Junho 3, 2009

Superando a Crise: o caminho é a mudança cultural

OutOfTheBox
Todos nós fomos e estamos sendo afetados, direta ou indiretamente, pela crise mundial. A diferença é como cada um reage a ela. Dos dois extremos “suicídio” e “não é comigo”, temos uma enorme variedade de possibilidades que passam por campos como o financeiro, negócios, empregos, saúde, auto-estima, humor e muitos outros. Como dizia Drummond, “A dor é inevitável, o sofrimento é opcional”.

Qual é a sua escolha? Você é dos que diz que está sempre sem tempo ou recursos? Pense bem… não responda por impulso… fique com a questão! Procure se lembrar da última vez que aceitou um desafio. Comece escolhendo ler esse texto até o fim.

Para sair desse estado é preciso aprender a pensar “fora da caixa”. É preciso uma mudança cultural. A frase do Einstein,
“Nenhum problema pode ser resolvido pelo mesmo grau de consciência que o gerou” ilustra bem o que é uma mudança cultural.

Todos nós temos um código cultural que nos leva a agir e reagir conforme essas crenças e valores. O que é preciso para alterar o código cultural? O que é preciso para se abrir a algo novo e inusitado? Em primeiro lugar é preciso colocar de lado o que você acredita e, momentaneamente, imaginar a possibilidade de aceitar uma nova idéia. Isso significa manter suas crenças e valores afastados do seu julgamento e ser generoso na escuta de uma possível mudança.
 
Vamos, por exemplo, pensar na possibilidade de que ler, ouvir e ver notícias seja uma ação de pouca utilidade. Deixemos de lado, por instantes, a idéia de que os jornais são uma rica fonte de informações e de que se não estivermos conectados a eles, seremos alienados. Ficaremos abertos para a possibilidade de que, além de nos fazerem perder uma boa quantidade de tempo, não nos trazem informações pertinentes às necessidades do nosso dia a dia. Pode parecer difícil imaginar isso, mas podemos ir além. Por exemplo, dizendo que as notícias podem nos fazer mal ou que ao invés de informar podem desinformar. Qualquer mudança cultural é uma mudança de paradigma (breakthrough) e, portanto, exige um novo grau de consciência.

Tudo está mudando! Na educação está ficando claro que esse modelo de escola não funciona mais. Na saúde, a neurociência e a inteligência social estão revolucionando o conceito de doença. Na política a sociedade civil transforma um movimento em votos. Na ecologia, o verde deixou de ser adjetivo para se tornar um verbo. Na economia e negócios é onde temos, ainda, um longo caminho a trilhar. Apesar dos sinais estarem claros de que há uma Nova Economia, precisamos de uma urgente transformação cultural nas organizações. Isso não é uma ação individual, mas coletiva, colaborativa.

Qual o caminho?

Acredito muito na visão de inovadores e na oportunidade que o Brasil tem de liderar essa mudança cultural. Somos multiculturais por natureza!
Um desses líderes inovadores é Oscar Motomura, conhecido por praticamente todos os líderes empresariais e que está promovendo um evento que, na minha visão, é imperdível.

Durante três dias, Motomura dialogará com o papa da cultura organizacional, Edgar Schein, que estará no Brasil para este evento colaborativo. É uma oportunidade de mudar o nosso grau de consciência e compartilhar com uma comunidade o pensar “fora da caixa”.

Faço uma provocação, emprestando mais uma frase de Einstein: “
Não há nada que seja maior evidência de insanidade do que fazer a mesma coisa dia após dia e esperar resultados diferentes.”

O evento começa no próximo dia 16 de junho. Mais informações: www.mudancacultural.com.br.

Novembro 26, 2008

Jornalismo 2.0

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Estamos num momento histórico onde as mudanças socioeconômicas estão ocorrendo numa velocidade muito maior do que é possível para as escolas, empresas e governos acompanharem. Além disso, o poder e a riqueza estão mudando de mãos. Até mesmo a religião está sendo “resignificada”. O agente dessas mudanças somos nós e a força das nossas redes de relacionamentos. Um fenômeno chamado Mídia Social está alterando a política mundial, a gestão dos negócios, a publicidade, a aprendizagem, o sistema todo de saúde, o movimento socioambiental, a cultura e a imprensa mundial. Isso, obviamente, está alterando o mundo como o conhecíamos. As escolas, lamentavelmente, estão longe desse processo. Elas estão na contra mão de fazer o que é necessário para preparar seus alunos para essa nova realidade. Em minha opinião, a maioria delas, é uma perda de tempo, humor, saúde e dinheiro. A ponta dessa mudança é a Imprensa! Cabe a ela se adaptar e informar, o mais rápido possível, sobre essa nova consciência e a importância (e responsabilidade) de cada um de nós.

A Imprensa está passando pela nova realidade da web 2.0 e sentindo seus efeitos na pele, no papel, nas redes, nas ondas e micro ondas. Quem estiver parado discutindo sobre quem é jornalista ou não, sobre diplomas, reservas de mercado, validade do blog, sobre fronteiras entre mídias, se o jornal físico vai morrer ou não… está perdendo um tempo precioso! Mesmo questões sobre privacidade e direito autoral já estão quase mortas. As questões são outras: reputação, colaboração, mídias sociais, experiência do leitor, comunicação interativa, fãs, cidadania, identidades, tribos, cultura de transparência, responsabilidade com o planeta e seus habitantes. Para essas questões, e muitas outras que virão, ainda não há respostas fáceis. Temos só um vislumbre baseado na pouca experiência que tivemos nesses últimos anos. Tudo está mudando na imprensa, das agências de notícias até os múltiplos formatos dos veículos.

Vamos começar, por exemplo, com quem lê o que. Uma coisa é a importância e a idoneidade do veículo, outra é quem está lendo – de verdade – o que está escrito, dito ou visto nele. A colunista Kathleen Parker do Washington Post afirmou, numa coluna (Folha de São Paulo 07/11/08 – A12) , que ninguém lê a “The Economist”, independente do contexto… ela tem razão e todo mundo sabe disso. Ou seja, a revista de economia mais importante do mundo não é lida por “ninguém”. Temos muitos exemplos de momentos em que a imprensa divulgava uma coisa e as pessoas acreditavam em outra. O caso mais comentado, do boca a boca superando a imprensa é a do PCC em maio de 2006 em São Paulo. Apesar de ter sido a própria imprensa que instaurou o pânico, ela não conseguiu mais divulgar que estava tudo bem. A população através da mídia social (telefone, boca a boca, e-mail, Orkut, etc) divulgou o oposto e as conseqüências, todo mundo sabe quais foram. Outro caso chocante foi a negligência da imprensa com o Pangea Day em maio de 2008. Senti tanta vergonha de ver a imprensa, desculpem a expressão, “de quatro” diante do caso Isabella. Um dos maiores eventos mundiais pela paz, sendo que o Brasil foi um dos países a ter a honra de participar diretamente, foi totalmente ignorado para dar lugar a semanas de destaque para quem matou a Isabella… vexame inacreditável! Mas as mídia social agiu e fez com que milhares de pessoas assistissem o evento.

Na minha opinião, esse jornalismo está com os dias contados e não por causa da conscientização de nós leitores, mas pela falta de verba para manter esses veículos. Sim, cada vez mais as pesquisas estão mostrando que as propagandas publicadas nesses veículos estão diminuindo em credibilidade. Os consumidores estão cada vez mais influenciados pelas mídias sociais. O jornalismo vai acompanhar isso, com certeza, mas ainda estamos no estado da arte e ninguém… ninguém ainda conhece esse assunto! Somos todos aprendizes da web 2.0.

Novembro 5, 2008

Internet elege Obama

obama1O novo presidente dos EUA, Barack Obama, foi eleito pela Internet. Essa é uma afirmação fácil de fazer se levarmos em consideração o que aconteceria se a Internet não existisse: ele não teria chance alguma de vencer a Hillary Clinton e se tornar o candidato democrata.
Obama liderou um movimento enquanto McCain uma campanha. Obama teve adeptos enquanto McCain eleitores. Elegeu-se um movimento!
Obama teve sua trajetória marcada pela habilidade de costurar as redes sociais. Ele contou com um time de consultores com diferentes especialidades em mídia social que arquitetaram um movimento nunca antes visto para eleger um presidente. Enquanto os marketeiros da campanha da Hillary ignoravam Obama (ele não aparecia no radar), ele ia fazendo micro coalizões e envolvendo seguidores dessas idéias. Quando ele ficou visível já era tarde demais para tentar reverter. A grande vantagem das mídias sociais é a invisibilidade inicial, que permite ajustar as idéias à um público maior.
Foi uma vitória histórica que mudou para sempre o cenário das eleições nos EUA. A última vez que essa revolução ocorreu, nos EUA, foi em 1952 em que Eisenhower usou um meio totalmente desacreditado por parecer elitizado, que não tinha muitos adeptos (assim como se pensa ainda hoje sobre a Internet): a TV! Hoje parece óbvia a importância da TV mas naquela época foi totalmente desconsiderada por ser um produto das classes A e B+. Esse engano custou a eleição tida como certa de Adlai Stevenson, democrata indicado pelo então poderoso presidente, Harry Truman. Eisenhower era um herói de guerra popular, mas ridicularizado quando os Republicanos lançaram sua candidatura. A TV elegeu e reelegeu Eisenhower e depois as campanhas (Era Kennedy) foram centradas nesse meio de comunicação.
A partir de agora acabou a era da TV e está entrando a era da Internet na política mundial. Canadá foi a percussora desse movimento em 2006, agora os EUA e no Brasil será assim na próxima eleição. A TV não elegerá o nosso próximo presidente como foi nas últimas eleições… a Internet o fará! Quando falamos de Internet estamos nos referindo à Mídia Social da chamada Web 2.0. A maioria dos políticos não tem idéia do que isso apesar de acreditarem que sabem. A questão é que estão sendo orientados por profissionais que também não sabem como isso funciona. Estamos no estado da arte desse processo e só após as eleições de 2010 ficará mais claro quem conhece de quem diz que conhece. Quem “viver” verá!
O jornalismo 2.0 tem um papel importante nesse processo e também ainda sendo mal interpretado. Enquanto vemos discussões localizadas entre, por exemplo, papel e bits, jornalistas e blogueiros, formados e não formados estamos perdendo o principal cenário que é qual o novo papel do jornalismo como um todo. A questão principal é que a mídia social está revolucionando o jornalismo. O 1º Encontro do Jornalismo 2.0 será um momento importante de discussão dos rumos desse novo jornalismo. O encontro será no dia 28 de novembro em Itu/SP. Mais informações no site do evento (www.jornalismo20.com.br).

Outubro 29, 2008

O rei está nu. E eu sei que ele não é de nada

O título desse artigo é o final da carta de Fabio Fernandes, que circulou na Internet. Foi um desabafo e ao mesmo tempo um basta à essa forma de publicidade praticada. Ele fez o papel de “whistleblower” que é aquela primeira pessoa a denunciar uma situação irregular. Normalmente essa é uma ação, de alguém de dentro, que não aguenta mais ser conivente com alguma situação irregular. Isso ocorreu no caso da ENRON, das denuncias sobre as torturas no Iraque, da industria do tabaco e varias outras. Agora o foco está no meio publicitário.

Isso começou com uma discussão, durante o Maxi Mídia, entre o Fabio e o Nizan. Achei esse vídeo (editado) no Vimeo. Se alguém tiver a versão integral seria bem interessante publicá-la.

A carta do Fabio Fernandes endereçada aos seus colaboradores que “vazou” para a Internet:

Fabio Fernandes/FNAZCA     -    16/10/2008 19:23

 

Pessoal,

 

Achei que devia escrever a vocês para falar sobre o Maximidia e o

debate/embate que eu travei com o Nizan.

 

Acho que não é novidade para os mais próximos e os nem tão próximos

que tenho diferenças profundas, quase religiosas, na visão sobre o que

é e o que deve ser o negócio, o objetivo do trabalho, a missão, os

processos, a forma e o conteúdo do produto final de uma agencia de

propaganda, em relação ao dito personagem – pra mim, uma caricatura de

ser-humano, dublê de político populista e novo-rico deslumbrado, comediante de frases de efeito repetidas à exaustão, arremedo de empresário anti-ético e criativo anti-estético.

 

Nunca escondi – nem dele – que o acho vil, pernicioso à nossa

indústria, predador, oportunista, aproveitador, manipulador.

 

Nunca deixei de observar e comentar que todo o tempo em que ele esteve

criador, foi um tempo que ele utilizou apenas para forjar um

personagem que, com tino e capacidade de observação, o levaria a ter

seu próprio negócio, onde ele reproduziria não aquilo que ele almejou

como empregado mas, ao contrário, os piores modelos, os piores ambientes internos, piores lugares comuns, entre todas as agencias em que ele trabalhou. 

 

Desde que isso, convenientemente, implicasse em fazê-lo mais forte, mais rico, mais poderoso.

Nizan é um caso típico de uma pessoa que quanto mais tem mais quer.  E

que quanto mais quer menos mede esforços e as consequencias nefastas

dos atos que ele pratica para ter mais.  Ele é o exemplo pronto e acabado da insustentabilidade.

 

Se fosse presidente dos EUA não seria em nada diferente de Bush – só o

discurso seria mais engraçado.  Mas invadiria o Iraque, deportaria

estrangeiros, perseguiria minorias, poluiria a atmosfera, cagaria para

o mundo.  O que interessa para ele é ele.  E por ele, acha ele, que pode, ele, tudo.

Mas a minha questão mais vital em relação a ele, é o fato de que –

queira eu ou não – ele se transformou em uma celebridade da propaganda

brasileira.  Os incautos, os bobos da corte, os novatos, os leigos, os

incultos, clientes inclusive, publicitários inclusive, imprensa,

principalmente, inclusive, o acham o máximo.  E eu, que convivo muito bem com as minhas invejas, meus desencantos, meus fracassos, não teria nada a objetar se ele o fosse de fato.  Portanto não é este, em nenhuma hipótese, o meu problema com ele.

O meu imenso, colossal, infinito problema com ele é que, amparado por

essa ‘populariadade’, ‘unanimidade’, ’superioridade’ ele diz o que

quer, do jeito e na hora que quer, destruindo o que quer, com voz e pompas de ‘representante da categoria’.

Agencias que produzem trash for cash (ou, lixo por dinheiro, em bom

português) existiram e existirão sempre.  Na realidade, em boa parte

elas até nos ajudam a sermos melhor percebidos como inovadores, originais, cuidadosos, diferentes.

 

O Brasil, entretanto, é o único país do mundo onde a publicidade tem

no discurso do seu maior expoente que ‘o que é bom é feito para ser

copiado’, ‘propaganda criativa é bobagem’, ‘eficiência é o contrário

de originalidade’, ou as pérolas que ouvimos no próprio Maximídia

‘momento de crise não momento de inovar’.  Ou seja: na falta de

capacidade ou de vontade de fazer boa propaganda, propaganda de

qualidade (o que, obviamente, na nossa opinião passa obrigatoriamente

por inovação, criatividade, excelência na execução e excitação do

pessoal interno de uma agencia de propaganda) o que ele faz – oficialmente – é nos colocar na posição de meninos traquinas, revoltadinhos de plantão, criativos irresponsáveis que querem brincar com o dinheiro dos clientes, enquanto ele finge que é Jack Welch, Warren Buffet ou Armínio Fraga.  Nizan não sabe mais quem ele é.  Ele é publicitário mas quer fingir que é analista econômico.

 

Foi criativo mas gostaria mesmo era de ser dono da Ambev.  Tem um business microscópico mas arrota ares de colega de turma de um Jorge Gerdau.

 

Mas eu sei quem é Nizan.  É um demagogo.  Ele sabe bem que o discurso

do tradicionalismo, do conservadorismo, da mediocridade, da

pasteurização, agrada em cheio a uma imensa gama de bundões de plantão que preferem demitir do que investir.  Preferem temer do que empreender, preferem dividir os prejuízos, já que nos lucros ele posa com a esposa em sandálias de 3.200 reais em seu apartamento em Paris.  Preferem disseminar o caos, porque a alegria dos bons momentos ele rega com champagne em festas particulares com celebridades estéreis e etéreas de ultima hora.

 

Na publicidade, que afinal é o meu negócio, embora sempre que eu fale

nisso ele ache que o assunto está infantil demais (lembrem-se, ele é

um business man) ele sabe também que há bundões prontos a gastar mais para contratar uma meia dúzia de artistas famosos, cantando um jingle com uma logomarca formada por funcionários da empresa, do que se ‘arriscarem’ a criar um posicionamento de verdade, uma linguagem proprietária, um estilo único e próprio.

 

 

Na visão desse chupa-sangue de plantão, ele está certo.  Tanto que

acerta duas vezes com uma mesma tacada: acalenta os desejos mais primitivos de um ou outro cliente cagão e ainda fatura muito mais em cima do trouxa que tem que enfiar todo o dinheiro do mundo para ser ouvido/visto/lembrado com uma bobajada cheia de clichês e formulinhas baratas, que definitivamente não sobreviveriam a um plano de mídia comprado com poucos recursos. De quebra, ele ainda usa todo o seu arsenal de repetidores e baba-ovos da imprensa e arredores para confirmar que um monte de estrume na verdade é um pote de ouro.

 

E o bobo alegre que aprovou e pagou pela campanha, acha que fez a

coisa certa de novo.

 

Reis nus.  Que se sentem vestidos com o melhor da tecnologia e design

da indústria textil.  E eu, daqui do alto da minha inocência, só vejo

que eles têm pênis pequenos.

 

Não é à toa que ele está tão preocupado com a crise de liquidez que

todos vamos enfrentar nos próximos tempos.  Ele sabe que o dinheiro,

quanto mais valioso e raro fica, melhor tem que ser aplicado.  E, com menos dinheiro, é a inteligência o que a propaganda vai voltar a exigir.

 

Quanto mais economizarmos, compensados por uma mensagem forte e

memorável, mais eficientes seremos para os nossos clientes.

 

Ninguém lembra de um amigo medíocre que fala pouco, alguns até se

recordam de um amigo chato que fala muito, mas todos sentem saudades do amigo genial que falava coisas legais.  Ou seja: o modelo de negócio dele desmoronou.  A festa acabou para quem não passava de vendedor de um montão de espaço na mídia e começou para quem tem o Que e o Como dizer nesse espaço, que será inevitavelmente menor.

 

E isso ele não sabe fazer.

 

Isso foi o que suscitou o nosso duelo na última quinta feira.

 

Ao contrário do que ele ainda tentou fazer alguns crerem, eu não

estava discutindo sobre o ofício da criação ou sobre ‘leões em Cannes’.

 

Ao contrário do que ele fingiu que estava acontecendo, a nossa

discussão não era sobre a criatividadezinha e os sonhos dos seus

pequenos criadores.

 

 

Nós discutíamos sim era sobre uma questão que, apesar de tudo, ele

mesmo ainda tem senso crítico suficiente para entender, mesmo que

intimamente isso seja altamente doloroso, já que foi o que um dia ele mesmo já tanto defendera.  Nós estávamos discutindo caráter.

 

Porque, ao contrário dos que não oferecem o melhor para os seus

clientes por falta de recursos, talento, ferramental, essa

mediocrização a que ele está submetendo as agencias controladas por

ele é um esforço premeditado para esvaziar toda e qualquer possibilidade de que o discurso dos que fazem melhor, com mais interesse, mais cuidado, mais compromisso e mais responsabilidade se reestabeleça.

 

O trabalho que as agencias do Nizan faz, a maneira como ele trata seus

funcionários, as propostas comerciais indecorosas que elas oferecem aos seus clientes, não seriam um problema tão grande se não fosse o fato, como eu já disse, de que o discurso que o embasa é avassaladoramente mais potente que o que nós e outros poucos como nós, conseguimos rebater daqui.

 

Quando alguém vende a alma ao demônio isso deixa de ser um problema

exclusivamente dele quando esse alguém vai à Caras, à Exame e à Veja

para convencer a todos de que vender a alma é o certo.

 

E o que aconteceu de bom no final de tudo isso?  Na minha opinião,

várias coisas.

 

A primeira é que muitos agora viram que o que ele diz não é uma verdade.

É uma opinião viciada, interesseira e oportunista.

E não é a opinião do resto do mercado.

 

Segundo, é que outros que pensam como nós entenderam que ele pode e

deve ser confrontado.

 

Terceiro, é que se definiram claramente os discursos e as práticas no

dia a dia.  Agora, já pode-se começar a entender que mediocridade e

mesmice são apenas uma opção e, tanto são uma opção, que têm um lugar (ou um grupo) certo onde podem ser solicitadas.

Mas existem sim outras opções e nós estamos na ponta entre as agencias

de propaganda latu-sensu que oferecem essa opção.

 

Quarto, é que sempre é bom ver os que se fazem de bonzinhos e corretos

finalmente mostrando as suas garras e suas verdadeiras motivações.

Naquele mesmo dia à tarde o Nizan me telefonou aqui na agencia.  Como

eu não o atendi, deixou, literalmente, o seguinte recado com a Sueli: ‘Diga ao Fábio que ele é viado, frouxo, que ele me bate em público mas se ele for homem que telefone para mim!’

 

Disse também, mais tarde, em um jantar com pessoas que me conhecem que

‘Eu só não bati em Fábio Fernandes porque ele estava maquiado – e eu

não bato em homem maquiado’.  Para os que não entenderam o enigma

(como eu, que fui perguntar a uma pessoa que o conhece) ele acha que

eu… passo lápis nos olhos.  Sim, acreditem.  Alguém, inclusive, já o

ouviu relatando que alguém lhe contou que uma certa vez, sob a chuva, o lápis dos meus olhos borrou e eu corri para colocar os óculos escuros….

:-) )))) Inacreditável, mas é a mais pura verdade.  Foi a esse ponto que esse sujeito chegou.

 

Por isso mesmo eu resolvi escrever a todos vocês sobre isso.  Porque o

que eu tenho a dizer sobre ele é bem pior do que seria se ele apenas

usasse lápis para ressaltar os seus lindos olhos.  O que eu tenho a dizer sobre ele é claro, verdadeiro, profundo e cabal.

 

Fico feliz de não me maquiar, mas não teria problema nenhum em

admití-lo se, ainda que absurdo, isso fosse verdade.

 

O duro para ele deve ser ouvir o que eu penso – e que a cada dia mais

gente vem me dizer que foi bom eu dizê-lo porque é o que quase todo

mundo pensa – e, mesmo sendo a mais aguda verdade, não poder admití-lo.

 

Porque é revelador, comprometedor e devastador.

 

O rei está nu.  E eu sei que ele não é de nada.

> Fabio Fernandes

> F/NAZCA SAATCHI & SAATCHI

> Agency of The Year 1999, 2001, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007.

 

Outubro 3, 2008

Domingo será a eleição… e eu com isso?

Eu sempre acreditei que era melhor não me meter em política. Desde que era estudante na FGV, tendo professores como Bresser Pereira, Eduardo Suplicy, Vilmar Faria entre outras fortes personalidades do meio sócio-político, aprendi que a questão era muito mais uma luta pelo poder do que pelas idéias. Historicamente, a humanidade sempre foi assim. Portanto, escolhi trilhar os caminhos do “pensar fora da caixa”, do alternativo, do social e principalmente da busca interior. Quanto à política, nem pensar!

 

No início desse ano a política veio ao meu encontro. O meu trabalho com tecnologia da informação e Web 2.0, que atende pelo nome de “Mídias Sociais” se tornou o grande foco de notícias depois que um ilustre desconhecido teve a petulância de concorrer, nos EUA, com o clã Clinton e… venceu! Como ele fez esse milagre? Sua resposta foi muito simples: mídia social (social media). Da noite para o dia, nomes como Google, Blog, Youtube, Orkut, Twitter, Facebook, Myspace, Second Life, Linkedin, Digg, Ning, Flickr, MSN, Skype, Plaxo e tantos outros deixaram de ser apenas endereços de entretenimento para se tornarem poderosos formadores de opinião.

 

O que me deixa muito animado é que a política vai se transformar de uma maneira bem mais sadia, transparente e com a constante participação do cidadão. O perfil do político também vai mudar e provavelmente teremos nomes de pessoas que não queriam fazer parte desse modelo político atual.

 

Minha primeira palestra sobre o tema foi em maio, num evento de Mídia Social promovido pela revista Bites. De lá para cá foram várias palestras, entre elas a CONIP, Eleições 2.0, INTEROP, entrevistas na Isto É Dinheiro e no IDG.

 

A Nova Política será feita por candidatos que, após vencerem, continuarão a contar com o apoio dos cidadãos de sua localidade. Mais do que isso, estarão interagindo o tempo todo com eles para realmente atuar em seus nomes. Não é maravilhoso? Você vota num candidato e continua acompanhando e interagindo com o seu mandato. A mídia social vai permitir que haja constantes trocas de idéias, discussões, pesquisas de opinião, fóruns e até mesmo votações para determinados assuntos. Plebiscitos on-line! Isso vai acontecer!

  

Em Itu, só conheço um candidato buscando trabalhar nesse formato. Ele tem se cercado de muitas pessoas, eu inclusive, com diferentes conhecimentos para criar essa rede de apoio nas diferentes áreas de atuação. Não será apenas um vereador na Câmara, mas um representante de uma comunidade, cada vez maior, de cidadãos interessados em participar das decisões da cidade. Isso é novo!

 

Não estaremos votando apenas no candidato, mas num movimento por uma maior transparência e participação colaborativa de quem quiser. Se esse formato for eleito, daqui a 4 anos todos os candidatos terão que agir assim para serem eleitos. Que mudança importante!

 

Sabemos que tem boas pessoas se candidatando, eu mesmo conheço algumas, mas estamos elegendo uma Nova Política e não apenas um determinado candidato. Estamos escolhendo um formato diferente do que existe hoje. Não agüentamos mais ver tantos escândalos e corrupção no noticiário. Por isso, candidatos “bizarros” conseguem se eleger. É um voto de protesto. Fiquei com vergonha, em 2004, quando o programa Fantástico colocou Itu junto com outras cidades (que eu nunca tinha ouvido falar) que elegeram personagens folclóricos. Neste fim de semana passei pelas ruas e vi bandeiras, carreatas, homens-sanduíche, carros e bicicletas de som e tentei explicar para o meu filho (9) o significado daquilo. Os nomes não ajudam, tem cada nome estranho! Foi difícil explicar o inexplicável!

 

Bom voto!

Setembro 20, 2008

Cidades Digitais

O que é uma Cidade Digital? É aquela que tem muitos computadores espalhados pelos telecentros, cyber cafés e lan houses? É a que tem Internet Grátis? É a que apresenta um bom índice de internautas ou tempo de conexão por habitante? A que tem políticas de inclusão digital?

Na verdade é tudo isso e muito mais. Temos que pensar em emancipação digital ao invés de inclusão digital. A emancipação digital significa que o cidadão se desenvolve, cresce, melhora sua condição de vida como resultado de ações no meio digital. Portanto a cidade digital, ou melhor o Município Digital precisa pensar não apenas em implantar infra-estrutura digital mas em como aprimorar a cidadania através das mídias sociais locais. De sistemas de aprendizagem até uma governança participativa.

Para isso é preciso ter um sistema de gestão pública digital muito confiável e uma comunicação direta com o cidadão através das mídias sociais. Acabou o tempo do amadorismo na web, isso é uma questão de vital importância para a gestão pública municipal.

O vídeo do Marcelo Tas explica de uma forma simples e provocativa o que é uma cidade. Ele é um exemplo desse profissional 2.0.

Setembro 6, 2008

Saia da Escola!

Estou lendo o “The Power of Presence” do Peter Senge e novamente fica claro o quanto as escolas estão LONGE de conseguir ensinar alguma coisa aos alunos. Enquanto os pais, professores e gestores do ensino não mudarem COMPLETAMENTE seu modo de ver a aprendizagem eles estarão perdendo um precioso tempo.

 

Por mais incrível que pareça nossos filhos têm tudo para serem muito bem sucedidos nesse novo mundo sócio-econômico. Mas o que os tira desse caminho somos nós, pais e educadores. O futuro é aqui e agora. Abra sua mente e principalmente o seu coração para o que já está acontecendo na educação e tenha uma “escuta generosa” para as novas habilidades requeridas para o profissional de hoje.

Por que pais e educadores, os mais interessados no sucesso dos filhos e alunos, fazem o contrário do que é preciso para prepará-los para o futuro? Simples: falta de conhecimento.

Tenho visto pais entrarem nas escolas e perguntarem onde está o laboratório de informática e quantos computadores tem por aluno. Falta-lhes a informação da total inutilidade de um laboratório de computadores, assim como seria inútil (no tempo deles) um laboratório de canetas e lápis. Por outro lado, as escolas mantêm esses laboratórios por duas razões: apenas para os pais verem ou – bem pior – porque não sabem de sua inutilidade. O próprio nome “informática” é mal compreendido e muitas escolas, em vez de ensinarem a ciência da informação, ensinam Windows, Word, Excel, Photoshop, Corel e outros. Seria como ensinar a utilizar garfos, pratos, colheres e panelas, em vez de ensinar a cozinhar.

Sendo a comunicação e a informação tão importantes para as profissões do futuro, porque as escolas mal tocam de verdade nesse assunto? O livro “As Profissões do Futuro”, de Gilson Schwartz , foi escrito em 2000 e  é impressionantemente atual. Gilson nos diz que três palavras resumem a  sua visão: rede, conhecimento e cidadania. “As oportunidades de sobrevivência digna estarão cada vez mais condicionadas, em cada sociedade, pelas possibilidades de criação e multiplicação de redes de conhecimento”,  afirma.

Lamentavelmente, as escolas ainda estão desenhadas ao contrário, formando alunos que acreditam que o objetivo principal da escola é o Vestibular. E para piorar, muitos pais e educadores reforçam essa idéia. Com isso, a grande maioria dos alunos não está preparada para a faculdade e muito menos para o futuro mercado de trabalho. E quanto às avaliações? As pesquisas mostram que os profissionais bem sucedidos foram na sua maioria mal avaliados em suas escolas e que a maior parte dos bem avaliados não está bem posicionada no mercado de trabalho. O que isso quer dizer? Será que temos que questionar o atual sistema de avaliação? Sim, temos que questionar. E muitos já o estão fazendo. O livro “Fomos Maus Alunos” de Rubem Alves e Gilberto Dimenstein é um presente para essa reflexão. Recomendo a todos os pais interessados em Educação essa deliciosa e rápida leitura de um bate-papo entre os dois.

As habilidades necessárias para o profissional do século XXI (que já começou) demandam que a pessoa seja auto-motivada, auto-dirigida, colaborativa, que tenha senso de cidadania (responsabilidade social e ecológica) e que trabalhe em rede. Enquanto isso, as escolas continuam ensinando o contrário. Os alunos aprendem uma obediência cega à hierarquia para não serem punidos. As lições não são feitas por interesse ou curiosidade e sim porque “vale nota”. Os alunos aprendem a acreditar no que está escrito (sem questionar ou refletir), aprendem a competir para vencer (sem compartilhar ou cooperar) e humilham seus colegas diante do grupo, com a maior naturalidade, já que o próprio professor muitas vezes também o faz. Notas e punições acabam sendo (ainda) a base do sistema de educação. Isso porque apesar de já estar claro que esse sistema não funciona mais, poucos sabem o que colocar no lugar e como fazer isso. Enfim… essa escola está morta, mas ainda não foi enterrada. Cabe aos pais e educadores não permitir que esse modelo continue a existir.

Imagine a seguinte experiência: coloque todos os professores de uma mesma escola numa sala e diga que eles serão avaliados. Sinta a reação de cada um, aplique um teste de QI (veja o medo da maioria), exiba os resultados abertamente, dê os parabéns àqueles que se saírem bem e recomende aos que ficaram abaixo da média para procurarem ajuda. Afinal de contas, um professor precisa ser inteligente! Tenho certeza que a simples proposta vai gerar uma comoção entre os professores…Não vai? Mas se pensarem bem, é isso que a educação está fazendo, sistematicamente, com os alunos. Para que?

O maior equívoco dos pais é acreditar que uma escola que exige muito do aluno é uma boa escola. Os pais aprenderam de seus pais que para se ter um bom futuro é necessário se sacrificar para isso. Portanto, traduzem que uma escola que está mais preocupada em formar seres humanos e cidadãos conscientes em vez de focar no vestibular é uma escola alternativa e provavelmente fraca. Ledo engano! A Escola da Ponte, em Portugal, prova claramente o contrário! Lá, os alunos não têm aulas regulares, conteúdo programático, provas ou notas. O aluno aprende dentro do seu próprio interesse. Segundo José Pacheco, a preocupação deles é com o desenvolvimento do aluno e não com a grade curricular. Resultado: por ser uma escola pública e estar completamente fora do “esquema” de ensino, o estado depois de tentar tudo para acabar com a escola resolveu fazer um “provão” para humilhá-los com as notas baixas de seus alunos. Mas para surpresa geral, a Escola da Ponte ficou em primeiro lugar. Seus alunos obtiveram as melhores notas do país. Nos Estados Unidos, um número muito grande de escolas saíram do esquema formal de ensino. O resultado é que atualmente não é mais obrigatório fazer uma escola oficial, basta passar nos exames.

George Lucas afirmou que no seu tempo a escola era uma chatice total entrecortada por alguns poucos professores maravilhosos que foram responsáveis pela sua formação. Ele pergunta: “Por que a escola precisa ser assim chata? Porque não pode ser maravilhosa com raros momentos ruins?” Ele não ficou de braços cruzados. Montou uma das maiores entidades voltadas para a educação do mundo: a George Lucas Educational Foundation (www.glef.org) que tem produzido o que há de melhor na formação de educadores. Vale a pena ler, ouvir e ver o seu projeto (Edutopia).

Os professores não terão que correr para aprender sobre esse novo mundo, muito pelo contrário. Só precisam se abrir para a idéia de que o aluno pode saber mais do que ele sobre um determinado assunto… e tudo bem ser assim! Só isso!  Exemplo: durante uma aula  sobre reconhecer pegadas de animais, um aluno se interessou em colecionar diferentes pegadas e na pesquisa  achou um jogo de descobrir pegadas no habitat do animal… só que o site era na Alemanha . O colega retrucou que estava escrito em alemão e ninguém ali sabe ler. Um terceiro aluno disse que conseguia ler qualquer coisa em qualquer língua – esse aluno “ensinou” todos da classe a usar um tradutor automático  – disponível hoje na Internet, para quem souber procurar. Num outro dia, um quarto aluno mobilizado pela aprendizagem trouxe uma opção mais eficaz para traduzir e após algumas semanas a classe toda conseguiu  acessar todo o conteúdo da web em português. Com tudo isso, surgiu também a questão do “Internetês” e a crença de  que ele vai fazer todo mundo desaprender o português.

A classe começa a debater e a pesquisar o assunto  e conclui que  - pelo contrário  – a Internet está promovendo a leitura  e mobilizando a criação de uma nova linguagem, que não substitui a anterior, mas se soma a ela. O texto que escolhem  para apoiar a discussão chama-se “Discutindo a Língua Portuguesa”,  escrito por Sírio Possenti e disponível em seu website. E assim, o grupo caminha das pegadas dos animais à tecnologia, passando por países, idiomas, questionamentos e reflexões. Embora as disciplinas de Geografia, História, Português e Ciências estejam presentes no estudo, fica absolutamente claro que as fronteiras da aprendizagem vão muito além da “matéria”.  É preciso tocar também o invisível, criando interesse, comprometimento, responsabilidade e visão coletiva. Mas não é fácil conseguir isso! Portanto, os pais precisam buscar informações sobre quais as habilidades serão requeridas quando seus filhos forem para o mercado de trabalho. E devem pesquisar o que a escola está fazendo nessa direção… de verdade e não só na sua propaganda . Algumas perguntas a serem feitas para a escola:

1- Qual a filosofia da escola?
2 – Como trata a tecnologia da informação? Ainda tem laboratório de informática?

 

3 – Como lida com a inteligência emocional e as múltiplas inteligências em geral?

4 - Os professores estão alinhados com a escola?

5 – Como realmente lidam com os problemas? Peça exemplos práticos.

6 – Como avaliam os alunos?

7 – O que pensam e o que fazem quanto à preparação para o vestibular?

Cada pergunta dessas deve ser feita em profundidade, questionando os “senãos”. Responder é fácil, mas verifique se as respostas condizem com a verdade, perguntando para outros pais da escola e principalmente para os alunos.Dê um passeio pela escola e verifique a postura dos alunos em classe. Sentem-se a vontade ou com medo? Estão interessados ou loucos para sair dali? Numa palestra da ASCD (Association for Supervision and Curriculum Development), o educador Alan November disse que o melhor teste para conhecer a competência de um professor é tirá-lo da classe e ver o que acontece com os alunos. Se a classe permanecer como estava o professor é bom; se virar uma bagunça esse professor tem muito a aprender.

 

 Precisamos mudar um importante paradigma para o bem dos nossos filhos. Uma escola que valoriza o desenvolvimento do aluno é uma escola que escolheu a difícil tarefa de ensinar a aprender e provavelmente fará o seu filho obter os melhores resultados nos exames. Mudar um paradigma qualquer não é uma tarefa fácil. Portanto, proponho que  entendamos a importância dessa escolha e  dediquemos tempo estudando o que há nesse caminho. Além das idéias acima, sugiro a leitura de mais 5  bons livros:

1. Presença – Peter Senge, Otto Sharmer, Joseph Jaworski e Betty Flowers – trata do processo de aprendizagem. Imperdível!

2. Inteligência Social – Daniel Goleman – esse último livro é uma obra prima para entendimento do SER do ser humano e de nossas conexões. Leitura obrigatória!

3. A Escola que Aprende – Peter Senge – um livro definitivo para entender os “porquês” e “comos” das mudanças que as Escolas estão vivendo. Obrigatório para educadores! Se na sua escola não seguem esses ensinamentos: mude de escola já!

4. Freakonomics – Stephen Dubner e Steven Levitt – um livro que fará você nunca mais cair no conto do “senso comum”. Você verá tudo com um olhar mais real. Ajudará, de uma forma despretensiosa, a pensar “fora da caixa”. 

5. O Mundo é Plano – Thomas Friedman – reúne a visão da transformação que estamos vivendo e propõe um olhar para a educação. Leia a segunda edição revisada!

Depois de tanta reflexão, nós – pais e educadores – temos duas escolhas: continuar dormindo ou acordar. O que você escolhe? 

Setembro 4, 2008

Eleições 2.0

Tenho certeza que a Internet vai definir as eleições de 2010, terá alguma influência na de 2008 e as campanhas nunca mais serão as mesmas. O que está acontecendo nas eleições 2008 dos EUA acontecerá na nossa em 2010. Lá, um “azarão” sem chances numa campanha tradicional mudou o jogo e conseguiu uma façanha inédita.

 

O autor do excelente livro “The First Campaign”, Garrett Graff, compara essa revolução nas eleições americanas com a de 1952 em que Eisenhower usou um meio totalmente desacreditado por parecer elitizado, que não tinha muitos adeptos (assim como se pensa ainda hoje sobre a Internet): a TV. Dois anos depois 10.000 americanos, por dia, compravam sua primeira TV. Em 1956, quando ele se reelegeu, 75% dos lares tinham TV. As campanhas políticas nunca mais foram as mesmas nos EUA.

 

Agora é a Internet que está definindo o rumo dessa eleição e as campanhas nunca mais serão as mesmas. No Brasil isso vai acontecer na eleição de 2010, que começa em outubro de 2008. Aqueles que não começarem nessa época, terão poucas chances. Ao invés das grandes redes de mídia definirem o que as pessoas vão ver, as próprias pessoas vão gerar conteúdo para outras verem. As histórias que a grande imprensa consegue dominar irão, pouco a pouco, perder o controle para o cidadão comum. Hoje ainda é possível fazer do caso Isabela a novela do momento e encobrir uma grande quantidade de outras histórias que poderiam também estar na pauta. Mas isso será por pouco tempo.

 

O Pangea Day, um dos melhores movimentos internacionais desse primeiro semestre, teve uma divulgação quase nula, sendo que o Brasil foi um dos 6 países escolhidos para participar. Fiquei impressionado! Se você não sabe o que foi isso, você está entre os que ainda são pautados pela grande mídia. Mas em pouco mais de 1 ano será impossível viver assim. Seu celular, seu browser ou seu pda estará lendo e enviando posts, twitters, sms, qrcodes, rss, gis, gps do seu interesse, mesmo que você não saiba o que significa isso. Na prática, você estará conectado com uma rede colaborativa que o ajudará a encontrar caminhos, descontos, conteúdo, bem estar e principalmente relacionamentos.

 

Os políticos que não perceberem que o mundo mudou tomarão um susto ao verem completos desconhecidos receberem quantidades impressionantes de votos. Talvez chamarão essa sensação de efeito Hillary. Mas o mais importante não é a mudança do formato da campanha, mas sim a mudança do perfil do político e da política. Teremos gestores públicos que serão monitorados pelo seu eleitorado durante o mandato. Teremos representantes que farão plebiscitos on-line a cada decisão a ser tomada por um grupo de participantes com interesses naquele assunto. Estamos diante de uma nova era para a política, para os políticos e principalmente para os cidadãos.

 

A diferença entre a web 1.0 e a 2.0 é simples. Na primeira, o conteúdo é produzido por um e distribuído para muitos (assim como nas mídias tradicionais). Na segunda, o conteúdo é produzido por muitos e distribuído para muitos. Portanto, a ação de uma única pessoa pode, com a colaboração de muitos, se tornar um sucesso através de uma reação em cadeia na comunicação. Este é o princípio!

 

A semente desse movimento começou nos EUA, em janeiro de 1998 quando a revista Newsweek decidiu não publicar a matéria sobre o escândalo sexual de Bill Clinton com uma estagiária da Casa Branca (Monica Lewinsky). No entanto, um site de fofocas chamado Drudge Report, do jornalista Matt Drudge, publicou (ou postou) essa informação e gerou uma cadeia de eventos com um final que conhecemos bem. Dali em diante, nós podemos colecionar centenas de casos em que um único individuo consegue revelar uma informação que transforma o ambiente. Desde a descoberta das fraudes nas fotos da Reuters, até as falsas informações de um importante jornalista do Times que abalaram o mundo do jornalismo.   

 

O caso Obama é sem dúvida o pivô dos holofotes em mídia social. Ele mesmo foi prejudicado pela ação de cidadãos em pelo menos dois casos. O do pastor (amplamente conhecido) e a da Mayhill Folwer, uma senhora de 60 anos e colaboradora do site Huffington Post, que convida o cidadão a ser jornalista. Ela conseguiu, com um simples gravador, levar (em abril) a popularidade de Obama ao nível mais baixo de sua campanha. Dois meses depois essa mesma senhora conseguiu tirar Bill Clinton do sério e gravar sua resposta ofendendo um jornalista da revista Vanity Fair… ele teve que se desculpar publicamente. Pois é, estamos entrando na era em que todo mundo pode ser um jornalista de plantão e tem o poder de alterar o rumo de uma campanha e muito mais.

 

Sou otimista em acreditar que teremos uma Nova Política muito mais transparente, colaborativa e voltada ao coletivo. Isso graças a Mídia Social! E o que é isso na prática? Em primeiro lugar, é preciso desmistificar a questão tecnológica. É claro que estamos vivenciando esse estágio graças aos avanços da conectividade e suas ferramentas de comunicação. Mas o fundamental é a atitude em relação a isso. Não adianta uma empresa ou um candidato fazer um site, alguns blogs, postar vídeos no Youtube, fotos no Flickr, um avatar no Second Life ou uma comunidade no Ning.

 

A grande miopia é contratar algum programador ou profissional de TI (Tecnologia da Informação) quando na verdade deveria estar chamando profissionais que entendam como formar grupos, desenvolver idéias que mobilizam, criar um contexto para a aprendizagem, agregar times multidisciplinares com experiência em ambientes digitais. Lamentavelmente, por ainda estar no estado da arte, a Mídia Social tem poucos que realmente a conhecem e muitos que dizem conhecê-lá. Esses próximos 2 anos serão decisivos para se fazer a escolha certa do profissional e avaliar o retorno.

 

Em 2008, está sendo difícil saber quem é quem. Basta ver algumas iniciativas que resultam em nada. Em 2009 haverá uma corrida em busca desses profissionais e acredito que teremos algo em torno de 20% de bons resultados. Acredito que 80% dos que pensam estar comprando ações em Mídia Social perceberão que compraram na verdade o “mico”. Em 2010, os preços desses serviços vão subir muito para aqueles poucos que comprovaram sua eficácia. Somente em 2011 esse know-how estará plenamente dominado e o mercado ficará estável com valores mais justos. Nesses 2 anos haverá uma grande “troca de cadeiras”, principalmente na política, no jornalismo e na educação.

 

Estamos falando de “contadores de histórias”, no qual as pessoas não estão apenas ouvindo essas histórias… mas participando delas. Essa é uma face da poderosa mídia social. Muitas dessas histórias chegam à mídia tradicional e ficam mais conhecidas, como o caso de um celular perdido num táxi, que mobilizou a cidade de Nova York e até saiu na capa do New York Times. Vale a pena ler sobre os detalhes dessa história para se ter uma idéia de como acontece na prática (www.evanwashere.com/StolenSidekick).

 

Em Montreal, Canadá, um rapaz de 26 anos conseguiu a façanha de trocar um clips por uma casa em apenas 14 negociações. Nos EUA, um celular foi responsável pela maior queda de ações da KFC-Taco Bell quando gravou a presença de ratos numa lanchonete do grupo. Em pouco tempo essas histórias e seus contadores se tornarão cada vez mais comuns. Imagine isso aplicado à política e aos políticos. As histórias não só vão ultrapassar as páginas dos jornais ou telas de TVs, mas farão de cada cidadão um participante ativo da História.

 

Que venham as eleições 2.0!


Alan Dubner
é diretor da Cybermind Comunicação Interativa, especializado em Marketing Digital, Pesquisa Digital e Internet.

Setembro 3, 2008

Hello world!

Welcome to WordPress.com. This is your first post. Edit or delete it and start blogging!

Setembro 3, 2008

Social Media

O termo Social Media em inglês é traduzido para Mídia Social em português e significa o uso do meio eletrônico para interação entre pessoas. Os sistemas de relacionamentos digitais combinam textos, imagens, sons e vídeo para criar uma interação social de compartilhamento de experiências. O ser humano é antes de tudo um ser social, as ferramentas digitais estão potencializando essa tendência e alterando completamente a comunicação dessa nova economia. Temos um enorme desafio pela frente entender as novas regras da comunicação. É uma maravilha estar aqui e agora!