa complexidade? Espero que as reflexões contidas nesse livro tenha lhe dado parâmetros para que tire suas próprias conclusões.

 

Mudança ou Transformação?

Quando uma crise grave ocorre, o que vemos em seguida é o “como ficou”. Se for uma mudança, pode, desde ter ficado como estava com algumas melhorias reais e ou cosméticas até ter tido mudanças mais significativas apesar de continuar dentro de um mesmo paradigma.

Quando se trata de uma transformação, o todo muda. É o nascimento de uma nova forma de ser e estar. Einstein dizia que nenhum problema pode ser resolvido pelo mesmo grau de consciência que o criou. Uma mudança é mais do mesmo, uma transformação parte de outro estado de consciência.

 

Vida ou Morte?

Será que corremos o risco de extinção da humanidade ou apenas dessa civilização? Ou nenhuma das duas? Vou ficar por aqui nesse primeiro de maio.

 

P.S. Para não dizer que não falei dos trabalhadores, gostaria de falar que a nova economia (também amplamente discutida nesse livro) vai ser implementada muito mais rapidamente do que imaginei. Enquanto ainda tem gente discutindo se protege a saúde ou a economia, como se fossem duas coisas separadas e ou ainda acreditando que esse sistema vai continuar ad infinitum… já tem países alterando seu grau de consciência e planejando mudar as métricas. Chega de economia focada no crescimento do PIB! Criação de uma renda básica universal, defendida pela Yuval Harari e há anos pelo meu professor na FGV, Eduardo Suplicy. Tudo vai mudar na economia apesar do nosso ministro ainda tentar emplacar as ideias da Escola de Chicago dos anos 30 do século passado. O mais irônico é que a própria Escola de Chicago está defendendo a ideia de uma renda básica universal. Seria engraçado se não fosse trágico. Portanto, na minha visão, os trabalhadores vão passar por um momento muito difícil. O mais difícil dos últimos 100 anos. Como e quando sairemos para uma nova economia e quais as consequências ainda são muito incertas. O que me parece de mais animador para os trabalhadores é o encaminhamento para uma economia do Gift (cultura do Gift). Em 2019 isso parecia quase uma utopia e agora está se chegando mais perto. Alemanha e Holanda já estão falando abertamente sobre as transformações no atual sistema econômico. Uma boa notícia no meio de uma crise econômica sem precedentes.

 

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Primeiro de Abril

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Estou publicando esse texto que pertence ao livro que estou escrevendo. Comecei escrevendo uma carta no dia primeiro de janeiro e a cada primeiro dia do mês, escrevo outra. Resolvi publicar essa que escrevi hoje porque vivemos o mês de março como se tivessemos vivido um ano inteiro e provavelmente esse mês será mais intenso ainda. Segue a carta:

 

Hoje, primeiro de abril de 2020 parece que faz um ano que escrevi a carta de primeiro de março. Estávamos saindo da semana do Carnaval e o cenário mundial e brasileiro era tão diferente do de hoje. Fico pensando como será minha carta de primeiro de maio…

Esse mês me fez pensar se eu não deveria ter escrito esse livro no ano passado, talvez, teria sido útil agora. Ao mesmo tempo, está sendo um privilégio e um desafio escreve-lo em meio ao que parece que será um divisor de águas para nossa civilização.

O mês de março começou com uma aparente normalidade (claro que de normal não havia nada!). Havia apenas dois registros, importados da Itália, do novo Coronavírus. Um anunciado no dia 26 de fevereiro e o outro no último dia do mês. Além do que acontecia na China, assistimos estupefatos, em fevereiro, a trágica novela do navio Diamond Princess.

Domingo, primeiro de março ainda não estávamos oficialmente em pandemia que só foi anunciado pela Organização Mundial da Saúde no dia 11. Na sexta feira 13, com a divulgação da transmissão comunitária no Brasil começaram os fechamentos de escolas e restrições que foram escalonando ao longo da semana seguinte principalmente com o anuncio da primeira morte pelo vírus no dia 17. Fazem só 15 dias e parece que foram meses atrás!

Das centenas de informações que recebi destaco algumas muito boas (links no fim do capitulo). No dia 16, Otto Scharmer escreveu um artigo “Eight Emerging Lessons: from the Coranavirus to Climate Action” (Oito Lições Emergentes: do Coronavírus para a Ação Climática) que até hoje (01/04) é bem pertinente. Nele fala da passagem de Ego para Eco e das lições que podemos apreender do novo Coronavírus. Além disso, Otto criou o GAIA Journey (27/03),  que serão de 14 semanas de apoio a procurar fazer sentido nesse momento de disrupção e permitir que nos leve a uma renovação civilizatória. No dia 20 de março, o biólogo Atila Lamarino fez uma “live” que desenhava com muita clareza o caminho dessa pandemia até onde se sabia. Há dois dias (30/03) ele falou no Roda Viva e fica difícil entender porque há ainda pessoas tentando negar esse conhecimento. No dia 28, Charles Eisenstein escreveu um artigo muito bom também “The Coronation” (A Coroação). Ou seja apesar das centenas de avisos, dicas e principalmente fake news (por incrível que pareça) está difícil separar o joio do trigo e principalmente não se perder nesse mar de lama.

Estamos vivendo, na última semana, sintomas de incontinência virtual que espero não piorar nas próximas.

O que vejo que está claramente se desenhando no horizonte para iniciarmos a próxima década a partir de primeiro de janeiro de 2021 são:

– A medicina vai finalmente evoluir para cuidar prioritariamente da prevenção ao invés das doenças. Vai se tornar amplamente colaborativa e completamente sem fronteiras. Levará em conta ciência, tecnologia e principalmente culturas. Cuidará fundamentalmente do DNA ao estilo de vida, da alimentação ao ar que respiramos, da meditação a movimentação, da autoestima a psicologia.

– A economia não conseguirá manter seu atual modelo estrutural. O jogo já mudou! Quem tentar jogar com as regras antigas logo perceberá que terá que se tornar alguém detestável para si mesmo e para os outros. Poucas pessoas ficam confortáveis nessa posição. O medo e a insegurança com a sobrevivência vão retardar o pleno funcionamento de uma economia com uma cultura de Gift.

– As escolas nunca mais serão as mesmas. Vamos finalmente sair das metodologias do século XIX para entrar nas condizentes com o século XXI. Quem poderia imaginar que os sistemas de aprendizagem iriam dar esse salto quântico através desse artifício? Quem diria que o conhecimento não estaria mais atrelado a memória e sim a sabedoria? A Educação será livre, com janelas sem salas, com notas de músicas, com folhas da natureza e principalmente com muito amor.

– A politica dos políticos ainda sobreviverá mais algumas primaveras enquanto houver a crença de que o sistema eleitoral tem alguma coisa a ver com a democracia. A política vai migrar dos políticos para a sociedade civil. E as políticas públicas serão decididas pontualmente através da participação dos interessados devidamente qualificados. Em pouco tempo os políticos serão substituídos por uma nova geração de políticos conectados com a sociedade civil.

– A religião, no geral, terá dificuldades de manter o véu da ignorância como força motriz da maioria de seus seguidores. Apesar da imensa fome por algo que explique o inexplicável, por um sabor de pertencimento, por um alimento para a alma… a busca será mais ouvindo a voz de dentro do que a palavra dos gurus. Você, finalmente, será seu próprio guru!

Ao contrário da carta de março, essa é dedicada integralmente a insustentável leveza do Ser, diante da nova pandemia.

P.S. Para não dizer que não falei do primeiro de abril, quero salientar a interessante versão de que esse era o primeiro dia do calendário Juliano que apesar do novo calendário (Gregoriano) ter mudado para o primeiro de janeiro, as pessoas insistiam em considera-lo o primeiro dia do ano. Foi necessário então denegrir essas pessoas, ridicularizá-las para que passassem a obedecer a nova convenção. Nesses tempos em que a mentira é propagada todo dia, seria interessante criar o dia da Verdade em que seriam ridicularizadas as pessoas que mentissem. Hoje, as pessoas que mentem diariamente, não só não são denegridas como acabam sendo eleitas pela maioria da população. Que fenômeno interessante!

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Dorothy Maclean completa hoje 100 anos de idade.

Parabéns a esta ambientalista que é praticamente a mãe da maioria das Ecovilas do mundo.

Ela fundou a comunidade de Findhorn (com o casal Peter e Eileen Caddy)

no início dos anos 60 na Escócia. Hoje é a maior ecovila do Reino

Unido.

O interesse no exuberante jardim que conseguiram fazer florescer no impossível solo arenoso de dunas e os princípios espirituais que estão por trás da vitalidade desse excepcional jardim, atraíram muitos visitantes.

O sucesso da Ecovila atraiu também reportagens que começou em 1969 com o programa “Man Alive” da BBC. Depois vieram outros e outros. Uma curiosa apresentação em 1973 no “Mainly Magnus” da BBC pode ser vista no https://www.bbc.co.uk/programmes/p00qh3mz

Em 1975 Paul Hawken publicou o livro “A Magia de Findhorn” que consolidou de vez o protagonismo de Findhorn para a criação de Ecovilas pelo mundo afora.

Para quem quiser enviar uma mensagem de gratidão, flores, bênçãos ou saber mais sobre a Dorothy Maclean entre no https://www.findhorn.org/blog/dorothy-maclean-100/

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Primavera Ruidosa

ONU 2019

A semana de 20 a 27 de setembro de 2019 foi e será inesquecível!

A Cúpula do Clima e Assembleia Geral da ONU junto com a Greve pelo Clima pautaram a semana da Primavera no Brasil e no mundo.

Ela começou, ruidosamente, na sexta-feira 20 de setembro onde mais de 4 milhões de pessoas em 163 países criaram mais de 2.500 eventos de manifestações de rua. O Brasil que praticamente não apareceu nas greves anteriores (março e maio), estava agora mais consciente do movimento. Mesmo assim, na av. Paulista em São Paulo, oportunistas de plantão faziam discursos de politicagem de palanque… sem qualquer noção do que era esse movimento pela Emergência Climática. Fora do tempo e do espaço! O movimento é um levante das crianças pela sua própria sobrevivência. A vida reage quando se vê ameaçada das maneiras mais inusitadas para conseguir sobreviver. Está sendo necessário que as crianças liderem esse movimento de tirar a humanidade desse torpor que está nos levando invariavelmente ao fim dessa civilização. Greta Thunberg, que a Vida escolheu para iniciar essa ação, pede para que os cientistas sejam ouvidos. Greta, não por acaso, estava em Nova York na principal semana pelo Clima Mundial levando e elevando sua voz para o mundo todo. São milhares de crianças e jovens que estão liderando em suas comunidades um apelo para que se tome ações já. Denegrir a Greta é denegrir a si mesmo e explicitar que você faz parte da minoria no poder ou de um “idiota inútil” como diz a Eliane Brum, num contundente artigo sobre a situação.

Uma das ações mais relevantes, quase inacreditável, em direção à Emergência Climática foi a união entre veículos de mídia para cobrirem e divulgarem a questão Climática, “Covering Climate Now”. São mais de 300 veículos (de peso) unidos para essa empreitada. Alcançando em torno de 1 bilhão de pessoas. Maravilhoso!

 

Enquanto Nova York entrava no Outono e o Brasil na Primavera a Cúpula do Clima foi aberta pela jovem brasileira Paloma Costa Oliveira do Engajamundo e assessora do ISA (Instituto Socioambiental) ao lado de Greta Thunberg. Vale a pena ouvir os dois discursos e não apenas os comentários sobre eles.

 

No dia 24 na Assembleia Geral da ONU  nosso presidente fez um discurso histórico onde deixou claro para todos os países a situação em que se encontra o Brasil hoje e de que não era exagero o que muitos vinham denunciando sobre o atual governo. Além disso conseguiu que o discurso do Presidente dos EUA, que foi em seguida, parecesse razoável. Dá para acreditar? Entre as “absurdidades” e negações da realidade que foram muitas, a questão indígena foi talvez a mais vergonhosa. Entre varias ofensas e denegrindo os povos e lideranças indígenas, chegou a ler uma carta que obviamente foi checada pela mídia toda e constatou-se sua insignificância. A única coisa “boa” para a Emergência Climática no Brasil é a constatação mundial de que estamos destruindo nossa biodiversidade e incentivando a violência aos povos indígenas e defensores do meio ambiente. Provavelmente a reação contra essa postura virá do próprio agronegócio que terá, a continuar assim, seu negócio dizimado em pouco tempo.

 

Para não dizer que não falei das flores, Nova York foi palco de centenas de painéis maravilhosos que buscam soluções locais com apoio global. Sociedade Civil, Institutos, Universidades, Economia Verde, Juventude, Tecnologia e Direitos Humanos pautaram a semana. Por exemplo, foi maravilhoso ver dois ícones da sustentabilidade mundial juntos num desses painéis: Muhammad Yunus e Marina Silva!

 

Apesar dos pesares a Primavera já não é mais silenciosa, ela está fazendo barulho… cada vez mais barulho! Do movimento das crianças (Fridays for Future), da forte união da mídia para cobrir a questão climática, da grave situação de governo explicitada pelo presidente e pelo anti-ministro do meio ambiente e das forças que convergem para um mundo melhor a semana de 20 a 27 de setembro de 2019 é um marco que fará parte da história da Emergência Climática.

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Imagine que você, que sempre odiou política e principalmente os políticos, resolvesse se candidatar a deputado. Claro que não foi de repente, foram anos e anos de frustação com as tentativas de levar ideias para os gestores públicos, insistência dos amigos que você leva jeito e principalmente aquele chamado de dentro para fazer alguma coisa pelo social.

Imagine agora que você se declarou candidato, sabendo dos sacrifícios pessoais e familiares que terá de enfrentar e… ao contrário do que você poderia imaginar, todos se afastam de você! Vão dando aquele sorriso amarelo, aquela desculpa esfarrapada e você se sente como alguém que contraiu uma doença altamente contagiosa. Para piorar você começa a aprender que para se eleger (de verdade) vai ter que conseguir uma verba inacreditável. Alguns milhões*! E como se já não bastasse… os convites para trabalhos remunerados (você precisa continuar a pagar suas contas) vão sendo cancelados um a um, porque não querem se misturar com a política. Desanimador né? Mas mesmo assim, nessa eleição de 2018, existem várias jornadas de heróis que estão se candidatando sem o mínimo do apoio necessário para elegê-los. Será que receberão seu voto? Seu apoio?

*Quanto custa uma campanha a Deputado Federal? Segundo a excelente matéria do Estado de São Paulo(07/11/2014), em 2014 todos (100%) que arrecadaram mais de 5 milhões se elegeram, 90% dos que gastaram entre 3 e 5 milhões se elegeram e 65% dos que gastaram entre 1 e 3 milhões também se elegeram. Já entre os candidatos à Câmara que arrecadaram menos de R$ 500 mil, apenas 3% conseguiram garantir o mandato.

Nessas eleições a sociedade civil está muito mais organizada e vários movimentos estão envolvidos para influenciar diretamente a política e a gestão pública. São movimentos como o Pacto pela Democracia, RenovaBR, Agora!, Bancada Ativista, Acredito, RAPS, Frente Favela Brasil e muitos outros. O maravilhoso Mapa de Iniciativas por Eleições Melhores, criado pelo Pacto pela Democracia é um ótimo exemplo da sociedade civil interferindo nas eleições. Outros movimentos promovem o diálogo, os encontros e até mesmo seus próprios candidatos. No caso, são “gente como a gente”, apoiados por um grupo apartidário.

Um bom exemplo é do Wellington Nogueira, que fundou a organização Doutores da Alegria. Está entrando na política, como Deputado Federal, pelo movimento RenovaBR. Empreendedor social que conseguiu fazer o que parecia ser impossível, levar alegria para os hospitais. Sua dedicação, persistência e conhecimento o levaram a formar uma rede gigantesca de palhaços aptos a levarem alegria para a saúde. Hoje a rede dos Palhaços em Rede conta com mais de 1.100 grupos filiados (como os Doadores de Alegria em Itu). E não é só na saúde que o Wellington é querido, faz centenas de palestras em instituições e eventos. Poderia parecer fácil se eleger, mas (como um de nós) ele não tem o financiamento nem o apoio do mecanismo da velha política. E nem quer! Apesar de ter o apoio de vários artistas, como Fabio Porchat e outros famosos, tem a dificuldade de conseguir que seus pares o divulguem livremente por medo de se misturarem com política. Será que nessa eleição começaremos a ver gente como a gente entrando na política com o apoio aberto da maioria de nós… apesar de todos os atuais pesares?

Outro bom exemplo de quando um de nós entra na política é o sistema de mandato conjunto. Trata-se de eleger um grupo de pessoas que cuidarão do mandato coletivamente. Nessa eleição, o movimento da Bancada Ativista está promovendo um mandato conjunto para Deputado Estadual. São nove pessoas de diversas áreas de atuação que vão, em conjunto, exercer o mandato em São Paulo. A Monica Seixas, de Itu, vai encabeçar a lista na urna. A ideia é genial, porque divide a responsabilidade, a fiscalização e principalmente a atuação! Cada um dos integrantes tem uma história de atuação social e juntos serão muito mais eficazes! Uma das integrantes do mandato conjunto deixou aqui um recado para os eleitores de Itu:

“Oi pessoal de Itu! Meu nome é Claudia Visoni. Eu sou jornalista, ambientalista, agricultora urbana e sou permacultora. Atualmente, eu sou também uma das co-candidatas a uma vaga de Deputada Estadual pela Bancada Ativista. A Bancada Ativista é um movimento de renovação política, que nessas eleições está trazendo essa ideia de mandato coletivo. A gente está fazendo coletivamente uma campanha e vamos ser eleitos, espero! E a gente vai, todos nós juntos, nove pessoas, vamos dividir um mandato na Assembleia Legislativa de São Paulo. Somos sete mulheres, dois homens. Várias pessoas no nosso grupo são negras. Temos uma co-candidata indígena, que é a Chirley Pankará. Cada um de nós já atua há bastante tempo em diversas causas superimportantes como proteção à infância, saúde, educação, defesa dos direitos humanos, defesa das causas indígenas, feminismo, combate ao racismo e meio ambiente, que é o meu caso. Então nós estamos representados pela Mônica, que aliás é de Itu. E na urna a gente aparece como Mônica da Bancada Ativista. Eu há muito tempo trabalho com agroecologia, sou ativista da água também, atuei bastante na época da crise hídrica e continuo trabalhando. Eu sou uma das fundadoras do Movimento Cisterna Já. Junto com os permaculturores, a gente vem discutindo e desenvolvendo propostas de um manejo mais sustentável de água na nossa cidade e a maior parte do meu trabalho mesmo é relacionado a agroecologia, a produção de alimentos de forma sustentável e regenerando a natureza, protegendo a nossa biodiversidade. Então é isso, domingo estaremos lá na urna com o número 50900 e para votar na gente é votar em Mônica da Bancada Ativista.”

Existem muitas outras pessoas, como a gente entrando na política sem a politicagem de sempre. Para Deputado Federal tem além do Wellington Nogueira, o Zé Gustavo, a Mércia Falcini, a Duda Alcântara, o Kaká Werá, a Lia Lopes e Deputado Estadual além da Monica da Bancada Ativista, a Marina Helou, o Ademar Bueno e muitos outros que estão começando a mudar a face da política.

Será que vamos ter cada vez mais uma gestão pública conduzida por nós… cidadãos? Tenho esperança que sim, como dizia Paulo Freire, do verbo esperançar e não do verbo esperar! Quem sabe faz a hora não espera acontecer!

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“O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética… O que me preocupa é o silêncio dos bons.” Martin Luther King

 

Na primeira noite eles se aproximam

e roubam um bilhão

da nossa economia.

E não dizemos nada.

Na segunda noite, já não se escondem;

Pisam nas florestas,

matam nossa cultura

e não dizemos nada.

Até que um dia,

o mais frágil deles

entra sozinho em nossa casa,

rouba-nos a luz, e,

conhecendo nosso medo,

arranca-nos a voz da garganta.

E já não podemos dizer nada!

Adaptado do trecho do poema de Eduardo Alves da Costa *(replicado abaixo)

Preservar florestas, rios, água não dá dinheiro para os corruptos, preservar cultura também não! O que permite a corrupção são grandes obras como hidroelétricas na Amazônia ou museus do futuro. Enquanto devastam nossas florestas, matam nossos rios, negligenciam nossa água tratada, queimam nossos museus, a maioria de nós… fica em silêncio! Não podemos dizer o nome daqueles que cometeram crimes contra a humanidade… nosso silêncio é ensurdecedor!

Não fique calado com seu voto! Um voto é muito mais do que uma pequena gota no oceano de eleitores. Seu voto é uma intenção na direção do que você acredita. Vote naqueles candidatos que mais se alinham com seus princípios e valores. Não vote útil porque é inútil! Não ceda à enxurrada de mensagens milimetricamente calculadas para roubar seu voto. Vote consciente!

Na primeira noite eles se aproximam

e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem;
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

“Eduardo Alves da Costa”

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Nova Educação

Caminhos e Descaminhos dos Sistemas de Aprendizagem

Na Educação existem muitas pedagogias, formatos e sistemas para a aprendizagem. Estamos vivendo um momento onde as escolas vão precisar se reinventar para atender a formação de um indivíduo preparado para uma sociedade onde a colaboração está substituindo a competição; a liderança compartilhada prevalece sobre as hierarquias; o respeito à diversidade é um valor fundamental; o amor se sobrepõe ao medo; somos e cuidamos da Natureza; a cultura conduz os processos… preparando para uma sociedade da Nova Economia. A maioria das escolas está longe de preparar o estudante para essa nova realidade que já não é mais futuro… é aqui é agora!

Claro que ainda existem pais que estão preparando seus filhos para o vestibular ao invés de prepará-los para a vida. Por isso as escolas continuam, equivocadamente, privilegiando a memória em detrimento da criatividade, o condicionamento ao invés das múltiplas inteligências, a competição que humilha e gera um ambiente propício para o Bullying e tantas outras atitudes que levam a percepção de que esse sofrimento é necessário para passar no vestibular. E passar na vida? E o Ser de ser humano? O Amor? A cidadania? Os relacionamentos? O meio ambiente? O Cuidar da Casa? Do dinheiro? Da saúde? Da alma?

Por isso estamos num momento de repensar onde colocar os nossos filhos para prepará-los para Viver a Vida. Desenvolver o potencial que já está dentro da criança. Permitir que floresça sua essência para se tornar um ser humano integral.

Como uma semente, cada criança contém tudo que precisa para se tornar um adulto pleno. Basta um solo fértil, um clima apropriado, regar e cuidar do ambiente ao seu redor. Tentar fazer uma semente de Cerejeira se tornar um Eucalipto… não faz sentido! Isso é o que as escolas e pais estão começando a perceber. Está nascendo uma Nova Educação com novos paradigmas que substituirão os atuais. Não se trata de uma melhoria no ensino e sim de uma completa transformação. Nova Educação no sentido de tirar essa que está obsoleta na maioria das escolas e substituir por uma inteiramente nova. Nova para o atual sistema de educação.

Os princípios desses novos modelos já estão aí há muitos anos, estão sendo desenhados há décadas por filósofos e educadores do mundo todo. Existe uma quantidade significativa de boas práticas em pedagogias que vão mudar os atuais paradigmas da educação. Só para citar algumas referências mais conhecidas do passado: Agostinho Silva, Alexander Sutherland Neil, Anisio Teixeira, Célestin Freinet, Darcy Ribeiro, Florestan Fernandes, Ivan Illich, Janusz Korczak, Jean-Jacques Rousseau, John Dewey, Lauro de Oliveira Lima, Lev Vigotski, Maria Montessori, Maria Nilde Mascellani, Paulo Freire e Rudolf Steiner.

Mas o que seria então os princípios dessa Nova Educação?

Alguns princípios já estão claramente definidos como diretrizes para as escolas:

– o conteúdo da aprendizagem é pautado pelo estudante e não mais pela gestão pública

– a divisão de turmas é feita pelos interesses e não mais pelas idades

– as métricas de avaliação focam o desenvolvimento das potencialidades individuais e não mais a habilidade de se lembrar

– a estimulação da colaboração e não mais da competição

– o conhecimento a ser oferecidas pela escola são aquelas importantes para o dia da dia local e não mais as de pouco interesse e relevância para o estudante

– o conhecimento é oferecido em multimídias

– a sala de aula é o mundo todo

– somos a Natureza

Conteúdo

Quando o conteúdo programático é imposto aos alunos de uma escola, a chance de alguns deles se interessarem pode até ser boa, a de que um quarto se interesse é mínima e que metade possa vir a se interessar é próxima de zero. O que faz esses números subirem ou descerem é menos pelo assunto em si e mais pela habilidade do professor de encantar sua “plateia”. Procure se lembrar como era para você na sua escola. Quais os assuntos que realmente te interessaram ao longo dos anos? E quem eram os professores? É quase certo que eram aqueles professores que você admira até hoje em sua memória. George Lucas, o famoso cineasta, declarou que para ele a escola era um lugar chato e maçante (boring) entrecortada por algumas poucas experiências maravilhosas que ajudaram a formar quem ele é hoje. E ele pergunta… por que as escolas precisam ser assim? Com a ideia de que as escolas podem ser diferentes ele criou em 1991 o que é hoje a maior ong de educação pública dos EUA, a George Lucas Educational Foundation (GLEF) mais conhecida como Edutopia. Eles hoje acreditam que três habilidades (skills) do século 21 são fundamentais: 1. como encontrar informações baseadas em fatos. 2. como acessar a qualidade da informação. 3. como criativamente e eficazmente usar a informação para alcançar um objetivo.

Quando o conteúdo programático vem da gestão pública ele já está, quase que invariavelmente, obsoleto. O tempo que se leva para passar por toda cadeia de decisão, burocracia, aprovar material didático e ainda capacitar a rede de educadores…

O resultado disso é um conhecimento pouco interessante, possivelmente errado e com uma visão unilateral. Edgar Morin alerta para isso no primeiro item do seu documento dos sete saberes. Não estou generalizando, mas apresentando a razão de ser de inverter a demanda pelo conteúdo – do aluno para a escola ao invés da escola para o aluno.

Divisão de turmas

A divisão de alunos por idade que a escola vem fazendo há mais de cem anos, vem se mostrando ineficaz. O que acontece na prática é que o estudante acaba tendo dois ou três amigos que ele gosta muito e dois ou três que ele detesta. Quanto ao resto é mais neutro e dependendo do andar da carruagem fica mais próximo ou mais longe em alguns períodos. Se você passou a maioria do tempo da sua educação numa mesma escola pense nos amigos que você manteve até hoje… amigos e não apenas conhecidos! Mais de dez são realmente amigos? Cinco? Três? É muito raro aqueles que mantiveram muitos. Como pode ter acontecido de ter convivido tantos anos, tão próximo, com tanta gente e não ter preservado a amizade?

Quando dividimos as turmas por interesse acontecem dois fenômenos que promovem a aprendizagem. O primeiro é que ao misturar as idades cada estudante terá um modelo (role model) mais velho do que ele do qual irá admirar e receber apoio/incentivo e terá sempre um mais novo que o verá como modelo (mentor/herói)  e demandará sua atenção. Admirar e ser admirado são uma ótima formula para cooperação na aprendizagem. O segundo é que por serem temáticos os interesses são mútuos e a colaboração ocorre naturalmente. É como um hobby onde as pessoas trocam conhecimento e sabedoria.

Métricas de Avaliação

As métricas atuais são desastrosas para um ambiente saudável de aprendizagem. Elas geram ansiedade, mal-estar, uma sensação de fracasso, arranham a dignidade e para piorar não conseguem avaliar o desenvolvimento da aprendizagem. Ou seja, não servem para nada! Várias pesquisas demonstram que aqueles que estão bem situados profissionalmente raramente foram bons alunos e os que foram bons alunos raramente estão bem situados profissionalmente. O livro “Fomos maus alunos” é um bate papo gostoso entre o Rubem Alves e o Gilberto Dimenstein que questiona exatamente o que significa ser um “bom aluno”.

Quais são as métricas da Nova Educação?

Esse é o ponto principal que é muito difícil de solucionar a partir do que entendemos por educação hoje. A mudança de um paradigma como esse requer um olhar generoso e principalmente amoroso. Só é possível fazer isso de uma maneira sistêmica.  O estudante está motivado, feliz, criativo e questionador? Como metrificar isso? Ele coopera, colabora e se sente parte do sistema da aprendizagem? Novamente… como avaliar essas atitudes e sentimentos? Essas métricas já existem de forma dispersa, precisam ser reunidas e consolidadas.

Colaboração

Somos seres interdependentes! Iniciamos nossa vida sendo completamente dependentes e vamos aos poucos conquistando nossa independência para logo mais caminharmos na direção da interdependência. Dependendo da cultura local, das crenças e valores da família e dos princípios que norteiam a aprendizagem essa interdependência pode ser prejudicada.  A Educação nas escolas acreditaram, durante muitos anos, no principio da competição como elemento de desenvolvimento da aprendizagem. Hoje as escolas conectadas na Nova Educação tem um árduo trabalho para reverter esse ideia tão impregnada na cultura e na família. Desde pequeno a criança aprende que a vida é uma dança das cadeiras onde a qualquer momento alguém será excluído. A criança cresce com essa verdade que vai sendo sistematicamente reafirmada até o vestibular e depois comprovada com a busca do emprego. Esse jovem desde criança aprendeu que não pode colaborar com o “inimigo”, que precisa “pertencer” a algum grupo de “escolhidos” para se proteger e sentir aquele sentimento de interdependência que está na sua essência. O grande problema é que a maioria desses grupos buscam competir com os outros grupos. Por isso as escolas que estão escolhendo seguir esse princípio da colaboração, tem um longo caminho de incompreensão por parte de uma sociedade ainda desenhada no antigo modelo. Os pais perguntam: e o vestibular?

Conhecimento Relevante

Quais são as coisas que você realmente se lembra dos 12 anos passados na escola? Tanto tempo com tanto conhecimento sendo entregue diariamente que não seria justo que apenas uma fração mínima tenha ficado na memória ou no coração. E quanto à aprendizagem? Tantos anos desenvolvendo essa habilidade e como ficou? Você saiu da escola com uma incrível habilidade para a aprendizagem ou teve que desenvolvê-la mais tarde? Tudo isso para dizer que as questões mais relevantes ao nosso desenvolvimento não foram aprendidas e nem apreendidas adequadamente.

Quais são os conhecimentos mais relevantes? Certamente existem alguns universais como alimentação, fisiologia, ecologia, economia, relações sociais, inteligências e certamente cultura. Depois temos esses mesmos conhecimentos relevantes vistos regionalmente e finalmente os mais importantes que são os vistos localmente. Qual deveria ser o percentual de cada um, dividido ao longo desses 12 anos? Quais são os macro e micronutrientes e para que servem? Somos feitos do que? Carbono? Fósforo? Não importa saber do que somos feitos? Enfim, sem querer exagerar, o resultado é que não recebemos as informações essenciais ou relevantes para nossa vida.

Multimídia

Esse item é um dos mais importantes para o uso de ferramentas de aprendizagem. Trata-se de passar informações utilizando varias mídias. Com isso a aprendizagem obedece ao ritmo do jovem ao invés de impor um ritmo específico. As pessoas são diferentes e aprendem de maneira diferente em momentos diferentes. Ou seja, uma pessoa pode ler uma página em 5 minutos enquanto a outra utiliza 20 segundos. Isso não caracteriza que uma é melhor que a outra. A pessoa que leva 5 minutos pode estar refletindo em alguma frase que a fez se conectar com alguma ideia e precisa ir mais devagar naquele momento. Dizem que Einstein tinha uma “lentidão” para aprender. Com a multimídia as pessoas aprendem na velocidade e no tempo que elas querem/podem. Além disso, a aprendizagem é montada em camadas. A primeira é a essencial, pode ser uma palestra no TED de 18 minutos, um texto de duas páginas ou um áudio de 5 minutos.  A segunda camada, se gerou interesse, é uma oferta maior de informações sobre o tema. Essas duas camadas iniciais são preparadas e muito bem escolhidas. A terceira camada é um diretório que leva o interessado para o “mundo” desse tema. Os sistemas de e-Learning bem feitos são muito eficazes!

A Escola é Mundo

Acabou aquela ideia de prisão onde as quatro paredes da sala de aula, o livro didático e uma pessoa (como todos nós) com habilidades limitadas são a principal fonte de aprendizagem na escola. A Escola passa ser o mundo todo! Começando localmente, com o apoio dos outros estudantes, mentores e tutores e usando todos os recursos disponíveis para o processo sistêmico da aprendizagem. “É preciso de toda uma aldeia para formar uma criança” (provérbio africano).

Somos a Natureza

Cada vez mais, fica claro que a Natureza é a melhor ferramenta de aprendizagem que existe. Durante muitos anos a Educação tratou de separar o inseparável. Tratava química, matemática, geografia, artes, história, filosofia, português, literatura como se fossem assuntos separados e com isso foi se perdendo a visão sistêmica e a capacidade de incluir tudo em todos os momentos da aprendizagem. A Nova Educação tem como princípio a interdependência natural orientada pela teoria da complexidade. Ou seja, uma visão de que somos Natureza. O grande problema dessa crise civilizatória que estamos vivendo é a dificuldade de perceber quem realmente somos e como nos relacionamos com tudo que está a nossa volta… ou seja nós mesmos!

Fritjof Capra, um dos ativistas dessa “alfabetização ecológica”, escreve no prefácio do seu livro “A Visão Sistêmica da Vida”:

“À medida que o século XXI se desdobra, torna-se cada vez mais evidente que os principais problemas do nosso tempo – energia, meio ambiente, mudança climática, segurança alimentar e financeira – não podem ser compreendidos isoladamente. São problemas sistêmicos, e isso significa que todos eles estão interconectados e são interdependentes. Em última análise, esses problemas precisam ser considerados como facetas diferentes de uma única crise, que é, em grande medida, uma crise de percepção.”

A evolução dos sistemas de aprendizagem das últimas duas décadas nos permitem repensar completamente sobre os paradigmas que formaram as escolas até os dias atuais. A gameficação dos conteúdos, o entendimento do DNA da arte do aprender (exemplo: teoria U), a queda de alguns “muros” das escolas (exemplo: Khan Academy), a percepção do equívoco da separação por faixa etária, a personalização e localização do conteúdo, a obsoletização das métricas de avaliação, a inversão da grade curricular pautada pela escola para uma pautada pelo estudante e principalmente o fim da destruição da criatividade e da dignidade dos estudantes gerada por um sistema impositivo de comportamento e por uma competitividade comparativa que geram o famigerado bullying.

O momento pelo qual a Educação está passando e principalmente o tempo que está levando para a transformação das escolas tem levado alguns pais a optarem por educar fora da escola. O Homeschooling é quando os pais decidem criar uma estrutura de aprendizagem em casa. Há diversas modalidades de Homeschooling. São muitas! Desde simplesmente transportar o conteúdo programático da escola para dentro de casa até a criação de conteúdos próprios. O Homeschooling existe há muitos anos em outros países e além de regulamentado, conta com uma grande quantidade de sistemas de aprendizagem que apoiam o estudante e os pais, principalmente os encontros com outros homeschoolers. No Brasil ainda está em desenvolvimento, mas já conta com grupos de apoio e alguns sistemas de aprendizagem desenvolvidos para isso. Outra modalidade de aprendizagem fora da escola é o Unschooling. Ela parte do princípio que a criança/jovem está o tempo todo aprendendo e que essa aprendizagem se desenvolve melhor quando o interesse nasce do próprio “aluno”. O Unschooling acredita também que cada indivíduo tem um ritmo próprio no desenvolvimento. Portanto, o conteúdo é demandado e não mais imposto como na escola e no homeschooling. A aprendizagem se faz de forma natural. O Unschooling é a modalidade onde todos os paradigmas antigos sobre educação são revistos e alterados. Leva-se um bom tempo para entender que o Unschooling é, também, uma opção viável de aprendizagem. Aprendizagem fora da escola continuará a crescer até que as escolas se transformem em comunidades de aprendizagem. Já existem mais de uma centena de escolas assim, que estão conduzindo as outras escolas para essa Nova Educação.

Como deve então ser uma escola na Nova Educação? Além dos princípios, como seria o dia a dia delas? Quais são os diálogos que podem enriquecer essa questão e produzir respostas eficazes rumo a uma Nova Educação? Precisamos de uma escola integral? Mas o que é uma escola integral? É aquela que recebe o estudante pelo período integral? Ou aquela que trata o estudante de forma integral? A discussão sobre o tema de manter o aluno por mais tempo na escola é bem complexa e não existe certo ou errado. A questão é que tipo de Educação será ampliada? Aquela que abafa a criatividade,  arranha a dignidade e desindividualiza o indivíduo? O argumento de que qualquer porcaria é melhor que deixá-lo à mercê do crime e da droga é… absolutamente sem noção! Sem noção do que seja a construção do SER de ser humano, da cidadania, da integralidade do seu potencial único. Portanto, em primeiro lugar, transformar as escolas naquilo que nunca deveriam ter deixado de ser: um espaço de aprendizagem.

A palavra “escola” tem sua origem na palavra grega “Skhole” que significa “lazer” (no qual se emprega lazer). Quem estuda em profundidade os sistemas de aprendizagem sabe que brincar e jogar são os principais instrumentos do aprender e apreender. Como as escolas se transformaram no que são hoje é outra história… aliás, uma história bem interessante!

Não é possível entender o que seja Educação sem um olhar sistêmico e a compreensão da teoria da complexidade. Assunto para um livro todo. Como já mencionei, as coisas estão todas interligadas e o movimento da Educação tem um papel fundamental em nossa civilização que atualmente vive uma crise existencial. Uma forma rápida de olhar para esse tema é mergulhar nas “Sete Lições Complexas de Educação para o Futuro” do Edgar Morin (conhecidas no Brasil como os Sete saberes necessários à educação do futuro). São eles: Detectando erros e ilusões do conhecimento; princípios de um conhecimento pertinente; ensinando a condição humana; identidade planetária; confrontando as incertezas; entendendo-nos uns aos outros e ética para a espécie humana.

Se esses buracos negros da educação não forem trabalhados continuaremos a ter uma educação voltada para o passado ao invés de uma voltada para o futuro. Ainda teremos erros grosseiros no campo do conhecimento como o de que Cristóvão Colombo descobriu a América, quando há muitos anos sabemos que não foi ele. Fora todas as inverdades criadas por uma  agenda oculta de quem detinha o poder.

Para não dizer que não falei do Bullying

Depois de tantos anos de campanhas, o bullying continua a existir nas escolas. Por quê? Claro que ninguém em sã consciência é a favor do bullying. Claro que pais, educadores e professores procuram meios para evitá-lo. O que faz com que alguns jovens pratiquem esses ataques?

A questão é delicada e precisa ser trabalhada com cuidado. Como esse problema é geral e pode causar sérios danos, principalmente danos futuros para os dois lados (vítima e agressor), toda atenção é pouca! Todos os pais estão sujeitos a que seus filhos estejam envolvidos direta ou indiretamente nisso. Aqueles pais que acham que com eles isso não está acontecendo são os que correm maiores riscos.

Além da questão fundamental do monitoramento (não patrulhamento) nas mídias sociais e navegação da web, o importante é estabelecer uma cultura de paz, solidariedade e colaboração entre os jovens. Lamentavelmente, o sistema educacional das escolas promove o contrário, acreditando que estão ensinando alguma coisa. Elas fazem provas que testam a memória ao invés do conhecimento do aluno e para piorar dão notas comparativas e as explicitam publicamente. Isso gera uma competição longe do saudável. Acredita-se que a maior parte das ações de bullying nasce para compensar a dignidade arranhada.

A escola também obriga os alunos a ficarem parados durante muito tempo tendo que prestar atenção à grade programática definida de cima para baixo, que geralmente é chata para a maioria. Normalmente, esse conteúdo está longe de suas realidades atuais e geralmente é obsoleto. Esse sistema promove o represamento da criatividade, bloqueia a energia do fazer e desvia o interesse incondicional de aprender. Com isso represado e o incômodo de que você “não pertence”, que tipo de linguagem e intenção podem ser trocadas pelo WhatsApp?

Longe de dizer que as escolas ou a educação são culpadas disso. Esse é um problema sistêmico! Elas (as escolas e a Educação) são apenas o contexto onde o bullying se alimenta e se reproduz. Elas estão mais para a água parada onde o mosquito se reproduz e transmite a Dengue. Quem é o culpado da Dengue? A água parada? O mosquito? A Dengue? Todos e nenhum! Quem é o culpado do Bullying? As escolas? O sistema de educação? Os alunos? Os professores? Os pais? O Bullying?

Se não pensarmos numa solução sistêmica para esse problema de complexidade, dificilmente encontraremos um caminho para resolvê-lo. Talvez seja possível resolver algum problema pontual de um filho/aluno. Agora, para resolver a escola como um todo, são muitos “pauzinhos” para mexer e precisa ver se há vontade política e pessoal da direção e dos pais. O diálogo pode ser o caminho mais curto para reduzir o bullying.

Românticos Conspiradores

Eu já era um romântico conspirador muito antes de saber da existência do grupo dos Românticos. Foi amor a primeira vista no 2º ENARC (Encontro Nacional dos Românticos Conspiradores) em março de 2010 em Curitiba. A carta de princípios do núcleo São Paulo (formulada em 2008) já diz tudo no seu primeiro item:

“Educar-se para a Integralidade – A educação deve contemplar a humanidade dos educadores e educandos em sua totalidade, sendo coerente com a indivisibilidade das dimensões biológica, mental e espiritual de cada pessoa. Assim como cada ser humano possui diferentes limites, possui também diversas potencialidades que poderão, ou não, ser desenvolvidas e expressas a partir das formações e transformações que ocorrem durante toda a vida. Para isso a educação deve ser um processo intencional, contínuo e transformador, que leve a integralidade e que repercuta durante toda a vida.”

Quando escutamos que Educação, como princípio, deve contemplar a humanidade dos educadores e educandos em sua totalidade… parece óbvio! Também é óbvio que deve ser coerente com a indivisibilidade das dimensões biológica, mental, emocional e espiritual de cada pessoa. Esse mesmo princípio ainda contempla a ideia de que, assim como cada ser humano possui diferentes limites, possui também diversas potencialidades que poderão, ou não, ser desenvolvidas e expressas a partir das formações e transformações que ocorrem durante toda a vida. Essas afirmações sobre o que deve ser a Educação são consenso para a maioria dos educadores e pedagogos. Em outras palavras esse princípio diz que devemos olhar e incluir o SER de ser humano dos que educam e são educados, levar em conta corpo, mente e emoção, permitindo o florescimento das potencialidades inerentes a cada um. Para isso a Educação deve ser um processo intencional, contínuo e transformador, que leve a integralidade e que repercuta durante toda a vida.

Se isso tudo isso é óbvio por que a maioria das estruturas educacionais está tão longe desse princípio?

O TED (Talk) mais visto até hoje é o do Ken Robinson, “As Escolas Matam a Criatividade?”. Acredito que não exista um educador que não o tenha visto… sei que sou um otimista! Ken conta a história de uma menininha de seis anos que estava numa aula de desenho. Ela estava sentada no fundo da sala desenhando. A professora disse que ela quase nunca prestava atenção na aula, mas estava impressionada que agora estava desenhando. A professora se aproxima e pergunta o que ela está desenhando. Ela responde: Estou desenhando a imagem de Deus! A professora logo retruca que ninguém sabe como Deus se parece. A menina responde: saberão num minuto! Outra história inesquecível que ele conta nesse TED é a da Gillian Lynne. Lembram-se? Claro que sim!

Essa palestra foi gravada em fevereiro de 2009 e de lá para cá temos centenas de palestras, vídeos e filmes maravilhosos que nos inspiram a rever nosso olhar para a Educação.

A Nova Educação pode ter vários nomes, varias origens e principalmente corajosos projetos em andamento. Não será suficiente e muito menos possível melhorar a Educação, ela depende de uma transformação completa. Uma Nova Educação!

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