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Posts Tagged ‘Alan Dubner’

Primeiro dia do mês do meio ambiente.

Ontem a noite a semana do meio ambiente foi aberta pelo encontro dos ex-ministros do meio ambiente, “Seminário do Meio Ambiente: Política ambiental brasileira e os desafios da sustentabilidade”. A conversa foi na boa direção de gerar ações imediatas!

Vamos acompanhar os movimentos e ativações desse mês crucial!

A Polarização Reina

Num momento em que a polarização reina, falar sobre qualquer tema não gera diálogo e sim o ódio da torcida oposta. E os reféns da mídia não conseguem submergir para ouvir as mais coloridas vozes da nossa interdependência.

A chamada pós verdade impera num ambiente que incendeiam as cognições e quando alguma dissonância aparece no front é logo calada pela nossa atávica dificuldade de lidar com as dissonâncias cognitivas.

Toda essa filosofia acima para dizer que devemos ouvir as vozes que estão sendo caladas para formarmos nossas próprias crenças e, se possível, deixá-las flexíveis a novas vozes.

Tenho escutado regularmente que precisamos ouvir a ciência. É um argumento que subentende que existe uma verdade cientifica e quem não a segue é negacionista. Cabe aqui a pergunta do que seja ciência. Ciência é basicamente a arte de não saber! É a arte de fazer descobertas! O método científico é aquele que confirma uma hipótese através de repetidas tentativas que geram o mesmo resultado. Isso vale até que outra hipótese anule a anterior. Hoje até a lei da gravidade de Newton está sendo cientificamente questionada. Isso para não ir mais longe e falar da matéria escura. Cada área da ciência tem seus diferentes pontos de vista (isso é saudável) por isso dizer que algo é cientificamente comprovado significa apenas dizer que dentro do amplo espectro da ciência aquele experimento específico recebeu a atenção de alguns cientistas. Quanto a COVID 19 não existe nada cientificamente comprovado… nada! Portanto quando dizem que alguma coisa, ligada a pandemia, não tem comprovação científica… estão falando o óbvio! Nada, na pandemia, tem comprovação científica! O que tem comprovação científica se refere aos vírus em geral – lavar as mãos, máscaras distanciamento físico e por aí vai. Nenhuma ciência específica do novo Coronavírus consegui comprovar cientificamente alguma coisa. Portanto a ciência não comprovou de onde veio o vírus, por que existe um percentual grande de infectados assintomáticos, quais remédios ajudam no tratamento, quais não ajudam, quais superfícies retem o vírus por algum tempo e até mesmo a eficácia das vacinas. No entanto diariamente ouvimos que A é cientificamente comprovado e que B não tem comprovação cientifica. O que nos faz acreditar nisso? O que nos faz desacreditar nisso? Na pandemia estamos aprendendo enquanto sofremos suas consequências, estamos construindo o avião no voo. Enquanto os conhecimentos se ampliam, se aumenta, também, nossa ignorância.

Vivemos na infância da espécie humana, os horizontes representados pela biologia molecular, o DNA, a cosmologia começa a se descortinar. Nós não passamos de crianças em busca de respostas, e à medida que a ilha do conhecimento se amplia, se alargam também as margens da nossa ignorância.” John Wheeler

E quanto aos Números?

Uma das distrações que mais contribuem para fazer a gente acreditar que uma informação ou notícia é verdadeira são os números. Parece ciência… mas não é! Tudo nessa sociedade funciona com números. O tempo tem minutos, horas, dias, meses, anos. Qualquer notícia vem acompanhada de números. O dinheiro são números que exercem uma enorme influência no nosso dia a dia. Por mais matemático que os números pareçam são apenas entidades virtuais. Se percebermos a virtualidade dos números estaremos mais próximos de nos libertarmos deles e das “verdades” que nos trazem. Fique tranquilo, a leitura desse texto levará menos de 20 minutos e conterá apenas 1.477 palavras, todas fáceis de entender. Quanto ao tempo que levará refletindo no assunto ficará por sua conta e risco.

Vamos começar com o tempo. Quanto tempo leva para alguém perceber que está caminhado na direção errada? Difícil responder! São tantas variáveis que inviabilizam um cálculo mais preciso. No entanto somos diariamente bombardeados por declarações que prometem nos reconduzir ao caminho certo em pouco tempo. Seja na Saúde – sua dor de cabeça vai sumir tomando esse analgésico – você vai emagrecer 5 quilos em apenas 10 dias com a dieta da moda – beba quanto quiser que o Enganove vai resolver sua ressaca. Na Economia – você terá autonomia financeira em apenas 6 meses criando sua rede de vendas nessa franquia – compre seu televisor em 12 prestações sem juros – baixe o aplicativo grátis – crédito automático de R$ 3.000,00. Na educação – você terá um bom emprego em apenas 12 anos de estudo numa escola e um melhor ainda com mais 4 anos de estudo numa universidade – não fique sem emprego faça um curso profissionalizante de 3 meses e saia na frente – aprenda inglês sem sair de casa em apenas 6 meses. Na política – se eleito vou acabar com a corrupção – sua contribuição sindical vai melhorar sua condição de trabalho – vamos mudar!

Tempo é dinheiro – Essa afirmação é normalmente entendida como o tempo tendo um valor monetário comparativo. Acredito que essa informação significa literalmente que tempo é dinheiro, ou seja, o tempo é igual ao dinheiro. Esse entendimento permite fazer uma analogia maravilhosa que as leis que se aplicam a um… equivalem ao outro. Portanto posso dizer que nos comportamos com o tempo da mesma maneira que nos comportamos com o dinheiro e vice-versa. Como é a sua relação com o dinheiro? E com o tempo?  Está sempre faltando? Você é generoso em doar seu tempo? Seu dinheiro? Você tem tempo sobrando? Você tem gastado dinheiro com o que realmente é importante ou você fica procrastinando? Como você lida com o tempo dos outros? Você nunca se atrasa em encontros?

Pandemia ou Pandemônio?

Estamos num momento de introspecção e de regeneração do nosso Ser, da nossa Alma. 

Para alguns é mais fácil fingir que está tudo bem ou tudo ruim, para não ter que mergulhar na tomada de consciência (awareness). O problema é que vão pagar a conta lá na frente, seja pela saúde ou pela dificuldade de interdependência. Para aqueles que estão numa jornada de busca interior não dá para fingir porque já não conseguimos mais enganar a nós mesmos. Então dói! O que temos que nos trabalhar é para aceitar que a dor é inevitável, enquanto o sofrimento é voluntário.

A nossa dor não é fácil de ser compreendida pelo outro, assim como o “não sofrer” também. Essa certa solidão nos faz pedir ajuda para outros companheiros dessa estrada que o Joseph Campbell chama de monomito (a jornada do herói). 

Também aqui nesse primeiro de junho, com minhas dores e com a atenção voltada para o aqui agora – para não cair na tentação do sofrimento.

Autopoiese de Maturana e Varela

Dois chilenos maravilhosos, ícones do pensamento sistêmico e criadores do conceito de Autopoiese.

Francisco Varela nos deixou, há exatos 20 anos, nesse 28 de maio. Deixando um legado formidável que continua a reverberar até hoje. Ele foi responsável, entre outras coisas, pelos encontros da Ciência com o Budismo do Dalai Lama (Mind & Life) gerando uma infinidade de conhecimentos e sabedorias. Criador do conceito de Autopoiese junto com Humberto Maturana no início dos anos 70. Foram muitos encontros de celebração do Varela, entre eles, a mostra de filmes do diretor Franz Reichle (Monte Grande, Mind & Life e Francisco Cisco Pancho).

Humberto Maturana nos deixou no dia 6 maio passado e tivemos dezenas de eventos em sua homenagem. Hoje à noite tivemos o encontro da Palas Athena com a Lia Diskin. A contribuição de Maturana para o entendimento da vida e dos sistemas que a compõem serão sempre as bases do conhecimento do Ser humano. Durante a pandemia ele participou de dezenas de conversas e entrevistas que ainda tenho muitas para assistir.

Gratidão Humberto Maturana e Francisco Varela!!!!

Para minha Neta

Oi, pequena! Oi, princesa da Natureza! Hoje faz um ano que você chegou, abriu os olhos e chorou pela primeira vez!

Apesar do mundo estar em pandemia, tenho esperanças (do verbo esperançar) que está nascendo uma nova possibilidade civilizatória. Será muito pouco provável que permaneceremos nesse formato destrutivo. Claro que dá medo, claro que não sabemos ainda a direção a seguir. Mas seu avô acredita que a sua geração já estará sendo governada por jovens que acreditarão que a interdependência é a única forma de convivermos em harmonia com a Natureza. Saberão o que todos já deveriam saber hoje… que somos natureza! Como te disse há um ano, será uma nova sociedade voltada para ampliação da consciência e restauração ecológica. Não haverá economia sem ecologia, educação sem aprendizagem, religião sem espiritualidade, política sem cidadania e nem medicina sem saúde.

Você já me ensinou tanto nesses últimos 12 meses! Agradeço sua Presença, seu Ser e sua Paz. Princesa da Natureza… sei que vai ouvir os chamados… sei que vai atender o seu propósito! Sei que te amo!

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Esse texto faz parte do livro que estou escrevendo. Em cada primeiro dia do mês escrevo uma carta, no próprio dia, que será publicada no capítulo de uma retrospectiva do período em que estou escrevendo esse livro. Segue a carta relativa ao mês de abril de 2021:

Bom dia, primeiro de maio!

Bom dia, incertezas!

Na França é o dia de se desejar alegria e boa sorte presenteando a família e os amigos com a flor Muguet (lírio do vale). Dizem que a tradição remonta aos Celtas e os Romanos. Acredito que todos nós estamos precisando de alegrias e de boa sorte! Allez Bonheur!

As incertezas são tantas que seria mais prático a gente se render (com bandeirinha branca e tudo) e ficar confortavelmente sabendo que não sabemos nada. O que muda? Qual seria o problema? Estaríamos mais perto ou mais distantes da nossa verdade? Estamos assistindo a um desfile de certezas incertas. Quando alguém diz que está seguindo a ciência, o que isso quer dizer? Os cientistas pesquisam e chegam a conclusões diferentes, muitas vezes opostas. Então qual ciência seguir? São tantas! Quando alguém diz que está sendo guiado pela religião, o que isso quer dizer? São tantas as incertezas entre cientistas, médicos, religiosos, economistas, biólogos, ambientalistas, agricultores, jornalistas, professores, políticos, terapeutas… a lista não termina. Por que então, acreditamos que há alguma certeza, além de vamos morrer? O meu bom dia para as incertezas de hoje foi inspirado num texto que o Edgar Morin, publicou (Gallimard) há um ano em 21 de abril de 2020. Sim esse Edgar Morin que vai fazer 100 anos daqui dois meses. Cada parágrafo do seu texto merece uma parada para reflexão. O texto se chama – Um Festival de Incerteza – e começa assim:

“Todas as futurologias do século XX que previam o futuro com base nas correntes que atravessavam o presente fracassaram. Contudo, continuamos a prever 2025 e 2050 mesmo que sejamos incapazes de compreender 2020. A experiência das irrupções do inesperado na história não penetrou nas consciências. A chegada do imprevisível era previsível, mas não sua natureza. Daí minha máxima permanente: “espere pelo inesperado”.”

Em outro trecho – e paro por aqui – ele fala do que esperar do pós pandemia. Lembrem-se foi publicado em abril de 2020!

“Os desconfinados retomarão o ciclo cronometrado, acelerado, egoísta, consumista? Ou haverá um novo renascimento da vida convivial e amorosa rumo a uma civilização na qual se desenvolve a poesia da vida, onde o “eu” floresce em um “nós”?

Não podemos saber se após o confinamento novos caminhos e ideias vão desabrochar, ou mesmo revolucionar a política e a economia, ou se a ordem abalada se restabelecerá. Podemos temer fortemente a regressão generalizada observada já durante o curso dos vinte primeiros anos deste século (crise da democracia, corrupção e demagogia triunfantes, regimes neo-autoritários, retomadas nacionalistas, xenófobas, racistas).”

Será que a gente toparia ficar numa postura de simplesmente seguir o fluxo da vida, acreditar nas sincronicidades da vida? Simplesmente buscar, dentro da gente, o sentido de existir… de viver a vida!

Há cinco meses escrevi seis questões que emergiram na pandemia para exercitarmos ficarmos diante da nossa verdade, do que acreditamosem cada uma delas. Os cientistas e médicos tinham posições opostas a essas questões. Vejam ou revejam qual a sua verdade hoje. Elas refletiam o conflito de certezas em novembro de 2020. Acrescentei duas.

Verdade 1 – A transmissão do vírus veio pelo pangolim ou foi produzido em laboratório?

Verdade 2 – Cloroquina funciona ou faz mal?

Verdade 3 – As máscaras para o cidadão saudável são úteis ou inúteis?

Verdade 4 – As vacinas, no Brasil, virão no próximo mês ou no segundo semestre de 2021?

Aqui havia uma polarização quanto ao tempo que levaria para a maior parte dos brasileiros serem vacinados e voltarmos a uma vida “normal”.

Verdade 5 – As escolas devem abrir ou fechar?

Verdade 6 – Os números de casos e óbitos divulgados estão corretos ou incorretos?

Verdade 7 – As vacinas são confiáveis ou não são?

Verdade 8 –Quem já contraiu o COVD19 tem chance de pegar novamente ou são casos raros?

Esse exercício é apenas para a gente olhar para nossas certezas e incertezas. De verdade, não importa qual a resposta. O importante é perceber se onde você tem certeza existe espaço para ouvir uma outra certeza diferente e considerar genuinamente a possibilidade de mudar de ideia. Não é simples! Quando aparecem evidências de que o que você acredita não é verdade, ocorre uma dissonância cognitiva. Somos programados a não ficar confortável com essa dissonância e a partir daí criamos histórias (narrativas) para amenizar ou mesmo eliminar essa dissonância. Somos bons nisso! Como acreditamos nessas histórias que criamos não conseguimos entrar em contato com a beleza e possibilidades das incertezas. Ressignificar é uma oportunidade maravilhosa de seguir o fluxo de uma vida que está a nossa espera e… viver a vida!

“A gente precisa se dispor a abrir mão da vida que planejamos a fim de encontrar a vida que espera por nós.” Joseph Campbell

Para dificultar mais ainda nossa relação com essas certezas e incertezas, existe uma manipulação proposital para que passemos a pensar dessa ou daquela maneira, para que façamos dessa ou daquela forma que nos induzem. Entre todas as tragédias que estamos vivendo a DESINFORMAÇÃO é a pior delas! Se fosse falta de informação não seria tão grave… desinformação e a manipulação das informações são o que há de mais desumano! E isso em nome do poder e da ganância. Não sei como a história vai registrar esse período, não sei se haverá centenas (talvez milhares) de condenados por crimes contra humanidade. Não sei como milhares de pessoas conseguirão apagar os rastros de suas manifestações que contribuíram para esse desastre mundial, para que seus netos não se envergonhem de tamanha falta de noção herdadas em seu DNA. Não sei como ficarão as pessoas que não contribuíram diretamente para ajudar, de alguma maneira, a humanidade e ficaram apenas reclamando da culpa dos outros. Seja pela busca de benefício próprio, corrupção ou apenas banalidade do mal (conceito Hannah Arendt).

Não sei… só sei que não sei!

Celebramos o Dia da Terra, no dia 22 de abril. Celebramos? Tivemos a Cúpula do Clima promovida pelo governo americano. Eles querem ser protagonistas da emergência climática. Por um lado, uma boa notícia, por outro um risco de ficar no “business as usual”. E o Brasil? Quando nosso presidente (sim, nosso!) discursava seus sete minutos, ao lado de um ministro que deveria estar defendendo o meio ambiente, que – um ano antes – exatamente no dia 22 de abril declarou que deveriam aproveitar que estavam todos distraídos com a pandemia, para “passar a boiada” e… foi exatamente o que fez! Uma devastação sem precedentes, começando com a desmobilização dos órgãos de proteção. Um ano depois está pleiteando receber recursos para seu plano de defesa da Amazonia. A sociedade civil reagiu fortemente a essa tentativa de ludibriar o mundo. Veremos os resultados até junho, o mês do meio ambiente. Veremos, também, nossa posição na COP26 em Glasgow (Escócia) em novembro. Isso tudo é surreal!

Envio muitas Muguets para trazer alegria e boa sorte a todos nós!

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Primeiro de Março

Esse texto faz parte do livro que estou escrevendo. Em cada primeiro dia do mês escrevo uma carta, no próprio dia, que será publicada no capítulo de uma retrospectiva do período em que estou escrevendo esse livro. Segue a carta relativa ao mês de fevereiro 2021:

Reli o texto que escrevi em primeiro de março de 2020. Foi numa outra era. Você consegue se lembrar como e onde você estava em primeiro de março de 2020? Não me refiro a março de 2020 e sim ao dia 1º de março de 2020. Ou seja, antes de ser decretada a pandemia, antes da primeira morte no Brasil, antes de qualquer indício real de que o mundo inteiro iria parar. Ao mesmo tempo, pouquíssimo tempo antes de tudo isso acontecer. Vou reformular a pergunta: Você consegue se lembrar quem você era em primeiro de março de 2020?

Vou reproduzir o início dessa carta que é no mínimo… curiosíssima.

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“Hoje, primeiro de março de 2020

A semana do Carnaval termina hoje e amanhã é quando, pejorativamente, se diz que o Brasil começa a trabalhar. A questão da sustentabilidade nunca esteve tão mal e olha que já esteve inacreditavelmente mal nos últimos 10 anos. O que será necessário para que esse jogo vire no Brasil e nos EUA? O principal é saber que TODOS nós podemos fazer alguma coisa, por menor que seja. Se ficarmos apenas reclamando estaremos sendo cumplices dessa tragédia.    

Na carta de fevereiro subestimei o possível impacto do novo Coronavírus no mundo. Não havia casos de mortes fora da China e nem nome o vírus tinha. Mantenho a ideia de que as mídias vêm gerando um pânico que em nada ajudam. Acredito, também, que já estamos num estado de pandemia apesar de não ter sido declarado ainda. Em 27 de janeiro escrevi no WhatsApp respondendo para minha filha (grávida) que perguntava se eu tinha alguma orientação quanto ao novo coronavírus. Respondi:

Todo ano tem algo assim.

Eu ainda não estou nem um pouco preocupado. Se isso mudar te aviso.

Um dia um deles (vírus) vai ser uma pandemia. Não acho que será esse. De qualquer maneira a melhor coisa a fazer é ficar fisicamente bem… muito bem!  Dormir bem, não “comprar” situações de stress, tomar meio limão por dia e umas 20 a 30 gotas de própolis por dia. O grande problema do coronavírus, ao contrário dos outros, é que ele é contagioso quando ainda não saíram os sintomas… ou seja duas semanas antes dos sintomas aparecerem. Se acontecer (acho improvável) de conhecer alguém que conhece alguém infectado precisa ficar longe do networking (rede de relacionamentos) dessas pessoas e os cuidados da saúde serem de uma pessoa paranoica por, pelo menos um mês depois que soube.

No mesmo dia 27 de janeiro, só lembrando que 99% dos 2.800 casos estavam na China e que os EUA tinham apenas 5 casos (reportados), nenhum em Nova York e todos de pessoas que vieram de Wuhan/China, minha filha perguntou se eu achava que era suave ela ir para Nova York.

Por enquanto sim. Se o negócio se espalhar de uma forma perigosa deve rolar de março para abril. Os números estão subindo dessa maneira assustadora, mas é que acabaram de identificar o vírus e os casos estão emergindo (ficando visíveis). Acredito que será contido. De qualquer maneira VOCÊ deve viajar de máscara. Menos pelo risco desse vírus e mais pelo risco dos outros 50 que estão sendo espalhados diariamente. Nenhum perigoso em si, mas vários tem indicação de antibióticos e outras medicações desaconselháveis para minha neta.

Vale a pena passar o desconforto ou vergonha. Não é um custo alto a pagar pela prevenção. Declare que você não está doente, mas está grávida e não quer pegar uma gripe ou virose. Ordens do seu médico! Aliás fale com ele. Deve estar muito mais bem informado do que eu.

Poucos dias depois, no dia 3 de fevereiro onde um dos infectados nos EUA estava recebendo alta do hospital. As mortes tinham crescido de 83 para 426, sendo que 425 da China (maioria da província de Hubei) e uma nas Filipinas sendo que era um Chines de Wuhan (província de Hubei) de 44 anos que tinha se infectado antes de chegar nas Filipinas. Escrevo recomendando que não faça a viagem, mas não pelo perigo do novo vírus.  

Acredito que a mídia está causando esse pânico. Só se fala nisso. Para os governos é ótimo desviar a atenção do Brexit, da ameaça nuclear, do impeachment, dos descalabros no Brasil, do Bibi, do sarampo, das mudanças climáticas e de tantas outras coisas realmente importantes. Continuo achando que se houver perigo será a partir de abril. Continuo achando que pelo contágio ter que ser direto (gotículas quando fala ou tocar coisas que receberam essas gotículas) é muito fácil se proteger nesse estágio da doença. Álcool gel muitas vezes. Prestar atenção para não levar as mãos a boca. Enfim acho que não há risco real. PORÉM… acho que há risco de pegar um resfriado ou uma virose. PORÉM… como está esse pânico no ar, qualquer sintoma vai gerar um medo no grupo e no entorno.

Acredito que com esse nível de medo vocês não deveriam ir. A razão é psicológica e não por um perigo real. Mas é uma razão válida!

Você talvez passe por um stress desnecessário se alguém pegar um resfriado.

Minha humilde opinião é que vocês não deveriam ir.

O que preocupa são as declarações e as possíveis medidas que tomarão os governantes dos EUA e do Brasil, que atualmente estão fazendo pouco caso do assunto.

Embarco nessa quarta para o México (Durango) para participar do World Sustainable Development Forum (WSDF 2020) que além da importância do evento que segue na direção da implementação do acordo de Paris e das ODS, deverá homenagear o organizador e importante ambientalista Rajendra Kumar Pachauri. Muitos encontros e projetos estão sendo costurados desde a Cúpula do Clima em setembro passado em Nova York. Tenho esperança! Esperança do verbo esperançar!

“É preciso ter esperança, mas ter esperança do verbo esperançar; porque tem gente que tem esperança do verbo esperar. E esperança do verbo esperar não é esperança, é espera. Esperançar é se levantar, esperançar é ir atrás, esperançar é construir, esperançar é não desistir! Esperançar é levar adiante, esperançar é juntar-se com outros para fazer de outro modo…” Paulo Freire

O mês de fevereiro foi particularmente….”

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Voltando ao primeiro de março de 2021, fico especialmente emocionado de reler a carta que escrevi para esse livro porque revela a minha completa falta de percepção da dimensão do que vinha vindo e ao mesmo tempo revela as pedras que deixei no caminho até aqui. Foi só no mês seguinte (abril) que passei a publicar (sem divulgar) essas pedras em forma de palavras e ideias que me acompanham nesse caminho que estou compartilhando.

No dia 11 de fevereiro celebrei os 30 anos de encontro com a minha cara-metade. Com certeza a coisa mais importante que aconteceu na minha vida. Agradeço a muita coisa dessa vida que foi muito generosa comigo, encontrar a Deborah foi uma iluminação que gerou e gera o viver a vida. Viver a Vida em versão original! Esse é também o título do livro que conta a nossa história e que nesse mês ganhou um formato digital. Fiquei na dúvida de escrever a palavra “coisa”, existem preconceitos com ela. Olhando rapidamente no Ecosia (a versão ecológica do Google que sempre uso) descobri o quanto ela é versátil e tem muuuuitos significados. Ela pode ser substantivo, adjetivo, advérbio e até verbo. O significado que mais encontrei foi: “Tudo o que existe ou que pode ter existência”. Não é demais? Portanto mantenho que encontrar a Deborah foi a coisa mais importante da minha vida!

Hoje de manhã, assisti ao Davos Lab Brasil na TV Folha. Foi muito bom! O que sempre me impressiona são aquelas pessoas que ficam no chat jogando palavras de ódio. Elas entram para isso! O que faz alguém entrar num evento que não aprecia e ficar falando mal de tudo e de todos? Com tanta coisa importante para fazer o que faz alguém perder tempo e energia com isso? Vamos excluir as pessoas que se submetem (banalidade do mal) a receber dinheiro para fazer atos destrutivos e aos robôs programados para isso. Ainda resta uma quantidade enorme de pessoas que covardemente, em seu anonimato, insistem em disseminar vibrações negativas. Existem pessoas que preferem torcer para que o time do outro perca do que o seu ganhe. Estranho, né? Vota num outro candidato para que o que não gosta perca. Sim, parece surreal, mas é a realidade! Uma pessoa escolhe um candidato de sua preferência, mas não vota nele porque acredita que deve votar no candidato que as pesquisas mostram que tem mais chance contra um do qual é contra. Com isso, sempre ganha um candidato que não é o da sua preferência! Como pode uma coisa dessas ser boa para a democracia? Por que as pessoas, na sua maioria, escolhem ser do contra? Como elas fazem para se justificarem consigo mesmas? A resposta é reduzindo a dissonância cognitiva, através de artifícios imaginários (histórias). Essa é uma das abordagens deliciosas que apresento nesse livro.   

No mês passado deixei uma palavra no ar: Percepção! Acredito que ela seja a essência do que é esse livro. A nossa realidade – nossa mesmo – é moldada pelas percepções do que acreditamos.

Hoje comecei um curso sobre “Perspectivas”. O curso é baseado nas forças de caráter da Psicologia Positiva criada por Martin Seligman. A Perspectiva é uma força de caráter da virtude da Sabedoria. Aprendi hoje a definição que é “Ser capaz de oferecer conselhos sábios aos outros; ter maneiras de ver o mundo que façam sentido para si e outras pessoas.”     

Ggostaria de deixar um link para um vídeo do Yuval Harari falando (em inglês) para jovens de uma escola multicultural no Japão. Tenho tido o privilégio, por conta desses momentos da pandemia, de ouvir uma conversa dele toda semana. https://youtu.be/9drNVSuyp0w

O que me preocupa mais nesse momento da pandemia são os médicos e os profissionais de saúde da linha de frente. Eles já passaram do ponto de “não retorno” para o Burnout, estresse e outras enfermidades. Temos que olhar sistemicamente para cuidar dos cuidadores porque se continuarmos nesse ritmo, além da tragédia individual desses profissionais teremos uma falta desses heróis para atender a demanda.

Que a força esteja com vocês!

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Primeiro de Janeiro

Esse texto faz parte do livro que estou escrevendo. Em cada primeiro dia do mês escrevo uma carta, no próprio dia, que será publicada no capítulo de uma retrospectiva de 2020. Segue a carta relativa ao último mês de 2020:

Hoje, primeiro dia da terceira década do século XXI, me sinto como se o ano de 2020 tivesse durado uma década. O que foi esse ano? O que foi para você esse ano?

Será que alguém conseguiu entender o que realmente aconteceu? Como aconteceu? Como será que olharemos o ano de 2020 em primeiro de janeiro de 2031?

Vou ter que falar dos aprendizados com a própria pandemia. Não poderia ser diferente.

Algumas coisas “saltam aos olhos”. Em primeiro lugar quero enfatizar a nossa necessidade de acreditar em números, mesmo que saibamos que eles não sejam reais. A mídia passou a pandemia toda promovendo, diariamente, números que são sabidamente equivocados. Para que os números de casos, internações e mortes causados pelo Sars-CoV-2 fossem próximos do real, teríamos que ter uma combinação de fatores mensuráveis quase impossíveis hoje. Por exemplo teríamos que ter muito (mas muito mesmo) mais testes realizados; os testes teriam que ser confiáveis; as subnotificações precisariam ser contabilizadas; o viés econômico da saúde e da política precisariam ser contados ou descontados. O mais grave não é a geração e divulgação dos números e sim acreditarmos neles! Com isso, no mundo, estamos em segundo lugar em quantidade de mortes e em terceiro em números de casos. O que isso quer dizer? Nada! Simplesmente nada! A forma de contabilizar de cada país é diferente e só por isso não teria razão de ser em compará-los. Vamos fingir que os números estão corretos e são comparáveis só para pensarmos um pouco por outro ângulo do habitualmente divulgado pelas mídias. Se olharmos os números de mortes pela proporção de habitantes (o que deveria ser o mais justo), o Brasil iria para a 23ª posição, os EUA para a 14ª e a Índia para a 98ª. Em termos de testes realizados relativos à população, o Brasil está em 100º lugar. Vivemos momentos surreais com os números. No primeiro semestre ficamos apavorados com o crescimento vertiginoso das mortes que chegavam a mais de 100 por dia. No segundo semestre chegamos a nos acalmar com a estabilização de 1.000 mortes por dia… já podíamos respirar! Durante a eleição o vírus deu uma trégua… como assim? Agora em dezembro os números voltaram a subir, mas se não temos como compará-los com os meses anteriores…  Quanto mais nos aprofundamos nas métricas, mais percebemos que elas não significam o que acreditamos. Fica a pergunta: por que precisamos acreditar em números? O livro navega pelas diversas possíveis respostas. Os números devem variar a cada dia, usei um dos indicadores: o “Worldmeters” no dia 1 de janeiro de 2021. https://www.worldometers.info/coronavirus

A segunda coisa a “saltar os olhos” é quanto as recomendações sanitárias. Para alguns era apenas uma gripezinha, para outros o fim do mundo. Para alguns o uso de máscara era recomendado, para outros só os doentes. Para alguns o vírus era perigoso nas lojas, para outros nos parques. Para alguns as escolas deveriam fechar, para outros abrir. Vivemos em 2020 a maior confusão por parte do que fazer, como, quando e onde. O que ficou claro é que nada estava claro! As recomendações eram tão antagônicas que dificilmente mereciam ser levadas a sério. Mas o pior de tudo isso foi (e ainda é) a repugnante condição humana de aproveitar uma tragédia dessas para praticar ações criminosas em benefício próprio lesando a humanidade e o seu entorno. Desde “passar a boiada” até artimanhas de alguns laboratórios. Estamos num momento tão atípico que o conceito de “banalidade do mal” de Hannah Arendt fica evidente diante do medo e das incertezas de futuro. As pessoas se dissociam do seu papel de responsáveis pelas ações que cometem, sentem que não são cumplices do mal que suas ações contribuem. Alguém que trabalha numa indústria que produz agrotóxicos que vai contaminar consumidores, agricultores, o solo e as águas, não se sente responsável pelas consequências que suas ações, por menor que sejam, causaram. No geral, alguém trabalhando numa mineradora não sente responsabilidade quando um crime arrasa uma região do tamanho de Portugal ou mata centenas de pessoas. O mesmo ocorre com uma pessoa que apoia um candidato, ela não se sente responsável por ter colaborado, seja mais intensamente ou apenas com o voto. Impressionante como alguns até se opõe fortemente, com seus eleitos, como se não tivessem nada a ver com aquele resultado. Essa é a banalidade do mal que faz com milhões de pessoas colaborem com o mal sem se sentirem responsáveis por esse mal. As palavras de Martin Luther King “Teremos que nos arrepender, nesta geração, não apenas pelas palavras e ações odiosas das pessoas más, mas pelo aterrador silêncio das pessoas boas.”, se encaixam perfeitamente no que está sendo feito aproveitando o medo gerado pela pandemia. Isso está ocorrendo no mundo! O Brasil, lamentavelmente, se destaca nessa área.

A terceira e talvez a mais importante constatação é a da ditadura da polaridade. Ela existe há muitos anos e nos últimos seis vem crescendo exponencialmente através das manipulações da mídia, principalmente das mídias sociais. O início dessa modalidade de manipulação começou em 2014 nas eleições brasileiras, depois foram profissionalizadas em 2016 no referendum do Brexit (que aliás começa hoje), na eleição americana de 2016 e foi crescendo extraordinariamente a ponto de ser muito difícil separar o joio do trigo. A pandemia fez emergir a parte mais obscura desse fenômeno que é a imbecilidade de rebanho. Trata-se de uma simplificação do pensamento e a erradicação do diálogo. Nada de pensamento sistêmico ou de frescura com filosofia. É nós ou eles! Simples assim! Você é a favor ou contra! Comportado ou rebelde! Certo ou errado! Normal ou anormal! Sadio ou doente! Esse modelo mental é tão absurdo, apesar de ser violentamente defendido, que me faz pensar o que seria dos computadores se essa prática binária fosse aplicada a eles. Um computador só entende ligado ou desligado (zero 0 e um 1). Passa energia ou não passa energia. No entanto a combinação de possibilidades de 0 e 1 é gigantesca permitindo existir tudo que temos até hoje com apenas diálogos entre ligado e desligado. Essa redução da complexidade humana nos faz perder a possibilidade de fazer as combinações imaginativas que tanto necessitamos para sobreviver a essa crise civilizatória. Ficamos reduzidos a ter que dizer se somos contra ou a favor da vacina contra o novo coronavírus. Como se fosse possível responder essa pergunta sem saber quais das mais de 100 vacinas estão se referindo, quais os resultados dos testes que estão sendo realizados, quais os riscos e muito mais. No entanto se você começar a fazer perguntas, você é considerado ser contra vacinas e provavelmente vacinas em geral. Isso está valendo e cada vez pior para tudo.

Acredito que o ano de 2020 foi um marco civilizatório. Vamos percebê-lo degustando, aos poucos, seu legado.

Seremos culturalmente mais colaborativos em cores, gênero, número e grau!

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Esse texto faz parte do livro que estou escrevendo. Em cada primeiro dia do mês escrevo uma carta que estará publicada no capítulo de uma retrospectiva de 2020. Segue a carta:

2020… o ano em que a Terra parou!

Onde estamos? Num novo normal? Havia algum normal? Estamos então num novo anormal? Estamos indo para um novo anormal normal?

Se a essa altura do campeonato tiver alguém ainda achando que é uma crise passageira e que as coisas voltarão a ser como eram… talvez estejamos todos sofrendo de “Normose”.

Se você não está familiarizado com o termo Normose, sugiro que pare tudo que está fazendo e mergulhe por um instante num conceito maravilhoso para esse nosso tempo de pandemia.

Jean-Yves Leloup, Pierre Weil e Roberto Crema Normose definiram que normose é “um conjunto de hábitos considerados normais pelo consenso social que, na realidade, são patogênicos e nos levam à infelicidade, à doença e à perda de sentido na vida”. Escreveram em 2003 o livro “Normose: A patologia da normalidade”, a sensação de normose ocorre quando o contexto social que nos envolve se caracteriza por um desequilíbrio crônico e predominante. Parece familiar?

Assista, assim que puder, o TED com o Roberto Crema nos iluminando com essa patologia que sempre nos afligiu, mas que agora está a flor da pele: http://bit.ly/TEDnormose

No filme o Dia que a Terra parou, um alienígena vem para o nosso planeta nos alertar sobre o que o nosso comportamento está causando a nossa interdependência planetária. Parece que a ficção virou realidade! Essa civilização está numa crise existencial como nunca teve.

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Primeiro de Junho

Carta para minha Neta

Oi pequena, você nasceu no primeiro dia do mês do meio ambiente. Que bom presságio! Claro que seu avô aqui torceu para ter sido no dia 5, mas com tanta coisa para ser e fazer nesse mundo… melhor mesmo chegar antes!

Quando te vi pela primeira vez tive a sensação de que você também me viu. Senti o peso do legado e do futuro por vir. Senti o frescor da tarde e das folhas no chão de outono. Apesar da máscara, seu avô estava sorrindo de amor.

Deixa-me te contar um pouco sobre esse mundo que você acabou de chegar e dos caminhos que seu caminhar pode encontrar. Se por um lado está tudo diferente do que estava quando você aportou a nave mãe, por outro estamos adentrando uma civilização novinha em folha.

Para começar os jovens estão a frente desse movimento, o problema é que a maioria tem menos de 18 anos. Daqui há dez anos terão consolidado uma maneira completamente diferente de ver as relações humanas da maneira que ainda vemos hoje. Você só terá 10 anos, mas estará vendo o mundo com esse novo olhar, com essa nova percepção… isso será o marco fundamental de uma nova sociedade voltada para ampliação da consciência e restauração ecológica. Não haverá economia sem ecologia, educação sem aprendizagem, religião sem espiritualidade, política sem cidadania e nem medicina sem saúde.

Oi pequena, esse livro que estou escrevendo é para você e sua geração. Não para vocês lerem, mas para aqueles que estão abrindo os caminhos nessa crise civilizatória e deixarão um cenário possível de ser e fazer. Aqui falo desse novo caminho que renascerá das cinzas e de alguns aspectos que nos levaram até aqui.

De qualquer maneira estarei ao seu lado aprendendo e apreendendo sobre o futuro no presente dessa nova percepção e presença.

P.S. A carta de primeiro de junho teria sido sobre os exemplos das loucuras que é acreditar em números, mídia e um dos lados. Seria perfeito para ilustrar o que escrevo sobre o acreditar no inacreditável, da irresponsabilidade das mídias e da miopia da polarização. Além disso falaria do vídeo da reunião dos ministros com o presidente e do início dos movimentos mais próximos aos de junho de 2013… só que virtual. Estamos juntos!

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amor-ordem-progresso

e… onde estamos?

O primeiro Golpe Militar foi em Novembro de 1889 e levamos 5 anos para eleger o primeiro presidente da República. Em 64 a ideia também era essa, devolver a presidência em 66, porém… sempre tem um porém, levamos 25 anos (do Golpe) para eleger nosso presidente. A eleição ocorreu 6 dias após a queda do muro de Berlim. O vencedor foi o Collor… lembrando que em 85 foi eleito indiretamente o Tancredo Neves… porém, pois é porém… quem assumiu foi o Sarney. Vale também lembrar que em 1993 fizemos um plebiscito para definir se queríamos o regime Republicano ou Monarquista, regido por um sistema presidencialista ou parlamentarista. Foi somente em 1994 (30 anos depois) que o Brasil, na minha visão, começou a trilhar um novo rumo. “Porém”… os últimos anos foram muito tristes em relação as nossas riquezas. O meio ambiente foi agredido de uma maneira que entrará para a história como um dos piores momentos desse século. Quem está acompanhando de verdade o andamento das mudanças climáticas sabe do que estou falando. A questão da corrupção nunca esteve tão escancarada e sem qualquer pudor. A política está completamente desacreditada… o Rei está nú! O turismo poderia ser uma ótima fonte de recursos, mas nossos números são ridículos. Na educação estamos em 88º lugar no mundo.

O que podemos esperar para as eleições daqui a 6 meses? Um milagre? Já imaginou se o Fernando Henrique e a Marina Silva saíssem como candidatos à presidência. Sim teríamos uma esperança de um Brasil melhor! O que fazer em relação à Copa do Mundo? Deixar o coração livre e torcer para que o nosso verde-amarelo vença? Ou respirar fundo e agir de forma cívica para que o pão e circo não encubram os atuais mandos e desmandos? Como ficou a manifestação de junho de 2013? Ainda tem alguma brasa ardendo?

Hoje 1 de abril de 2014 estamos tirando dos baús os acontecimentos que ocorreram há 50 anos atrás e até hoje vivemos suas consequências. O primeiro período de 64 até o AI5 que em 68 instaurou a fase mais negra da nossa história e depois de 78 onde se iniciou um retorno lento à democracia. O que é Democracia? Quem realmente sabe o que é isso? Li um artigo interessante, apesar de tendencioso, na The Economist que tem como título: “O que deu errado com a Democracia?” http://econ.st/Oc1HZ9. Nos faz pensar, assim como varias leituras que estão pipocando nas livrarias. Acabo de ler o “Minha Vida de Terrorista” do Carlos Knapp que nos convida a uma viagem pelos 10 anos (69/79) em que se viu na clandestinidade do Regime Militar. Muito bom! São tantas histórias, tantos lados da história… Como será contada a história que estamos vivendo agora, daqui a 50 anos?

Alan Dubner

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Publicado na revista Canal RH em 28/08/2012

Depois da Rio+20 ficou mais do que claro que a Nova Economia é quem vai definir os rumos do mercado daqui para frente. As empresas estão numa corrida para se ajustar a essa nova realidade. Muitas já começaram há alguns anos, outras nasceram assim, mas a grande maioria está começando agora. Do outro lado muitas empresas já estão morrendo por não conseguirem se adaptar a essa nova realidade. O que o RH tem a ver com isso? TUDO! Absolutamente tudo! A mudança não é da organização para as pessoas, como foi até o século 20 e sim das pessoas para a organização. Isso significa que os recursos humanos de uma organização precisam ser “empoderados”, habilitados, capacitados e principalmente humanizados.

Antigamente, a área de Recursos Humanos cuidava de Seleção, Treinamento, e Desenvolvimento. Na Nova Economia isso não faz mais sentido, falamos hoje de Colaboração, Capacitação e Transformação. As organizações que ainda funcionam no velho sistema procuram fazer uma triagem (seleção) daqueles que mais se encaixam na cultura organizacional para depois adestrá-los (treinamento) à função e procuram potencializar (desenvolvimento) seu rendimento para gerar melhores resultados. Desde Adam Smith esse modelo era vencedor e fazia a empresa se destacar no mercado. O Mercado e os Negócios mudaram e estão mudando cada vez rápido para um modelo de gestão baseado no Pensamento Sistêmico.

Essa filosofia não é nova (Peter Senge, Humberto Maturana, Chris Argyris, Francisco Varela, Antonio Carlos Valença e muitos outros) e a grande maioria dos CEOs está bem familiarizada com suas metodologias. A Colaboração substituindo a competição dentro e fora da empresa em busca de um ótimo Relacionamento (Collaborative Business), as práticas ligadas à Capacitação onde a empresa vive diariamente, a Aprendizagem (Learning Organizations) e a Transformação onde as pessoas são incentivadas a buscar seu Sonho (Bliss). Claro que tudo isso está baseado na Sustentabilidade. Ou seja, tudo que acontece no ambiente de negócios estará, invariavelmente, interligado ao tripé da Sustentabilidade (People/Planet/Profit).

Se isso tudo é verdade, então porque existem muitas pessoas falando e agindo exatamente ao contrário? Respondo dizendo que em primeiro lugar posso estar completamente equivocado e tendo uma visão romântica de tudo isso… mas não sou o único :-). Os dias que passei na Rio+20, e as semanas seguintes, me mostraram evidências gigantescas de que a Nova Economia veio para ficar e que muitos formatos de negócios estão com os dias contados.

O que acredito que esteja acontecendo é a famosa ilusão ou miopia do Gorila Invisível (The Invisible Gorilla). Vocês se lembram daquele filminho de 30 segundos que há mais de dez anos vem sendo exibido em tudo que é palestra e workshop de RH? Nele, seis estudantes divididos em dois grupos fazem passes com uma bola de basquete. Esse estudo de percepção realizado em 1999 pelos maravilhosos professores da Harvard, Daniel Simons e Christopher Chabris, deixa claro como a nossa mente pode nos deixar cegos para um fato tão óbvio. A minha primeira experiência ao ver o vídeo foi tão inacreditável quanto da maioria das pessoas para as quais mostrei. São dois grupos, um vestindo camisas brancas e outro pretas, com três estudantes cada. Cada grupo tem uma bola de basquete onde batem no chão e passam para um membro do mesmo grupo. Eles ficam correndo de forma circular num pequeno espaço.

Você recebe a mensagem para contar quantos passes o time de camisa branca vai fazer. Começa o vídeo e você atentamente conta os passes. Quando termina a cena aparece a pergunta: Quantos passes você contou? E dá a resposta certa. Logo em seguida, a pergunta é: Você viu o Gorila? O susto que levei com essa pergunta e o susto maior ainda, ao ver o enorme Gorila quando novamente revi a cena no vídeo foi realmente incrível. Como foi possível não ter visto aquele Gorila enorme passando tranquilamente pela cena? Para quem quiser ver os vídeos, ler o livro ou os desdobramentos do estudo: theinvisiblegorilla.com

Será que não tem algum Gorila Invisível passando do seu lado? Do meu tem! 🙂

Pense muito em ver e rever os seus conceitos e preconceitos em relação à Nova Economia, Sustentabilidade e Evolução da Consciência. Estão totalmente interligados aos Recursos Humanos de hoje.

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