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Posts Tagged ‘Alan Dubner’

Primeiro de Outubro

Amanhã será outro dia!

Amanhã será mais um dia!

O que está acontecendo? Tudo ao mesmo tempo! Será que estamos ficando acostumados e a crise civilizatória não nos afeta mais? Como estamos em relação ao desastre histórico do Furacão Ian, os 219 dias da invasão Russa na Ucrânia, a vitória da Giorgia Meloni na Itália, os mísseis lançados hoje pela Korea do Norte, os incêndios e desmatamentos recordes na Amazonia, o Brasil ser o país que mais matou ativistas ambientalistas e líderes comunitários em dez anos (Global Witness), o debate ridículo entre os que podem ser eleitos para governar esse país e, também, como estamos em relação ao Covid? Alguém se importa?           

Vou, agora, falar de coisa boa! O orgulho que terei em votar amanhã! Pode?

Meu voto será para a eleger a Marina Silva!

Meu principal voto vai para Marina Silva (1818), candidata à Deputada Federal por São Paulo.

Marina Silva tem recebido meu voto, respeito e admiração desde 2010.

Nessa dúzia de anos testemunhei a ambientalista, política e professora nos mais diversos momentos de ativismo direto sem qualquer gesto de autopromoção. Uma humildade genuína diante de seu precioso conhecimento, sabedoria e legado. Uma intensa curiosidade em aprender e apreender, surpreendendo e entusiasmando quem com ela interage. Ela esteve presente em praticamente todos os acontecimentos de impacto socioambiental com ações diretas e resultados significativos.

Ela é reconhecida e admirada mundialmente. Ontem, por exemplo, saiu no jornal “The Economist” e hoje no francês “Le Monde”.

Hoje paro por aqui! Não tenho mais palavras ou energia para continuar. Talvez o show do Oswaldo Montenegro, hoje à noite, possa me trazer um pouco de paz e que a minha loucura seja perdoada.

METADE

Oswaldo Montenegro

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece, nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas como a única coisa
Que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Porque metade de mim é a lembrança do que fui
Mas a outra metade, não sei

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é plateia
A outra metade é canção
E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também

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Estamos há um mês das eleições e apesar de tantos anos de evidências de que o processo eleitoral não tem funcionado a favor da democracia como deveria, não temos ainda outra forma de “escolher” nossos representantes. Alguns pontos são relevantes.

O primeiro turno deveria ser onde cada cidadão escolhe o candidato que mais o represente, com isso temos democraticamente uma fotografia de como está distribuída a intenção dos eleitores. O que vem acontecendo há décadas e principalmente nas últimas eleições é que o voto migrou de votar no melhor candidato para votar no “menos pior”. Muita gente passou a votar contra um candidato ao invés de a favor do seu candidato. É como preferir que o time do outro perca mais do que o seu próprio ganhe. É uma escolha pelo ódio ao invés do amor. Qual pode ser o resultado de uma eleição em que votamos nos piores?

A questão da influência das pesquisas nos resultados é outro ponto bem relevante nos resultados. Há uma tendência natural do ser humano em acreditar em números. Dificilmente uma notícia que não apresente números é considerada consistente. E por incrível que pareça, qualquer notícia que apresente números é considerada verdadeira. Por isso somos sistematicamente enganados, seja propositadamente ou ingenuamente. Por exemplo, em fevereiro de 2018 saiu uma notícia de que o Brasil levará 260 anos para atingir o nível de leitura dos países ricos. A informação é atribuída a um relatório (Pisa) de ninguém menos que o Banco Mundial. Estamos falando de uma previsão para o ano de 2.278. Como é possível alguém engolir uma bobagem dessas sem pestanejar? Vamos tentar imaginar o que significam 260 anos voltando para trás. Imaginem o Brasil no ano de 1.758, foi o ano em que se institui (Marques de Pombal) o Português como língua oficial do país. Até então, pouco se falava português, predominavam a Língua Geral (nheengatu) e o Tupi entre as quase mil línguas estimadas para a época. Com a proibição do ensino e uso de outra língua que não fosse o português, ocorreu o extermínio (chamado glotocídio) das outras línguas faladas no Brasil. Imaginem afora que a Companhia das Índias Ocidentais fizesse uma previsão qualquer para o Brasil de 2018. Os números dão a sensação de que cientistas altamente especializados conseguiram mensurar cuidadosamente e chegaram a uma verdade traduzida em números. Por que acreditamos nisso?

Voltando aos números das pesquisas e sua influência nos resultados das eleições, vou dar aqui um exemplo:

No primeiro turno da eleição para presidente em 2014, Marina Silva (após a morte de Eduardo Campos) aparece folgadamente em segundo lugar nas intenções de voto até alguns dias antes da eleição e continua em segunda lugar até o dia anterior a eleição. Vejam os números da intenção de votos na pesquisa espontânea (onde o eleitor fala espontaneamente em quem deseja votar):

Ibope (pesquisa realizada de 29/09 a 01/10) Dilma 35% – Marina 20% – Aécio 16%

DataFolha (pesquisa realizada de 01/10 a 02/10) Dilma 35% – Marina 20% – Aécio 17%

DataFolha (pesquisa realizada de 03/10 a 04/10) Dilma 36% – Marina 19% – Aécio 20%

Como pode ter ocorrido uma mudança tão súbita? Será que só as malvadezas articuladas pelo marketeiro do PT foram suficientes? Vejam o impacto que os números da pesquisa causaram. Os eleitores que estavam votando contra o PT, ao saberem (no dia anterior a eleição) que o Aécio tinha ido para a segunda colocação, migraram seus votos da Marina para o Aécio. As pesquisas causaram o efeito da profecia autorrealizada. O mais irônico é que justamente aqueles que votaram contra o PT elegeram a Dilma. Claro que o PT fez uma gigantesca campanha de difamação com mentiras e sofisticadas atuações de manipulação nas mídias sociais inaugurando um sistema que hoje chamamos de Fake News, porém foram os números das pesquisas que deram o toque final e selaram o destino do Brasil.

Outro ponto relevante nas eleições, que são obrigatórias, é a importância do “ninguém” (soma dos votos nulos, brancos e ausências). A saída mais fácil é dizer que quem não vota em alguém está indo contra a democracia ou permitindo que o pior vença. Eu pessoalmente, nunca anulei meu voto, mas acredito que é um voto válido. O ninguém fica sempre muito bem colocado no primeiro turno que deveria ser o retrato do que o país/estado/município está escolhendo para governá-lo. Muitas vezes as opções são ruins e anular o voto é um ato válido! 

Independência do Brasil foi no dia 2 de setembro

Amanhã, 2 de setembro, a independência do Brasil fará 200 anos. Sim, a independência do Brasil foi decretada no dia 2 de setembro de 1822. Quem decretou a independência não foi D.Pedro I e sim a princesa Maria Leopoldina (austríaca). D. Pedro I só foi informado da independência cinco dias depois. O pintor Pedro Américo, 66 anos depois da independência, pintou um quadro (fake news) retratando o inexistente Grito do Ipiranga, a pedido de D. Pedro II. A falsa narrativa morou por muitos anos nos livros de história do Brasil. O coração de D. Pedro I veio ao Brasil (cena ridícula) para celebrar os 200 anos da independência, enquanto quem realmente a decretou está aqui sepultada sob o Monumento à Independência em São Paulo. D. Pedro I, sem o coração, também está sepultado no mesmo local que Maria Leopoldina. Tem um podcast muito bom chamado Projeto Querino que fala da história do Brasil da perspectiva das relações de poder e suas consequências.

Curiosidade sobre o nosso hino (para mim é bem simbólico): faz 100 anos que se tornou oficial (1922). A música foi criada há 200 anos (1822), mas só foi publicamente executada em 1931 para (pasmem) celebrar a abdicação de Dom Pedro I ao trono do Brasil e foi executada em 13 de abril desse mesmo ano (por isso esse dia é o dia do Hino Nacional). A letra atual foi adicionada 78 anos depois (1909) após o primeiro golpe militar (1889) que, antes disso, tocava a “Marselhesa” (hino da França) em eventos oficiais. A letra teve 11 modificações até se tornou oficial em 1922 e permanece até hoje. Fora tudo isso, existem fortes evidências de que a música tenha sido plagiada (ou adaptada) de Paganini e ou Liszt.

Negócio da China

China, o maior poluidor do mundo, estava iniciando as negociações climáticas com os acordos na COP26 (Glascow). A visita da Nancy Pelosi (presidente da câmara dos representantes dos EUA), no dia 2 de agosto a Taiwan coloca em risco os avanços dessas negociações e indica que as expectativas para a COP27 são bem ruins.   

Congresso de Psicodrama

Amanhã começa o 23º Congresso Brasileiro de Psicodrama. A plenária de abertura do Pré Congresso será uma conversa minha e da Beth Chleba com Paulina Chamorro e Mario Mantovani sobre os caminhos da sustentabilidade. Esses dois heróis são protagonistas de muito ativismo ambiental, da política às vozes do planeta.  

Encontro de Família

No fim de semana passado participei do 13º encontro da Família K onde 235 pessoas se reuniram. Essas são as ações que levam a paz. Se cada núcleo familiar se reunisse de tanto em tanto para expressar e compartilhar amor… com certeza haveria menos espaço para cultivar o ódio.

11 de agosto de 2022

Uma fresta de esperança no horizonte!

290 dias da invasão Russa na Ucrânia

Seria inacreditável se não fosse verdade!

COVID Longa

A incerteza que ainda paira entre nós!

COP27

Será que no Egito cumpriremos as promessas de Glascow ou é um símbolo do retrocesso desses tempos de sombrios?

Rio+30 cancelada

Ela iria ocorrer de 17 a 19 de outubro , tristemente, não será realizada!

Sociedade Civil fazendo Política

Acredito que a política está cada vez mais sendo conduzida pela sociedade civil. Começando pelas bordas, pelas decisões locais, pelas alianças e associações. A sociedade civil percebe a ineficácia e ou corrupção de uma grande parte da governança pública. A sociedade civil está, também, ocupando mais a política elegendo representantes legítimos. Desejo que em alguns anos tenhamos políticos alinhados com a democracia.

Por hoje é só…

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Primeiro de Julho

Luz no fim do Túnel?

Esse mês de junho foi muito… muito intenso. Foi um daqueles meses que parecem um ano inteiro. A começar que estou escrevendo essas linhas com covid no meu organismo, testei positivo há três dias.

Desinformação

Quanto ao covid19, me lembro de várias vezes ter escrito questionando nossa percepção em relação aos números publicados por cada país, aos tratamentos recomendados, a origem do vírus, a eficácia de cada vacina, as medidas de prevenção, compensações econômicas, benefícios escusos, políticas antiéticas e as decretações do fim da pandemia, começando pela Dinamarca no dia primeiro de fevereiro desse ano. Passados dois anos e meio continuamos sem respostas para nenhuma dessas questões e as divergências são tão antagônicas quanto (ambas) cientificamente comprovadas. Resta ao cidadão se conscientizar de que não existe o certo e o errado e sim a falta de informação, a desinformação e a informação. Sendo a desinformação a mais usual, porque é atraente para quem lê, vem travestida de informação, gera muitos negócios e tem a garantia de impunidade para quem a produz. A falta de informação não é atraente, reflete um certo fracasso, gera demanda por informação (geralmente preenchida, oportunisticamente, por desinformação) e ao seu favor conta apenas a honestidade. Quanto a informação é uma joia rara que se confunde facilmente com bijuteria. A informação é geralmente mais inacreditável do que a desinformação, não tem apelo (appeal) e a narrativa (por não ter sido construída) não cola. Portanto estamos bem, correto? Bem mal!

A arte da desinformação tem método, intenção e patrocínio. Ela não é nova, sempre existiu. Para que ela funcione bem é preciso que por um lado se anuncie que o rei nu está vestido e por outro oferecer pão e circo. A vantagem que a desinformação tem é que a grande maioria acredita e deixa quem não acredita numa situação constrangedora.

Uma das estratégias, hoje bem conhecida é de após fabricar essas fake news, eles procuram espalhar através dos seus milhares de micro funcionários para tentarem se destacar junto aos chamados “inocentes uteis”. Eles são em geral os influencers (influenciadores) que na verdade são apenas intermediários. Eles não produzem notícias, repassam aquelas que estão “bombando”. Com isso o público deles (cada vez maior) tem a sensação de que são eles que fizeram a notícia “bombar”. Tem muitas outras estratégias conhecidas.

O caso da desinformação sobre o ator francês, Alain Delon, ter decidido realizar seu suicídio assistido divulgado em abril desse ano no mundo inteiro, ajuda a ilustrar essa ideia. Foi uma fake news, como tantas, que fez centenas de milhares de fãs acreditarem que ele tinha morrido e ou que tinha marcado seu suicídio com o acompanhamento do seu filho. A fabricação é simples, alguém pegou um trecho de uma entrevista dele e outra do filho e tirou completamente do contexto, acrescentaram que o ator se mudou para a Suíça porque lá a eutanásia é legalizada. O resto da mídia foi na onda e replicou a bobagem, o assunto viralizou nas redes sociais e até hoje tem gente acreditando que isso seja verdade. As vezes acontece um acidente como no jornal Folha de São Paulo que no dia 11 de abril (e não 1º de abril) anunciou, na internet, a morte da Rainha Elizabeth: “Morre Elizabeth 2ª, a mais longeva rainha da história britânica, aos XX” com o subtítulo: “Discreta, soberana deixa como maior legado confiança na monarquia”. A situação viralizou nas mídias sociais em que os títulos eram versões de “Folha Mata Rainha da Inglaterra”. Nesse caso da Folha, não foi uma desinformação deliberadamente montada, na verdade é um caso de falta de informação – não sabemos como e porque ocorreu essa gafe. Tudo bem!

Bruno Pereira e Dom Phillips

No dia primeiro de junho, eu estava conduzindo uma conversa num evento híbrido paralelo a Stockholm+50 pela SOL (Society for Organizational Learning) de Estocolmo. A conversa foi com o líder indígena Almir Suruí (Rondônia) e uma inédita visita virtual a aldeia Maronal, no Vale do Javari, onde o Cacique Alfredo Maronal descrevia para o publico em Estocolmo e no Zoom as principais ameaças à vida dos povos locais e à floresta Amazônica. A situação descrita (in loco) chocou os participantes estrangeiros a nossa realidade. Parecia tão inacreditável, que muitos confessaram depois, achavam que estavam exagerando. Não era possível, nos dias de hoje, que isso fosse permitido e pior… até incentivado. Quatro dias depois – simbolicamente – no dia 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente, definido por causa do primeiro evento internacional sobre o meio ambiente há exatos 50 anos em Estocolmo, desaparecem dois importantíssimos ativistas da causa humanitária, exatamente na região próxima a aldeia Maronal, no mesmo rio (Ituí/Itaquaí) e na mesma cidade (Atalaia do Norte) mencionada pelo cacique Alfredo. Aliás, Bruno e Dom estavam em Atalaia do Norte nesse mesmo dia 1º enquanto, próximo dali, estávamos numa roda de conversa híbrida com cerca de 40 pessoas de 15 países diferentes. O jornalista inglês Dom Phillips estava entrevistando lideranças indígenas para seu livro “Como Salvar a Amazônia”.  

Foi só na segunda-feira, dia 6, que o mundo acordou com a notícia do desaparecimento e durante a semana uma parte do mundo acordou para a (ir)realidade dos crimes contra a humanidade cometidos na Amazônia. O que se seguiu e continua até hoje são cenas do horror que os povos da floresta vêm enfrentando, principalmente, nesses mais de três anos.     

Esse encontro que conduzi em Estocolmo contou a ajuda de muita gente e principalmente com a FAS (Fundação Amazonia Sustentável) liderada pelo amigo Virgílio Viana que vem, entre tantas outras coisas, viabilizando pontos de inclusão digital nos pontos mais remotos da floresta Amazônica e da indígena Rosa dos Anjos responsável pela área indígena da FAS, amiga de Bruno Pereira. Essa empreitada parecia tão impossível, principalmente porque nunca tinham feito uma comunicação por Zoom e não estavam conseguindo se conectar. No dia anterior tentamos fazer um teste, fiquei com a sala aberta aguardando que pudessem conseguir entrar. Até as 23h não tinham conseguido e não havia como me comunicar com eles. Para completar recebi a informação que a Txai Suruí não tinha conseguido embarcar no translado e que não chegaria a tempo em Estocolmo para participar com a Adri Maffioletti que ia ser (e foi) a host e tradutora no lado presencial em Estocolmo. Fui dormir pensando no texto que mandaria avisando que não ia rolar o encontro. Logo cedo, cedo mesmo porque as atividades começavam em Estocolmo às 9h (4 da manhã no Brasil) o Zoom me mandou uma mensagem que tentaram entrar a meia noite na sala, ou seja, havia esperanças e para melhorar ainda mais o Cacique Almir Suruí se ofereceu para participar substituindo sua filha Txai. Estava parecendo que conseguiríamos realizar essa façanha. A Adri Maffioletti foi uma host maravilhosa, transbordou simpatia, alegria, competência na tradução para o inglês, conhecimento profundo da causa indígena brasileira principalmente da necessidade de um ativismo mundial da qual é uma das expoentes do Fridays for Future e MAPA (Most Affected People and Areas). Recebemos, no dia do evento, um vídeo com depoimento do líder Pedro Marubo em sua língua nativa:

Depoimento de Pedro Tamasaimpa Marubo fala: “Nós defendemos a nossa floresta e nosso território não é simplesmente para morar. Ela nos oferece recursos naturais como por exemplo: Ervas e plantas medicinais, lagos, igarapés e matas que nos oferece peixes, caças sem fim. Por esta razão, defendemos nosso chão porque, a terra para nós povos indígenas é o melhor que governo, ela nos dar tudo que precisamos. Enquanto governo nos tira nossa terra apoiando garimpo, fazendeiros e madeireiros. A chegada da internet na nossa aldeia é muito importante para todos nós. Os nossos filhos terão conhecimento científico-tecnológica do homem branco e vamos juntar com nossos conhecimentos tradicionais nós também participaremos das reuniões que acontecerão longe nas cidades através de videoconferências e outros assuntos do nosso interesse que serão discutidos pelos políticos muitas vezes homem branco discutem sem a nossa participação agora podemos falar direto da nossa aldeia sem ter que sair, vocês chegam até nós para nos ouvir e buscar nos ajudar.”

Sugiro fortemente que vejam esses importantes links para entrarem mais profundamente nas questões sistêmicas rodeando Bruno e Dom.

The Guardian em inglês (entrem também nos links):

Agência Pública (vários artigos):

Vozes do Planeta (Paulina Chamorro)

Roda Viva (Sydney Possuelo)

Stockholm+50

Provavelmente a Suécia, num futuro muito próximo, vai se envergonhar profundamente do que fez e principalmente do que não fez nesse evento que deveria ter sido o mais significativo dessa década. Ela conseguiu desmobilizar de tal maneira que se torna quase impossível tirar alguma coisa de boa dela. Acompanhei integralmente ao vivo no dia 2 e 3 de junho (as datas já são parte da vergonha) e fui vendo as gravações ao longo da semana seguinte. O país de Greta Thunberg e de Johan Rockström não poderia ter feito isso com a memória da Estocolmo 1972 e dos 50 anos de tudo que foi gerado de encontros, documentos, decisões e acordos de sustentabilidade. A reunião preparatória de 28 de março na ONU em Nova York já anunciava o fracasso e não teve qualquer esforço de minimizar (ou mitigar) os resultados negativos. Como todo evento da ONU, o que fez valer a pena de ir a Estocolmo foram os eventos não oficiais promovidos pela sociedade civil. Parece que depois de 50 anos ainda não aprendemos de que a ONU, os governos e as empresas não deveriam mais serem convidadas a participarem de encontros tão importantes. Há honrosas exceções como o Protocolo de Montreal e outros que geraram resultados. Num dos eventos laterais que participei era sobre porque as ODS não emplacaram e suas implicações na política. Esse mês deve sair um livro sobre um estudo profundo apresentado no evento “The Political Impact of the Sustainable Development Goals“ lançado pela Cambridge University Press e pode ser baixado gratuitamente

Os jovens e os povos originários foram os responsáveis pelas principais atrações e movimentos ativistas. Esperamos que tenhamos melhor aproveitamento na nossa Cúpula dos Povos na Rio+30 em outubro desse ano.   

Tempo Quente

Um dos grandes presentes de junho foi o lançamento do Podcast “Tempo Quente” (Radio Novelo) que foi lançado em 7 de junho com o episódio “Alerta Vermelho” e a inacreditável história do “carvão mineral sustentável” contada deliciosamente pela jornalista Giovana Girardi.

https://www.radionovelo.com.br/tempoquente

No episódio dessa semana “Amazonia sitiada”, sem dar spoiler tem uma deliciosa linha do tempo contada com amor, humor e responsabilidade socioambiental. Adorei a mini participação do Tasso Azevedo (MapBiomas) e do Claudio Angelo (Observatório do Clima)

Gostei também da Giovana ter colocado o Delfim Neto no local que ele merece ao invés de reverenciá-lo, como o fazem algumas mídias. Uma das pérolas ditas por ele é de que “a Trans Amazônica é a coisa mais fake news que já se construiu no Brasil”. Olha só quem fala!

Vida longa ao Tempo Quente!

Luz no fim do túnel nas eleições 2022

Depois de tantos mandos e desmandos para sistematicamente destruir a democracia, acredito que podemos vislumbrar alguma luz no fim desse escuro, violento e corrupto túnel. O assunto não poderia ser eleição presidencial, não há o que dizer apesar de todos não pararem de falar.

Amanhã, 2 de julho, o Meio Ambiente tem o prazer de anunciar a pré-candidatura de Marina Silva para Deputada Federal por São Paulo. Quem for de outro estado, pode contribuir pedindo a um amigo ou parente de São Paulo votar nela. Além de Marina Silva existem outros que defendem a democracia e a pauta socioambiental. Esperamos que tenhamos cada vez bons políticos eleitos.

Espero que políticos como os que estão causando os problemas na Amazônia, por terem aberto a porteira aproveitando a pandemia, recebam poucos votos dos cidadãos desinformados.

Enquanto isso…

Presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, bem próximo ao presidente da república é acusado de assédio sexual e pede rapidamente demissão.

O ex-ministro da Educação, Milton Ribeiro foi preso.

Na Colômbia, Gustavo Petro, vence a eleição. Uma esperança?   

Encontro do G7 nos Alpes da Bavária (Alemanha)

128 dias de invasão Russa na Ucrânia

Terremoto no Afeganistão

Greta Thunberg aparece de surpresa no Festival de Glastonbury

Terminou ontem a Cúpula da OTAN

Mesmo com tudo isso vemos uma luz no fim do túnel… só esperançamos de que não seja um trem!

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Primeiro de Junho

Adri Maffioletti

Hoje é, antes de mais nada, o aniversário de dois anos da minha neta. Razão de ser de tudo que faço para um planeta melhor.  Nossas ações de hoje são para as futuras gerações.

Hoje foi um momento histórico num evento em Estocolmo celebrando os 50 anos da primeira conferência da ONU. O encontro contou com a presença da jovem indígena ativista Adri Maffioletti que liderou a conversa e traduziu para o público local as vozes das lideranças indígenas da Amazonia do distante Vale do Javari (Aldeia Maronal do povo Marubo) e do Cacique Almir Suruí da Terra Indígena Sete de Setembro, em Cacoal, Rondônia. Txai Suruí, que foi a primeira indígena a fazer um discurso (notável) na abertura de uma COP (COP26 Glasgow), também deveria estar presencialmente nesse evento em Estocolmo, mas seu voo atrasou muito e não conseguiu chegar. Seu pai, Almir Suruí, falou da situação crítica da região pelo desmatamento e grande pressão da mineração, muitas vezes incentivado pelo governo. As instituições do governo estão apresentando leis que querem garantir desmatamento, mineração e arrendamento das terras indígenas. Por exemplo, na Terra Indígena Sete de Setembro parte do governo estão apoiando a criação de uma cooperativa indígena de agronegócio, isso é muito ruim para os indígenas locais. A luta deles é de preservar a floresta, os rios, sua cultura e buscar uma forma econômica mais sustentável. Em seguida Virgílio Viana fundador da FAS (Fundação Amazonia Sustentável) que possibilitou esse encontro através do programa dos polos de inclusão digital, apresentou os principais desafios para a preservação da floresta amazônica e seus guardiões. A principal mensagem é de que já passamos da fase de conscientizar e agora é o momento de agir. Muito forte! Rosa dos Anjos, indígena, responsável na FAS pela área indígena apresentou falou dos desafios enfrentados pelos povos da Amazonia. Fomos (em torno de 15 países no evento) transportados virtualmente para a Aldeia Maronal onde o Cacique Alfredo Maronal nos deu noção dos desafios que estão vivenciando principalmente com os invasores nas fronteiras com o Peru e a Colômbia. São pescadores, caçadores, garimpeiros e narcotraficantes. Os representantes que vivem na cidade estão sendo ameaçados pelos pescadores e caçadores, recentemente teve troca de tiro na base do rio Ituí. Precisam de reforço nas bases e estrutura para evitar os invasores. Precisam que instituições e órgãos responsáveis para proteger as bases e seus representantes. O desmatamento já está ultrapassando para dentro das áreas indígenas no Acre. A preocupação dos indígenas como um todo é muito parecida. Esse encontro me emocionou muito! A chamada para o evento pode ser vista no https://bit.ly/AmazonPeople

Amanhã, 2 de junho, começa a Stockholm+50 que tem na sua programação oficial (ONU e Governo Sueco) apenas mais do mesmo. A reunião preparatória em 28 de março na sede da ONU (Nova York) selou o triste destino de um evento que tinha tudo para ser grandioso. Espero estar enganado. Enquanto isso nas ruas e nos eventos laterais, como o de hoje, há muita esperança de resultados importantes. A Stockhol+50 “de verdade” acontece fora dos muros oficiais. Estarei os próximos dias, como estive nos últimos dois, imerso nas dezenas de eventos paralelos. O Dia Mundial do Meio Ambiente é no próximo domingo, 5 de junho! Ironicamente o evento oficial termina no dia 3.

Que as próximas gerações nos perdoem………. perdoa-lhes, pois eles não sabem o que fazem!

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Vaca não dá Leite

A história que se conta é que quando os filhos fizessem 12 anos o pai, contaria o Segredo da Vida. Esse segredo é que vaca não dá leite… você tem que tirar o leite da vaca e passar por todos os dissabores que essa operação exige. Apesar de ser uma boa analogia de que as “coisas” não caem do céu e de que é preciso trabalhar arduamente para consegui-las, ela também esconde um segredo maior ainda que, involuntariamente, acaba formando as crianças para um sistema que está ficando obsoleto (neoliberalismo). O segredo maior ainda é de que a vaca dá leite para o seu bezerro e não para nós, por isso, é necessário TIRAR o leite da vaca. A mesma analogia não funcionária tão bem, para as crianças, se o Segredo da Vida fosse que o boi não dá carne… é preciso tirar a carne do boi e passar pelos dissabores que essa operação exige. Uma parte significativa das novas gerações estão procurando ensinar o básico para os pais, professores, políticos e adultos em geral de que os animais dão leite para suas crias e não dão carne para nós. Apesar de todo blá blá blá dos que deveriam estar agindo como adultos, os jovens e as crianças não aceitam mais ouvir lições dos que continuam impunemente a TIRAR do seu futuro.

Estamos a um mês da Stockholm+50 que deveria ser o principal marco dos 50 anos de ações para a sustentabilidade e, no entanto, o fracasso já está anunciado pelo hackeamento desse evento pelo governo Sueco que ignorou completamente o esforço de anos de iniciativas da sociedade civil. É triste ver que no país de Greta Thunberg e Johan Rockström, a mais importante celebração das últimas décadas, será vergonhosa. Outras coisas ridículas antecederam esse evento. A ONU só ratificou oficialmente o evento em final de maio de 2021, a data original seria em maio, conseguiram que fosse transferido para 2 e 3 de junho enquanto a data dos 50 anos de Estocolmo 1972 é 5 de junho (que se tornou o dia mundial do meio ambiente). Dois dias antes, 31 de maio e 1 de junho, vai acontecer o Stockholm Learning Plaza da SoL (Society for Organizational Learning) que estou ajudando a organizar. Será um evento hibrido de conversas com os fundadores da SoL, Peter Senge e Göran Carstedt, com o Diretor de Objetivos do Desenvolvimento Interno Jan Henriksson, a vencedora do prêmio Rachel Carson, Marylin Mehlman, e muitos outros participantes engajados e conhecidos. Veja o programa do evento

E quanto aos povos indígenas? Está ocorrendo uma inacreditável violência com os povos originários. Na última 5ª feira (28/4), a ministra Cármen Lúcia cobrou uma apuração cuidadosa sobre o crime e a violência sofrida pelos Yanomami nas mãos dos garimpeiros. “Essa perversidade não pode permanecer como dados estatísticos, como fatos normais da vida. Não são. Nem podem permanecer como notícias”, disse a ministra. “Não é possível calar ou se omitir diante do descalabro de desumanidades criminosamente impostas às mulheres brasileiras, dentre as quais mais ainda as indígenas, que estão sendo mortas pela ferocidade desumana e incontida de alguns”. Leiam uma ótima matéria produzida pela Emily Costa e Elaíze Farias, da Amazônia Real

Veja os dados da importância das comunidades indígenas para a proteção das nossas florestas no MapBiomas que é a plataforma mais completa, atualizada e detalhada base de dados espaciais de uso da terra em um país disponível no mundo. Foi publicada no Dia do Índio em 19/04

Desmatamento… o Brasil foi responsável (irresponsável) por quase a metade do desmatamento das florestas primárias do mundo em 2021. Há, pelo menos, dez anos que o desmatamento está desgovernado pela gestão dos governos. Nos últimas três anos a destruição é sem precedentes! Na última 5ª feira (28/4),o Global Forest Watch publicou um relatório completo de 2021.

O consumidor, na maioria das vezes, é conivente com o desmatamento praticado, principalmente, pela indústria da carne. A informação foi revelada nesta última quarta-feira (27/04) pela plataforma Reclame Aqui. Ela faz parte de uma pesquisa realizada com quase 10 mil brasileiros entre 16 e 18 de novembro de 2021, que mostrou que quase 60% dos consumidores entrevistados (59,24%) não deixou de colocar no prato carne proveniente de marcas ligadas à destruição da floresta Amazônica. Chocante para dizer o mínimo! Ou seja, o crime ambiental é apoiado pelo governo e pelo consumidor. Muito triste, trabalhador do Brasil.

E quanto ao Dia Internacional do Trabalhador? Não se trabalha! A etimologia da palavra trabalho é bem curiosa, vem do latim Tripalium que significava um instrumento de tortura formado por três pedaços de madeira. A palavra foi passada para a língua francesa como Travail que tinha o sentido de sentir dor, sofrer. Essa forma passou para o Português (trabalho) e para o Espanhol (trabajo). No italiano Labor tinha o significado de Fadiga, Cansaço.  No alemão Arbeit sugere sofrimento, esforço e dificuldade e vem diretamente das palavras servidão, escravidão. O The Guardian escreveu um artigo interessante, em 2013, sobre as raízes da tortura no trabalho.

A origem do Dia do Trabalhador também é bem interessante e tem raízes no marxismo com a questão da redução das horas de trabalho por dia, 8 de trabalho, 8 de lazer e 8 para dormir. Apesar de mais de 80 países celebrarem esse dia em função de acontecimentos ocorridos em 1886 em Chicago nos EUA, a celebração americana ocorre na primeira segunda-feira de setembro.

Ofereço a quem estiver lendo esse texto uma flor de Muguet (lírio do vale), onde na França se presenteia, em 1º de maio, a família e amigos para se desejar alegria e boa sorte.

E finalmente, falando do Dia da Terra (22/04), com tantas notícias péssimas e a insistência em se continuar agindo e ensinando as crianças que podemos tirar da natureza sem uma alfabetização ecológica mínima que permita entender as consequências de nossos atos… uma boa notícia! Temos a Carta da Terra! Nosso principal documento enquanto responsabilidade humana em manter o nosso lar (a Terra) saudável para todos e principalmente para as futuras gerações. Honrando todos que participaram desse feito! Reproduzo aqui o preâmbulo desse precioso texto e convido a lê-la (espero que novamente) integralmente com atenção, escuta generosa e principalmente amor.

Carta da Terra – Preâmbulo

Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo se torna cada vez mais interdependente e frágil, o futuro reserva, ao mesmo tempo, grande perigo e grande esperança. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio de uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos nos juntar para gerar uma sociedade sustentável global fundada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura de paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade de vida e com as futuras gerações.

TERRA, NOSSO LAR

A humanidade é parte de um vasto universo em evolução. A Terra, nosso lar, é viva como uma comunidade de vida incomparável. As forças da natureza fazem da existência uma aventura exigente e incerta, mas a Terra providenciou as condições essenciais para a evolução da vida. A capacidade de recuperação da comunidade de vida e o bem-estar da humanidade dependem da preservação de uma biosfera saudável com todos seus sistemas ecológicos, uma rica variedade de plantas e animais, solos férteis, águas puras e ar limpo. O meio ambiente global com seus recursos finitos é uma preocupação comum de todos os povos. A proteção da vitalidade, diversidade e beleza da Terra é um dever sagrado.

A SITUAÇÃO GLOBAL

Os padrões dominantes de produção e consumo estão causando devastação ambiental, esgotamento dos recursos e uma massiva extinção de espécies. Comunidades estão sendo arruinadas. Os benefícios do desenvolvimento não estão sendo divididos equitativamente e a diferença entre ricos e pobres está aumentando. A injustiça, a pobreza, a ignorância e os conflitos violentos têm aumentado e são causas de grande sofrimento. O crescimento sem precedentes da população humana tem sobrecarregado os sistemas ecológico e social. As bases da segurança global estão ameaçadas. Essas tendências são perigosas, mas não inevitáveis.

DESAFIOS FUTUROS

A escolha é nossa: formar uma aliança global para cuidar da Terra e uns dos outros ou arriscar a nossa destruição e a da diversidade da vida. São necessárias mudanças fundamentais em nossos valores, instituições e modos de vida. Devemos entender que, quando as necessidades básicas forem supridas, o desenvolvimento humano será primariamente voltado a ser mais e não a ter mais. Temos o conhecimento e a tecnologia necessários para abastecer a todos e reduzir nossos impactos no meio ambiente. O surgimento de uma sociedade civil global está criando novas oportunidades para construir um mundo democrático e humano. Nossos desafios ambientais, econômicos, políticos, sociais e espirituais estão interligados e juntos podemos forjar soluções inclusivas.

RESPONSABILIDADE UNIVERSAL

Para realizar estas aspirações, devemos decidir viver com um sentido de responsabilidade universal, identificando-nos com a comunidade terrestre como um todo, bem como com nossas comunidades locais. Somos, ao mesmo tempo, cidadãos de nações diferentes e de um mundo no qual as dimensões local e global estão ligadas. Cada um compartilha responsabilidade pelo presente e pelo futuro bem-estar da família humana e de todo o mundo dos seres vivos. O espírito de solidariedade humana e de parentesco com toda a vida é fortalecido quando vivemos com reverência o mistério da existência, com gratidão pelo dom da vida e com humildade em relação ao lugar que o ser humano ocupa na natureza.

Necessitamos com urgência de uma visão compartilhada de valores básicos para proporcionar um fundamento ético à comunidade mundial emergente. Portanto, juntos na esperança, afirmamos os seguintes princípios, interdependentes, visando a um modo de vida sustentável como padrão comum, através dos quais a conduta de todos os indivíduos, organizações, empresas, governos e instituições transnacionais será dirigida e avaliada.

Carta da Terra completa

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Primeiro de Março

Tudo que precisamos é… Amor!

Hoje, 1º de março, é o Dia Mundial do Futuro. Que futuro é esse? Se o futuro é o resultado das ações do presente… que presente é esse?

Aparentemente a humanidade está conspirando para a extinção ou drástica redução de si mesma. E o pior é que nos consideramos animais racionais e inteligentes. Seriam as ações cometidas contra nós mesmos apenas uma forma da natureza reagir a uma espécie invasiva (praga)? Prefiro não acreditar nisso. Prefiro acreditar que temos centenas de milhares de boas sementes germinando nas novas gerações e que vão florescer para alterar o rumo ditado atualmente pela grande minoria de déspotas, seus fiéis seguidores e uma enorme maioria de colaboradores através do silêncio ou das ações de banalidade do mal.

A Rússia está atacando a Ucrânia desde o dia 24 (23 no Brasil) de fevereiro e o Putin declarou nesse mesmo dia que quem tentar impedir ou criar ameaças para o país ou seu povo, “a Rússia responderá imediatamente e levará a consequências nunca enfrentadas em toda sua história”. No último domingo (27/02) Putin acabou com a aparente tranquilidade de qualquer ocidental que acreditasse estar a uma distância segura do campo de batalha. Ele ordenou que as forças nucleares russas mudassem para um estado de alerta mais alto que ele chamou de “prontidão de combate especial”.

De todo o noticiário, o texto do Yuval Harari de ontem (28/02) no “The Guardian”, foi o que mais gostei. O título já diz tudo: “Por que Vladmir Putin já perdeu essa guerra.”

Separei alguns trechos:

“Com menos de uma semana de guerra, parece cada vez mais provável que Vladimir Putin esteja caminhando para uma derrota histórica. Ele pode ganhar todas as batalhas, mas ainda assim perder a guerra. O sonho de Putin de reconstruir o império russo sempre se baseou na mentira de que a Ucrânia não é uma nação real, que os ucranianos não são um povo real e que os habitantes de Kiev, Kharkiv e Lviv anseiam pelo governo de Moscou. Isso é uma mentira completa – a Ucrânia é uma nação com mais de mil anos de história, e Kiev já era uma grande metrópole quando Moscou nem era ainda uma vila. Mas o déspota russo contou sua mentira tantas vezes que aparentemente ele mesmo acredita nela.”

“A cada dia que passa, fica mais claro que a aposta de Putin está falhando. O povo ucraniano está resistindo de todo coração, conquistando a admiração do mundo inteiro – e vencendo a guerra. Muitos dias sombrios estão por vir. Os russos ainda podem conquistar toda a Ucrânia. Mas para vencer a guerra, os russos teriam que controlar a Ucrânia, e eles só podem fazer isso se o povo ucraniano permitir. Isso parece cada vez mais improvável de acontecer.”

“Ao derramar cada vez mais sangue ucraniano, Putin garante que seu sonho nunca será realizado. Não será o nome de Mikhail Gorbachev escrito na certidão de óbito do império russo: será o de Putin. Gorbachev deixou russos e ucranianos se sentindo como irmãos; Putin os transformou em inimigos e garantiu que a nação ucraniana daqui em diante se posicione em oposição à Rússia.”

“O déspota russo deveria saber disso (nações são construídas por histórias) tão bem quanto qualquer um. Quando criança, ele cresceu alimentado por histórias sobre as atrocidades alemãs e a bravura russa no cerco de Leningrado. Ele agora está produzindo histórias semelhantes, mas se colocando no papel de Hitler.”

Texto publicado no The Guardian

Harari vem, há alguns anos, nos alertando para os três principais perigos para o futuro da nossa humanidade que exigiriam uma cooperação global: guerra nuclear, colapso ecológico e disrupção tecnológica. Estamos, no momento, vivenciando intensamente esses três perigos.

Nessa constante guerra de polarização – somos sempre nós contra eles – Quem somos nós? Rússia contra o resto do mundo menos China, Índia, Brasil, África do Sul (BRICS?) e alguns outros mais tímidos. Portanto estamos do lado da Rússia, correto? Estamos do lado da Rússia da mesma maneira que os russos estão do lado do Putin. Novamente… quem somos nós e quem são eles? De alguma forma Putin está conseguindo realizar um fato inédito: unir todo o mundo para o lado do “nós” independentemente de seu país de origem, crença religiosa, ser a favor ou contra as vacinas de covid19, time que torce, partido político e até mesmo se está ou não no metaverso.

Além do Dia Mundial do Futuro, hoje é Carnaval a festa mais popular do Brasil. Uma festa de origem bem antiga que foi cristianizada em que se prepara para a entrada da Quaresma onde o jejum de carne é (ou deveria ser) obedecida por 40 dias. O “carnem vale” (adeus a carne) é uma festividade onde os excessos são, de alguma forma, permitidos. Talvez estejamos vivendo um momento de “carnem vale” da humanidade e espero que os excessos estejam chegando ao fim para e que nós possamos sobreviver a esse carnaval.

Nesses últimos dias de insanidade dentro das fronteiras da Ucrânia, uma foto romântica de um casal, a russa Juliana Kuznetsova e seu noivo ucraniano cobertos com suas respectivas bandeiras, viralizou nas mídias sociais. Apesar de bem significativa para esse momento, a foto não foi tirada durante os conflitos dessa semana como se acreditou. Na verdade, ela foi tirada durante um concerto de música em Varsóvia, na Polonia em 2019.

Imagens com gestos de amor em momentos de conflito são manifestações de rara beleza. A foto (acima) desse texto foi tirada pelo fotógrafo Rich Lam, durante uma manifestação nas ruas de Vancouver em 2011. A foto é perfeita: emoldurada por um policial desfocado em primeiro plano e a fumaça com a multidão ao fundo, ali, no meio de um tumulto, um casal se beijando no meio de uma rua de Vancouver, praticamente brilhando na iluminação das luzes da rua. Chegou-se a pensar que a foto foi posada de tão bela que é. Um vídeo feito por um morador de um prédio em frente mostra (de cima) quando policiais derrubam e agridem com violência o casal. O rapaz, Scott Jones, relatou que depois que foram agredidos beijou Alex Thomas para acalmá-la. O casal de namorados, Scott (australiano) e Alex (canadense) se casaram e hoje moram na Austrália. Quando vemos uma imagem dessas, temos certeza de que tudo que precisamos é… Amor!   

All We Need is Love”, uma das mais significativas músicas compostas por John Lennon. Ela foi encomendada em junho de 1967 pela BBC de Londres para fazer parte de uma transmissão, pela primeira vez, ao vivo. Esse ambicioso programa foi chamado de “Our World” (Nosso Mundo), o primeiro programa de televisão global do mundo, que propunha ligar 25 países em cinco continentes simultaneamente por satélites que orbitam a Terra. Teve um alcance de mais de 400 milhões de espectadores, tornando este o programa de televisão mais ambicioso e histórico de seu tempo. John criou uma música com uma mensagem simples de entender mesmo para o quem não falasse inglês. Uma mensagem de amor para um mundo global unido ao vivo. O evento teve participação de convidados como Mick Jagger, Marianne Faithfull, Keith Richards, Keith Moon e Graham Nash. All You Need is Love é até hoje um hino que resume tudo que precisamos: Amor!  

Poucos anos depois John Lennon nos deixa outra mensagem:

“Imagine não haver o paraíso

É fácil se você tentar

Nenhum Inferno abaixo de nós

Acima de nós, só o céu

Imagine todas as pessoas

Vivendo o presente

Imagine que não houvesse nenhum país

Não é difícil imaginar

Nenhum motivo para matar ou morrer

E nem religião, também

Imagine todas as pessoas

Vivendo a vida em paz

Você pode dizer que eu sou um sonhador

Mas eu não sou o único

Espero que um dia você junte-se a nós

E o mundo será como um só

Imagine que não ha posses

Eu me pergunto se você pode

Sem a necessidade de ganância ou fome

Uma irmandade dos homens

Imagine todas as pessoas

Partilhando todo o mundo

Você pode dizer que eu sou um sonhador

Mas eu não sou o único

Espero que um dia você junte-se a nós

E o mundo viverá como um só”

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Bom dia 2022!

Como você será? Será mais generoso do que o ano anterior? Será que ainda dá tempo de fazer alguns pedidos?

Por favor não nos deixe voltar ao anormal e nem a um novo anormal. Não nos deixe repetir as obscenidades e atrocidades das eleições de 2018, para que as pessoas possam votar a favor de seus melhores e não contra os seus piores. Não permita que as florestas, as águas, a terra e a atmosfera sejam aniquiladas como vem sendo nos últimos dez anos, principalmente nos últimos três. Proteja os povos indígenas com suas mais de 300 etnias em que suas sabedorias planetárias estão se fazendo tão necessárias. Cuide muito bem dos artistas e de suas manifestações. Que a cultura seja percebida como gênero de primeira necessidade. Que a educação aproveite o tsunami da pandemia e migre do século 19 para o 21. Chega de fingir que se ensina e que se aprende. Que não se use em vão o nome da ciência para justificar qualquer argumento. Que a medicina possa cuidar mais da saúde do que da doença. Que a fé venha pela espiritualidade. Que a religião perceba que somos todos um. Que o COVID e suas variantes sejam mais gentis e nos una ao invés de nos dividir. Que a diversidade seja vista e reconhecida como uma grande vantagem sociocultural. Que a economia e os economistas percebam, finalmente, que são gestores da ecologia. Que uma governança eticamente responsável prevaleça. Que a Estocolmo+50 tenha resultados significativos!

Será que é pedir muito? Se for, sei que não estou sozinho!

Estamos na era das incertezas… isso é certeza! Edgar Morin que o diga!

O que aconteceu em dezembro de 2021?

CUIDADO: Não olhe para cima!

No dia 24 de dezembro o Netflix lançou o filme “Don’t Look Up” (Não olhe para cima). Procurei desligar todos os meus preconceitos que me fariam não ver o filme. Preciso confessar que gostei do resultado. É uma caricatura com todo tipo de humor, vai do pastelão ao escrachado, do politicamente muito incorreto ao sutilmente ácido. É uma sátira do que está acontecendo hoje em relação a emergência climática. Ele conversa e se relaciona com o público em geral que não tem muita noção do que está acontecendo ao seu redor com relação ao governo, as mídias, as empresas e provavelmente não imagina que os caricaturados são o próprio público que está vendo o filme. O fato do roteiro ter sido escrito antes da pandemia dá um tom quase profético à cadeia de eventos que relacionam a insignificância dos chefes de estado em relação a um problema de grande magnitude civilizatória e sua subserviência ao capital privado.

A ideia é simples, um cometa está vindo em direção ao nosso planeta e, em pouco tempo, vai se chocar causando nossa extinção. Genial! Até hoje, as evidências de que estamos rumando à extinção não deram certo porque preferimos acreditar no inacreditável. Acreditamos coletivamente em coisas que não existem e somos chamados a colaborar com essa ficção. Estamos tão envolvidos nela que a chamamos de realidade. No entanto, vira e mexe, aparecem verdades inconvenientes que nos levam a preferir aceitar mentiras convenientes para continuarmos no jogo. Quando Al Gore, lançou o documentário “Uma Verdade Inconveniente” em 2006 acreditei que agora o mundo não refutaria as evidências tão claras das mudanças climáticas e de que seria impossível ignorá-las. Mesmo com todas as tentativas de desbancá-lo, quando ganhou o Prêmio Nobel da Paz, em 2007, junto com o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) fiquei aliviado de que agora o mundo todo se conscientizaria e começaria a agir nessa direção. Lembrando que esse conhecimento não era novo, vinha desde 1972 (Estocolmo) e fortemente confirmado em na Rio 92. Me senti como o personagem do Leonardo DiCaprio, sem ser um cientista, chocado que o mundo escolhia não ver! Completamente abismado com tudo em volta que mantinha a farsa. Essa sensação continuou a me ocorrer muitas vezes depois disso. Em 2010 no primeiro Fórum Mundial de Sustentabilidade em Manaus, em 2012 na Rio+20, em 2015 na COP21 em Paris, em 2018 no Fórum Mundial da Água em Brasília, em 2019 na Cúpula do Clima da ONU em Nova York e virtualmente na COP26 em Glascow.    

Quais são as verdades inconvenientes que não podem aparecer?   

Fiz uma lista rápida de algumas que me ocorreram. Claro que tem as mais óbvias que são criadas, quase que diariamente, pelo atual governo federal. Mas vamos a minha listinha: origens da soja transgênica no Brasil; liberação sistemática dos agrotóxicos; COP26 e a Ômicron pelo mundo; usina de Belo Monte; indústria da proteína animal; agricultura predatória; Código Florestal; indústria da pesca; escândalo da FIFA; escândalo da Petrobras; pedofilia na igreja e muito mais verdades inconvenientes que precisam de lastro nas mentiras convenientes (Fake News) para manterem a realidade da ficção.        

Nem o diretor do filme, Andy McKay, olhou para cima!

Numa conversa entre o diretor e boa parte do elenco após o lançamento do filme, Andy McKay (diretor) pergunta, no final, o que cada um faria nos últimos momentos do mundo. Assim que Leonardo DiCaprio diz que faria exatamente como está no filme, Andy diz que comeria um sanduíche gigante de carne (Philly Cheese Steake), na contramão do que o filme está procurando denunciar… ou seja ele também faz parte da indústria que se alimenta da ignorância alheia através da sua própria. Irônico, para dizer o mínimo! A indústria da proteína animal é, talvez, uma das mais sensíveis verdades inconvenientes… mesmo entre os ambientalistas.  

 Conversa (em inglês): “Don’t Look Up” Cast Breaks Down Their New Netflix Comedy | Around the Table | Entertainment Weekly

E mais de dezembro:

Gabriel Boric foi eleito presidente do Chile. Terá 36 anos quando assumir em março. O que significa isso? Possível prever alguma coisa? Torcendo para que seja uma ótima oportunidade para uma real guinada na maneira de se fazer política. O mundo está de olho nos próximos passos do Chile e torce para que os resultados sejam bons. Porém, estamos na era das incertezas!  

Uma notícia que me deixou muito triste foi o fechamento da edição do El País Brasil, do qual assinava. A qualidade jornalística e independente com a brilhante liderança da jornalista Carla Jimenez e com colunistas de muita qualidade como a Eliane Brum, vai fazer falta… muita falta!

As enchentes na Bahia foram as piores dos últimos 30 anos e 153 municípios já decretaram situação de emergência (climática?). O governo Federal parece não estar olhando para essa tragédia como deveria, além disso recusou a ajuda humanitária externa oferecida pela Argentina.

Antes de tudo isso a Agência Pública fez uma ótima reportagem mostrando os privilégios com a água do Cerrado baiano.

 A situação na Amazonia só piora, principalmente pelo desmonte dos sistemas de fiscalização e liberação explícita para o extrativismo ilegal dos recursos naturais. Uma reportagem da Hellen Guimarães para a Revista Piauí mostra os crimes em série na Amazônia.    

Apesar das promessas durante a COP26, os varejistas globais continuam comprando carne ligada ao desmatamento. Uma investigação da Repórter Brasil mostra os elos que conectam a pecuária ligada ao desmatamento na Amazônia, no Cerrado e no Pantanal com supermercados na Europa e Estados Unidos.

Alerta Ômicron – Olhem para cima! Estamos vivendo um momento surreal no Brasil. Enquanto a maioria da população brasileira acredita que o COVID está dando uma trégua por aqui e até mesmo comemorando o fim da pandemia, os números de infecções tem aumentado numa proporção nunca vista antes. Como os sistemas de informações estão completamente instáveis o principal indicador é o pessoal. Você nunca viu tantas pessoas próximas testando positivo. Além disso seria completamente sem noção acreditar que a Europa e os EUA estão tendo um aumento gigantesco de casos, nas últimas duas semanas, e que isso não vai se refletir no Brasil. Ainda não sabemos se a nova variante será uma redução dos casos graves ou se continuará a afetar mais gravemente uma percentagem ainda significativa da população. A pandemia ainda não acabou!  

É preciso olhar para cima… para baixo, para os lados, para frente e para trás

O meu livro do ano de 2021 é o “Lições de um Século de Vida” do Edgar Morin.

O filme de 2021 é o documentário “Rompendo Barreiras” com David Attenborough.

Até o mês que vem! Tenho a sensação de que será um daqueles meses que parecem um ano!

Há exatamente dois anos eu iniciava essa série de cartas escritas no primeiro dia de cada mês. A ideia é que seria um capítulo reportando o dia a dia de cada mês. O desafio que me coloquei era de começar e terminar o texto no dia 1 de cada mês, independentemente de como seria meu dia. Seriam minhas impressões expressas espontaneamente, sem qualquer elaboração prévia ou posterior. A primeira carta foi escrita no primeiro dia do último ano da segunda década do século 21 (01/01/2020) e estamos hoje no primeiro dia do segundo ano da terceira década, mergulhados de corpo, mente e alma no tema principal do livro: Percepção!

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Da COP26 à presença do Ômicron

Estamos entrando no último mês do primeiro ano da terceira década do século 21. Onde estamos? Sabemos quem somos individualmente e ou coletivamente? Temos alguma ideia de como será o caminho civilizatório da terceira década deste século? O que aprendemos em 2021? O que mudou? Quais são as verdades que adquirimos, quais foram ressignificadas e quais foram confirmadas?

Todas essas verdades são a nossa necessidade de ter explicações para tudo. Por que precisamos de explicações? Por que acreditamos nas explicações? Será que escolhemos em quais explicações acreditar ou somos levados a acreditar? Por que, geralmente, acreditamos em apenas uma das explicações?

“Toda verdade passa por três estágios.
  No primeiro, ela é ridicularizada.
  No segundo, é rejeitada com violência.
  No terceiro, é aceita como evidente por si própria”. Arthur Schopenhauer

Esse trecho todo acima foi copiado e atualizado do texto inicial de primeiro de dezembro de 2020.

Será que depois de 20 meses de pandemia continuamos a acreditar no inacreditável e nos comportar da mesma maneira? O pior que pode nos acontecer é voltarmos ao que éramos em 2019 e, no entanto, muita gente está procurando caminhar para essa direção. Voltar ao normal ou para um novo normal, não é normal… é Normose! Normose é “um conjunto de hábitos considerados normais pelo consenso social que, na realidade, são patogênicos e nos levam à infelicidade, à doença e à perda de sentido na vida”, essa patologia é definida por Roberto Crema, Jean-Yves Leloup e Pierre Weil em seu livro – Normose: A patologia da normalidade – veja o TED do Roberto Crema que recomendei em outubro do ano passado: http://bit.ly/TEDnormose

Esse mês de novembro aconteceu o que deveria ter sido um momento decisivo (turning point) nas questões climáticas, a COP26. Na verdade o que aconteceu, na parte oficial, foram os negócios como de costume (business as usual) e qualquer possibilidade de se firmar algo mais concreto foi deixado para o ano que vem no Egito.     

O que ficou evidenciado nessa COP26 foi a procrastinação dos líderes mundiais. Evidenciou que ninguém realmente se importa em prometer o que não tem intenção de cumprir. Algo raro na política? Ficou claro também que não há razão de se fazer as próximas COPs com os líderes dos países, sejam presidentes, ministros ou outras pessoas das imensas e inúteis delegações que viajam uma vez por ano… para nada! O Brasil tinha a maior delegação do mundo, até mais do que o Reino Unido. Foram 479 membros inscritos, pelo Brasil, oficialmente na ONU. Desses, pelo menos 57 não pertencem a nenhum governo federal, estadual ou municipal, são empresários e representantes de associações corporativas, ligados à indústria e ao agronegócio. Entre todos esses inscritos na comitiva brasileira não há ONGs, ambientalistas, cientistas, pesquisadores, movimentos sociais ou organizações indígenas. O embaixador Paulino Franco, disse à Folha quando questionado sobre a recusa no credenciamento de ONGs que “A delegação oficial não pode incluir representantes que não são do governo.” Era melhor ter ficado quieto!

Quem se deu bem foi a indústria dos combustíveis fósseis que enviaram mais de 500 delegados (quando li isso achei que era fake news) para fazer lobby em todas as salas de negociação. Se isso é permitido numa COP… para que servem as COPs? – aliás minha grande pergunta. A grande diferença dessa COP para as anteriores é que por ter sido durante essa pandemia ficou claro que dá sim para “alterar o mundo todo”. A grande questão que se dizia nas COPs anteriores era de que não dava para “parar” o mundo. Dá sim!! O draft do texto final já era um conto da Carochinha… eles tiveram ainda que “suavizar” para o texto final. Como assim???? Mudanças como “eliminação gradual” para “redução gradual”.

Como sempre tivemos duas COP26. A primeira da ZONA Azul (Blue Zone) que foi o fiasco de sempre regado a algumas poucas intervenções maravilhosas como a da nossa indígena Txai Suruí (publiquei o discurso dela no texto do mês passado) que fez parte da abertura no dia 1 de novembro. Veja aqui a entrevista no Roda Viva dessa última segunda com ela e seu pai Almir Suruí.

A sociedade civil por outro lado se posicionou maravilhosamente bem todos os dias. Principalmente os jovens e as comunidades indígenas. São heróis que conseguiram a duras penas viajar até lá, encontrar onde ficar, arcar com os altos custos da estadia e enfrentar a superlotação de espaços oficiais que não comportavam o grande número de participantes. Foram eles que tomaram as ruas e os espaços alternativos para finalmente tornar Glascow uma razão de ser.

 O resultado final precisaria entrar item por item (Mitigação, Adaptação, Finanças, Perdas e Danos e alguns outros como o artigo 6 do Acordo de Paris), o que já foi muito bem feito pela mídia especializada desde o início da COP26.  Teve alguns poucos avanços que precisamos celebrar e muitos retrocessos que dessa vez ficaram evidentes. A COP21 de Paris foi camuflada fingindo ter sido um sucesso quando na verdade foi um fracasso retumbante para o meio ambiente. O sucesso de Paris foi diplomático e novamente pergunto “para que servem as COPs?”

E o Brasil com seu imenso stand para ironicamente mostrar um “Brasil real”. Ninguém caiu nessa e os verdadeiros protagonistas desse Brasil real foram os cientistas, ativistas, pesquisadores, jornalistas ambientais e institutos com grande credibilidade. Um ponto bem positivo para o Observatório do Clima que mobilizou mais de 200 entidades idôneas do Brasil e foi um farol da atuação brasileira em Glascow. Na sexta que deveria ser o encerramento, cada país falou do seu posicionamento em relação ao rascunho do texto (Brasil focou no artigo sexto do acordo de Paris). Logo após a fala dos representantes dos países havia uma calorosa salva de palmas. Venezuela não foi aplaudida e ficou um silêncio constrangedor. Depois que o Brasil falou também não teve aplauso… senti muita vergonha! Para não dizer que não falei das flores, o Brasil teve alguns momentos bons (acredito que foi fruto de um Itamaraty mais autônomo) como a assinatura de redução das emissões de metano em 30% até 2030. Isso vai afetar significativamente a indústria da proteína no Brasil. Ainda não sei como conseguiram que assinássemos isso. Num primeiro momento me surpreendeu positivamente e depois quando ficou claro que o governo escondeu os números da taxa do desmatamento do INPE que saiu apenas em 18 de novembro quando já estavam prontos em 27 de outubro… pareceu mais uma manobra para (literalmente) inglês ver.

A Relação direta entre as causas do COVID e as Emergências Climáticas na COP26 ficou bem definida em vários grupos de trabalho, a meu ver, não deixando mais dúvidas sobre a relação direta entre eles e numa visão de futuro das pandemias.

E o COVID na COP26? Esse é um assunto mantido a sete chaves pelo governo do Reino Unido e pela maioria dos países e até mesmo por entidades participantes. Não é um assunto que queremos incluir na pauta de uma agenda. E quanto a variante Ômicron? Teria o evento em Glascow ajudado a espalhar? A primeira-ministra da Escócia, Nicola Sturgeon, acredita que não, mas diz que não ser impossível devido as datas. Acredito que há poucas chances de a COP26 não ter sido um fator de espalhar a variante Ômicron entre os países. Primeiro porque quem estava lá percebeu as falhas nas medidas de segurança para contenção do coronavírus. Entre elas os testes rápidos (lateral flow test) que muitos testaram negativo e quando testaram para embarcar estavam positivos. Além disso os testes não providenciam o sequenciamento genômico para saber de que vírus se trata. Somente exames posteriores é possível verificar isso. Os números oficiais de infectados são apenas 291. Isso é tão longe da verdade que espero que o governo Escocês libere os números reais num relatório que prometeram entregar em dezembro. Eles têm o número real. Novamente, entre as consequências negativas do encontro de Glascow estão a possibilidade de disseminação da COVID entre os países participantes. É uma questão sistêmica que não pode ser vista apenas localmente e as autoridades do Reino Unido querem nos convencer apenas com as medidas locais do evento. Um exemplo da falta de um olhar sistêmico para a segurança sanitária em Glascow foi a situação escandalosa de Gleneagles, um hotel de luxo que recebeu mais de 30 delegações internacionais para a COP26, entre elas Suíça, Espanha, Noruega e Korea do Sul. A empresa responsável contratada pela segurança alojou o pessoal da segurança em quartos com 40 pessoas dormindo e comendo lado a lado numa cama de camping com nenhum cuidado (e parece que nem foram testados).

Ontem o Reino Unido confirmou 22 contaminados com a Variante Ômicron, Botswana 19, Holanda 14, Portugal 13, Dinamarca 5, Alemanha 4, Brasil 3, Noruega 2 e Estados Unidos 1. Na África do sul há mais de 100 casos verificados. Fica claro que há muito mais que não foram relatados ainda simplesmente porque o sequenciamento genômico não consegue ainda detectar. Claro que ainda, também, não conseguem saber qual o real perigo que essa nova variante está trazendo.  

Se as realizações em Glascow forem medidas por declarações de que onde há floresta há pobreza, ou que a redução do gás metano será através de reduzir a vida do boi em um ano… será difícil caminharmos numa direção onde a humanidade seja contemplada.

Para finalizar gostaria de repetir que a COP26 evidenciou é o total despreparo e desinteresse dos líderes de governo, com raras exceções, em promover ações que realmente alterem o rumo do desastre em que nossa civilização está se autodestruindo. Eles continuam a procrastinar como se fosse possível fingir que não é com eles. Chegaram ao poder através das mãos das indústrias que mais contribuem com a catástrofe… que mais poderiam fazer do que protegerem seus interesses? Para piorar esses pseudo líderes causam distração do que realmente deveria ser negociado. A mídia corre atrás deles como se fossem astros de cinema e lhes dão uma cobertura que une o inútil ao desagradável. Com tudo isso fica difícil para a população global deixarem de ser reféns cúmplices de uma aceleração na degradação da humanidade. É o que a Hannah Arendt chamou de “banalidade do mal”, ou seja, precisa ser muito desavisado para comprar ações da indústria do petróleo, da proteína, da agricultura predadora. Desavisado por investir numa indústria que irá se extinguir. Desavisado, caso pense no curto prazo, por estar contribuindo com o eminente desastre e querendo lucrar em detrimento do futuro.

Acredito que entre todas as coisas que podemos fazer como indivíduos, como família, como cidadãos é quanto a Educação para Sustentabilidade para que a próxima geração tenha consciência e saiba o que esteja fazendo com a nossa humanidade.

Vou deixar, mais uma vez uma das frases do David Attenborough na abertura da COP26:

  “Em minha vida, testemunhei um declínio terrível. Na sua, você poderia – e deveria – testemunhar uma recuperação maravilhosa.”

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Hoje é Dia de Todos os Santos, acredito que vamos precisar muito deles além de outras entidades para apoiar as ações de regeneração diante dessa crise civilizatória.

Ontem começou a cúpula da COP26 e hoje tivemos uma abertura absolutamente emocionante e gerando, em mim, muita esperança… esperança do verbo esperançar.

O ponto alto foi a fala do David Attenborough, 95 anos, que convocou a todos para uma recuperação maravilhosa das mudanças climáticas. O mais querido e conhecido ativista ambiental do planeta discursou para uma audiência de líderes mundiais – incluindo Joe Biden, Angela Merkel e Boris Johnson – dizendo que deveria ser possível trabalhar juntos para salvar a humanidade. Cada frase sua foi de grande impacto. Destaco três delas:

 “Em minha vida, testemunhei um declínio terrível. Na sua, você poderia – e deveria – testemunhar uma recuperação maravilhosa.”

“Hoje, aqueles que menos fizeram para causar este problema estão sendo os mais atingidos – em última análise, todos nós sentiremos os impactos, alguns dos quais agora são inevitáveis.”

“As pessoas que vivem agora, que são a geração futura, olharão para esta conferência e considerarão uma coisa que esse número parou de aumentar e começou a cair como resultado das decisões tomadas aqui?”

O filme “Earth to COP” foi eficaz em seu objetivo de levar consciência aos participantes e a audiência mundial.

A nossa ativista indígena Txai Suruí, também, discursou na abertura da COP26 desta manhã (no Brasil). Ela é uma jovem ativista de 24 anos e mora no estado de Rondônia, Brasil. Ela é do povo Paiter Suruí e fundadora do Movimento da Juventude Indígena em Rondônia.

 Seu discurso:

“Meu nome é Txai Suruí, eu tenho só 24, mas meu povo vive há pelo menos 6 mil anos na floresta Amazônica. Meu pai, o grande cacique Almir Suruí me ensinou que devemos ouvir as estrelas, a Lua, o vento, os animais e as árvores. Hoje o clima está esquentando, os animais estão desaparecendo, os rios estão morrendo, nossas plantações não florescem como antes. A Terra está falando. Ela nos diz que não temos mais tempo. Uma companheira disse: vamos continuar pensando que com pomadas e analgésicos os golpes de hoje se resolvem, embora saibamos que amanhã a ferida será maior e mais profunda? Precisamos tomar outro caminho com mudanças corajosas e globais. Não é 2030 ou 2050, é agora! Enquanto vocês estão fechando os olhos para a realidade, o guardião da floresta Ari Uru-Eu-Wau-Wau, meu amigo de infância, foi assassinado por proteger a natureza. Os povos indígenas estão na linha de frente da emergência climática, por isso devemos estar no centro das decisões que acontecem aqui. Nós temos ideias para adiar o fim do mundo. Vamos frear as emissões de promessas mentirosas e irresponsáveis; vamos acabar com a poluição das palavras vazias, e vamos lutar por um futuro e um presente habitáveis. É necessário sempre acreditar que o sonho é possível. Que a nossa utopia seja um futuro na Terra. Obrigada!”

A fala do secretário-geral da ONU, Antonio Guterres foi muito contundente. Disse que os líderes mundiais sabem o que fazer, “sirenes estão tocando, o planeta está nos dizendo algo, as pessoas também”.

Essas próximas duas semanas serão de muito trabalho para todos que buscam resultados gerativos e eficazes desse encontro.

Assistam! Assistam! Assistam a abertura de hoje! https://youtu.be/oofxDQQKE7M

Hoje foi um dia de trabalho virtual intenso na COP26 e de muita alegria em encontrar minha cara metade depois de mais de um mês de retiro concentrado no meu livro.

Vamos esperançar que os líderes mundiais e a sociedade civil consigam um entendimento inédito com ações objetivas reais, reconhecendo nossa interdependência. Que o Brasil consiga se livrar dessa terrível caminhada de destruição socioambiental desses últimos dez anos e principalmente dos últimos três. Essa é a década decisiva e os resultados tangíveis dessa COP26 vão refletir se o mundo vai trabalhar em conjunto ou continuarão acreditando nas suas fronteiras imaginárias denominadas: países. Somos um!

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Esse mês de setembro foi movimentado. Movimentado no sentido dos movimentos, das manifestações e das ações.

Quero começar com a Paraolimpíada de Tokyo 2020. Apesar de ter sido em 2021 mantiveram a nomenclatura da data original. Peço licença para escrever Tokyo ao invés de Tóquio. Para mim, é na Paraolimpíada que está o verdadeiro espírito original do esporte. O atleta paraolímpico já chega ao evento vitorioso. Todos os participantes são vencedores! É uma emoção em todas as modalidades, uma lição de resiliência e colaboração. Enquanto na Olimpíada, sinto que não há vencedores… parecem sobreviventes e até mesmo reféns. Claro que sabemos de histórias lindas de “fair play” como a da skatista Rayssa Leal de apenas 13 anos. Enfim, sem querer polemizar quero agradecer os paratletas brasileiros pela sua simpatia, alegria e as 72 medalhas. Um orgulho para o Brasil! A cerimônia de encerramento no dia 5 de setembro foi bem emocionante. Veja no link (entre 1h33 e 1h41) o convite da França para as Paraolimpíadas de 2024… sensacional! Mesmo!

Dia da Amazônia, também foi no domingo, 5 de setembro. Não há o que comemorar! Ao contrário a situação é tão crítica que provavelmente ela esteja emitindo mais CO2 do que oxigênio. Reportagens estão sinalizando essa tragédia. Desde uma matéria na revista Nature até uma reportagem do Fantástico. Ainda não sei onde estamos com isso e se os números de setembro vão confirmar esse pesadelo. A Amazônia é provavelmente o melhor argumento de negociação com os países Europeus. E se não estiver mais “funcionando”? A devastação violenta da Amazônia vem ocorrendo há pelo menos 10 anos e em alta velocidade nos últimos três. A boa notícia foi o lançamento da plataforma Plena Mata. Ela é uma parceria entre a Natura, InfoAmazonia, MapBiomas, Hacklab e Natura&Co. A plataforma monitora, em tempo real, o desmatamento na Amazônia. Tem um contador de árvores derrubadas por minutos e hectares desmatados. A ideia é trazer conscientização para a emergência do tema e mobilizar a sociedade em torno das iniciativas de conservação, mitigação e regeneração da floresta. Veja isso e muito mais no site da PlenaMata. . Outro momento bom foi o show do DJ Alok. Veja aqui  https://youtu.be/3GlGj6j3SFU

O 7 de setembro foi um dia de preocupação com a deterioração da democracia no Brasil. Ao invés da independência, estamos rumando à dependência ao invés da interdependência.

Os 20 anos do 11 de setembro que inaugurou uma nova era para o século 21, está expondo as feridas e falhas gigantescas dos EUA em relação a sua segurança e política externa. Parece injusto apontar o dedo depois que um evento ocorreu. Acontece que foram erros sistemáticos que demonstram a importância da ganância, competição pelo poder, corrupção, manipulação da mídia e falta de preparo para assumir a verdade. Como os acontecimentos históricos conseguem reverter uma situação como a do descrédito da população no presidente que parecia estar à beira de ser defenestrado. A grave consequência foi a instalação de um nacionalismo patriótico que alterou completamente o rumo da história. Isso já aconteceu muitas vezes. A última que conheço foi com o presidente da França, em 2015, que também estava desacreditado quando os ataques terroristas da sexta feira 13 de novembro tomou conta do noticiário francês e mundial. Foi uma semana depois que no Brasil mataram um rio (Doce) inteiro e inviabilizaram uma área do tamanho de Portugal e 15 dias antes da COP21 em Paris. Françoise Hollande ressuscitou das cinzas e voltou a cena pública francesa e até mesmo roubou (literalmente) a posição do competente presidente da COP21, Laurent Fabius. Foi um show de ganância, competição pelo poder, corrupção, manipulação da mídia e desonestidade. O circo criado no sábado apresentando o Acordo de Paris como uma grande vitória foi triste. Quem ganhou foi a diplomacia e quem perdeu foi o meio ambiente. O Brasil foi, talvez, quem mais perdeu por ter deixado de ter seu protagonismo emergir. O governo brasileiro montou um cubículo (ao invés de um estande a altura) e ficou escondido durante todo o evento para fingir que o desmatamento e outras atrocidades ambientais… não era com a gente. O crime ambiental de Mariana (rio Doce) que teria uma repercussão gigantesca entre os ambientalistas do mundo, ficou atrás dessas cortinas de fumaça.   

A propósito do Acordo de Paris, o Observatório do Clima e Laclima acabaram de lançar um mini manual “Acordo de Paris – Um Guia para os Perplexos”, que explica a história e o funcionamento das conferências do clima. É uma colaboração entre as duas redes, que teve coautoria da Carol Prolo, da Stela Herschmann e de mais uma turma boa da pesada. Imperdível no https://www.oc.eco.br/wp-content/uploads/2021/09/Minimanual-Acordo-de-Paris.pdf

A Virada Sustentável (São Paulo) ocorreu do dia 2 a 22 de setembro. A Virada foi especialmente criativa e rica de atrações. No dia 12, o Fala Sampa marcou mais uma vez sua presença na Virada Sustentável com a apresentação do Pulsa Coração com as batidas dos tambores conduzidos pelo Paulo Suzuki, presente em todas as edições que fizemos do Fala Sampa. Foi muito emocionante! Vale a pena conferir a programação completa do que aconteceu no  https://www.viradasustentavel.org.br/cidade/sao-paulo

21 de setembro

Dia Mundial da Gratidão – Esse dia existe há 55 anos e vem sendo celebrado anualmente no mundo todo. Este é um dia no qual as pessoas são convidadas a agradecer a todos aqueles que fazem parte das suas vidas. É o dia do ano dedicado a parar para refletir em tudo de bom que há na vida, um gesto que acaba por impactar o bem-estar das pessoas. Sua origem deu-se em 1965 no Havaí, onde se realizou o primeiro encontro internacional sobre a ideia de tirar um dia do ano para agradecer formalmente por todas as coisas de bem que se encontram no mundo. No ano seguinte, em 21 de setembro de 1966, muitos dos participantes que estavam naquele primeiro encontro colocaram em prática o gesto e implementaram definitivamente o Dia Mundial da Gratidão (World Gratitude Day), celebrado em todo o mundo.

Dia da Árvore – No Brasil celebramos o Dia da Árvore pouco antes da primavera. As árvores estão clamando para ficarem em pé e fazerem seu trabalho de reter o CO2 e exalar oxigênio. Há 10 anos iniciava o movimento do Veta Dilma em relação ao Código Florestal. Entre as imagens de impacto para mobilizar a pedir para vetar o projeto de mudanças indecorosas para o meio ambiente, lembro de uma que tinha as árvores cortadas empilhadas e com rostos de tristeza desenhadas nelas. Foi também o movimento #florestafazadiferenca. Nossas árvores nunca precisaram tanto de amor carinho como agora. Viva as árvores! Vivam!

Dia Mundial da Paz – Desenvolver uma cultura de paz, principalmente nos jovens é fundamental para um futuro possível… que hoje parece impossível. Nesse dia, no mundo todo, foram feitos encontros de meditação pedindo e vibrando pela paz. Acredito muito nessas iniciativas. Amanhã, 2 de outubro, é o dia Internacional da Não-Violência, aniversário do nascimento do Gandhi. Entre as ações para o dia de amanhã, recomendo o Gandhi do ator João Signorelli que vem levando a paz por onde passa, inclusive na Índia. Amanhã estará na embaixada da Índia e a noite no espaço do Bixiga (São Paulo) EVVIVAH.

Assembleia Geral da ONU – O dia 21 de setembro também contou com os discursos na 76ª sessão da Assembleia Geral da ONU. O Brasil tem a prerrogativa de abrir os discursos dos chefes de Estado. Esse ano voltou a ser presencial e tivemos que assistir a uma sucessão de gafes em Nova York e inverdades no discurso. Vou me ater ao brilhante discurso do secretário geral da ONU, António Gutterres.   

Segue um trecho:

“Estou aqui para soar o alarme: o mundo precisa acordar.

Estamos à beira de um abismo – e nos movendo na direção errada.

Nosso mundo nunca foi tão ameaçado.

Ou tão dividido.

Enfrentamos a maior escalada de crises em nossas vidas.

A pandemia de Covid-19 ampliou as desigualdades gritantes.

A crise climática está atingindo o planeta.

Revoltas do Afeganistão à Etiópia, ao Iêmen e além prejudicaram a paz.

Uma onda de desconfiança e desinformação está polarizando as pessoas e paralisando as sociedades, e os direitos humanos estão sob ataque.

A ciência está sob ataque.”

Mais adiante diz:

“Excelências,

Os alarmes climáticos também estão tocando em alta velocidade.

O recente relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças do Clima [IPCC] foi um código vermelho para a humanidade.

Vemos os sinais de alerta em todos os continentes e regiões.

Temperaturas escaldantes. Perda de biodiversidade chocante. Ar, água e espaços naturais poluídos.

E desastres relacionados ao clima em cada esquina.

Como vimos recentemente, nem mesmo esta cidade – a capital financeira do mundo – está imune.

Cientistas do clima nos dizem que não é tarde demais para manter viva a meta de 1,5 grau do Acordo de Paris sobre o Clima.

Mas a janela está fechando rapidamente.”

Vejam o discurso completo em https://brasil.un.org/pt-br/145385-discurso-do-secretario-geral-da-onu-assembleia-geral-21-de-setembro-de-2021

28 de setembro

Greta Thunberg fala na abertura da conferência Youth4Climate (Jovens pelo Clima), em Milão na Itália. Ela, como sempre, fez uma fala direta e contundente. Denuncia as palavras que não se tornam ações e a falta de escuta nos jovens. Fingem que escutam e que fazem.

“Isso é tudo o que ouvimos por parte dos nossos líderes: palavras. Palavras que soam bem, mas que não provocaram ação alguma. Nossas esperanças e sonhos se afogam em suas palavras de promessas vazias”.

Em outro momento:

“Não existe um planeta B, não existe um planeta blá-blá-blá, economia verde blá-blá-blá, neutralidade do carbono para 2050 blá-blá-blá”, acrescentou, denunciando “30 anos de blá-blá-blá” dos líderes mundiais e “sua traição com as gerações atuais e futuras.”

O discurso de Greta no https://youtu.be/wpo33oLne-Y

O reality show CPI da Pandemia que já estava em seus capítulos finais e já quase sem audiência de público conseguiu retornar aos lares dos brasileiros que estavam sem BBB ou outras opções de entretenimento. Apesar da boa intenção de alguns, o circo continua a realizar cenas que causam vergonha alheia. A novela está programada para terminar no dia 20 de outubro.  

   

Hoje, primeiro de outubro, conduzi junto com a jovem Bel Jeha (22 anos) uma conversa, na SoL Brasil, sobre a visão sistêmica da alimentação sustentável. A SoL (Society for Organizational Learning) foi criada no MIT por Peter Senge e outros fomentadores do pensamento sistêmico para realizar diálogos que importam em aprendizagem. Falamos para uma audiência de 30 pessoas sobre o impacto das escolhas alimentares no meio ambiente, na saúde e na compaixão pelos animais e pessoas envolvidas na indústria do alimento. Foi especialmente bom. Gostaria de compartilhar alguns links que usamos e outros que recomendamos.

Um documentário do David Attenborough e Nosso Planeta lançado em 2020 –  https://www.netflix.com/br/Title/80216393

Um segundo documentário do David Attenborough – Rompendo Barreiras: Nosso Planetahttps://www.netflix.com/br/title/81336476

Um curta de 2 min realizada pela Last Chance for Animals  https://youtu.be/c1DcFmUrxUQ

Que venha outubro!

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