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Posts Tagged ‘Eleições 2.0’

Eu sempre acreditei que era melhor não me meter em política. Desde que era estudante na FGV, tendo professores como Bresser Pereira, Eduardo Suplicy, Vilmar Faria entre outras fortes personalidades do meio sócio-político, aprendi que a questão era muito mais uma luta pelo poder do que pelas idéias. Historicamente, a humanidade sempre foi assim. Portanto, escolhi trilhar os caminhos do “pensar fora da caixa”, do alternativo, do social e principalmente da busca interior. Quanto à política, nem pensar!

 

No início desse ano a política veio ao meu encontro. O meu trabalho com tecnologia da informação e Web 2.0, que atende pelo nome de “Mídias Sociais” se tornou o grande foco de notícias depois que um ilustre desconhecido teve a petulância de concorrer, nos EUA, com o clã Clinton e… venceu! Como ele fez esse milagre? Sua resposta foi muito simples: mídia social (social media). Da noite para o dia, nomes como Google, Blog, Youtube, Orkut, Twitter, Facebook, Myspace, Second Life, Linkedin, Digg, Ning, Flickr, MSN, Skype, Plaxo e tantos outros deixaram de ser apenas endereços de entretenimento para se tornarem poderosos formadores de opinião.

 

O que me deixa muito animado é que a política vai se transformar de uma maneira bem mais sadia, transparente e com a constante participação do cidadão. O perfil do político também vai mudar e provavelmente teremos nomes de pessoas que não queriam fazer parte desse modelo político atual.

 

Minha primeira palestra sobre o tema foi em maio, num evento de Mídia Social promovido pela revista Bites. De lá para cá foram várias palestras, entre elas a CONIP, Eleições 2.0, INTEROP, entrevistas na Isto É Dinheiro e no IDG.

 

A Nova Política será feita por candidatos que, após vencerem, continuarão a contar com o apoio dos cidadãos de sua localidade. Mais do que isso, estarão interagindo o tempo todo com eles para realmente atuar em seus nomes. Não é maravilhoso? Você vota num candidato e continua acompanhando e interagindo com o seu mandato. A mídia social vai permitir que haja constantes trocas de idéias, discussões, pesquisas de opinião, fóruns e até mesmo votações para determinados assuntos. Plebiscitos on-line! Isso vai acontecer!

  

Em Itu, só conheço um candidato buscando trabalhar nesse formato. Ele tem se cercado de muitas pessoas, eu inclusive, com diferentes conhecimentos para criar essa rede de apoio nas diferentes áreas de atuação. Não será apenas um vereador na Câmara, mas um representante de uma comunidade, cada vez maior, de cidadãos interessados em participar das decisões da cidade. Isso é novo!

 

Não estaremos votando apenas no candidato, mas num movimento por uma maior transparência e participação colaborativa de quem quiser. Se esse formato for eleito, daqui a 4 anos todos os candidatos terão que agir assim para serem eleitos. Que mudança importante!

 

Sabemos que tem boas pessoas se candidatando, eu mesmo conheço algumas, mas estamos elegendo uma Nova Política e não apenas um determinado candidato. Estamos escolhendo um formato diferente do que existe hoje. Não agüentamos mais ver tantos escândalos e corrupção no noticiário. Por isso, candidatos “bizarros” conseguem se eleger. É um voto de protesto. Fiquei com vergonha, em 2004, quando o programa Fantástico colocou Itu junto com outras cidades (que eu nunca tinha ouvido falar) que elegeram personagens folclóricos. Neste fim de semana passei pelas ruas e vi bandeiras, carreatas, homens-sanduíche, carros e bicicletas de som e tentei explicar para o meu filho (9) o significado daquilo. Os nomes não ajudam, tem cada nome estranho! Foi difícil explicar o inexplicável!

 

Bom voto!

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Tenho certeza que a Internet vai definir as eleições de 2010, terá alguma influência na de 2008 e as campanhas nunca mais serão as mesmas. O que está acontecendo nas eleições 2008 dos EUA acontecerá na nossa em 2010. Lá, um “azarão” sem chances numa campanha tradicional mudou o jogo e conseguiu uma façanha inédita.

 

O autor do excelente livro “The First Campaign”, Garrett Graff, compara essa revolução nas eleições americanas com a de 1952 em que Eisenhower usou um meio totalmente desacreditado por parecer elitizado, que não tinha muitos adeptos (assim como se pensa ainda hoje sobre a Internet): a TV. Dois anos depois 10.000 americanos, por dia, compravam sua primeira TV. Em 1956, quando ele se reelegeu, 75% dos lares tinham TV. As campanhas políticas nunca mais foram as mesmas nos EUA.

 

Agora é a Internet que está definindo o rumo dessa eleição e as campanhas nunca mais serão as mesmas. No Brasil isso vai acontecer na eleição de 2010, que começa em outubro de 2008. Aqueles que não começarem nessa época, terão poucas chances. Ao invés das grandes redes de mídia definirem o que as pessoas vão ver, as próprias pessoas vão gerar conteúdo para outras verem. As histórias que a grande imprensa consegue dominar irão, pouco a pouco, perder o controle para o cidadão comum. Hoje ainda é possível fazer do caso Isabela a novela do momento e encobrir uma grande quantidade de outras histórias que poderiam também estar na pauta. Mas isso será por pouco tempo.

 

O Pangea Day, um dos melhores movimentos internacionais desse primeiro semestre, teve uma divulgação quase nula, sendo que o Brasil foi um dos 6 países escolhidos para participar. Fiquei impressionado! Se você não sabe o que foi isso, você está entre os que ainda são pautados pela grande mídia. Mas em pouco mais de 1 ano será impossível viver assim. Seu celular, seu browser ou seu pda estará lendo e enviando posts, twitters, sms, qrcodes, rss, gis, gps do seu interesse, mesmo que você não saiba o que significa isso. Na prática, você estará conectado com uma rede colaborativa que o ajudará a encontrar caminhos, descontos, conteúdo, bem estar e principalmente relacionamentos.

 

Os políticos que não perceberem que o mundo mudou tomarão um susto ao verem completos desconhecidos receberem quantidades impressionantes de votos. Talvez chamarão essa sensação de efeito Hillary. Mas o mais importante não é a mudança do formato da campanha, mas sim a mudança do perfil do político e da política. Teremos gestores públicos que serão monitorados pelo seu eleitorado durante o mandato. Teremos representantes que farão plebiscitos on-line a cada decisão a ser tomada por um grupo de participantes com interesses naquele assunto. Estamos diante de uma nova era para a política, para os políticos e principalmente para os cidadãos.

 

A diferença entre a web 1.0 e a 2.0 é simples. Na primeira, o conteúdo é produzido por um e distribuído para muitos (assim como nas mídias tradicionais). Na segunda, o conteúdo é produzido por muitos e distribuído para muitos. Portanto, a ação de uma única pessoa pode, com a colaboração de muitos, se tornar um sucesso através de uma reação em cadeia na comunicação. Este é o princípio!

 

A semente desse movimento começou nos EUA, em janeiro de 1998 quando a revista Newsweek decidiu não publicar a matéria sobre o escândalo sexual de Bill Clinton com uma estagiária da Casa Branca (Monica Lewinsky). No entanto, um site de fofocas chamado Drudge Report, do jornalista Matt Drudge, publicou (ou postou) essa informação e gerou uma cadeia de eventos com um final que conhecemos bem. Dali em diante, nós podemos colecionar centenas de casos em que um único individuo consegue revelar uma informação que transforma o ambiente. Desde a descoberta das fraudes nas fotos da Reuters, até as falsas informações de um importante jornalista do Times que abalaram o mundo do jornalismo.   

 

O caso Obama é sem dúvida o pivô dos holofotes em mídia social. Ele mesmo foi prejudicado pela ação de cidadãos em pelo menos dois casos. O do pastor (amplamente conhecido) e a da Mayhill Folwer, uma senhora de 60 anos e colaboradora do site Huffington Post, que convida o cidadão a ser jornalista. Ela conseguiu, com um simples gravador, levar (em abril) a popularidade de Obama ao nível mais baixo de sua campanha. Dois meses depois essa mesma senhora conseguiu tirar Bill Clinton do sério e gravar sua resposta ofendendo um jornalista da revista Vanity Fair… ele teve que se desculpar publicamente. Pois é, estamos entrando na era em que todo mundo pode ser um jornalista de plantão e tem o poder de alterar o rumo de uma campanha e muito mais.

 

Sou otimista em acreditar que teremos uma Nova Política muito mais transparente, colaborativa e voltada ao coletivo. Isso graças a Mídia Social! E o que é isso na prática? Em primeiro lugar, é preciso desmistificar a questão tecnológica. É claro que estamos vivenciando esse estágio graças aos avanços da conectividade e suas ferramentas de comunicação. Mas o fundamental é a atitude em relação a isso. Não adianta uma empresa ou um candidato fazer um site, alguns blogs, postar vídeos no Youtube, fotos no Flickr, um avatar no Second Life ou uma comunidade no Ning.

 

A grande miopia é contratar algum programador ou profissional de TI (Tecnologia da Informação) quando na verdade deveria estar chamando profissionais que entendam como formar grupos, desenvolver idéias que mobilizam, criar um contexto para a aprendizagem, agregar times multidisciplinares com experiência em ambientes digitais. Lamentavelmente, por ainda estar no estado da arte, a Mídia Social tem poucos que realmente a conhecem e muitos que dizem conhecê-lá. Esses próximos 2 anos serão decisivos para se fazer a escolha certa do profissional e avaliar o retorno.

 

Em 2008, está sendo difícil saber quem é quem. Basta ver algumas iniciativas que resultam em nada. Em 2009 haverá uma corrida em busca desses profissionais e acredito que teremos algo em torno de 20% de bons resultados. Acredito que 80% dos que pensam estar comprando ações em Mídia Social perceberão que compraram na verdade o “mico”. Em 2010, os preços desses serviços vão subir muito para aqueles poucos que comprovaram sua eficácia. Somente em 2011 esse know-how estará plenamente dominado e o mercado ficará estável com valores mais justos. Nesses 2 anos haverá uma grande “troca de cadeiras”, principalmente na política, no jornalismo e na educação.

 

Estamos falando de “contadores de histórias”, no qual as pessoas não estão apenas ouvindo essas histórias… mas participando delas. Essa é uma face da poderosa mídia social. Muitas dessas histórias chegam à mídia tradicional e ficam mais conhecidas, como o caso de um celular perdido num táxi, que mobilizou a cidade de Nova York e até saiu na capa do New York Times. Vale a pena ler sobre os detalhes dessa história para se ter uma idéia de como acontece na prática (www.evanwashere.com/StolenSidekick).

 

Em Montreal, Canadá, um rapaz de 26 anos conseguiu a façanha de trocar um clips por uma casa em apenas 14 negociações. Nos EUA, um celular foi responsável pela maior queda de ações da KFC-Taco Bell quando gravou a presença de ratos numa lanchonete do grupo. Em pouco tempo essas histórias e seus contadores se tornarão cada vez mais comuns. Imagine isso aplicado à política e aos políticos. As histórias não só vão ultrapassar as páginas dos jornais ou telas de TVs, mas farão de cada cidadão um participante ativo da História.

 

Que venham as eleições 2.0!


Alan Dubner
é diretor da Cybermind Comunicação Interativa, especializado em Marketing Digital, Pesquisa Digital e Internet.

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