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Archive for the ‘Aprendizagem’ Category

Primeiro de Abril!

Apesar de hoje ser um dia onde a Mentira é, de certa forma, tolerada… são os outros 364 dias que a Mentira rola solta diariamente principalmente nas mídias sociais. O pior é que a grande maioria das pessoas as espalha acreditando que seja verdade ou pelo menos, próximo da verdade. Mas o que realmente é o pior de tudo, é quando são avisadas que as mensagens são falsas e nem se incomodam por acreditar que o “o que vale é a intenção”. Chegamos ao fim do poço dessa pós verdade! Do jeito que as coisas estão é muito mais fácil acreditar que tudo é falso, assim você terá acertado num percentual gigantescamente maior do que se acreditasse que é verdadeiro. Ontem, 31 de março, as pessoas disputavam se a data era do golpe ou da revolução militar de 55 anos atrás. A data do evento foi 1º de abril e não 31 de março… já começa por aí! Na semana passada recebi de vários lugares uma mensagem pedindo para não jogar fora as sementes de frutas no lixo, secá-las ao sol, guardar num saco de papel no carro e quando for para um campo ou estiver viajando jogue as sementes no terreno. Surreal! A mensagem ainda erra feio a sazonalidade das frutas, inventa que o governo Tailandês promoveu essa ideia e faz o inocente bem intencionado espalhador dessa mentira se sentir colaborando com a natureza. Claro que esse post é bem tranquilo em relação a tantos outros que espalham ódio, preconceitos, difamações, violência e tantos outros conceitos negativos. Mas ao espalhar uma MENTIRA e achar que é tudo bem, estamos praticando o que a Hannah Arendt chamou de BANALIDADE do MAL. Chequem as informações antes de transmiti-las. Se não tiverem tempo ou vontade de fazer isso não as transmita, a chance de conter mentiras é muito grande. Para finalizar lembre-se que ao replicar um assunto que você não conhece o cuidado deve ser bem maior. O genial Joseph Campbell quando perguntado sobre o que era mitologia respondeu que era a religião do outro. Portanto tenha muito respeito ao transmitir informações que não são da sua área de conhecimento, alguém pode ficar mal.

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Pense Diferente

Publicado na revista Canal RH em 29/10/2012

O que há de comum em todos os líderes que, de alguma forma, mudaram o mundo? Foram todos considerados loucos, desajustados, rebeldes ou simplesmente encrenqueiros. As regras são contestadas não por uma simples ação de rebeldia, mas por uma profunda consciência de que elas já não se aplicam. Eles não são destrutivos como querem que se pareçam, mas são os reveladores das novas ideias. São criadores de um futuro que já existe. Como dizia Victor Hugo, não há nada mais poderoso do que uma ideia cujo tempo chegou. Einstein, Ghandi, Chaplin, Martin Luther King Jr, Saint Exupéry, Thomas Edison, Steve Jobs, Walt Disney, Darwin, Isaac Newton e tantos outros foram considerados loucos desde a época da escola. Chega a ser engraçado os professores de Thomas Edison o considerar muito estúpido para aprender alguma coisa. Eles pensavam diferente!

Steve Jobs sabia disso e produziu para a Apple o slogan “Think Different” e o maravilhoso filme (Crazy Ones) de 1 minuto que até hoje é muito inspirador (http://bit.ly/RoF6VL). Com o texto: “Aqui estão os loucos. Os desajustados. Os rebeldes. Os criadores de caso. Os pinos redondos nos buracos quadrados. Aqueles que veem as coisas de forma diferente. Eles não curtem regras. E não respeitam o status quo. Você pode citá-los, discordar deles, glorificá-los ou caluniá-los. Mas a única coisa que você não pode fazer é ignorá-los. Porque eles mudam as coisas. Empurram a raça humana para frente. E, enquanto alguns os veem como loucos, nós os vemos como geniais. Porque as pessoas loucas o bastante para acreditar que podem mudar o mundo, são as que o mudam.” (Jack Kerouac).

Como é possível lidar com esses lideres geniais? Nessa segunda década do século 21 está cada vez mais evidente que as novas gerações de lideres estão pensando diferente. A moeda de troca não é mais o dinheiro. O sucesso não é mais medido pelo Ter, mas sim pelo Ser. A Nova Economia está produzindo uma onda em que os jovens não conseguem mais aprender o que as escolas oferecem, nem vestir a camisa que as empresas criaram e muito menos compactuar em não cumprir as promessas da marca. As escolas acusam crianças de terem déficit de atenção… quem está com déficit de atenção? Essa onda de medicar crianças e jovens virou epidemia. Muitos educadores, professores e terapeutas estão dopando aqueles que pensam diferente e os pais, lamentavelmente, acreditam nessa farsa. Claro que há casos de necessidade real de um apoio químico, mas não nessa proporção absurda que estamos vivendo. Deborah Dubner, minha cara metade, escreveu um artigo muito bom sobre isso (http://bit.ly/MY0vYi). Não deixem de ver o vídeo no final!

Pense um pouco sobre como está o seu olhar e sua escuta para tudo isso. Você está mais para louco ou para falta de atenção para os que o são. Você está mais para mudar o mundo ou para acreditar que não consegue. Você está mais para jogar com o Edgard Gouveia Jr (capa da última revista Canal RH) ou para ver a Avenida Brasil (Globo)? Acredite: a escolha é sua!

 

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Publicado na revista Canal RH em 28/08/2012

Depois da Rio+20 ficou mais do que claro que a Nova Economia é quem vai definir os rumos do mercado daqui para frente. As empresas estão numa corrida para se ajustar a essa nova realidade. Muitas já começaram há alguns anos, outras nasceram assim, mas a grande maioria está começando agora. Do outro lado muitas empresas já estão morrendo por não conseguirem se adaptar a essa nova realidade. O que o RH tem a ver com isso? TUDO! Absolutamente tudo! A mudança não é da organização para as pessoas, como foi até o século 20 e sim das pessoas para a organização. Isso significa que os recursos humanos de uma organização precisam ser “empoderados”, habilitados, capacitados e principalmente humanizados.

Antigamente, a área de Recursos Humanos cuidava de Seleção, Treinamento, e Desenvolvimento. Na Nova Economia isso não faz mais sentido, falamos hoje de Colaboração, Capacitação e Transformação. As organizações que ainda funcionam no velho sistema procuram fazer uma triagem (seleção) daqueles que mais se encaixam na cultura organizacional para depois adestrá-los (treinamento) à função e procuram potencializar (desenvolvimento) seu rendimento para gerar melhores resultados. Desde Adam Smith esse modelo era vencedor e fazia a empresa se destacar no mercado. O Mercado e os Negócios mudaram e estão mudando cada vez rápido para um modelo de gestão baseado no Pensamento Sistêmico.

Essa filosofia não é nova (Peter Senge, Humberto Maturana, Chris Argyris, Francisco Varela, Antonio Carlos Valença e muitos outros) e a grande maioria dos CEOs está bem familiarizada com suas metodologias. A Colaboração substituindo a competição dentro e fora da empresa em busca de um ótimo Relacionamento (Collaborative Business), as práticas ligadas à Capacitação onde a empresa vive diariamente, a Aprendizagem (Learning Organizations) e a Transformação onde as pessoas são incentivadas a buscar seu Sonho (Bliss). Claro que tudo isso está baseado na Sustentabilidade. Ou seja, tudo que acontece no ambiente de negócios estará, invariavelmente, interligado ao tripé da Sustentabilidade (People/Planet/Profit).

Se isso tudo é verdade, então porque existem muitas pessoas falando e agindo exatamente ao contrário? Respondo dizendo que em primeiro lugar posso estar completamente equivocado e tendo uma visão romântica de tudo isso… mas não sou o único :-). Os dias que passei na Rio+20, e as semanas seguintes, me mostraram evidências gigantescas de que a Nova Economia veio para ficar e que muitos formatos de negócios estão com os dias contados.

O que acredito que esteja acontecendo é a famosa ilusão ou miopia do Gorila Invisível (The Invisible Gorilla). Vocês se lembram daquele filminho de 30 segundos que há mais de dez anos vem sendo exibido em tudo que é palestra e workshop de RH? Nele, seis estudantes divididos em dois grupos fazem passes com uma bola de basquete. Esse estudo de percepção realizado em 1999 pelos maravilhosos professores da Harvard, Daniel Simons e Christopher Chabris, deixa claro como a nossa mente pode nos deixar cegos para um fato tão óbvio. A minha primeira experiência ao ver o vídeo foi tão inacreditável quanto da maioria das pessoas para as quais mostrei. São dois grupos, um vestindo camisas brancas e outro pretas, com três estudantes cada. Cada grupo tem uma bola de basquete onde batem no chão e passam para um membro do mesmo grupo. Eles ficam correndo de forma circular num pequeno espaço.

Você recebe a mensagem para contar quantos passes o time de camisa branca vai fazer. Começa o vídeo e você atentamente conta os passes. Quando termina a cena aparece a pergunta: Quantos passes você contou? E dá a resposta certa. Logo em seguida, a pergunta é: Você viu o Gorila? O susto que levei com essa pergunta e o susto maior ainda, ao ver o enorme Gorila quando novamente revi a cena no vídeo foi realmente incrível. Como foi possível não ter visto aquele Gorila enorme passando tranquilamente pela cena? Para quem quiser ver os vídeos, ler o livro ou os desdobramentos do estudo: theinvisiblegorilla.com

Será que não tem algum Gorila Invisível passando do seu lado? Do meu tem! 🙂

Pense muito em ver e rever os seus conceitos e preconceitos em relação à Nova Economia, Sustentabilidade e Evolução da Consciência. Estão totalmente interligados aos Recursos Humanos de hoje.

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Conectivismo


1 de Janeiro de 2011
Primeiro dia dessa década que promete ser a década da Educação, ou melhor, da Aprendizagem.
A última década consolidou as mídias sociais na Internet, derrubou mitos tombados pelo patrimônio histórico do poder vigente, deu voz a milhares de cidadãos distantes da mídia, deixou involuntariamente mais transparente as ações de governo, permitiu que a leitura fosse mais acessível, tirou a espiritualidade do armário, rompeu a barreira das línguas e linguagens, tornou a sustentabilidade sustentável e principalmente abriu as portas para o Conectivismo na Educação. A conexão com, de alguma forma, tudo e todos vai permitir essa revolução da Educação. Bem vindos a 2011!
Imaginem só… se alguém na década de 90 afirmasse que na próxima década os EUA teria um presidente negro, que o Lula seria eleito e os bancos teriam lucros recordes em seu governo, que a Volvo seria Chinesa, que o Niemeyer faria 103 anos, que tristemente Sérgio Vieira de Mello não substituiria o Kofi Annan na ONU, que a tradicional Burger King seria Brasileira, que as torres gêmeas (EUA) seriam derrubadas por aviões de passageiros, que o George Bush assumiria a presidência dos EUA mesmo tendo perdido para Al Gore nas urnas, que o tal do bug do milênio (Y2K) não faria mal a ninguém, que o Lehman Brothers fecharia, que a Arthur Andersen teria sua reputação destruída, que uma empresa chamada Google seria uma das marcas mais valiosas do mundo, que avançaríamos muito pouco na terapia genética, que a natureza bateria tão forte e que Plutão deixaria de ser um planeta. Uma década inacreditável!
Com certeza essa década promete nos surpreender ainda mais. Quem se arrisca a fazer previsões? Nenhum de nós sabe o que vai acontecer, mas uma coisa é certa: na Educação uma revolução transformará completamente as atuais estruturas e metodologias. Arrisco-me a dizer que logo não haverá mais vestibular e que as escolas serão espaços de lazer que promoverão uma aprendizagem real. A alfabetização ecológica, educação ambiental e sustentabilidade farão parte dessa nova fase assim como nutrição, saúde, economia, evolução da consciência, inteligência emocional e social. O conteúdo será diretamente ligado ao SER do ser humano. A competitividade será substituída pela colaboração e as hierarquias pelas lideranças. Pode parecer absurdo, mas para a década passada também parecia. Viva a Aprendizagem!

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OutOfTheBox
Todos nós fomos e estamos sendo afetados, direta ou indiretamente, pela crise mundial. A diferença é como cada um reage a ela. Dos dois extremos “suicídio” e “não é comigo”, temos uma enorme variedade de possibilidades que passam por campos como o financeiro, negócios, empregos, saúde, auto-estima, humor e muitos outros. Como dizia Drummond, “A dor é inevitável, o sofrimento é opcional”.

Qual é a sua escolha? Você é dos que diz que está sempre sem tempo ou recursos? Pense bem… não responda por impulso… fique com a questão! Procure se lembrar da última vez que aceitou um desafio. Comece escolhendo ler esse texto até o fim.

Para sair desse estado é preciso aprender a pensar “fora da caixa”. É preciso uma mudança cultural. A frase do Einstein,
“Nenhum problema pode ser resolvido pelo mesmo grau de consciência que o gerou” ilustra bem o que é uma mudança cultural.

Todos nós temos um código cultural que nos leva a agir e reagir conforme essas crenças e valores. O que é preciso para alterar o código cultural? O que é preciso para se abrir a algo novo e inusitado? Em primeiro lugar é preciso colocar de lado o que você acredita e, momentaneamente, imaginar a possibilidade de aceitar uma nova idéia. Isso significa manter suas crenças e valores afastados do seu julgamento e ser generoso na escuta de uma possível mudança.
 
Vamos, por exemplo, pensar na possibilidade de que ler, ouvir e ver notícias seja uma ação de pouca utilidade. Deixemos de lado, por instantes, a idéia de que os jornais são uma rica fonte de informações e de que se não estivermos conectados a eles, seremos alienados. Ficaremos abertos para a possibilidade de que, além de nos fazerem perder uma boa quantidade de tempo, não nos trazem informações pertinentes às necessidades do nosso dia a dia. Pode parecer difícil imaginar isso, mas podemos ir além. Por exemplo, dizendo que as notícias podem nos fazer mal ou que ao invés de informar podem desinformar. Qualquer mudança cultural é uma mudança de paradigma (breakthrough) e, portanto, exige um novo grau de consciência.

Tudo está mudando! Na educação está ficando claro que esse modelo de escola não funciona mais. Na saúde, a neurociência e a inteligência social estão revolucionando o conceito de doença. Na política a sociedade civil transforma um movimento em votos. Na ecologia, o verde deixou de ser adjetivo para se tornar um verbo. Na economia e negócios é onde temos, ainda, um longo caminho a trilhar. Apesar dos sinais estarem claros de que há uma Nova Economia, precisamos de uma urgente transformação cultural nas organizações. Isso não é uma ação individual, mas coletiva, colaborativa.

Qual o caminho?

Acredito muito na visão de inovadores e na oportunidade que o Brasil tem de liderar essa mudança cultural. Somos multiculturais por natureza!
Um desses líderes inovadores é Oscar Motomura, conhecido por praticamente todos os líderes empresariais e que está promovendo um evento que, na minha visão, é imperdível.

Durante três dias, Motomura dialogará com o papa da cultura organizacional, Edgar Schein, que estará no Brasil para este evento colaborativo. É uma oportunidade de mudar o nosso grau de consciência e compartilhar com uma comunidade o pensar “fora da caixa”.

Faço uma provocação, emprestando mais uma frase de Einstein: “
Não há nada que seja maior evidência de insanidade do que fazer a mesma coisa dia após dia e esperar resultados diferentes.”

O evento começa no próximo dia 16 de junho. Mais informações: www.mudancacultural.com.br.

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Estou lendo o “The Power of Presence” do Peter Senge e novamente fica claro o quanto as escolas estão LONGE de conseguir ensinar alguma coisa aos alunos. Enquanto os pais, professores e gestores do ensino não mudarem COMPLETAMENTE seu modo de ver a aprendizagem eles estarão perdendo um precioso tempo.

 

Por mais incrível que pareça nossos filhos têm tudo para serem muito bem sucedidos nesse novo mundo sócio-econômico. Mas o que os tira desse caminho somos nós, pais e educadores. O futuro é aqui e agora. Abra sua mente e principalmente o seu coração para o que já está acontecendo na educação e tenha uma “escuta generosa” para as novas habilidades requeridas para o profissional de hoje.

Por que pais e educadores, os mais interessados no sucesso dos filhos e alunos, fazem o contrário do que é preciso para prepará-los para o futuro? Simples: falta de conhecimento.

Tenho visto pais entrarem nas escolas e perguntarem onde está o laboratório de informática e quantos computadores tem por aluno. Falta-lhes a informação da total inutilidade de um laboratório de computadores, assim como seria inútil (no tempo deles) um laboratório de canetas e lápis. Por outro lado, as escolas mantêm esses laboratórios por duas razões: apenas para os pais verem ou – bem pior – porque não sabem de sua inutilidade. O próprio nome “informática” é mal compreendido e muitas escolas, em vez de ensinarem a ciência da informação, ensinam Windows, Word, Excel, Photoshop, Corel e outros. Seria como ensinar a utilizar garfos, pratos, colheres e panelas, em vez de ensinar a cozinhar.

Sendo a comunicação e a informação tão importantes para as profissões do futuro, porque as escolas mal tocam de verdade nesse assunto? O livro “As Profissões do Futuro”, de Gilson Schwartz , foi escrito em 2000 e  é impressionantemente atual. Gilson nos diz que três palavras resumem a  sua visão: rede, conhecimento e cidadania. “As oportunidades de sobrevivência digna estarão cada vez mais condicionadas, em cada sociedade, pelas possibilidades de criação e multiplicação de redes de conhecimento”,  afirma.

Lamentavelmente, as escolas ainda estão desenhadas ao contrário, formando alunos que acreditam que o objetivo principal da escola é o Vestibular. E para piorar, muitos pais e educadores reforçam essa idéia. Com isso, a grande maioria dos alunos não está preparada para a faculdade e muito menos para o futuro mercado de trabalho. E quanto às avaliações? As pesquisas mostram que os profissionais bem sucedidos foram na sua maioria mal avaliados em suas escolas e que a maior parte dos bem avaliados não está bem posicionada no mercado de trabalho. O que isso quer dizer? Será que temos que questionar o atual sistema de avaliação? Sim, temos que questionar. E muitos já o estão fazendo. O livro “Fomos Maus Alunos” de Rubem Alves e Gilberto Dimenstein é um presente para essa reflexão. Recomendo a todos os pais interessados em Educação essa deliciosa e rápida leitura de um bate-papo entre os dois.

As habilidades necessárias para o profissional do século XXI (que já começou) demandam que a pessoa seja auto-motivada, auto-dirigida, colaborativa, que tenha senso de cidadania (responsabilidade social e ecológica) e que trabalhe em rede. Enquanto isso, as escolas continuam ensinando o contrário. Os alunos aprendem uma obediência cega à hierarquia para não serem punidos. As lições não são feitas por interesse ou curiosidade e sim porque “vale nota”. Os alunos aprendem a acreditar no que está escrito (sem questionar ou refletir), aprendem a competir para vencer (sem compartilhar ou cooperar) e humilham seus colegas diante do grupo, com a maior naturalidade, já que o próprio professor muitas vezes também o faz. Notas e punições acabam sendo (ainda) a base do sistema de educação. Isso porque apesar de já estar claro que esse sistema não funciona mais, poucos sabem o que colocar no lugar e como fazer isso. Enfim… essa escola está morta, mas ainda não foi enterrada. Cabe aos pais e educadores não permitir que esse modelo continue a existir.

Imagine a seguinte experiência: coloque todos os professores de uma mesma escola numa sala e diga que eles serão avaliados. Sinta a reação de cada um, aplique um teste de QI (veja o medo da maioria), exiba os resultados abertamente, dê os parabéns àqueles que se saírem bem e recomende aos que ficaram abaixo da média para procurarem ajuda. Afinal de contas, um professor precisa ser inteligente! Tenho certeza que a simples proposta vai gerar uma comoção entre os professores…Não vai? Mas se pensarem bem, é isso que a educação está fazendo, sistematicamente, com os alunos. Para que?

O maior equívoco dos pais é acreditar que uma escola que exige muito do aluno é uma boa escola. Os pais aprenderam de seus pais que para se ter um bom futuro é necessário se sacrificar para isso. Portanto, traduzem que uma escola que está mais preocupada em formar seres humanos e cidadãos conscientes em vez de focar no vestibular é uma escola alternativa e provavelmente fraca. Ledo engano! A Escola da Ponte, em Portugal, prova claramente o contrário! Lá, os alunos não têm aulas regulares, conteúdo programático, provas ou notas. O aluno aprende dentro do seu próprio interesse. Segundo José Pacheco, a preocupação deles é com o desenvolvimento do aluno e não com a grade curricular. Resultado: por ser uma escola pública e estar completamente fora do “esquema” de ensino, o estado depois de tentar tudo para acabar com a escola resolveu fazer um “provão” para humilhá-los com as notas baixas de seus alunos. Mas para surpresa geral, a Escola da Ponte ficou em primeiro lugar. Seus alunos obtiveram as melhores notas do país. Nos Estados Unidos, um número muito grande de escolas saíram do esquema formal de ensino. O resultado é que atualmente não é mais obrigatório fazer uma escola oficial, basta passar nos exames.

George Lucas afirmou que no seu tempo a escola era uma chatice total entrecortada por alguns poucos professores maravilhosos que foram responsáveis pela sua formação. Ele pergunta: “Por que a escola precisa ser assim chata? Porque não pode ser maravilhosa com raros momentos ruins?” Ele não ficou de braços cruzados. Montou uma das maiores entidades voltadas para a educação do mundo: a George Lucas Educational Foundation (www.glef.org) que tem produzido o que há de melhor na formação de educadores. Vale a pena ler, ouvir e ver o seu projeto (Edutopia).

Os professores não terão que correr para aprender sobre esse novo mundo, muito pelo contrário. Só precisam se abrir para a idéia de que o aluno pode saber mais do que ele sobre um determinado assunto… e tudo bem ser assim! Só isso!  Exemplo: durante uma aula  sobre reconhecer pegadas de animais, um aluno se interessou em colecionar diferentes pegadas e na pesquisa  achou um jogo de descobrir pegadas no habitat do animal… só que o site era na Alemanha . O colega retrucou que estava escrito em alemão e ninguém ali sabe ler. Um terceiro aluno disse que conseguia ler qualquer coisa em qualquer língua – esse aluno “ensinou” todos da classe a usar um tradutor automático  – disponível hoje na Internet, para quem souber procurar. Num outro dia, um quarto aluno mobilizado pela aprendizagem trouxe uma opção mais eficaz para traduzir e após algumas semanas a classe toda conseguiu  acessar todo o conteúdo da web em português. Com tudo isso, surgiu também a questão do “Internetês” e a crença de  que ele vai fazer todo mundo desaprender o português.

A classe começa a debater e a pesquisar o assunto  e conclui que  – pelo contrário  – a Internet está promovendo a leitura  e mobilizando a criação de uma nova linguagem, que não substitui a anterior, mas se soma a ela. O texto que escolhem  para apoiar a discussão chama-se “Discutindo a Língua Portuguesa”,  escrito por Sírio Possenti e disponível em seu website. E assim, o grupo caminha das pegadas dos animais à tecnologia, passando por países, idiomas, questionamentos e reflexões. Embora as disciplinas de Geografia, História, Português e Ciências estejam presentes no estudo, fica absolutamente claro que as fronteiras da aprendizagem vão muito além da “matéria”.  É preciso tocar também o invisível, criando interesse, comprometimento, responsabilidade e visão coletiva. Mas não é fácil conseguir isso! Portanto, os pais precisam buscar informações sobre quais as habilidades serão requeridas quando seus filhos forem para o mercado de trabalho. E devem pesquisar o que a escola está fazendo nessa direção… de verdade e não só na sua propaganda . Algumas perguntas a serem feitas para a escola:

1- Qual a filosofia da escola?
2 – Como trata a tecnologia da informação? Ainda tem laboratório de informática?

 

3 – Como lida com a inteligência emocional e as múltiplas inteligências em geral?

4 – Os professores estão alinhados com a escola?

5 – Como realmente lidam com os problemas? Peça exemplos práticos.

6 – Como avaliam os alunos?

7 – O que pensam e o que fazem quanto à preparação para o vestibular?

Cada pergunta dessas deve ser feita em profundidade, questionando os “senãos”. Responder é fácil, mas verifique se as respostas condizem com a verdade, perguntando para outros pais da escola e principalmente para os alunos.Dê um passeio pela escola e verifique a postura dos alunos em classe. Sentem-se a vontade ou com medo? Estão interessados ou loucos para sair dali? Numa palestra da ASCD (Association for Supervision and Curriculum Development), o educador Alan November disse que o melhor teste para conhecer a competência de um professor é tirá-lo da classe e ver o que acontece com os alunos. Se a classe permanecer como estava o professor é bom; se virar uma bagunça esse professor tem muito a aprender.

 

 Precisamos mudar um importante paradigma para o bem dos nossos filhos. Uma escola que valoriza o desenvolvimento do aluno é uma escola que escolheu a difícil tarefa de ensinar a aprender e provavelmente fará o seu filho obter os melhores resultados nos exames. Mudar um paradigma qualquer não é uma tarefa fácil. Portanto, proponho que  entendamos a importância dessa escolha e  dediquemos tempo estudando o que há nesse caminho. Além das idéias acima, sugiro a leitura de mais 5  bons livros:

1. Presença – Peter Senge, Otto Sharmer, Joseph Jaworski e Betty Flowers – trata do processo de aprendizagem. Imperdível!

2. Inteligência Social – Daniel Goleman – esse último livro é uma obra prima para entendimento do SER do ser humano e de nossas conexões. Leitura obrigatória!

3. A Escola que Aprende – Peter Senge – um livro definitivo para entender os “porquês” e “comos” das mudanças que as Escolas estão vivendo. Obrigatório para educadores! Se na sua escola não seguem esses ensinamentos: mude de escola já!

4. Freakonomics – Stephen Dubner e Steven Levitt – um livro que fará você nunca mais cair no conto do “senso comum”. Você verá tudo com um olhar mais real. Ajudará, de uma forma despretensiosa, a pensar “fora da caixa”. 

5. O Mundo é Plano – Thomas Friedman – reúne a visão da transformação que estamos vivendo e propõe um olhar para a educação. Leia a segunda edição revisada!

Depois de tanta reflexão, nós – pais e educadores – temos duas escolhas: continuar dormindo ou acordar. O que você escolhe? 

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