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Posts Tagged ‘Alan Dubner’

Bom dia 2022!

Como você será? Será mais generoso do que o ano anterior? Será que ainda dá tempo de fazer alguns pedidos?

Por favor não nos deixe voltar ao anormal e nem a um novo anormal. Não nos deixe repetir as obscenidades e atrocidades das eleições de 2018, para que as pessoas possam votar a favor de seus melhores e não contra os seus piores. Não permita que as florestas, as águas, a terra e a atmosfera sejam aniquiladas como vem sendo nos últimos dez anos, principalmente nos últimos três. Proteja os povos indígenas com suas mais de 300 etnias em que suas sabedorias planetárias estão se fazendo tão necessárias. Cuide muito bem dos artistas e de suas manifestações. Que a cultura seja percebida como gênero de primeira necessidade. Que a educação aproveite o tsunami da pandemia e migre do século 19 para o 21. Chega de fingir que se ensina e que se aprende. Que não se use em vão o nome da ciência para justificar qualquer argumento. Que a medicina possa cuidar mais da saúde do que da doença. Que a fé venha pela espiritualidade. Que a religião perceba que somos todos um. Que o COVID e suas variantes sejam mais gentis e nos una ao invés de nos dividir. Que a diversidade seja vista e reconhecida como uma grande vantagem sociocultural. Que a economia e os economistas percebam, finalmente, que são gestores da ecologia. Que uma governança eticamente responsável prevaleça. Que a Estocolmo+50 tenha resultados significativos!

Será que é pedir muito? Se for, sei que não estou sozinho!

Estamos na era das incertezas… isso é certeza! Edgar Morin que o diga!

O que aconteceu em dezembro de 2021?

CUIDADO: Não olhe para cima!

No dia 24 de dezembro o Netflix lançou o filme “Don’t Look Up” (Não olhe para cima). Procurei desligar todos os meus preconceitos que me fariam não ver o filme. Preciso confessar que gostei do resultado. É uma caricatura com todo tipo de humor, vai do pastelão ao escrachado, do politicamente muito incorreto ao sutilmente ácido. É uma sátira do que está acontecendo hoje em relação a emergência climática. Ele conversa e se relaciona com o público em geral que não tem muita noção do que está acontecendo ao seu redor com relação ao governo, as mídias, as empresas e provavelmente não imagina que os caricaturados são o próprio público que está vendo o filme. O fato do roteiro ter sido escrito antes da pandemia dá um tom quase profético à cadeia de eventos que relacionam a insignificância dos chefes de estado em relação a um problema de grande magnitude civilizatória e sua subserviência ao capital privado.

A ideia é simples, um cometa está vindo em direção ao nosso planeta e, em pouco tempo, vai se chocar causando nossa extinção. Genial! Até hoje, as evidências de que estamos rumando à extinção não deram certo porque preferimos acreditar no inacreditável. Acreditamos coletivamente em coisas que não existem e somos chamados a colaborar com essa ficção. Estamos tão envolvidos nela que a chamamos de realidade. No entanto, vira e mexe, aparecem verdades inconvenientes que nos levam a preferir aceitar mentiras convenientes para continuarmos no jogo. Quando Al Gore, lançou o documentário “Uma Verdade Inconveniente” em 2006 acreditei que agora o mundo não refutaria as evidências tão claras das mudanças climáticas e de que seria impossível ignorá-las. Mesmo com todas as tentativas de desbancá-lo, quando ganhou o Prêmio Nobel da Paz, em 2007, junto com o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) fiquei aliviado de que agora o mundo todo se conscientizaria e começaria a agir nessa direção. Lembrando que esse conhecimento não era novo, vinha desde 1972 (Estocolmo) e fortemente confirmado em na Rio 92. Me senti como o personagem do Leonardo DiCaprio, sem ser um cientista, chocado que o mundo escolhia não ver! Completamente abismado com tudo em volta que mantinha a farsa. Essa sensação continuou a me ocorrer muitas vezes depois disso. Em 2010 no primeiro Fórum Mundial de Sustentabilidade em Manaus, em 2012 na Rio+20, em 2015 na COP21 em Paris, em 2018 no Fórum Mundial da Água em Brasília, em 2019 na Cúpula do Clima da ONU em Nova York e virtualmente na COP26 em Glascow.    

Quais são as verdades inconvenientes que não podem aparecer?   

Fiz uma lista rápida de algumas que me ocorreram. Claro que tem as mais óbvias que são criadas, quase que diariamente, pelo atual governo federal. Mas vamos a minha listinha: origens da soja transgênica no Brasil; liberação sistemática dos agrotóxicos; COP26 e a Ômicron pelo mundo; usina de Belo Monte; indústria da proteína animal; agricultura predatória; Código Florestal; indústria da pesca; escândalo da FIFA; escândalo da Petrobras; pedofilia na igreja e muito mais verdades inconvenientes que precisam de lastro nas mentiras convenientes (Fake News) para manterem a realidade da ficção.        

Nem o diretor do filme, Andy McKay, olhou para cima!

Numa conversa entre o diretor e boa parte do elenco após o lançamento do filme, Andy McKay (diretor) pergunta, no final, o que cada um faria nos últimos momentos do mundo. Assim que Leonardo DiCaprio diz que faria exatamente como está no filme, Andy diz que comeria um sanduíche gigante de carne (Philly Cheese Steake), na contramão do que o filme está procurando denunciar… ou seja ele também faz parte da indústria que se alimenta da ignorância alheia através da sua própria. Irônico, para dizer o mínimo! A indústria da proteína animal é, talvez, uma das mais sensíveis verdades inconvenientes… mesmo entre os ambientalistas.  

 Conversa (em inglês): “Don’t Look Up” Cast Breaks Down Their New Netflix Comedy | Around the Table | Entertainment Weekly

E mais de dezembro:

Gabriel Boric foi eleito presidente do Chile. Terá 36 anos quando assumir em março. O que significa isso? Possível prever alguma coisa? Torcendo para que seja uma ótima oportunidade para uma real guinada na maneira de se fazer política. O mundo está de olho nos próximos passos do Chile e torce para que os resultados sejam bons. Porém, estamos na era das incertezas!  

Uma notícia que me deixou muito triste foi o fechamento da edição do El País Brasil, do qual assinava. A qualidade jornalística e independente com a brilhante liderança da jornalista Carla Jimenez e com colunistas de muita qualidade como a Eliane Brum, vai fazer falta… muita falta!

As enchentes na Bahia foram as piores dos últimos 30 anos e 153 municípios já decretaram situação de emergência (climática?). O governo Federal parece não estar olhando para essa tragédia como deveria, além disso recusou a ajuda humanitária externa oferecida pela Argentina.

Antes de tudo isso a Agência Pública fez uma ótima reportagem mostrando os privilégios com a água do Cerrado baiano.

 A situação na Amazonia só piora, principalmente pelo desmonte dos sistemas de fiscalização e liberação explícita para o extrativismo ilegal dos recursos naturais. Uma reportagem da Hellen Guimarães para a Revista Piauí mostra os crimes em série na Amazônia.    

Apesar das promessas durante a COP26, os varejistas globais continuam comprando carne ligada ao desmatamento. Uma investigação da Repórter Brasil mostra os elos que conectam a pecuária ligada ao desmatamento na Amazônia, no Cerrado e no Pantanal com supermercados na Europa e Estados Unidos.

Alerta Ômicron – Olhem para cima! Estamos vivendo um momento surreal no Brasil. Enquanto a maioria da população brasileira acredita que o COVID está dando uma trégua por aqui e até mesmo comemorando o fim da pandemia, os números de infecções tem aumentado numa proporção nunca vista antes. Como os sistemas de informações estão completamente instáveis o principal indicador é o pessoal. Você nunca viu tantas pessoas próximas testando positivo. Além disso seria completamente sem noção acreditar que a Europa e os EUA estão tendo um aumento gigantesco de casos, nas últimas duas semanas, e que isso não vai se refletir no Brasil. Ainda não sabemos se a nova variante será uma redução dos casos graves ou se continuará a afetar mais gravemente uma percentagem ainda significativa da população. A pandemia ainda não acabou!  

É preciso olhar para cima… para baixo, para os lados, para frente e para trás

O meu livro do ano de 2021 é o “Lições de um Século de Vida” do Edgar Morin.

O filme de 2021 é o documentário “Rompendo Barreiras” com David Attenborough.

Até o mês que vem! Tenho a sensação de que será um daqueles meses que parecem um ano!

Há exatamente dois anos eu iniciava essa série de cartas escritas no primeiro dia de cada mês. A ideia é que seria um capítulo reportando o dia a dia de cada mês. O desafio que me coloquei era de começar e terminar o texto no dia 1 de cada mês, independentemente de como seria meu dia. Seriam minhas impressões expressas espontaneamente, sem qualquer elaboração prévia ou posterior. A primeira carta foi escrita no primeiro dia do último ano da segunda década do século 21 (01/01/2020) e estamos hoje no primeiro dia do segundo ano da terceira década, mergulhados de corpo, mente e alma no tema principal do livro: Percepção!

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Da COP26 à presença do Ômicron

Estamos entrando no último mês do primeiro ano da terceira década do século 21. Onde estamos? Sabemos quem somos individualmente e ou coletivamente? Temos alguma ideia de como será o caminho civilizatório da terceira década deste século? O que aprendemos em 2021? O que mudou? Quais são as verdades que adquirimos, quais foram ressignificadas e quais foram confirmadas?

Todas essas verdades são a nossa necessidade de ter explicações para tudo. Por que precisamos de explicações? Por que acreditamos nas explicações? Será que escolhemos em quais explicações acreditar ou somos levados a acreditar? Por que, geralmente, acreditamos em apenas uma das explicações?

“Toda verdade passa por três estágios.
  No primeiro, ela é ridicularizada.
  No segundo, é rejeitada com violência.
  No terceiro, é aceita como evidente por si própria”. Arthur Schopenhauer

Esse trecho todo acima foi copiado e atualizado do texto inicial de primeiro de dezembro de 2020.

Será que depois de 20 meses de pandemia continuamos a acreditar no inacreditável e nos comportar da mesma maneira? O pior que pode nos acontecer é voltarmos ao que éramos em 2019 e, no entanto, muita gente está procurando caminhar para essa direção. Voltar ao normal ou para um novo normal, não é normal… é Normose! Normose é “um conjunto de hábitos considerados normais pelo consenso social que, na realidade, são patogênicos e nos levam à infelicidade, à doença e à perda de sentido na vida”, essa patologia é definida por Roberto Crema, Jean-Yves Leloup e Pierre Weil em seu livro – Normose: A patologia da normalidade – veja o TED do Roberto Crema que recomendei em outubro do ano passado: http://bit.ly/TEDnormose

Esse mês de novembro aconteceu o que deveria ter sido um momento decisivo (turning point) nas questões climáticas, a COP26. Na verdade o que aconteceu, na parte oficial, foram os negócios como de costume (business as usual) e qualquer possibilidade de se firmar algo mais concreto foi deixado para o ano que vem no Egito.     

O que ficou evidenciado nessa COP26 foi a procrastinação dos líderes mundiais. Evidenciou que ninguém realmente se importa em prometer o que não tem intenção de cumprir. Algo raro na política? Ficou claro também que não há razão de se fazer as próximas COPs com os líderes dos países, sejam presidentes, ministros ou outras pessoas das imensas e inúteis delegações que viajam uma vez por ano… para nada! O Brasil tinha a maior delegação do mundo, até mais do que o Reino Unido. Foram 479 membros inscritos, pelo Brasil, oficialmente na ONU. Desses, pelo menos 57 não pertencem a nenhum governo federal, estadual ou municipal, são empresários e representantes de associações corporativas, ligados à indústria e ao agronegócio. Entre todos esses inscritos na comitiva brasileira não há ONGs, ambientalistas, cientistas, pesquisadores, movimentos sociais ou organizações indígenas. O embaixador Paulino Franco, disse à Folha quando questionado sobre a recusa no credenciamento de ONGs que “A delegação oficial não pode incluir representantes que não são do governo.” Era melhor ter ficado quieto!

Quem se deu bem foi a indústria dos combustíveis fósseis que enviaram mais de 500 delegados (quando li isso achei que era fake news) para fazer lobby em todas as salas de negociação. Se isso é permitido numa COP… para que servem as COPs? – aliás minha grande pergunta. A grande diferença dessa COP para as anteriores é que por ter sido durante essa pandemia ficou claro que dá sim para “alterar o mundo todo”. A grande questão que se dizia nas COPs anteriores era de que não dava para “parar” o mundo. Dá sim!! O draft do texto final já era um conto da Carochinha… eles tiveram ainda que “suavizar” para o texto final. Como assim???? Mudanças como “eliminação gradual” para “redução gradual”.

Como sempre tivemos duas COP26. A primeira da ZONA Azul (Blue Zone) que foi o fiasco de sempre regado a algumas poucas intervenções maravilhosas como a da nossa indígena Txai Suruí (publiquei o discurso dela no texto do mês passado) que fez parte da abertura no dia 1 de novembro. Veja aqui a entrevista no Roda Viva dessa última segunda com ela e seu pai Almir Suruí.

A sociedade civil por outro lado se posicionou maravilhosamente bem todos os dias. Principalmente os jovens e as comunidades indígenas. São heróis que conseguiram a duras penas viajar até lá, encontrar onde ficar, arcar com os altos custos da estadia e enfrentar a superlotação de espaços oficiais que não comportavam o grande número de participantes. Foram eles que tomaram as ruas e os espaços alternativos para finalmente tornar Glascow uma razão de ser.

 O resultado final precisaria entrar item por item (Mitigação, Adaptação, Finanças, Perdas e Danos e alguns outros como o artigo 6 do Acordo de Paris), o que já foi muito bem feito pela mídia especializada desde o início da COP26.  Teve alguns poucos avanços que precisamos celebrar e muitos retrocessos que dessa vez ficaram evidentes. A COP21 de Paris foi camuflada fingindo ter sido um sucesso quando na verdade foi um fracasso retumbante para o meio ambiente. O sucesso de Paris foi diplomático e novamente pergunto “para que servem as COPs?”

E o Brasil com seu imenso stand para ironicamente mostrar um “Brasil real”. Ninguém caiu nessa e os verdadeiros protagonistas desse Brasil real foram os cientistas, ativistas, pesquisadores, jornalistas ambientais e institutos com grande credibilidade. Um ponto bem positivo para o Observatório do Clima que mobilizou mais de 200 entidades idôneas do Brasil e foi um farol da atuação brasileira em Glascow. Na sexta que deveria ser o encerramento, cada país falou do seu posicionamento em relação ao rascunho do texto (Brasil focou no artigo sexto do acordo de Paris). Logo após a fala dos representantes dos países havia uma calorosa salva de palmas. Venezuela não foi aplaudida e ficou um silêncio constrangedor. Depois que o Brasil falou também não teve aplauso… senti muita vergonha! Para não dizer que não falei das flores, o Brasil teve alguns momentos bons (acredito que foi fruto de um Itamaraty mais autônomo) como a assinatura de redução das emissões de metano em 30% até 2030. Isso vai afetar significativamente a indústria da proteína no Brasil. Ainda não sei como conseguiram que assinássemos isso. Num primeiro momento me surpreendeu positivamente e depois quando ficou claro que o governo escondeu os números da taxa do desmatamento do INPE que saiu apenas em 18 de novembro quando já estavam prontos em 27 de outubro… pareceu mais uma manobra para (literalmente) inglês ver.

A Relação direta entre as causas do COVID e as Emergências Climáticas na COP26 ficou bem definida em vários grupos de trabalho, a meu ver, não deixando mais dúvidas sobre a relação direta entre eles e numa visão de futuro das pandemias.

E o COVID na COP26? Esse é um assunto mantido a sete chaves pelo governo do Reino Unido e pela maioria dos países e até mesmo por entidades participantes. Não é um assunto que queremos incluir na pauta de uma agenda. E quanto a variante Ômicron? Teria o evento em Glascow ajudado a espalhar? A primeira-ministra da Escócia, Nicola Sturgeon, acredita que não, mas diz que não ser impossível devido as datas. Acredito que há poucas chances de a COP26 não ter sido um fator de espalhar a variante Ômicron entre os países. Primeiro porque quem estava lá percebeu as falhas nas medidas de segurança para contenção do coronavírus. Entre elas os testes rápidos (lateral flow test) que muitos testaram negativo e quando testaram para embarcar estavam positivos. Além disso os testes não providenciam o sequenciamento genômico para saber de que vírus se trata. Somente exames posteriores é possível verificar isso. Os números oficiais de infectados são apenas 291. Isso é tão longe da verdade que espero que o governo Escocês libere os números reais num relatório que prometeram entregar em dezembro. Eles têm o número real. Novamente, entre as consequências negativas do encontro de Glascow estão a possibilidade de disseminação da COVID entre os países participantes. É uma questão sistêmica que não pode ser vista apenas localmente e as autoridades do Reino Unido querem nos convencer apenas com as medidas locais do evento. Um exemplo da falta de um olhar sistêmico para a segurança sanitária em Glascow foi a situação escandalosa de Gleneagles, um hotel de luxo que recebeu mais de 30 delegações internacionais para a COP26, entre elas Suíça, Espanha, Noruega e Korea do Sul. A empresa responsável contratada pela segurança alojou o pessoal da segurança em quartos com 40 pessoas dormindo e comendo lado a lado numa cama de camping com nenhum cuidado (e parece que nem foram testados).

Ontem o Reino Unido confirmou 22 contaminados com a Variante Ômicron, Botswana 19, Holanda 14, Portugal 13, Dinamarca 5, Alemanha 4, Brasil 3, Noruega 2 e Estados Unidos 1. Na África do sul há mais de 100 casos verificados. Fica claro que há muito mais que não foram relatados ainda simplesmente porque o sequenciamento genômico não consegue ainda detectar. Claro que ainda, também, não conseguem saber qual o real perigo que essa nova variante está trazendo.  

Se as realizações em Glascow forem medidas por declarações de que onde há floresta há pobreza, ou que a redução do gás metano será através de reduzir a vida do boi em um ano… será difícil caminharmos numa direção onde a humanidade seja contemplada.

Para finalizar gostaria de repetir que a COP26 evidenciou é o total despreparo e desinteresse dos líderes de governo, com raras exceções, em promover ações que realmente alterem o rumo do desastre em que nossa civilização está se autodestruindo. Eles continuam a procrastinar como se fosse possível fingir que não é com eles. Chegaram ao poder através das mãos das indústrias que mais contribuem com a catástrofe… que mais poderiam fazer do que protegerem seus interesses? Para piorar esses pseudo líderes causam distração do que realmente deveria ser negociado. A mídia corre atrás deles como se fossem astros de cinema e lhes dão uma cobertura que une o inútil ao desagradável. Com tudo isso fica difícil para a população global deixarem de ser reféns cúmplices de uma aceleração na degradação da humanidade. É o que a Hannah Arendt chamou de “banalidade do mal”, ou seja, precisa ser muito desavisado para comprar ações da indústria do petróleo, da proteína, da agricultura predadora. Desavisado por investir numa indústria que irá se extinguir. Desavisado, caso pense no curto prazo, por estar contribuindo com o eminente desastre e querendo lucrar em detrimento do futuro.

Acredito que entre todas as coisas que podemos fazer como indivíduos, como família, como cidadãos é quanto a Educação para Sustentabilidade para que a próxima geração tenha consciência e saiba o que esteja fazendo com a nossa humanidade.

Vou deixar, mais uma vez uma das frases do David Attenborough na abertura da COP26:

  “Em minha vida, testemunhei um declínio terrível. Na sua, você poderia – e deveria – testemunhar uma recuperação maravilhosa.”

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Hoje é Dia de Todos os Santos, acredito que vamos precisar muito deles além de outras entidades para apoiar as ações de regeneração diante dessa crise civilizatória.

Ontem começou a cúpula da COP26 e hoje tivemos uma abertura absolutamente emocionante e gerando, em mim, muita esperança… esperança do verbo esperançar.

O ponto alto foi a fala do David Attenborough, 95 anos, que convocou a todos para uma recuperação maravilhosa das mudanças climáticas. O mais querido e conhecido ativista ambiental do planeta discursou para uma audiência de líderes mundiais – incluindo Joe Biden, Angela Merkel e Boris Johnson – dizendo que deveria ser possível trabalhar juntos para salvar a humanidade. Cada frase sua foi de grande impacto. Destaco três delas:

 “Em minha vida, testemunhei um declínio terrível. Na sua, você poderia – e deveria – testemunhar uma recuperação maravilhosa.”

“Hoje, aqueles que menos fizeram para causar este problema estão sendo os mais atingidos – em última análise, todos nós sentiremos os impactos, alguns dos quais agora são inevitáveis.”

“As pessoas que vivem agora, que são a geração futura, olharão para esta conferência e considerarão uma coisa que esse número parou de aumentar e começou a cair como resultado das decisões tomadas aqui?”

O filme “Earth to COP” foi eficaz em seu objetivo de levar consciência aos participantes e a audiência mundial.

A nossa ativista indígena Txai Suruí, também, discursou na abertura da COP26 desta manhã (no Brasil). Ela é uma jovem ativista de 24 anos e mora no estado de Rondônia, Brasil. Ela é do povo Paiter Suruí e fundadora do Movimento da Juventude Indígena em Rondônia.

 Seu discurso:

“Meu nome é Txai Suruí, eu tenho só 24, mas meu povo vive há pelo menos 6 mil anos na floresta Amazônica. Meu pai, o grande cacique Almir Suruí me ensinou que devemos ouvir as estrelas, a Lua, o vento, os animais e as árvores. Hoje o clima está esquentando, os animais estão desaparecendo, os rios estão morrendo, nossas plantações não florescem como antes. A Terra está falando. Ela nos diz que não temos mais tempo. Uma companheira disse: vamos continuar pensando que com pomadas e analgésicos os golpes de hoje se resolvem, embora saibamos que amanhã a ferida será maior e mais profunda? Precisamos tomar outro caminho com mudanças corajosas e globais. Não é 2030 ou 2050, é agora! Enquanto vocês estão fechando os olhos para a realidade, o guardião da floresta Ari Uru-Eu-Wau-Wau, meu amigo de infância, foi assassinado por proteger a natureza. Os povos indígenas estão na linha de frente da emergência climática, por isso devemos estar no centro das decisões que acontecem aqui. Nós temos ideias para adiar o fim do mundo. Vamos frear as emissões de promessas mentirosas e irresponsáveis; vamos acabar com a poluição das palavras vazias, e vamos lutar por um futuro e um presente habitáveis. É necessário sempre acreditar que o sonho é possível. Que a nossa utopia seja um futuro na Terra. Obrigada!”

A fala do secretário-geral da ONU, Antonio Guterres foi muito contundente. Disse que os líderes mundiais sabem o que fazer, “sirenes estão tocando, o planeta está nos dizendo algo, as pessoas também”.

Essas próximas duas semanas serão de muito trabalho para todos que buscam resultados gerativos e eficazes desse encontro.

Assistam! Assistam! Assistam a abertura de hoje! https://youtu.be/oofxDQQKE7M

Hoje foi um dia de trabalho virtual intenso na COP26 e de muita alegria em encontrar minha cara metade depois de mais de um mês de retiro concentrado no meu livro.

Vamos esperançar que os líderes mundiais e a sociedade civil consigam um entendimento inédito com ações objetivas reais, reconhecendo nossa interdependência. Que o Brasil consiga se livrar dessa terrível caminhada de destruição socioambiental desses últimos dez anos e principalmente dos últimos três. Essa é a década decisiva e os resultados tangíveis dessa COP26 vão refletir se o mundo vai trabalhar em conjunto ou continuarão acreditando nas suas fronteiras imaginárias denominadas: países. Somos um!

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Esse mês de setembro foi movimentado. Movimentado no sentido dos movimentos, das manifestações e das ações.

Quero começar com a Paraolimpíada de Tokyo 2020. Apesar de ter sido em 2021 mantiveram a nomenclatura da data original. Peço licença para escrever Tokyo ao invés de Tóquio. Para mim, é na Paraolimpíada que está o verdadeiro espírito original do esporte. O atleta paraolímpico já chega ao evento vitorioso. Todos os participantes são vencedores! É uma emoção em todas as modalidades, uma lição de resiliência e colaboração. Enquanto na Olimpíada, sinto que não há vencedores… parecem sobreviventes e até mesmo reféns. Claro que sabemos de histórias lindas de “fair play” como a da skatista Rayssa Leal de apenas 13 anos. Enfim, sem querer polemizar quero agradecer os paratletas brasileiros pela sua simpatia, alegria e as 72 medalhas. Um orgulho para o Brasil! A cerimônia de encerramento no dia 5 de setembro foi bem emocionante. Veja no link (entre 1h33 e 1h41) o convite da França para as Paraolimpíadas de 2024… sensacional! Mesmo!

Dia da Amazônia, também foi no domingo, 5 de setembro. Não há o que comemorar! Ao contrário a situação é tão crítica que provavelmente ela esteja emitindo mais CO2 do que oxigênio. Reportagens estão sinalizando essa tragédia. Desde uma matéria na revista Nature até uma reportagem do Fantástico. Ainda não sei onde estamos com isso e se os números de setembro vão confirmar esse pesadelo. A Amazônia é provavelmente o melhor argumento de negociação com os países Europeus. E se não estiver mais “funcionando”? A devastação violenta da Amazônia vem ocorrendo há pelo menos 10 anos e em alta velocidade nos últimos três. A boa notícia foi o lançamento da plataforma Plena Mata. Ela é uma parceria entre a Natura, InfoAmazonia, MapBiomas, Hacklab e Natura&Co. A plataforma monitora, em tempo real, o desmatamento na Amazônia. Tem um contador de árvores derrubadas por minutos e hectares desmatados. A ideia é trazer conscientização para a emergência do tema e mobilizar a sociedade em torno das iniciativas de conservação, mitigação e regeneração da floresta. Veja isso e muito mais no site da PlenaMata. . Outro momento bom foi o show do DJ Alok. Veja aqui  https://youtu.be/3GlGj6j3SFU

O 7 de setembro foi um dia de preocupação com a deterioração da democracia no Brasil. Ao invés da independência, estamos rumando à dependência ao invés da interdependência.

Os 20 anos do 11 de setembro que inaugurou uma nova era para o século 21, está expondo as feridas e falhas gigantescas dos EUA em relação a sua segurança e política externa. Parece injusto apontar o dedo depois que um evento ocorreu. Acontece que foram erros sistemáticos que demonstram a importância da ganância, competição pelo poder, corrupção, manipulação da mídia e falta de preparo para assumir a verdade. Como os acontecimentos históricos conseguem reverter uma situação como a do descrédito da população no presidente que parecia estar à beira de ser defenestrado. A grave consequência foi a instalação de um nacionalismo patriótico que alterou completamente o rumo da história. Isso já aconteceu muitas vezes. A última que conheço foi com o presidente da França, em 2015, que também estava desacreditado quando os ataques terroristas da sexta feira 13 de novembro tomou conta do noticiário francês e mundial. Foi uma semana depois que no Brasil mataram um rio (Doce) inteiro e inviabilizaram uma área do tamanho de Portugal e 15 dias antes da COP21 em Paris. Françoise Hollande ressuscitou das cinzas e voltou a cena pública francesa e até mesmo roubou (literalmente) a posição do competente presidente da COP21, Laurent Fabius. Foi um show de ganância, competição pelo poder, corrupção, manipulação da mídia e desonestidade. O circo criado no sábado apresentando o Acordo de Paris como uma grande vitória foi triste. Quem ganhou foi a diplomacia e quem perdeu foi o meio ambiente. O Brasil foi, talvez, quem mais perdeu por ter deixado de ter seu protagonismo emergir. O governo brasileiro montou um cubículo (ao invés de um estande a altura) e ficou escondido durante todo o evento para fingir que o desmatamento e outras atrocidades ambientais… não era com a gente. O crime ambiental de Mariana (rio Doce) que teria uma repercussão gigantesca entre os ambientalistas do mundo, ficou atrás dessas cortinas de fumaça.   

A propósito do Acordo de Paris, o Observatório do Clima e Laclima acabaram de lançar um mini manual “Acordo de Paris – Um Guia para os Perplexos”, que explica a história e o funcionamento das conferências do clima. É uma colaboração entre as duas redes, que teve coautoria da Carol Prolo, da Stela Herschmann e de mais uma turma boa da pesada. Imperdível no https://www.oc.eco.br/wp-content/uploads/2021/09/Minimanual-Acordo-de-Paris.pdf

A Virada Sustentável (São Paulo) ocorreu do dia 2 a 22 de setembro. A Virada foi especialmente criativa e rica de atrações. No dia 12, o Fala Sampa marcou mais uma vez sua presença na Virada Sustentável com a apresentação do Pulsa Coração com as batidas dos tambores conduzidos pelo Paulo Suzuki, presente em todas as edições que fizemos do Fala Sampa. Foi muito emocionante! Vale a pena conferir a programação completa do que aconteceu no  https://www.viradasustentavel.org.br/cidade/sao-paulo

21 de setembro

Dia Mundial da Gratidão – Esse dia existe há 55 anos e vem sendo celebrado anualmente no mundo todo. Este é um dia no qual as pessoas são convidadas a agradecer a todos aqueles que fazem parte das suas vidas. É o dia do ano dedicado a parar para refletir em tudo de bom que há na vida, um gesto que acaba por impactar o bem-estar das pessoas. Sua origem deu-se em 1965 no Havaí, onde se realizou o primeiro encontro internacional sobre a ideia de tirar um dia do ano para agradecer formalmente por todas as coisas de bem que se encontram no mundo. No ano seguinte, em 21 de setembro de 1966, muitos dos participantes que estavam naquele primeiro encontro colocaram em prática o gesto e implementaram definitivamente o Dia Mundial da Gratidão (World Gratitude Day), celebrado em todo o mundo.

Dia da Árvore – No Brasil celebramos o Dia da Árvore pouco antes da primavera. As árvores estão clamando para ficarem em pé e fazerem seu trabalho de reter o CO2 e exalar oxigênio. Há 10 anos iniciava o movimento do Veta Dilma em relação ao Código Florestal. Entre as imagens de impacto para mobilizar a pedir para vetar o projeto de mudanças indecorosas para o meio ambiente, lembro de uma que tinha as árvores cortadas empilhadas e com rostos de tristeza desenhadas nelas. Foi também o movimento #florestafazadiferenca. Nossas árvores nunca precisaram tanto de amor carinho como agora. Viva as árvores! Vivam!

Dia Mundial da Paz – Desenvolver uma cultura de paz, principalmente nos jovens é fundamental para um futuro possível… que hoje parece impossível. Nesse dia, no mundo todo, foram feitos encontros de meditação pedindo e vibrando pela paz. Acredito muito nessas iniciativas. Amanhã, 2 de outubro, é o dia Internacional da Não-Violência, aniversário do nascimento do Gandhi. Entre as ações para o dia de amanhã, recomendo o Gandhi do ator João Signorelli que vem levando a paz por onde passa, inclusive na Índia. Amanhã estará na embaixada da Índia e a noite no espaço do Bixiga (São Paulo) EVVIVAH.

Assembleia Geral da ONU – O dia 21 de setembro também contou com os discursos na 76ª sessão da Assembleia Geral da ONU. O Brasil tem a prerrogativa de abrir os discursos dos chefes de Estado. Esse ano voltou a ser presencial e tivemos que assistir a uma sucessão de gafes em Nova York e inverdades no discurso. Vou me ater ao brilhante discurso do secretário geral da ONU, António Gutterres.   

Segue um trecho:

“Estou aqui para soar o alarme: o mundo precisa acordar.

Estamos à beira de um abismo – e nos movendo na direção errada.

Nosso mundo nunca foi tão ameaçado.

Ou tão dividido.

Enfrentamos a maior escalada de crises em nossas vidas.

A pandemia de Covid-19 ampliou as desigualdades gritantes.

A crise climática está atingindo o planeta.

Revoltas do Afeganistão à Etiópia, ao Iêmen e além prejudicaram a paz.

Uma onda de desconfiança e desinformação está polarizando as pessoas e paralisando as sociedades, e os direitos humanos estão sob ataque.

A ciência está sob ataque.”

Mais adiante diz:

“Excelências,

Os alarmes climáticos também estão tocando em alta velocidade.

O recente relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças do Clima [IPCC] foi um código vermelho para a humanidade.

Vemos os sinais de alerta em todos os continentes e regiões.

Temperaturas escaldantes. Perda de biodiversidade chocante. Ar, água e espaços naturais poluídos.

E desastres relacionados ao clima em cada esquina.

Como vimos recentemente, nem mesmo esta cidade – a capital financeira do mundo – está imune.

Cientistas do clima nos dizem que não é tarde demais para manter viva a meta de 1,5 grau do Acordo de Paris sobre o Clima.

Mas a janela está fechando rapidamente.”

Vejam o discurso completo em https://brasil.un.org/pt-br/145385-discurso-do-secretario-geral-da-onu-assembleia-geral-21-de-setembro-de-2021

28 de setembro

Greta Thunberg fala na abertura da conferência Youth4Climate (Jovens pelo Clima), em Milão na Itália. Ela, como sempre, fez uma fala direta e contundente. Denuncia as palavras que não se tornam ações e a falta de escuta nos jovens. Fingem que escutam e que fazem.

“Isso é tudo o que ouvimos por parte dos nossos líderes: palavras. Palavras que soam bem, mas que não provocaram ação alguma. Nossas esperanças e sonhos se afogam em suas palavras de promessas vazias”.

Em outro momento:

“Não existe um planeta B, não existe um planeta blá-blá-blá, economia verde blá-blá-blá, neutralidade do carbono para 2050 blá-blá-blá”, acrescentou, denunciando “30 anos de blá-blá-blá” dos líderes mundiais e “sua traição com as gerações atuais e futuras.”

O discurso de Greta no https://youtu.be/wpo33oLne-Y

O reality show CPI da Pandemia que já estava em seus capítulos finais e já quase sem audiência de público conseguiu retornar aos lares dos brasileiros que estavam sem BBB ou outras opções de entretenimento. Apesar da boa intenção de alguns, o circo continua a realizar cenas que causam vergonha alheia. A novela está programada para terminar no dia 20 de outubro.  

   

Hoje, primeiro de outubro, conduzi junto com a jovem Bel Jeha (22 anos) uma conversa, na SoL Brasil, sobre a visão sistêmica da alimentação sustentável. A SoL (Society for Organizational Learning) foi criada no MIT por Peter Senge e outros fomentadores do pensamento sistêmico para realizar diálogos que importam em aprendizagem. Falamos para uma audiência de 30 pessoas sobre o impacto das escolhas alimentares no meio ambiente, na saúde e na compaixão pelos animais e pessoas envolvidas na indústria do alimento. Foi especialmente bom. Gostaria de compartilhar alguns links que usamos e outros que recomendamos.

Um documentário do David Attenborough e Nosso Planeta lançado em 2020 –  https://www.netflix.com/br/Title/80216393

Um segundo documentário do David Attenborough – Rompendo Barreiras: Nosso Planetahttps://www.netflix.com/br/title/81336476

Um curta de 2 min realizada pela Last Chance for Animals  https://youtu.be/c1DcFmUrxUQ

Que venha outubro!

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No dia 21 de setembro é o dia internacional da paz. Todo ano milhões de pessoas meditam pela paz, sim milhões de pessoas! Reserve um momento, por menor que seja, para se conectar com uma única intenção: a Paz. No Brasil, a Virada Sustentável e a Virada Zen, está promovendo “O Amanhã da Paz”. Serão centenas de pessoas conduzindo meditações em diferentes formatos e tempos. Eu estarei, pelo Zoom, cuidando de uma breve meditação a partir das 20h.

Dia 21 de setembro, terça-feira, às 20h

Link: https://bit.ly/AlanPaz 

ID: 892 3580 6688

Senha: 048838

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Começando a escrever hoje,  senti que estamos no mesmo ponto da nossa crise de percepção e da nossa crise das palavras.

Temos alguns avanços no sentido que a crise civilizatória, principalmente a ambiental não está caindo mais no conto da carochinha. Essa semana ouvi que um (pseudo) cientista da USP, há alguns anos, foi no programa do Jô Soares e afirmou que poderiam asfaltar toda a Amazônia sem qualquer implicação no clima do planeta. Esses malfeitores pagos para enganar o público estão quase em extinção. Praticamente ninguém, minimamente informado (e não desinformado), acredita mais nessas bobagens. Uma prova disso foi o último relatório do IPCC que, talvez pela primeira vez, deixou os cientistas falarem livremente sobre o que está acontecendo. Nenhuma novidade para quem acompanha de perto a emergência climática, porém uma significativa contribuição a mais para erradicação do Festival de Besteiras que Assola o País (do saudoso Stanislaw Ponte Preta).

Quanto à crise das palavras, uma assustadora evidência aconteceu com a repercussão dos textos do Charles Eisenstein. Parece uma loucura quando alguém que há tantos anos vem, coerentemente, mostrando as diferentes faces da realidade percebida e tem sido um farol nesse mar tempestuoso de transformações, ter seu texto deturpado e ser violentamente atacado por todos os lados. A maioria dos que o atacaram certamente não tinham lido seus três longos textos. O que causou a miopia maior foi o “Mob Morality and the Unvaxxed” (Máfia da Moralidade e os Não Vacinados), terceiro e último texto de uma série. Todos nós temos experiências com palavras ou ideias que não podem ser pronunciadas sem causar forte comoção e reações agressivas. Mesmo em ambientes familiares se evitam alguns assuntos para não gerarem… uma guerra. Como Charles se referiu aos vários lados da mesma moeda, recebeu expressões de desagravo de todos os lados. Chegou até a ser chamado de antissemita, mesmo sendo judeu. É uma lógica ilógica! O seu texto seguinte se referindo aos absurdos atribuídos a ele é uma obra de arte em relação à cegueira dos nossos tempos. Chama-se “Charles Eisenstein, Antisemite”. São construções de paradigmas que funcionam como paredes para evitar as nossas dissonâncias cognitivas. Somos biológica e culturalmente bem equipados para nos enganar constantemente com o objetivo de… estarmos certos.

Pense um pouco em qual repertório de palavras e ideias suas causam desconforto ou até reações violentas contra você. Eu tenho muitas. Por favor, tenha uma escuta generosa! O voto vai contra a democracia! Comer animais é um dos principais problemas ambientais! Ler jornal é perda de tempo! Só essas três já me causam constrangimentos. Ao ouvir uma palavra ou ideia que vai contra suas crenças e valores, você reage conforme a possibilidade (maior ou menor) de lhe causar uma disrupção, uma dissonância cognitiva. Quando escuto afirmarem que a Terra é plana, que apareceu um disco voador, que é justo o que ganha uma estrela do futebol, que o aquecimento global é natural, são ideias que me causam repulsa e até um julgamento mais agressivo. No entanto posso estar enganado.

Aqui no Brasil, palavras e ideias que mais causam violência estão principalmente na religião, política, futebol, preconceitos, educação e tudo que se relaciona ao Coronavírus. Vamos nos arriscar a falar das vacinas, das máscaras, do isolamento físico e até mesmo da cloroquina? Nem pensar, não é mesmo?

 E agora José?

No dia 21 de setembro é o dia internacional da paz. Todo ano milhões de pessoas meditam pela paz, sim milhões de pessoas! Reserve um momento, por menor que seja, para se conectar com uma única intenção: a Paz. No Brasil, a Virada Sustentável e a Virada Zen, está promovendo “O Amanhã da Paz”. Serão centenas de pessoas conduzindo meditações em diferentes formatos e tempos. Eu estarei, pelo Zoom, cuidando de uma breve meditação a partir das 20h. O link é o https://bit.ly/AlanPaz As informações completas estarão no alandubner.com

Dia 21 também é o dia mundial da GRATIDÃO que vem sendo celebrado há 55 anos! E também, no Brasil, é o Dia da Árvore!!!

Aproveitei para colher algumas sementes que plantei nos artigos anteriores do Dia Primeiro. Começa em abril de 2020 até o mês passado. Vale a pena ler de novo!

  “Toda verdade passa por três estágios.
  No primeiro, ela é ridicularizada.
  No segundo, é rejeitada com violência.
  No terceiro, é aceita como evidente por si própria”

Arthur Schopenhauer

“– A medicina vai finalmente evoluir para cuidar prioritariamente da prevenção ao invés das doenças. Vai se tornar amplamente colaborativa e completamente sem fronteiras. Levará em conta ciência, tecnologia e principalmente culturas. Cuidará fundamentalmente do DNA ao estilo de vida, da alimentação ao ar que respiramos, da meditação a movimentação, da autoestima a psicologia.

– A economia não conseguirá manter seu atual modelo estrutural. O jogo já mudou! Quem tentar jogar com as regras antigas logo perceberá que terá que se tornar alguém detestável para si mesmo e para os outros. Poucas pessoas ficam confortáveis nessa posição. O medo e a insegurança com a sobrevivência vão retardar o pleno funcionamento de uma economia com uma cultura de Gift.

– As escolas nunca mais serão as mesmas. Vamos finalmente sair das metodologias do século XIX para entrar nas condizentes com o século XXI. Quem poderia imaginar que os sistemas de aprendizagem iriam dar esse salto quântico através desse artifício? Quem diria que o conhecimento não estaria mais atrelado a memória e sim a sabedoria? A Educação será livre, com janelas sem salas, com notas de músicas, com folhas da natureza e principalmente com muito amor.

– A politica dos políticos ainda sobreviverá mais algumas primaveras enquanto houver a crença de que o sistema eleitoral tem alguma coisa a ver com a democracia. A política vai migrar dos políticos para a sociedade civil. E as políticas públicas serão decididas pontualmente através da participação dos interessados devidamente qualificados. Em pouco tempo os políticos serão substituídos por uma nova geração de políticos conectados com a sociedade civil.

– A religião, no geral, terá dificuldades de manter o véu da ignorância como força motriz da maioria de seus seguidores. Apesar da imensa fome por algo que explique o inexplicável, por um sabor de pertencimento, por um alimento para a alma… a busca será mais ouvindo a voz de dentro do que a palavra dos gurus. Você, finalmente, será seu próprio guru!”

“Nesse mês se ampliaram os sintomas de incontinência virtual e uma crença, inacreditavelmente ingênua, de que as funções do presencial podem ser simplesmente repassadas para o virtual. Vemos isso em larga escala nas escolas, nas terapias e nas reuniões.”

“Deixa-me te contar um pouco sobre esse mundo que você acabou de chegar e dos caminhos que seu caminhar pode encontrar. Se por um lado está tudo diferente do que estava quando você aportou a nave mãe, por outro estamos adentrando uma civilização novinha em folha.”

“O mês do meio ambiente foi marcado pelo agravamento da degradação do meio ambiente, da proteção aos povos indígenas, da educação, da cultura e da verdade… sim degradação da verdade! Acredito que o genocídio das nações indígenas seja o mais urgente dentro de tantas urgências e emergências. O Brasil está na UTI!”

“Onde estão os princípios, crenças e valores que estão levando a nossa civilização a se autodestruir? Como conseguem passar desapercebidos? São percepções equivocadas para o momento atual na economia, educação, política, medicina, ecologia e religião. A combinação dessas miopias nos fazem caminhar para o fim de mais uma civilização. Não se trata de uma mudança ou de uma melhoria e sim de uma completa transformação. Portanto precisamos urgentemente, migrarmos a atual cultura para uma nova economia, uma nova educação, uma nova medicina, uma nova ecologia, uma nova política e até mesmo uma nova religião.”

“Nova Economia – O que parecia distante no tempo está cada vez mais atual. As diversas versões de uma nova economia estão se mostrando bem fortes nesse período onde a economia tradicional está perdendo tempo e espaço.  Conceitos de economias como a Economia Circular, Economia Criativa, Economia Verde, Economia Social, Economia Compartilhada, Economia Gift e muitas outras que estão fartamente explicadas no livro, estão ganhando terreno no mundo inteiro.”

“Se a essa altura do campeonato tiver alguém ainda achando que é uma crise passageira e que as coisas voltarão a ser como eram… talvez estejamos todos sofrendo de “Normose”.”

“Se o resultado das eleições pode ser manipulado a favor de quem tem maior recurso e poder… para que mesmo servem as eleições? Ou, para quem mesmo servem as eleições? Com certeza, nesse formato, não servem a democracia.”

“A ideia aqui é abrir o espaço para que mais percepções possam ser vistas e criar um contexto para que possamos olhar para nossas crenças e valores como sendo… apenas NOSSAS crenças e valores! Quando ridicularizamos alguma verdade alheia, ou reagimos mais radicalmente contra… cuidado… pode vir a ser a nossa verdade amanhã!”

“Acredito que o ano de 2020 foi um marco civilizatório. Vamos percebê-lo degustando, aos poucos, seu legado.”

“Fico pensando como esse período vai entrar para a História. Claro que depende da linha do seu historiador favorito. Toda a História é contada de diversas maneiras, com narrativas e fatos próprios de quem conta. Como você vai contar essa história?”

“Hoje de manhã, assisti ao Davos Lab Brasil na TV Folha. Foi muito bom! O que sempre me impressiona são aquelas pessoas que ficam no chat jogando palavras de ódio. Elas entram para isso! O que faz alguém entrar num evento que não aprecia e ficar falando mal de tudo e de todos? Com tanta coisa importante para fazer o que faz alguém perder tempo e energia com isso? Vamos excluir as pessoas que se submetem (banalidade do mal) a receber dinheiro para fazer atos destrutivos e aos robôs programados para isso. Ainda resta uma quantidade enorme de pessoas que covardemente, em seu anonimato, insistem em disseminar vibrações negativas. Existem pessoas que preferem torcer para que o time do outro perca do que o seu ganhe. Estranho, né? Vota num outro candidato para que o que não gosta perca. Sim, parece surreal, mas é a realidade! Uma pessoa escolhe um candidato de sua preferência, mas não vota nele porque acredita que deve votar no candidato que as pesquisas mostram que tem mais chance contra um do qual é contra. Com isso, sempre ganha um candidato que não é o da sua preferência! Como pode uma coisa dessas ser boa para a democracia? Por que as pessoas, na sua maioria, escolhem ser do contra? Como elas fazem para se justificarem consigo mesmas? A resposta é reduzindo a dissonância cognitiva, através de artifícios imaginários (histórias). ”

“Encerro esse texto desejando que possamos ultrapassar as fronteiras que nos limitam. Que possamos ampliar a consciência para perceber o quanto não sabemos… e que tudo bem!”

“Para dificultar mais ainda nossa relação com essas certezas e incertezas, existe uma manipulação proposital para que passemos a pensar dessa ou daquela maneira, para que façamos dessa ou daquela forma que nos induzem. Entre todas as tragédias que estamos vivendo a DESINFORMAÇÃO é a pior delas! Se fosse falta de informação não seria tão grave… desinformação e a manipulação das informações são o que há de mais desumano! E isso em nome do poder e da ganância. Não sei como a história vai registrar esse período, não sei se haverá centenas (talvez milhares) de condenados por crimes contra humanidade. Não sei como milhares de pessoas conseguirão apagar os rastros de suas manifestações que contribuíram para esse desastre mundial, para que seus netos não se envergonhem de tamanha falta de noção herdadas em seu DNA. Não sei como ficarão as pessoas que não contribuíram diretamente para ajudar, de alguma maneira, a humanidade e ficaram apenas reclamando da culpa dos outros. Seja pela busca de benefício próprio, corrupção ou apenas banalidade do mal (conceito Hannah Arendt).”

“Num momento em que a polarização reina, falar sobre qualquer tema não gera diálogo e sim o ódio da torcida oposta. E os reféns da mídia não conseguem submergir para ouvir as mais coloridas vozes da nossa interdependência.”

“Estamos mergulhados numa crise civilizatória, numa crise de percepção, numa crise ambiental que há muitos anos não vivíamos. Tudo que está acontecendo deixa claro de que não podemos continuar a fazer o que fazíamos e a acreditar no que acreditávamos. Uma frase famosa atribuída a Albert Einstein, “Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes” resume bem a insanidade se não alterarmos significativamente o que fazíamos. Portanto na Educação, Economia, Medicina, Política, Ecologia e até na Religião precisamos de um novo paradigma.”

“E para não dizer que não falei da pandemia, acredito que ainda continuamos com as mesmas incertezas em quase tudo. O que podemos afirmar é que estão emergindo denúncias de que algumas (muitas) pessoas estão, vergonhosamente, aproveitando a pandemia para benefício próprio. Seja para o poder, corrupção, manipulação, prestígio ou outros motivos escusos. Minha esperança é de que elas sejam desmascaradas. Daqui a alguns anos ficaremos pasmos de saber o quanto não sabíamos e nos envergonharemos do quanto acreditamos no inacreditável.”

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O que vem depois da Emergência Climática?

Estamos, há vários anos, continuamente apagando incêndios! Incêndios ambientais, culturais, educacionais, políticos, econômicos e tantos outros que refletem os preconceitos que inflamam as relações humanas.

Por que estamos deixando tudo pegar fogo? Acreditamos que não é com a gente? Oi???

Será que é porque acreditamos que não fomos nós que o ateamos? Portanto não temos responsabilidade alguma? Ou será que simplesmente gostamos de ver o circo pegar fogo?

Há três dias ficamos estarrecidos com o incêndio do galpão da Cinemateca Brasileira, estarrecidos com o descaso e principalmente com a destruição sistemática da cultura por aqueles que deveriam estar cuidando do patrimônio nacional. Depois do incêndio do Museu Nacional, em setembro de 2018, considerado a maior perda histórica e cientifica do Brasil, quem seria LOUCO de continuar a praticar esses descasos com o acervo histórico do país? Surreal! Diante de tudo isso você pode escolher entre a desconfortável e necessária visão do que está acontecendo ou ficar passivamente ignorando enquanto a boiada passa. Nem tudo é essa profunda tristeza, hoje o Museu da Palavra (Estação da Luz em São Paulo), incendiado em 2015, reabre para o público.    

Ainda bem que depois de amanhã volta a CPI da Pandemia! Já estávamos ficando sem circo. Esse ano teve o Big Brother, depois a CPI da pandemia, a Copa América, as Olimpíadas de Tokio (ainda em andamento) e na terça teremos a volta da CPI! Talvez o ditado popular “alegria de palhaço é ver o circo pegar fogo” faça algum sentido…     

Estamos em crise e acredito que isso esteja claro para todo mundo… literalmente todo o mundo! É uma crise civilizatória que começou há algumas décadas e está cada vez mais grave. Começamos por olhar a questão climática que foi denominada “mudança climática” depois que a ciência comprovou claramente a nossa responsabilidade na alteração significativa do clima, alterando toda cadeia de sobrevivência das espécies e principalmente a nossa. Inacreditavelmente, uma enorme quantidade de seres da nossa espécie ainda não alterou seus hábitos para se readequar ao entendimento dessa nova realidade. Seja por questões de ganhos econômicos, de negacionismo ou simplesmente pelo desinteresse de alterar sua rotina. Estamos falando de 50 anos e não apenas dos últimos cinco. Com a dificuldade de conscientização da grande maioria, “Mudança Climática” foi alterada para “Emergência Climática” para salientar a gravidade do caminho que estamos escolhendo. Mesmo com todas as visíveis emergências climáticas batendo a nossa porta, continuamos negando o óbvio. Em Lytton no Canada as temperaturas chegaram a 49.6 graus no final de junho, as inundações gravíssimas, nos últimos 15 dias, na Alemanha, Bélgica e China e tantas outras consequências graves causadas por nossas ações. O frio que está passando pelo Brasil tem forte influência do calor movendo a massa polar da Antártida em nossa direção. Enfim fico pensando o que virá depois de emergência climática… catástrofe climática? Acredito que, lamentavelmente, já estamos vivendo esse momento.

Será que veremos uma luz no fim do túnel? Serão os jovens, como Greta Thunberg, que nos iluminarão? No prefácio do seu livro com ensaios biográficos “Homens em tempos sombrios” (Men in Dark Times), Hannah Arendt escreveu: “Mesmo no tempo mais sombrio, temos o direito de esperar alguma iluminação.” Vamos esperar esperançando! Hannah Arendt nunca esteve tão viva como agora. Sua obra nos faz revisitar o que estamos vivendo agora na pandemia. Vou citar o trecho completo do que escreveu, em 1968, no final do prefácio: “Que mesmo no tempo mais sombrio temos o direito de esperar alguma iluminação, e que tal iluminação pode bem provir, menos das teorias e conceitos, e mais da luz incerta, cintilante e frequentemente fraca que alguns homens e mulheres, nas suas vidas e obras, farão brilhar em quase todas as circunstâncias e irradiarão pelo tempo que lhes foi dado na Terra.”

Em que tempos estamos vivendo? Vivemos um momento de mundo BANI? O acrônimo BANI significa Brittle, Anxious, Nonlinear e Incomprehensible. Em português: Frágil, Ansioso, Não linear e Incompreensível. O conceito (2018) passou a ser usado especialmente para descrever um cenário do pós-pandemia, se é que existirá algo totalmente pós-pandemia. Ele tem a pretensão de substituir o acrônimo VUCA existente há mais de 30 anos. VUCA é a sigla em inglês para volátil, incerto, complexo e ambíguo. O conceito do VUCA, nasceu na escola de guerra do exército americano para treinar as situações do pós-guerra fria e foi, posteriormente, amplamente utilizado nas empresas principalmente nas situações de gerenciamento de crises e lideranças no chamado mundo VUCA. As pessoas já estão bem familiarizadas com as inúmeras interpretações do mundo VUCA. E o mundo BANI?   

Jamais Cascio, antropólogo e futurista do Institute for the Future da Universidade da Califórnia, que cunhou o termo, sugere a passagem de volatilidade para a fragilidade, da incerteza para ansiedade, da complexidade para a não linearidade e da ambiguidade para a incompreensão. 

Então o mundo era VUCA e agora é BANI? Por que precisamos rotular o mundo em que vivemos? Por que essa necessidade de explicarmos tudo, de controlarmos nosso entorno? Como disse Yuval Harari, o que fez o homo sapiens subir na escala da cadeia alimentar e chegar ao topo foi sua capacidade de acreditar no que não existe. Ou seja, acreditar no inacreditável! Pessoalmente prefiro acreditar nos conceitos da era das incertezas e da complexidade de Edgar Morin e com ele navegar pelos sete saberes necessários para uma educação do futuro. 😊  

E para não dizer que não falei da pandemia, acredito que ainda continuamos com as mesmas incertezas em quase tudo. O que podemos afirmar é que estão emergindo denúncias de que algumas (muitas) pessoas estão, vergonhosamente, aproveitando a pandemia para benefício próprio. Seja para o poder, corrupção, manipulação, prestígio ou outros motivos escusos. Minha esperança é de que elas sejam desmascaradas. Daqui a alguns anos ficaremos pasmos de saber o quanto não sabíamos e nos envergonharemos do quanto acreditamos no inacreditável.

Esse cenário surreal da Matrix brasileira está nos oferecendo uma possibilidade de escolhermos entre tomarmos a pílula azul (ignorância abençoada) ou a vermelha (verdade as vezes dolorosa). O que vai Ser?

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Primeiro dia do mês do meio ambiente.

Ontem a noite a semana do meio ambiente foi aberta pelo encontro dos ex-ministros do meio ambiente, “Seminário do Meio Ambiente: Política ambiental brasileira e os desafios da sustentabilidade”. A conversa foi na boa direção de gerar ações imediatas!

Vamos acompanhar os movimentos e ativações desse mês crucial!

A Polarização Reina

Num momento em que a polarização reina, falar sobre qualquer tema não gera diálogo e sim o ódio da torcida oposta. E os reféns da mídia não conseguem submergir para ouvir as mais coloridas vozes da nossa interdependência.

A chamada pós verdade impera num ambiente que incendeiam as cognições e quando alguma dissonância aparece no front é logo calada pela nossa atávica dificuldade de lidar com as dissonâncias cognitivas.

Toda essa filosofia acima para dizer que devemos ouvir as vozes que estão sendo caladas para formarmos nossas próprias crenças e, se possível, deixá-las flexíveis a novas vozes.

Tenho escutado regularmente que precisamos ouvir a ciência. É um argumento que subentende que existe uma verdade cientifica e quem não a segue é negacionista. Cabe aqui a pergunta do que seja ciência. Ciência é basicamente a arte de não saber! É a arte de fazer descobertas! O método científico é aquele que confirma uma hipótese através de repetidas tentativas que geram o mesmo resultado. Isso vale até que outra hipótese anule a anterior. Hoje até a lei da gravidade de Newton está sendo cientificamente questionada. Isso para não ir mais longe e falar da matéria escura. Cada área da ciência tem seus diferentes pontos de vista (isso é saudável) por isso dizer que algo é cientificamente comprovado significa apenas dizer que dentro do amplo espectro da ciência aquele experimento específico recebeu a atenção de alguns cientistas. Quanto a COVID 19 não existe nada cientificamente comprovado… nada! Portanto quando dizem que alguma coisa, ligada a pandemia, não tem comprovação científica… estão falando o óbvio! Nada, na pandemia, tem comprovação científica! O que tem comprovação científica se refere aos vírus em geral – lavar as mãos, máscaras distanciamento físico e por aí vai. Nenhuma ciência específica do novo Coronavírus consegui comprovar cientificamente alguma coisa. Portanto a ciência não comprovou de onde veio o vírus, por que existe um percentual grande de infectados assintomáticos, quais remédios ajudam no tratamento, quais não ajudam, quais superfícies retem o vírus por algum tempo e até mesmo a eficácia das vacinas. No entanto diariamente ouvimos que A é cientificamente comprovado e que B não tem comprovação cientifica. O que nos faz acreditar nisso? O que nos faz desacreditar nisso? Na pandemia estamos aprendendo enquanto sofremos suas consequências, estamos construindo o avião no voo. Enquanto os conhecimentos se ampliam, se aumenta, também, nossa ignorância.

Vivemos na infância da espécie humana, os horizontes representados pela biologia molecular, o DNA, a cosmologia começa a se descortinar. Nós não passamos de crianças em busca de respostas, e à medida que a ilha do conhecimento se amplia, se alargam também as margens da nossa ignorância.” John Wheeler

E quanto aos Números?

Uma das distrações que mais contribuem para fazer a gente acreditar que uma informação ou notícia é verdadeira são os números. Parece ciência… mas não é! Tudo nessa sociedade funciona com números. O tempo tem minutos, horas, dias, meses, anos. Qualquer notícia vem acompanhada de números. O dinheiro são números que exercem uma enorme influência no nosso dia a dia. Por mais matemático que os números pareçam são apenas entidades virtuais. Se percebermos a virtualidade dos números estaremos mais próximos de nos libertarmos deles e das “verdades” que nos trazem. Fique tranquilo, a leitura desse texto levará menos de 20 minutos e conterá apenas 1.477 palavras, todas fáceis de entender. Quanto ao tempo que levará refletindo no assunto ficará por sua conta e risco.

Vamos começar com o tempo. Quanto tempo leva para alguém perceber que está caminhado na direção errada? Difícil responder! São tantas variáveis que inviabilizam um cálculo mais preciso. No entanto somos diariamente bombardeados por declarações que prometem nos reconduzir ao caminho certo em pouco tempo. Seja na Saúde – sua dor de cabeça vai sumir tomando esse analgésico – você vai emagrecer 5 quilos em apenas 10 dias com a dieta da moda – beba quanto quiser que o Enganove vai resolver sua ressaca. Na Economia – você terá autonomia financeira em apenas 6 meses criando sua rede de vendas nessa franquia – compre seu televisor em 12 prestações sem juros – baixe o aplicativo grátis – crédito automático de R$ 3.000,00. Na educação – você terá um bom emprego em apenas 12 anos de estudo numa escola e um melhor ainda com mais 4 anos de estudo numa universidade – não fique sem emprego faça um curso profissionalizante de 3 meses e saia na frente – aprenda inglês sem sair de casa em apenas 6 meses. Na política – se eleito vou acabar com a corrupção – sua contribuição sindical vai melhorar sua condição de trabalho – vamos mudar!

Tempo é dinheiro – Essa afirmação é normalmente entendida como o tempo tendo um valor monetário comparativo. Acredito que essa informação significa literalmente que tempo é dinheiro, ou seja, o tempo é igual ao dinheiro. Esse entendimento permite fazer uma analogia maravilhosa que as leis que se aplicam a um… equivalem ao outro. Portanto posso dizer que nos comportamos com o tempo da mesma maneira que nos comportamos com o dinheiro e vice-versa. Como é a sua relação com o dinheiro? E com o tempo?  Está sempre faltando? Você é generoso em doar seu tempo? Seu dinheiro? Você tem tempo sobrando? Você tem gastado dinheiro com o que realmente é importante ou você fica procrastinando? Como você lida com o tempo dos outros? Você nunca se atrasa em encontros?

Pandemia ou Pandemônio?

Estamos num momento de introspecção e de regeneração do nosso Ser, da nossa Alma. 

Para alguns é mais fácil fingir que está tudo bem ou tudo ruim, para não ter que mergulhar na tomada de consciência (awareness). O problema é que vão pagar a conta lá na frente, seja pela saúde ou pela dificuldade de interdependência. Para aqueles que estão numa jornada de busca interior não dá para fingir porque já não conseguimos mais enganar a nós mesmos. Então dói! O que temos que nos trabalhar é para aceitar que a dor é inevitável, enquanto o sofrimento é voluntário.

A nossa dor não é fácil de ser compreendida pelo outro, assim como o “não sofrer” também. Essa certa solidão nos faz pedir ajuda para outros companheiros dessa estrada que o Joseph Campbell chama de monomito (a jornada do herói). 

Também aqui nesse primeiro de junho, com minhas dores e com a atenção voltada para o aqui agora – para não cair na tentação do sofrimento.

Autopoiese de Maturana e Varela

Dois chilenos maravilhosos, ícones do pensamento sistêmico e criadores do conceito de Autopoiese.

Francisco Varela nos deixou, há exatos 20 anos, nesse 28 de maio. Deixando um legado formidável que continua a reverberar até hoje. Ele foi responsável, entre outras coisas, pelos encontros da Ciência com o Budismo do Dalai Lama (Mind & Life) gerando uma infinidade de conhecimentos e sabedorias. Criador do conceito de Autopoiese junto com Humberto Maturana no início dos anos 70. Foram muitos encontros de celebração do Varela, entre eles, a mostra de filmes do diretor Franz Reichle (Monte Grande, Mind & Life e Francisco Cisco Pancho).

Humberto Maturana nos deixou no dia 6 maio passado e tivemos dezenas de eventos em sua homenagem. Hoje à noite tivemos o encontro da Palas Athena com a Lia Diskin. A contribuição de Maturana para o entendimento da vida e dos sistemas que a compõem serão sempre as bases do conhecimento do Ser humano. Durante a pandemia ele participou de dezenas de conversas e entrevistas que ainda tenho muitas para assistir.

Gratidão Humberto Maturana e Francisco Varela!!!!

Para minha Neta

Oi, pequena! Oi, princesa da Natureza! Hoje faz um ano que você chegou, abriu os olhos e chorou pela primeira vez!

Apesar do mundo estar em pandemia, tenho esperanças (do verbo esperançar) que está nascendo uma nova possibilidade civilizatória. Será muito pouco provável que permaneceremos nesse formato destrutivo. Claro que dá medo, claro que não sabemos ainda a direção a seguir. Mas seu avô acredita que a sua geração já estará sendo governada por jovens que acreditarão que a interdependência é a única forma de convivermos em harmonia com a Natureza. Saberão o que todos já deveriam saber hoje… que somos natureza! Como te disse há um ano, será uma nova sociedade voltada para ampliação da consciência e restauração ecológica. Não haverá economia sem ecologia, educação sem aprendizagem, religião sem espiritualidade, política sem cidadania e nem medicina sem saúde.

Você já me ensinou tanto nesses últimos 12 meses! Agradeço sua Presença, seu Ser e sua Paz. Princesa da Natureza… sei que vai ouvir os chamados… sei que vai atender o seu propósito! Sei que te amo!

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Esse texto faz parte do livro que estou escrevendo. Em cada primeiro dia do mês escrevo uma carta, no próprio dia, que será publicada no capítulo de uma retrospectiva do período em que estou escrevendo esse livro. Segue a carta relativa ao mês de abril de 2021:

Bom dia, primeiro de maio!

Bom dia, incertezas!

Na França é o dia de se desejar alegria e boa sorte presenteando a família e os amigos com a flor Muguet (lírio do vale). Dizem que a tradição remonta aos Celtas e os Romanos. Acredito que todos nós estamos precisando de alegrias e de boa sorte! Allez Bonheur!

As incertezas são tantas que seria mais prático a gente se render (com bandeirinha branca e tudo) e ficar confortavelmente sabendo que não sabemos nada. O que muda? Qual seria o problema? Estaríamos mais perto ou mais distantes da nossa verdade? Estamos assistindo a um desfile de certezas incertas. Quando alguém diz que está seguindo a ciência, o que isso quer dizer? Os cientistas pesquisam e chegam a conclusões diferentes, muitas vezes opostas. Então qual ciência seguir? São tantas! Quando alguém diz que está sendo guiado pela religião, o que isso quer dizer? São tantas as incertezas entre cientistas, médicos, religiosos, economistas, biólogos, ambientalistas, agricultores, jornalistas, professores, políticos, terapeutas… a lista não termina. Por que então, acreditamos que há alguma certeza, além de vamos morrer? O meu bom dia para as incertezas de hoje foi inspirado num texto que o Edgar Morin, publicou (Gallimard) há um ano em 21 de abril de 2020. Sim esse Edgar Morin que vai fazer 100 anos daqui dois meses. Cada parágrafo do seu texto merece uma parada para reflexão. O texto se chama – Um Festival de Incerteza – e começa assim:

“Todas as futurologias do século XX que previam o futuro com base nas correntes que atravessavam o presente fracassaram. Contudo, continuamos a prever 2025 e 2050 mesmo que sejamos incapazes de compreender 2020. A experiência das irrupções do inesperado na história não penetrou nas consciências. A chegada do imprevisível era previsível, mas não sua natureza. Daí minha máxima permanente: “espere pelo inesperado”.”

Em outro trecho – e paro por aqui – ele fala do que esperar do pós pandemia. Lembrem-se foi publicado em abril de 2020!

“Os desconfinados retomarão o ciclo cronometrado, acelerado, egoísta, consumista? Ou haverá um novo renascimento da vida convivial e amorosa rumo a uma civilização na qual se desenvolve a poesia da vida, onde o “eu” floresce em um “nós”?

Não podemos saber se após o confinamento novos caminhos e ideias vão desabrochar, ou mesmo revolucionar a política e a economia, ou se a ordem abalada se restabelecerá. Podemos temer fortemente a regressão generalizada observada já durante o curso dos vinte primeiros anos deste século (crise da democracia, corrupção e demagogia triunfantes, regimes neo-autoritários, retomadas nacionalistas, xenófobas, racistas).”

Será que a gente toparia ficar numa postura de simplesmente seguir o fluxo da vida, acreditar nas sincronicidades da vida? Simplesmente buscar, dentro da gente, o sentido de existir… de viver a vida!

Há cinco meses escrevi seis questões que emergiram na pandemia para exercitarmos ficarmos diante da nossa verdade, do que acreditamosem cada uma delas. Os cientistas e médicos tinham posições opostas a essas questões. Vejam ou revejam qual a sua verdade hoje. Elas refletiam o conflito de certezas em novembro de 2020. Acrescentei duas.

Verdade 1 – A transmissão do vírus veio pelo pangolim ou foi produzido em laboratório?

Verdade 2 – Cloroquina funciona ou faz mal?

Verdade 3 – As máscaras para o cidadão saudável são úteis ou inúteis?

Verdade 4 – As vacinas, no Brasil, virão no próximo mês ou no segundo semestre de 2021?

Aqui havia uma polarização quanto ao tempo que levaria para a maior parte dos brasileiros serem vacinados e voltarmos a uma vida “normal”.

Verdade 5 – As escolas devem abrir ou fechar?

Verdade 6 – Os números de casos e óbitos divulgados estão corretos ou incorretos?

Verdade 7 – As vacinas são confiáveis ou não são?

Verdade 8 –Quem já contraiu o COVD19 tem chance de pegar novamente ou são casos raros?

Esse exercício é apenas para a gente olhar para nossas certezas e incertezas. De verdade, não importa qual a resposta. O importante é perceber se onde você tem certeza existe espaço para ouvir uma outra certeza diferente e considerar genuinamente a possibilidade de mudar de ideia. Não é simples! Quando aparecem evidências de que o que você acredita não é verdade, ocorre uma dissonância cognitiva. Somos programados a não ficar confortável com essa dissonância e a partir daí criamos histórias (narrativas) para amenizar ou mesmo eliminar essa dissonância. Somos bons nisso! Como acreditamos nessas histórias que criamos não conseguimos entrar em contato com a beleza e possibilidades das incertezas. Ressignificar é uma oportunidade maravilhosa de seguir o fluxo de uma vida que está a nossa espera e… viver a vida!

“A gente precisa se dispor a abrir mão da vida que planejamos a fim de encontrar a vida que espera por nós.” Joseph Campbell

Para dificultar mais ainda nossa relação com essas certezas e incertezas, existe uma manipulação proposital para que passemos a pensar dessa ou daquela maneira, para que façamos dessa ou daquela forma que nos induzem. Entre todas as tragédias que estamos vivendo a DESINFORMAÇÃO é a pior delas! Se fosse falta de informação não seria tão grave… desinformação e a manipulação das informações são o que há de mais desumano! E isso em nome do poder e da ganância. Não sei como a história vai registrar esse período, não sei se haverá centenas (talvez milhares) de condenados por crimes contra humanidade. Não sei como milhares de pessoas conseguirão apagar os rastros de suas manifestações que contribuíram para esse desastre mundial, para que seus netos não se envergonhem de tamanha falta de noção herdadas em seu DNA. Não sei como ficarão as pessoas que não contribuíram diretamente para ajudar, de alguma maneira, a humanidade e ficaram apenas reclamando da culpa dos outros. Seja pela busca de benefício próprio, corrupção ou apenas banalidade do mal (conceito Hannah Arendt).

Não sei… só sei que não sei!

Celebramos o Dia da Terra, no dia 22 de abril. Celebramos? Tivemos a Cúpula do Clima promovida pelo governo americano. Eles querem ser protagonistas da emergência climática. Por um lado, uma boa notícia, por outro um risco de ficar no “business as usual”. E o Brasil? Quando nosso presidente (sim, nosso!) discursava seus sete minutos, ao lado de um ministro que deveria estar defendendo o meio ambiente, que – um ano antes – exatamente no dia 22 de abril declarou que deveriam aproveitar que estavam todos distraídos com a pandemia, para “passar a boiada” e… foi exatamente o que fez! Uma devastação sem precedentes, começando com a desmobilização dos órgãos de proteção. Um ano depois está pleiteando receber recursos para seu plano de defesa da Amazonia. A sociedade civil reagiu fortemente a essa tentativa de ludibriar o mundo. Veremos os resultados até junho, o mês do meio ambiente. Veremos, também, nossa posição na COP26 em Glasgow (Escócia) em novembro. Isso tudo é surreal!

Envio muitas Muguets para trazer alegria e boa sorte a todos nós!

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Primeiro de Março

Esse texto faz parte do livro que estou escrevendo. Em cada primeiro dia do mês escrevo uma carta, no próprio dia, que será publicada no capítulo de uma retrospectiva do período em que estou escrevendo esse livro. Segue a carta relativa ao mês de fevereiro 2021:

Reli o texto que escrevi em primeiro de março de 2020. Foi numa outra era. Você consegue se lembrar como e onde você estava em primeiro de março de 2020? Não me refiro a março de 2020 e sim ao dia 1º de março de 2020. Ou seja, antes de ser decretada a pandemia, antes da primeira morte no Brasil, antes de qualquer indício real de que o mundo inteiro iria parar. Ao mesmo tempo, pouquíssimo tempo antes de tudo isso acontecer. Vou reformular a pergunta: Você consegue se lembrar quem você era em primeiro de março de 2020?

Vou reproduzir o início dessa carta que é no mínimo… curiosíssima.

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“Hoje, primeiro de março de 2020

A semana do Carnaval termina hoje e amanhã é quando, pejorativamente, se diz que o Brasil começa a trabalhar. A questão da sustentabilidade nunca esteve tão mal e olha que já esteve inacreditavelmente mal nos últimos 10 anos. O que será necessário para que esse jogo vire no Brasil e nos EUA? O principal é saber que TODOS nós podemos fazer alguma coisa, por menor que seja. Se ficarmos apenas reclamando estaremos sendo cumplices dessa tragédia.    

Na carta de fevereiro subestimei o possível impacto do novo Coronavírus no mundo. Não havia casos de mortes fora da China e nem nome o vírus tinha. Mantenho a ideia de que as mídias vêm gerando um pânico que em nada ajudam. Acredito, também, que já estamos num estado de pandemia apesar de não ter sido declarado ainda. Em 27 de janeiro escrevi no WhatsApp respondendo para minha filha (grávida) que perguntava se eu tinha alguma orientação quanto ao novo coronavírus. Respondi:

Todo ano tem algo assim.

Eu ainda não estou nem um pouco preocupado. Se isso mudar te aviso.

Um dia um deles (vírus) vai ser uma pandemia. Não acho que será esse. De qualquer maneira a melhor coisa a fazer é ficar fisicamente bem… muito bem!  Dormir bem, não “comprar” situações de stress, tomar meio limão por dia e umas 20 a 30 gotas de própolis por dia. O grande problema do coronavírus, ao contrário dos outros, é que ele é contagioso quando ainda não saíram os sintomas… ou seja duas semanas antes dos sintomas aparecerem. Se acontecer (acho improvável) de conhecer alguém que conhece alguém infectado precisa ficar longe do networking (rede de relacionamentos) dessas pessoas e os cuidados da saúde serem de uma pessoa paranoica por, pelo menos um mês depois que soube.

No mesmo dia 27 de janeiro, só lembrando que 99% dos 2.800 casos estavam na China e que os EUA tinham apenas 5 casos (reportados), nenhum em Nova York e todos de pessoas que vieram de Wuhan/China, minha filha perguntou se eu achava que era suave ela ir para Nova York.

Por enquanto sim. Se o negócio se espalhar de uma forma perigosa deve rolar de março para abril. Os números estão subindo dessa maneira assustadora, mas é que acabaram de identificar o vírus e os casos estão emergindo (ficando visíveis). Acredito que será contido. De qualquer maneira VOCÊ deve viajar de máscara. Menos pelo risco desse vírus e mais pelo risco dos outros 50 que estão sendo espalhados diariamente. Nenhum perigoso em si, mas vários tem indicação de antibióticos e outras medicações desaconselháveis para minha neta.

Vale a pena passar o desconforto ou vergonha. Não é um custo alto a pagar pela prevenção. Declare que você não está doente, mas está grávida e não quer pegar uma gripe ou virose. Ordens do seu médico! Aliás fale com ele. Deve estar muito mais bem informado do que eu.

Poucos dias depois, no dia 3 de fevereiro onde um dos infectados nos EUA estava recebendo alta do hospital. As mortes tinham crescido de 83 para 426, sendo que 425 da China (maioria da província de Hubei) e uma nas Filipinas sendo que era um Chines de Wuhan (província de Hubei) de 44 anos que tinha se infectado antes de chegar nas Filipinas. Escrevo recomendando que não faça a viagem, mas não pelo perigo do novo vírus.  

Acredito que a mídia está causando esse pânico. Só se fala nisso. Para os governos é ótimo desviar a atenção do Brexit, da ameaça nuclear, do impeachment, dos descalabros no Brasil, do Bibi, do sarampo, das mudanças climáticas e de tantas outras coisas realmente importantes. Continuo achando que se houver perigo será a partir de abril. Continuo achando que pelo contágio ter que ser direto (gotículas quando fala ou tocar coisas que receberam essas gotículas) é muito fácil se proteger nesse estágio da doença. Álcool gel muitas vezes. Prestar atenção para não levar as mãos a boca. Enfim acho que não há risco real. PORÉM… acho que há risco de pegar um resfriado ou uma virose. PORÉM… como está esse pânico no ar, qualquer sintoma vai gerar um medo no grupo e no entorno.

Acredito que com esse nível de medo vocês não deveriam ir. A razão é psicológica e não por um perigo real. Mas é uma razão válida!

Você talvez passe por um stress desnecessário se alguém pegar um resfriado.

Minha humilde opinião é que vocês não deveriam ir.

O que preocupa são as declarações e as possíveis medidas que tomarão os governantes dos EUA e do Brasil, que atualmente estão fazendo pouco caso do assunto.

Embarco nessa quarta para o México (Durango) para participar do World Sustainable Development Forum (WSDF 2020) que além da importância do evento que segue na direção da implementação do acordo de Paris e das ODS, deverá homenagear o organizador e importante ambientalista Rajendra Kumar Pachauri. Muitos encontros e projetos estão sendo costurados desde a Cúpula do Clima em setembro passado em Nova York. Tenho esperança! Esperança do verbo esperançar!

“É preciso ter esperança, mas ter esperança do verbo esperançar; porque tem gente que tem esperança do verbo esperar. E esperança do verbo esperar não é esperança, é espera. Esperançar é se levantar, esperançar é ir atrás, esperançar é construir, esperançar é não desistir! Esperançar é levar adiante, esperançar é juntar-se com outros para fazer de outro modo…” Paulo Freire

O mês de fevereiro foi particularmente….”

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Voltando ao primeiro de março de 2021, fico especialmente emocionado de reler a carta que escrevi para esse livro porque revela a minha completa falta de percepção da dimensão do que vinha vindo e ao mesmo tempo revela as pedras que deixei no caminho até aqui. Foi só no mês seguinte (abril) que passei a publicar (sem divulgar) essas pedras em forma de palavras e ideias que me acompanham nesse caminho que estou compartilhando.

No dia 11 de fevereiro celebrei os 30 anos de encontro com a minha cara-metade. Com certeza a coisa mais importante que aconteceu na minha vida. Agradeço a muita coisa dessa vida que foi muito generosa comigo, encontrar a Deborah foi uma iluminação que gerou e gera o viver a vida. Viver a Vida em versão original! Esse é também o título do livro que conta a nossa história e que nesse mês ganhou um formato digital. Fiquei na dúvida de escrever a palavra “coisa”, existem preconceitos com ela. Olhando rapidamente no Ecosia (a versão ecológica do Google que sempre uso) descobri o quanto ela é versátil e tem muuuuitos significados. Ela pode ser substantivo, adjetivo, advérbio e até verbo. O significado que mais encontrei foi: “Tudo o que existe ou que pode ter existência”. Não é demais? Portanto mantenho que encontrar a Deborah foi a coisa mais importante da minha vida!

Hoje de manhã, assisti ao Davos Lab Brasil na TV Folha. Foi muito bom! O que sempre me impressiona são aquelas pessoas que ficam no chat jogando palavras de ódio. Elas entram para isso! O que faz alguém entrar num evento que não aprecia e ficar falando mal de tudo e de todos? Com tanta coisa importante para fazer o que faz alguém perder tempo e energia com isso? Vamos excluir as pessoas que se submetem (banalidade do mal) a receber dinheiro para fazer atos destrutivos e aos robôs programados para isso. Ainda resta uma quantidade enorme de pessoas que covardemente, em seu anonimato, insistem em disseminar vibrações negativas. Existem pessoas que preferem torcer para que o time do outro perca do que o seu ganhe. Estranho, né? Vota num outro candidato para que o que não gosta perca. Sim, parece surreal, mas é a realidade! Uma pessoa escolhe um candidato de sua preferência, mas não vota nele porque acredita que deve votar no candidato que as pesquisas mostram que tem mais chance contra um do qual é contra. Com isso, sempre ganha um candidato que não é o da sua preferência! Como pode uma coisa dessas ser boa para a democracia? Por que as pessoas, na sua maioria, escolhem ser do contra? Como elas fazem para se justificarem consigo mesmas? A resposta é reduzindo a dissonância cognitiva, através de artifícios imaginários (histórias). Essa é uma das abordagens deliciosas que apresento nesse livro.   

No mês passado deixei uma palavra no ar: Percepção! Acredito que ela seja a essência do que é esse livro. A nossa realidade – nossa mesmo – é moldada pelas percepções do que acreditamos.

Hoje comecei um curso sobre “Perspectivas”. O curso é baseado nas forças de caráter da Psicologia Positiva criada por Martin Seligman. A Perspectiva é uma força de caráter da virtude da Sabedoria. Aprendi hoje a definição que é “Ser capaz de oferecer conselhos sábios aos outros; ter maneiras de ver o mundo que façam sentido para si e outras pessoas.”     

Ggostaria de deixar um link para um vídeo do Yuval Harari falando (em inglês) para jovens de uma escola multicultural no Japão. Tenho tido o privilégio, por conta desses momentos da pandemia, de ouvir uma conversa dele toda semana. https://youtu.be/9drNVSuyp0w

O que me preocupa mais nesse momento da pandemia são os médicos e os profissionais de saúde da linha de frente. Eles já passaram do ponto de “não retorno” para o Burnout, estresse e outras enfermidades. Temos que olhar sistemicamente para cuidar dos cuidadores porque se continuarmos nesse ritmo, além da tragédia individual desses profissionais teremos uma falta desses heróis para atender a demanda.

Que a força esteja com vocês!

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