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Posts Tagged ‘Alan Dubner’

Esse texto faz parte do livro que estou escrevendo. Em cada primeiro dia do mês escrevo uma carta, no próprio dia, que será publicada no capítulo de uma retrospectiva de 2020. Segue a carta relativa ao último mês de 2020:

Hoje, primeiro dia da terceira década do século XXI, me sinto como se o ano de 2020 tivesse durado uma década. O que foi esse ano? O que foi para você esse ano?

Será que alguém conseguiu entender o que realmente aconteceu? Como aconteceu? Como será que olharemos o ano de 2020 em primeiro de janeiro de 2031?

Vou ter que falar dos aprendizados com a própria pandemia. Não poderia ser diferente.

Algumas coisas “saltam aos olhos”. Em primeiro lugar quero enfatizar a nossa necessidade de acreditar em números, mesmo que saibamos que eles não sejam reais. A mídia passou a pandemia toda promovendo, diariamente, números que são sabidamente equivocados. Para que os números de casos, internações e mortes causados pelo Sars-CoV-2 fossem próximos do real, teríamos que ter uma combinação de fatores mensuráveis quase impossíveis hoje. Por exemplo teríamos que ter muito (mas muito mesmo) mais testes realizados; os testes teriam que ser confiáveis; as subnotificações precisariam ser contabilizadas; o viés econômico da saúde e da política precisariam ser contados ou descontados. O mais grave não é a geração e divulgação dos números e sim acreditarmos neles! Com isso, no mundo, estamos em segundo lugar em quantidade de mortes e em terceiro em números de casos. O que isso quer dizer? Nada! Simplesmente nada! A forma de contabilizar de cada país é diferente e só por isso não teria razão de ser em compará-los. Vamos fingir que os números estão corretos e são comparáveis só para pensarmos um pouco por outro ângulo do habitualmente divulgado pelas mídias. Se olharmos os números de mortes pela proporção de habitantes (o que deveria ser o mais justo), o Brasil iria para a 23ª posição, os EUA para a 14ª e a Índia para a 98ª. Em termos de testes realizados relativos à população, o Brasil está em 100º lugar. Vivemos momentos surreais com os números. No primeiro semestre ficamos apavorados com o crescimento vertiginoso das mortes que chegavam a mais de 100 por dia. No segundo semestre chegamos a nos acalmar com a estabilização de 1.000 mortes por dia… já podíamos respirar! Durante a eleição o vírus deu uma trégua… como assim? Agora em dezembro os números voltaram a subir, mas se não temos como compará-los com os meses anteriores…  Quanto mais nos aprofundamos nas métricas, mais percebemos que elas não significam o que acreditamos. Fica a pergunta: por que precisamos acreditar em números? O livro navega pelas diversas possíveis respostas. Os números devem variar a cada dia, usei um dos indicadores: o “Worldmeters” no dia 1 de janeiro de 2021. https://www.worldometers.info/coronavirus

A segunda coisa a “saltar os olhos” é quanto as recomendações sanitárias. Para alguns era apenas uma gripezinha, para outros o fim do mundo. Para alguns o uso de máscara era recomendado, para outros só os doentes. Para alguns o vírus era perigoso nas lojas, para outros nos parques. Para alguns as escolas deveriam fechar, para outros abrir. Vivemos em 2020 a maior confusão por parte do que fazer, como, quando e onde. O que ficou claro é que nada estava claro! As recomendações eram tão antagônicas que dificilmente mereciam ser levadas a sério. Mas o pior de tudo isso foi (e ainda é) a repugnante condição humana de aproveitar uma tragédia dessas para praticar ações criminosas em benefício próprio lesando a humanidade e o seu entorno. Desde “passar a boiada” até artimanhas de alguns laboratórios. Estamos num momento tão atípico que o conceito de “banalidade do mal” de Hannah Arendt fica evidente diante do medo e das incertezas de futuro. As pessoas se dissociam do seu papel de responsáveis pelas ações que cometem, sentem que não são cumplices do mal que suas ações contribuem. Alguém que trabalha numa indústria que produz agrotóxicos que vai contaminar consumidores, agricultores, o solo e as águas, não se sente responsável pelas consequências que suas ações, por menor que sejam, causaram. No geral, alguém trabalhando numa mineradora não sente responsabilidade quando um crime arrasa uma região do tamanho de Portugal ou mata centenas de pessoas. O mesmo ocorre com uma pessoa que apoia um candidato, ela não se sente responsável por ter colaborado, seja mais intensamente ou apenas com o voto. Impressionante como alguns até se opõe fortemente, com seus eleitos, como se não tivessem nada a ver com aquele resultado. Essa é a banalidade do mal que faz com milhões de pessoas colaborem com o mal sem se sentirem responsáveis por esse mal. As palavras de Martin Luther King “Teremos que nos arrepender, nesta geração, não apenas pelas palavras e ações odiosas das pessoas más, mas pelo aterrador silêncio das pessoas boas.”, se encaixam perfeitamente no que está sendo feito aproveitando o medo gerado pela pandemia. Isso está ocorrendo no mundo! O Brasil, lamentavelmente, se destaca nessa área.

A terceira e talvez a mais importante constatação é a da ditadura da polaridade. Ela existe há muitos anos e nos últimos seis vem crescendo exponencialmente através das manipulações da mídia, principalmente das mídias sociais. O início dessa modalidade de manipulação começou em 2014 nas eleições brasileiras, depois foram profissionalizadas em 2016 no referendum do Brexit (que aliás começa hoje), na eleição americana de 2016 e foi crescendo extraordinariamente a ponto de ser muito difícil separar o joio do trigo. A pandemia fez emergir a parte mais obscura desse fenômeno que é a imbecilidade de rebanho. Trata-se de uma simplificação do pensamento e a erradicação do diálogo. Nada de pensamento sistêmico ou de frescura com filosofia. É nós ou eles! Simples assim! Você é a favor ou contra! Comportado ou rebelde! Certo ou errado! Normal ou anormal! Sadio ou doente! Esse modelo mental é tão absurdo, apesar de ser violentamente defendido, que me faz pensar o que seria dos computadores se essa prática binária fosse aplicada a eles. Um computador só entende ligado ou desligado (zero 0 e um 1). Passa energia ou não passa energia. No entanto a combinação de possibilidades de 0 e 1 é gigantesca permitindo existir tudo que temos até hoje com apenas diálogos entre ligado e desligado. Essa redução da complexidade humana nos faz perder a possibilidade de fazer as combinações imaginativas que tanto necessitamos para sobreviver a essa crise civilizatória. Ficamos reduzidos a ter que dizer se somos contra ou a favor da vacina contra o novo coronavírus. Como se fosse possível responder essa pergunta sem saber quais das mais de 100 vacinas estão se referindo, quais os resultados dos testes que estão sendo realizados, quais os riscos e muito mais. No entanto se você começar a fazer perguntas, você é considerado ser contra vacinas e provavelmente vacinas em geral. Isso está valendo e cada vez pior para tudo.

Acredito que o ano de 2020 foi um marco civilizatório. Vamos percebê-lo degustando, aos poucos, seu legado.

Seremos culturalmente mais colaborativos em cores, gênero, número e grau!

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Esse texto faz parte do livro que estou escrevendo. Em cada primeiro dia do mês escrevo uma carta que estará publicada no capítulo de uma retrospectiva de 2020. Segue a carta:

2020… o ano em que a Terra parou!

Onde estamos? Num novo normal? Havia algum normal? Estamos então num novo anormal? Estamos indo para um novo anormal normal?

Se a essa altura do campeonato tiver alguém ainda achando que é uma crise passageira e que as coisas voltarão a ser como eram… talvez estejamos todos sofrendo de “Normose”.

Se você não está familiarizado com o termo Normose, sugiro que pare tudo que está fazendo e mergulhe por um instante num conceito maravilhoso para esse nosso tempo de pandemia.

Jean-Yves Leloup, Pierre Weil e Roberto Crema Normose definiram que normose é “um conjunto de hábitos considerados normais pelo consenso social que, na realidade, são patogênicos e nos levam à infelicidade, à doença e à perda de sentido na vida”. Escreveram em 2003 o livro “Normose: A patologia da normalidade”, a sensação de normose ocorre quando o contexto social que nos envolve se caracteriza por um desequilíbrio crônico e predominante. Parece familiar?

Assista, assim que puder, o TED com o Roberto Crema nos iluminando com essa patologia que sempre nos afligiu, mas que agora está a flor da pele: http://bit.ly/TEDnormose

No filme o Dia que a Terra parou, um alienígena vem para o nosso planeta nos alertar sobre o que o nosso comportamento está causando a nossa interdependência planetária. Parece que a ficção virou realidade! Essa civilização está numa crise existencial como nunca teve.

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Primeiro de Junho

Carta para minha Neta

Oi pequena, você nasceu no primeiro dia do mês do meio ambiente. Que bom presságio! Claro que seu avô aqui torceu para ter sido no dia 5, mas com tanta coisa para ser e fazer nesse mundo… melhor mesmo chegar antes!

Quando te vi pela primeira vez tive a sensação de que você também me viu. Senti o peso do legado e do futuro por vir. Senti o frescor da tarde e das folhas no chão de outono. Apesar da máscara, seu avô estava sorrindo de amor.

Deixa-me te contar um pouco sobre esse mundo que você acabou de chegar e dos caminhos que seu caminhar pode encontrar. Se por um lado está tudo diferente do que estava quando você aportou a nave mãe, por outro estamos adentrando uma civilização novinha em folha.

Para começar os jovens estão a frente desse movimento, o problema é que a maioria tem menos de 18 anos. Daqui há dez anos terão consolidado uma maneira completamente diferente de ver as relações humanas da maneira que ainda vemos hoje. Você só terá 10 anos, mas estará vendo o mundo com esse novo olhar, com essa nova percepção… isso será o marco fundamental de uma nova sociedade voltada para ampliação da consciência e restauração ecológica. Não haverá economia sem ecologia, educação sem aprendizagem, religião sem espiritualidade, política sem cidadania e nem medicina sem saúde.

Oi pequena, esse livro que estou escrevendo é para você e sua geração. Não para vocês lerem, mas para aqueles que estão abrindo os caminhos nessa crise civilizatória e deixarão um cenário possível de ser e fazer. Aqui falo desse novo caminho que renascerá das cinzas e de alguns aspectos que nos levaram até aqui.

De qualquer maneira estarei ao seu lado aprendendo e apreendendo sobre o futuro no presente dessa nova percepção e presença.

P.S. A carta de primeiro de junho teria sido sobre os exemplos das loucuras que é acreditar em números, mídia e um dos lados. Seria perfeito para ilustrar o que escrevo sobre o acreditar no inacreditável, da irresponsabilidade das mídias e da miopia da polarização. Além disso falaria do vídeo da reunião dos ministros com o presidente e do início dos movimentos mais próximos aos de junho de 2013… só que virtual. Estamos juntos!

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amor-ordem-progresso

e… onde estamos?

O primeiro Golpe Militar foi em Novembro de 1889 e levamos 5 anos para eleger o primeiro presidente da República. Em 64 a ideia também era essa, devolver a presidência em 66, porém… sempre tem um porém, levamos 25 anos (do Golpe) para eleger nosso presidente. A eleição ocorreu 6 dias após a queda do muro de Berlim. O vencedor foi o Collor… lembrando que em 85 foi eleito indiretamente o Tancredo Neves… porém, pois é porém… quem assumiu foi o Sarney. Vale também lembrar que em 1993 fizemos um plebiscito para definir se queríamos o regime Republicano ou Monarquista, regido por um sistema presidencialista ou parlamentarista. Foi somente em 1994 (30 anos depois) que o Brasil, na minha visão, começou a trilhar um novo rumo. “Porém”… os últimos anos foram muito tristes em relação as nossas riquezas. O meio ambiente foi agredido de uma maneira que entrará para a história como um dos piores momentos desse século. Quem está acompanhando de verdade o andamento das mudanças climáticas sabe do que estou falando. A questão da corrupção nunca esteve tão escancarada e sem qualquer pudor. A política está completamente desacreditada… o Rei está nú! O turismo poderia ser uma ótima fonte de recursos, mas nossos números são ridículos. Na educação estamos em 88º lugar no mundo.

O que podemos esperar para as eleições daqui a 6 meses? Um milagre? Já imaginou se o Fernando Henrique e a Marina Silva saíssem como candidatos à presidência. Sim teríamos uma esperança de um Brasil melhor! O que fazer em relação à Copa do Mundo? Deixar o coração livre e torcer para que o nosso verde-amarelo vença? Ou respirar fundo e agir de forma cívica para que o pão e circo não encubram os atuais mandos e desmandos? Como ficou a manifestação de junho de 2013? Ainda tem alguma brasa ardendo?

Hoje 1 de abril de 2014 estamos tirando dos baús os acontecimentos que ocorreram há 50 anos atrás e até hoje vivemos suas consequências. O primeiro período de 64 até o AI5 que em 68 instaurou a fase mais negra da nossa história e depois de 78 onde se iniciou um retorno lento à democracia. O que é Democracia? Quem realmente sabe o que é isso? Li um artigo interessante, apesar de tendencioso, na The Economist que tem como título: “O que deu errado com a Democracia?” http://econ.st/Oc1HZ9. Nos faz pensar, assim como varias leituras que estão pipocando nas livrarias. Acabo de ler o “Minha Vida de Terrorista” do Carlos Knapp que nos convida a uma viagem pelos 10 anos (69/79) em que se viu na clandestinidade do Regime Militar. Muito bom! São tantas histórias, tantos lados da história… Como será contada a história que estamos vivendo agora, daqui a 50 anos?

Alan Dubner

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Publicado na revista Canal RH em 28/08/2012

Depois da Rio+20 ficou mais do que claro que a Nova Economia é quem vai definir os rumos do mercado daqui para frente. As empresas estão numa corrida para se ajustar a essa nova realidade. Muitas já começaram há alguns anos, outras nasceram assim, mas a grande maioria está começando agora. Do outro lado muitas empresas já estão morrendo por não conseguirem se adaptar a essa nova realidade. O que o RH tem a ver com isso? TUDO! Absolutamente tudo! A mudança não é da organização para as pessoas, como foi até o século 20 e sim das pessoas para a organização. Isso significa que os recursos humanos de uma organização precisam ser “empoderados”, habilitados, capacitados e principalmente humanizados.

Antigamente, a área de Recursos Humanos cuidava de Seleção, Treinamento, e Desenvolvimento. Na Nova Economia isso não faz mais sentido, falamos hoje de Colaboração, Capacitação e Transformação. As organizações que ainda funcionam no velho sistema procuram fazer uma triagem (seleção) daqueles que mais se encaixam na cultura organizacional para depois adestrá-los (treinamento) à função e procuram potencializar (desenvolvimento) seu rendimento para gerar melhores resultados. Desde Adam Smith esse modelo era vencedor e fazia a empresa se destacar no mercado. O Mercado e os Negócios mudaram e estão mudando cada vez rápido para um modelo de gestão baseado no Pensamento Sistêmico.

Essa filosofia não é nova (Peter Senge, Humberto Maturana, Chris Argyris, Francisco Varela, Antonio Carlos Valença e muitos outros) e a grande maioria dos CEOs está bem familiarizada com suas metodologias. A Colaboração substituindo a competição dentro e fora da empresa em busca de um ótimo Relacionamento (Collaborative Business), as práticas ligadas à Capacitação onde a empresa vive diariamente, a Aprendizagem (Learning Organizations) e a Transformação onde as pessoas são incentivadas a buscar seu Sonho (Bliss). Claro que tudo isso está baseado na Sustentabilidade. Ou seja, tudo que acontece no ambiente de negócios estará, invariavelmente, interligado ao tripé da Sustentabilidade (People/Planet/Profit).

Se isso tudo é verdade, então porque existem muitas pessoas falando e agindo exatamente ao contrário? Respondo dizendo que em primeiro lugar posso estar completamente equivocado e tendo uma visão romântica de tudo isso… mas não sou o único :-). Os dias que passei na Rio+20, e as semanas seguintes, me mostraram evidências gigantescas de que a Nova Economia veio para ficar e que muitos formatos de negócios estão com os dias contados.

O que acredito que esteja acontecendo é a famosa ilusão ou miopia do Gorila Invisível (The Invisible Gorilla). Vocês se lembram daquele filminho de 30 segundos que há mais de dez anos vem sendo exibido em tudo que é palestra e workshop de RH? Nele, seis estudantes divididos em dois grupos fazem passes com uma bola de basquete. Esse estudo de percepção realizado em 1999 pelos maravilhosos professores da Harvard, Daniel Simons e Christopher Chabris, deixa claro como a nossa mente pode nos deixar cegos para um fato tão óbvio. A minha primeira experiência ao ver o vídeo foi tão inacreditável quanto da maioria das pessoas para as quais mostrei. São dois grupos, um vestindo camisas brancas e outro pretas, com três estudantes cada. Cada grupo tem uma bola de basquete onde batem no chão e passam para um membro do mesmo grupo. Eles ficam correndo de forma circular num pequeno espaço.

Você recebe a mensagem para contar quantos passes o time de camisa branca vai fazer. Começa o vídeo e você atentamente conta os passes. Quando termina a cena aparece a pergunta: Quantos passes você contou? E dá a resposta certa. Logo em seguida, a pergunta é: Você viu o Gorila? O susto que levei com essa pergunta e o susto maior ainda, ao ver o enorme Gorila quando novamente revi a cena no vídeo foi realmente incrível. Como foi possível não ter visto aquele Gorila enorme passando tranquilamente pela cena? Para quem quiser ver os vídeos, ler o livro ou os desdobramentos do estudo: theinvisiblegorilla.com

Será que não tem algum Gorila Invisível passando do seu lado? Do meu tem! 🙂

Pense muito em ver e rever os seus conceitos e preconceitos em relação à Nova Economia, Sustentabilidade e Evolução da Consciência. Estão totalmente interligados aos Recursos Humanos de hoje.

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