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Posts Tagged ‘Percepção’

Começando a escrever hoje,  senti que estamos no mesmo ponto da nossa crise de percepção e da nossa crise das palavras.

Temos alguns avanços no sentido que a crise civilizatória, principalmente a ambiental não está caindo mais no conto da carochinha. Essa semana ouvi que um (pseudo) cientista da USP, há alguns anos, foi no programa do Jô Soares e afirmou que poderiam asfaltar toda a Amazônia sem qualquer implicação no clima do planeta. Esses malfeitores pagos para enganar o público estão quase em extinção. Praticamente ninguém, minimamente informado (e não desinformado), acredita mais nessas bobagens. Uma prova disso foi o último relatório do IPCC que, talvez pela primeira vez, deixou os cientistas falarem livremente sobre o que está acontecendo. Nenhuma novidade para quem acompanha de perto a emergência climática, porém uma significativa contribuição a mais para erradicação do Festival de Besteiras que Assola o País (do saudoso Stanislaw Ponte Preta).

Quanto à crise das palavras, uma assustadora evidência aconteceu com a repercussão dos textos do Charles Eisenstein. Parece uma loucura quando alguém que há tantos anos vem, coerentemente, mostrando as diferentes faces da realidade percebida e tem sido um farol nesse mar tempestuoso de transformações, ter seu texto deturpado e ser violentamente atacado por todos os lados. A maioria dos que o atacaram certamente não tinham lido seus três longos textos. O que causou a miopia maior foi o “Mob Morality and the Unvaxxed” (Máfia da Moralidade e os Não Vacinados), terceiro e último texto de uma série. Todos nós temos experiências com palavras ou ideias que não podem ser pronunciadas sem causar forte comoção e reações agressivas. Mesmo em ambientes familiares se evitam alguns assuntos para não gerarem… uma guerra. Como Charles se referiu aos vários lados da mesma moeda, recebeu expressões de desagravo de todos os lados. Chegou até a ser chamado de antissemita, mesmo sendo judeu. É uma lógica ilógica! O seu texto seguinte se referindo aos absurdos atribuídos a ele é uma obra de arte em relação à cegueira dos nossos tempos. Chama-se “Charles Eisenstein, Antisemite”. São construções de paradigmas que funcionam como paredes para evitar as nossas dissonâncias cognitivas. Somos biológica e culturalmente bem equipados para nos enganar constantemente com o objetivo de… estarmos certos.

Pense um pouco em qual repertório de palavras e ideias suas causam desconforto ou até reações violentas contra você. Eu tenho muitas. Por favor, tenha uma escuta generosa! O voto vai contra a democracia! Comer animais é um dos principais problemas ambientais! Ler jornal é perda de tempo! Só essas três já me causam constrangimentos. Ao ouvir uma palavra ou ideia que vai contra suas crenças e valores, você reage conforme a possibilidade (maior ou menor) de lhe causar uma disrupção, uma dissonância cognitiva. Quando escuto afirmarem que a Terra é plana, que apareceu um disco voador, que é justo o que ganha uma estrela do futebol, que o aquecimento global é natural, são ideias que me causam repulsa e até um julgamento mais agressivo. No entanto posso estar enganado.

Aqui no Brasil, palavras e ideias que mais causam violência estão principalmente na religião, política, futebol, preconceitos, educação e tudo que se relaciona ao Coronavírus. Vamos nos arriscar a falar das vacinas, das máscaras, do isolamento físico e até mesmo da cloroquina? Nem pensar, não é mesmo?

 E agora José?

No dia 21 de setembro é o dia internacional da paz. Todo ano milhões de pessoas meditam pela paz, sim milhões de pessoas! Reserve um momento, por menor que seja, para se conectar com uma única intenção: a Paz. No Brasil, a Virada Sustentável e a Virada Zen, está promovendo “O Amanhã da Paz”. Serão centenas de pessoas conduzindo meditações em diferentes formatos e tempos. Eu estarei, pelo Zoom, cuidando de uma breve meditação a partir das 20h. O link é o https://bit.ly/AlanPaz As informações completas estarão no alandubner.com

Dia 21 também é o dia mundial da GRATIDÃO que vem sendo celebrado há 55 anos! E também, no Brasil, é o Dia da Árvore!!!

Aproveitei para colher algumas sementes que plantei nos artigos anteriores do Dia Primeiro. Começa em abril de 2020 até o mês passado. Vale a pena ler de novo!

  “Toda verdade passa por três estágios.
  No primeiro, ela é ridicularizada.
  No segundo, é rejeitada com violência.
  No terceiro, é aceita como evidente por si própria”

Arthur Schopenhauer

“– A medicina vai finalmente evoluir para cuidar prioritariamente da prevenção ao invés das doenças. Vai se tornar amplamente colaborativa e completamente sem fronteiras. Levará em conta ciência, tecnologia e principalmente culturas. Cuidará fundamentalmente do DNA ao estilo de vida, da alimentação ao ar que respiramos, da meditação a movimentação, da autoestima a psicologia.

– A economia não conseguirá manter seu atual modelo estrutural. O jogo já mudou! Quem tentar jogar com as regras antigas logo perceberá que terá que se tornar alguém detestável para si mesmo e para os outros. Poucas pessoas ficam confortáveis nessa posição. O medo e a insegurança com a sobrevivência vão retardar o pleno funcionamento de uma economia com uma cultura de Gift.

– As escolas nunca mais serão as mesmas. Vamos finalmente sair das metodologias do século XIX para entrar nas condizentes com o século XXI. Quem poderia imaginar que os sistemas de aprendizagem iriam dar esse salto quântico através desse artifício? Quem diria que o conhecimento não estaria mais atrelado a memória e sim a sabedoria? A Educação será livre, com janelas sem salas, com notas de músicas, com folhas da natureza e principalmente com muito amor.

– A politica dos políticos ainda sobreviverá mais algumas primaveras enquanto houver a crença de que o sistema eleitoral tem alguma coisa a ver com a democracia. A política vai migrar dos políticos para a sociedade civil. E as políticas públicas serão decididas pontualmente através da participação dos interessados devidamente qualificados. Em pouco tempo os políticos serão substituídos por uma nova geração de políticos conectados com a sociedade civil.

– A religião, no geral, terá dificuldades de manter o véu da ignorância como força motriz da maioria de seus seguidores. Apesar da imensa fome por algo que explique o inexplicável, por um sabor de pertencimento, por um alimento para a alma… a busca será mais ouvindo a voz de dentro do que a palavra dos gurus. Você, finalmente, será seu próprio guru!”

“Nesse mês se ampliaram os sintomas de incontinência virtual e uma crença, inacreditavelmente ingênua, de que as funções do presencial podem ser simplesmente repassadas para o virtual. Vemos isso em larga escala nas escolas, nas terapias e nas reuniões.”

“Deixa-me te contar um pouco sobre esse mundo que você acabou de chegar e dos caminhos que seu caminhar pode encontrar. Se por um lado está tudo diferente do que estava quando você aportou a nave mãe, por outro estamos adentrando uma civilização novinha em folha.”

“O mês do meio ambiente foi marcado pelo agravamento da degradação do meio ambiente, da proteção aos povos indígenas, da educação, da cultura e da verdade… sim degradação da verdade! Acredito que o genocídio das nações indígenas seja o mais urgente dentro de tantas urgências e emergências. O Brasil está na UTI!”

“Onde estão os princípios, crenças e valores que estão levando a nossa civilização a se autodestruir? Como conseguem passar desapercebidos? São percepções equivocadas para o momento atual na economia, educação, política, medicina, ecologia e religião. A combinação dessas miopias nos fazem caminhar para o fim de mais uma civilização. Não se trata de uma mudança ou de uma melhoria e sim de uma completa transformação. Portanto precisamos urgentemente, migrarmos a atual cultura para uma nova economia, uma nova educação, uma nova medicina, uma nova ecologia, uma nova política e até mesmo uma nova religião.”

“Nova Economia – O que parecia distante no tempo está cada vez mais atual. As diversas versões de uma nova economia estão se mostrando bem fortes nesse período onde a economia tradicional está perdendo tempo e espaço.  Conceitos de economias como a Economia Circular, Economia Criativa, Economia Verde, Economia Social, Economia Compartilhada, Economia Gift e muitas outras que estão fartamente explicadas no livro, estão ganhando terreno no mundo inteiro.”

“Se a essa altura do campeonato tiver alguém ainda achando que é uma crise passageira e que as coisas voltarão a ser como eram… talvez estejamos todos sofrendo de “Normose”.”

“Se o resultado das eleições pode ser manipulado a favor de quem tem maior recurso e poder… para que mesmo servem as eleições? Ou, para quem mesmo servem as eleições? Com certeza, nesse formato, não servem a democracia.”

“A ideia aqui é abrir o espaço para que mais percepções possam ser vistas e criar um contexto para que possamos olhar para nossas crenças e valores como sendo… apenas NOSSAS crenças e valores! Quando ridicularizamos alguma verdade alheia, ou reagimos mais radicalmente contra… cuidado… pode vir a ser a nossa verdade amanhã!”

“Acredito que o ano de 2020 foi um marco civilizatório. Vamos percebê-lo degustando, aos poucos, seu legado.”

“Fico pensando como esse período vai entrar para a História. Claro que depende da linha do seu historiador favorito. Toda a História é contada de diversas maneiras, com narrativas e fatos próprios de quem conta. Como você vai contar essa história?”

“Hoje de manhã, assisti ao Davos Lab Brasil na TV Folha. Foi muito bom! O que sempre me impressiona são aquelas pessoas que ficam no chat jogando palavras de ódio. Elas entram para isso! O que faz alguém entrar num evento que não aprecia e ficar falando mal de tudo e de todos? Com tanta coisa importante para fazer o que faz alguém perder tempo e energia com isso? Vamos excluir as pessoas que se submetem (banalidade do mal) a receber dinheiro para fazer atos destrutivos e aos robôs programados para isso. Ainda resta uma quantidade enorme de pessoas que covardemente, em seu anonimato, insistem em disseminar vibrações negativas. Existem pessoas que preferem torcer para que o time do outro perca do que o seu ganhe. Estranho, né? Vota num outro candidato para que o que não gosta perca. Sim, parece surreal, mas é a realidade! Uma pessoa escolhe um candidato de sua preferência, mas não vota nele porque acredita que deve votar no candidato que as pesquisas mostram que tem mais chance contra um do qual é contra. Com isso, sempre ganha um candidato que não é o da sua preferência! Como pode uma coisa dessas ser boa para a democracia? Por que as pessoas, na sua maioria, escolhem ser do contra? Como elas fazem para se justificarem consigo mesmas? A resposta é reduzindo a dissonância cognitiva, através de artifícios imaginários (histórias). ”

“Encerro esse texto desejando que possamos ultrapassar as fronteiras que nos limitam. Que possamos ampliar a consciência para perceber o quanto não sabemos… e que tudo bem!”

“Para dificultar mais ainda nossa relação com essas certezas e incertezas, existe uma manipulação proposital para que passemos a pensar dessa ou daquela maneira, para que façamos dessa ou daquela forma que nos induzem. Entre todas as tragédias que estamos vivendo a DESINFORMAÇÃO é a pior delas! Se fosse falta de informação não seria tão grave… desinformação e a manipulação das informações são o que há de mais desumano! E isso em nome do poder e da ganância. Não sei como a história vai registrar esse período, não sei se haverá centenas (talvez milhares) de condenados por crimes contra humanidade. Não sei como milhares de pessoas conseguirão apagar os rastros de suas manifestações que contribuíram para esse desastre mundial, para que seus netos não se envergonhem de tamanha falta de noção herdadas em seu DNA. Não sei como ficarão as pessoas que não contribuíram diretamente para ajudar, de alguma maneira, a humanidade e ficaram apenas reclamando da culpa dos outros. Seja pela busca de benefício próprio, corrupção ou apenas banalidade do mal (conceito Hannah Arendt).”

“Num momento em que a polarização reina, falar sobre qualquer tema não gera diálogo e sim o ódio da torcida oposta. E os reféns da mídia não conseguem submergir para ouvir as mais coloridas vozes da nossa interdependência.”

“Estamos mergulhados numa crise civilizatória, numa crise de percepção, numa crise ambiental que há muitos anos não vivíamos. Tudo que está acontecendo deixa claro de que não podemos continuar a fazer o que fazíamos e a acreditar no que acreditávamos. Uma frase famosa atribuída a Albert Einstein, “Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes” resume bem a insanidade se não alterarmos significativamente o que fazíamos. Portanto na Educação, Economia, Medicina, Política, Ecologia e até na Religião precisamos de um novo paradigma.”

“E para não dizer que não falei da pandemia, acredito que ainda continuamos com as mesmas incertezas em quase tudo. O que podemos afirmar é que estão emergindo denúncias de que algumas (muitas) pessoas estão, vergonhosamente, aproveitando a pandemia para benefício próprio. Seja para o poder, corrupção, manipulação, prestígio ou outros motivos escusos. Minha esperança é de que elas sejam desmascaradas. Daqui a alguns anos ficaremos pasmos de saber o quanto não sabíamos e nos envergonharemos do quanto acreditamos no inacreditável.”

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