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Vaca não dá Leite

A história que se conta é que quando os filhos fizessem 12 anos o pai, contaria o Segredo da Vida. Esse segredo é que vaca não dá leite… você tem que tirar o leite da vaca e passar por todos os dissabores que essa operação exige. Apesar de ser uma boa analogia de que as “coisas” não caem do céu e de que é preciso trabalhar arduamente para consegui-las, ela também esconde um segredo maior ainda que, involuntariamente, acaba formando as crianças para um sistema que está ficando obsoleto (neoliberalismo). O segredo maior ainda é de que a vaca dá leite para o seu bezerro e não para nós, por isso, é necessário TIRAR o leite da vaca. A mesma analogia não funcionária tão bem, para as crianças, se o Segredo da Vida fosse que o boi não dá carne… é preciso tirar a carne do boi e passar pelos dissabores que essa operação exige. Uma parte significativa das novas gerações estão procurando ensinar o básico para os pais, professores, políticos e adultos em geral de que os animais dão leite para suas crias e não dão carne para nós. Apesar de todo blá blá blá dos que deveriam estar agindo como adultos, os jovens e as crianças não aceitam mais ouvir lições dos que continuam impunemente a TIRAR do seu futuro.

Estamos a um mês da Stockholm+50 que deveria ser o principal marco dos 50 anos de ações para a sustentabilidade e, no entanto, o fracasso já está anunciado pelo hackeamento desse evento pelo governo Sueco que ignorou completamente o esforço de anos de iniciativas da sociedade civil. É triste ver que no país de Greta Thunberg e Johan Rockström, a mais importante celebração das últimas décadas, será vergonhosa. Outras coisas ridículas antecederam esse evento. A ONU só ratificou oficialmente o evento em final de maio de 2021, a data original seria em maio, conseguiram que fosse transferido para 2 e 3 de junho enquanto a data dos 50 anos de Estocolmo 1972 é 5 de junho (que se tornou o dia mundial do meio ambiente). Dois dias antes, 31 de maio e 1 de junho, vai acontecer o Stockholm Learning Plaza da SoL (Society for Organizational Learning) que estou ajudando a organizar. Será um evento hibrido de conversas com os fundadores da SoL, Peter Senge e Göran Carstedt, com o Diretor de Objetivos do Desenvolvimento Interno Jan Henriksson, a vencedora do prêmio Rachel Carson, Marylin Mehlman, e muitos outros participantes engajados e conhecidos. Veja o programa do evento

E quanto aos povos indígenas? Está ocorrendo uma inacreditável violência com os povos originários. Na última 5ª feira (28/4), a ministra Cármen Lúcia cobrou uma apuração cuidadosa sobre o crime e a violência sofrida pelos Yanomami nas mãos dos garimpeiros. “Essa perversidade não pode permanecer como dados estatísticos, como fatos normais da vida. Não são. Nem podem permanecer como notícias”, disse a ministra. “Não é possível calar ou se omitir diante do descalabro de desumanidades criminosamente impostas às mulheres brasileiras, dentre as quais mais ainda as indígenas, que estão sendo mortas pela ferocidade desumana e incontida de alguns”. Leiam uma ótima matéria produzida pela Emily Costa e Elaíze Farias, da Amazônia Real

Veja os dados da importância das comunidades indígenas para a proteção das nossas florestas no MapBiomas que é a plataforma mais completa, atualizada e detalhada base de dados espaciais de uso da terra em um país disponível no mundo. Foi publicada no Dia do Índio em 19/04

Desmatamento… o Brasil foi responsável (irresponsável) por quase a metade do desmatamento das florestas primárias do mundo em 2021. Há, pelo menos, dez anos que o desmatamento está desgovernado pela gestão dos governos. Nos últimas três anos a destruição é sem precedentes! Na última 5ª feira (28/4),o Global Forest Watch publicou um relatório completo de 2021.

O consumidor, na maioria das vezes, é conivente com o desmatamento praticado, principalmente, pela indústria da carne. A informação foi revelada nesta última quarta-feira (27/04) pela plataforma Reclame Aqui. Ela faz parte de uma pesquisa realizada com quase 10 mil brasileiros entre 16 e 18 de novembro de 2021, que mostrou que quase 60% dos consumidores entrevistados (59,24%) não deixou de colocar no prato carne proveniente de marcas ligadas à destruição da floresta Amazônica. Chocante para dizer o mínimo! Ou seja, o crime ambiental é apoiado pelo governo e pelo consumidor. Muito triste, trabalhador do Brasil.

E quanto ao Dia Internacional do Trabalhador? Não se trabalha! A etimologia da palavra trabalho é bem curiosa, vem do latim Tripalium que significava um instrumento de tortura formado por três pedaços de madeira. A palavra foi passada para a língua francesa como Travail que tinha o sentido de sentir dor, sofrer. Essa forma passou para o Português (trabalho) e para o Espanhol (trabajo). No italiano Labor tinha o significado de Fadiga, Cansaço.  No alemão Arbeit sugere sofrimento, esforço e dificuldade e vem diretamente das palavras servidão, escravidão. O The Guardian escreveu um artigo interessante, em 2013, sobre as raízes da tortura no trabalho.

A origem do Dia do Trabalhador também é bem interessante e tem raízes no marxismo com a questão da redução das horas de trabalho por dia, 8 de trabalho, 8 de lazer e 8 para dormir. Apesar de mais de 80 países celebrarem esse dia em função de acontecimentos ocorridos em 1886 em Chicago nos EUA, a celebração americana ocorre na primeira segunda-feira de setembro.

Ofereço a quem estiver lendo esse texto uma flor de Muguet (lírio do vale), onde na França se presenteia, em 1º de maio, a família e amigos para se desejar alegria e boa sorte.

E finalmente, falando do Dia da Terra (22/04), com tantas notícias péssimas e a insistência em se continuar agindo e ensinando as crianças que podemos tirar da natureza sem uma alfabetização ecológica mínima que permita entender as consequências de nossos atos… uma boa notícia! Temos a Carta da Terra! Nosso principal documento enquanto responsabilidade humana em manter o nosso lar (a Terra) saudável para todos e principalmente para as futuras gerações. Honrando todos que participaram desse feito! Reproduzo aqui o preâmbulo desse precioso texto e convido a lê-la (espero que novamente) integralmente com atenção, escuta generosa e principalmente amor.

Carta da Terra – Preâmbulo

Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo se torna cada vez mais interdependente e frágil, o futuro reserva, ao mesmo tempo, grande perigo e grande esperança. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio de uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos nos juntar para gerar uma sociedade sustentável global fundada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura de paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade de vida e com as futuras gerações.

TERRA, NOSSO LAR

A humanidade é parte de um vasto universo em evolução. A Terra, nosso lar, é viva como uma comunidade de vida incomparável. As forças da natureza fazem da existência uma aventura exigente e incerta, mas a Terra providenciou as condições essenciais para a evolução da vida. A capacidade de recuperação da comunidade de vida e o bem-estar da humanidade dependem da preservação de uma biosfera saudável com todos seus sistemas ecológicos, uma rica variedade de plantas e animais, solos férteis, águas puras e ar limpo. O meio ambiente global com seus recursos finitos é uma preocupação comum de todos os povos. A proteção da vitalidade, diversidade e beleza da Terra é um dever sagrado.

A SITUAÇÃO GLOBAL

Os padrões dominantes de produção e consumo estão causando devastação ambiental, esgotamento dos recursos e uma massiva extinção de espécies. Comunidades estão sendo arruinadas. Os benefícios do desenvolvimento não estão sendo divididos equitativamente e a diferença entre ricos e pobres está aumentando. A injustiça, a pobreza, a ignorância e os conflitos violentos têm aumentado e são causas de grande sofrimento. O crescimento sem precedentes da população humana tem sobrecarregado os sistemas ecológico e social. As bases da segurança global estão ameaçadas. Essas tendências são perigosas, mas não inevitáveis.

DESAFIOS FUTUROS

A escolha é nossa: formar uma aliança global para cuidar da Terra e uns dos outros ou arriscar a nossa destruição e a da diversidade da vida. São necessárias mudanças fundamentais em nossos valores, instituições e modos de vida. Devemos entender que, quando as necessidades básicas forem supridas, o desenvolvimento humano será primariamente voltado a ser mais e não a ter mais. Temos o conhecimento e a tecnologia necessários para abastecer a todos e reduzir nossos impactos no meio ambiente. O surgimento de uma sociedade civil global está criando novas oportunidades para construir um mundo democrático e humano. Nossos desafios ambientais, econômicos, políticos, sociais e espirituais estão interligados e juntos podemos forjar soluções inclusivas.

RESPONSABILIDADE UNIVERSAL

Para realizar estas aspirações, devemos decidir viver com um sentido de responsabilidade universal, identificando-nos com a comunidade terrestre como um todo, bem como com nossas comunidades locais. Somos, ao mesmo tempo, cidadãos de nações diferentes e de um mundo no qual as dimensões local e global estão ligadas. Cada um compartilha responsabilidade pelo presente e pelo futuro bem-estar da família humana e de todo o mundo dos seres vivos. O espírito de solidariedade humana e de parentesco com toda a vida é fortalecido quando vivemos com reverência o mistério da existência, com gratidão pelo dom da vida e com humildade em relação ao lugar que o ser humano ocupa na natureza.

Necessitamos com urgência de uma visão compartilhada de valores básicos para proporcionar um fundamento ético à comunidade mundial emergente. Portanto, juntos na esperança, afirmamos os seguintes princípios, interdependentes, visando a um modo de vida sustentável como padrão comum, através dos quais a conduta de todos os indivíduos, organizações, empresas, governos e instituições transnacionais será dirigida e avaliada.

Carta da Terra completa

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