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obama1O novo presidente dos EUA, Barack Obama, foi eleito pela Internet. Essa é uma afirmação fácil de fazer se levarmos em consideração o que aconteceria se a Internet não existisse: ele não teria chance alguma de vencer a Hillary Clinton e se tornar o candidato democrata.
Obama liderou um movimento enquanto McCain uma campanha. Obama teve adeptos enquanto McCain eleitores. Elegeu-se um movimento!
Obama teve sua trajetória marcada pela habilidade de costurar as redes sociais. Ele contou com um time de consultores com diferentes especialidades em mídia social que arquitetaram um movimento nunca antes visto para eleger um presidente. Enquanto os marketeiros da campanha da Hillary ignoravam Obama (ele não aparecia no radar), ele ia fazendo micro coalizões e envolvendo seguidores dessas idéias. Quando ele ficou visível já era tarde demais para tentar reverter. A grande vantagem das mídias sociais é a invisibilidade inicial, que permite ajustar as idéias à um público maior.
Foi uma vitória histórica que mudou para sempre o cenário das eleições nos EUA. A última vez que essa revolução ocorreu, nos EUA, foi em 1952 em que Eisenhower usou um meio totalmente desacreditado por parecer elitizado, que não tinha muitos adeptos (assim como se pensa ainda hoje sobre a Internet): a TV! Hoje parece óbvia a importância da TV mas naquela época foi totalmente desconsiderada por ser um produto das classes A e B+. Esse engano custou a eleição tida como certa de Adlai Stevenson, democrata indicado pelo então poderoso presidente, Harry Truman. Eisenhower era um herói de guerra popular, mas ridicularizado quando os Republicanos lançaram sua candidatura. A TV elegeu e reelegeu Eisenhower e depois as campanhas (Era Kennedy) foram centradas nesse meio de comunicação.
A partir de agora acabou a era da TV e está entrando a era da Internet na política mundial. Canadá foi a percussora desse movimento em 2006, agora os EUA e no Brasil será assim na próxima eleição. A TV não elegerá o nosso próximo presidente como foi nas últimas eleições… a Internet o fará! Quando falamos de Internet estamos nos referindo à Mídia Social da chamada Web 2.0. A maioria dos políticos não tem idéia do que isso apesar de acreditarem que sabem. A questão é que estão sendo orientados por profissionais que também não sabem como isso funciona. Estamos no estado da arte desse processo e só após as eleições de 2010 ficará mais claro quem conhece de quem diz que conhece. Quem “viver” verá!
O jornalismo 2.0 tem um papel importante nesse processo e também ainda sendo mal interpretado. Enquanto vemos discussões localizadas entre, por exemplo, papel e bits, jornalistas e blogueiros, formados e não formados estamos perdendo o principal cenário que é qual o novo papel do jornalismo como um todo. A questão principal é que a mídia social está revolucionando o jornalismo. O 1º Encontro do Jornalismo 2.0 será um momento importante de discussão dos rumos desse novo jornalismo. O encontro será no dia 28 de novembro em Itu/SP. Mais informações no site do evento (www.jornalismo20.com.br).

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Tenho certeza que a Internet vai definir as eleições de 2010, terá alguma influência na de 2008 e as campanhas nunca mais serão as mesmas. O que está acontecendo nas eleições 2008 dos EUA acontecerá na nossa em 2010. Lá, um “azarão” sem chances numa campanha tradicional mudou o jogo e conseguiu uma façanha inédita.

 

O autor do excelente livro “The First Campaign”, Garrett Graff, compara essa revolução nas eleições americanas com a de 1952 em que Eisenhower usou um meio totalmente desacreditado por parecer elitizado, que não tinha muitos adeptos (assim como se pensa ainda hoje sobre a Internet): a TV. Dois anos depois 10.000 americanos, por dia, compravam sua primeira TV. Em 1956, quando ele se reelegeu, 75% dos lares tinham TV. As campanhas políticas nunca mais foram as mesmas nos EUA.

 

Agora é a Internet que está definindo o rumo dessa eleição e as campanhas nunca mais serão as mesmas. No Brasil isso vai acontecer na eleição de 2010, que começa em outubro de 2008. Aqueles que não começarem nessa época, terão poucas chances. Ao invés das grandes redes de mídia definirem o que as pessoas vão ver, as próprias pessoas vão gerar conteúdo para outras verem. As histórias que a grande imprensa consegue dominar irão, pouco a pouco, perder o controle para o cidadão comum. Hoje ainda é possível fazer do caso Isabela a novela do momento e encobrir uma grande quantidade de outras histórias que poderiam também estar na pauta. Mas isso será por pouco tempo.

 

O Pangea Day, um dos melhores movimentos internacionais desse primeiro semestre, teve uma divulgação quase nula, sendo que o Brasil foi um dos 6 países escolhidos para participar. Fiquei impressionado! Se você não sabe o que foi isso, você está entre os que ainda são pautados pela grande mídia. Mas em pouco mais de 1 ano será impossível viver assim. Seu celular, seu browser ou seu pda estará lendo e enviando posts, twitters, sms, qrcodes, rss, gis, gps do seu interesse, mesmo que você não saiba o que significa isso. Na prática, você estará conectado com uma rede colaborativa que o ajudará a encontrar caminhos, descontos, conteúdo, bem estar e principalmente relacionamentos.

 

Os políticos que não perceberem que o mundo mudou tomarão um susto ao verem completos desconhecidos receberem quantidades impressionantes de votos. Talvez chamarão essa sensação de efeito Hillary. Mas o mais importante não é a mudança do formato da campanha, mas sim a mudança do perfil do político e da política. Teremos gestores públicos que serão monitorados pelo seu eleitorado durante o mandato. Teremos representantes que farão plebiscitos on-line a cada decisão a ser tomada por um grupo de participantes com interesses naquele assunto. Estamos diante de uma nova era para a política, para os políticos e principalmente para os cidadãos.

 

A diferença entre a web 1.0 e a 2.0 é simples. Na primeira, o conteúdo é produzido por um e distribuído para muitos (assim como nas mídias tradicionais). Na segunda, o conteúdo é produzido por muitos e distribuído para muitos. Portanto, a ação de uma única pessoa pode, com a colaboração de muitos, se tornar um sucesso através de uma reação em cadeia na comunicação. Este é o princípio!

 

A semente desse movimento começou nos EUA, em janeiro de 1998 quando a revista Newsweek decidiu não publicar a matéria sobre o escândalo sexual de Bill Clinton com uma estagiária da Casa Branca (Monica Lewinsky). No entanto, um site de fofocas chamado Drudge Report, do jornalista Matt Drudge, publicou (ou postou) essa informação e gerou uma cadeia de eventos com um final que conhecemos bem. Dali em diante, nós podemos colecionar centenas de casos em que um único individuo consegue revelar uma informação que transforma o ambiente. Desde a descoberta das fraudes nas fotos da Reuters, até as falsas informações de um importante jornalista do Times que abalaram o mundo do jornalismo.   

 

O caso Obama é sem dúvida o pivô dos holofotes em mídia social. Ele mesmo foi prejudicado pela ação de cidadãos em pelo menos dois casos. O do pastor (amplamente conhecido) e a da Mayhill Folwer, uma senhora de 60 anos e colaboradora do site Huffington Post, que convida o cidadão a ser jornalista. Ela conseguiu, com um simples gravador, levar (em abril) a popularidade de Obama ao nível mais baixo de sua campanha. Dois meses depois essa mesma senhora conseguiu tirar Bill Clinton do sério e gravar sua resposta ofendendo um jornalista da revista Vanity Fair… ele teve que se desculpar publicamente. Pois é, estamos entrando na era em que todo mundo pode ser um jornalista de plantão e tem o poder de alterar o rumo de uma campanha e muito mais.

 

Sou otimista em acreditar que teremos uma Nova Política muito mais transparente, colaborativa e voltada ao coletivo. Isso graças a Mídia Social! E o que é isso na prática? Em primeiro lugar, é preciso desmistificar a questão tecnológica. É claro que estamos vivenciando esse estágio graças aos avanços da conectividade e suas ferramentas de comunicação. Mas o fundamental é a atitude em relação a isso. Não adianta uma empresa ou um candidato fazer um site, alguns blogs, postar vídeos no Youtube, fotos no Flickr, um avatar no Second Life ou uma comunidade no Ning.

 

A grande miopia é contratar algum programador ou profissional de TI (Tecnologia da Informação) quando na verdade deveria estar chamando profissionais que entendam como formar grupos, desenvolver idéias que mobilizam, criar um contexto para a aprendizagem, agregar times multidisciplinares com experiência em ambientes digitais. Lamentavelmente, por ainda estar no estado da arte, a Mídia Social tem poucos que realmente a conhecem e muitos que dizem conhecê-lá. Esses próximos 2 anos serão decisivos para se fazer a escolha certa do profissional e avaliar o retorno.

 

Em 2008, está sendo difícil saber quem é quem. Basta ver algumas iniciativas que resultam em nada. Em 2009 haverá uma corrida em busca desses profissionais e acredito que teremos algo em torno de 20% de bons resultados. Acredito que 80% dos que pensam estar comprando ações em Mídia Social perceberão que compraram na verdade o “mico”. Em 2010, os preços desses serviços vão subir muito para aqueles poucos que comprovaram sua eficácia. Somente em 2011 esse know-how estará plenamente dominado e o mercado ficará estável com valores mais justos. Nesses 2 anos haverá uma grande “troca de cadeiras”, principalmente na política, no jornalismo e na educação.

 

Estamos falando de “contadores de histórias”, no qual as pessoas não estão apenas ouvindo essas histórias… mas participando delas. Essa é uma face da poderosa mídia social. Muitas dessas histórias chegam à mídia tradicional e ficam mais conhecidas, como o caso de um celular perdido num táxi, que mobilizou a cidade de Nova York e até saiu na capa do New York Times. Vale a pena ler sobre os detalhes dessa história para se ter uma idéia de como acontece na prática (www.evanwashere.com/StolenSidekick).

 

Em Montreal, Canadá, um rapaz de 26 anos conseguiu a façanha de trocar um clips por uma casa em apenas 14 negociações. Nos EUA, um celular foi responsável pela maior queda de ações da KFC-Taco Bell quando gravou a presença de ratos numa lanchonete do grupo. Em pouco tempo essas histórias e seus contadores se tornarão cada vez mais comuns. Imagine isso aplicado à política e aos políticos. As histórias não só vão ultrapassar as páginas dos jornais ou telas de TVs, mas farão de cada cidadão um participante ativo da História.

 

Que venham as eleições 2.0!


Alan Dubner
é diretor da Cybermind Comunicação Interativa, especializado em Marketing Digital, Pesquisa Digital e Internet.

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